Portal de São Romão

   Início   Ajuda Pesquisa Entrar Registe-se  

Páginas: [1]   Ir para o fundo
  Imprimir  
Autor Tópico: Religiosidade Popular  (Lida 14964 vezes)
0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.
Trofa
Administrador(a)
*******

Karma: 879
Offline Offline

Sexo: Masculino
Mensagens: 10024


Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.


WWW
« em: 25 de Junho de 2007, 11:37 »

Festa e Religião

  A religiosidade popular (conjunto de práticas simbólicas de raiz popular) é um facto que acompanha a vida da Igreja Católica (aqui escolhida na sua qualidade de religião mais representativa no nosso país) e que a acompanhou durante todos os séculos. Trata-se de expressões, gestos, atitudes, que expressam uma relação pessoal com Deus: beija-se a cruz, percorre-se a Via Sacra, participa-se numa peregrinação, ajoelha-se diante do túmulo de um mártir ou um santo, conservam-se restos do seu corpo ou dos seus vestidos. No caso português é esta religiosidade que, sob uma aparente unidade enraizada no catolicismo, manifesta mais fielmente a pluralidade da sociedade portuguesa na vivência do sagrado.

Habitualmente a religiosidade popular afirma-se em contraposição à oficial, sendo entendida por muitos como uma forma híbrida, isto é, formas inadequadas de entender e praticar a religião oficial. Em Portugal, por exemplo, as crenças populares incluem, ainda hoje, um conjunto de crenças e gestos mágicos oriundos do paganismo celta.

É difícil precisar onde foram os portugueses encontrar este "imaginário", este "fantástico", este culto do sagrado, com uma estruturação rigorosa de espaço e do tempo e onde avultavam as grandes festas da Primavera e do Outono. É neste contexto de assimilação das crenças e antigos ritos pagãos, que se perpetuaram ao longo dos séculos na tradição oral, que se deve buscar a origem da maior parte dos ritos e crenças que definem a religiosidade popular.

As festas populares, manifestações colectivas, as crenças e ritos de devoção particular são as grandes marcas da religiosidade popular no nosso país. Nas festividades populares, com ou sem relação com o ritual oficial e, muitas vezes, com origem em cultos naturalísticos, é possível encontrar manifestações particulares, por vezes, com carácter mágico.

A atenção especial aos sinais da natureza como a água, a terra, a luz, o céu fascinou desde sempre as pessoas. A religiosidade popular, cósmica e natural, pode servir, no caso da Igreja Católica, para compreender melhor a utilização de sinais e gestos simbólicos que expressam uma componente profundamente humana e religiosa. Por isso, tem sido sempre chamada a atenção para uma verdadeira integração entre a liturgia e a piedade popular, como aconteceu na liturgia da Igreja dos primeiros séculos, com algumas celebrações, e na liturgia romana da Idade Média, com as procissões, ladainhas e outros ritos, assumidos em forma de culto.

O catolicismo, assumindo uma dimensão universal (católica), não pretende ser uma religião de elites. A sua história faz-se dentro dos povos, com os seus membros diversificados, a sua tradição e cultura, a sua história e os seus projectos.

O sector do turismo e do Património devem entender que, no campo religioso, todas estas dimensões estão presentes e devem ser descodificadas e valorizadas. Só respeitando e dialogando se pode ajudar a crescer.

O povo português tem uma longa ligação à tradição, sobretudo os meios mais populares e aldeãos, com a permanência e a sobrevivência de aspectos da religiosidade popular. Em muitas festas e celebrações, contudo, o aspecto folclórico tende a sobrepor-se a este fundo de significações e memórias: a dimensão religiosa está mais colocada ao lado, mas é importante que continue, é necessário garantir o aspecto religioso na festividade, como uma manifestação de júbilo da comunidade.

No nosso tempo, muitas festas e tradições populares sofrem um trabalho de patrimonialização, trabalho que resulta frequentemente de compromissos estabelecidos por diversos actores sociais: autoridades municipais, autoridades eclesiásticas, associações, etc.. Neste contexto, a reapropriação dessas festas e tradições serve os interesses locais de inscrição numa memória - o reconhecimento social passa por mostrar que a identidade local tem sua origem em tradições remotas e que essas tradições apresentam um rico conteúdo simbólico. Neste período, pode acontecer um outro tipo de conflitualidade: não já entre as práticas típicas da tradicionalidade religiosa, mas as clivagens entre modos de expressão comunitaristas e as concepções urbanas individualistas.

Em conclusão, num período de globalização, em que tudo parecer ser igual e em que há tendências para uniformizar a cultura, há uma forte necessidade das comunidades se identificarem. E essa identificação faz-se, precisamente, através da revivescência das suas tradições, fundamentalmente ligadas ao religioso, que nenhum responsável pela área do Turismo ou do Património deve ignorar.


Monumentalização da Memória

A monumentalização de diferentes tipos de memória (individual, familiar, comunitária, institucional) nos centros de peregrinação é um fenómeno recorrente nas diferentes culturas. Os centros de peregrinação assumem-se como locais polarizadores, nos quais têm lugar a mediação e as transacções com as figuras protectoras, referências a que se recorre nas mais diversas situações que marcam o ritmo da vida e da natureza.

Estas sedes da potência sacra atraem mesmo quando se apresentam separados do profano, sendo por isso espaços reservados, de acesso vedado e mesmo perigosos por causa dos seus ritos e interditos - falemos em centros de "alta voltagem" espiritual. Estamos na presença de um mistério que fascina ao mesmo tempo que se apresenta como uma força tremenda, separada.

Para o processo de cristalização de convicções e memórias religiosas contribui em larga medida a presença de uma imagem ou relíquia que reactualiza e concentra a evocação realizada nos centros de peregrinação, rememorando e repetindo a força salvífica e miraculosa que se atribui ao momento de manifestação (teofania) primordial a partir do qual se gerou a ligação entre comunidade e divindade.

Este suporte material da memória, enquanto vestígio concreto e tangível das origens do sagrado contribui para unir a comunidade numa mesma crença, construindo, inclusivamente, uma memória nacional enquanto acontecimento fundador, fundamental para a identidade comum - manifestada também nas práticas de deslocação a lugares de forte investimento simbólico.

A reconstrução permanente da monumentalidade é ainda essencial, dado que a sua reelaboração permite aumentar cargas simbólicas e a continuação de peregrinação e do culto como meios palpáveis para atingir o sagrado.

Octávio Carmo, Agência Ecclesia
Registado

Ajude o Portal de São Romão, contribuindo todos os dias com o seu voto.

Trofa
Administrador(a)
*******

Karma: 879
Offline Offline

Sexo: Masculino
Mensagens: 10024


Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.


WWW
« Responder #1 em: 25 de Junho de 2007, 11:49 »

Fé e Cultura em Óbidos

A vila de Óbidos é um dos locais em Portugal onde a religiosidade, a valorização do Património e a promoção da cultura melhor se fundem, num contexto marcado pelas características especiais que esta localidade, em particular a vila histórica, oferece. Ruas antigas, bem conservadas, que remetem os visitantes para décadas atrás. Ricardo Ribeiro é administrador executivo da Empresa ÓBIDOS Patrimonium, a qual tem como principal objecto a promoção turística, a realização do Plano de Animação que lhe for definido pela Câmara Municipal e o desenvolvimento de todas as acções conducentes à valorização do Património Histórico e Natural de Óbidos.

Em declarações à Agência ECCLESIA, este responsável sublinha que os eventos realizados procuram enquadrar-se em todo o património vivo e edificado, onde se contam mais de uma dezena de igrejas. As iniciativas que aproveitam este espaço decorrem num clima de cooperação, "numa simbiose entre a cultura e a mensagem que a Igreja pretende passar".

As festas religiosas permitem, em cada local, a afirmação de uma identidade própria, visível, no caso de Óbidos, de uma forma mais nítida na tradição da Semana Santa, cuja recuperação remonta à década de 60. Desde aí, todo o trabalho tem vindo a ser consolidado, por parte da comunidade local, dos paroquianos mas também por parte da autarquia, o que actualmente permite viver um aperfeiçoamento organizativo, um respeito pela forma como se realizam algumas manifestações religiosas, uma fidelidade, um rigor na recriação histórica e também a necessidade de se complementar do ponto de vista cultural.

Para Ricardo Ribeiro é fundamental não dissociar a dimensão religiosa da parte cultural, sob o risco de se reduzir a festa religiosa a um mero folclore, perante a presença de milhares de visitantes, crentes ou não crentes, de todo o mundo. À paróquia cabe a organização das cerimó-nias religiosas, ao município -em parceria - "propor uma programação cultural".

"Para nós tem sido fundamental e temos investido cada vez mais, de ano para ano, o investimento na programação cultural relacionada com a Semana Santa, que entendemos como a mais antiga recriação histórica que se faz em Óbidos", explica, acenando à "parte formativa, extremamente importante".

Este responsável admite que "nem sempre é fácil" a aproximação à Igreja, mas entende que a opção da Empresa ÓBIDOS Patrimonium tem tido algum sucesso, procurando explicar - no percurso histórico - algo mais sobre "a vida de Jesus Cristo". A isto somam-se exposições temáticas, concertos de música sacra, a pintura e toda a arte religiosa da Vila. "É preciso passar a mensagem daquilo que as pessoas vão visitar e conhecer", refere.

"Muitas pessoas vêm e não se apercebem dos detalhes, mas o nosso objectivo é que venham cá e levem algo, uma mensagem, que seja importante", conclui Ricardo Ribeiro, para quem o simbolismo e a magnitude dos valores cristãos presentes no nosso país "não deixam de ser manifestações culturais".
Registado

Ajude o Portal de São Romão, contribuindo todos os dias com o seu voto.

Trofa
Administrador(a)
*******

Karma: 879
Offline Offline

Sexo: Masculino
Mensagens: 10024


Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.


WWW
« Responder #2 em: 25 de Junho de 2007, 11:59 »

Diocese de Santarém atenta às festas religiosas
D. Manuel Pelino defende abertura às manifestações de uma cultura popular que tem uma matriz cristã


A Diocese de Santarém tem estado particularmente activa no que diz respeito à valorização das tradições religiosas. A Igreja reuniu recentemente as comissões de festas religiosas, "que ainda são bastantes". D. Manuel Pelino regista que "estas manifestações continuam a existir mas são, cada vez mais, festas civis que religiosas", mas a matriz cristã leva a que o "povo adira mais".

A Igreja tem de ser "muito acolhedora" neste campo e não classificar "logo à partida como paganismo". Esta religiosidade manifesta uma abertura ao "religioso" e é uma cultura popular que "tem uma matriz cristã".

O Bispo de Santarém rejeita portanto a ruptura, mas também a confusão que se pode estabelecer, devendo por isso haver "uma coerência entre a festa em honra de um padroeiro e os seus elementos da festa". Da parte das Comissões deve sim, "haver uma ligação maior com a paróquia", revelando à Agência ECCLESIA a existência de comissões "completamente à margem da proposta da Igreja".

D. Manuel Pelino não nota, de qualquer forma, "resistência ao esclarecimento dos elementos e da importância dos conceitos religiosos", dando conta que "às vezes falta conhecimento, porque quando explicado, as comissões aceitam os critérios cristãos".

Estes podem ser momentos de evangelização. Muitas pessoas "têm ainda uma fé pouco esclarecida, mais próxima de um sentimento do que de uma convicção", aponta o Bispo de Santarém, que dá conta que "em algumas paróquias estas manifestações de religiosidade popular podem ser a expressão mais importante da sua fé".

Por isso "não se pode negar que seja uma manifestação de fé", sublinhando no entanto, não ser "uma fé esclarecida", mas de "uma religiosidade natural, que devemos acolher, purificar e evangelizar".

O estereótipo de considerar que estas manifestações apenas ganham terreno junto de populações menos esclarecidas "não é verdade porque mesmo junto de camadas académicas são também tocadas por estas manifestações, abrindo assim caminho para a fé".

A religiosidade popular tem, por isso, o "seu lugar, se forem acolhidas e esclarecidas", desenvolvendo depois "um certo itinerário", de forma a que não se fique no rito, mas "perceber o significado que esse rito tem", dando assim "coerência e unidade às festas religiosas".

No trabalho já realizado conta-se um encontro com mais de 100 membros das Irmandades/Confrarias da Diocese, em Fevereiro de 2006. Na altura, D.Manuel Pelino indicou que "a espiritualidade, é, verdadeiramente, a alma das Confrarias. Qualquer actividade, desde o cuidar da beleza e dignidade da Liturgia, até ao estar atenta às dificuldades dos Irmãos, exige vida interior, vida de oração. Os próprios actos externos, como a Procissão, mostram a transcendência da vida humana. São representação do mundo invisível da Fé".

Mais recentemente, no passado mês de Maio, cerca de 80 membros das Comissões de Festas Religiosas (ou dos Organismos Paroquiais), reuniram-se com D. Manuel Pelino, tendo sido sublinhado que "a própria parte cultural, numa Festa Religiosa, exige ser executada de uma forma digna e também, não ser tão onerosa economicamente, que crie o risco de acabar com a própria Festa".

Logo que seja possível, irão ser emanadas algumas orientações para ajudar as Comissões das Festas Religiosas.
Registado

Ajude o Portal de São Romão, contribuindo todos os dias com o seu voto.

Felix
Moderador(a)
*****

Karma: 856
Offline Offline

Sexo: Masculino
Mensagens: 4172


A única verdade é a realidade.


« Responder #3 em: 09 de Setembro de 2007, 18:18 »

 Festas religiosas populares: o cristianismo em júbilo

Que mais pode dizer-se que ainda não tenha sido dito sobre este tema? Uma questão ainda em aberto prende-se com o entendimento da clara definição do que sejam as festas populares e a sua relação com o cristianismo. Apesar disso, julgo que esta é uma questão secundária, pois as festas religiosas populares constituem uma dimensão essencial do nosso modo de viver o catolicismo.
Gostaria de exemplificar com dois casos, que são, na sua morfologia religiosa, muito semelhantes. As grandes peregrinações a Fátima e a Festa do Senhor Santo Cristo em Ponta Delgada. Este ano, por uma feliz coincidência, participei em ambas neste mês de Maio que passou. Quando, quer em Fátima quer em Ponta Delgada, está presente uma imensa multidão seduzida pela evocação que a imagem representa, de Nossa Senhora, em Fátima, do Ecce Homo, em Ponta Delgada; quando estão presentes os bispos, o clero, os diáconos, e o povo de Deus em grande multidão; quando, no caso de Ponta Delgada, estão presentes todas as grandes instituições nas quais se organiza a sociedade, as autoridades civis, militares, académicas; representadas todas as associações culturais, já na celebração da Eucaristia, presidida por um bispo ou mesmo um Cardeal, ou até o Papa, o que é que há-de dizer-se disto, senão que há aqui um excesso de sentido que faz pensar? Pode, nestes dois casos, falar-se de religiosidade popular ou de festas populares, e em que sentido, dado que, sobretudo no caso de Ponta Delgada, é toda a sociedade, na sua componente civil e na sua componente eclesial que aí está congregada, unida pelo fascínio de um olhar que aquela imagem de um modo tão tocante e único provoca e contagia? Estou convencido que estamos aqui em presença não de simples festa popular, mas sim da Igreja em festa. Mas o que é, afinal, a festa?
A festa diz essencialmente a confluência do Povo de Deus, para celebrar a alegria de estar junto, numa relação de proximidade e de comunhão. Os rituais, já os que decorrem da celebração dos sacramentos, sobretudo a Missa, já os outros, - que são como que a irradiação para a vida que se celebra e que se traduz nos banquetes -, são uma pedagogia ou um método para conseguir que as pessoas estejam juntas, e é por este estar juntas que passa a alegria, não apenas humana, mas também cristã.
As Festas Católicas Populares não representam, portanto, nenhum problema teológico em si. E por isso distancio-me das teorias que vêem nestas manifestações formas residuais de paganismo, que seria necessário, portanto, combater e superar, quer do ponto de vista teológico, quer do ponto de vista sobretudo pastoral, em nome da pureza da fé.
Evidentemente que não ignoro os problemas pastorais que a realização das Festas actualmente levanta. No entanto, persisto na convicção de que as Festas religiosas católicas são fundamentais na nossa sociedade, entre outras razões, porque permitem uma certa respiração de esperança, são momentos epifânicos de abertura para o transcendente, num universo sempre mais fechado em si mesmo, como se o mundo se reduzisse àquilo de que o homem pode dispor, ter à mão.
Foi-me perguntado há dias por um jornalista, em Ponta Delgada, se eu tinha visto nas Festas do Senhor Santo Cristo algum excesso, algum desequilíbrio! Talvez os tenha havido, não sei. É que eu fui como peregrino, como vou a Fátima ou a outros lugares, como Roma ou Assis, e não como observador, e o que vi foi o fascínio daquele olhar, do Ecce Homo, e a troca de olhares daquele rio de gente, como se fosse um rio de lava, que passava diante da imagem, a sublime evocação do mistério do homem, esse espelho no qual o homem se contempla e se reconhece.
As festas religiosas católicas são momentos de excesso de sentido, de júbilo, que se diz na celebração do mistério e na sua irradiação para a vida. Já S. Tomás de Aquino ensinava que Deus não liga a salvação aos sacramentos. Eles são momentos fundamentais na celebração do mistério da Igreja, mas não são tudo; as festas são sacramentais, ou seja, vivem deste irradiar de vida que se expande e que se transforma em cultura: pelas festas religiosas católicas passa a vivência da nossa própria identidade, mesmo como sociedade, mesmo como nação. Neste tempo crepuscular no qual nós assistimos a esta cultura envergonhada das suas raízes cristãs, alegadamente indiferente e laica, as festas religiosas católicas são um oásis de frescura, janelas abertas para a transcendência e para o mistério.

José Jacinto Ferreira de Farias, scj
Professor UCP


Religiosidade popular precisa mudar vida dos fiéis, exorta bispo
Maurício Rebouças e Michelle Mimoso
Canção Nova Notícias, Aparecida
Renan Félix/Canção NovaBispo reza durante Missa da Conferência de Aparecida: o desafio é reevangelizar a AméricaA primeira evangelização na América, há mais de 500 anos, contribuiu para criar uma nova mentalidade, "mas muito pouco para desenvolver uma vida segundo o Espírito" nos povos latinos. Esta foi a exortação do bispo de Machala, no Equador, Dom Néstor Rafael Herrera, na missa desta segunda-feira, dia 21, na Conferência de Aparecida (SP).

O celebrante disse que os bispos não podem ocultar "a falta de educação na fé" dos latino-americanos, e que este assunto deve ser discutido na V Conferência, para que seja impulsionada uma nova evangelização no "continente da esperança".

Dom Herrera é presidente da Conferência Episcopal do Equador.

                                                                                                     

Leia homilia na íntegra (tradução: Canção Nova Notícias):

"Irmãs e irmãos, com o início da semana de oração pela unidade dos cristãos e com a proximidade da Festa de Pentecostes, iniciamos a segunda semana de trabalho da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, que nos reúne aqui.

Depois de ter identificado os grandes desafios que apresentam a Igreja e o mundo atual, caracterizado por uma constante mudança, e depois de ter destacado alguns temas específicos, nós, pastores, não podemos nos omitir na nossa missão evangelizadora, mas precisamos estar iluminados pela fé e ter orientações claras e concretas para a evangelização e para a pastoral nas nossas Igrejas particulares.

Neste trabalho e para este trabalho, é muito iluminadora a Palavra de Deus que acaba de ser proclamada. Por um lado, nos dá temor, porque se trata de realidades e situações complexas, frente às quais somos conscientes das nossas limitações. Por outro lado, nos confortam as Palavras de Jesus: "Eu venci o mundo" e também o "Espírito Santo virá em meu nome". Podemos, assim, nos unir à pedagogia extraordinária que nos oferece São Paulo, o grande evangelizador dos inícios da Igreja; tanto para transmitir a fé, quanto para afrontar situações novas diante dos conflitos. Nos Atos dos Apóstolos e também em suas cartas, podemos encontrar uma linguagem adequada como parte daquilo que já conhece e aprecia, nos autorizando a olhar para a situação em que se encontra cada pessoa e partir dos valores já assimilados. Dessa maneira, sua mensagem é verdadeiramente uma boa notícia, reconciliadora e reconfortante nas situações adversas e nas contrariedades graves que temos que enfrentar.

Não podemos ocultar a falta de educação na fé de nossos povos. Aceitaram a mensagem de salvação anunciada e transmitida através dos sacrificados missionários que realizaram a primeira evangelização. Isso contribuiu para criar uma nova mentalidade, mas muito pouco contribuiu para desenvolver uma vida segundo o Espírito. A religiosidade popular, fruto desta evangelização, precisa de meios para ter coerência de vida, para mudar o comportamento dos fiéis na nova vida em Cristo, recebida do batismo. A tarefa é árdua e as exigências são múltiplas.

Que o exemplo dos primeiros evangelizadores, dentre os quais contamos um grande número de santos, alentem e estimulem, junto com Maria, a primeira discípula e missionária, estrela da evangelização, nosso ministério pastoral, que nos infundam valor, coragem e entusiasmo para a nova evangelização, para a qual somos chamados e que deve impulsionar essa V Conferência a fim fortalecer a fé e robustecer a vida cristã em nossas Igrejas particulares, neste 'continente da esperança'.

Que assim seja!"

[/color]

Registado

Ajude o Portal de São Romão, contribuindo todos os dias com o seu voto.

Páginas: [1]   Ir para o topo
  Imprimir  
 
Ir para:  


Powered by MySQL Powered by PHP Powered by SMF 1.1.9 | SMF © 2005, Simple Machines LLC XHTML 1.0 válido! CSS válido!