Portal de São Romão

   Início   Ajuda Pesquisa Entrar Registe-se  

Páginas: [1]   Ir para o fundo
  Imprimir  
Autor Tópico: A Depressão e Suicídio  (Lida 1532 vezes)
0 Membros e 2 Visitantes estão a ver este tópico.
docenuvem
Moderador(a) Categoria
*****

Karma: 597
Offline Offline

Mensagens: 8791



WWW
« em: 26 de Junho de 2007, 15:12 »

Ajudar os adolescentes deprimidos

 

A
 
adolescência é uma altura sempre perturbada, esta etapa da vida é acompanhada de muitas mudanças físicas, emocionais, psicológicas e sociais.

As expectativas escolares, sociais ou familiares pouco reais, podem criar um forte sentimento de rejeição e levar a um profundo desapontamento. Quando as coisas correm mal na escola ou em casa, os adolescentes tendem a exagerar, muitos jovens sentem que a vida é injusta e se não corre da maneira que eles querem sentem-se agitados e confusos.

Para piorar a situação, os adolescentes são bombardeados com mensagens contraditórias dos pais, amigos e sociedade.

Os adolescentes de hoje vêem mais facilmente o que a vida tem para oferecer, tanto de bom como de mau, na televisão, na escola, revistas e ameaça da SIDA, mesmo que não sejam sexualmente activos nem usem drogas.

Os adolescentes precisam mais do que nunca da ajuda dos adultos para perceber todas as mudanças físicas e emocional que estão a passar. Quando a disposição dos jovens corta a sua capacidade de funcionar no dia-a-dia, pode indicar uma série desordem emocional ou mental que precisa de atenção, é a depressão adolescente. Os pais ou pessoas responsáveis têm de entrar em acção.

 

Lidar com as pressões dos adolescentes
 

Quando os adolescentes se sentem em baixo, existem formas de lidar com estes sentimentos formas de lidar com estes sentimentos para evitar graves depressões.

Todas as seguintes sugestões ajudam os adolescentes a desenvolverem um sentido de aceitação e de preenchimento que são tão importantes para ele.

Estimule o seu adolescente a:

Fazer novos amigos;
 
Relações saudáveis com outros adolescentes, é fundamental para a auto-estima dos adolescentes e proporciona uma boa vida social;
 
Participar em desportos, trabalhos em part-time, actividades positivas em vez de sentimentos ou comportamentos negativos;
 
Associar-se a organizações que oferecem programas para gente jovem. Programas especiais orientados para as necessidades das adolescentes ajudam a desenvolver interesses adicionais;
 
Perguntar ou pedir ajuda a um adulto de confiança. Quando os problemas são demasiados para serem tratados sozinhos os adolescentes não devem ter receio de pedir ajuda a um adulto de confiança.
 

Mas algumas vezes, apesar de todos os esforços os adolescentes ficam deprimidos.

Há muitos factores que contribuem para a depressão. Estudos mostram que algumas pessoas deprimidas possuem alterações de determinados químicos no cérebro. Também as histórias familiares de depressão podem aumentar o seu risco. Outras factores que podem contribuir para a depressão são acontecimentos difíceis na vida (morte ou divórcio), efeitos secundários de medicamentos e padrões negativos de pensamento.

 

Reconhecer a depressão num adolescente
 

A depressão nos adolescentes está a aumentar a um ritmo alarmante. Sondagens recentes indicam que 1 em cada 5 adolescentes sofre de depressão clínica. Este é um problema sério que pede um tratamento rápido e apropriado. A depressão pode assumir várias formas incluindo nomeadamente a Perturbação Bipolar (anteriormente designada de perturbação Maníaco-Depressiva), é uma condição ou estado que alterna entre períodos de euforia e depressão.

A depressão pode ser difícil de diagnosticar em adolescentes devido ao facto dos adultos esperarem comportamentos inconstantes. Também os adolescentes não sabem sempre exprimir os seus sentimentos da maneira mais adequada, podem não estar informados dos sintomas de depressão particularmente quando a sua duração é superior a duas semanas:

 PRINCIPAIS SINTOMAS
 
 
 
·         Desempenho medíocre na escola;
 
·         Isolamento relativamente a amigos e actividades;
 
·         Tristeza ou ausência de esperança;
 
·         Falta de entusiasmo, energia ou motivação;
 
·         Irritação ou revolta;
 
·         Reacção excessiva a criticas;
 
·         Sentimentos de incapacidade de satisfação de ideais;
 
·         Falta de auto-estima e sentimento de culpa;
 
·         Indecisão;
 
·         Falta de concentração e perturbação na memória ;
 
·         Inquietação e agitação;
 
·         Mudança nos padrões de sono e alimentação;
 
·         Abuso de substâncias;
 
·         Problemas com a autoridade;
 
·         Pensamentos ou acções suicidas;
 

Os adolescentes podem também exprimir a sua depressão em comportamentos hostis ou de risco.

Mas estes comportamentos só conduzem a novos problemas e a níveis de depressão e destroem relações com os amigos, família, lei ou escola.

 

Tratar a depressão nos adolescentes
 

É extremamente importante para os adolescentes deprimidos receberem tratamento rápido e profissional. A depressão é algo de muito sério e se não for tratada poderá piorar até ao ponto de se tornar uma ameaça à vida. Se os adolescentes deprimidos recusarem tratamento, poderá ser necessário para os membros da família ou outros adultos preocupados ou envolvidos procurarem aconselhamento profissional.

A terapia pode ajudar os adolescentes a compreender as causas de depressão e aprenderem a lidar com situações problemáticas. Dependendo da situação, o tratamento pode consistir no aconselhamento individual de grupo ou familiar.

Os medicamentos receitados por um psiquiatra podem ajudar um adolescente a sentir-se melhor.

Algumas das formas mais comuns e eficazes de tratar a depressão em adolescentes são:

·      Psicoterapia que providencia aos adolescentes uma oportunidade de explorar sentimentos ou acontecimentos que são dolorosos ou problemáticos para eles. A psicoterapia também pode incutir uma melhor capacidade de lidar com as situações;
 
·      Terapia cognitiva – comportamental ajuda os adolescentes a alterarem os seus padrões negativos de pensamento e de comportamento;
 
·        Terapia interpessoal, foca-se nas formas de desenvolver relações mais saudáveis quer em casa, quer na escola;
 
·      Medicação alivia alguns dos sintomas de depressão e pode ser receitado simultaneamente com a terapia.
 

Quando os adolescentes deprimidos reconhecem a necessidade de ajuda, dão um grande passo no sentido da recuperação, de qualquer forma é necessário lembrar que são poucos os adolescentes que procuram ajuda sozinhos. Pode necessitar de encorajamento por parte de adultos envolvidos para procurarem ajuda e seguirem as recomendações de tratamento.

 

Enfrentar o perigo de suicídio na adolescência
 

Alguns adolescentes sentem-se de tal forma deprimidos que põem a hipótese de terminar as suas vidas.

Todos os anos quase 5 mil jovens de idade compreendida entre os 15 e os 24 anos matam-se. A taxa de suicídio para esta faixa etária quase triplicou desde 1960, tornando-se na 3.ª causa em jovens universitários.

Estudos indicam que tentativas de suicídio em jovens são baseados em problemas de larga data que são impulsionados por um acontecimento específico.

Adolescentes suicidas podem encarar uma situação temporária como uma condição permanente. Sentimentos de irritação e ressentimento combinados com sentimentos de culpa exagerados podem conduzir a actos impulsivos de auto-destruição.

 

Reconhecer os sinais de alarme do comportamento suicida
 

Em cada 5 adolescentes que tentaram o suicídio, 4 deles mostraram claramente que o iriam fazer.

É preciso estar atento aos seguintes sinais de alarme:

    Ameaças de suicídio directas ou indirectas;

    Obsessão com a morte;

    Poesia, literatura ou imagens que referem à morte;

    Mudança dramática de personalidade ou aparência;

    Comportamento irracional ou bizarro;

    Sentimento exagerado de culpa, rejeição ou vergonha;

    Alteração dos padrões de alimentação e sono;

    Uma descida acentuada do desempenho escolar;

    Dar os seus pertences.

 

Registado

"Dentro de vinte anos, você lamentará mais
as coisas que não fez, do que as coisas feitas.
 
Por isso, solte as amarras e abandone o
porto seguro.
 
Segure os ventos em suas velas.
 
Explore.
Sonhe.
Descubra!"
 
(Mark Twain)
docenuvem
Moderador(a) Categoria
*****

Karma: 597
Offline Offline

Mensagens: 8791



WWW
« Responder #1 em: 26 de Junho de 2007, 15:13 »

Lembre-se, estes sinais de alarme devem ser levados a sério, obtenha ajuda imediatamente. A ajuda pode salvar uma vida jovem.

 

Ajudar adolescentes suicidas
 

 

·       Ofereça a sua ajuda, escute e encoraje os adolescentes deprimidos a falar dos seus sentimentos. Ouça, não argumente.
 
·       Confie nos seus instintos, se lhe parecer que a situação é séria procure ajuda rápida.
 
·       Quebrar se for necessário uma confissão, de forma a salvar uma vida. Preste atenção a falar do acto de suicídio, coloque questões directas e não tenha medo de conversas francas. O silêncio é mortal.
 
·        Procure ajuda profissional, é essencial a procura de aconselhamento competente de um profissional ligado à saúde mental, com experiência de ajuda em adolescentes deprimidos. Também alerte adultos chave na família do adolescente, família, amigos ou professores.
 

 


--------------------------------------------------------------------------------
 
 
 
 
   

   

 


Até há alguns anos atrás, falar de depressão infantil e juvenil, acarretava sempre alguns equívocos e gerava mesmo resistências entre os técnicos e educadores. Sinal disso são, não só as discrepâncias dadas pelos estudos epidemiológicos que apontam para números que vão desde os 3% aos 25%, como também a quase inexistência de tabelas classificativas que sirvam para caracterizar bem esta perturbação, tal como as que existem para os adultos. Estas diferenças devem-se quer à variabilidade de sinais e sintomas considerados, quer à diversidade cultural que confere à criança um lugar e um estatuto muito diferente consoante o país, a região ou até as convicções religiosas que servem de meio de crescimento a essa criança. Afinal, não é a infância esse “local” mágico, cheio de encantamento e despreocupação, alegria e prazer onde a palavra depressão soa a sacrilégio? Se hoje sabemos que assim não é e o quadro depressivo na infância e adolescência tem vindo a ser cada vez mais e melhor caracterizado, resta agora afinar as técnicas interventivas que permitam combater e prevenir o aparecimento da doença.

 

A DEPRESSÃO NA 1ª INFÂNCIA (O - 3 ANOS)

Diagnosticar depressão em bebés, parecia pois até há pouco uma “impossibilidade”, para alguns mesmo um absurdo. No entanto, a observação cada vez mais atenta dos bebés, o conhecimento cada vez mais profundo dos mecanismos que presidem ao seu desenvolvimento psicológico, permitem isolar um quadro de depressão com características próprias e bem definidas. No entanto, já há mais de 50 anos que Spitz descrevera um conjunto de perturbações observadas em bebés a que deu o nome de depressão anaclítica e que permanece como um marco fundamental não só de compreensão desta patologia como da metodologia da observação clínica em psiquiatria infantil. (Spitz, teve oportunidade de observar mais de 100 bebés que permaneciam numa creche prisional de jovens delinquentes. Observou que alguns destes bebés, entre os 6 e os 12 meses, quando eram separados das suas mães e ficavam privados do contacto estreito e diário com elas, por razões de  natureza judicial por exemplo, desenvolviam um quadro que ia desde uma profunda tristeza e abatimento, até ao eclodir de doenças físicas graves. Nota também que se esta separação durava mais de 3 meses provocava danos psicológicos irreversíveis. Ao invés se os contactos com a mãe eram restabelecidos, o curso da doença era habitualmente interrompido).

Esta “brevíssima” descrição das observações de Spitz, permite tirar algumas ilações que o aprofundar dos conhecimentos teóricos e da investigação clínica têm confirmado:

A estreita ligação nesta fase de vida entre os cuidados maternos tomados quer no sentido da privação, quer da distorção e o eclodir da psicopatologia;
 
A importância da perda após o estabelecimento de vínculos afectivos no desencadear do sofrimento depressivo.
 

Sem pretendermos ser exaustivos na descrição do quadro depressivo valerá a pena salientar alguns aspectos possíveis de encontrar nestas situações:

Os bebés mais do que tristes, surgem-nos como que indiferentes ao meio, parados, com uma mímica facial bastante pobre e quase não reagindo aos estímulos exteriores ou reagindo de forma ténue;
 
Ao contrário dos bebés “normais” a tonicidade e actividade motora dos bebés deprimidos é extremamente baixa, os movimentos dos membros são lentos;
 
Há quase sempre uma anorexia marcada e as perturbações psicossomáticas são intensas e constantes.
 

Se hoje em dia já não é  habitual encontrar situações como as descritas por Spitz (o seu contributo foi talvez decisivo) são contudo preocupantes as situações cada vez mais comuns de abandono intrafamiliar, caracterizado não por longos períodos de ausência de cuidados, mas por descontinuidade crónica e por vezes caótica na prestação desses cuidados.

Merece também referência uma outra situação em que as mães apesar de presentes estão psicológicamente ausentes, mergulhadas no seu próprio sofrimento depressivo (frequentemente por terem sofrido perdas...) empobrecendo enormemente as trocas afectivas com o bebé, o que a prolongar-se no tempo pode também ter consequências bastante negativas. No entanto parece ser hoje cada vez mais aceite a ideia, que a par das perturbações atrás enunciadas de natureza relacional existem bebés mais vulneráveis, com maior propensão para desencadearem estes quadros. O que sem dúvida obriga a pensar na própria constituição biológica do bebé como mais um factor implicado na génese destas perturbações.

 

A DEPRESSÃO DA 2ª INFÂNCIA E LATÊNCIA (3 - 10 ANOS)

Falar de depressão nesta fase de vida, é talvez abordar o quadro psicopatológico de maior variabilidade semiológica, aquele que mais frequentemente coloca dificuldades diagnósticas, dada a diversidade de manifestações envolvidas quer como expressão directa do sofrimento depressivo, quer como resultado da luta travada contra esse sofrimento.

Poderíamos talvez caracterizar este período como um primeiro ensaio das competências sociais da criança, da sua capacidade de socialização e competição com os outros, num constante exercício de comparação e esforço de afirmação.

Não será pois de estranhar que uma das primeiras e mais frequentes manifestações de natureza depressiva neste período, seja a tendência para o isolamento, a timidez exagerada nos contactos com outras crianças, a procura de refúgio e apoio junto dos adultos, deixando antever um caminho difícil na organização duma imagem de si sólida impregnada de autoestima e confiança, que é trabalho primordial da fase adolescentil que se lhe segue. No entanto é também nesta fase que com frequência a criança apresenta comportamentos absolutamente diversos e de sinal contrário aos anteriormente referidos, com particular relevo para as alterações do comportamento compreendendo estas as condutas agressivas, as fugas, as mentiras ou os pequenos furtos. Poder-se-ão englobar estas perturbações num conjunto sintomático em que a criança procura a todo custo evitar confrontar-se com o sofrimento depressivo.

Por outro lado como fácilmente se compreenderá, atendendo a que uma das tarefas centrais desta fase da vida é a da aprendizagem escolar, será também aqui que os transtornos depressivos terão uma maior repercussão. Com efeito muitas das dificuldades de aprendizagem desde as “inibições”, passando pelas dificuldades específicas em certas áreas (cálculo, escrita, etc....) até às fobias escolares podem ter como pano de fundo a depressão.

Em comum e como cenário central estas perturbações quase sempre apresentam uma criança que se desvaloriza, com o sentimento de “não ser capaz” e baixa da auto-estima, perpetuando o ciclo depressivo.

Não raramente também se apura no passado destas crianças, episódios em que as perdas ou as rupturas surgem como factores traumáticos desencadeantes do fenómeno depressivo.

 
A DEPRESSÃO NA ADOLESCÊNCIA
A adolescência é considerada por alguns como um período “naturalmente depressivo” tal é a correspondência entre as alterações de humor e esta fase do desenvolvimento. Por outro lado, é sobretudo nesta etapa da vida que a noção de “equivalente depressivo” poderá ter maior significado, caracterizando um conjunto de perturbações que vão desde a destrutividade aos comportamentos suicidários, passando naturalmente pelos comportamentos adictivos e perturbações somáticas.

Depressão e adolescência, podem pois caminhar próximo, não sendo no entanto obrigatório que estes caminhos se cruzem. Esta proximidade, reflecte sobretudo a enormíssima tarefa que o adolescente cumpre na sua caminhada para a idade adulta:

Por um lado o abandono da protecção infantil proporcionada pelos pais e outras figuras de referência do mundo dos adultos;
 
Por outro, a necessidade cada vez maior de estabelecer metas e traçar projectos utilizando só os seus próprios instrumentos;
 
Finalmente construir uma imagem de si próprio consistente e sólida que resista aos desafios que se avizinham. É chegada a altura de iniciar novas ligações afectivas bem como de exercitar novas capacidades (a sexualidade, entre outras, exige-o ...).
 

Abandonar as relações de características infantis, os laços de dependência e sujeição aos pais, iniciar uma revolta “activa e saudável” contra essa dependência é uma tarefa essencial a cumprir. Tarefa que exige sem dúvida da parte dos pais e educadores, uma atitude facilitadora de autonomia e do crescimento, de compreensão e tolerância face às “manifestações de revolta”, que não induza ou aumente a culpabilidade quase sempre presente nesta revolta, mas também de disponibilidade para aceitar os retrocessos frequentes desta caminhada. Mas não se confunda compreensão e tolerância com demissão ou fraqueza, uma vez que o adolescente precisa de sentir que aqueles de quem dependia (quase) totalmente até há pouco, emergem agora como figuras de referência caminhando ao seu lado, capazes em conjunto, estabelecer as tais metas, discutir projectos, pensar o futuro.

Pede-se pois aos adultos que se constituam como uma rede protectora, capaz de amparar as quedas (depressivas ou outras), mas suficientemente discreta que permita ao jovem fazer as suas próprias escolhas em todos os sentidos, reforçando o seu sentimento de competência. Diríamos que o vector final de todo este processo é sem dúvida a construção da imagem/noção de si próprio, que como já referimos seja suficientemente sólida. Com frequência esta imagem surge nos adolescentes deprimidos impregnada de conceitos ideais ( e irreais ... ) transformando o futuro numa meta longínqua e inalcançável. O que irá provocar profundos sentimentos de frustração e depreciação, concorrendo para intensificar a baixa autoestima que caracteriza estes jovens como que encerrados num circulo vicioso a que parecem não ser capazes de escapar. As manifestações clínicas predominantes na depressão juvenil compõem um quadro complexo, mas em que emergem as perturbações do humor, ansiedade, inibição ou diminuição do rendimento intelectual, baixa actividade física (a indolência exaspera, mas alerta ...), comportamentos autodestrutivos (como as condutas suicidárias ou adictivas) e sintomas somáticos.

CONTEXTO FAMILIAR
Não raramente a abordagem das famílias destas crianças e adolescentes, coloca uma enorme contradição:

Por um lado a dificuldade dos pais (educadores duma forma geral!) em aceitarem a depressão ou sofrimento depressivo da criança ou adolescente (“é preguiçoso”, “não aprende porque não quer”, “não se porta bem porque é malandro”, etc...) como que numa tentativa de negação de eventuais falhas da sua função parental de suporte afectivo e educativo;
 
Por outro lado eles próprios transportam consigo frequentemente vivências depressivas ou verdadeiras depressões, constituindo-se como modelos identificatórios para a criança, reforçando e alimentando a patologia em formação.
 

 

TERAPÊUTICA OU PREVENÇÃO?

No seguimento das considerações enunciadas a propósito do contexto familiar, facilmente se constata da importância em olhar para a criança ou adolescente deprimido como integrando um sistema familiar complexo, com uma dinâmica interactiva específica, que importa ter em consideração ao iniciar qualquer processo terapêutico.

Tomar uma criança ou adolescente em tratamento, implica habitualmente, para além dos cuidados individuais, uma necessária intervenção junto da família que visa sobretudo modificar o olhar negativo e depreciativo que quase sempre envolve a criança.

A terapêutica na infância e adolescência é sempre, em nossa opinião, uma intervenção preventiva. Aliás se prevenção existe em Saúde Mental ela exerce-se sobretudo pelo combate ao eclodir da doença nestas fases da vida.

Atente-se na importância que pode ter na 1ª infância, pelo que foi exposto, da criação de mecanismos que proporcionem uma continuidade de cuidados ao bebé, evitando rupturas precoces e/ou traumáticas, ajudando as mães e os pais a venceram as dificuldades iniciais com os seus filhos, sobretudo os mais jovens. No mesmo sentido seria importante que as consultas materno-infantis (e porque não durante a gravidez?)

possam servir para a detecção precoce quer dos transtornos depressivos dos bebés quer das mães – o mesmo é dizer das interacções precoces patológicas – para tanto é necessário formar mais técnicos (psiquiatras da infância e adolescência, psicólogos, enfermeiros) e criar equipas multidisciplinares que possam proporcionar uma intervenção abrangente no desenvolvimento da criança compreendendo as vertentes psicológica, biológica e social.

De passagem e já que nos parece não caber no âmbito deste trabalho uma descrição mais detalhada diremos que as intervenções terapêuticas da depressão infantil e juvenil para além dos aspectos já enunciados, terão que ter sempre em consideração a faixa etária e compreendem um conjunto de medidas que vão desde as terapêuticas conjuntas mãe/bebé, às psicoterapias individuais ou familiares ou ao recurso à farmacoterapia combinada com a psicoterapia nos adolescentes. É também frequente que as crianças com dificuldades específicas de aprendizagem, tenham que beneficiar de apoios especializados nesta àrea o que implica  amiúde uma articulação entre o técnico de Saúde Mental e a Escola.

PROGNÓSTICO
Resta uma questão que é a de saber que “destino” têm as depressões da infância e adolescência. Também aqui os estudos são poucos, dada a juventude do conceito, e extremamente diversos quanto aos seus resultados. Parece haver no entanto uma certa unanimidade na afirmação de que a depressão na infância e adolescência não “gera” depressão na idade adulta. Existirá também algum consenso, apontando na direcção quer de perturbações psicossomáticas, quer de “comportamentos psicopáticos” para o futuro das crianças com depressão sem tratamento. No entanto é minha convicção de que estes “resultados” devem ser avaliados com bastantes reservas, enquanto não for possível trabalhar com classificações mais “standartizadas” que permitam uma melhor afinação dos critérios diagnósticos e por isso estudos evolutivos de maior credibilidade. Pessoalmente creio que muitas das depressões infantis “enquistam” ficando ocultas muitos anos, vindo mais tarde, sob determinadas condições a “rebentar”, acarretando consigo o cortejo sintomático que bem conhecemos das depressões da vida adulta. E mesmo as chamadas perturbações psicossomáticas, desenrolam-se muitas vezes tendo como cenário de fundo a depressão.

Registado

"Dentro de vinte anos, você lamentará mais
as coisas que não fez, do que as coisas feitas.
 
Por isso, solte as amarras e abandone o
porto seguro.
 
Segure os ventos em suas velas.
 
Explore.
Sonhe.
Descubra!"
 
(Mark Twain)
Páginas: [1]   Ir para o topo
  Imprimir  
 
Ir para:  


Powered by MySQL Powered by PHP Powered by SMF 1.1.9 | SMF © 2005, Simple Machines LLC XHTML 1.0 válido! CSS válido!