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Autor Tópico: 90 anos das aparições  (Lida 1024 vezes)
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« em: 09 de Maio de 2007, 21:37 »

Fátima retratada em obra inédita

Enciclopédia de Fátima  No 90.º aniversário das aparições de Fátima, a Princípia edita a "Enciclopédia de Fátima", estudo pioneiro e interdisciplinar que aborda de forma multifacetada, científica e rigorosa os acontecimentos de Fátima. A ideia surgiu há três anos. "Depois do guião inicial com as entradas e a reunião com os investigadores" surgiu a obra que será lançada, oficialmente, no próximo dia 11 de Maio, em Fátima.

Em mais de 120 entradas, especialistas de diversas áreas - história, teologia, arte, sociologia, etnografia e urbanismo, entre outras - fazem desta Enciclopédia de Fátima não só um meio de acesso rápido a toda a informação pertinente sobre os actores e os lugares, os temas e os problemas, a origem e a evolução das aparições da Cova da Iria, mas também um trabalho que oferece, pela primeira vez, tanto a estudiosos
como a quaisquer outros interessados no tema, uma visão global e actualizada das investigações sobre Fátima que se abre a interpretações rigorosas e críticas, teologicamente fundamentadas e historicamente objectivas.

"Espero que as entradas ortodoxas sejam curiosas e as curiosas sejam ortodoxas" - disse à Agência ECCLESIA D. Carlos Azevedo, co-coordenador da Enciclopédia de Fátima. E acrescenta: "tentamos corresponder, não só ao género mais biográfico de todas as personalidades que estiveram envolvidas - tanto nas aparições como na construção do santuário - mas também a dimensões mais amplas".

O conselho científico coordenador desta obra é também o responsável pela publicação da Documentação Crítica de Fátima. Integram-no D. Carlos Moreira Azevedo, do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa e Bispo Auxiliar de Lisboa, autor de várias obras de referência sobre a história religiosa portuguesa, e o Pe. Luciano Cristino, actual director dos Serviços de Documentação do Santuário de Fátima.

Com 650 páginas tem artigos de 58 autores especialistas nas dimensões que contempla a publicação e é coordenada pelo bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo e pelo director de Serviço de Estudos e Difusão do Santuário de Fátima, Pe. Luciano Cristino.

A Enciclopédia de Fátima pretende ser, nas palavras de D. Carlos Azevedo, "uma colaboração objectiva que se quer dar como visão de conjunto nas várias vertentes". Será uma edição rigorosa, que dará "uma ideia global do fenómeno". Uma obra "que não tem lacunas" mas se alguém encontrar alguma área que "não foi ocupada diga".

Uma obra que promove a investigação inovadora. "O artigo de Stefano de Fiores - doutorado em Teologia Espiritual pela Universidade Gregoriana de Roma - sobre Mariologia e Fátima é extremamente inovador" - salienta D. Carlos Azevedo. E adianta: "Até ao momento ninguém tinha feito uma análise da inserção do fenómeno de Fátima na Teologia de Maria". Fátima ajudou a enriquecer o "conhecimento da figura de Maria" e do seu papel "na História da Salvação".

Com a realização de congressos sobre os acontecimentos de Fátima, as temáticas ficarão mais completas. "Se a entrada sobre a "Trindade" fosse feita daqui a uns meses poderia recolher os frutos do congresso a realizar no próximo fim de semana" - admitiu o coordenador. Com o evoluir dos tempo poderá "ser acrescentada" e "enriquecida".

Os acontecimentos das aparições de Fátima são densos mas os "fenómenos espirituais nunca se explicam". Estes têm uma "abertura de sentido" que, tal como as obras de arte, "têm sucessivas leituras". O que tem faltado a Fátima é "uma leitura teológica, uma hermenêutica espiritual daquilo que aconteceu" - confessou o bispo auxiliar de Lisboa. Os últimos congressos têm permitido isso e a enciclopédia "recolhe os resultados dessa nova perspectiva que está a ser feita sobre Fátima".

Trata-se de um "primeiro contributo para que os estudos (académicos) sobre Fátima possam avançar", afirmou.

Com a enciclopédia "teremos uma visão global de toda a história das aparições e da mensagem de Fátima". A Documentação Crítica de Fátima tem sete volumes - está em preparação o oitavo - mas situa-se noutro âmbito. A obra trata com "rigor científico" vários termos relacionados com Fátima e tenciona constituir-se como uma referência para estudos futuros, já que inclui uma "análise cuidada" das memórias relacionados com as Aparições.

A enciclopédia inclui também entradas relacionadas com a liturgia ou textos jurídicos, procurando "abranger tudo o que diz respeito" ao fenómeno de Fátima e tudo o que a rodeia, acrescentou o prelado. No próximo mês de Outubro será inaugurada a nova igreja da Santíssima Trindade. "Numa futura edição poderemos incluir aquilo que, entretanto, foi colocado à luz do dia tanto em obras de arte ou dimensões teológicas" - concluiu.

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« Responder #1 em: 09 de Maio de 2007, 21:49 »

Nossa Senhora de Fátima no mundo

O Santuário de Fátima, através do Serviço de Estudos e Difusão (SESDI), está a proceder a um levantamento, tão completo quanto possível, das manifestações de culto a Nossa Senhora de Fátima e das instituições em que se põe em prática a sua mensagem, em todo o mundo. A partir das fontes mais diversas, recolhem-se todos os elementos de culto e devoção, elaborando os documentos em arquivadores, ordenados por continentes, países, dioceses, paróquias e localidades, informatizando-se todas as referências, que são tipificadas em 16 capítulos.

Até Janeiro de 2007, já foram preenchidas as seguintes fichas: dioceses (18); paróquias (1138); santuários (260); comunidades de institutos de vida consagrada (490); associações e outras devoções (447); igrejas e capelas (923); altares (338); imagens (1961); monumentos (321); instituições de comunicação social (55); de ensino (338); de solidariedade social (100); de pastoral (69); de saúde (100); de toponímia (nomes de lugares relacionados com Fátima) (378); actividades diversas (443; num total de 7492 fichas (in Enciclopédia de Fátima, 161).

Com inspiração na mensagem de Fátima, foram fundados institutos de vida consagrada, confrarias, associações, movimentos, alguns dos quais têm dimensão internacional: a Pia União dos Cruzados de Fátima (actualmente Movimento da Mensagem de Fátima); o Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima (actualmente designado por Apostolado Mundial de Fátima), surgido nos Estados Unidos da América (1947); a Cruzada Reparadora do Rosário para a paz no mundo, criada na Áustria (1947); o Círculo dos Amigos de Fátima, na Alemanha (Colónia); a Liga de Orações e Sacrifícios para a canonização dos Pastorinhos de Fátima, com sede em Fátima (1963).

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« Responder #2 em: 09 de Maio de 2007, 21:57 »

Uma marca global

Podemos afirmar isto? O que quer dizer? Afinal, o que se quer dizer com marca? E que vantagens poderá uma análise desta trazer?

Recuemos um pouco no tempo para percebermos o que estamos a dizer.

As peregrinações tiveram a sua origem como estrutura social e cultural na Idade Média e, desde esses tempos, os Santuários marianos destacaram-se como espaço de confluência das peregrinações espirituais e pastorais, tendo, na actualidade, um carácter mundial. E já sabemos que estes santuários estão inscritos no que se denomina por turismo cultural e, mais especificamente, por turismo religioso. Então, também os santuários entraram numa era na qual concorrem uns com os outros, no sentido de que as escolhas são diversas e conhecidas das diferentes pessoas. É lógico, com efeito, o destaque concedido aos Santuários marianos, enquanto espaço privilegiado de procura e encontro, quer do foro espiritual, quer do foro religioso.

De facto, e numa abordagem de marketing, podemos afirmar que os santuários são uma marca. Isto é, são uma ideia, um lugar, uma organização e um conjunto de serviços. Um Santuário e a sua mensagem constituem uma marca. E quando olhamos um Santuário pelo prisma do marketing, estamos a responsabilizar-nos mais pelo seu cuidado, pela sua cada vez melhor adequação aos interesses dos peregrinos. Estamos a reflectir sobre o Santuário e a sua mensagem, começando pelo seu verdadeiro propósito, e a discernir qual será a melhor maneira de comunicar com as pessoas. Estamos a fazer um exercício de melhorar e transparecer cada vez mais a mensagem do Santuário. E, assim, permitir que as pessoas se encontrem mais com Deus naquele espaço!

Fátima enquanto marca, e marca global.

A globalização é um processo quase que irreversível de "reconfiguração do mundo". Sem dúvida, e independentemente da avaliação subjectiva que cada um teça, que a globalização originou um crescente aumento de desafios a todos os níveis. Esta aproximação de culturas e crescentes meios na troca de informação e deslocação das pessoas, possibilitados pelo progresso económico e tecnológico, originou uma curiosidade adicional e procura de novos saberes e estilos de vida. E vários são os grupos da sociedade que procuram conhecer e aproximar-se de outras famílias religiosas. As diferentes escolhas acontecem mesmo ao nível da religião ou até, e em larga escala, residem na questão de aderir, ou não, a uma religião.

Mas, afinal, quais poderão ser os benefícios ao olharmos Fátima como uma marca. E enquanto marca forte, conhecida por tantos, uma marca à escala global?

Trata-se de… gentes que são atraídas.

Segundo a literatura "pagã" do marketing, as marcas fortes podem constituir um estímulo forte na atracção de gente diferente. E quando as pessoas se encontram no momento de decisão sobre o sítio onde ir, uma ida a Fátima em família, por exemplo, é sempre o resultado mais provável se Fátima for uma marca conhecida por todos. Quanto mais a maca Fátima for específica, diferenciadora, quanto mais as pessoas encontrarem nela motivos que tornam Fátima mais importante e única, mais gente virá a este local. Mais pessoas farão de Fátima um provável local de chegada, um porto seguro para um dia-a-dia com agitação.

É necessário ajudar as pessoas neste processo de decisão. Neste processo de escolha para que se torne mais explícito e simples que vale a pena vir a Fátima.

Mas a análise sobre Fátima enquanto marca não é só benéfica pois ajuda os peregrinos, ou turistas, a decidirem-se por Fátima.

Já dissemos que um Santuário e a sua mensagem constituem uma marca. E não há dúvida que a crescente importância que recai sobre esta marca, vai influenciar não poucas pessoas a pararem e olharem para este local e esta mensagem… afinal, o que trás de novo?

Num mundo cada vez mais complexo e onde existe liberdade religiosa, as pessoas, em geral, tomam consciência das diferentes opções religiosas que lhes são oferecidas, quer ao nível da religião, quer ao nível da comunidade concreta. E os espaços marianos, e a mensagem que trazem ao nosso mundo podem ser, incondicionalmente, o "ar fresco" por que tantos anseiam. E na medida em que mais difundida for essa mensagem, mais pessoas poderão encontrar o seu caminho original de encontro com o Pai. Encontrarão tranquilidade e paz nas palavras e na sua vivência.

Portanto, ao tornarmos Fátima "mais marca", estamos a ser mais mensageiros.

Quem não aceita o desafio de Fátima, uma marca global?

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« Responder #3 em: 09 de Maio de 2007, 22:00 »

Maria, rosto materno da misericórdia divina!

Com a realização do congresso internacional Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo..., sobre o mistério trinitário de Deus, damos início à terceira parte do programa celebrativo do nonagésimo aniversário das aparições de Fátima, evocando as aparições de Nossa Senhora. De facto, uma leitura mais atenta do programa não terá dificuldade em descobrir que a sua principal fonte de inspiração são as aparições do Anjo... Uma tal opção justifica-se pela redescoberta do mistério central da fé cristã nas últimas décadas, exemplarmente testemunhada na preparação e celebração do Grande Jubileu do Ano 2000, e que nos permite compreender melhor o alcance da Sua presença na mensagem de Fátima. Neste contexto, não admira que o Santuário de Fátima Lhe tenha dedicado a nova igreja, em fase final de construção.

Olhando para as duas primeiras partes do programa, elas centraram-se nas três aparições do Anjo (da Primavera ao Outono de 2006) e na meditação dos "desígnios de misericórdia" do Altíssimo (de Novembro de 2006 a Abril de 2007), anunciados pelo Anjo aos três Pastorinhos. De facto, olhar o fenómeno de Fátima à luz do amor misericordioso de Deus Pai permite-nos não só uma leitura mais ampla do Evento, como também o acesso àquele contínuo profundo da história da Salvação, onde Deus, mistério de Amor em Si mesmo, Se revelou para nós como misericórdia até à loucura da Cruz.

Ao nosso tempo, enclausurado na sua autonomia, importa anunciar a liberdade maior do amor de Deus que não conhece limites quando se trata de libertar o homem de todas as suas amarras. Em nome dessa escandalosa liberdade divina, dom incondicional de Si mesmo pela vida dos homens, impõe-se um desafio à cultura europeia: que ouse reconhecer a bondade da acção de Deus, não como vontade de poder, mas como vida entregue por amor, suspensa entre o céu e a terra, à espera do nosso acolhimento!

À Modernidade, na verdade, falta-lhe dar um último passo para que se possa cumprir coerentemente: depois de ter reivindicado para o homem a liberdade de se decidir, precisa agora de reconhecer esse mesmo direito ao amor misericordioso de Deus. Não porque o Pai precise desse reconhecimento para agir, mas porque dele necessitamos nós para compreender o que Deus fez e faz por nós, e que é sempre a nosso favor, para nosso bem! Sem este reconhecimento, a cultura ocidental esvazia-se da sua originalidade e fundamento, e os seus valores tornar-se-ão tão inconsistentes e irrelevantes quanto as opiniões dos seus defensores.

Em Fátima, há lugar para as duas liberdades: a iniciativa amorosa de Deus e a resposta livre do homem, testemunhadas na vida dos Pastorinhos. Ali o homem, recuperado e respeitado na sua dignidade pelo amor misericordioso de Deus Pai, é restituído à sua liberdade de filho; ali, Deus revela-Se não como inimigo, mas como amigo e confidente!

Aos discípulos do Senhor se pede hoje a ousadia de anunciar, no diálogo com todos os homens e mulheres, a beleza do mistério trinitário de Deus, como o específico da fé cristã. Enquanto mistério de comunhão, absolutamente necessário para a renovação eclesial e para a construção de uma sociedade mais livre, justa e fraterna, ele permite-nos uma mais ampla compreensão das realidades humanas e ajuda-nos a superar a fractura entre a cultura ocidental e cristianismo.

Para a realização deste objectivo também Fátima poderá ajudar, pois ali o mistério da Santíssima Trindade, em íntima relação com o mistério Eucarístico, rompeu o seu secular isolamento e deu-se a conhecer a três crianças, em ternas e sublimes experiências, como que a convidar toda a Igreja, pela mão dos mais pequeninos, a redescobrir o coração do mistério cristão e a inscrevê-lo no centro das nossas vidas e da vida das nossas comunidades cristãs para que possa resplandecer no mundo...

No que diz respeito à terceira parte do programa celebrativo, para além das peregrinações aniversárias e outras iniciativas agendadas mensalmente, ele concentra-se sobretudo na primeira e última aparições de Nossa Senhora.

Em Maio, acompanham o Congresso Internacional sobre o Mistério Trinitário de Deus, uma exposição pedagógica sobre iconografia trinitária, uma peça de teatro sobre a vida familiar dos pastorinhos e a apresentação, pelos seus coordenadores, da Enciclopédia de Fátima.

Em Outubro, para evocar a última aparição na Cova de Iria e encerrar as celebrações, será inaugurada a nova igreja da Santíssima Trindade e realizado o congresso internacional "Fátima para o Século XXI", relendo a história do Evento e projectando-o para o futuro. Serão também organizadas duas exposições: uma de Arte Sacra intitulada "Salve Rainha, Mãe de Misericórdia" e outra de fotografia sobre a presença de "Fátima no Mundo"; será ainda apresentada a tradução da obra de Santo Agostinho "De Trinitate" e estreada a oratória: "Fátima, sinal de Esperança para a Humanidade".

Pe. Armindo Janeiro, Presidente da Comissão Organizadora do Programa dos 90 anos das Aparições
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« Responder #4 em: 09 de Maio de 2007, 22:03 »

Impacto de Fátima

O efeito que há 90 anos as aparições de Fátima têm tido é mais vasto do que quaisquer outras aparições posteriores ao Evangelho. A sua mensagem é espiritual e o seu impacto mais relevante dá-se no coração e na alma das multidões que, ao longo das décadas se converteram, sacrificaram e rezaram o terço devido aos pedidos de Nossa Senhora. Mas no campo directamente político esse efeito também foi notório. A sua influência, aliás, foi súbita, pois a presença da Senhora coincidiu com mudanças decisivas na história de Portugal e do mundo.

Os dois acontecimentos mais relevantes do início do século XX são a quebra do isolamento norte-americano, com a entrada a 2 de Abril de 1917 na Grande Guerra, e a "revolução de Outubro" que criou a URSS, a 6 de Novembro de 1917. Assim nasceram as duas super-potências que haveriam de determinar o século. Ora entre ambos os factos, deram-se as seis visitas da Senhora, que veio falar da guerra, da Rússia e dos pecados do mundo.

Vinte e cinco anos depois, a 31 de Outubro de 1942, quando o papa Pio XII cumpriu o pedido feito em Fátima de realizar a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, mais uma vez esse acto se situou entre os acontecimentos mais relevantes da época. Estava-se em plena II Guerra Mundial, e as forças nazis ganhavam todas as batalhas desde 1939. Mas a 23 de Outubro de 1942 começou a investida britânica em El Alamein no Egipto, e a 19 de Novembro do mesmo ano iniciava-se o contra-ataque soviético em Estalinegrado. Estas duas batalhas marcaram, para todos os analistas, a inversão estratégia da guerra que levou três anos depois à vitória da democracia. Aconteceram precisamente no momento da consagração.

Finalmente, quando o papa João Paulo II soube que à consagração feita por Pio XII faltara o requisito da união com todos os bispos do mundo, e decidiu consumá-la, novos efeitos sucederam. A 25 de Março de 1984 todo o episcopado fez a dita consagração juntamente com o papa, no Vaticano, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima da capelinha da Cova da Iria, levada pela primeira vez propositadamente a Roma. Menos de um ano depois, a 11 de Março de 1985, Mikhail Gorbatchov foi eleito primeiro secretário do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética e começou a sequência de eventos que mudou completamente o mundo e ainda hoje confunde os especialistas.

Também em Portugal, os factos de Fátima se entrelaçaram com a história. O último Governo Afonso Costa foi empossado a 25 de Abril de 1917 e agravou a perseguição à Igreja que era o tom político desde 1910. Mas no dia seguinte à última aparição, a 14 de Outubro de 1917, as eleições em Leiria foram vencidas pelos católicos por 750 votos. Anunciava-se o fim da sanha anticlerical, que se verificaria a 5 de Dezembro desse mesmo ano com o golpe de Estado chefiado por Sidónio Pais, que acabou com o regime ateu. O novo governo decidiu, entre outras medidas, logo a 22 de Fevereiro de 1918 a revisão da Lei da Separação entre o Estado e a Igreja e a 9 de Julho de 1918 reestabeleceu as relações diplomáticas com a Santa Sé. Mesmo depois de Sidónio ser assassinado, o novo clima manteve-se, aliviando a pressão sobre a Igreja.

Todas estas coincidências podem não ser mais do que isso: coincidências. O Céu é sempre suficientemente discreto para permitir sempre várias interpretações das suas acções. O que não há dúvida é que os temas de que tratou Fátima são centrais à dinâmica do mundo neste tempo. E muitos foram os que adoptaram a terapêutica que a Senhora recomendou para esses males: oração, penitência e emenda de vida.

João César das Neves, Professor da UCP
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« Responder #5 em: 09 de Maio de 2007, 22:10 »

Emigrantes com o coração em Fátima

Há uma parcela “viva” da Igreja de Portugal dispersa pelo mundo que, nos mais diversos recantos e latitudes, honra não apenas a língua e cultura portuguesas, mas, de uma maneira especial e única, testemunha a fé em Jesus Cristo, no amor à Eucaristia e na devoção a Maria: a “branca senhora” que merece todas as peregrinações, novenas, tríduos e festas.

As comissões de emigrantes portugueses ou mistas - com a colaboração das paróquias locais - estão a ultimar os preparativos litúrgicos e espirituais, a concluir a divulgação junto dos mais afastados da Igreja, a recolher os últimos patrocínios e dinheiros e a organizar a festa popular que habitualmente serve de coreografia inter-religiosa à festa dos cristãos. É a tradição e o coração de um povo peregrino que afirma a sua identidade!

Este ano, tudo está a ser preparado nas Comunidades Portuguesas com maior afinco e beleza, devido à celebração solene do 90° aniversário das Aparições e Mensagens da Virgem, em Fátima, sob o lema da “imensa Misericórdia de Deus”. Há também muitos emigrantes que, individualmente ou em grupo, estão a preparar a sua viagem para participar na Peregrinação Aniversária dos dias 12 e 13 de Maio, devido à efeméride dos 90 anos das Aparições.

Na verdade, em sintonia com o que acontece um pouco por todo o nosso país, é também ao redor de Fátima que se assiste às maiores concentrações de portugueses no estrangeiro. Em algumas igrejas, sobretudo, na Europa, é particularmente, por esta altura que os templos, catedrais, capelas e santuários registam a maior afluência anual de fiéis. São muitas as dioceses e Conferências episcopais a reconhecer – algumas infelizmente um pouco tardiamente - o grande potencial evangelizador da religiosidade popular e do testemunho de integração dos portugueses, e de outros emigrantes lusófonos. As Missões Católicas de Língua Portuguesa e os seus missionários – padres, religiosas e leigos – que aceitaram servir o Evangelho, no sector da mobilidade humana, quase à semelhança dos missionários “fidei donum” – uma das expressões solidárias da cooperação eclesial - foram os mediadores insubstituíveis duma evangelização baseada no acolhimento dialogado, no sentimento religioso e interacção na mesma comunidade cristã, constituída por povos e culturas diferentes.

Como sinal da solicitude pastoral da Igreja em Portugal e como símbolo concreto da cooperação missionária entre igreja de acolhimento e de partida, este ano, como de costume, foram vários os bispos e sacerdotes que, a convite das Igrejas locais e patrocinados pelos próprios emigrantes, aceitaram deslocar-se à “diáspora lusa” para animar, catequizar e presidir às celebrações, em honra de Maria, a mãe de todas os itinerários para Cristo. Autênticos “sinais” e “elos” da comunhão efectiva entre igrejas! Cada vez mais, se difunde entre as Comunidades Portuguesas também a comunhão na oração e a devoção aos beatos Francisco e Jacinta, assim como a admiração pela santidade de Ir. Lúcia. Eles são o exemplo concreto e “tradutores” fiéis da vivência evangélica da Mensagem de Fátima para o mundo.

A OCPM tem conhecimento da deslocação de vários bispos às Comunidades Católicas Portuguesas, entre outros: D. António Vitalino (a Wiltz, no Luxemburgo, a Yvry, na França e Newark, nos Estados Unidos da América), D. Serafim Ferreira e Silva (a Lourdes e Meaux, na França), D. Antonio Rafael (a Lamazana, em Andorra), D. Januário Torgal Ferreira (a Jersey, nos Estados Unidos da América) e de D. Ilídio Leandro (a Werl, na Alemanha).
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O Senhor é meu Pastor. Nada me falta.


« Responder #6 em: 19 de Maio de 2007, 21:54 »

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