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Autor Tópico: Um Coração Especial: o de Jesus  (Lida 4168 vezes)
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« em: 01 de Junho de 2007, 13:07 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 1: Filho do Pai eterno

Invitatório:

                           "Adoremos com amor o nosso Deus, o Pai de Nosso        Senhor Jesus Cristo, o nosso Deus, do Qual provém toda a paternidade no céu e na terra. Adoremos também o Coração de Jesus, Filho do eterno Pai".

Rezemos (com S. João Eudes):

                    "Ó bondade inefável,
                    amor admirável!
                    Que felicidade para nós
                    que o Pai nos dê o seu Filho,
                    e com Ele todas as coisas,
                    e que no-lo dê,
                    não só para ser nossa redenção,
                    nosso Irmão,
                    mas também nossa cabeça.
                    Que dita sermos membros do Filho de Deus,
                    formarmos com Ele uma só coisa,
                    ter com Ele um só espírito,
                    um só coração,
                    um só amor,
                    poder amar o seu divino Pai e nosso Pai
                    com um mesmo coração
                    e um mesmo amor que Ele!
                    Que o céu e a terra
                    e toda a criação
                    se tornem uma chama de amor
                    para com o Pai das bondades
                    e para com o Filho único,
                    muito amado.


Para meditação e contemplação:

"No princípio já existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; o Verbo era Deus... E o Verbo fez-Se homem, e veio habitar connosco: E nós contemplámos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade" (cf. Jo 1, 1.14).

"Façamos um acto de fé nas Escrituras. Digamos com o símbolo dos apóstolos: "Creio em Jesus Cristo, seu único Filho". Digamos com Santo Atanásio: Sim, nós acreditamos que o Filho de Deus foi gerado da substância do Pai, antes de todos os séculos"


"Coração de Jesus, Filho do Pai eterno, tende piedade de nós".

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


1 de Junho
A devoção ao Sagrado Coração tem um duplo objecto:
o coração de carne do Salvador e o seu amor por nós

23 Erat ergo recumbens unus ex discipulis eius in sinu Iesu quem diligebat Iesus 24 innuit ergo huic Simon Petrus et dicit ei quis est de quo dicit 25 itaque cum recubuisset ille supra pectus Iesu dicit ei Domine quis est (Jo 13, 23-25).23 Ora, ali estava aconchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava; 24 a esse fez Simão Pedro sinal, dizendo-lhe: Pergunta a quem ele se refere. 25 Então, aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: Senhor, quem éInterrogação
(Jo 13, 23-25).
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


S. João reclina a sua cabeça sobre o coração de Jesus, para que aí sinta palpitar o amor do Salvador.

 Rosa Segundo Prelúdio


 Este órgão tão unido pelos seus batimentos ao amor do Salvador merece evidentemente uma honra particular.

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:


Duplo objecto da devoção ao Sagrado Coração: o Coração de carne de Nosso Senhor e o amor do Salvador por nós.

 Isto resulta primeiro das revelações de Margarida Maria. É, de facto, o seu Coração de carne que Nosso Senhor lhe mostra sem cessar, mas chamando sempre também a sua atenção para o seu amor:

«Eis este Coração que tanto amou os homens…».


Há, portanto, dois elementos nesta devoção: um elemento sensível, o coração de carne; um elemento espiritual, o que recorda e representa este coração de carne. E os dois elementos não fazem senão um, como não fazem senão um, o signo e a coisa significada.

Os autores dizem correntemente que há dois objectos na devoção: um principal, que eles reconduzem ao amor; o outro secundário que é o coração, e isto é verdadeiro. Estes dois elementos são essenciais.

Estão unidos como a alma e o corpo estão unidos no homem. Margarida Maria não nos apresenta nunca um sem o outro. É sempre o «coração amabilíssimo e amorosíssimo de Jesus que ela vê e que propõe às nossas adorações» (R.P. Bainvel).

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:


O amor do Filho de Deus é o objecto principal deste culto. É o que dizem muito claramente os teólogos desta devoção.

O P. Croiset começa assim a sua obra sobre a devoção ao Sagrado Coração. «O objecto particular desta devoção é o amor imenso do Filho de Deus, que o levou a entregar-se por nós à morte e a dar-se todo a nós no Santíssimo Sacramento do altar»

E depois de algumas explicações: «É fácil de ver que o objecto e o motivo principal desta devoção é o amor imenso que Jesus Cristo tem pelos homens, que não têm, na maior parte deles, senão desprezo ou indiferença para com ele».

O P. de Gallifet, àqueles que pretendiam que a festa nova não se distinguisse das outras festas do Salvador, como a da Paixão, do Santíssimo Sacramento, etc.., respondia: «O objecto imediato destas festas não é propriamente o amor de Cristo. Na do Coração de Jesus, ao contrário, o amor de que arde este Coração santíssimo, é o objecto imediato da festa, em união com o seu Coração; de modo que pode dizer-se na verdade que o amor de Cristo pelos homens é própria e imediatamente visado nesta festa».

Dizia um pouco mais tarde: «Ninguém pode examinar com um pouco de atenção a natureza desta festa sem ver imediatamente que, sob o nome e o título do Coração de Jesus, se trata na realidade da festa do amor de Jesus, porque esta é a essência do coração de Jesus».

Os documentos oficiais dizem a mesma coisa. «Sob a imagem simbólica do coração, diz o decreto de Pio VI, nós meditamos e veneramos a imensa caridade e o amor liberal do nosso divino Redentor».

A oração da festa convida-nos também a meditar nos principais benefícios do amor divino. Como esta doutrina ilumina bem esta devoção! É a devoção ao amor, à caridade de Cristo.

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:


 O coração de carne é o símbolo do amor e está tão estreitamente unido à faculdade de amar, que nos dá a ilusão de o tomar pelo órgão mesmo do amor.  O coração de carne é o símbolo do amor. É um facto, é o uso geral de o tomar como símbolo do afecto, da ternura, do amor. Não se diz: «Dou-vos o meu coração», para dizer que vos prometo o meu afecto?

Mas porque foi que a linguagem humana adoptou esta expressão simbólica? É porque o coração está intimamente ligado aos movimentos dos nossos afectos.

Quando amamos verdadeiramente, o nosso coração bate mais forte, sob a pressão de um sangue mais quente e mais vivo. O coração comporta-se como se fosse o órgão dos afectos.

Mas não é o órgão principal, diz-nos a ciência. Seja! Mas está bastante ligado a todos os seus movimentos para que a linguagem humana tenha podido instintivamente tomar o seu nome para designar o órgão do amor.

Honrando o Sagrado Coração de Jesus, honramos, portanto, principalmente o amor do Filho de Deus e secundariamente o coração de carne que está tão intimamente unido a este amor para ser chamado familiarmente o seu órgão e o seu símbolo.

Quando S. João quer unir-se ao amor de Jesus, que gesto faz? Apoia a sua cabeça sobre este coração que bate por ele com um amor tão terno e tão forte.

Qual não é a nobreza deste coração de carne, que esteve unido com todos os seus batimentos aos afectos, às alegrias, aos sofrimentos do Homem-Deus!

 Desabrochar Resoluções


A minha natureza que é mista aplica-se mais facilmente a um objecto que é misto como ela. Compreenderei melhor o amor do Salvador considerando-o no seu Coração de carne.

Obrigado, ó Jesus, por me terdes revelado devoção tão tocante, quero aplicar-me a ela vivendo em união com o vosso divino Coração.

 Desabrochar Colóquio com o Sagrado Coração de Jesus

« Última modificação: 04 de Junho de 2007, 12:05 por lea onda-menor » Registado

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Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.


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« Responder #1 em: 01 de Junho de 2007, 16:11 »

Não há maior amor

Junho é conhecido como o mês do Coração de Jesus. Celebra-se o imenso amor de Jesus, que foi ao extremo de dar toda a sua vida por cada um de nós.

  A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tornou-se popular no mundo inteiro graças a uma religiosa da Visitação de Paray-le-Monial (França) a quem Jesus apareceu entre Dezembro de 1673 e Junho de 1675. Foi ela que introduziu a expressão Sagrado Coração e deu a esta devoção um sentido.

O Coração de Jesus é, primeiramente, um sinal visível, incarnado, humano, do amor com que Deus nos ama. O amor de Deus para connosco é como um fogo que não se extingue, mesmo que não seja correspondido pelos homens.

Santa Margarida Maria Alacoque refere-se também à necessidade de reparação. Trata-se de reconhecer como é grande a distância entre o amor divino com que somos amados e a dureza de coração das pessoas que o ignoram. Pede-se para elas o dom da conversão.

Esta religiosa mística está na origem do culto ao Sagrado Coração. Esta festa foi aprovada pelo Papa Clemente XIII em 1765 e é celebrada na sexta-feira da semana que se segue à festa do Corpo de Deus.

Esta religiosa mística está na origem do culto ao Sagrado Coração. Esta festa foi aprovada pelo Papa Clemente XIII em 1765 e é celebrada na sexta-feira da semana que se segue à festa do Corpo de Deus.

O nosso programa de vida consiste em amar como Jesus amou.
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« Responder #2 em: 01 de Junho de 2007, 16:21 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 2:
Formado pelo Espírito Santo
no seio da Virgem Maria

Invitatório:

                           "Adoremos Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria. Veneremos a Santíssima Virgem, Mãe de Deus e nossa mãe"

Rezemos (com Santa Margarida Maria):

                    "Entrego e consagro
                    ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo,
                    toda a minha pessoa e a minha vida,
                    as minhas acções, penas e sofrimentos
                    para O amar, honrar e glorificar.
                    É minha firme vontade
                    ser todo para Ele
                    e tudo fazer por seu amor.
                    Tomo-vos, Sagrado Coração de Jesus,
                    por único objecto do meu amor,
                    protector da minha vida,
                    garantia da minha salvação
                    e meu refúgio seguro.
                    Ponho toda a minha confiança em Vós
                    e tudo espero da vossa bondade.
                    Que o vosso puro amor
                    se imprima no meu coração,
                    de modo que jamais Vos esqueça
                    ou me separe de Vós.
                    Que na vida e na morte,
                    a minha felicidade consista
                    em ser vosso servo. Amem"


Para meditação e contemplação:

"Maria disse ao anjo: "Como será isso, se eu não conheço homem?"

O anjo respondeu-lhe: "O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus"(Lc 1, 34-35)".

Ofereçamos as nossas acções a Deus Pai em união com os trabalhos e as obras de Jesus. Unamo-nos às suas intenções, desejos, orações, ao espírito de amor que n´Ele vive.

Pautemos toda a nossa vida, pensamentos, palavras e acções pela sua maneira de viver; assim, como Ele disse a Santa Matilde, o cobre vil das nossas acções unido ao ouro puro das Suas transformar-se-á num ouro precioso".

"Coração de Jesus,
formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria,
tende piedade de nós"

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


2 de Junho
 O CORAÇÃO DE JESUS ENTENDE-SE DE TODO O INTERIOR DE JESUS
E MESMO DA PESSOA DE JESUS ENQUANTO É AMANTE

2 Implete gaudium meum ut idem sapiatis eandem caritatem habentes unanimes id ipsum sentientes 3 nihil per contentionem neque per inanem gloriam sed in humilitate superiores sibi invicem arbitrantes 4 non quae sua sunt singuli considerantes sed et ea quae aliorum 5 hoc enim sentite in vobis quod et in Christo Iesu
(Fil 2, 2-5).
2 Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. 3 Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. 4 Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. 5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus
(Fil 2, 2-5).
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


S. Paulo dá-nos como modelo o interior de Jesus, a sua humildade, a sua caridade; na realidade, é o seu Sagrado Coração.

 Rosa Segundo Prelúdio


Senhor, dai-me a graça de compreender bem o vosso interior, isto é, o vosso Coração sagrado.

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Na linguagem piedosa, o Sagrado Coração entende-se de todo o interior de Jesus


Nosso Senhor mesmo no-lo autorizou. Não disse ele:[b] «Aprendei de mim que sou doce e humilde de coração?».[/b] Não se trata aqui do seu coração propriamente dito, mas da sua alma, do seu interior, das suas virtudes.

É a linguagem de Margarida Maria e dos seus intérpretes, os Padres de la Colombière e de Gallifet. Sob o nome do Sagrado Coração, Margarida Maria apresenta-nos todas as virtudes de Nosso Senhor, todos os actos da sua vida interior.

«Muitos enganam-se, diz o P. de Gallifet (Liv. 1, c.4). Ao escutarem este nome sagrado, o Coração de Jesus, limitam o seu pensamento ao coração material de Jesus Cristo. Mas como há-de ser diferente e magnífica a ideia que dele devemos ter!

É preciso que o consideremos intimamente unido à alma e à pessoa de Jesus Cristo, cheio de vida, de sentimento e de inteligência; como o mais nobre e principal órgão dos afectos sensíveis de Jesus Cristo, do seu amor, do seu zelo, da sua obediência, dos seus desejos, das suas dores, das suas alegrias, das suas tristezas; como o princípio e a sede destes mesmos afectos e de todas as virtudes do Homem-Deus…».


«A oferta do Sagrado Coração, diz o P. de la Colombière, faz-se para honrar o seu divino Coração, a sede de todas as virtudes, a fonte de todas as bênçãos e o retiro de todas as almas santas…».

As ladainhas do Sagrado Coração enumeram também todas as riquezas escondidas /617 na humanidade santa de Nosso Senhor, na sua vida terrestre, na sua Paixão, na Eucaristia e mesmo no céu .

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Porque é que é assim?


Primeiro, porque na linguagem comum nós tomamos muitas vezes o coração pela alma toda. É também e muito especialmente porque Jesus é todo amor, porque o seu amor pelo seu Pai e por nós animava toda a sua vida, dirigia todas as suas acções.

 É o pensamento de Sto. Agostinho, de S. Tomás, de Bossuet. Porquê as dores de Jesus? Porque amou. Que são os seus milagres? Efeitos do seu amor e da sua bondade.

A linguagem corrente está, aliás, baseada em realidades profundas quando liga ao coração toda a vida moral e afectiva do homem: as virtudes como os sentimentos, os princípios de acção e as motivações íntimas. É que o coração é o eco de toda a nossa vida afectiva, é impressionado por todas as nossas disposições morais.

É, portanto, uma extensão legítima e natural conceber a devoção ao Sagrado Coração como indo ao coração real e vivo de Jesus, para aí honrar tudo o que ele é, tudo o que faz, tudo o que ele recorda e representa ao espírito.

Deste modo, a devoção ao Sagrado Coração já não é apenas a devoção ao amor do coração de Jesus, ela torna-se a devoção a todo o íntimo do Salvador, enquanto este íntimo tem no coração vivo um eco, um centro de ressonância, um símbolo ou um signo de recordação (Bainvel).

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Por extensão, o Sagrado Coração é ainda toda a pessoa de Jesus


Na linguagem corrente, a palavra coração é muitas vezes utilizada (por uma figura que os gramáticos chamaram com o nome grego de sinédoque) para designar a pessoa. Diz-se: é um grande coração, é um bom coração.

Isto aconteceu muito naturalmente na devoção ao Sagrado Coração. Margarida Maria diz: Este Sagrado Coração, como ela dizia: Jesus.

Este uso tornou-se corrente. É preciso notar, todavia, que se considera então especialmente a pessoa de Jesus na sua vida afectiva, no seu íntimo, nos seus princípios de conduta.

Assim entendido, o Sagrado Coração recorda-me Jesus em toda a sua vida afectiva e moral, Jesus íntimo, Jesus todo amante e todo amável, Jesus modelo de todas as virtudes. Toda a vida de Nosso Senhor pode assim concentrar-se no seu coração.

No mesmo sentido, uma estátua do Sagrado Coração é uma estátua na qual Jesus, mostrando-nos o seu coração, procura traduzir aos nossos olhos toda a sua vida íntima, o seu amor sobretudo e as suas amabilidades.

Graças a esta extensão, podemos descrever a devoção ao Sagrado Coração como a devoção a Jesus mostrando-se a nós ou mostrando-nos o seu coração, na sua vida íntima e nos seus sentimentos mais pessoais, os quais mais não dizem, aliás, senão amor e amabilidade.

É Jesus revelando-nos o fundo de si mesmo dizendo-nos: «Eis o coração» (Bainvel).

 Desabrochar Resolução


Oh! A admirável devoção, que chama a minha atenção para todo o interior de Jesus, sobretudo para o seu amor, mas também para todas as suas virtudes, todos os seus sentimentos, o princípio e a alma de todos os seus mistérios. É a manifestação da regra de vida traçada por S. Paulo: Formai em vós os sentimentos de Jesus: Hoc sentite in vobis quod et in Christo Jesus.

 Desabrochar Colóquio com o Sagrado Coração de Jesus

« Última modificação: 04 de Junho de 2007, 12:00 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #3 em: 02 de Junho de 2007, 15:59 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 3:
Unido substancialmente
ao Verbo de Deus

Invitatório:

                           "Saibamos viver em união com Nosso Senhor e com os santos. Ofereçamos as nossas orações, e todas as nossas acções, sobre o altar do Coração de Jesus. Unamo-las às orações e aos méritos dos santos, aos méritos de Nosso Senhor".

Rezemos (com Santa Matilde):

                    "Louvor, adoração,
                    grandeza, glória e bênção
                    a Vós, bom Jesus,
                    pela alegria inefável
                    experimentada na vossa santa humanidade,
                    glorificada pelo Pai na ressurreição.
                    O vosso amor sem limites
                    fez-vos deixar o seio do Pai
                    e vir a este mundo
                    de que assumistes todas as penas e misérias.
                    A alegria da ressurreição
                    encheu incomparável felicidade todos os vossos membros
                    martirizados na cruz.
                    Por essa inefável alegria, peço-vos,
                    ó Mediador entre Deus e os homens,
                    que ilumineis a minha inteligência e a minha alma,
                    para que eu conheça a todo o momento
                    o que é agradável aos vossos olhos. Amem.

Para meditação e contemplação:

"Não quiseste sacrifício nem oferenda, mas preparaste-me um corpo. Não te agradaram holocaustos nem sacrifícios pelos pecados.

Então, Eu disse: Eis que venho... para fazer, ó Deus, a tua vontade" (Heb 10, 5b-7)

"Adoro-vos, divino Coração de Jesus. Amo-vos como o Coração do meu Deus. Porque é Deus e homem, o Verbo encarnado é o mediador natural entre Deus e os homens"

"Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus,
tende piedade de nós"

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


3 de Junho
OBJECTO PRECISO DESTA DEVOÇÃO:
O CORAÇÃO QUE AMA OS HOMENS

1 Estote ergo imitatores Dei sicut filii carissimi 2 et ambulate in dilectione sicut et Christus dilexit nos et tradidit se ipsum pro nobis oblationem et hostiam Deo in odorem suavitatis
(Ef 5, 1-2)
1 Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; 2 e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave (Ef 5, 1-2).
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


Jesus amou-nos simultaneamente com o seu amor divino e humano e entregou-se por nós.

 Rosa Segundo Prelúdio


É o vosso admirável amor, Senhor, que quero sobretudo honrar no símbolo do vosso Coração.

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
É sobretudo o seu amor pelos homens que honramos no Coração de Jesus


O amor que honramos neste culto é sobretudo o amor de Jesus pelos homens, o amor que pede uma reciprocidade de amor. Quem é que melhor nos pode instruir senão Nosso Senhor mesmo? Ora o que foi que ele disse a Margarida Maria?

Quando da sua primeira grande revelação, no dia 27 de Dezembro de 1673, na festa de S. João, mostra-lhe o seu coração sobre um trono com uma coroa de espinhos e a cruz, e diz-lhe que estes instrumentos da Paixão significavam o amor imenso que manifestou pelos homens e pelo qual pedia um amor recíproco.

Na segunda grande revelação, na primeira sexta-feira de Junho de 1674, Nosso Senhor descobre à sua serva «as maravilhas inexplicáveis do puro amor, e até àquele excesso que o tinha levado a amor os homens dos quais não recebia senão ingratidões e desconhecimentos…».

Finalmente, na terceira grande revelação, durante a oitava do Santíssimo Sacramento em 1675, Nosso Senhor dá a fórmula definitiva desta devoção: «Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até esgotar-se e consumir-se, para lhes testemunhar o seu amor, e que não recebe em troca, na maior parte das vezes, senão ingratidões e desprezos…». Nada mais claro, Nosso Senhor queria sobretudo recordar-nos os seu amor por nos e pedir-nos um amor recíproco.


 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
É também, por extensão, o seu amor por Deus


O amor de Jesus pelos homens não vai sem o seu amor pelo seu Pai; está por ele todo penetrado, colhe nele a sua fonte, tem nele o seu motivo, Jesus sabe o grande /620 mandamento:
«Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração…»

e o segundo mandamento, que é semelhante ao primeiro:
«Amarás o teu próximo como a ti mesmo e por Deus».

Chama a nossa atenção sobre o seu amor por nós, mas espontaneamente nós estendemos a nossa contemplação a todo o seu Coração, a todo o seu interior, a todas as suas virtudes, e o sentimento mais elevado que aí encontramos é o seu amor pelo seu Pai.

«As principais virtudes que se pretende honrar no Coração de Jesus, diz o P. Cláudio de la Colombière, são primeiramente um amor ardentíssimo de Deus seu Pai».

 O P. Croiset e o P. de Gallifet não falam de modo diferente. A devoção ao Coração de Jesus é, no seu objecto directo e imediato, a devoção ao Coração de Jesus ardente de amor por nós; mas é também, por uma extensão legítima e natural, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus em toda a sua vida íntima, nas suas virtudes e particularmente no seu amor por Deus.

Enquanto emblema, é o seu amor por nós que Jesus nos revela ao descobrir-nos o seu coração, mas convida-nos indirectamente a contemplar este divino Coração em toda a sua vida íntima e em todas as suas virtudes, das quais a primeira é o amor pelo seu Pai.

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
É o seu amor criado antes que o seu amor incriado


Qual é o amor de Jesus que é preciso honrar na devoção ao Sagrado Coração, o seu amor criado ou incriado?O amor com que nos ama como homem na sua natureza humana, ou aquele com que nos ama como Deus na sua natureza divina e, para repetir uma expressão clara e curta, aquele que criou Lázaro ou aquele que chorou sobre Lázaro? (P. Bainvel)

Não há dúvida que o objecto preciso e formal da nossa devoção é o Coração humano de Jesus, animado do seu amor divino e humano.

 É o Coração do Verbo incarnado que tanto amou os homens; é o imenso amor do Verbo incarnado, que se manifesta em toda a sua vida, na sua morte, no Santíssimo Sacramento. Assim falam aqueles que tinham a missão de propagar esta devoção, o P. de la Colombière, o P. Croiset, o P. de Gallifet.

Mas aconteceu, e isto era natural que se passasse facilmente à consideração do amor puramente divino, que levou o Verbo de Deus a nos criar, a nos conservar e sobretudo a tomar um corpo mortal para nos salvar. Isto não é estritamente a devoção ao Sagrado Coração, é uma consequência.

Tendo-nos tornado mais amantes a respeito do Coração do Verbo Incarnado, tornamo-nos também mais gratos para com o Verbo divino/621 que quis tomar um corpo humano para o oferecer como vítima em nosso proveito.

 Desabrochar Resoluções


Quanto mais a minha devoção se esclarece, mais amo o Coração de Jesus. Conheço-o melhor, medito-o mais facilmente. Quero viver e morrer neste Coração, que viveu por meu amor. Quero unir-me a ele sempre mais fielmente no começo das minhas acções

 Desabrochar Colóquio com o Sagrado Coração de Jesus

« Última modificação: 04 de Junho de 2007, 11:19 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #4 em: 04 de Junho de 2007, 11:18 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 4:
De majestade infinita

Invitatório:

                           "Adoremos e contemplemos as perfeições da divindade que vivem e reinam no Coração de Jesus: a eternidade de Deus, a força, a sabedoria, a bondade, a glória, a felicidade, a paciência, a santidade e outras".


Rezemos (com Santa Gertrudes):

                    "Salve, Sacratíssimo Coração de Jesus,
                    fonte viva e vivificante de vida eterna,
                    tesouro infinito da Divindade,
                    fornalha ardente do divino amor,
                    lugar do meu repouso e do meu refúgio.
                    Ó meu Divino Salvador:
                    inflamai o meu coração
                    no ardente amor
                    em que arde o vosso;
                    derramai no meu coração as grandes graças
                    de que o vosso é a fonte,
                    e fazei com que o meu coração
                    esteja tão unido ao vosso
                    que a vossa vontade seja também a minha,
                    e que a minha seja eternamente conforme à vossa;
                    que a vossa santíssima vontade
                    seja a regra dos meus desejos e das minhas acções.
                    Peço-vos ardentemente,
                    meu adorável e inefável Jesus,
                    pelos méritos infinitos e pelo precioso amor do vosso Coração,
                    que apagueis todos os pecados da minha alma
                    e compenseis os defeitos da minha vida. Amem
                   
Para meditação e contemplação:

"Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor" (Is 11,2)

"Consideremos que o Verbo eterno está com a sua majestade infinita no Coração real de Jesus, unindo-o a Ele pela mais íntima união que se possa imaginar, isto é, pela união hipostática. Esta união torna adoração este Coração com a mesma adoração que é devida a Deus"

"Coração de Jesus de majestade infinita, tende piedade de nós"

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


4 de Junho
 ACTO PRÓPRIO DA DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO
É O AMOR DE NOSSO SENHOR

Carissimi diligamus invicem quoniam caritas ex Deo est et omnis qui diligit ex Deo natus est et cognoscit Deum 8 qui non diligit non novit Deum quoniam Deus caritas est 9 in hoc apparuit caritas Dei in nobis quoniam Filium suum unigenitum misit Deus in mundum ut vivamus per eum
(1Jo 4, 7-9)
7 Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 8 Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. 9 Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigénito ao mundo, para vivermos por meio dele
(1Jo 4, 7-9).
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


Deus manifestou-nos o seu amor enviando-nos o seu Filho que deu a sua vida por nós

 Rosa Segundo Prelúdio


O amor chama o amor; o amor menosprezado chama o amor reparador

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
A manifestação do Sagrado Coração a Margarida Maria é a manifestação do amor


Quando Jesus mostrava a Margarida Maria o seu Coração apaixonado de amor pelos homens, e incapaz de conter mais longamente as chamas que o devoravam, que queria ele senão atrair a atenção sobre este amor, levar-nos a prestar-lhe homenagem, convidar-nos e irmo-nos alimentar neste Coração infinitamente rico? (Bainvel).

Ao dizer-nos que encontra um singular prazer em ser honrado sob a figura de um coração de carne, que objectivo tem? Que é que nos pede senão honrarmos o seu amor e responder-lhe dando-lhe amor por amor? A manifestação do Sagrado Coração a Margarida Maria é a manifestação do amor.

A devoção ao Sagrado Coração reconduz-se, portanto, segundo a palavra de Pio V, a venerar a imensa caridade e o amor pródigo (effusum) de Nosso Senhor, acendendo o nosso amor neste fogo de amor.

Margarida Maria, resumindo as suas visões, escrevia ao P. Croiset: «Era-me mostrado um Coração sempre presente, lançando chamas de toda a parte, com estas palavras: Se soubesses como estou sedento de me fazer amar pelos homens, não descuidarias nada por isto… Tenho sede, ardo por ser amado».

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
O amor apela ao amor


O fim da nova devoção, dizia o postulador de 1697, é pagar um tributo de amor à fonte mesma do amor.  O primeiro fim que temos em vista, dizia o postulador de 1727, o P. de Gallifet, é responder ao amor de Cristo.

 E o P. Croiset: Isto aqui não é senão um exercício de amor; /623 o amor é o seu objecto, o amor é o seu motivo principal, e é o amor que deve ser também o seu fim.

É assim de facto que o entende a Igreja. Ela diz na secreta da missa Egredimini: «Nós vos suplicamos, Senhor, que o Espírito Santo nos inflame do amor que Nosso Senhor Jesus Cristo fez jorrar do seu Coração sobre a terra, e do qual quer que ela se abrase».

Quando Pio IX, em 1856, estendia a festa do Sagrado Coração à Igreja inteira, era para «fornecer aos fiéis estímulos para amar e pagar com amor o Coração daquele que nos amou e lavou os nossos pecados no seu sangue».

Quando eleva a festa a um rito superior, é para que «a devoção de amor ao Coração do nosso Redentor se propague sempre mais, e desça mais adiante no coração dos fiéis, e que assim a caridade, que em muitos arrefeceu, se reanime nos fogos do divino amor».

Leão XIII repetiu os mesmos ensinamentos. Na sua Encíclica de 28 de Junho de 1889, escreve: «Jesus não tem desejo mais ardente que o de ver acender-se nas almas o amor do qual o seu próprio Coração é devorado. Vamos, portanto, àquele que não nos pede como preço da sua caridade senão a reciprocidade do amor».

Nada de mais claro; o acto próprio da devoção ao Sagrado Coração é o amor.

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
O amor menosprezado chama o amor reparador


A devoção ao Sagrado Coração sendo uma resposta de amor ao amor menosprezado e ultrajado, apresenta-se naturalmente como um amor de reparação. Assim todos os documentos autorizados falam-nos da reparação ao mesmo tempo que do amor.

O amor de Jesus, tal como se mostrou a Margarida Maria, é especialmente o amor menosprezado e ultrajado, e é isso que dá a sua importância ao acto de reparação no culto do Sagrado Coração.

O P. Eudes não esqueceu a reparação, mas deixa-a em segundo plano, ele está totalmente absorvido pelo amor, canta o amor.

Margarida Maria, a pedido de Nosso Senhor, coloca no mesmo plano o amor e a reparação. Mas é uma reparação de amor sobretudo que ela pede, antes que uma reparação de justiça ou de expiação.

Esta reparação de amor traduz-se na pública retratação, que se dirige precisamente ao amor menosprezado e ultrajado.

O amor, a consagração ou dom amoroso de si ao Sagrado Coração, /624 a vida toda para ele e dele, mantêm o primeiro lugar nos escritos de Margarida Maria. A reparação e a pública retratação vêm depois, como um testemunho especial de amor para com o amor menosprezado e ultrajado do Salvador.

 Desabrochar Resoluções


Amor e reparação, consagração assídua de mim mesmo, eis o que o Sagrado Coração espera de mim. Mas esta consagração deve abraçar todos os meus actos. Devo renová-la no começo de cada uma das minhas acções, e é preciso para isso viver num piedoso e constante recolhimento, sob o olhar de Nosso Senhor no espírito de amor e de reparação

 Desabrochar Colóquio com Margarida Maria

« Última modificação: 04 de Junho de 2007, 11:21 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #5 em: 04 de Junho de 2007, 11:47 »

Na Igreja e no mundo
revista internacional dirigida por Giulio Andreotti

Cinquenta anos da encíclica Haurietis aquas, do papa Pio XII...

 Uma meditação do cardeal Carlo Maria Martini


Em 15 de maio [2006]o papa Bento XVI enviou ao superior-geral da Companhia de Jesus uma carta por ocasião dos cinqüenta anos da encíclica Haurietis aquas. Pio XII, por sua vez, havia escrito essa encíclica para celebrar e recordar a todos o primeiro centenário da extensão a toda a Igreja da festa do Sagrado Coração de Jesus.Dessa forma, aproveitando a concatenação dos aniversários, o Papa quis religar-se ao fio ininterrupto dessa devoção que há séculos acompanha e conforta tantos cristãos em seu caminho. Nesta ocasião, pedimos algumas reflexões ao cardeal Martini, e ele nos enviou o texto que segue



Aparição do Sagrado Coração
a Santa Margarida Maria Alacoque,
mosaico de Carlo Muccioli,
 Basílica de São Pedro,
Cidade do Vaticano
      «Lembro-me muito bem do tempo em que saiu a encíclica Haurietis aquas in gaudio. Eu era então estudante de Sagrada Escritura e membro da comunidade do Pontifício Instituto Bíblico, onde era professor o ilustre biblista padre Agostino Bea, depois criado cardeal pelo papa João XXIII. Padre Bea era um estreito colaborador do papa Pio XII, e na comunidade se dizia, penso que com boas razões, que ele havia contribuído para preparar esse documento.

Certamente impressionava a orientação bíblica de todo o texto, a partir do título, que é uma citação do livro de Isaías (12,3).

Por isso, a encíclica (que trazia a data de 15 de maio de 1956) foi lida com muita atenção pela comunidade do Instituto Bíblico, que apreciava em particular o seu embasamento nos textos da Escritura.

      No passado, essa devoção, que de per si tem uma longa história na Igreja, se desenvolveu entre o povo a partir sobretudo das chamadas “revelações” de tipo particular, como a revelação a Santa Margarida Maria, no século XVII.

A percepção de como nessa devoção tradicional estava sintetizada concretamente a mensagem bíblica do amor de Deus era algo que nos reaproximava dela, uma devoção que no passado recente havia sido muito cara sobretudo à Companhia de Jesus, em particular em sua luta contra o rigorismo jansenista.
     
O fato de o papa Bento ter desejado escrever uma carta para lembrar justamente essa encíclica ao superior-geral da Companhia de Jesus se deve certamente também a que os jesuítas se consideravam particularmente responsáveis pela difusão dessa devoção na Igreja. Isso também era afirmado por Santa Margarida Maria, segundo a qual esse encargo fora desejado pelo próprio Senhor, que se manifestava a ela.
      Foi assim que a devoção ao Sagrado Coração me foi apresentada no noviciado dos jesuítas, na década de 1940. Isto me levava a refletir sobre a maneira como era possível viver uma devoção como essa e, ao mesmo tempo, deixar-se inspirar na vida espiritual pela riqueza e pela maravilhosa variedade da palavra de Deus contida nas Escrituras.
      E essa pergunta se impunha com ainda maior insistência, na medida em que o meu caminho cristão pessoal também se deparou de certa forma desde a infância com essa devoção

Bento XVI com o cardeal Carlo Maria Martini

Ela me havia sido infundida por minha mãe, com a prática das primeiras sextas-feiras do mês. Nesse dia, minha mãe nos fazia levantar cedo para ir à missa na igreja paroquial e tomar a comunhão.

A promessa era que quem se confessasse e tomasse a comunhão seguidamente nas nove primeiras sextas-feiras do mês (não era permitido pular nenhuma!) podia estar certo de obter a graça da perseverança final. Essa promessa era muito importante para minha mãe.
Lembro-me de que, para nós, jovens, havia também um outro motivo para ir tão cedo à missa. De fato, na época tomávamos o café da manhã num bar com um bom brioche.

      Depois de tomar a comunhão em nove primeiras sextas-feiras seguidas, era oportuno repetir a série, para ter a certeza de obter a graça desejada. Disso veio depois também o hábito de dedicar esse dia ao Sagrado Coração de Jesus, hábito que depois, de mensal, se tornou semanal: toda sexta-feira do ano era dedicada de certa forma ao Coração de Cristo.

      Assim era na minha lembrança a devoção daquela época. Ela estava concentrada sobretudo no louvor e na entrega ao Coração de Jesus, visto um pouco em si mesmo, quase separado do resto do corpo do Senhor. Algumas imagens reproduziam de fato apenas o Coração do Senhor, coroado de espinhos e atravessado pela lança.

      Um dos méritos da encíclica Haurietis aquas era justamente ajudar a pôr todos esses elementos em seu contexto bíblico e sobretudo pôr em relevo o significado profundo dessa devoção, ou seja, o amor de Deus, que desde a eternidade ama o mundo e deu por ele o seu Filho (Jo 3, 16; cf. Rm 8,32, etc.).

      Assim, o culto do Coração de Jesus cresceu em mim com o passar do tempo. Talvez se tenha atenuado um pouco, no que diz respeito a seu símbolo específico, ou seja, o coração de Jesus. E se tornou, para mim e para muitos outros na Igreja, uma devoção pelo íntimo da pessoa de Jesus, por sua consciência profunda, sua escolha de dedicação total a nós e ao Pai. Nesse sentido, o coração é considerado biblicamente como o centro da pessoa e o lugar das suas decisões. E é assim que vejo como essa devoção nos ajuda ainda hoje a contemplar o que é essencial na vida cristã, ou seja, a caridade. Compreendo também melhor como ela está em estreita relação com a Companhia de Jesus, a qual é gerada espiritualmente pelos Exercícios de Santo Inácio de Loyola. De fato, os Exercícios são o convite a contemplar longamente Jesus nos mistérios da sua vida, morte e ressurreição, para poder conhecê-lo, amá-lo e segui-lo.
 

Alguns episódios da vida de Jesus
extraídos da
 Maestà de Duccio di Buoninsegna,
Museu dell’Opera, Sena:
a última ceia, detalhe
      Um grande mérito desse devoção foi, portanto, ter chamado a atenção para a centralidade do amor de Deus como chave da história da salvação. Mas, para perceber isso, era necessário aprender a ler as Escrituras, a interpretá-las de maneira unitária, como uma revelação do amor de Deus pela humanidade. A encíclica Haurietis aquas marcou um momento decisivo desse caminho.

      Como foi que ocorreu e como ocorrerá ainda no futuro um desenvolvimento positivo das sementes lançadas pela encíclica no terreno da Igreja? Creio que um momento fundamental foi o Concílio Vaticano II, em sua constituição Dei Verbum. Ela exortou todo o povo de Deus a uma familiaridade orante com as Escrituras. Daí também as diversas “devoções” recebem aprofundamento e alimento sólido.

      Poderíamos ver o ponto de chegada atual na encíclica do papa Bento XVI Deus caritas est.

Ele escreve:

 “Na história de amor que a Bíblia nos narra, Deus vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos - até a Última Ceia, até o Coração trespassado na cruz, até as aparições do Ressuscitado...”;

e conclui dizendo: “Cresce então o abandono em Deus, e Deus torna-se a nossa alegria (cf. Sl 73[72],23-28)”

A questão, portanto, é ler com inteligência espiritual cada vez maior as Sagradas Escrituras, tendo desperta a atenção para o que está na raiz de toda a história da salvação, ou seja, o amor de Deus pela humanidade e o mandamento do amor ao próximo, síntese de toda a Lei e dos Profetas (cf. Mt 7,12).

      Dessa forma serão caladas também hoje as objeções que ao longo dos séculos foram feitas ao culto do Sagrado Coração, que era acusado de intimismo ou de fomentar uma postura passiva, em prejuízo ao serviço ao próximo.

Pio XII lembrava e desmentia essas dificuldades, que não desapareceram nem nos nossos tempos, se Bento XVI pode escrever em sua encíclica: “Chegou o momento de reafirmar a importância da oração diante do ativismo e do secularismo que ameaça muitos cristãos empenhados no trabalho caritativo” (nº 37).

      Um outro mérito da encíclica Haurietis aquas consistia em sublinhar a importância da humanidade de Jesus.

Nisso retomava as reflexões dos Padres da Igreja sobre o mistério da Encarnação, insistindo no fato de que o Coração de Jesus “devia sem dúvida pulsar de amor e de qualquer outro afeto sensível” (cf. nos 21-28).

Por isso a encíclica ajuda a nos defendermos de um falso misticismo que tenderia a deixar de lado a humanidade de Cristo para aproximar-se de maneira de certa forma direta do mistério inefável de Deus.

Como afirmaram não apenas os Padres da Igreja, mas também grandes santos como Santa Teresa d’Ávila e Santo Inácio de Loyola, a humanidade de Jesus continua a ser uma passagem ineliminável para compreender o mistério de Deus.

 
Não se trata portanto de venerar apenas o Coração de Jesus como símbolo concreto do amor de Deus por nós, mas de contemplar a plenitude cósmica da figura de Cristo: “Ele é antes de tudo e tudo nele subsiste [...], pois nele aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude” (Cl 1,17.19).

      A devoção ao Sagrado Coração nos lembra também como Jesus doou a si mesmo “de todo o coração”, ou seja, de bom grado e com entusiasmo. Assim, nos é dito que o bem deve ser feito com alegria, pois “há mais felicidade em dar que em receber” (At 20,35) e “Deus ama a quem dá com alegria” (2Cor 9,7).

Isso todavia não deriva de um simples propósito

Crucifixão, detalhe

humano,  mas é uma graça que o próprio Cristo nos obtém, é um dom do Espírito Santo que torna fáceis todas as coisas e nos sustenta no caminho cotidiano mesmo nas provações e nas dificuldades.

      Enfim, eu gostaria de mencionar aquilo que é chamado apostolado da oração, que nasceu no século XIX, por obra de padres jesuítas, em estreita conexão com a devoção ao Sagrado Coração.

Considero que ele ponha à disposição de todos os fiéis, com a oferta cotidiana do dia em união com a oferta eucarística que Jesus faz de si, um instrumento muito simples para pôr em prática o que diz São Paulo no início da segunda parte da Carta aos Romanos, dando uma síntese prática da vida cristã: “Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual” (Rm 12,1).

      Muitas pessoas simples podem encontrar no apostolado da oração uma ajuda para viver o cristianismo de maneira autêntica. Ele nos lembra também a importância da vida interior e da oração.

Em Jerusalém se sente de maneira particular como a oração, e em particular a intercessão, constitui uma prioridade. Não naturalmente apenas a pobre oração de cada indivíduo, mas uma oração unida à intercessão de toda a Igreja, a qual, por sua vez, nada mais é que um reflexo da intercessão de Jesus por toda a humanidade.

      Essa intercessão se eleva sem interrupção por parte de Jesus ao Pai, pela paz entre os homens e pela vitória do amor sobre o ódio e a violência. Precisamos muito disso em nossos dias, sobretudo nesta “cidade da oração” e “cidade do sofrimento” que é Jerusalém. »

« Última modificação: 04 de Junho de 2007, 11:54 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #6 em: 04 de Junho de 2007, 20:57 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 5:
Templo Santo de Deus

Invitatório:

                           "Vamos com frequência ao Templo do Coração de Jesus. Se formos pecadores, vamos aí procurar a contrição e o perdão pela Paixão do Salvador. Se estivermos em graça com Deus, entremos nesse Templo para louvar a Santíssima Trindade, unindo-nos aos louvores do Coração de Jesus e aos de todos os Santos, que são oferecidos pelos anjos no altar desse divino Coração"

Rezemos (com Santa Margarida Maria):

                    "Ó Jesus,
                    que vos tornais presente nas mãos dos sacerdotes,
                    para aí morrer misticamente,
                    tornando-vos vítima
                    para vos deixar imolar e sacrificar,
                    sem oferecer resistência,
                    quero conformar-me convosco,
                    tornar-me pronto a obedecer;
                    como Vós,
                    quero colocar-me nas mãos daqueles a quem devo obedecer,
                    para que, morrendo à minha vontade, paixões, inclinações e   
                                                                                              aversões,
                    possam dispor de mim,
                    sem que eu jamais mostre por isso repugnância.
                    Como, Vós, meu Salvador,
                    dissimularei as minhas repugnâncias;
                    como Vós calarei
                    e serei obediente até à cruz.
                    Obedecerei até ao fim da minha vida. Amem
                   
Para meditação e contemplação:

"Templo, não vi nenhum na cidade; pois, o senhor Deus, o Todo-Poderoso e o Cordeiro são o seu templo" (Ap 21, 22).

"Diante deste Templo, neste santo dos santos, diante desta Arca da aliança, adorarei e louvarei o nome do Senhor, dizendo como David: "Encontrei o meu coração para rezar ao meu Deus".

E eu também encontrei o Coração do meu rei, do meu irmão, do meu amigo Jesus... o seu coração pertence-me, porque Ele é minha cabeça... Por isso, de algum modo, tenho um só coração com Jesus..."
(S. Bernardo, citado pelo Pe. Dehon)

"Coração de Jesus, Templo santo de Deus,
tende piedade de nós.
"

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


5 de Junho
 VISITAS EUCARÍSTICAS:
O BOM PASTOR, O REDENTOR, O MODELO DE TODA A SANTIDADE

14 Ego sum pastor bonus et cognosco meas et cognoscunt me meae 15 sicut novit me Pater et ego agnosco Patrem et animam meam pono pro ovibus 16 et alias oves habeo quae non sunt ex hoc ovili et illas oportet me adducere et vocem meam audient et fiet unum ovile unus pastor
(1Jo 10, 14-16)
14 Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, 15 assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. 16 Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor
(Jo 10, 14-16)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


É o Redentor, que está no tabernáculo, é o pastor amante e dedicado, é o modelo da santidade.

 Rosa Segundo Prelúdio


Senhor, aplicai-me o preço do vosso sangue. Tomai-me sobre os vossos ombros, para me levar ao redil, eu sou a ovelha tresmalhada.

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Quem vem? É o Bom Pastor com toda a sua ternura pelas suas ovelhas


O bom Pastor tem um coração cheio de afecto e de dedicação pelas suas ovelhas (Jo 10). Conhece-as pelo seu nome e elas seguem-no. Dá a vida para as salvar: «Dou a minha vida pela glória de meu Pai, diz o Salvador, porque o amo e ele ama-me porque dou a minha vida pela sua glória (Jo 10, 17).

Ora bem, dou também a minha vida pelas minhas ovelhas, pela sua salvação eterna. Assim, as minhas verdadeiras ovelhas conhecem-me e amam-me».

Sou do número destas verdadeiras ovelhas, que amam ardentemente o Bom Pastor do tabernáculo? Infelizmente não, sou uma pobre ovelha imprudente, que erra pelos bosques expostos aos animais ferozes.

E o Bom Pastor quer procurar-me, chama-me, quer pegar-me nos seus ombros, perto do seu coração. Será uma grande alegria para ele encontrar-me, comunicará aos seus amigos, convidá-los-á a alegrarem-se com ele (Lc 15).

Posso ler esta parábola do Salvador e ficar indiferenteInterrogação Ele chama-me, espera-me, está triste pela minha ausência, pela minha frieza, pela minha indiferença.

Oh! Como o Salvador tem um Coração amoroso e como eu tenho um coração duro! Senhor, fazei violência ao meu coração.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Quem vem? É o Redentor com o preço do seu sangue


S. Pedro (1Pd) compraze-se em explicar-nos:
«Nós não fomos /626resgatados da escravatura do pecado
pelo preço do ouro nem da prata,
mas pelo sangue precioso do Cordeiro imaculado
predestinado desde o começo
e manifestado nestes últimos tempos para a nossa salvação,
se formos fiéis na obediência amorosa para com Deus,
na caridade pelo próximo».

A nossa alma era como as filhas de Sião cativas, e desoladas sobre as margens do Eufrates em Babilónia. «Levanta-te, Sião, canta Isaías, alegra-te Jerusalém, solta os laços do teu pescoço, filha de Sião, porque o Salvador te resgata gratuitamente» (Is 52).

Cantai a vossa gratidão, diz-nos David (Sl 102), porque a misericórdia divina vem até nós com a abundância dos seus dons que não podemos comparar senão à altura do céu acima da terra.

Sim, digamos o nosso reconhecimento ao coração eucarístico de Jesus, que deu todo o seu sangue para nos resgatar.

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Quem está lá? É o modelo de toda a santidade e de toda a virtude


Jesus está lá com todo o seu coração, com as virtudes admiráveis que praticava durante a sua vida mortal. Pode dizer-nos ainda:

«Aprendei de mim que sou doce e humilde de coração.
Dei-vos o exemplo para que façais como eu fiz.
 Amo o meu Pai e faço sempre a sua vontade».

Não há diferença senão pela paciência, que estava então unida a sofrimentos reais, e que já não está unida hoje senão a sofrimentos e a humilhações místicas.

Nosso Senhor não nos ama menos que então. Está sempre na disposição de sofrer, se fosse necessário, tanto ou ainda mais do que sofreu pela salvação das nossas almas.

Jesus-Hóstia é Jesus vivente, ardente de amor pelo seu Pai e pelas nossas almas. É Jesus amando a humildade, a doçura, a paciência. Está lá apaixonado pela pureza, pela obediência, pela oração.

Como é que posso apresentar-me diante dele com as minhas afeições totalmente terrestres? A minha alma está toda desfigurada. Como diz o salmo, tornei-me semelhante aos animais que não têm inteligência. Mas Jesus está precisamente lá para me transformar pelo seu exemplo e pelas suas graças e para me elevar de virtude em virtude pela acção do Espírito Santo. (2Cor 3).

 Desabrochar Resoluções


 Senhor, apresentai ainda ao vosso Pai o sangue do vosso divino Coração para me resgatar e me purificar. – Amável e bom Pastor acolhei a ovelha tresmalhada, perdoai-me, não me recuseis as vossas carícias. /627 Retomai-me de novo no vosso seguimento. – Divino modelo de todas as virtudes, instruí-me, transformai-me, uni-me a vós.

 Desabrochar Colóquio com Jesus-Hóstia

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« Responder #7 em: 05 de Junho de 2007, 17:47 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 6:
Tabernáculo do Altíssimo

Invitatório:

                           "O Coração de Jesus vive no sacrário dos nossos altares. O seu Coração está aí como um tabernáculo mais íntimo, como o santo dos santos... Sejamos com Ele uma só coisa, unindo-nos aos seus actos e às palpitações do seu coração humano. Louvemos as grandezas e as perfeições que admiramos neste Coração sagrado"

Rezemos (com São João Eudes):

                    "Coração admirável de Jesus,
                    quanto me alegro em contemplar
                    as vossas grandezas e tesouros de bem.
                    Ofereço-vos o amor que arde
                    no Coração de Maria, Vossa Mãe,
                    e em todos os corações que vos amam no céu,
                    pedindo-lhes que unam o meu coração aos seus
                    num único amor.
                    Sede, Jesus,
                    o Rei do meu coração;
                    que eu seja todo amor para Vós
                    como o sois para mim;
                    que eu viva unicamente em Vós
                    e para vós. Amem.
                   
Para meditação e contemplação:

"Jesus declarou-lhes:
"Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei!"


Replicaram então os judeus:
"Quarenta e seis anos levou este templo a construir,
 e Tu vais levantá-lo em três dias?"


Ele, porém, falava do templo que é o seu corpo.
Por isso, quando Jesus ressuscitou dos mortos,
 os seus discípulos recordaram-se
de que Ele o tinha dito e creram na Escritura
e nas palavras que tinha proferido"
(Jo 2, 19-22)

Santa Margarida Maria "descobriu no amável Coração de Jesus, neste Tabernáculo celeste, um oceano sem fundo nem margens de amor para com Deus seu Pai, uma posse e um gozo da sua divina bondade, um repouso na sua infinita felicidade, uma calma e uma paz que ultrapassam todo o conhecimento, um tesouro incompreensível de todas as virtudes que brilham numa beleza, numa altura, numa extensão e num esplendor inexplicáveis".

Coração de Jesus, Tabernáculo do Altíssimo,
tende piedade de nós.

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


6 de Junho
VISITAS EUCARÍSTICAS:
O CELESTE MÉDICO, O CAÇADOR DE ALMAS,
O CELESTE CAPITÃO

4 Vere languores nostros ipse tulit et dolores nostros ipse portavit et nos putavimus eum quasi leprosum et percussum a Deo et humiliatum 5 ipse autem vulneratus est propter iniquitates nostras adtritus est propter scelera nostra disciplina pacis nostrae super eum et livore eius sanati sumus
(Is 53, 4-5)
4 Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. 5 Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas chagas fomos sarados
(Is 53, 4-5)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


Foi o celeste médico quem tomou sobre si as nossas enfermidades, é o caçador de almas, é o capitão que quer conduzir-nos ao combate.

 Rosa Segundo Prelúdio


Senhor, curai-me, ganhai a minha vontade, guiai-me.

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Quem vem? É o celeste médico que tomou sobre si as nossas enfermidades, para nos curar


O profeta Isaías descreve longamente esta substituição (c. 53). Nós é que estamos moralmente doentes. Afastámo-nos como ovelhas errantes, desviámo-nos da via do Senhor.

Éramos como leprosos pelos nossos pecados, merecíamos ser abandonados ao sofrimento e à morte; mas o celeste médico tomou tudo sobre si. Ergue-se diante do Senhor como um arbusto ressequido, está coberto de chagas e cheio de desprezos. Já não tem beleza. Vai para a morte como um cordeiro que se deixa levar.

É que ele tomou sobre si todas as nossas responsabilidades e todos os nossos sofrimentos redentores que nós mesmos deveríamos ter sofrido.

Fez mais do que o bom samaritano, não apenas pensou as nossas feridas, tomou-as sobre si.

Nada se aproxima desta generosidade. O Coração do celeste médico ultrapassa todos os corações pela sua bondade, pelo seu desinteresse.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Quem vem? É o caçador de almas


Sim, o Salvador que parece lá inactivo no tabernáculo é um caçador ardente. Tem para ganhar as nossas almas toda a paixão que têm os caçadores para pegarem na caça,

Jeremias (16, 16) apresenta-nos Deus que envia grupos de pescadores e de caçadores contra o seu povo.

 S. Jerónimo interpreta isto como reportando-se aos nossos tempos de graça. O Salvador fez ele mesmo a caça das almas percorrendo a Galileia e a Judeia. Depois, organizou /628 esta caça e esta pesca com os apóstolos e com os homens apostólicos; mas permanece ele mesmo o chefe desta caça nos tabernáculos.

Inspira os homens apostólicos. Derrama nos seus corações o ardor e o zelo pela salvação das almas. Depois lança ele mesmo as suas flechas de amor nos corações dos fiéis que o recebem ou que o visitam.

O Coração do bom Mestre é o coração de um caçador ardente e apaixonado que quer a todo o custo tornar-se o senhor dos nossos corações.

As suas flechas são a sua beleza e a sua bondade que tocam os nossos corações e os ferem de amor. David, no salmo 44, descreveu bem esta caça das almas:

«Ó rei, diz, vós ultrapassais em graça e em beleza os filhos dos homens. Isto vos torna todo-poderoso sobre os corações. Servi-vos dos vossos atractivos como de flechas para submeter os corações ao vosso império, pela potência da verdade, da doçura e da justiça. As vossas flechas são agudas, elas ferirão no coração aqueles que quereis atingir».

Ó divino caçador, lançai ao meu coração uma destas flechas vitoriosas. Feri-o pelo vosso amor e ganhai-o para sempre.


 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Quem vem? É o celeste capitão, para me armar com a fé, com a justiça e com o amor


Vou fazer aliança convosco, diz o Senhor em Isaías (55, 3); vou realizar a promessa que fiz a David, dar-vos-ei o Salvador prometido; será o testemunho da verdade, mas será também um chefe, um capitão e um preceptor: ducem ac praeceptorem… Saireis com alegria da escravatura em que estáveis reduzidos e sereis conduzidos na paz.

A quem vem o celeste capitão?
A um soldado sem coragem, a um desertor, porque não passo disto. Não desertei já, por diversas vezes, do serviço do divino Rei? Não escapei ao meu capitão? E, no entanto, ele vem sem cólera. Ele quer dar-me o meu lugar e voltar a fazer-me cavaleiro do Rei dos reis.

S. Paulo descreve aos Efésios (c. 6) esta armadura espiritual que devemos revestir. «Revesti-vos, diz, com todas as armas de Deus, porque tendes de combater contra as potências infernais.

Que a verdade seja a cintura dos vossos rins e a justiça a vossa couraça. Tende o calçado firme que simboliza o apostolado; levai o escudo da fé e o capacete dos pensamentos celestes.

E como almas amantes, vivei na união com Nosso Senhor, no recolhimento, na oração habitual.

É este laço de amor que será a vossa melhor arma

 Desabrochar Resoluções


A união ao Coração de Jesus será a minha salvação e a minha força. Feri o meu coração com as vossas flechas, ó divino caçador; curai este pobre /630 coração doente, ó celeste médico; armai-me com fé e amor, ó Rei do céu e fazei de mim o cavaleiro fiel, assíduo e dedicado do vosso Coração

 Desabrochar Colóquio com o Rei do tabernáculo

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« Responder #8 em: 06 de Junho de 2007, 16:02 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 7:
Casa de Deus e Porta do Céu

Invitatório:

                           ""A abertura do Coração de Jesus tinha, nos desígnios da Providência, um sentido misterioso. O Coração de Jesus foi-nos aberto para que entremos em espírito nesse Tabernáculo do Altíssimo... Meditemos hoje no Coração de Jesus, Casa de Deus e Porta do Céu".

Rezemos (com Santa Margarida Maria):

                    "Ó Jesus,
                    fonte de amor, Pai das misericórdias,
                    e Deus de todas as consolações,
                    que vos dignastes revelar-nos
                    as inefáveis riquezas do vosso amor;
                    em acção de graças pelos vossos inumeráveis benefícios,
                    especialmente pela instituição da Eucaristia,
                    e em reparação dos meus pecados
                    e dos de todos os homens,
                    consagra-vos tudo o que sou e o que tenho
                    e prometo-vos propagar,
                    tanto quanto me for possível,
                    o culto do vosso divino Coração.
                    Suplico humildemente à vossa bondade
                    que se digne receber esta oferta e,
                    como me deste o desejo de a fazer,
                    dai-me também a graça de a cumprir.
                    Amem.
                   
Para meditação e contemplação:

"Em verdade, em verdade vos digo:
quem não entra pela porta no redil das ovelhas,
mas sobe por outro lado,
é um ladrão e salteador...
Eu sou a porta.
Se alguém entrar por mim estará salvo"

(Jo 10, 1.9)

"Entramos no céu pelo Coração de Jesus, porque nos revestimos com os seus méritos, nos cobrimos com a púrpura real do seu sangue. (No Coração de Jesus) saboreamos de antemão o céu porque o amor do Crucificado nos torna leves as cruzes que devemos carregar".

Coração de Jesus, Casa de Deus e Porta do Céu,
tende piedade de nós

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


7 de Junho
VISITAS EUCARÍSTICAS:
A FONTE DA VIDA, A ÁRVORE DA VIDA, A PEDRA PRECIOSA

10 Si scires donum Dei et quis est qui dicit tibi da mihi bibere tu forsitan petisses ab eo et dedisset tibi aquam vivam 11 dicit ei mulier Domine neque in quo haurias habes et puteus altus est unde ergo habes aquam vivam 12 numquid tu maior es patre nostro Iacob qui dedit nobis puteum et ipse ex eo bibit et filii eius et pecora eius 13 respondit Iesus et dixit ei omnis qui bibit ex aqua hac sitiet iterum qui autem biberit ex aqua quam ego dabo ei non sitiet in aeternum 14 sed aqua quam dabo ei fiet in eo fons aquae salientis in vitam aeternam
 (Jo 4, 10-14)
10 Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. 11 Respondeu-lhe ela: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? 12 És tu, porventura, maior do que Jacob, o nosso pai, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, e, bem assim, seus filhos, e seu gado? 13 Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; 14 aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna
(Jo 4, 10-14)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


Temos no tabernáculo a árvore da vida, a fonte da vida, a pedra preciosa que é preciso comprar a todo o custo.

 Rosa Segundo Prelúdio


Senhor, é o vosso divino Coração que é o fruto da vida e a pedra preciosa, quero adquiri-lo e vós mo quereis dar

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Quem está lá? É a fonte da vida


O paraíso terrestre tinha também a sua nascente fecundante. A eucaristia é a nascente que rega toda a terra com uma corrente de graças.

A Jerusalém celeste, diz S. João, tem também o seu rio de vida, límpido como o cristal e brotando do trono de Deus e do cordeiro. No céu serão a vida e o amor de Deus que hão-de saciar os eleitos; mas, aguardando, é a Eucaristia que nos dá o antegosto do céu.

Ela brota do Coração de Jesus, como uma fonte inesgotável. Ela traz às almas o refrigério e a purificação de que têm necessidade (Ap 22).

No profeta Jeremias, Deus reprova ao seu povo terem-no deixado, a ele, fonte de vida, para irem às cisternas vazias, isto é, aos ídolos ou às criaturas que não podem suster a vida espiritual. Não é isso que eu faço todos os dias?

Quando é que terei a coragem de me agarrar somente a Jesus, à sua Eucaristia, ao seu Coração que é a verdadeira fonte de vida? Ele convida-me como convidava a Samaritana:

«Aquele que bebe da água que eu dou, dizia, será saciado.
 Nunca mais sentirá a sede doentia de uma alma desgarrada,
porque eu sou a fonte de vida…».

Senhor, dir-vos-ei como a pobre Samaritana:

Dai-me desta água, para que eu não tenha mais sede.
Fazei-me saborear o amor do vosso coração,
para que me desapegue das criaturas. /632

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Quem está lá? É a árvore da vida


É a verdadeira árvore da vida, da qual a do paraíso não era senão uma figura. Aquela dava um pão que sustentava a vida do corpo, mas a Eucaristia é o pão espiritual, o pão da vida descido do céu, que dá a imortalidade da alma àqueles que o comem dignamente.

A cidade celeste descrita por S. João terá também a sua árvore da vida que dará os seus frutos variados para cada mês e folhas próprias que curarão todas as enfermidades. Nós temos também isso na Eucaristia.

É um fruto variado que não gera saciedade. Alimenta a vida espiritual; as folhas simbolizam os dons que acompanham a graça: a alegria, a paz, o zelo.
Nosso Senhor descreveu ele mesmo a Margarida Maria a devoção ao seu Coração Eucarístico como «uma árvore sagrada, carregada de frutos excelentes e salutares, que este coração divino quer que seja distribuído com abundância a todos os que dele desejarem comer…» (Carta ao P. Croiset).


 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Quem está lá?


É a pedra preciosa, junto da qual o ouro não é nada. O reino dos céus, diz Nosso Senhor (Mt 13), é semelhante a uma pedra preciosa que um negociante descobre. Vende tudo o que tem para a conseguir. Nós temos no tabernáculo o Rei dos reis.

Está à nossa disposição com o seu reino que é a sua graça sobre a terra aguardando a sua glória no céu. Não deveríamos deixar tudo e tudo sacrificar por este reino?

Infelizmente deixei muitas vezes a Eucaristia e o Coração de Jesus pelas criaturas, como o povo de Israel que sacrificava o serviço de Deus por um bocado de pão (Ez 13, 19).

Mas a pedra preciosa não está longe. Ainda é tempo. Posso encontrá-la e comprá-la, se faço os sacrifícios necessários. A Eucaristia está lá, o Coração de Jesus está lá no tabernáculo.

Mas Nosso Senhor fixa-me um preço de resgate, é o tal sacrifício que é preciso fazer, é o tal apego que é preciso romper. Conheço este preço pelo meu exame particular, conheço-o pelas minhas confissões habituais. Sei o que é preciso sacrificar, mas a coragem falta-me.

Senhor, ajudai-me, peço-vos pela bondade do vosso coração e pela intercessão de Maria.

 Desabrochar Resoluções


Eis a árvore da vida, continuarei a abandoná-la para correr ao fruto proibido? Eis a fonte de vida, irei ainda beber ao riacho envenenado? Eis a jóia de um preço infinito, vou desdenhá-la /633 por um prazer sensual? Não, quero hoje voltar às minhas resoluções salutares. Hei-de ir buscar a minha força junto do sacrário.

 Desabrochar Colóquio com Jesus Hóstia

« Última modificação: 06 de Junho de 2007, 16:04 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #9 em: 07 de Junho de 2007, 17:43 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

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Dia 8:
Fornalha ardente de caridade

Invitatório:

                           "O Coração de Jesus é puro, santo e cheio de amor para com Deus e para connosco. É neste Coração que Deus encontra todo o seu enlevo, todas as suas complacências. Nele reinam todas as perfeições, todas as virtudes: um amor ardente por Deus seu Pai... uma viva compaixão pelas nossas misérias".

Rezemos (com o Padre Dehon):

                    Ó meu Redentor,
                    Vós sois a beleza do paraíso,
                    o amor do vosso Pai;
                    no vosso Coração
                    encerram-se todas as virtudes.
                    Vós mereceis o amor de todos os corações.
                    Eu vos amo, ó Jesus,
                    e quero amar-vos sempre.
                    Acendei no meu coração o fogo sagrado
                    que viestes trazer à terra.
                    Que eu viva só para vos amar.
                    Coração adorável de Jesus,
                    criado expressamente para amar os homens,
                    como poderei não corresponder
                    ao vosso amor?
                    Inflamai o meu coração
                    e não permitais jamais
                    que eu viva sem o vosso amor.
                    Amem.
                   
Para meditação e contemplação:

"Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo" (Jo 13, 1).

"Aquele que ama, deseja ser amado; o amor procura amor. Deus ama para ser amado, diz S. Bernardo. Recordemos a alegria do bom Pastor, que reencontra a ovelha perdida, a do pai que reencontra o filho pródigo. Demos a Deus a alegria de ser amado pelas suas ovelhas".


Coração de Jesus, Fornalha ardente de Caridade,
tende piedade de nós.

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


8 de Junho
VISITAS EUCARÍSTICAS:
O PÃO DO CÉU, O VINHO MÍSTICO,
O FOGO CONSUMANTE

25 At illa venit et adoravit eum dicens Domine adiuva me 26 qui respondens ait non est bonum sumere panem filiorum et mittere canibus 27 at illa dixit etiam Domine nam et catelli edunt de micis quae cadunt de mensa dominorum suorum
(Mt 15, 25-27)
25 Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! 26 Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. 27 Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos
(Mt 15, 25-27)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


É o pão divino, o pão do céu, o pão real, Nosso Senhor, não desdenha todavia de o oferecer a todos.

 Rosa Segundo Prelúdio


Senhor, sou indigno deste dom celeste, por piedade dai-mo mesmo assim para me fortificar.

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Quem está lá? É o pão da vida, o pão do céu


O patriarca Jacob promete à tribo de Aser um pão suculento e digno dos reis (Gen 49). O pão verdadeiramente real é o que nós possuímos. É o pão divino, é o pão do céu. É a Eucaristia.

O povo de Israel teve o maná, mas não sustentava senão a vida terrestre. O nosso maná entretém a vida espiritual.

«Eu sou o pão da vida, diz-nos o bom Mestre. Os vossos pais tiveram o maná, um pão terrestre, eu sou o pão da vida, descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente; o pão que eu hei-de dar é a minha carne para a vida do mundo» (Jo 6).

Vós ofereceis este pão, Senhor, à minha pobre alma.
Podíeis dizer-me como à Cananeia: não é bom tomar o pão dos filhos para o atirar aos cães. Mas o vosso coração é infinitamente compassivo e misericordioso.

Dais-me este pão para me alimentar e para me fortificar contra todo o desfalecimento: et panis cor hominis confirmet (Sl 103). A minha acção de graças dirige-se ao vosso coração.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Quem está lá? É o vinho místico das virgens


Nosso Senhor escolheu este símbolo porque o vinho fortifica e dá alegria. O vinho dá alegria ao coração, diz o salmo (Sl 103).

O rei de Sião virá, diz o profeta Zacarias, anunciará a paz às nações, libertará e protegerá o seu povo; dará ao trigo aos eleitos e o vinho que faz germinar as virgens (9, 17). /635

Era a Eucaristia que o profeta anunciava.
O Salvador dá-nos o trigo que forma uma juventude de escol, jovens fortes e valentes, intrépidos para o bem e vitoriosos nas tentações. Dá-nos também o vinho que torna castos e puros os que recebem bem os santos mistérios.
São os dons do coração de Jesus.

A quem dá este vinho generoso?
Às almas entristecidas pelos seus pecados e pelas suas tentações. Elas recuperam a alegria e a paz na santa comunhão.

O Esposo divino dá à sua esposa o vinho eucarístico para aquecer o seu coração e nele desenvolver o seu amor. A esposa, por sua vez, dá ao esposo o seu terno amor que é como um vinho aromatizado, para consolar o Coração deste divino esposo (Cant 8, 2).

Senhor, dai-me este vinho inebriante do amor que encherá o meu coração de uma santa alegria e de uma ardente afeição por vós

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Quem está lá? É o fogo consumador, que vem abrasar os corações


Os anjos que vêem a beleza divina estão abrasados de amor. Estão ardentes como o fogo para amarem e servirem a Deus. Os anjos de Deus, diz S. Paulo depois de David, são como chamas ardentes (Heb 1, 7).

Nós não vemos a beleza divina, mas sabemos a bondade do Salvador nos mistérios da redenção e na sua vida eucarística. Há lá com que abrasar os nossos corações como os dos anjos e é isso que Nosso Senhor quer.

«Vim, diz, para atear o incêndio
e não tenho senão um desejo, que ele se propague»

(Lc 12)

Está lá para isso na hóstia, para amar e para se fazer amar. É o sacramento do amor, é o mistério do amor. «Como tinha amado os seus, diz S. João, amou-os até ao fim, até ao limite do amor».

Era muito dar-se uma vez por nós na cruz, mas isso não bastava ao seu coração. Queria dar-se todos os dias e em toda a parte. Queria estar todos os dias junto de nós, para nos escutar, para nos dar audiência, para nos consolar nas nossas tristezas, para nos curar das nossas enfermidades, para nos fortificar nas nossas fraquezas. E amando-nos a este ponto, prega-nos o amor, prega-nos o apostolado, a dedicação, a caridade pelo próximo. É um fogo sempre pronto a se propagar.

 Desabrochar Resoluções


Irei alimentar-me do pão de vida para aí receber a força, como Elias a recebeu num pão simbólico. Irei beber o vinho que faz /636 as almas castas. Irei aquecer o meu pobre coração tão frio junto do coração de Jesus ardendo de amor no tabernáculo. Ensinai-me, Senhor, a dedicar-me como vós.

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« Última modificação: 07 de Junho de 2007, 17:51 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #10 em: 08 de Junho de 2007, 07:44 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



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Dia 9:
Santuário de Justiça e Amor

Invitatório:

                            "Correspondamos à santidade de justiça fazendo penitência pelos nossos pecados e, na medida do possível, reparando pelos pecadores; aceitemos os sofrimentos e cruzes da vida pela sua salvação, oferecendo frequentemente por eles os méritos de Nosso Senhor, a sua Paixão e a agonia do seu Coração"

Rezemos (com Santo Afonso de Liguori):

                    "Coração trespassado de Jesus,
                    dai-me a graça de detestar
                    tudo quanto vos desagrada:
                    que eu tema ofender,
                    ainda que ligeiramente,
                    o vosso amor infinito.
                    Enchei-me desse amor.
                   
                    Coração misericordioso de Jesus,
                    a vossa bondade iluminou-me
                    e ofereceu-me o perdão;
                    Não deixeis, jamais,
                    de ter compaixão de mim.
                    Dai-me luz e força
                    para corresponder ao vosso amor.
                   
                    Coração generoso de Jesus,
                    Que o meu coração seja totalmente vosso
                    e que a vossa santa vontade
                    se torne a única regra da minha vida,
                    dos meus pensamentos,
                    desejos e acções.
                    Amem."

                   
Para meditação e contemplação:

"Se, a respeito dos anjos, diz: Ele faz dos seu anjos espíritos e dos seus ministros chamas de fogo, a respeito do Filho, diz: O teu trono, ó Deus, permanece pelos séculos dos séculos e ceptro de justiça é o teu ceptro real. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade, por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo da alegria, preferindo-te a teus companheiros" (Heb 1, 7-9).

"Nosso Senhor, nas revelações a Santa Margarida Maria, distinguia frequentemente a sua santidade de amor e a sua santidade de justiça.

A santidade de justiça fazia-a sofrer pelos pecadores, tal como fez sofrer Nosso Senhor durante a sua vida mortal e, de modo particular, na agonia e no Calvário.

A santidade de amor levava-a a amar a Deus a desejar a sagrada comunhão e também a sofrer,, mas por caridade, para ser semelhante a Nosso Senhor..."


Coração de Jesus Santuário de Justiça e de amor,
tende piedade de nós.

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


9 de Junho
VISITAS EUCARÍSTICAS:
É O DESEJO DAS NAÇÕES; É UMA MÃE E MAIS QUE UMA MÃE;
É O HOMEM DAS DORES FERIDO POR NÓS

2 Vidimus eum et non erat aspectus et desideravimus eum 3 despectum et novissimum virorum virum dolorum et scientem infirmitatem et quasi absconditus vultus eius et despectus unde nec reputavimus eum 4 vere languores nostros ipse tulit et dolores nostros ipse portavit et nos putavimus eum quasi leprosum et percussum a Deo et humiliatum 5 ipse autem vulneratus est propter iniquitates nostras adtritus est propter scelera nostra disciplina pacis nostrae super eum et livore eius sanati sumus
(Is 53, 2-5)
2 Não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. 3 Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. 4 Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. 5 Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas chagas fomos sarados
(Is 53, 2-5)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


Jesus-Hóstia era o desejado das nações. Tem por nós um coração de mãe. Foi oprimido de sofrimento pelos nossos pecados

 Rosa Segundo Prelúdio


Ganhai, enfim, o meu coração, ó meu Salvador, tenho sede do vosso amor

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Quem vem? É o Salvador desejado e esperado pelas nações


O patriarca Jacob dizia-o abençoando o seu filho Judá:
«O ceptro não sairá de Judá, dizia, até que venha aquele que deve vir e será o desejado de todos os povos» (Gen 41).

Nós o sabemos, Israel esperava o Messias e todos os povos desejavam um Salvador. Nós o possuímos, nós, este Salvador, no tabernáculo, e não vamos ter com ele!

E Jesus, por sua vez, desejava esta Páscoa na qual se comunicaria a nós (Lc22). Deseja ainda ardentemente as nossas visitas, as nossas comunhões,

E nós, nós permanecemos tíbios. A nossa alma quer e não quer. Não tem senão veleidades (Prov. 21, 25). O Coração de Jesus está triste com isso. Quer a nossa visita para acender nos nossos corações o fogo dos santos desejos.

A minha alma é esta Jerusalém descrita por Jeremias (Lam 1), toda desolada, devastada, sem energia e sem força. Irei ao sacrário receber os eflúvios da sabedoria e da força divinas.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Quem vem? É o Salvador que se diz nossa mãe e mais do que nossa mãe


«Sião, dizia: O Senhor me abandona e me esquece. – Não, responde o Senhor, é que uma mãe pode esquecer o seu filho e o fruto das suas entranhas? E mesmo que uma mãe pudesse esquecer o seu filho, eu nunca vos esqueceria» (Is 49, 14).

Nós temos, portanto, no sacrário, uma mãe e mais do que uma mãe. Donde vem que não vamos com mais confiança ao Coração eucarístico /641 de Jesus?

Quem sou eu? Um bebé que precisa de ser aleitado com leite real. O Salvador está lá para mo dar. O profeta prometeu-o: «Tu terás o leite real, dizia a Sião, e tu saberás que sou o teu Salvador, o teu Redentor e a tua força (Is 60).

Tenho lá no sacrário o pão dos fortes, o maná que deleita e que alimenta. Se não negligencio este banquete, este alimento divino, crescerei em força e em graça. É a intenção de Nosso Senhor.

Como bebés, diz S. Pedro, desejai e saboreai o leite espiritual, para que a graça da salvação cresça em vós (1Pd 2, 2).

Crescei, diz-nos S. Paulo, até ao desenvolvimento do homem perfeito, para que não sejais mais como crianças sem vontade; cumpri os vossos deveres por amor, a fim de crescerdes sem cessar em Cristo que é o vosso chefe (Ef 4, 13).

Irei, portanto, ao sacrário buscar o leite da sabedoria e o espírito de caridade ao coração de Cristo.

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Quem vem? É o homem de dores, ferido por nós


Jesus guardou os seus estigmas. No tabernáculo, não sofre mais, mas está ainda marcado pelos sinais do homem das dores. É ainda o cordeiro imolado e oferecido como vítima ao seu Pai. A aparência do pão recorda-nos que foi triturado como trigo.

Aceitou esta atitude humilhada, esta vida escondida sob a hóstia. Está lá, exposto a todos os desprezos, a todos os esquecimentos, a todos os sacrilégios.

Que contraste! Vem à minha alma que está ávida das suas comodidades; à minha alma que é inimiga da cruz e que prefere uma coroa de rosas à coroa de espinhos; mas vem para me ensinar a via do sacrifício, que conduz ao céu. Os que são de Cristo, diz S. Paulo, os que conhecem e que amam a Cristo, crucificam a sua carne com os seus vícios e as suas concupiscências (Gal 5, 24).

Estou pregado à cruz com Cristo, diz ainda, já não vivo, é Cristo que vive em mim, o Cristo crucificado, humilde, obediente, desapegado das criaturas (Gal 2, 19).

Irei ao pé do sacrário pedir estas lições ao Coração de Jesus.


 Desabrochar Resoluções


Não serei mais indiferente pelo Salvador que todas as nações esperavam. Hei-de ir buscar junto dele as graças da salvação. É para mim como uma mãe, irei com uma afeição filial alimentar-me do leite da graça. Irei ao homem das dores aprender o sacrifício, a obediência e a abnegação.

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« Responder #11 em: 09 de Junho de 2007, 20:46 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



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Dia 10:
Cheio de Bondade e de Amor

Invitatório:

                            ""Aproximemo-nos do Sagrado Coração de Jesus. Aí encontraremos alguma das lágrimas que derramou por nós; mas levemos também as nossas para que sejam santificadas... Agradeçamos-Lhe, hoje, pela sua infinita bondade"
Rezemos (com Santo Afonso de Liguori):

                    "Coração sacratíssimo de Jesus,
                    Coração puro, santo, cheio de amor,
                    Coração onde reinam todas as perfeições e virtudes,
                    Vós mereceis todo o amor dos nossos corações:
                    Eu vos amo, ó Jesus,
                    e só a Vós quero amar.

                    Coração amante de Jesus,
                    Coração cheio de amor pelos homens,
                    como é possível não corresponder
                    ao vosso amor?

                    Coração divino de Jesus,
                    Coração que desejais ser amado,
                    Coração cujas delícias é estar com os filhos dos homens,
                    fazei que eu vos ame cada vez mais"

                   
Para meditação e contemplação:

"Cristo, nos dias da sua vida terrena, apresentou orações e súplicas àquele que o podia salvar da morte, com grande clamor e lágrimas, e foi atendido pela sua piedade.

Apesar de ser Filho de Deus, aprendeu a obediência por aquilo que sofreu e, tornado perfeito, tornou-se para todos os que lhe obedecem fonte de salvação eterna" (Heb 1, 7-9).

"O amor de Jesus pelo Pai, o amor de Jesus pelos homens foi a causa das suas lágrimas; lágrimas de alegria pela glória que ia dar ao Pai e pela salvação que ia oferecer ao mundo com o seu sacrifício; lágrimas de tristeza pelas ofensas que continuariam a ser feitas ao Pai muito amado, e pela ingratidão de que o género se torna culpável"

Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor,
tende piedade de nós.

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


10 de Junho
O BOM SAMARITANO,
O FILHO DO REI QUE ME CONVIDA PARA AS SUAS BODAS,
O HÓSPEDE QUE BATE À PORTA DO MEU CORAÇÃO

33 Samaritanus autem quidam iter faciens venit secus eum et videns eum misericordia motus est 34 et adpropians alligavit vulnera eius infundens oleum et vinum et inponens illum in iumentum suum duxit in stabulum et curam eius egit
 (Lc 10, 33-34)
33 Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. 34 E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele
 (Lc 10, 33-34).
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


Jesus-Hóstia é o bom Samaritano, é o Filho do Rei que convida às suas bodas, é o hóspede que bate para ser recebido no meu coração

 Rosa Segundo Prelúdio


Eu, Senhor, sou o pobre ferido do caminho. Socorrei-me, curai-me

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Quem vem? O bom samaritano que passa junto dos feridos


É certo que Nosso Senhor quis descrever-se a si mesmo sob os traços do bom samaritano. Quis revelar-nos sob esta parábola toda a bondade e a compaixão do seu Coração.

E se foi o bom samaritano na sua vida mortal semeando por toda a parte os seus cuidados, as suas consolações, socorrendo e curando todos os feridos e os doentes, não endureceu o seu Coração na Eucaristia.

 Está lá com a mesma bondade, a mesma ternura por aqueles que sofrem. E diz ainda: «Vinde a mim, vós todos que penais e sofreis, e eu vos aliviarei».

Irei ter com ele, mostrar-lhe-ei as minhas chagas, as chagas espirituais sobretudo. Ele pôr-lhes-á óleo que adoça e o vinho que cauteriza. Aliviar-me-á, estou seguro.

Vede, Senhor, em que estado me reduziram as tentações da carne, do mundo e do demónio, revelai-me, curai-me.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Quem vem? O Filho do Rei para me convidar para as bodas


Isaías tinha entrevisto o festim quotidiano da nova aliança.

«O Senhor dos exércitos, dizia,
preparará para os povos fiéis
sobre a montanha de Sião,
 que é a Igreja,
um festim de carnes deliciosas,
 um festim de vinhos esquisitos,
de carnes cheias de suco e de moela,
de vinho puro e límpido».


Será o antegosto do céu (Is 25, 6).

No Evangelho, Nosso Senhor chama a este festim as núpcias do Filho do Rei (Mt 22). O Rei convida os seus servos, não vêm; convida então os desconhecidos, as pessoas de fora.

Vários vêm, mas um deles não tem a veste nupcial, tem uma veste suja, deitam-no fora.

Os servos, era o povo judeu. As pessoas de fora, somos nós.
Apresentamo-nos talvez ao festim com alguma mancha. Se, pelo menos, tivéssemos a humildade e o arrependimento, como a Madalena, como a Samaritana, como o bom ladrão! O filho do Rei tem o Coração tão bom e tão misericordioso, purificar-nos-ia e acolher-nos-ia.

Vamos ter com ele nestas disposições, acolher-nos-á. Teremos parte no festim delicioso da Eucaristia. Saciar-nos-á, dar-nos-á o desgosto das carnes prejudiciais. Far-nos-á desejar o grande festim das bodas reais do céu entrevisto por S. João no Apocalipse (Ap 19).

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Quem vem? É o hóspede que bate à porta do meu coração para que o abra


Eis-me à porta, diz Nosso Senhor, bato, abri-me. Se alguém escuta a minha voz e me abre a porta, entrarei em sua casa e nós cearemos juntos (Ap 3,20).
Nosso Senhor deseja a nossa amizade, a nossa intimidade e a união connosco.

Quando responderemos ao seu desejo, à espera do seu coração?

Abre-me, minha esposa, diz, abre-me, sacudirei o orvalho dos meus cabelos (Cant 5, 2). Aqui está um símbolo das graças prometidas.
Mas até ao presente a minha alma foi ingrata e o meu coração duro. Voltei-me para as criaturas, como fizeram as virgens loucas. Não alimentei na lâmpada do meu coração o óleo do fervor (Mt 25).

Como o servo infiel, não fiz frutificar o meu talento.
Se este fosse o dia do juízo, Nosso Senhor poderia dizer-me:
tive fome e sede do vosso amor, das vossas visitas, das vossas reparações no tabernáculo, não me saciastes. Estava preso e não me visitastes. Estava triste e sofrendo e não me consolastes.

É verdade, Senhor. Sou um ingrato, tenho um coração duro como a pedra. Sou dissipado e agarrado às criaturas. Mudai-me, convertei-me. Experimento hoje uma sede indizível do vosso amor.

 Desabrochar Resolução


Apresentar-me-ei todos os dias ao bom Samaritano, ele pensará as minhas chagas, responderei ao convite do Filho do Rei, mas apresentar-me-ei com a veste nupcial, com a minha alma purificada pela penitência.
Responderei finalmente aos apelos do prisioneiro do sacrário.

 Desabrochar Colóquio com Jesus Hóstia

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« Responder #12 em: 10 de Junho de 2007, 16:32 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



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Dia 11:
Abismo de todas as virtudes

Invitatório:

                            "O Coração de Jesus é um abismo insondável. Podemos aplicar-lhe as palavras de S. Paulo ao falar da Encarnação: "É um grande mistério de que ninguém pode compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade". Este abismo sem fundo foi cavado por uma flecha sem medida, que é a do amor".

Rezemos (com Santo Afonso de Liguori):

                    "Coração agradecido de Jesus,
                    fomos ingratos para convosco,
                    mas agora queremos amar-vos
                    acima de todas as coisas
                    e acima de nós mesmos.
                    Fazei-nos conhecer a vossa vontade;
                    estamos prontos para tudo,
                    com o auxílio da vossa graça.

                    Coração menosprezado de Jesus,
                    abismo de misericórdia e de amor,
                    salvai-nos pelo vosso sangue derramado;
                    que permaneçamos em Vós,
                    abrasados no vosso santo amor.

                    Coração fiel de Jesus,
                    que nos chamaste a amar-vos,
                    inflamai-nos no fogo do vosso amor."
                   
Para meditação e contemplação:

"Cristo, pela fé, habite nos vossos corações; que estejais enraizados e alicerçados no amor, para terdes capacidade de aprender com todos os santos, qual a largura, o comprimento, a altura e a profundidade... a capacidade de conhecer o amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento, para que sejais repletos, até receberdes toda a plenitude de Deus".

"Que é perder-se no abismo do Coração de Jesus?
É estar unido a Deus pelo amor de que este Coração é santuário; é chegar pela trabalho íntimo da graça e da nossa vontade a não ver mais nada senão Jesus em tudo e por todo o lado; é tomar sempre o seu espírito, o seu modo de ver e de apreciar as coisas".


Coração de Jesus, Abismo de todas as virtudes,
tende piedade de nós

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


11 de Junho
S. BARNABÉ, APÓSTOLO

36 Ioseph autem qui cognominatus est Barnabas ab apostolis quod est interpretatum Filius consolationis Levites Cyprius genere 37 cum haberet agrum vendidit illum et adtulit pretium et posuit ante pedes apostolorum
 (Act 4, 36-37)
36 José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer filho de exortação, levita, natural de Chipre, 37 como tivesse um campo, vendendo-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos (Act 4, 36-37)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


S. Barnabé aparece neste texto como um apóstolo amável, generoso e dedicado. Devia ser caro ao Sagrado Coração

 Rosa Segundo Prelúdio


Santo apóstolo, pedi a Nosso Senhor por mim o gosto do estudo e da piedade, o desapego dos bens da terra e o zelo pela salvação das almas.

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
O desapego



 S. Barnabé não era do número dos doze apóstolos, mas foi-lhe acrescentado e trabalhou muito com S. Paulo. Levita e cipriota, estudava as santas Letras em Jerusalém sob a direcção do Rabino Gamaliel, quando foi testemunha da cura do paralítico na piscina.

Uniu-se então imediatamente aos discípulos de Nosso Senhor. Era um homem jovem, amável e bom. Era bom, dizem os Actos, e cheio de fé e ricamente dotado com os dons do Espírito Santo.

 Os apóstolos chamaram-no Barnabé, o que quer dizer «o Filho da consolação». Depois do Pentecostes, estava em Damasco quando aconteceu o milagre da conversão de S. Paulo.

Fez-se o anjo da guarda de S. Paulo, conduziu-o a Jerusalém e apresentou-o aos apóstolos. Trabalharam juntos vários anos, e receberam a missão de pregarem a fé aos gentios. Ganharam quase toda a cidade de Antioquia.

Barnabé era de uma família abastada. Tinha uma bela propriedade na ilha de Chipre. Vendeu-a e apresentou o valor aos apóstolos. Dava assim o grande exemplo do desapego e da vida religiosa

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
O zelo


Havia em Antioquia um grupo de padres, de profetas e de doutores. O Espírito Santo revelou-lhes positivamente a missão de Paulo e de Barnabé para a conversão dos gentios. Enviaram, portanto, estes dois apóstolos para os países do ocidente. Barnabé e Paulo passaram na ilha de Chipre onde fizeram maravilhas e ganharam para a fé o próprio procônsul, Sérgio Paulo. De lá foram para a Ásia Menor e pregaram em Pisídia, em Perga, em Antioquia, em Icónio, em Listra. Foi uma alternativa de sucessos e de perseguições.

Em Listra um curioso incidente mostra bem como os dois apóstolos eram admiráveis no seu zelo, no poder da sua palavra e /645 na sua dignidade de vida. O povo, testemunha dos seus milagres, tomou-os por deuses.

 Paulo, o brilhante orador devia ser Mercúrio, Barnabé, o santo levita com porte majestoso parecia ser Júpiter. Já lhes queriam oferecer sacrifícios. Tiveram de se desembaraçar para impedirem este sacrilégio. Mas no dia seguinte Judeus de Antioquia e de Icónio vêm persegui-los com as suas calúnias, e o povo tão móvel nos seus sentimentos expulsa-os à pedrada.

Regressaram a Antioquia e separaram-se em seguida. Barnabé voltou a passar por Chipre e aí consolidou as cristandades que tinha fundado precedentemente. Foi em seguida pregar na Itália, e depois regressou a Chipre onde morreu.

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
A caridade


Tinha o coração ardente e generoso de um discípulo e de um apóstolo de Nosso Senhor. Deixou tudo por Nosso Senhor e deu os seus bens aos pobres. Ama tanto a Cristo que toma o seu nome.

Chama-se cristão e dá este nome aos convertidos de Antioquia. Como é bom para S. Paulo. Acompanha-o de Damasco a Jerusalém, apresenta-o aos apóstolos, vive com ele vários anos, partilhando as suas fadigas, os seus trabalhos, as suas privações, as suas perseguições.

Prende-se às pessoas de Chipre, de Salamina, a capital da ilha e dedica-se a santificá-la. É lá que Nosso Senhor lhe pedirá o sacrifício da vida, depois de o ter confirmado no fervor e na caridade.

Barnabé tinha tanto sucesso em Salamina que os judeus recalcitrantes resolveram perdê-lo. Partilhou esta honra com Nosso Senhor.

Como tinham crucificado o Mestre, apedrejaram o discípulo. Quiseram queimar o seu corpo, mas as chamas deixaram-no intacto, como pouparam S. João, o discípulo bem-amado.

Alguns séculos mais tarde, em 465, abriram o seu túmulo, para transportarem as suas relíquias para Constantinopla, encontraram-no inteiro e, sobre o seu peito o Evangelho de S. Mateus, que tinha transcrito com a sua própria mão. Os seus discípulos tinham posto junto dele o Evangelho que tanto amava.


 Desabrochar Resoluções


Eis um belo modelo a imitar. S. Barnabé é um discípulo bem amável, é bom, piedoso, caridoso para com o próximo. Tem também as virtudes mais austeras, despojou-se dos seus bens, desafiou todas as contradições. Quero a seu exemplo sacudir a minha tibieza

 Desabrochar Colóquio com S. Barnabé



S. Barnabé curando um doente
 Paolo Caliari, dit Véronèse (1528 - 1588)
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« Responder #13 em: 11 de Junho de 2007, 18:12 »

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Dia 12:
Digníssimo de todo o louvor

Invitatório:

                            "Todo o nosso amor é devido a Deus e ao Sagrado Coração de Jesus. Como testemunharemos esse amor? Sob duas formas principais, ensina-nos S. Francisco de Sales: o amor de complacência e o amor de benevolência. Pelo primeiro, somos tomados pela complacência experimentada ao considerar a divindade e as suas infinitas perfeições. Pelo segundo, desejamos todos os bens possíveis ao Bem-Amado, dando-lhe louvor".

Rezemos (com Santa Gertrudes):

                    "Salve, Sacratíssimo Coração de Jesus,
                    fonte viva e vivificante de vida eterna,
                    tesouro infinito da Divindade,
                    fornalha ardente do divino amor,
                    lugar do meu repouso e do meu refúgio.
                    Ó meu Divino Salvador:
                    inflamai o meu coração
                    no ardente amor
                    em que arde o vosso;
                    derramai no meu coração as grandes graças
                    de que o vosso é a fonte,
                    e fazei com que o meu coração
                    esteja tão unido ao vosso
                    que a vossa vontade seja também a minha,
                    e que a minha seja eternamente conforme à vossa;
                    que a vossa santíssima vontade
                    seja a regra dos meus desejos e das minhas acções.
                    Peço-vos ardentemente,
                    meu adorável e inefável Jesus,
                    pelos méritos infinitos
                    e pelo precioso amor do vosso Coração,
                    que apagueis todos os pecados da minha alma
                    e compenseis os defeitos da minha vida. Amem."
                   
Para meditação e contemplação:

"O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor. Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, sejam dados o louvor, a honra, a glória e a fortaleza pelos séculos dos séculos" (Ap 5, 12b.13b).

"Este desejo de louvar a Deus que a santa benevolência suscita nos nossos corações é insaciável, porque a alma que é tocada por ele queria ter louvores infinitos para oferecer ao seu Bem-Amado, porque gostaria que as suas perfeições fossem ainda mais do que infinitas. Encontrando-se bem longe de poder satisfazer o seu desejo, esforça-se vivamente por louvar como lhe é possível esta bondade sumamente louvável".


Coração de Jesus, Digníssimo de todo o louvor,
tende piedade de nós

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


12 de Junho
O DEUS ESCONDIDO, O SOBERANO SACERDOTE,
O RICO HERDEIRO DE SEU PAI

20 Et erat quidam mendicus nomine Lazarus qui iacebat ad ianuam eius ulceribus plenus 21 cupiens saturari de micis quae cadebant de mensa divitis sed et canes veniebant et lingebant ulcera eius 22 factum est autem ut moreretur mendicus et portaretur ab angelis in sinum Abrahae
 (Lc 16, 20-22)
20 Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; 21 e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. 22 Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão
 (Lc 16, 20-22)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


Jesus-Hóstia é o Deus escondido, é o sacerdote dedicado, é o rico herdeiro, que concede parte da sua herança

 Rosa Segundo Prelúdio


Senhor, sou pobre espiritualmente e coberto de úlceras como Lázaro. Sois o bom rico, dai-me os restos da vossa mesa

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Quem vem? É o Deus escondido


Sim, Senhor, sois verdadeiramente o Deus escondido, como dizia profeticamente Isaías (45, 15). Éreis o Deus escondido na humildade e pobreza de Belém e nos sofrimentos da Paixão. Sois ainda o Deus escondido na hóstia do tabernáculo. Convidais a minha alma a esconder-se também na humildade e no recolhimento para se entreter convosco.

Já o dizíeis ao povo de Israel pelo mesmo profeta Isaías (16, 20):
Vinde, meu povo, entrai no segredo do vosso quarto, fechai sobre vós as portas e mantende-vos um pouco escondido por um momento, até que a minha cólera passe e castigue os maus.

 Muitas vezes convidastes os vossos apóstolos a se retirarem na solidão. Chamais-me diante do sacrário, para lançardes no meu coração uma medida cheia de graças.

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
Quem vem? O Soberano Sacerdote, santo e poderoso na sua oração


 O sacerdócio da antiga lei era muito imperfeito. Deus jurou estabelecer um sacerdócio novo, segundo a ordem de Melquisedec.

Jesus é o único sacerdote, permanece eternamente, possui um sacerdócio eterno, e está sempre pronto para salvar os que se aproximam de Deus pelo seu intermédio, estando sempre vivo para interceder por nós. É o pontífice santo que nos faltava, o pontífice inocente, separado dos pecadores e mais elevado que os céus, que não é obrigado, como os outros, a oferecer todos os dias vítimas pelos seus próprios pecados (Heb 7). /647 Ele é sacerdote e é vítima de propiciação. Ofereceu-se por nós (1Jo 2,2).

Vem a uma alma sacerdotal.
«Vós sois, diz-nos S. Pedro,
uma ordem de santos sacerdotes,
destinados a oferecer a Deus hóstias espirituais
 que lhe sejam agradáveis por Jesus Cristo.
 O Coração de Jesus é o altar dos vossos sacrifícios,
vós sois a raça escolhida, a ordem dos sacerdotes reis,
 a nação santa, o povo conquistado,
a fim de que publiqueis as grandezas
daquele que vos chamou das trevas à sua grande luz»
(1Pd 2).

Irei, portanto, diante do tabernáculo, Jesus aí aceitará a consagração do meu coração, para dele fazer um coração verdadeiramente sacerdotal. Aí oferecerei hóstias de louvor, de amor, de impetração, de reparação. Apresentá-las-ei a Deus sobre o Coração de Jesus que é o altar por excelência. Só ele pode oferecer ao seu Pai hóstias que sejam agradáveis, porque ele é o único sacerdote eterno.

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Quem vem? É o rico herdeiro de seu Pai, que vem despojar-se para nos enriquecer


«Vós sabeis, diz S. Paulo,
qual é a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo,
que sendo rico, se fez pobre por amor de nós,
para que nos tornássemos ricos pela sua pobreza
»
(2Cor Cool

Senhor, sou um pobre mendigo todo coberto de úlceras, como este Lázaro que descrevestes no Evangelho (Lc 16). Esperava à porta do mau rico e teria sido feliz por receber os restos ou as migalhas do festim. Mas eu sou mais feliz do que Lázaro, porque me dirijo a um bom rico, a um rico, cujo Coração está repleto de misericórdia e de generosidade. Vós sois este rico.

Diante do tabernáculo, estou à vossa porta.
Não são apenas as migalhas que me dareis. Ofereceis-me todo o tesouro dos vossos méritos. Despojastes-vos para me enriquecerdes, tudo sacrificastes por mim. Desposastes a pobreza, a humildade, os desprezos, os sofrimentos, para pagardes todas as minhas dívidas e para me enriquecerdes com os vossos sacrifícios.

Que vos darei, Senhor, por esta infinita bondade do vosso Coração?
Irei ter convosco com toda a confiança, é o que pedis de mim. Esperais-me para me cumulardes com os vossos benefícios.


 Desabrochar Resoluções


Irei ter com o meu Deus, o Deus escondido, que me espera para me sustentar no retiro. Irei ter com o Sacerdote eterno, que quer unir-me ao seu sacerdócio.

Deporei /648 sobre o seu Coração as minhas hóstias de louvor, de reparação e de amor. Irei ter com o meu rico benfeitor, que quer dar-me parte das suas riquezas.


 Desabrochar Colóquio com Jesus-Eucaristia



Capela do Santíssimo Sacramento
da Igreja da Sé de Faro (Algarve)


Exposição do Santíssimo on-line
« Última modificação: 13 de Junho de 2007, 22:38 por lea onda-menor » Registado

"O claustro de um Franciscano é o MUNDO!"
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« Responder #14 em: 11 de Junho de 2007, 21:51 »

Meditações do Padre Dehon

Uma proposta Dehoniana de 2004:

Para ajudar a celebrar e a viver o mês do Coração de Jesus, apresentamos aqui as meditações diárias do Pe. Dehon sobre o Coração de Jesus. A tradução do original francês é de José Jacinto Ferreira de Farias, scj.



 Desabrochar APRENDEI DE MIM
subsídios para a adoração eucarística


Dia 13:
Rei e Centro de todos os corações

Invitatório:

                            "O Coração de Jesus quer reinar em todos os corações. É um seu direito incontestável. O Coração de Jesus é o Coração de Deus. É o Coração do nosso Salvador. Pertencemos-Lhe a todos os títulos: pela criação e pela Redenção".

Rezemos (com o Papa Leão XIII):

                    "Ó Jesus, Redentor do género humano,
                    lançai sobre nós o vosso olhar.
                    Somos e queremos ser vossos;
                    E, a fim de podermos viver
                    mais intimamente unidos a Vós,
                    consagramo-nos ao vosso Coração.
                    Muitos há que nunca Vos conheceram;
                    muitos outros Vos renegaram.
                    Tende piedade de uns e de outros,
                    trazei-os todos ao vosso Sagrado Coração.
                    Sede Rei,
                    não somente dos fiéis que nunca se afastaram de Vós,
                    mas também dos filhos pródigos,
                    que Vos abandonaram.
                    Sede Rei
                    dos que vivem iludidos no erro
                    ou separados de Vós pela discórdia.
                    Sede Rei
                    de todos os que ainda jazem nas trevas
                    e conduzi-os à luz e ao Reino de Deus.
                    Concedei ordem e paz a todos os povos
                    e fazei que dum polo ao outro do mundo
                    ressoe uma só voz:
                    Louvado seja o Coração Divino
                    que nos trouxe a salvação,
                    Honra e glória a Ele para sempre. Amem.
                   
Para meditação e contemplação:

                   "Disse-lhe Pilatos: "Logo, Tu és rei!"
                    Respondeu-lhe Jesus:

"É como dizes: Eu sou rei!
Para isto nasci, para isto vim ao mundo:
para dar testemunho da Verdade.
Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz"
 (Jo 18, 37).


"Este Coração é o Coração do rei dos reis;
é o Coração d´Aquele diante do Qual todos os chefes de estado são nada;
reina sobre o mundo inteiro com um poder absoluto,
que merece toda a honra, todo o louvor e toda a glória
da parte das criaturas, no tempo e na eternidade".


Coração de Jesus,
Rei e Centro de todos os corações,
tende piedade de nós.

 Desabrochar Junho: Mês Do Coração de Jesus
Meditações do Padre Dehon


13 de Junho
SANTO ANTÓNIO DE PÁDUA (1195-1231)

8 Beatus dives qui inventus est sine macula et qui post aurum non abiit nec speravit in pecunia et thesauris 9 quis est hic et laudabimus eum fecit enim mirabilia in vita sua 
(Eccl. 31, 8-9)
8 Feliz o rico que permanece sem pecado, que não se liga à procura do ouro nem coloca a sua esperança na riqueza! 9 Quem é ele? Não o louvaremos, porque fez maravilhas na sua vida
 (Eccl. 31, 8-9)
     

 Rosa Primeiro Prelúdio


Santo António era de nobre família, abraçou a pobreza por um ardente amor por Nosso Senhor, e para o recompensar, Nosso Senhor amou-o, visitou-o e concedeu-lhe o dom dos milagres.

 Rosa Segundo Prelúdio


Grande santo, éreis pelo vosso ardente amor por Nosso Senhor um santo do Sagrado Coração, ajudai-nos a fazer reinar o Coração de Jesus nos nossos corações e na sociedade.

 Desabrochar PRIMEIRO PONTO:
Amou Nosso Senhor até desejar o martírio


 Santo António de Pádua foi um dos santos mais amorosos para com Nosso Senhor, por isso agradou a Nosso Senhor dar um grande brilho ao seu culto no momento mesmo em que se propaga a devoção ao Sagrado Coração.

António de Pádua, no mundo Fernando de Bulhão, era de uma família de santos. Era segundo sobrinho de Godefroy de Bouillon, o qual era filho de Sta. Ida, condessa de Bolonha.

Nasceu em Lisboa, no palacete da sua família, perto da catedral. Aos cinco anos, já todo penetrado de santidade, faz voto de virgindade.

Aos dez anos, é colocado na escola dos clérigos de Nossa Senhora do Pilar. É o modelo dos alunos. O demónio vem tentá-lo sob uma forma hedionda, o pequeno clérigo expulsa-o com um sinal da cruz traçado sobre o chão e que ficou marcado miraculosamente sobre o mármore.

Torna-se religioso agostinho no convento de Sta. Cruz, em Coimbra. O seu amor por Nosso Senhor crescia sempre. Inveja a sorte de piedosos religiosos franciscanos que vão levar a fé a Marrocos com perigo das suas vidas, e quando trazem os seus despojos a Coimbra, depois que foram martirizados, arde no desejo de morrer também pelo Salvador que morreu por nós. Faz-se franciscano para ir também para Marrocos.

E nós, sentimos bastante o amor de Nosso Senhor nos nossos corações, para desejarmos fazer por ele alguns sacrifícios?

 Desabrochar SEGUNDO PONTO:
O apóstolo do Sagrado Coração


 A Providência não quis que chegasse a Marrocos, foi lançado sobre as costas da Sicília. Vai aquecer /650 ainda o seu coração junto do de S. Francisco de Assis. O seu talento revela-se, fazem-no professor, depois missionário.
Ganha almas inumeráveis ao amor de Nosso Senhor.

Foi, no séc. XIII, diz o P. Marie-Antoine, o doutor e o escritor do Coração de Jesus. Conduz sempre os seus auditores ao pensamento do amor, como objectivo final da vida cristã, e é no Coração do Salvador que mostra a fonte e o trono deste amor.Diz:

 «Sim, a ferida do lado de Jesus é um sol que ilumina todo o homem. Pela abertura do Sagrado Coração foi aberta a porta do paraíso donde nos vem toda a luz. É lá que está o asilo assegurado da arca da paz e da salvação.

O Salvador abriu o seu lado e o seu Coração à pomba, isto é, à alma religiosa, a fim de que pudesse encontrar um lugar de refúgio.
Sede como a pomba que estabelece o seu ninho no mais profundo da pedra. Se Jesus Cristo é a pedra, a cavidade da pedra é a chaga do lado de Jesus, que leva ao seu Coração.

Havia na antiga lei dois altares, o altar de bronze ou dos holocaustos, que estava fora do santuário, e o altar de ouro do santuário mesmo. O altar de bronze da lei nova é o corpo sangrento de Cristo imolado em presença do povo; o altar de ouro é o seu Coração ardente de amor, e lá está o incenso que sobe para o céu».


Os seus sucessos eram maravilhosos.
Se queremos ganhar almas para Nosso Senhor, é preciso primeiro excitar-nos ao seu amor. O fervor do nosso coração comunicar-se-á facilmente àqueles que estiverem em relação connosco.

 Desabrochar TERCEIRO PONTO:
Os belos milagres são uma recompensa do seu amor por Nosso Senhor


Os seus prodígios são inumeráveis. Mas o seu carácter mesmo mostra como estava unido a Nosso Senhor por um terno amor.

Numa noite de Natal, como estava retido na enfermaria pelos deveres do seu cargo, em Coimbra, ouviu tocar a elevação. Bem desejava ele ver a Hóstia e adorar o seu Salvador nascente, pôs-se de joelhos, os muros abriram-se e assistiu à elevação.

Mais tarde, era em Puy, quando rezava à noite, o Menino Jesus desceu até ele, pôs-se nos seus braços e fez-lhe mil carícias. O seu hospedeiro que passava diante do seu quarto viu isso. É o milagre que se representa normalmente.

Estes prodígios mostram o terno amor recíproco de Jesus e de António.
Agora, Santo António é o provedor dos pobres. O seu Coração /651 identificou-se com o de Jesus.

Tem piedade das multidões, como Jesus tinha piedade delas na Galileia. Distribui o pão por um milagre de providência.  Diz às almas:

«Dai-me pão para os pobres,
 e obterei para vós junto de Deus
as graças de que tendes necessidade».

Tenhamos confiança neste grande amigo do Sagrado Coração.
Peçamos-lhe para pacificar as dissensões sociais que reinam hoje. Rezemos-lhe para nos ajudar a fazer reinar o Coração de Jesus.


 Desabrochar Resoluções


Tenhamos uma grande devoção a Santo António referindo-a ao Sagrado Coração. Tem a missão de fazer amar o Sagrado Coração. Manifesta a sua bondade pelas almas e pelos pobres.
Ajudemo-nos da sua intervenção poderosa junto do Coração de Jesus.

 Desabrochar Colóquio com Santo António

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