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Autor Tópico: Um Coração Especial: o de Jesus  (Lida 4176 vezes)
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lea onda-menor
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« Responder #15 em: 13 de Junho de 2007, 22:32 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 14:
Coração de Jesus em que se encerram
todos os tesouros de Sabedoria e Ciência

Invitatório:

                             "Contemplemos o Coração de Jesus... Ele ensina-nos as perfeições infinitas de Deus e as virtudes admiráveis do Verbo encarnado. A justiça e a misericórdia... A humildade... A sua doçura, obediência, amor ao trabalho, espírito de fidelidade e de oração... A sua caridade e zelo... A sua paciência, dedicação, o seu horror ao pecado..."

Rezemos (com Lanspérgio, o Cartuxo):

      "Coração nobre, misericordioso e suave
      do meu fiel amigo, meu Deus e meu Senhor Jesus!
      Integrai no Vosso o meu coração
      com todos os seus pensamentos e afectos,
      com todas as forças da minha alma e do meu corpo,
      tudo aquilo que há em mim,
      tudo o que sou e posso;
      submergi e escondei tudo em Vós,
      para vossa glória
      e para cumprimento da vossa santa vontade.
      Entrego-me ao vosso divino Coração
      e abandono-me inteiramente na vossas mãos.
      Dai-me o vosso Coração
      para que divinize o meu e o torne semelhante ao Vosso.
      Tomai posse de tudo o que há em mim,
      para que eu faça sempre o que Vos agradar.
      Uni o meu coração ao Vosso,
      a minha vontade à Vossa,
      para que eu queira sempre
      só aquilo que Vós quereis.
      Que eu Vos ame em todas as coisas.
                   
Para meditação e contemplação:

"Quero que saibais como é grande a luta que mantenho por vós, bem como pelos de Laodiceia e por quantos nunca me viram pessoalmente, para que tenham ânimo nos seus corações, vivendo bem unidos no amor, e assim atinjam toda a riqueza, que é a plena compreensão, o conhecimento do mistério de Deus: Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento" (Col 2, 1-3).

"O amor de Jesus é o segredo de todos os mistérios. O Coração de Jesus é, portanto, a fonte de todas as luzes de que precisamos. É o livro sempre aberto onde se encerram todos os tesouros da sabedoria e da ciência"


Coração de Jesus,
em que se encerram todos os tesouros de Sabedoria e Ciência,
tende piedade de nós

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


14 de Junho
VISITAS EUCARÍSTICAS:
O AMIGO, O IRMÃO, O PAI MISERICORDIOSO

22 Dixit autem pater ad servos suos cito proferte stolam primam et induite illum et date anulum in manum eius et calciamenta in pedes 23 et adducite vitulum saginatum et occidite et manducemus et epulemur 24 quia hic filius meus mortuus erat et revixit perierat et inventus est 
(Lc 15, 22-24)
22 O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; 23 trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, 24 porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado
(Lc 15, 22-24)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

Jesus-Eucaristia é o amigo, o irmão compassivo, o pai misericordioso

 Rosa Segundo Prelúdio


Levantar-me-ei e irei ter com meu Pai com humildade e ele me restituirá tudo o que perdi.


 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Quem vem? É o amigo fiel e generoso


Quem vem? É o amigo verdadeiro. Ele no-lo disse: «Vós sois meus amigos», e sabe o que é o verdadeiro amigo. Descreveu-o no livro do Eclesiástico e no seu discurso depois da Ceia.

O Eclesiástico louva os amigos fiéis, aqueles que têm uma conversa amável e que amam a paz, os que não se afastam no dia da aflição, os que são firmes e constantes.

 O amigo fiel é uma forte protecção. Quem o encontrou, encontrou um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel. Vale mais do que o ouro e a prata. É um remédio que dá a vida e a imortalidade… (Eccl 6).

Nosso Senhor é para nós este tesouro, porque nos chamou seus amigos (Jo 15, 15). Descreveu-se também quando disse que o verdadeiro amigo dá a sua vida pelos seus amigos.

Vamos ao Coração eucarístico de Jesus como ao Coração de um amigo fiel, de um verdadeiro amigo dedicado sem medida. Não nos permite duvidar da sua terna amizade.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Quem vem? O irmão ao seu irmão culpado, para o reconduzir e lhe perdoar


 Sim, embora Deus, não se envergonha de nos chamar seus irmãos: non confunditur fratres eos vocare. S. Paulo exprime abundantemente a sua admiração sobre este assunto, nos primeiros capítulos da sua carta aos Hebreus.

 «Outrora, diz, Deus falou aos nossos pais pelos profetas, mas nos nossos dias foi pelo seu próprio Filho, que criou o mundo com ele e que o fez herdeiro de todas as coisas. Ele é o esplendor da sua glória e /653 imagem da sua substância; tudo sustém pelo poder da sua palavra, e depois de nos ter purificado dos nossos pecados, sentou-se no mais alto dos céus, à direita da Majestade divina, sendo também elevado acima dos anjos que o seu nome comporta, porque quem é o anjo ao qual Deus tenha alguma vez dito: Vós sois meu Filho, hoje vos gerei, e ainda: serei o seu Pai e ele será meu Filho?...

A Escritura diz dos anjos que Deus os fez seus ministros, mas diz ao Filho de Deus: o vosso trono, ó Deus, será um trono eterno… E, noutro lugar, reconhecendo-o como Criador de todas as coisas, ela diz-lhe: Senhor, criastes a terra desde o começo do mundo…

Também, quem é o anjo ao qual o Senhor tenha dito: Sentai-vos à minha direita até que eu tenha reduzido os vossos inimigos a servir de escabelo?...
«Entretanto o seu Filho adorável, Deus tornou-o por um pouco de tempo inferior aos anjos, tornando-o passível e mortal, mas em seguida coroou-o de glória e de honra.

Era digno de Deus que, para conduzir à glória os seus filhos, consumisse pelos sofrimentos aquele de entre eles que devia ser o autor da sua salvação. Porque o Salvador e os resgatados são da mesma raça humana e não se envergonha de os chamar seus irmãos…».

Tal é o magnífico ensino de S. Paulo. O hóspede do sacrário é nosso irmão, um irmão amoroso, que se sacrificou por nós, como haveríamos de hesitar em ir dizer-lhe o nosso amor?

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Quem vem? O Pai de misericórdia que nos ama ternamente


Chama-nos seus filhinhos: filioli. Descreveu-se com complacência na parábola do filho pródigo.

Eu sou este filho pródigo, que viveu, se não na luxúria, pelo menos na vaidade e na inutilidade.

Volto para o meu Pai, hesitante, tímido, temeroso, mas ele está lá, que me acolhe com amor. O seu coração bate fortemente no seu peito. Deseja-me com ardor, observa, procura. E se regresso, atira-se ao meu pescoço e aperta-me contra si, coração contra coração.

E chama os seus servos, os seus anjos, para me darem tudo o que perdi. Nada falta: o manto de outrora, o anel de nobreza, os sapatos, e o vitelo gordo para a festa. O Coração de Jesus está emocionado; os seus olhos choram de ternura, mas sorriem de alegria: «Alegremo-nos, diz o bom Mestre, este filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado».


 Desabrochar Resoluções


Irei ter com o meu amigo, com o meu irmão, com o meu pai. Hesitarei ainda, agora que conheço o hóspede do tabernáculo? Que há a temer quando alguém se dirige ao coração de um amigo, de um irmão, de um pai? Para expandir o meu coração, para pedir conselho, para me consolar das minhas mágoas, para fruir da amizade, irei ao sacrário, irei muitas vezes. Esta será a minha melhor alegria.

 Desabrochar Colóquio com Jesus-Eucaristia

« Última modificação: 13 de Junho de 2007, 22:39 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #16 em: 15 de Junho de 2007, 10:19 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 15:
Coração em que reside
toda a plenitude da Divindade

Invitatório:

                             "Adoremos, no Coração de Jesus, a plenitude da divindade e bebamos com humildade nessa fonte de toda a santidade, de todo o fervor, de toda a virtude, de toda a misericórdia".
Rezemos:

Ó Coração trespassado de amor
e imolado por amor sobre os nossos altares,
queremos unir-nos intimamente a Vós;
queremos esquecer-nos de nós mesmos
para pensarmos unicamente em Vós;
queremos ser esquecidos e menosprezados
por amor de Vós;
queremos ser compreendidos e amados
só por Vós.
Coração eucarístico de Jesus,
que sois a nossa vida,
fazei que satisfaçamos
o desejo ardente que tendes
da nossa santidade.
Que Vos ofereçamos finalmente
um amor puro e verdadeiro,
a Vós que viveis e reinais
 com o Pai e o Espírito Santo,
pelos séculos dos séculos. Amem .
                   
Para meditação e contemplação:

"Pai, quero que onde Eu estiver estejam também comigo aqueles que Tu me confiaste, para que contemplem a minha glória, a glória que me deste, por me teres amado antes da criação do mundo" (Jo 17, 24)

"Como Deus é chamado "o Oceano do ser" (S. Gregório de Nissa), o Coração de Jesus pode ser chamado o "Oceano da graça"; Ele é o lugar de todas as graças, tal como o Oceano é o lugar de todas as águas (Liturgia de S. Clemente); e estas águas imensas estão nele, com o seu fragor enérgico, as suas ondas admiráveis, com a sua força espantosa, com a sua inesgotável fecundidade. Oceano divino, Oceano de vida, as ondas que lançais sobre o mundo trazem-lhe a fertilidade e a paz".


Coração de Jesus,
em que reside toda a plenitude da Divindade,
tende piedade de nós.

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


15 de Junho
OITAVA DA FESTA DO CORPO DE DEUS:
AS RELAÇÕES DA EUCARISTIA E DO CORAÇÃO DE JESUS

23 Erat ergo recumbens unus ex discipulis eius in sinu Iesu quem diligebat Iesus 24 innuit ergo huic Simon Petrus et dicit ei quis est de quo dicit 25 itaque cum recubuisset ille supra pectus Iesu dicit ei Domine quis est  
(Jo 13, 23-25)
23 Ora, ali estava aconchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava; 24 a esse fez Simão Pedro sinal, dizendo-lhe: Pergunta a quem ele se refere. 25 Então, aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: Senhor, quem éInterrogação
 (Jo 13, 23-25)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

S. João compreendeu imediatamente que a Eucaristia é o dom do Coração de Jesus.

 Rosa Segundo Prelúdio


Coração eucarístico de Jesus, ganhai o meu coração à união convosco


 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
No Cenáculo, S. João compreende que o dom da Eucaristia vem do Coração de Jesus


É no seio de Jesus, in sinu Jesu; é sobre o peito de Jesus, supra pectus Jesu, que S. João faz a sua acção de graças. Mal comungou, inclina-se sobre o seio de Jesus. Recebeu a eucaristia, vai à sua fonte. Não se contenta com o dom, como os outros, vai até ao tesouro donde o dom saiu.

O seu gesto prega-nos. É como se nos dissesse: «Vedes, é de lá que vem este dom inefável. Apoiando-me lá, bebo na fonte. Como os israelitas bebiam a água vivificante que brotava da fenda do rochedo, assim eu bebo com alegria nas fontes donde brota a Eucaristia. É lá que eu levo a minha acção de graças, à fonte mesma, ao Coração generoso de Jesus…».

Como S. João, unamos a Eucaristia ao Coração de Jesus. Ele é a sua fonte, espera o nosso agradecimento pela sua bondade infinita…

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Em Paray Le Monial, é na Eucaristia que o Sagrado Coração revela o seu amor


Enquanto os anjos e os santos contemplam, admiram, adoram e cantam o amor do Coração de Jesus, nos esplendores da glória, os homens são chamados a honrá-lo, a amá-lo, de preferência, na vida eucarística. É ordinariamente na Eucaristia que ele se manifesta em Paray-le-Monial, para solicitar o nosso amor.

«Um dos meus mais rudes suplícios, diz Margarida Maria, era quando este divino Coração me era apresentado com estas palavras: Tenho sede, mas de uma sede tão ardente de ser amado pelos homens no Santíssimo Sacramento, que esta sede me consome; e não encontro ninguém que se esforce, segundo o meu desejo, para me dessedentar, /659 dando alguma compensação ao meu amor».

Foi diante do Santíssimo Sacramento que Margarida Maria recebeu as suas grandes revelações.

Na primeira, a começar: «Uma vez, diz, estando diante do Santíssimo Sacramento, encontrei-me toda investida desta divina presença… Abandonei-me a este divino espírito. Fez-me reconhecer que o grande desejo que ele tem de ser perfeitamente amado pelos homens, tinha-o levado a formar o desígnio de lhes manifestar o seu Coração».

Noutra vez, em que o Santíssimo Sacramento estava exposto, manifestou-lhe as maravilhas do seu puro amor, que não é pago senão por ingratidões. Diz-lhe: «É o que me é mais sensível que tudo o que sofri na minha paixão, tanto que se os homens me dessem alguma troca de amor, consideraria pouco tudo o que fiz por eles, e quereria, se pudesse, ainda fazer mais…».

Foi diante da Eucaristia também que ela ouviu a grande revelação tão conhecida: Eis Coração que tanto amou os homens! Noutra vez, escreve, estando diante do Santíssimo Sacramento, num dia da sua oitava, o meu Deus, descobrindo-me o seu divino Coração, disse-me: «Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e consumir, para lhes testemunhar o seu amor».


 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
É também na Eucaristia que Nosso Senhor pede reparação

Num dia de comunhão, contam os contemporâneos, como a venerável Irmã, durante a sua acção de graças sentisse um vivo desejo de fazer alguma coisa pelo seu Deus, o Bem-Amado da sua alma pediu-lhe interiormente se ela não se importaria de sofrer todas as penas que os pecadores mereciam, a fim de que ele fosse glorificado por todas estas almas.

Noutra vez, conta, num tempo de Carnaval, Nosso Senhor apresentou-se a mim depois da santa comunhão, sob a figura de um Ecce homo, carregado com a sua cruz, todo coberto de chagas e de contusões. O seu sangue adorável corria de todas as partes; disse com uma voz dolorosamente triste: «Não haverá ninguém que tenha piedade de mim, e que queira compadecer e tomar parte na minha dor, no lamentável estado em que me colocam os pecadores, sobretudo no presente?».

É sempre a Eucaristia. A devoção ao Sagrado Coração é sobretudo eucarística. Onde procuramos o Coração de Jesus melhor que na Eucaristia? Os abaixamentos do presépio e as angústias da Paixão não são mais do que uma recordação; a glória do céu não é mais do que uma esperança; Jesus não nos é acessível senão na Eucaristia. Lá o seu Coração bate junto de nós.


 Desabrochar Resoluções


Bom Mestre, quero unir estas duas devoções, como me haveis ensinado vós mesmo nas manifestações a Margarida Maria. Na Eucaristia encontra-se o vosso Coração vivo, amante e ofendido. Visitá-lo-ei muitas vezes, voltar-me-ei muitas vezes para ele, como fazia a vossa fiel serva.

 Desabrochar Colóquio com o Coração Eucarístico de Jesus

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« Responder #17 em: 18 de Junho de 2007, 14:50 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 16:
Coração em que o Pai
pôs todas as suas complacências

Invitatório:

                             "O Coração de Jesus é objecto de todas as complacências do Pai celeste, não só porque é o Coração do seu Filho muito amado, o Coração ornado de todas as perfeições do Verbo Incarnado, mas também porque Deus Pai dele recebe, no modo mais pleno, tudo quanto espera das criaturas: adoração, louvor, acção de graças, oferta, desagravo".

Rezemos (com Santa Margarida Maria):

      "Ó Coração cheio de amor
      de Nosso Senhor Jesus Cristo,
      que tornais sensíveis os corações mais duros,
      que aqueceis os espíritos mais frios,
      que comoveis as entranhas mais impenetráveis,
      feri os nossos corações com as vossas chagas,
      inebriai-nos com o vosso Sangue,
      que modo que nos fixemos em Vós, Divino Crucificado,
      e que em tudo vejamos as marcas da vossa Paixão.
      Que jamais descansemos
      enquanto não repousarmos em Vós
      que sois o nosso centro,
      o nosso amor,
      a nossa felicidade.
      Vós que, na cruz,
      nos revelaste o excesso do vosso amor e da vossa misericórdia,
      deixando abrir o vosso Coração
      para que os nossos por Ele entrassem,
      recebei-os agora
      atraindo-os pelos laços da vossa ardente caridade,
      para os consumir
      pela veemência do Vosso amor.
                   
Para meditação e contemplação:

"Por aqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no Jordão. Quando saía da água, viu os céus abertos e o Espírito a descer sobre Ele como uma pomba. E do céu veio uma voz: "Tu és o meu Filho muito amado, em ti pus o meu encanto" (Mc 1, 9-11).

"É pelo Coração de Jesus que nós podemos adorar a Deus dum modo digno da sua majestade infinita. Só o Filho de Deus feito homem pode oferecer uma homenagem digna à Santíssima Trindade. É por Ele que os anjos e os homens podem louvar perfeitamente a majestade divina... Todo o louvor que chega ao mais alto dos céus deve passar pelos lábios e pelo Coração de Jesus Cristo".


Coração de Jesus
em quem o Pai pôs todas as suas complacências,
tende piedade de nós.

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


16 de Junho
SOBRE A TERNURA QUE NOSSO SENHOR
NOS TESTEMUNHA NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

19 Et accepto pane gratias egit et fregit et dedit eis dicens hoc est corpus meum quod pro vobis datur hoc facite in meam commemorationem 20 similiter et calicem postquam cenavit dicens hic est calix novum testamentum in sanguine meo quod pro vobis fundetur  
(Lc 22, 19-20)
19 E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. 20 Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado por vós
(Lc 22, 19-20)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

O Sacramento da Eucaristia é o dom do amor por excelência

 Rosa Segundo Prelúdio


Ensinai-me, Senhor, a ir ter convosco com amizade, com confiança e com abandono.

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
O sacramento da Eucaristia é o mistério de amor por excelência


Nosso Senhor está lá, para nos amar e para ser amado por nós. Não recebe neste sacramento as consolações que o seu Coração queria nele encontrar. Não falamos neste momento dos sacrilégios que o ultrajam, queremos falar dos padres e dos fiéis que o recebem em disposições suficientes, mas sem amor.

Recebendo este sacramento, como recebem os outros, pensam em si e muito raramente em Nosso Senhor. Isto tem a ver com a fraqueza humana, mas também com a formação que é dada aos clérigos e aos fiéis.

Os sacramentos colocam à disposição de todos os méritos de Nosso Senhor e os frutos da Redenção. Os bons são diligentes em recolher estes frutos preciosos, mas quão pouco pensam em agradecer a Nosso Senhor por estes sinais de amor que nos prodigalizou!

A sua presença no sacramento do altar é uma habitação permanente no meio de nós, os seus irmãos. Está corporalmente no meio de nós, como estava corporalmente no meio dos seus amigos durante a sua vida mortal: não pensamos o suficiente nisto. Deixamo-lo demasiadas vezes sozinho nos tabernáculos. No entanto, ele está lá como amigo, como amigo cheio de ternura.

Espera que as pessoas venham oferecer-lhe o seu coração, falar com ele, confiar-lhe as próprias mágoas e as próprias alegrias. Abre-se a amigos que não o merecem; as pessoas não pensam abrir-se a ele.

Seria necessário que os fiéis fossem desde a infância formados a irem ter com ele com simplicidade; que se lhes ensinasse que o Deus do Tabernáculo não está lá sobre um trono de justiça, que lá se mantém como amigo, que não pede senão que se escutem as confidências dos homens seus irmãos e especialmente das crianças, pelas quais tem uma terna afeição.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Indiferença geral por Jesus-Hóstia


 As pessoas passam indiferentes junto das igrejas onde está Nosso Senhor. Se alguém visita uma igreja, faz é verdade uma genuflexão diante do tabernáculo, murmura algumas vezes com os lábios uma fórmula de oração. Tudo isto é feito maquinalmente. Não se sente como uma visita cordial, na qual se expandiria o coração no Coração de Jesus, o alegraria e consolaria. É honrado como se honraria uma estátua de mármore fria e insensível.

A homenagem distraída que lhe é prestada faz-lhe sentir quanto está afastado do coração mesmo dos seus servos. No entanto, é um amigo, o melhor dos amigos. Queria que os padres que sabem isto o consolassem dos seus esquecimentos. Queria mais, queria que falassem mais frequentemente e com mais coração da sua amizade pelos homens seus irmãos.

Habituando as crianças a estas relações de amizade com Nosso Senhor, preparar-se-ia uma geração de cristãos menos frios e menos indiferentes. Semear-se-iam germes de afeição por ele. Estes germes dariam um dia os seus frutos. Os padres que compreendem estas coisas e as põem em prática produzem grandes frutos

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
O que Nosso Senhor pede aos homens é o dom do seu coração


É pelo coração que os homens se dão. É pelo coração que se conduzem. Em Nosso Senhor, o seu coração foi o inspirador de todos os sacrifícios que fez pelos seus irmãos. É pelo coração que deve reconhecer-se o que o seu coração fez pelos homens. O que se faz sem o coração não pode tocar o Coração de Jesus.

Deve dirigir-se para Nosso Senhor os sentimentos do coração e dar-lhes por objecto principal e dominante um afectuoso reconhecimento pelos seus benefícios, uma confiança sem limites na sua ternura, uma afeição doce pela sua pessoa e a sua humanidade.

É preciso que os cristãos saibam que ele, o mais afectuoso, o mais amoroso, o mais terno, o mais delicado de todos os homens, nada ama tanto como o dom dos corações, que tem fome e sede do coração dos seus irmãos.

Pensemos, portanto, muitas vezes, sobretudo se somos padres, no prisioneiro do tabernáculo. Habita perto de nós e connosco, visitemo-lo muitas vezes. Vamos consolá-lo das ofensas que lhe são feitas. Vamos pedir-lhe os seus conselhos para trabalharmos no seu reino de amor; vamos agradecer-lhe algum sucesso, oferecer-lhe uma prova que nos chega, recomendar-lhe um assunto, uma necessidade da nossa alma ou dos nossos irmãos.

Tratemo-lo finalmente como nosso amigo principal, como um amigo que merece a nossa confiança e que conquistou por mil benefícios o direito de não ser esquecido. Vamos ter com ele por reconhecimento; vamos ter com ele com confiança; vamos ter com ele por amizade, como vem ele mesmo por amizade até nós que tão pouco o merecemos.

 Desabrochar Resoluções


Senhor, sois o melhor dos amigos, o mais fiel, o mais indulgente, o mais generoso, o mais compassivo. Como é que não hei-de ir ter convosco? Porque é que, infelizmente, tenho sido tão duro e tão ingrato para convosco até ao presente? Prometo-vos um pensamento mais habitual na vossa presença eucarística e visitas mais frequentes e sobretudo mais cordiais.


 Desabrochar Colóquio com Jesus-Eucaristia

« Última modificação: 18 de Junho de 2007, 14:53 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #18 em: 19 de Junho de 2007, 04:37 »

Meditações do Padre Dehon

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Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 17:
Coração de cuja plenitude
todos nós recebemos

Invitatório:

                             "A plenitude de luz e de graças do Coração de Jesus derrama-se nas almas conforme as suas disposições. É um sol que dardeja, é uma fonte que se derrama".


Rezemos (com o Pe. Dehon):

      "Ó Jesus,
      o vosso divino Coração
      brilha no meu pequeno mundo interior.
      Que Ele ilumine o meu espírito,
      inflame o meu coração,
      manifeste o mais profundo da minha alma,
      se reflicta em toda a minha vida.
      Que o meu coração seja tão puro
      que reproduza e conserve a imagem do vosso Coração!
      Que, ao olhar o meu coração,
      possais sempre ver o Vosso.
               
Para meditação e contemplação:

"O Verbo era a luz verdadeira que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina... Nós contemplámos a sua glória que possui como Filho Unigénito do Pai. cheio de graças e de verdade... Todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graças sobre graças" (Jo. 1, 9.14b.16).

"O Coração de Jesus é o sol que nos ilumina com o seu Evangelho, o Evangelho que é verdadeiramente produto do Coração divino e que Jesus Cristo deu aos homens como um feixe de verdades, de luzes, de ensinamentos e de exemplos; o Evangelho que brilhou nas trevas e que deve levar a todas as nações e a todas as almas que jazem nas sombras da morte a doce influência das suas claridades divinas..."


Coração de Jesus, de cuja plenitude todos nós recebemos,
tende piedade de nós

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


17 de Junho
SOBRE A BONDADE QUE NOSSO SENHOR
NOS TESTEMUNHA NA SANTA COMUNHÃO

1 Ante diem autem festum paschae sciens Iesus quia venit eius hora ut transeat ex hoc mundo ad Patrem cum dilexisset suos qui erant in mundo in finem dilexit eos
(Jo 13, 1)
1 Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim
(Jo 13,1)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

O Sacramento da Eucaristia é o prodígio do amor do Coração de Jesus pelos homens

 Rosa Segundo Prelúdio


Senhor, fazei que eu responda como devo à afeição e à ternura que me testemunhais na santa comunhão.

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Neste sacramento, Nosso Senhor dá-nos o exemplo da mais admirável ternura


O sacramento da Eucaristia, a maravilha da omnipotência divina, é também o prodígio do amor do Coração de Jesus pelos homens. É por isso que o apóstolo S. João recorda a sua instituição com estas simples palavras:

«Como Nosso Senhor tinha amado os seus que estavam no mundo,
amou-os até ao fim».


Este sacramento mostra que não se deve ter medo de ir ter com Nosso Senhor pelos afectos do coração. É fácil compreender que a comunhão do corpo e do sangue de Nosso Senhor é um prodígio de afecto e de amor terno.
No sacramento do altar, Nosso Senhor está vivo. Lá é Deus e homem, homem em corpo e alma.

Funde-se total e simultaneamente no corpo e na alma do comungante. Não é isto uma loucura de amor e de amor terno? Somente o seu Coração, o seu Coração transbordante de amor pôde encontrar uma semelhante loucura que exigia pôr em acção todo o seu poder divino. Pôs todo o seu poder ao serviço das loucuras da sua ternura.

À loucura da cruz, juntou a loucura de uma comunicação tão íntima que os homens têm dificuldade em concebê-la. É verdade que a sua carne se funde na carne do comungante, a sua alma na alma, o seu coração no coração do fiel, e este abraço inspirado pelo Coração de Jesus ardente de amor dura enquanto durarem as espécies sacramentais.

Ele disse:
«Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
permanece em mim e eu nele».

Há na santa comunhão, diz S. Cirilo, como dois círios que se fundem e juntos se misturam.

O mesmo Pai aplica à Eucaristia o exemplo que S. Paulo dá /665 do fermento que ganha toda a massa da farinha: «Assim, diz, a Hóstia enche todo o homem com a sua graça».

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Esta ternura de Nosso Senhor por nós é semelhante à de uma mãe


 Para nos fazer uma ideia da ternura de Nosso Senhor pelos homens, pensemos na de uma mãe pelo seu filhinho. Nosso Senhor disse-o pelo profeta Isaías:

«Pode uma mãe esquecer o seu filhinho
e não ter piedade do fruto do seu seio?
Ora bem! Mesmo que ela o possa fazer, eu nunca vos esquecerei».


O que Deus disse do povo de Israel aplica-se melhor ainda às almas cristãs.
Maria teve pelo seu Jesus Menino uma ternura tão grande que nenhuma criatura pôde nem jamais poderá igualar. Esta ternura de Maria empalidece junto da do Salvador, que inventou a maravilha da Eucaristia.

Os que vêm a Nosso Senhor com o amor de ternura são sempre recebidos com complacência. Que se compreenda enfim que o amor de um Deus não é, não pode ser um amor sem coração, um amor glacial, um amor sem amor. Purificar o coração, não é expulsar o amor, é dele expulsar tudo o que não é amor por Jesus.

Amar Jesus, é tudo o que ele pede. Ele quer expandir a devoção ao seu coração sagrado, para que vamos ter com ele com o coração. É preciso nesta devoção distinguir duas coisas: o culto público e oculto interior.

As solenidades do culto público glorificam o Sagrado Coração e ele é muito sensível a isso. Deus Pai compraz-se nisso e responde com graças abundantes, mas é preciso mais e melhor para Nosso Senhor.

É preciso que ele tenha adoradores em espírito e verdade, adoradores que lhe dêem /666 o seu coração, que lhe dêem todos os seus batimentos, todas as suas aspirações, todos os afectos.

 Desabrochar Resoluções


Senhor Jesus, tomai o meu coração, pertence-vos. Quero vo-lo dar com ternura pensando habitualmente em vós e conversando intimamente convosco. Quero vo-lo dar com força consumindo-me por vós nos trabalhos, na acção, nas dores e até na morte.

 Desabrochar Colóquio com Jesus-Eucaristia

« Última modificação: 19 de Junho de 2007, 04:45 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #19 em: 19 de Junho de 2007, 04:59 »

Nestes dias deste mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus
encontramo-nos tantas vezes com Jesus-eucaristia
uma pequena partilha do que encontrei hoje



 Desabrochar Um site inglês muito interessante e com este cantinho em Português:

 Desabrochar Alguns textos em português sobre o Milagre Eucarístico de Lanciano:

Lanciano:
O milagre Eucarístico e a Ciência




Nossos sacrários mantêm entre nós a realidade da Encarnação: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós..." E habita ainda verdadeiramente presente entre nós, não somente de uma maneira espiritual, mas com seu próprio Corpo – "Ave verum corpus, natum de Maria Virgine" canta a Igreja diante do SS. Sacramento: "Salve verdadeiro corpo, nascido da Virgem Maria, corpo que sofreu verdadeiramente e foi verdadeiramente imolado pela salvação dos homens".

Esta presença real da carne de Cristo (é uma carne viva, unida à alma e a divindade do Verbo, pois Jesus esta hoje ressuscitado) é admiravelmente manifestada pelo milagre de Lanciano. Um milagre que dura 12 séculos e que a ciência acaba de examinar, e diante do qual, ela teve que se inclinar.

Sim, um milagre, e bem destinado ao nosso tempo de incredulidade. Pois, como diz São Paulo, os milagres são feitos não para aqueles que crêem, mas para os que não crêem. Ora, hoje em dia, um certo número de cristãos da Presença Real, mesmo depois que o Papa Paulo VI, no documento " Mysterium Fidei", recordou-lhes claramente este dogma. Querem admitir, a exemplo dos protestantes, apenas um presença espiritual do Cristo na alma daquele que comunga; mas os sinais sacramentais do pão e do vinho consagrados seriam puros símbolos, tal como a água do batismo, que não é e não permanece senão simples água, ainda que significando e realizando pela palavra que a acompanha – a purificação da alma. Depois da comunhão, as hóstias que não houvessem sido consumidas, dizem eles, não seriam mais, nesse caso, senão pão, podendo ser atiradas fora como coisas profanas... A própria discrição com que, em certas igrejas, cercam o sacrário, já manifesta esta falta de fé profunda na presença real, e portanto, na palavra onipotente do Cristo: "Isto é meu Corpo! Isto é meu sangue!" Eis porque Deus permitiu para todos que duvidam da presença eucarística do Cristo ou que a negam, que um milagre, que dura há mais de 12 séculos, fosse nos últimos anos, posto em evidência e verificado pela própria ciência.

Por minha parte, eu ouvira falar do milagre de Lanciano, mas o fato me havia parecido tão forte, que desejei tomar conhecimento dele e julgá-lo por mim mesmo no próprio local. A pequena cidade Italiana de Lanciano nos Abrozzes encontra-se a 4 km da estrada de rodagem Pescara-Bari, que contorna o Adriático, um pouco ao sul da Pescara e de Chies. Em uma igrejinha desta cidade, igreja dedicada a S. Legoziano ( que se identifica com S. Longiano, o soldado que transpassou o coração de Cristo com a lança na cruz), no VIII século, um monge basiliano durante a celebração da Missa, depois de ter realizado a dupla consagração do pão e do vinho, começou a duvidar da presença na hóstia e no cálice, do Corpo e do Sangue do Salvador. Foi então que se realizou o milagre: diante dos olhos do Padre, a hóstia se tornou um pedaço de carne viva; e no cálice o vinho consagrado torna-se verdadeiro sangue, coagulando-se em cinco pedrinhas irregulares de formas e tamanhos diferentes. Conservaram se esta carne e este sangue milagrosos, e no correr dos séculos várias pesquisas eclesiásticas foram realizadas.

Quiseram, em nossos dias, verificar a autenticidade do milagre, e 18 de novembro de 1970, os Frades Menores Conventuais que têm a seu cuidado a igreja do Milagre decidiram, com a autorização de Roma, a confiar a um grupo de peritos a análise científica daquelas relíquias, datadas de doze séculos.As pesquisas foram feitas em laboratório, com estrito rigor, pelos professores Linoli e Bertelli, este último da Universidade de Siena. A 4 de março de 1971, estes cientistas davam suas conclusões, que em inúmeras revistas de ciência, do mundo inteiro divulgaram em seguida.

Ei-las:

"A Carne é verdadeiramente carne. O Sangue é verdadeiro sangue. Um e outro são carne e sangue humanos. A carne e o sangue são do mesmo grupo sangüíneo (AB). A carne e o sangue são de uma pessoa VIVA. O diagrama deste sangue corresponde a de um sangue homano que tenha sido retirado de um corpo humano NAQUELE DIA MESMO. A Carne é constituída de tecido muscular do CORAÇÃO (miocárdio). A conservação destas relíquias, deixadas em estado natural durante séculos e expostas à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário".

Fica-se estupefato diante de tais conclusões, que manifestam de maneira evidente e precisa a autenticidade deste milagre eucarístico. Antes mesmo de as darem a conhecer de modo oficial, os peritos, no fim de sua analises, enviaram aos Padres Franciscanos de Lanciano o seguinte telegrama: " Et Verbum caro factum est" (E "o Verbo se fez carne.") Telegrama este, que é um ato de fé.

Outro detalhe inexplicável: pesando-se as pedrinhas de sangue coagulado (e todos são de tamanhos diferentes) cada uma delas tem exatamente o mesmo peso das cinco pedrinhas juntas! Deus parece brincar com o peso normal dos objetos.

Inútil dizer-vos que nesta igreja, celebrei a Missa votiva do Santíssimo Sacramento com uma fé renovada: o senhor, por meio de tal milagre vem, verdadeiramente, em socorro de nossas incredulidades.

E depois que foram conhecidas as conclusões dessa pesquisa científica, os peregrino vem de toda a parte venerar a Hóstia que se tornou carne e o vinho consagrado, que se tornou sangue.

Quanto a mim dois fatores me espantam. O primeiro é que se trata de carne e sangue de uma pessoa VIVA, vivendo atualmente, pois que esse sangue é o mesmo que tivesse sido retirado, naquele dia mesmo, de um ser vivo!

É bem uma prova direta de que Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente, que a Eucaristia é o Corpo e o Sangue de Cristo glorioso, assentado a direita do Pai e que, tendo saído do túmulo na manhã da Páscoa, não pode mais morrer. Tantas tolices tem sido ditas, nesses últimos anos, contra a ressurreição do Cristo! Algum, desejariam, com emprenho que essa ressurreição não fosse senão um símbolo, elaborado como que um mito pela piedade muito ardente dos primeiros cristãos!...Ora, eis eu a ciência vem de certo modo, em nosso socorro. Foi verdadeiramente na carne que o Cristo morreu e foi verdadeiramente também na carne, que Jesus ressuscitou no terceiro dia. E a mesma Carne –verdadeira carne nos é dada vida na Eucaristia, para que possamos viver da vida de Cristo! Não é a carne de um distante cadáver, mas uma carne animada e gloriosa. Portanto, vendo a Hóstia consagrada, posso dizer como o Apóstolo Tomé, oito dias depois da Páscoa quando colocou os dedos nas chagas de Cristo " Meu Senhos e meus Deus" é bem a carne viva do Deus vivo!"

Um segundo fato impressiona-me ainda mais: a Carne que lá esta é a carne do Coração. Não a carne de qualquer parte do Corpo adorável de Jesus, mas a do músculo que propulsiona o Sangue – e por tanto a vida – ao corpo inteiro, do músculo que é também o símbolo mais manifesto e o mais eloqüente do amor do Salvador por nós. Quando Jesus se entrega a nós na Eucaristia, é verdadeiramente seu próprio Coração que ele nos da a comer, é ao seu amor que nós comungamos, um amor manso e humilde como esse Coração mesmo, um amor poderoso e forte mais que a morte, e que é o antídoto dos fermentos de morte física e espiritual que carregamos em nossa "carne de pecado".

A Eucaristia é, na verdade, o dom por excelência do Coração de Jesus. S. João nos diz no começo do capítulo XIII de seu Evangelho, antes de nos falar do preparativos da ultima Ceia de Jesus: "Tendo amado os seus que estavam no mundo. Ele os amou ate o fim". Não tanto querendo significar: ate o fim de sua vida terrestre, mas ate os últimos excessos de onde poderia chegar a ternura de um Deus feito homem, do Amor infinito, tornando carne: Meu Coração é tão apaixonado de amor pelos homens" dira um dia o Cristo em Parayle-Monial, revelando seu Coração a Santa Margarida Maria. Uma paixão que o conduzi a cruz, que torna hoje presente sobre nossos altares em nossos sacrários e ate em nossos corações. Esta declarado em nosso Credo que Jesus, depois de sua morte, desceu aos infernos". Ressuscitado vivo, ele ai desce ainda hoje: ele vem à lama de nossos corações para arranca-los dessa lama. Ele vem a esses lugares de morte eterna. Ele vem em nossos corações, nos quais entrou o pecado – arrancar-nos da morte eterna e fazer-nos viver de sua vida divina. Seu Coração imaginou tudo isso, para testemunhar-nos – e de maneira singularmente eficaz – seu afeto se limites. Guardemos isto, em todo o caso: na Eucaristia eu recebo o Cristo todo inteiro, mas é verdadeiramente que se da e que eu como.

Não tínhamos também nós, necessidade de revigorar a nossa fé na Eucaristia? E não foi sem razão que Deus permitiu que o milagre de Lanciano, antigo de 12 séculos e sempre atual, nos fosse apresentado hoje pela própria ciência, por esta ciência que alguns queriam colocar em oposição com a fé ou que a pudesse substituir.

Fiz questão de comunicar-vos as reflexões que me inspirou o conhecimento deste milagre, e a emoção profunda que ele produziu em minha alma. Agora que me aproximo do SS. Sacramento com renovado respeito à ação de graças, adoração, amor renovados. E não duvido que vos tendo comunicado o que eu mesmo descobri em Lanciano, não tenhas também vós, diante da divina Eucaristia um sentimento mais vivo da presença do Verbo feito Carne que vem habitar em nós, o Cristo ressuscitado, que nos ama com uma ternura infinita entretanto humana.

Jesus o prometeu: "Eis que estou convosco até a consumação dos séculos. Sim, até o fim do mundo. Ele, o Verbo tornado Carne, desce em nossa carne e nos fez viver de sua vida eterna e gloriosa...

Padre Jean Ladame ( Chenoves 71940 SAINT BOIL, França)

 Desabrochar um video YouTube:
Corpus Christi - Milagre Eucarístico de LancianoExcalmação
Um video sobre este milagre (4 minutos)
comentado em Português do Brasil
« Última modificação: 19 de Junho de 2007, 05:16 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #20 em: 19 de Junho de 2007, 21:03 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 18:
O desejado das colinas eternas

Invitatório:

                             "É um grande acto de amor pôr toda a nossa confiança na bondade e na misericórdia de Deus, e depois esquecer-nos de nós para nos entregarmos ao amor de Jesus e do seu divino Coração".

Rezemos (com Santa Gertrudes):

      "Ó meu Deus e meu Rei,
      consagrai o meu ser e a minha vida
      ao vosso louvor e à vossa glória.
      Que a minha alma,
      todos os meus pensamentos,
      os meus movimentos, palavras e obras
      sejam louvores para Vós.
      Que todo o meu ser
      com todas as suas forças
      seja entregue ao vosso amor.
      Pai de misericórdia,
      não esqueçais nem abandoneis
      a obra das vossas mãos.
      Que a vossa misericórdia me acompanhe
      nesta terra de exílio
      que quisestes partilhar connosco.
      Fazei saborear a vossa bondade
      revelada no vosso Coração trespassado
      de amor na cruz.
      Ó Jesus, minha firme esperança,
      que o Vosso Coração seja a minha morada
      ao partir deste mundo.
      No altar do vosso Coração
      oferecerei o incenso da minha imolação
      em acção de graças por tudo quanto me destes,
      meu Pai e Mestre.
               
Para meditação e contemplação:

"Destilai, ó céus, lá das alturas o orvalho, e que as nuvens façam chover a justiça. Abra-se a terra para que floresça a salvação, e germine igualmente a justiça. Eu sou o Senhor que criou tudo isto" (Is 45, Cool.

"Os santos do Antigo Testamento desejavam ver o Salvador, não só para serem salvos, mas também para O poderem louvar, adorar e amar...

Amar Nosso Senhor com um amor de desejo é querer, no nosso amor por ele, ver crescer tudo aquilo que, no céu e na terra... possa contribuir para alimentar e acrescentar a sua glória externa".

Coração de Jesus, o Desejado das colinas eternas,
tende piedade de nós.

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


18 de Junho
 CORAÇÃO DE JESUS, SEDE DE TODAS AS VIRTUDES

1 Volo enim vos scire qualem sollicitudinem habeam pro vobis et pro his qui sunt Laodiciae et quicumque non viderunt faciem meam in carne 2 ut consolentur corda ipsorum instructi in caritate et in omnes divitias plenitudinis intellectus in agnitionem mysterii Dei Patris Christi Iesu 3 in quo sunt omnes thesauri sapientiae et scientiae absconditi
(Col 2,1-3)
1 Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face; 2 para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, 3 em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos
(Col 2, 1-2)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

Em Jesus, no seu Coração, estão escondidos todos os tesouros da caridade, da sabedoria e da virtude

 Rosa Segundo Prelúdio


Dai-me, Senhor, alguma esmola deste rico tesouro.

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Humildade


Esta meditação e as duas seguintes foram-nos inspiradas pelo P. Cláudio de la Colombière. «O Coração de Jesus, diz-nos no seu acto de oblação, é a sede de todas as virtudes, a fonte de todas as bênçãos, e o retrato de todas as almas santas». O santo religioso inspirava-se nas comunicações e nas cartas de Margarida Maria.

«A primeira virtude que deve honrar-se nele, diz, é um ardentíssimo amor de Deus seu Pai, junto a um respeito muito profundo e à maior humildade que jamais existiu». Não disse Nosso Senhor mesmo: «Aprendei de mim que sou doce e humilde de coraçãoExcalmação».

Falamos aqui da humildade fundamental, que consiste em reconhecer o nada da criatura e a grandeza infinita de Deus. É esta humildade do Coração de Jesus que estabelecia Nosso Senhor no respeito mais profundo da Majestade divina e no amor ardente pelas infinitas perfeições do seu Pai celeste.

Esta deve ser para nós também a virtude principal e o fundamento de todas as outras. Não é senão pôr em prática o primeiro mandamento em toda a sua integridade: Um só Deus adorarás e amarás perfeitamente.


 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Paciência

     

«A segunda virtude a honrar no Sagrado Coração, diz o P. Cláudio de la Colombière, é uma paciência infinita nos males, uma contrição e uma dor extremas pelos pecados de que se carregou, a confiança de um filho muito terno aliada à confusão de um grande pecador».

Sabia que Nosso Senhor, manifestando o seu coração a Margarida Maria, tinha sobretudo atraído a nossa atenção sobre os seus mistérios dolorosos, sobre a sua Paixão e os seus sofrimentos reparadores.

«O Sagrado Coração foi-me representado sobre um trono de fogo, tinha-lhe dito Margarida Maria, e a chaga que tinha recebido sobre a cruz aparecia-lhe visivelmente. Havia uma coroa de espinhos em volta deste Sagrado Coração e uma cruz em cima.

O divino Salvador fez-me conhecer que estes instrumentos da Paixão significavam que o amor imenso que tem pelos homens tinha sido a fonte de todos os sofrimentos e humilhações que quis sofrer por nós; que desde o primeiro instante da sua incarnação, todos estes tormentos e todos estes desprezos lhe tinham sido preparados, que a cruz foi, por assim dizer, plantada no seu Coração, e que foi desde aquele primeiro instante que aceitou, para nos testemunhar todo o seu amor, todas as humilhações, a pobreza, as dores que a sua sagrada humanidade devia sofrer em todo o curso da sua vida mortal, e os ultrajes aos quais o amor devia expô-lo até ao fim dos séculos, sobre os nossos altares, no santíssimo e augustíssimo Sacramento…»


Paciência, reparação, abandono, aí está toda a vida do Coração de Jesus. Deu-nos este exemplo com a graça para o imitarmos.

Era a resolução do P. Cláudio de la Colombière: «Abraço, dizia, a amável cruz da obediência até à minha morte. Ela será todo o meu prazer, toda a minha glória e as minhas delícias. A Deus não agrada que eu me glorifique, que jamais me regozije que não seja na cruz de Jesus Cristo. A Deus não agrada que jamais tenha outro tesouro que não seja a sua pobreza, outras delícias que não sejam os seus sofrimentos, outro amor que não seja ele mesmoExcalmação». Tal deve ser também o meu ideal.

Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Caridade


«A terceira virtude que é preciso honrar no Sagrado Coração, diz ainda o P. Cláudio de la Colombière, é a sua compaixão muito sensível pelas nossas misérias, o seu amor imenso por nós apesar destas mesmas misérias, e, apesar destes movimentos e impressões, a sua igualdade inalterável causada por uma conformidade tão perfeita à vontade de Deus, que não podia ser perturbada por nenhum acontecimento».

Não foi na misericórdia do seu Coração que ele nos visitou: Per viscera misericordiae in quibus visitavit nos (Lc 1, 78).

Quando Jesus encontra doentes, mortos, o seu Coração não pode resistir às lágrimas daqueles que os envolvem. Emudecido de piedade, cura-os, dá-lhes a vida: misericordia motus (Lc 7, 13).

Vendo a multidão sem provisões para a sua refeição, tem compaixão dela: misereor super turbam (Lc 10, 33). /669

«Este Coração está ainda, quanto isso ainda possa ser, nos mesmos sentimentos, observa o P. Cláudio de la Colombière, está sempre ardente de amor pelos homens, sempre aberto para espalhar todas as espécies de graças e de bênçãos, sempre tocado pelos nossos males, sempre pressionado pelo desejo de nos dar a participar nos seus tesouros e a dar-se a si mesmo a nós, sempre disposto a nos receber, e a nos servir de asilo, de morada e de paraíso, desde esta vida».

Mantendo-me unido ao Coração de Jesus e meditando nos seus mistérios, participarei cada vez mais nas suas virtudes.

 Desabrochar Resoluções


Tenho ao meu alcance, no Coração de Jesus, a fonte de todas as virtudes, que podem resumir-se na humildade, na paciência, na caridade; mas é preciso que resolutamente beba nesta fonte. É preciso que me una sempre mais fielmente ao Coração de Jesus em cada uma das minhas acções.

 Desabrochar Colóquio com o Sagrado Coração

« Última modificação: 19 de Junho de 2007, 21:08 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #21 em: 20 de Junho de 2007, 18:31 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 19:
Paciente e misericordioso

Invitatório:

                             "O Coração de Jesus não é somente um milagre incompreensível de paciência; é também misericordiosíssimo. Foi a misericórdia que o levou a descer do céu à terra; foi a misericórdia que o levou a dizer que é o Bom Pastor que veio dar a vida para salvar as suas ovelhas".

Rezemos (com Santo Afonso de Liguori):

      "Coração misericordioso de Jesus,
      tende compaixão de nós.
      Vós nos destes tantas graças
      sem qualquer mérito da nossa parte.
      Tendo-vos ofendido,
      não merecemos os vossos favores;
      mas a vossa misericórdia
      leva-vos a escutar-nos e a conservar-nos a vida,
      ilumina-nos e convida-nos à penitência
      para alcançarmos perdão.
      Senhor Jesus,
      não deixeis de usar de misericórdia para connosco;
      dai-nos a luz e a força
      para sempre Vos amarmos
      com um amor agradecido
      e não permitais que jamais nos separemos de Vós."
               
Para meditação e contemplação:

"Com quem poderei comparar esta geração?
É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, dizendo: Tocámos flauta para vós e não dançastes; entoámos lamentações e não batestes no peito!"

Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: "Está possesso!" Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: "Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!" Mas a sabedoria foi justificada pelas suas próprias obras".

"O Coração de Jesus quis sofrer por nosso amor desde o início da sua vida... A sua paciência e resignação jamais se desmentiram. "Pai, dizia, que se cumpra a vossa vontade"; abraço a cruz por vosso amor; quero carregá-la para Vos agradar e para salvar os homens...

A sua misericórdia revela-se nos esforços para converter a Samaritana, no perdão a Madalena, a S. Pedro, ao ladrão. na oração que na cruz fez pelos seus algozes. Chorou sobre Jerusalém, teve compaixão das multidões famintas, e chama para Ele todos os que sofrem, para os consolar".

Coração de Jesus, Paciente e Misericordioso,
tende piedade de nós.

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


19 de Junho
O CORAÇÃO DE JESUS FONTE DE TODAS AS BÊNÇÃOS

16 Et erit firmamentum in terra in summis montium superextolletur super Libanum fructus eius et florebunt de civitate sicut faenum terrae 17 sit nomen eius benedictum in saecula ante solem permanet nomen eius et benedicentur in ipso omnes tribus terrae omnes gentes beatificabunt eum
(Sl 71, 16-17)
16 Haja na terra abundância de cereais, que ondulem até aos cimos dos montes; seja a sua messe como o Líbano, e das cidades floresçam os habitantes como a erva da terra. 17 Subsista para sempre o seu nome e prospere enquanto resplandecer o sol; nele sejam abençoados todos os homens, e as nações lhe chamem bem-aventurado
(Sl 71, 16-17)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

Muitas vezes Deus nos prometeu pelos patriarcas e pelos profetas bênçãos maravilhosas para os tempos da redenção. Podemos ver no Sl 71 o Coração de Jesus semelhante ao sol que faz desabrochar as flores e amadurecer os frutos.

 Rosa Segundo Prelúdio


Radioso sol do divino Coração iluminai, aquecei e fecundai o meu coração

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Carta de Margarida Maria ao P. Cláudio de la Colombière


O P. Cláudio sabia melhor que ninguém quanto a devoção ao Sagrado Coração era rica em bênçãos, Margarida Maria tinha-lhe comunicado promessas que tinha recebido de Nosso Senhor.

 «Que não lhe posso contar, escrevia-lhe, tudo o que sei desta amável devoção ao Sagrado Coração de Jesus, e descobrir a toda a terra os tesouros de graças que Jesus Cristo encerra neste Coração adorável, e que tem o desígnio de espalhar com profusão sobre todos os que a praticarem!...

Os tesouros de bênçãos e de graças que este Sagrado Coração encerra são infinitos; desconheço que haja um exercício de devoção na vida espiritual, que seja mais apropriado para elevar em pouco tempo uma alma à mais alta perfeição e lhe fazer saborear as verdadeiras delícias que se encontra no serviço de Jesus Cristo…

Fazei de modo a que as pessoas religiosas a abracem, porque dela retirarão tantos socorros que não seria necessário outro meio para restabelecer o primeiro fervor e a mais exacta regularidade nas comunidades menos regradas, e para levar ao cúmulo da perfeição aquelas que vivem na mais exacta regularidade.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Promessas especiais

     

Margarida Maria anunciava também ao P. Cláudio graças especiais para os apóstolos do Sagrado Coração, para as pessoas seculares, para a boa morte. -

«O meu divino Salvador, escrevia, deu-me a entender que aqueles que trabalham pela salvação das almas terão a arte de tocar nos corações mais endurecidos e trabalharão com um sucesso maravilhoso, se estiverem eles mesmos penetrados de uma terna devoção ao seu divino coração.

 Para as pessoas seculares, encontrarão por meio desta amável devoção todos os socorros necessários ao seu estado; isto é, a paz nas suas famílias, o alívio nos seus trabalhos, a bênção do céu em todos os seus empreendimentos, a consolação nas suas misérias; e é propriamente neste Sagrado Coração que hão-de encontrar o seu refúgio durante toda a sua vida e principalmente na hora da sua morte.

Ah! Como é doce morrer depois de ter tido uma constante devoção ao Coração daquele que nos deve julgar!

Finalmente, é visível que não haveria ninguém no mundo que não ressentisse todas as espécies de socorro do céu, se tivesse por Jesus Cristo um amor reconhecido tal como é aquele que se testemunha pela devoção ao seu Sagrado Coração».

Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Carta à madre Greyfié


Estas promessas de bênçãos são repetidas, com mais insistência ainda se é possível, numa carta à madre Greyfié.

 «Se soubésseis, diz Margarida Maria, como me sinto pressionada para amar o Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ele gratificou-me com uma visita que me foi extremamente favorável pelas boas impressões que deixou no meu coração. Então confirmou-me que o prazer que recebe de ser amado, conhecido e honrado pelas suas criaturas é tão grande que, se não me engano, me prometeu que todos os que lhe tiverem sido devotos e consagrados jamais hão-de perecer; e que, como é a fonte de todas as bênçãos, as expandirá com abundância em todos os lugares em que for colocada e honrada a imagem do seu divino Coração; que reunirá as famílias divididas e protegerá e assistirá aquelas que estiverem em alguma necessidade e que a ele se dirigirem com confiança; que espalhará a suave unção da sua ardente caridade sobre todas as comunidades que o honrarem e se colocarem sob a sua especial protecção; que delas desviará todos os golpes da justiça divina, para as repor em graça quando dela decaírem.

Deu-me a conhecer que o seu Sagrado Coração é o Santo dos Santos, o Santo do amor! Que queria que fosse conhecido no presente para o Mediador entre Deus e os homens, porque é todo-poderoso para fazer a sua paz afastando os castigos que os nossos pecados atraíram, e para nos obter misericórdia».

É surpreendente que o P. de la Colombière, tendo tido conhecimento das maravilhosas promessas de Nosso Senhor, tenha chamado o Sagrado Coração a fonte de todas as bênçãos?

Sim, a devoção ao Sagrado Coração é o pleno desenvolvimento da profecia de David que nos mostra o reino /675 de Cristo dando montanhas de frutos altos como o Líbano e molhos de flores abundantes como a erva dos campos.
Mas para participar nestas bênçãos, não esqueçamos a condição: é preciso que sejamos verdadeiramente devotos e consagrados ao Sagrado Coração.

 Desabrochar Resoluções


Crescer no vosso amor, Senhor, é a bênção que eu peço antes de tudo. Sair da tibieza, avançar na perfeição, é o meu mais ardente desejo. Para isso quero-vos consagrar sempre mais fielmente os meus pensamentos, as minhas disposições, as minhas acções.

 Desabrochar Colóquio com o Sagrado Coração

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« Responder #22 em: 20 de Junho de 2007, 18:44 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



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Dia 20:
Rico para com todos os que Vos invocam

Invitatório:

                             "Ponhamos a nossa confiança no Sagrado Coração, isto é, tenhamos fé no seu amor e na sua liberalidade, porque a nossa confiança não se apoia nos nossos méritos, mas na bondade infinita do divino Coração"

Rezemos (com Santo Afonso de Liguori):

      "Ó Jesus,
      que não recusaste derramar por nós o vosso sangue
      para nos dar a vida,
      aceitai-nos pobres e fracos como somos.
      Nós nos entregamos totalmente a Vós;
      consagramo-vos as nossas vontades.
      aceitai-as e disponde delas
      a vosso bel prazer.
      Nada temos ou podemos:
      mas recebemos de Vós
      os nossos corações:
      queremos que sejam para Vós;
      queremos amar-vos para sempre.
      Ensinai-nos a esquecer-nos de nós mesmos
      e ensinai-nos o caminho do vosso amor.
      Que a minha vontade esteja
      totalmente unida à vossa,
      de modo que eu queira sempre
      apenas o que Vós quereis:
      que a Vossa santa vontade seja a regra dos meus actos,
      dos meus pensamentos e dos meus desejos."
               
Para meditação e contemplação:

"Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza" (2 Cor 8, 9).

"Encontramos no Coração de Jesus todos os bens e todas as graças que possamos desejar: "Nele, disse S. Paulo, fostes enriquecidos com todos os bens, de modo que toda a graça está ao vosso alcance". Nós somos devedores ao Coração de Jesus de todas as graças que recebemos, tais como a redenção, a vocação à fé, as luzes, o perdão das faltas, os auxílios para resistir às tentações, a paciência nas adversidades.

Ele bem nos advertiu:
"Sem Mim nada podeis fazer"...
Oh quanto o Coração de Jesus é rico para todos quantos O invocam
 (Rm 10, 12).

Coração de Jesus Rico para com todos os que Vos invocam,
tende piedade de nós.

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


20 de Junho
O CORAÇÃO DE JESUS RETIRO DE TODAS AS ALMA SANTAS

13 Surge amica mea speciosa mea et veni 14 columba mea in foraminibus petrae in caverna maceriae ostende mihi faciem tuam sonet vox tua in auribus meis vox enim tua dulcis et facies tua decora
(Cant 2, 13-14)
13 Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem. 14 Pomba minha, que andas pelas fendas dos penhascos, no esconderijo das rochas escarpadas, mostra-me o rosto, faz-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e o teu rosto, amável
(Cant 2, 13-14)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

Jesus digna-se comprazer-se com a nossa presença, a nossa conversa, convida-nos a nos refugiarmos no seu seio e no seu Coração, como a pomba no buraco do rochedo

 Rosa Segundo Prelúdio


É demasiada bondade, Senhor, mas pois que me convidais, entrarei no vosso Coração e nele fixarei a minha morada

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
O Coração de Jesus é o nosso doce retiro


É desde os Padres da Igreja que a tradição interpreta neste sentido o nosso texto do Cântico dos Cânticos. Sto. Agostinho diz no seu Manual (c. 2): «Longino abriu-me com a sua lança o lado de Jesus, e eu entrei e repouso lá em segurança».

 S. Bernardo tem páginas deliciosas no seu tratado da Paixão (c. 3): «O vosso coração foi ferido, diz a Nosso Senhor, para que eu possa nele e em vós habitar… como é bom habitar neste coração!...».

S. Boaventura dizia: «Penetrando nas chagas de Jesus, chego até ao fundo do seu amor… entremos lá todo inteiros, aí encontraremos o nosso repouso e uma inefável doçura» (Stim. Div. Amoris, c.1).

Nosso Senhor dizia a Sta. Matilde: «Dar-te-ei o meu coração como um lugar de refúgio».

 S. Francisco de Sales escrevia a uma visitandina (Carta 64): «Não sei onde estareis nesta Quaresma segundo o corpo; segundo o espírito, espero que estareis na caverna da rola e no lado ferido de Nosso Senhor; quero esforçar-me por estar lá muitas vezes convosco; Deus, pela sua soberana bondade, nos faça essa graça!... Como este Senhor é bom, minha muito querida filha, como o seu coração é amável! Permaneçamos lá neste santo domicílio!».

O P. Cláudio de la Colombière tem por tanto razão ao dizer que o Coração de Jesus é o retiro de todas as almas santas.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
É um lugar de refúgio

     

Margarida Maria, muito assídua à permanência no Coração de Jesus, tomava lá funções muito variadas, considerando-se aí ora como discípula na escola do divino Coração, ora como uma doente no hospício, ou uma cativa na prisão do amor, ou uma mendiga no palácio do rei. Mas o mais das vezes vê no Coração de Jesus um lugar de refúgio, um porto de segurança, uma cidadela de protecção contra os inimigos da salvação, um asilo para os pecadores.

«É preciso retirar-nos, diz, para a chaga do Sagrado Coração como um pobre viajante que procura um porto seguro para se colocar ao abrigo dos escolhos e das tempestades do mar tempestuoso do mundo, onde estamos expostos a um contínuo naufrágio. – O Coração adorável é um delicioso retiro onde vivemos ao abrigo de todas as tempestades. – Este divino Coração é como um forte inexpugnável contra os assaltos do inimigo».

O Sagrado Coração é o asilo da misericórdia e do perdão:
«Os pecadores, diz Nosso Senhor, encontrarão no meu coração o oceano infinito da misericórdia».

«Que podeis temer em irdes lá, diz Margarida Maria, uma vez que ele vos convida a lá irdes? Não é ele o trono da misericórdia onde os miseráveis são os mais bem recebidos, desde que o amor os apresente no abismo da sua miséria?».

«O Pai eterno, por um excesso de misericórdia, fez deste ouro precioso uma moeda inapreciável, marcado no cunho da sua divindade, para que os homens com ela possam pagar as suas dívidas e negociar o grande assunto da sua salvação eterna».

«Permanecereis no Sagrado Coração de Jesus como um criminoso que, pelos desgostos e pela dor das suas faltas, deseja apaziguar o seu juiz fechando-se nesta prisão de amor».

 «Deu-me a conhecer que o seu Sagrado Coração é o Santo dos Santos, que queria que fosse conhecido agora para ser o mediador entre Deus e os homens, porque é todo-poderoso para fazer a sua paz e para obter misericórdia».

Desabrochar TERCEIRO PONTO:
É um oratório sagrado


«Escolhei o Coração de Nosso Senhor, diz-nos Margarida Maria, para vosso oratório sagrado. Entrai lá para aí fazerdes as vossas preces e orações, a fim de que elas sejam agradáveis a Deus. Aí encontrareis com que lhe dar o que lhe deveis».

 «Encontrai-vos enfraquecido no serviço de Deus, não vos perturbeis. Para vos satisfazerdes neste ponto, nada tendes a fazer senão unir-vos, em tudo o que fizerdes, ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, no começo, para vos servir disposições, e no fim satisfação.

 Não podeis fazer nada na oração? Contentai-vos em oferecer a de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento do altar, oferecendo os seus ardores para reparar as vossas tibiezas.

 Dizei em cada uma das vossas acções: Meu Deus, quero fazer ou sofrer isto no Coração sagrado do vosso divino Filho, e segundo as suas santas intenções que vos ofereço para reparar tudo o que há de impuro e de imperfeito nas minhas. Ele suprirá em tudo o que poderá faltar-vos da vossa parte; amará a Deus por vós, e amá-lo-eis nele e por ele».

«Este divino Coração é uma fonte inesgotável onde há três canais que correm sem cessar: primeiramente, o de misericórdia pelos pecadores donde brota o espírito de contrição e de penitência; o segundo, de caridade por todos os necessitados, e particularmente por aqueles que tendem à perfeição, que aí encontrarão com que vencerem os obstáculos; do terceiro, correm o amor e a luz para aqueles que quer unir a si para lhes comunicar a sua ciência e as suas luzes.

Procuremos neste divino Coração tudo aquilo de que tivermos necessidade; recorramos a ele em todo o tempo e em todo o lugar. É um tesouro escondido e infinito que não pede senão a abrir-se a nós
».

 Desabrochar Resoluções


O divino Coração é portanto um doce retiro, quero nele permanecer sempre; é um asilo, um refúgio onde encontrarei o perdão das minhas faltas e a protecção em todos os perigos; é o oratório sagrado onde rezarei para ser sempre atendido

 Desabrochar Colóquio com o Sagrado Coração

« Última modificação: 20 de Junho de 2007, 18:49 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #23 em: 20 de Junho de 2007, 19:05 »

Meditações do Padre Dehon

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Dia 21:
Fonte de Vida e de Santidade

Invitatório:

                             "Invocamos hoje o Coração de Jesus como fonte de vida e de santidade; o Sagrado Coração derrama continuamente em nós a vida sobrenatural e a santidade por acção do Espírito Santo, Espírito de amor, que desce do Coração de Jesus para os nossos corações para neles estabelecer a vida divina na medida em que a acolhermos"

Rezemos (com o Pe Condren):

      "Ó Jesus,
      que viveis em Maria, vinde e vivei nos vossos servos,
      com o Vosso espírito de santidade,
      a plenitude da vossa força,
      a realidade das vossas virtudes,
      a perfeição dos vossos caminhos,
      a comunicação dos vossos mistérios
      e dominai em mim todo o poder adverso pelo vosso Espírito,
      para glória de Deus Pai.
      Amem."

Rezemos (com Santo Inácio de Loyola):

      "Tomai, Senhor, e recebei
      toda a minha liberdade,
      a minha memória,
      o meu entendimento e toda a minha vontade.
      Tudo quanto tenho e possuo,
      de Vós o recebi;
      a Vós, Senhor, o entrego e restituo,
      para que disponhais de tudo
      segundo a vossa santíssima vontade.
      Concedei-me somente a vossa graça
      e o vosso amor que isto me basta,
      nem outra coisa desejo
      da vossa infinita misericórdia. Amem"

       
Para meditação e contemplação:

"No último dia, o mais solene da festa, Jesus, de pé, bradou:
"Se alguém tem sede, venha a mim; e quem crê em mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura, hão-de correr do seu coração rios de água viva."
Ora Ele disse isto, referindo-se ao Espírito que iam receber os que cressem nele".
(Jo 7, 37-39a).

"Ninguém exprimiu melhor a vida de Cristo em nós pelo seu Espírito que o venerável Francisco Maria Libermann...

É Jesus, a alma de Jesus, a vontade de Jesus que actua em nós pelo seu Espírito divino; mas sentimos que em todas as suas páginas podíamos substituir essas expressões pela do Sagrado Coração de Jesus...

Escreve ainda: "Tende a vida de Jesus em vós. Sede sempre imagem perfeita de Jesus... Viva unicamente em vós o santo amor de Jesus e de Maria"".

Coração de Jesus, Fonte de Vida e de Santidade,
tende piedade de nós.

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


21 de Junho
S. LUÍS DE GONZAGA (1568-1591)

10 Placens Deo factus dilectus et vivens inter peccatores translatus est 11 raptus est ne malitia mutaret intellectum illius aut fictio decipiat animam illius 12 fascinatio enim nugacitatis obscurat bona et inconstantia concupiscentiae transvertit sensum sine malitia 13 consummatus in brevi explevit tempora multa
(Sab 4, 10-13)
13 Como era agradável a Deus, foi por ele amado, e Deus retirou-o do meio dos pecadores, com medo que o seu espírito não fosse ganho pela malícia dos ímpios ou seduzido pelos falsos bens do mundo. Tendo vivido pouco, encheu o curso de uma longa vida
(Sab 4, 10-13)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

O amável jovem santo foi amado do Sagrado Coração, que muito cedo o chamou para si.

 Rosa Segundo Prelúdio


S. Luís de Gonzaga, ensinai-nos a merecer a afeição do Coração de Jesus

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
O santo do Sagrado Coração


S. Luís de Gonzaga é chamado com razão o santo do Sagrado Coração. Ele bebeu talvez esta devoção com o leite, estando a sua família, por um favor especial, em posse do sangue precioso que tinha corrido das feridas do Salvador. Tinha uma união contínua ao Coração de Jesus nos actos da sua vida.

Nove anos depois da sua morte, Sta. Madalena de Pazzi, num dos seus arroubamentos, viu S. Luís de Gonzaga na glória celeste. Quando acordou do seu êxtase, exclamou: «Ó que glória tem Luís, o filho de Inácio! É um grande santo e um mártir desconhecido». Acrescentava: «Quando Luís estava na sua vida mortal, disparava sem cessar flechas de amor para o Coração de Jesus».

Pode ver-se um sinal providencial no facto de o caro santo morrer na noite que segue a oitava do Santíssimo Sacramento, depois da meia-noite, isto é, no dia que Nosso Senhor devia escolher para a festa do Sagrado Coração.

Margarida Maria considerava-o de tal modo como o santo do Sagrado Coração que escolheu o dia 21 de Junho, dia da sua morte e da sua festa, para se consagrar ao Sagrado Coração com o Padre de la Colombière.

O Padre Croiset, tão unido a Margarida Maria, no primeiro livro que trata oficialmente da devoção ao Sagrado Coração, indica o recurso a S. Luís Gonzaga como um dos meios principais para obter esta devoção.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
A sua vida santa e a sua preciosa morte

     

Este caro padroeiro da juventude elevou-se a uma grande santidade: «Depois do glorioso Sto. Inácio e de S. Francisco Xavier, dizia Belarmino, embora tenha havia já na Companhia muitos perfeitos religiosos e heróicos mártires, Deus não fez brilhar ninguém com tanto esplendor como este bem-aventurado jovem».

Com a idade de sete anos, consagrou-se a Maria e começou a recitar todos os dias o ofício da Santa Virgem. Com nove anos, fez o voto de virgindade.
Era a modéstia mesma. Amava a oração como as outras crianças amam o jogo.

Recebeu a primeira comunhão da mão de S. Carlos Borromeu, e desde então comungou todos os domingos, consagrando três dias da semana à preparação e três dias à acção de Graças.

Amava as vigílias, as disciplinas e a abstinência como um asceta.

A oração era o seu refúgio habitual. «Nunca recomendei a Deus, dizia, um grande ou um pequeno assunto que não tenha sido terminado como desejava».

A sua oração era sem distracções.
Não passava de uma criança e amava a Nosso Senhor como um serafim. Alimentava este amor na meditação da Paixão e da Eucaristia.

No noviciado, era o modelo de todos pela sua regularidade e pelo seu fervor.
Morreu mártir da sua caridade. Tinha pedido a autorização para ir cuidar os empestados. Ganhou ele mesmo os germes da doença.

Na noite da oitava do Corpo de Deus, disse ao Padre Provincial: «Vamo-nos embora com alegria. – Aonde ides, diz-lhe o Padre. – Para o Paraíso», respondeu o jovem santo. E expirava depois da meia-noite com o sorriso nos lábios.

Desabrochar TERCEIRO PONTO:
O apóstolo do Sagrado Coração


 Todo dedicado na terra ao amor de Nosso Senhor e ao culto íntimo do Coração de Jesus, o nosso santo tornou-se do alto céu o seu promotor e o seu apóstolo.

No dia 6 de Janeiro de 1735, aparece, com o Padre de la Colombière e outros servos do Sagrado Coração, para confirmar a missão confiada ao P. de Hoyas, de promover em toda a Espanha este culto sagrado.

No dia 6 de Fevereiro de 1765, três dias depois da aprovação do ofício e da missa do Sagrado Coração por Clemente XIII, veio do céu declarar que este ofício estava ratificado, e como prova da sua missão, curou Nicolau Celestini  ao qual diz:

«Pela minha oração Deus cura-te, mas é preciso que te apliques a adquirir a perfeição religiosa, e que durante toda a vida te esforces por propagar a devoção ao Sagrado Coração, muito agradável ao céu».

Alguns dias depois, mostrava-se ainda, brilhante de glória, a um jovem órfão de Roma, e curava-o também, fazendo-lhe prometer honrar os santos Corações de Jesus e de Maria.

Façamos dele o nosso auxiliar do nosso apostolado do Sagrado Coração.

 Desabrochar Resoluções


 Caro santo, obtende-me a graça de ser como vós bem unido ao Coração de Jesus e de lançar sem cessar flechas de amor a este divino Coração, pelas minhas orações jaculatórias e pela oferta fiel de todas as minhas acções em espírito de amor e de reparação.

É ao pé do crucifixo e do tabernáculo que hei-de alimentar, a vosso exemplo, o fervor do amor.

 Desabrochar Colóquio com S. Luís de Gonzaga

« Última modificação: 21 de Junho de 2007, 18:35 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #24 em: 21 de Junho de 2007, 18:34 »

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Dia 22:
Propiciação dos nossos pecados

Invitatório:

                             "Ao mostrar-nos o Coração rodeado pelos instrumentos da Paixão, Nosso Senhor indicou-nos que o carácter próprio do seu Coração é o de ser vítima de propiciação pelos nossos pecados. A cruz, os espinhos, as chamas e o golpe da lança manifestam-no. É o coração do cordeiro imolado no altar da cruz como hóstia de propiciação... Saibamos aproveitar da propiciação oferecida em nosso favor pelo Sagrado Coração, meditando nos seus sofrimentos e imitando o seu sacrifício".

Rezemos (com Lanspérgio, o Cartuxo):

      "Ó Jesus,
      que todos os meus afectos,
      que todos os seres criados vos louvem,
      vos honrem e vos glorifiquem eternamente
      pela chaga sagrada
      com que o vosso Lado divino foi ferido.
      Deponho, encerro e escondo
      nessa chaga e na abertura do vosso Coração
      o meu coração com todos os seus afectos,
      os meus pensamentos, desejos, intenções
      e todas as forças da minha alma;
      peço-vos,
      pelo sangue e pela água que brotaram do vosso Coração,
      que tomeis posse de mim,
      me conduzais em todas as coisas,
      e me consumais no fogo ardente do vosso santo amor,
      de modo que seja totalmente absorvido e transformado em Vós,
      que seja convosco uma só coisa.
      Amem.
       
Para meditação e contemplação:

"Todo o sacerdote se apresenta diariamente para oferecer o culto, oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem apagar os pecados. Cristo, porém, depois de oferecer pelo pecado um só sacrifício, sentou-se para sempre à direita de Deus, esperando, por último, que os seus inimigos sejam postos como estrado dos seus pés. De facto, com uma só oferta, Ele tornou perfeitos para sempre os que são santificados" (Heb 10, 11-14).

"Toda a Paixão de Jesus se resume no seu Coração. Todos os seus sofrimentos partiam do seu Coração e recaíam sobre Ele como um peso esmagador... Oh! quanto é belo este Coração assim rodeado pelo seu diadema ensanguentado, deposto sobre o altar da cruz, consumido como vítima eterna pelo fogo sagrado do amor! Como tudo isto fala eloquentemente à minha alma e me ensina a conhecer o amor deste Coração adorável!"

Coração de Jesus, propiciação dos nossos pecados,
tende piedade de nós

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


22 de Junho
AS PRÁTICAS DA DEVOÇÃO
AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

17 Exerce te ipsum ad pietatem 8 nam corporalis exercitatio ad modicum utilis est pietas autem ad omnia utilis est promissionem habens vitae quae nunc est et futurae
(1Tim 4, 7-8)
7 Exercita-te, pessoalmente, na piedade. 8 Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser
(1Tim 4, 7-8)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

Exercitemo-nos nas práticas da devoção ao Sagrado Coração, que é a forma providencial da piedade para o tempo presente

 Rosa Segundo Prelúdio


Sagrado Coração de Jesus, ajudai-me a amar-vos praticamente

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Imagem do Sagrado Coração. – Consagração


A imagem ocupa um grande lugar nas visões de Margarida Maria, nos desejos e nas promessas do Sagrado Coração. É simultaneamente um meio de propagar esta devoção e uma prática especial desejada por Jesus e à qual prometeu ligar grandes graças.

Assim como Margarida Maria insiste! Como ela é feliz por propagar estas imagens! Não tem ela promessas do Sagrado Coração para aqueles que as levarem, e a garantia de bênçãos especiais para as casas onde ela estiver exposta e honrada? Não quer Jesus que ela tenha o seu lugar de honra no palácio dos reis e mesmo na bandeira nacional?

Nas visões de Margarida Maria, é ora o Coração sozinho que lhe é mostrado com as insígnias da Paixão, ora é Jesus mesmo mostrando o seu Coração sobre o seu peito.

A consagração que Margarida Maria nos pede ao Sagrado Coração é um dom de si mesmo, que é preciso renovar muitas vezes, a fim de não mais vivermos senão para o Sagrado Coração, para os seus interesses e para o seu amor.

Às vezes, a doação é pedida sob uma forma especial, é uma vítima que deve oferecer-se para ser imolada em expiação pelos pecados ou pela comunidade ou pelas almas do purgatório. Aqui está uma via particular. Façamos a consagração comum e realizemo-la publicamente pelo dom de todas as nossas acções.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
A comunhão e a pública retratação

     

 Um dos pedidos de Jesus a Margarida Maria é de comungar tão frequentemente quanto ela possa. Este é o verdadeiro espírito do Evangelho, reposto em honra por Pio X.

Na vida de Margarida Maria, a devoção ao Santíssimo Sacramento está estreitamente unida à devoção ao Sagrado Coração. É diante do Santíssimo /683 Sacramento que ela tem as suas principais revelações. É no altar que ela vê Jesus ultrajado, que ela lhe faz pública retratação e lhe oferece as suas homenagens e as suas reparações. Ela ama e recomenda a adoração do Santíssimo Sacramento; deseja consumir-se como um círio que arde diante do altar.

A pública retratação ocupa um grande lugar na vida de Margarida Maria e nas suas recomendações. É a melhor forma de reparação amorosa pelo amor ultrajado. É assim que Nosso Senhor a apresenta na grande aparição. Pede que no dia da festa futura o seu Coração seja honrado «comungando neste dia e fazendo-lhe reparação com um pública retratação para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares».

A pública retratação é um acto preciso, determinado, mas é ao mesmo tempo uma tendência geral da alma devota, ciumenta pela honra daquele que ama. Este espírito de reparação está por toda a parte na vida de Margarida Maria e nos seus escritos. Ela pedia também a comunhão reparadora.

 Aos padres, teria pedido a missa reparadora. «Vós fareis, dizia às suas noviças, uma comunhão para fazer pública retratação ao Sagrado Coração de Jesus e implorar-lhe misericórdia por todas as más comunhões que se fazem e que foram feitas por nós e pelos maus cristãos».

Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Hora Santa e união a Jesus sofredor


Pode dizer-se da Paixão, como da Eucaristia: é uma devoção inseparável, para Margarida Maria, da devoção ao Sagrado Coração. A Hora Santa que Jesus pediu a Margarida Maria, não é outra coisa senão o exercício de união a Jesus sofredor.

Ela passava no coro a noite de Quinta-feira Santa e uma vez passou lá toda a noite de joelhos, sem apoio e com as mãos juntas, em união mística com os mistérios da agonia. A imagem do Sagrado Coração que ela nos revelou está toda impregnada da Paixão: chaga, cruz, coroa de espinhos (Bainvel).

Os seus escritos dão-nos a impressão de uma alma toda unida a Jesus sofredor, sem outra alegria senão a alegria mesma «de sofrer amando».
Conhecemos a famosa visão na qual Nosso Senhor lhe apresentou um duplo quadro, o de uma via «toda na paz e na consolação» e o de uma vida toda crucificada; e como ele mesmo escolheu para ela a segunda.

Nosso Senhor tinha-lhe ensinado, por ocasião do jubileu, a oferecer muitas vezes /684 ao Pai eterno as amplas satisfações que fez à sua justiça pelos pecadores na árvore da cruz, pedindo-lhe para tornar eficaz o mérito do seu sangue precioso a todas as almas criminosas

 Desabrochar Resoluções


Ligo-me sobretudo à consagração e à pública retratação. Amor e reparação, é a minha divisa. É o espírito no qual quero viver e morrer. Quero repetir a minha divisa no começo de todas as minhas acções. Quero oferecê-las nesta intenção ao coração do meu Jesus para sua consolação


 Desabrochar Colóquio com Margarida Maria

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« Responder #25 em: 22 de Junho de 2007, 06:32 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

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Dia 23:
Saturado de opróbios

Invitatório:

                             "Nosso Senhor sentiu pesar sobre Ele durante toda a sua vida o opróbrio dos nossos pecados, cuja expiação tinha tomado a seu cuidado...

"Carregou sobre Si as nossas culpas", desde o primeiro instante da Encarnação. Era diante do Pai como que o responsável da humanidade culpada. O opróbrio dos nossos pecados pesou imediatamente sobre Ele, até por ele ser saciado no excesso da Paixão".

Rezemos (com S. João Eudes):

      "Ó meu Salvador,
      que é que Vos fez sofrer tanto
      a ponto de o vosso Coração se despedaçar,
      senão o amor infinito que tendes pelo vosso Pai
      e por nós?
      Morrestes de amor e de dor;
      o vosso Coração foi trespassado
      para glória do Pai
      e para nossa redenção.
      Que Vos hei-de retribuir
      por tal excesso de amor?
      Pudesse eu ter todos os corações
      do céu e da terra para vo-los oferecer
      nas chamas do vosso amor.
      O vosso Pai
      nada me pode recusar
      se vo-lo pedir pelo vosso Coração de Filho.
       
Para meditação e contemplação:

"Disse-lhes então Jesus: "A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo." Afastando-se um pouco mais, caiu com a face por terra, orando e dizendo: "Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres" (Mt 26, 38-39).

"Não podemos duvidar de que o Salvador tenha experimentado sofrimentos incomparáveis e sentido o coração despedaçado e que, na medida da intensidade dos seus sentimentos de compaixão, tenha sentido o coração oprimido, Ele que não via só as acções dos homens mas também lhes conhecia os sentimentos".


Coração de Jesus, saturado de opróbrios,
tende piedade de nós

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


23 de Junho
O CORAÇÃO SACERDOTAL DE JESUS

7 Sacrificium et oblationem noluisti aures autem perfecisti mihi holocaustum et pro peccato non postulasti 8 tunc dixi ecce venio in capite libri scriptum est de me 9 ut facerem voluntatem tuam Deus meus volui et legem tuam in medio cordis mei
(Sl 39, 7-9)
7 Sacrifícios e ofertas não quiseste; abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado não requeres. 8 Então, eu disse: eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; 9 agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei
(Sl 39, 7-9)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

Deus não quis mais sacrifícios da antiga lei, mas colocou no coração de Nosso Senhor a lei do sacrifício novo. O Coração de Jesus é o sacerdote da nova lei, como Aarão e a sua raça eram os sacerdotes da antiga

 Rosa Segundo Prelúdio


Ofereço, Senhor, a vosso Pai, os sacrifícios do vosso Coração e a eles uno os meus

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
É pelo seu Coração que Jesus exerce principalmente o seu sacerdócio


O salmo no-lo diz: Deus escreveu no Coração de Jesus a lei do sacrifício novo. S. Paulo repete-o: Pela oblação de si mesmo, Jesus santificou-nos (Heb 10, 14).

 É o amor do Coração de Jesus pelo seu Pai e por nós que inspira e dirige a sua oblação e a sua imolação. A Igreja no-lo recorda na santa liturgia: no hino do tempo pascal, Ad regias agni dapes, mostra-nos o amor-sacerdote, ou o Coração sacerdotal de Jesus oferecendo o sacrifício redentor:

Divina cujus caritas
Sacrum propinat sanguinem
Almique membra corporis
Amor sacerdos immolat.
«É a caridade,
é o amor-sacerdote,
que derramou o sangue e imolou
a carne do divino cordeiro sobre a cruz
».

«Como amava os seus, Jesus amou-os até ao fim» (Jo13).
Depois de uma vida toda de sacrifício, entrega-se aos perseguidores e aos seus carrascos que o crucificam. «É, diz, para que o mundo seja testemunha do amor que tenho pelo meu Pai» (Jo 14). «Amou-me, diz S. Paulo, e entregou-se por mim» (Gal 2).

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
O Coração sacerdotal de Jesus é o órgão de um culto perfeito de amor e de reparação para com o seu Pai, de expiação e de impetração pelos homens

     

O louvor infinito que o Verbo é em pessoa na eternidade, /686 transportou-o para o mundo. A este louvor eterno acrescentam-se a adoração, o reconhecimento, a oração da humanidade que uniu hipostaticamente a si.

E como Cristo, embora puro e perfeito em si mesmo, é o chefe da humanidade decaída, oferecerá também ao seu Pai um sacrifício de expiação para reparar a glória do seu Pai ultrajada.

Mas que vítima oferecerá ele a seu Pai?
Uma vítima de um preço infinito, uma vítima divina pode unicamente ser adequada à glória de Deus. O Coração de Jesus oferecer-se-á, portanto, a si mesmo. Sacerdote e vítima, imolar-se-á como uma hóstia de amor, de reconhecimento, de reparação e de oração. Imolar-se-á morrendo de amor, dando a sua vida, ao mesmo tempo em que os seus carrascos se esforçam por tirá-la: «Dou a minha alma por mim mesmo, diz, e ninguém ma poderia tirar» (Jo 10).

Este Coração adorável queria ao mesmo tempo glorificar o seu Pai, salvar as nossas almas até ao fim e sem limites, quis perpetuar o seu sacrifício, multiplicá-lo por toda a terra e eternizá-lo no céu.

Vítima oferecida desde o primeiro instante da sua Conceição, sacrificou-se no Calvário, imola-se na Eucaristia, oferece-se no céu, «sempre vivo para interceder por nós» (Heb 7, 25).

Desabrochar TERCEIRO PONTO:
O sacerdócio da nova lei saiu do Coração de Jesus como um rio de amor e de vida


Até à Quinta-feira santa a plenitude do sacerdócio eterno estava concentrada em Nosso Senhor Jesus Cristo. O seu coração é um abismo infinito de glória pelo seu Pai e de salvação pelos homens. Deste abismo, o céu viu sair naquele dia, um duplo rio de amor e de vida: o sacerdócio e a Eucaristia.

Este duplo rio ia espalhar as suas águas divinas em toda a Igreja de Deus para tudo inundar, tudo vivificar, regenerar e santificar.

Naquele dia, duas presenças de Jesus aqui em baixo foram fundadas: a sua presença física nos tabernáculos, a sua presença moral no sacerdócio católico.

Nosso Senhor permanece connosco de uma maneira invisível e velada na Eucaristia. E encarregou os seus sacerdotes de o consagrarem, de o darem a conhecer, de o distribuírem, de serem os propagadores da sua luz, do seu amor, da sua vida.

A Providência ilumina, aquece e vivifica a natureza, sobretudo pelo sol. O sacerdócio é o sol sobrenatural de que Jesus se serve para iluminar, vivificar, divinizar as almas.

Os padres são como o coração da Igreja, o órgão mais íntimo e mais influente de Jesus, o principal motor pelo qual o seu sacerdócio divino leva por toda a parte a vida (Sauvé, Jesus intime).


 Desabrochar Resoluções


Sacerdote e vítima, todo o cristão deve sê-lo numa certa medida. O padre mais do que qualquer outro deve estar unido ao Coração sacerdotal de Jesus. Uno, ó Jesus, os meus pequenos sacrifícios de cada dia, de cada hora ao sacrifício perpétuo de amor e de reparação do vosso divino Coração.

 Desabrochar Colóquio com Coração sacerdotal de Jesus

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« Responder #26 em: 23 de Junho de 2007, 20:17 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 24:
Triturado de dor por causa dos nossos pecados

Invitatório:

                             "O Coração de Jesus foi triturado de dor, mas quis todos os sofrimentos e aceitou-os com alegria... Cada passo no caminho do Calvário apressava a nossa redenção. Cada gota de sangue derramado purificava as nossas almas e preparava-as para os esponsais da graça com o nosso Esposo divino".

Rezemos (com Santo Afonso de Liguori):

      "Coração do meu Salvador,
      sois a sede de todas as virtudes,
      a fonte de todas as graças,
      a fornalha ardente
      onde se abrasam de amor divino todas as almas santas;
      sois o objecto de todas as complacências de Deus;
      sois o refúgio dos aflitos,
      e a morada das almas que Vos amam.
      Ó Coração digno de reinar sobre todos os corações
      e de possuir os seus afectos,
      Coração trespassado de dor na cruz
      e presente por amor nos nossos altares,
      acendei em nós
      um grande amor por Vós.
      Que a nossa vida seja testemunho
      da Vossa graça
      e dos dons com que beneficiais
      aqueles que vos amam.
      Fazei de nós profetas e apóstolos
      do vosso amor.
      Sede o nosso conforto nas provações
      e a nossa força nas lutas.
      Nós Vos consagramos todo o nosso ser
      e queremos unir aos vossos
      os nossos pensamentos, afectos e desejos. Amem.       

Para meditação e contemplação:

"Tende os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé. Ele, renunciando à alegria que lhe fora proposta, sofreu a cruz, desprezando a ignomínia, e sentou-se à direita do trono de Deus.

Considerai, pois, aquele que sofreu tal oposição por parte dos pecadores, para que não desfaleçais, perdendo o ânimo. Ainda não resististes até ao sangue na luta contra o pecado" (Heb 12, 2-4).

"Amou-nos a ponto de considerar a sua Paixão como alegres núpcias, onde realizou uma aliança connosco. Cantou essas núpcias, ao mesmo tempo sangrentas e alegres, numa revelação a Santa Matilde..."

Coração de Jesus,
triturado de dor por causa dos nossos pecados,
tende piedade de nós

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


24 de Junho
NATIVIDADE DE S. JOÃO BAPTISTA

76 Et tu puer propheta Altissimi vocaberis praeibis enim ante faciem Domini parare vias eius 77 ad dandam scientiam salutis plebi eius in remissionem peccatorum eorum
(Lc 1, 76-77)
76 Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos, 77 para dar ao seu povo conhecimento da salvação, no redimi-lo dos seus pecados
(Lc 1, 76-77)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

O precursor, parente e amigo de Jesus, tem uma grande semelhança com ele. A sua missão é conduzir a Jesus

 Rosa Segundo Prelúdio


Santo Precursor, conduzi-me a Jesus, ao seu amor, à sua imitação, ao seu Coração

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Penitência e reparação


S. João Baptista entrega-se à penitência e à reparação pelo seu povo, como os profetas. Como Jeremias, é santificado no seio de sua mãe. É o novo Elias, predito por Malaquias.

Desde a sua infância entrega-se à penitência. «Não beberá nem vinho nem cidra», diz o anjo a Zacarias.

Passa a sua adolescência no deserto, está vestido com uma túnica de peles de camelo apertada por um cinto de couro; come mel silvestre e gafanhotos.
«Que fostes ver ao deserto? diz Jesus aos seus discípulos. Não é um homem molemente vestido. É um anjo, que não come nem bebe» (Mt 11, 18). Nosso Senhor exprime assim a extrema mortificação do Precursor.

É um profeta, um asceta. S. Bernardo chama-o patriarca, o mestre e o guia dos religiosos. Como os religiosos contemplativos, amou a solidão, a oração, a penitência; como os religiosos apostólicos, pregou a todas as classes da sociedade, reconduziu um grande número de pecadores, conduziu as almas a Jesus Cristo.

Imitemos a sua penitência e o seu zelo.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Foi mártir da pureza

     

S. João Baptista amava ardentemente a virgindade. Viveu virgem. Não podia sofrer a visão da impureza. Atacava nos seus discursos todas as desordens de costumes, sem medo de ofender os grandes.

Censurou mesmo a Herodes ter tomado por esposa a mulher do seu irmão ainda vivo. É esta firmeza apostólica e este amor da pureza que lhe atraíram a perseguição e lhe valeram o martírio.

/689 Herodes e esta mulher que ele tinha desposado contrariamente às leis e à decência não lhe perdoavam as suas censuras. Foi nos excessos mesmos da sua vida sensual e desordenada que conjuraram contra a sua vida. Foi no meio das danças e dos festins que o mandaram matar.

Era ao mesmo tempo mártir ou testemunha da santa virtude de pureza, e reparador pelas orgias nas quais pronunciavam a sua condenação.
Era um anjo pela sua pureza. O evangelho e os profetas dão-lhe este belo título: «Enviarei o meu anjo diante do Messias», tinha dito o Senhor na profecia de Malaquias (3, 1).

Nosso Senhor mesmo faz a aplicação desta profecia: «Foi dele, diz, que o profeta disse: Enviarei um anjo diante de vós para vos preparar os caminhos» (Mt 11, 10).

S. João Baptista é, portanto, para nós um admirável modelo de pureza. Ensina-nos os meios de conservar as nossas almas puras. Estes meios são a oração, o afastamento do mundo e a mortificação.

Desabrochar TERCEIRO PONTO:
A sua união com Jesus e Maria


Ainda não nasceu quando Jesus e Maria vão visitá-lo na Judeia. Estremece no seio de sua mãe. É abençoado e santificado pela presença de Jesus e a visita de Maria. É um amigo para Jesus, di-lo ele mesmo: «O amigo do esposo, diz, alegra-se quando escuta a voz do seu amigo, é por isso que hoje estou alegre» (Jo 3, 29).

Quando Jesus menino volta do Egipto, visita o seu pequeno amigo passando na Judeia. Cada ano, nos dias de Páscoa, estão juntos em Jerusalém.

Reencontram-se no Jordão. S. João conhece a missão do seu amigo e parente, proclama a sua missão: «Eis, diz, o Cordeiro de Deus, eis aquele que apaga os pecados do mundo».

Pregam um ao outro, mas S. João envia os seus discípulos a Cristo. Recebe as suas graças de Jesus e conduz as almas a Jesus.

Tal deve ser a nossa união com Jesus e Maria. Maria dar-nos-á Jesus. Sede amigos para Jesus pela vossa assiduidade, pelo vosso afecto, pela vossa confiança. Conduzamos-lhe as almas, não procuremos em nada reter a sua afeição por nós, admiremos nisto o desapego de S. João. Ide a Jesus, diz a todos, nada sou senão uma voz que prega no deserto, não sou digno de desatar os seus sapatos

 Desabrochar Resoluções


A penitência e o amor da pureza são os prelúdios de uma união sempre maior com Jesus e Maria. Quero procurar esta união em cada uma das minhas acções. Quereria que a minha ternura por Jesus fosse parecida com a de S. João

 Desabrochar Colóquio com S. João Baptista


Voz que clama no deserto

«A Igreja celebra o nascimento de João como acontecimento sagrado: não há nenhum, entre os nossos antepassados, cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: isto tem sem dúvida uma explicação. E se não a damos tão perfeita como exige a importância desta solenidade, meditemos ao menos nela, mais frutuosa e profundamente.

João nasce de uma anciã estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem.
O futuro pai de João não acredita que este possa nascer e é castigado com a mudez; Maria acredita, e Cristo é concebido pela fé.

Eis o assunto, que quisemos investigar e prometemos tratar. E se não formos capazes de perscrutar toda a profundeza de tão grande mistério, por falta de capacidade ou de tempo, melhor vo-lo ensinará Aquele que fala dentro de vós, mesmo estando nós ausentes, Aquele em quem pensais com amor filial, que recebestes no vosso coração e de quem vos tornastes templos.

João apareceu como o ponto de encontro entre os dois testamentos, o Antigo e o Novo. O próprio Senhor o testemunha quando diz: A Lei e os Profetas até João Baptista. João representa o Antigo e anuncia o Novo. Porque representa o Antigo, nasce de pais velhos; porque anuncia o Novo, é declarado profeta quando está ainda nas entranhas de sua mãe.

 Na verdade, ainda antes de nascer, exultou de alegria no ventre materno, à chegada de Santa Maria. Já então ficava assinalada a sua missão, ainda antes de nascer; revelava-se de quem era o precursor, ainda antes de O ver. São realidades divinas que excedem a limitação humana. Por fim, nasce; é-lhe dado o nome e solta-se a língua do pai. Reparemos no simbolismo que estes factos representam.

Zacarias cala-se e perde a fala até ao nascimento de João, o precursor do Senhor; e então recupera a fala.

Que significa o silêncio de Zacarias senão que antes da pregação de Cristo o sentido das profecias estava, em certo modo, latente, oculto e fechado? Mas tudo se abre e faz claro com a vinda d’Aquele a quem elas se referiam. O facto de Zacarias recuperar a fala ao nascer João tem o mesmo significado que o rasgar-se do véu no templo, ao morrer Cristo na cruz. Se João se anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se a língua porque nasce aquele que é a voz.

Com efeito, quando João já anunciava o Senhor, perguntaram-lhe: Quem és tu? E ele respondeu: Eu sou a voz de quem clama no deserto. João é a voz; mas o Senhor, no princípio era a Palavra. João é a voz passageira; Cristo é, no princípio, a Palavra eterna.»

É necessário que Ele cresça e eu diminua

"O nascimento de João e o de Jesus, e as suas Paixões, marcaram a diferença entre eles. Com efeito, João nasce quando o dia começa a diminuir; Cristo, quando o dia começa a crescer. A diminuição do dia, para um, é o símbolo da sua morte violenta. O seu crescimento, para o outro, a exaltação da cruz.

Há também um sentido secreto que o Senhor revela... em relação a esta palavra de João acerca de Jesus Cristo: «É necessário que Ele cresça e eu diminua».

Toda a justiça humana... se consomara em João; acerca dele dizia a
Verdade: «Entre os filhos das mulheres, não surgiu nenhum maior do que João Baptista» (Mt 11,11). Nenhum homem teria, pois, podido ultrapassá-lo; mas ele era apenas um homem. Ora na nossa graça cristã, é-nos pedido que não nos glorifiquemos no homem, mas se alguém se glorifica que se glorifique no Senhor» (2 Co 10,17): o homem no seu Deus; o servidor no seu mestre.

É por este motivo que João grita : «É necessário que Ele cresça e eu diminua.» Claro que Deus não diminuiu nem aumentou em Si mesmo, mas nos homens: à medida que progride o verdadeiro fervor, a graça divina cresce e o poder humano diminui, até que chegue à sua conclusão o reino de Deus, que está em todos os membros de Cristo, e no qual toda a tirania, toda a  autoridade, todo o poder estão mortos, e Deus é tudo em todos (Col 3,11).

João, o evangelista, diz: «Havia a verdadeira luz, que ilumina todo o homem vindo a este mundo» (1,9); por seu lado, João Baptista diz: «Nós recebemos tudo da Sua plenitude» (Jo 1,16).

Assim que a luz que é em si própria sempre total, cresce contudo em quem por ela é iluminado, esse diminiu em si mesmo, à medida que se vai abolindo nele o que estava sem Deus.

É que o homem sem Deus nada pode, a não ser pecar, e o seu poder humano diminiu quando triunfa a graça divina, destruídora do pecado. A fraqueza da criatura cede ao poder do Criador e a vaidade dos nossos afectos egoístas dissolve-se diante do amor universal, enquanto João Baptista do fundo da nossa angústia, nos grita a misericórdia de Jesus Cristo: «É necessário que Ele cresça e eu diminua»."

Dos Sermões de Santo Agostinho (354-430),
bispo de Hipona e Doutor da Igreja
« Última modificação: 23 de Junho de 2007, 20:25 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #27 em: 24 de Junho de 2007, 16:16 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 25:
Obediente até à morte

Invitatório:

                             "O Sagrado Coração de Jesus viveu sempre na obediência... Podemos dizer da sua obediência, como do seu amor, que teve a sua mais alta expressão nas grandes circunstâncias da Encarnação, da agonia e da morte... Mas é na cruz que a obediência do Sagrado Coração de Jesus nos apresenta a sua mais sublime manifestação, porque é nela que o Pai eterno pede ao Filho o maior sacrifício".


Rezemos :

      "Coração de Jesus,
      sois digno da reverência e do amor de todos os corações,
      que amastes e favorecestes infinitamente;
      mas deles recebeis apenas ingratidão e frieza,
      inclusivamente do meu.
      Merecemos a vossa justa indignação.
      Mas, como sois um Coração de amor,
      um Coração de bondade,
      prevalece a vossa proposta de reconciliação
      e a vossa oferta de perdão.
      Perdoai-me, pois, generosamente,
      pois reconheço o meu pecado.
      Coração do meu Deus,
      Coração santíssimo,
      Coração a quem pertence perdoar o pecado,
      perdoai a este coração arrependido
      que Vos quer desagravar
      e oferecer um amor reparador.
      Renovai o meu coração infiel e inconstante
      e fazei que se aproxime tanto de Vós,
      quanto de Vós tem andado afastado.
       

Para meditação e contemplação:

"Cristo Jesus, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome" (Fl 2, 6-9a).

"O pensamento de Nosso Senhor, em todos os sofrimentos, era fazer a vontade do Pai. Lemos em S. João: "Depois disso, Jesus, sabendo que tudo se consumara, para se cumprir totalmente a Escritura , disse: "Tenho sede!" A passagem das Santas Escrituras, a que alude o evangelista, é a palavra profética de David: "Deram fel por alimento e, na minha sede, ofereceram-me vinagre" (Sl 68). Finalmente Nosso Senhor dá-nos o último testemunho da sua obediência: "Tudo está consumado". Tudo estava cumprido, todas as vontades do Pai estavam realizadas".

Coração de Jesus, Obediente até à morte,
tende piedade de nós

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


25 de Junho
NATIVIDADE DE S. JOÃO BAPTISTA

15 Rex Israel Dominus in medio tui non timebis malum ultra 16 in die illa dicetur Hierusalem noli timere Sion non dissolvantur manus tuae 17 Dominus Deus tuus in medio tui Fortis ipse salvabit gaudebit super te in laetitia silebit in dilectione tua exultabit super te in laude
(Sof 3,15-17)
15 O Rei de Israel, o Senhor, está no meio de ti; tu já não verás mal algum. 16 Naquele dia, se dirá a Jerusalém: Não temas, ó Sião, não se afrouxem os teus braços. 17 O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para te salvar; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo
(Sof 3, 15-17)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio

O profeta Sofonias predisse a habitação de Nosso Senhor entre nós e entreviu a sua vida de silêncio, cheia do seu amor por nós e pelo seu reconhecimento pelo seu Pai

 Rosa Segundo Prelúdio


Como gostaria também eu de saber calar-me frente às criaturas e viver na adoração e no amor do meu Deus!

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
A solidão do Coração de Jesus no tabernáculo


Não saberíamos descrever melhor a vida eucarística do Coração de Jesus, do que o fez a irmã Maria Verónica, a santa fundadora das religiosas vítimas do Coração de Jesus. Tomar-lhe-emos alguns pensamentos nesta meditação e nas três que seguem (Ver a Sua Vida pelo P. Prévost).

Há uma dupla solidão de Nosso Senhor no tabernáculo, a que lhe impõem os homens, e aquela que ele escolheu.

Entrai nos santuários:
muitas vezes, infelizmente, a indiferença e a ingratidão dos homens fazem deles um deserto. Aqui está uma solidão que custa a Nosso Senhor. Aceitou-a pela nossa salvação.

Mas mesmo que uma multidão piedosa se comprimisse nos nossos templos, não pode aí interromper a solidão do tabernáculo. O Verbo de Deus condenou-se na Eucaristia a um eterno silêncio. Que lição para nós! Quer significar-nos que é bom calar-se muitas vezes, subtrair-se à agitação e ao barulho para cultivar a vida interior. Devemos esquecer as criaturas, se o dever não nos obriga a delas nos ocuparmos. Se devemos tratar com elas, que seja unicamente para a glória e o amor do Coração de Jesus. «A nossa conversa deve estar nos céus» (Fil 8, 7).

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
A vida interior do Coração de Jesus no tabernáculo

     

O divino Mestre na Eucaristia está inteiramente desprendido da vida exterior. «Contempla, ama, adora as perfeições de Deus; imola-se à glória de seu Pai, fora de todo o criado, como numa vasta solidão onde os objectos da terra não o podem atingir.

«É preciso tudo perder de vista, tudo esquecer e esquecer-se de si mesmo para imitar esta vida divina.

Peçamos ao Sagrado Coração como um favor sermos por vezes retirados nesta solidão perfeita, somente sob o olhar de Deus, na companhia do nosso bem-amado Jesus, não tendo liberdade nem acção senão para amar e adorar o nosso Deus, para nos sacrificarmos e perdermos nele.

Do seu tabernáculo, Jesus não fala a nenhuma criatura. Nenhum barulho, nenhum movimento não se faz aí ouvir, mas, diante do seu Pai, o seu silêncio é bem mais profundo e mais sublime. Dir-se-ia que toda a sua ocupação seja calar-se. É todo amor, aniquilamento, imolação, prece; mas tudo se passa no silêncio, nas profundidades de si mesmo e da sua divindade.

Como este silêncio é uma linguagem poderosa e forte! Presta homenagem à grandeza de Deus, às suas perfeições infinitas, ao seu domínio soberano, a todos os seus atributos que Jesus louva com um hino eterno e sem fim e num misterioso silêncio».

Quereria nas minhas adorações fazer calar em mim as criaturas para me unir à adoração de Jesus para com o seu Pai.

Desabrochar TERCEIRO PONTO:
A solidão e o silêncio preparam-nos para a conversa com Nosso Senhor


«Uma alma que quer dispor-se a uma conversa íntima com Nosso Senhor deve amar a solidão e o silêncio. Isto deve ser um ponto essencial do seu regulamento de vida. Deve encontrar aí a sua felicidade, o seu repouso e a sua vida. Deve ser então para ela uma pena quando é obrigada a entregar-se a ocupações profanas. Sem o silêncio, de facto, não há recolhimento, união com Deus, correspondência aos seus desejos.

«O silêncio exterior estende-se ainda às mágoas, às contradições, às observações que nos são feitas. Ó meu Deus, comunicai às almas devotadas ao divino Coração de Jesus o gosto deste silêncio divino e a prática do silêncio exterior!

Jesus no santo tabernáculo expia pelo seu silêncio tantas conversas frívolas, palavras inúteis e más de que as suas criaturas se tornam culpadas. É vítima pelos pecados da língua. Sofre particularmente pelas faltas das almas que lhe são consagradas e pelas quais tem uma ternura especial.

Depois disto, será que posso hesitar em amar o silêncio?
Não devo ser vítima com Jesus e como Jesus?».


Nas minhas adorações e na minha acção de graças sobretudo farei calar em mim as criaturas para me unir a Nosso Senhor. Não posso escutar Jesus senão no silêncio do meu coração.

 Desabrochar Resoluções


Renovo todas as minhas resoluções de silêncio e de recolhimento. Compreendo que a união com Jesus é a este preço. Vinde, ó meu bem-amado, o vosso servo escuta-vos. Falai ao meu coração, tenho sede de escutar as vossas doces conversas.

 Desabrochar Colóquio com o Coração Eucarístico de Jesus

« Última modificação: 24 de Junho de 2007, 16:21 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #28 em: 24 de Junho de 2007, 16:52 »


«O silêncio interior é
a presença trinitária na alma
que com todo o coração,
com todo o entendimento,
com todas as forças
procura a Deus e quer servi-l’O:

Se alguém me tem amor,
há-de guardar a minha palavra;
e o meu Pai o amará,
e Nós viremos a ele
e nele faremos morada»


Mons. Luís Novarese


Devocionário:
Diário de Quem ama
o Sagrado Coração de Jesus
« Última modificação: 24 de Junho de 2007, 16:57 por lea onda-menor » Registado

"O claustro de um Franciscano é o MUNDO!"
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