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Autor Tópico: Cardeal Francisco Xavier Nguyen Van Thuan  (Lida 1674 vezes)
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lea onda-menor
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« em: 30 de Dezembro de 2007, 13:01 »

17/09/2007: Começa a causa da beatificação do cardeal Van Thuan...


o isolamento de minha cela, sem luz, sons ou qualquer outro sinal de presença humana, certa vez, nem consegui lembrar a Ave Maria. Foi a única vez, durante os anos em que estive preso, que, de verdade, eu tive medo”.




Cardeal Van Thuan, *
testemunha da esperança

Maria Auristela B. Alves


OS CINCO DEFEITOS DE JESUS
Van Thuan declara-se apaixonado pelos defeitos de Jesus e os descreve no livro “Testemunhas da esperança”:

PRIMEIRO DEFEITO: JESUS NÃO TEM MEMÓRIA

No calvário, no auge da indescritível agonia, Jesus ouve a voz do ladrão à sua direita: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino” (Lc 23,43). Se fosse eu, teria respondido: “Não vou esquecê-lo, mas seus crimes devem ser pagos por longos anos no purgatório”. No entanto, Jesus respondeu-lhe: “...hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). Jesus esqueceu todos os crimes desse homem.

Semelhante atitude Jesus teve com a pecadora que banhou os seus pés com perfume... Não faz nenhuma pergunta sobre seu escandaloso passado. Simplesmente diz: “Seus inúmeros pecados estão perdoados, porque muito amor demonstrou” (Lc 7,47)...
A memória de Jesus não é igual à minha...

SEGUNDO DEFEITO: JESUS NÃO “SABE” MATEMÁTICA


Se Jesus tivesse se submetido a um exame de matemática, por certo teria sido reprovado... “Um pastor tinha 100 ovelhas. Uma se extravia. Ele, imediatamente, deixa as 99 no redil e vai em busca da desgarrada. Reencontra-a, coloca-a no ombro e volta feliz” (cf. Lc 15,4-7).

Para Jesus, uma pessoa tem o mesmo valor de noventa e nove e, talvez, até mais. Quem aceita tal procedimento? Sua misericórdia se estende de geração em geração...

TERCEIRO DEFEITO: JESUS DESCONHECE A LÓGICA


Uma mulher possuía 10 dracmas. Perdeu uma. Acende a lâmpada; varre a casa... procura até encontrá-la. Quando a encontra convida suas amigas para partilhar sua alegria pelo reencontro da dracma... (Lc 15,8-10)... de fato, não tem lógica fazer festa por uma dracma... O coração tem motivações que a razão desconhece... Jesus deu uma pista: “Eu vos digo que haverá mais alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se converte...” (Lc 15,10).

QUARTO DEFEITO: JESUS É AVENTUREIRO


Executivos, pessoas encarregadas do “marketing das empresas”, levam em suas pastas projetos, planos cuidadosamente elaborados... Em todas as instituições, organizações civis ou religiosas não faltam programas prioritários; objetivos, estratégias...

Nada semelhante acontece com Jesus. Humanamente analisando, seu projeto está destinado ao fracasso.

Aos apóstolos, que deixaram tudo para segui-lo, não garante sustento material, casa para morar, somente partilhar do seu estilo de vida. A um desejoso de unir-se aos seus, responde: “As raposas têm tocas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20)...

Os doze confiaram neste aventureiro. Milhões e milhões de outros igualmente. Já vão lá mais de dois mil anos e a incalculável multidão de seguidores continua a peregrinar. Galerias enormes de santos e santas, bem-aventurados, heróis e heroínas da aventura. No Universo inteiro esta abençoada romaria continua... Vai que este aventureiro tem razão...Interrogação Neste caso, a mais fantástica viagem na “contramão” da história será a verdadeira...Excalmação “A quem iremos?”...

QUINTO DEFEITO: JESUS NÃO ENTENDE DE FINANÇAS NEM ECONOMIA


Se Jesus fosse o administrador da empresa, da comunidade, a falência seria uma questão de dias. Como entender um administrador que paga o mesmo salário a quem inicia o trabalho cedo e a outro que só trabalha uma hora? Um descuido? Jesus errou a conta? ...

Por que Jesus tem esses defeitos? Porque é o Deus da Misericórdia e Amor Encarnado. Deus Amor (cf. 1Jo 4,16). Portanto, não um amor racional, calculista, que condiciona, recorda ofensas recebidas. Mas um amor doação, serviço, misericórdia, perdão, compreensão, acolhida... Em que medida? Infinita.

Os defeitos de Jesus são o caminho da felicidade. Por isso, damos graças a Deus. Para alegria e esperança da humanidade, esses defeitos são incorrigíveis.




* Biografia

O Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan teve como lema de vida a esperança que enche de amor o momento presente. Mantido prisioneiro pelo regime comunista durante 13 anos, 9 dos quais em total isolamento, não ficou de “braços cruzados” esperando a libertação; ao contrário, com a criatividade própria do amor, fez-se amigo dos carcereiros, construiu para si um crucifixo, celebrou a eucaristia clandestinamente e escreveu três livros. Depois de uma vida luminosa, morreu vitimado pelo câncer em setembro de 2002.

Francisco Nguyen Van Thuan nasceu no dia 17 de abril de 1928, numa família que conta numerosos mártires da fé. Sua mãe, todas as noites, contava-lhe histórias bíblicas e narrava-lhe testemunhos de mártires, especialmente de seus antepassados.

Van Thuan foi ordenado sacerdote em 11 de junho de 1953. Formado em Direito Canônico, em Roma, retorna ao Vietnã e é nomeado professor e reitor do seminário.

Em 1967, é ordenado Bispo de Nhatrang, no centro do Vietnã, diocese pela qual sempre confessou predileção. Oito anos depois, Paulo VI o nomeou Arcebispo coadjutor de Saigon. Ardoroso animador dos leigos e jovens, prepara-os para participarem dos conselhos pastorais.

Poucos meses depois, porém, foi preso pelo regime comunista: “Disseram-me que minha nomeação era fruto de um complô entre o Vaticano e os imperialistas para organizar a luta contra o regime comunista”, conta Van Thuan. Era o dia de Nossa Senhora da Assunção, 15 de agosto de 1975.

Rumo à prisão, tomou uma decisão importantíssima: “Vinham-me à mente muitos pensamentos confusos: tristeza, abandono, cansaço depois de três meses de tensões... Porém, em minha mente surgiu claramente uma palavra que dispersou toda a escuridão, a palavra que Monsenhor John Walsh, Bispo missionário na China, pronunciou quando foi libertado depois de doze anos de cativeiro: ‘Passei a metade da minha vida esperando’. É verdadeiríssimo: todos os prisioneiros, inclusive eu, esperam a cada minuto sua libertação. Porém, depois decidi: ‘Eu não esperarei. Vou viver o momento presente, enchendo-o de amor’.”

De fato, foi o que fez: amou, amou, amou. As condições não eram favoráveis. Durante alguns meses esteve confinado numa cela minúscula, sem janela, úmida, que para respirar passava horas com o rosto enfiado num pequeno buraco no chão. A cama era coberta de fungos.

Os nove primeiros anos foram terríveis: “uma tortura mental, no vazio absoluto, sem trabalho, caminhando dentro da cela desde a manhã às nove e meia da noite para não ser destruído pela artrose, no limite da loucura”.

Buscava conversar com os carcereiros, que resistiam, mas logo eram seduzidos por sua gentileza e inteligência. Contava-lhes sobre países e culturas diferentes. Isso chamava sua atenção e instigava a curiosidade. Logo começavam a fazer perguntas, o diálogo se estabelecia, a amizade se enraizava. Chegou a dar aulas de inglês e francês.

No começo, a cada semana os guardas eram substituídos, mas logo as autoridades, para evitar que o exército todo fosse “contaminado”, deixou uma dupla de carcereiros fixa. Estes espantavam-se de como o prisioneiro pudesse chamar de amigos os seus carcereiros, mas ele afirmava que os amava porque esse era o ensinamento de Jesus.

Como o amor é criativo, Van Thuan encontrou também um jeito de se comunicar com seu rebanho: “Em outubro de 1975, fiz um sinal a um menino de sete anos, Quang, que regressava da missa às 5 horas, ainda escuro: ‘Diz à tua mãe que me compre blocos velhos de calendários’. Mais tarde, também na escuridão, Quang me traz os calendários, e em todas as noites de outubro e novembro de 1975 escrevi da prisão minha mensagem ao meu povo. Cada manhã o menino vinha recolher as folhas para levá-las à sua casa e fazer que seus irmãos e irmãs copiassem-na”. Assim foi escrito o livro “O Caminho da Esperança”, posteriormente publicado em oito idiomas: vietnamita, inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, coreano e chinês.

Em 1980, na residência obrigatória de Giang-xá, no Norte do Vietnã, sempre de noite e em segredo, escreveu seu segundo livro: “O caminho da esperança à luz da Palavra de Deus e do Concílio Vaticano II”; depois o terceiro livro: “Os peregrinos do caminho da esperança”.

Sempre inspirado pela criatividade amorosa, Van Thuan escreveu uma carta aos amigos pedindo que enviassem um pouco de vinho, como remédio para doenças estomacais. Assim, a cada dia, três gotas de vinho e uma de água eram suficientes para trazer Jesus eucarístico à prisão. Os pedacinhos de pão consagrado eram conservados em papel de cigarro, guardado no bolso com reverência. De madrugada, ele e os poucos católicos detidos ali davam um jeito de adorar o Senhor escondido com eles.

Um dia, enquanto trabalhava de lenhador, Van Thuan pediu ao amigo carcereiro: “Queria cortar um pedaço de madeira em forma de cruz... Feche os olhos, farei agora e serei muito cauteloso. Você vai andando e me deixa só”. Assim, conseguiu como companheira aquela rústica cruz feita por ele mesmo.

Para completar sua obra, pediu: “Amigo, você me consegue um pedaço de fio elétrico?” Este ficou espantado, sabia que quando prisioneiros conseguem fios, suicidam-se. Mas Van Thuan explicou: “Queria fazer uma correntinha para levar minha cruz”. Saindo da prisão, com uma moldura de metal, aquele pedaço de madeira tornou-se sua cruz peitoral.

O Cardeal Van Thuan foi libertado no dia 21 de novembro de 1988. Em 1994 deixou o Vietnã e foi para Roma, onde presidiu o Pontifício Conselho Justiça e Paz.

Foi criado Cardeal em 21 de fevereiro de 2001. Escreveu mais um livro: “Testemunhas da esperança”, no qual relata sua experiência de prisioneiro. Fazia questão de dizer que não se trata de um livro para fazer denúncias, mas testemunhar o dom da esperança. Vitimado pelo câncer, faleceu no dia 17 de setembro de 2002.



Autor:
Francisco Xavier Nguyen Van Thuan
Nº Páginas: 224
Formato: 12,5X18
Eis um livrinho que estou a ler... um conjunto de pensamentos breves organizado por temas: muito mas muito interessantes:

«Escritas pelo arcebispo de Saigão durante os seus treze anos de cativeiro e copiadas clandestinamente, a leitura destas páginas foi o sustento de milhares de páginas. Refiro-me à obra "O caminho da esperança - testemunhar com alegria a pertença a Cristo" de Francisco Xavier Nguyen Van Thuan. O manuscrito chegou até nós graças aos refugiados, os famosos "boat people", que dele receberam força, coragem, serenidade, fé e esperança nos momentos mais dramáticos da sua fuga. Editada pelas Paulinas, esta obra tem uma enorme riqueza espiritual.»


Bento XVI - Carta Encíclica: "Spe Salvi"


«[...] I. A oração como escola da esperança

32. Primeiro e essencial lugar de aprendizagem da esperança é a oração. Quando já ninguém me escuta, Deus ainda me ouve. Quando já não posso falar com ninguém, nem invocar mais ninguém, a Deus sempre posso falar. Se não há mais ninguém que me possa ajudar – por tratar-se de uma necessidade ou de uma expectativa que supera a capacidade humana de esperar – Ele pode ajudar-me.[25] Se me encontro confinado numa extrema solidão...o orante jamais está totalmente só. Dos seus 13 anos de prisão, 9 dos quais em isolamento, o inesquecível Cardeal Nguyen Van Thuan deixou-nos um livrinho precioso: Orações de esperança. Durante 13 anos de prisão, numa situação de desespero aparentemente total, a escuta de Deus, o poder falar-Lhe, tornou-se para ele uma força crescente de esperança, que, depois da sua libertação, lhe permitiu ser para os homens em todo o mundo uma testemunha da esperança, daquela grande esperança que não declina, mesmo nas noites da solidão. [...]

34. Para que a oração desenvolva esta força purificadora, deve, por um lado, ser muito pessoal, um confronto do meu eu com Deus, com o Deus vivo; mas, por outro, deve ser incessantemente guiada e iluminada pelas grandes orações da Igreja e dos santos, pela oração litúrgica, na qual o Senhor nos ensina continuamente a rezar de modo justo. O Cardeal Nyugen Van Thuan, contou no seu livro de Exercícios Espirituais, como na sua vida tinha havido longos períodos de incapacidade para rezar, e como ele se tinha agarrado às palavras de oração da Igreja: ao Pai Nosso, à Ave Maria e às orações da Liturgia.[27] Na oração, deve haver sempre este entrelaçamento de oração pública e oração pessoal. [...]»

« Última modificação: 30 de Dezembro de 2007, 13:08 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #1 em: 02 de Janeiro de 2008, 14:58 »

Palavras de Esperança 


"Quando te sentes esmagado pelo sofrimento,
levanta o olhar para a cruz, abraça-a,
e fica em silêncio, como Maria." 
                                          
   

"Onde quer que Jesus fosse, havia sempre pessoas dispostas a viver e a morrer por Ele. Mas também havia quem estivesse disposto a matá-lo. Então porque querestu que todos te amem? Porque desanimas se alguém te odeia?"

"Nos períodos de sofrimento, há algumas coisas a evitar:
- Não perguntes de quem é a culpa, mas agradece a Deus por essa pessoa de que Ele se serve como instrumento para te santificar.
- não procures apenas a consolação humana. É sobretudo ao Senhor, no Santíssimo Sacramento, e a Maria que deves confiar os teus problemas;
- quando tiver passado o momento difícil, abandona toda a recriminação e todo o rancor. Esquece, não fales mais nisso, e canta: «Aleluia!»"

"Sofres mais quando teafligem quando te afligem aqueles que deviam entender-te e ter simpatia por ti, aqueles que tinham o dever de te defender. Une-te a Cristo, que pende da cruz, abandonado:« Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?»"

"Estás abalado por um acontecimento que te deixou o coração despedaçado e protestas contra essa injustiça. Reflecte bem: que pecado cometeu Jesus para merecer a crucifixão? Achas que Ele foi tratado com justiça?"

"Dizes que os outros não te estão agradecidos. Queres dizer que os trataste bem só para receber agradecimentos?"

"Se te unires à Paixão de Jesus não só encontrarás a ajuda necessária para seres corajoso e paciente, mas o teu sofrimento terá um grande sentido redentor."

"Durante a agonia no Getsémani, o Senhor tomou consigo três apóstolos pelos quais nutria especial afecto: Pedro, Tiago e João (cf. Mt 26, 37-38). Tens medo de ser um dos seus amigos mais queridos?"

"O tempo é um factor importante. Quando acontece alguma coisa, não sejas precipitado nem imprudente na tua reacção. Considera as coisas com paciência e espera um pouco. Muitas vezes, depois deteres repousado um pouco durante a noite, poderás ver as coisas com maior objectividade e clareza"

"Se estás demasiado tenso, descansa um pouco. Esquece por um momento as tuas preocupações: recuperarás forças, e o teu trabalho será mais eficaz. Aceitar que a saúde tem um limite é prova de coragem; saber como conservar a saúde é prova de sabedoria."

"Se queres evitar o sofrimento, não esperes ser santo"

"A prova e o sofrimento são como a patente para seguir o Senhor e para gozar a felicidade com Ele.«Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me»"

"No meio das provas repete a ti próprio que esse sofrimento não é nada comparado com o Paraíso. Foi isso que nos ensinou o Senhor: «Bem-aventurados os pobres, bem-aventurados os que choram, bem-aventurados os que sofrem perseguições, porque deles é o Reino dos Céus» (cf. Mt 5, 3-10)"

"O sofrimento é um fardo pesado se, por medo, tu tentares evita-lo, mas é uma doce experiência se a aceitares com coragem."

Estes e outros pensamentos podem ser encontrados
no livro intitulado
Palavras da Esperança 
« Última modificação: 02 de Janeiro de 2008, 15:02 por lea onda-menor » Registado

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