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Autor Tópico: Bento XVI explica sentido da Última Ceia  (Lida 410 vezes)
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« em: 06 de Abril de 2007, 11:18 »

Bento XVI explica sentido da Última Ceia

Bento XVI abordou na tarde desta Quinta-Feira Santa o sentido da Última Ceia de Jesus, em relação com a ceia pascal judaica e as práticas da comunidade de Qumrân.

O Papa falou da "aparente contradição" entre os relatos do Evangelho de João e o dos Sinópticos. No primeiro, Jesus morre na véspera da Páscoa (na hora em que eram imolados os Cordeiros no templo de Jerusalém) e, nos outros três Evangelhos, a Última Ceia é apresentada como uma ceia pascal nesse mesmo dia (que Jesus não poderia celebrar se tivesse morrido à hora indicada por João), na sua forma tradicional, mas com a novidade do "dom do seu corpo e do seu sangue".

Abandonando a hipótese de dar um sentido "simbólico" à data apresentada no Evangelho segundo João, o Papa indicou que a descoberta dos escritos de Qumrân, a meio do século XX, ofereceu "uma possível solução convincente", embora a mesma ainda não seja aceite por todos.

"Jesus derramou o seu sangue, de facto, na véspera da Páscoa e na hora da imolação dos cordeiros. Ele celebrou, contudo, a Páscoa com os seus discípulos, provavelmente segundo o calendário de Qumrân, por isso, pelo menos, um dia antes", indicou.

Qumrân é um local da Palestina, na margem noroeste do Mar Morto, 13 km ao sul de Jericó, onde viveu uma comunidade de ascetas judeus (possivelmente essénios). Nos arredores foram encontrados, entre 1947 e 1956, muitos manuscritos escondidos em grutas, dum período estimado entre 200 anos antes da era cristã e cerca de 100 anos depois. A descoberta do espólio permitiu conhecer este grupo religioso, de vida monástica e forte ascetismo.

Nesta comunidade havia um modo de interpretar a Escritura (e as normas legais) diferente do habitual entre saduceus e fariseus. Quanto à Páscoa, disse o Papa, "Jesus celebrou-a sem cordeiro, como a comunidade de Qumrân, que não reconhecia o templo de Herodes e esperava um novo templo".

"Jesus, portanto, celebrou a Páscoa sem cordeiro - não, não sem cordeiro: em vez do cordeiro, ofereceu-se a si mesmo, o seu corpo e o seu sangue", prosseguiu.

Nesta Páscoa "sem cordeiro e sem templo", Jesus era "o próprio Cordeiro, o verdadeiro, como tinha preanunciado João Baptista no início do ministério público de Jesus", e era "o verdadeiro templo, o templo vivo em que Deus habita e no qual nós podemos encontrar Deus e adorá-lo".

"O seu sangue, o amor daquele que é, ao mesmo tempo, Filho de Deus e verdadeiro homem, um de nós, esse sangue pode salvar. O seu amor, esse amor em que Ele se dá livremente por nós, é isso que nos salva".

Nova Páscoa

Na homilia da Missa da Ceia do Senhor, Bento XVI começou por falar dos sinais e do sentido da Páscoa judaica, explicando que esta celebração "oferecia uma ponte do passado para o presente e rumo ao futuro".

A libertação que Israel celebrava, todavia, "não estava completa" e, no tempo de Jesus, a celebração da Páscoa era também uma súplica pela "liberdade definitiva".

O próprio Jesus celebrou esta ceia de "múltiplos significados", com os seus, e é nesse contexto que se deve compreender a "nova Páscoa", oferecida na Eucaristia.

"No centro da Páscoa nova de Jesus estava a Cruz. Dela vinha o novo dom por Ele trazido, que permanece sempre na Santa Eucaristia, na qual podemos celebrar com os Apóstolos, ao longo dos tempos, a nova Páscoa", disse.

O Papa recordou as palavras de Jesus "ninguém me tira a vida, sou eu que a dou": "a haggadah pascal, a comemoração do agir salvífico de Deus, tornou-se memória da cruz e da ressurreição de Cristo", uma memória que não se limita a recordar o passado, mas que "nos atrai para a presença do amor de Cristo".

Assim, prosseguiu, a berakha, oração de bênção e agradecimento de Israel, "tornou-se a nossa celebração eucarística, em que o Senhor abençoa os nossos dons, pão e vinho, para dar-se nele a si mesmo".

"Rezemos ao Senhor para que nos ajude a compreender cada vez mais profundamente este mistério maravilhoso, a amá-lo cada vez mais", indicou.

"Peçamos ao Senhor - disse o Papa a concluir -que nos ajude a não guardar a nossa vida para nós, mas a dá-la a Ele e desta maneira trabalhar juntamente com Ele para que os homens encontrem a vida, a vida verdadeira que pode vir somente daquele que é, Ele mesmo, a Verdade e a Vida".

Logo após a homilia, Bento XVI cumpriu o rito do lava-pés a 12 representantes dos movimentos laicais da Diocese de Roma. Num gesto de solidariedade, o ofertório desta celebração foi destinado, por vontade do Papa, para a ajudar o dispensário médico de Baidoa, na Somalia, dirigido pela Cáritas local.
« Última modificação: 06 de Abril de 2007, 11:19 por Trofa » Registado

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« Responder #1 em: 10 de Abril de 2007, 11:34 »

Em relação à omissão do cordeiro nas Sagradas Escrituras, também já me tinha apercebido. Na verdade Jesus é o Cordeiro que se apresentou vivo, nesse mesmo dia 14 de "Nisan" que tinha começado ao pôr do sol do dia que tinha terminado.
Também já me tinha apercebido que Jesus foi morto à hora em que os judeus estavam a matar os seus cordeiros pascais. Por isso podemos dizer que Jesus é o nosso Cordeiro Pascal: Jesus é a nossa Páscoa.
Citação de: 1ª Corintios 5,7
7 Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, já que sois pães ázimos. Pois Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.

Os Samaritanos tinham uma interpretação diferente dos Judeus, das Sagradas Escrituras. Neste caso, podemos dizer que os Samaritanos não matavam o cordeiro à mesma hora que os Judeus, por causa dessa interpretação.
http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Ex+12
http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Lv+23

O que aqui é traduzido
por crepúsculo, poderia ser traduzido melhor por entre as duas tardes (ou noitinhas).

http://olhoderua.blogspot.com/2007/03/o-que-pscoa.html#links
http://olhoderua.blogspot.com/search/label/noitinhas
http://pt.wikibooks.org/wiki/Juda%C3%ADsmo/%C3%8Dndice/Pessach

Enquanto uns interpretam pelo crepúsculo, isto é, o espaço de tempo entre o pôr do sol e a noite, outros (os judeus e fariseus) interpretam pelo espaço entre o dclinio solar e o pôr do sol.
Assim Jesus comeu a ceia à hora em que os primeiros comiam o cordeiro (isto é na noite do dia 14 Abib), pois já o tinha sacrificado ao pôr do sol, e morreu à mesma hora em que os fariseus matavam o seu cordeiro pascal.

O facto desta diversidade de interpretações bíblicas facilitou Jesus ter comido a refeição e ao mesmo tempo ter sido morto em vez do cordeiro pascal tradicional dos judeus, cumprindo-se assim em Jesus, de um modo inequivoco, o significado profético desses rituais judeus, que não são mais que sombras da realidade: Cristo.
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