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Autor Tópico: Espiritualidades: Focolares  (Lida 4278 vezes)
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« Responder #15 em: 26 de Dezembro de 2007, 21:04 »

Palavra de Vida - Mês de:

«É no amor que está o pleno cumprimento da lei»

         
     


Estas palavras concluem uma ampla secção da Carta aos Romanos, na qual S. Paulo nos apresenta a vida cristã como uma vida de amor para com os nossos irmãos e irmãs.

De facto, é este o novo culto espiritual que o cristão é chamado a oferecer a Deus, guiado pelo Espírito Santo (1), que primeiro o suscita no coração de cada um.

Resumindo o conteúdo desta secção, o Apóstolo afirma que o amor ao próximo nos faz cumprir a vontade de Deus, contida na Lei (isto é, nos mandamentos), de um modo pleno e perfeito.

O amor para com os nossos irmãos e irmãs é a maneira melhor e mais autêntica de demonstrarmos o nosso amor para com Deus.

«É no amor que está o pleno cumprimento da lei».


Mas em que consiste concretamente esta plenitude e perfeição Interrogação


Deduzimo-lo pelos versículos precedentes, nos quais o Apóstolo nos descreve as várias expressões e os efeitos deste amor. Antes de mais, o verdadeiro amor pelo próximo não lhe faz nenhum mal (2). Leva-nos, portanto, a viver todos os mandamentos de Deus, sem excluir nenhum (3), já que o primeiro objectivo dos mandamentos é fazer-nos evitar todas as formas de mal – em que poderíamos cair – para connosco mesmos e para com os nossos irmãos e irmãs. Além de não fazer nenhum mal, este amor impele-nos, ainda, a praticar todo o bem de que o próximo tem necessidade (4).

Esta Palavra leva-nos a ter um amor solidário e sensível às necessidades, expectativas, direitos legítimos dos nossos irmãos e irmãs; um amor que respeita a dignidade humana e cristã; um amor puro, compreensivo, capaz de partilhar, aberto a todos, como Jesus nos ensinou.

Não é possível termos este amor sem estarmos dispostos a sair do nosso individualismo e da nossa auto-suficiência.

Por isso, esta Palavra ajuda-nos a vencer todas aquelas tendências egoístas (soberba, avareza, luxúria, ambição, vaidade, etc.), que trazemos dentro de nós e que constituem o seu principal obstáculo (5).

«É no amor que está o pleno cumprimento da lei».

Como vamos então viver a Palavra de Vida, neste mês do Natal Interrogação


Tendo presentes as várias exigências do amor ao próximo a que ela nos chama. Em primeiro lugar, evitaremos fazer o mal ao próximo em todas as suas formas.

Dedicaremos uma atenção constante aos mandamentos de Deus que se referem à nossa vocação, à nossa actividade profissional, ao ambiente em que vivemos. A primeira condição para praticar o amor cristão é nunca ir contra os mandamentos de Deus. Além disso, prestaremos atenção àquilo que constitui a alma, o motivo, o objectivo de todos os mandamentos. Cada um deles, como vimos, quer levar-nos a um amor cada vez mais vigilante, cada vez mais delicado e respeitoso, cada vez mais concreto para com os nossos irmãos.

Ao mesmo tempo, desenvolveremos em nós um espírito de desprendimento de nós mesmos e venceremos os nossos egoísmos.

Esta é uma consequência de pôr em prática o amor cristão
.

Assim cumpriremos a vontade de Deus «plenamente». Demonstrar-Lhe-emos o nosso amor da forma que Lhe é mais agradável (6).

«É no amor que está o pleno cumprimento da lei».


Esta Palavra serviu de orientação a um advogado que trabalha no Ministério do Trabalho do seu país. Eis como ele conta a sua experiência:

«Um dia, apresentei ao proprietário de uma empresa a denúncia de que os operários não tinham sido pagos de acordo com a lei vigente.

Após catorze dias de buscas incessantes, encontrei os documentos que demonstravam as irregularidades cometidas. Pedi a Jesus a força para ser fiel às Suas palavras, que me pedem para respeitar a verdade e, ao mesmo tempo, para ser instrumento do Seu amor.

O proprietário, diante das provas, defendeu-se dizendo que certas leis lhe pareciam injustas. Fiz-lhe notar que os nossos erros não podem ser justificados pelas incoerências dos outros.

Seguiu-se uma longa conversa, através da qual descobri que tinha as mesmas exigências de justiça e igualdade que ele, mas que se tinha deixado envolver pelo ambiente.

Por fim, disse-me: “O senhor poderia ter-me humilhado e destruído, mas não o fez. Por isso, tenho o dever moral de agir de maneira diferente”.

Entretanto, ele tinha um compromisso urgente e não havia tempo para redigir o auto de infracção. Então, pegou numa folha em branco e assinou-a, dando-me a prova de que estava disposto a mudar imediatamente».


Chiara Lubich

1) Cf. Rm 12, 1;
2) cf. Rm 13, 10;
3) cf. Rm 13, 9;
4) cf. Rm 12, 6-8;
5) cf. Rm 12, 9-21;
6) cf. Rm 12, 2
            Palavra de Vida + Vida da Palavra (PDF)


« Última modificação: 26 de Dezembro de 2007, 21:08 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #16 em: 01 de Janeiro de 2008, 12:18 »

Palavra de Vida - Mês de:

«Orai sem cessar»

         
     


Este ano comemora-se o centenário da “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”. O “Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos” foi celebrado pela primeira vez de 18 a 25 de Janeiro de 1908. Sessenta anos mais tarde, em 1968, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos foi preparada conjuntamente pela Comissão Fé e Constituição (Conselho Ecuménico das Igrejas) e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica). Assim, desde então, é prática comum reunirem-se, todos os anos, cristãos católicos e cristãos de várias Igrejas, para preparar um pequeno livro com as sugestões para a celebração da Semana de Oração.

A Palavra, escolhida este ano por um grande grupo ecuménico dos Estados Unidos, foi tirada da Primeira Carta de S. Paulo aos cristãos de Tessalónica, na Grécia.

Esta era uma comunidade pequena, jovem, e S. Paulo sentia a necessidade de que se consolidasse, cada vez mais, a unidade entre os seus membros. Por isso, convidava-os a «conservarem a paz» entre eles, a serem «pacientes para com todos», a não retribuírem «o mal com o mal», mas a procurarem «sempre o bem uns dos outros e de todos», e também a orarem «sem cessar». Era como se quisesse sublinhar que a vida de unidade na comunidade cristã só é possível através de uma vida de oração. O próprio Jesus rezou ao Pai pela unidade dos seus discípulos: «Que todos sejam um só» (1).

«Orai sem cessar».

 Porquê “orar sempre”? Porque a oração é essencial à pessoa, enquanto ser humano. Fomos criados à imagem de Deus, como um “tu” de Deus, com a possibilidade de estar numa relação de comunhão com Ele. A relação de amizade, o colóquio espontâneo, simples e verdadeiro com Ele – e a oração é isto –, portanto, é constitutivo do nosso ser. Permite que nos tornemos pessoas autênticas, com toda a dignidade de filhos e filhas de Deus.

Criados como um “tu” de Deus, podemos viver em constante relação com Ele, deixando que o Espírito Santo encha de amor o nosso coração, e com a confidência que se tem com o próprio Pai: aquela confidência que leva a falarmos com Ele muitas vezes, a expor-Lhe todos os nossos problemas, os nossos pensamentos, os nossos projectos; aquela confidência que nos faz esperar com impaciência o momento dedicado à oração – repartido, durante o dia, noutros compromissos de trabalho, de família –, para nos pormos em contacto profundo com Aquele por Quem nos sentimos amados.

É preciso “orar sempre”, não só pelas nossas necessidades, mas também para que possamos colaborar na edificação do Corpo de Cristo e pela plena e visível comunhão dentro da Igreja de Cristo. Trata-se de um mistério que, de certo modo, podemos compreender se pensarmos nos vasos comunicantes.

Quando deitamos mais água num dos vasos, o nível do líquido eleva-se em todos eles. O mesmo acontece quando alguém reza. A oração é uma elevação da alma para Deus, para O adorar e Lhe agradecer. Por isso, de modo análogo, quando alguém se eleva, também os outros se elevam.

«Orai sem cessar».

 Como é que podemos “orar sem cessar”, especialmente quando nos encontramos imersos no turbilhão da vida quotidiana?

“Orar sempre” não significa multiplicar as orações, mas orientar a alma e a vida para Deus, viver a fazer a Sua vontade: estudar, trabalhar, sofrer, descansar e, até, morrer por Ele. E chegar ao ponto de já não conseguirmos viver, no dia a dia, sem nos pormos de acordo com Ele.

Assim, o nosso agir transforma-se numa acção sagrada e o dia inteiro torna-se uma oração.

Pode ser uma ajuda oferecermos a Deus cada acção que fizermos, acompanhando-a com um: «Por ti, Jesus». Ou, nas dificuldades: «O que é importante? O importante é  amar-Te». Assim podemos transformar tudo num acto de amor.

E a oração torna-se contínua, porque contínuo será o nosso amor.



Chiara Lubich


Palavra de Vida + Vida da Palavra (PDF)

2008:  centenário da “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (PDF)
« Última modificação: 01 de Janeiro de 2008, 12:21 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #17 em: 04 de Fevereiro de 2008, 19:00 »

Palavra de Vida - Mês de:

«Aquele que praticar
[estes preceitos]
e ensinar [aos homens],
 esse será grande no Reino do Céu» 
         
     


Rodeado pela multidão, Jesus subiu à montanha e proclamou o seu célebre sermão. As primeiras palavras – «Felizes os pobres em espírito, (...). Felizes os mansos…» – indicam imediatamente a novidade da mensagem que Ele veio trazer.

São palavras de vida, de luz, de esperança, com que Jesus ilumina os Seus discípulos, para que as suas vidas adquiram sabor e significado.

Transformados por esta grande mensagem, eles são convidados a levar a outros os ensinamentos que receberam, traduzidos em vida.

«Aquele que praticar [estes preceitos] e ensinar [aos homens], esse será grande no Reino do Céu».

 Hoje, mais do que nunca, a nossa sociedade precisa de conhecer as palavras do Evangelho e de se deixar transformar por elas. Jesus deve poder repetir ainda:

«Não vos irriteis com os vossos irmãos;
perdoai e sereis perdoados;
dizei sempre a verdade,
e assim não tereis necessidade de  jurar;
amai os vossos inimigos;
reconhecei que tendes um só Pai
e que sois todos irmãos e irmãs;
tudo aquilo que quereis que os homens vos façam,
 fazei-o vós também a eles».


É este o sentido de algumas das muitas palavras do “Sermão da Montanha”. Se fossem vividas, seriam suficientes para transformar o mundo.

Jesus convida-nos a anunciar o Seu Evangelho. Mas pede-nos para, antes de “ensinarmos” as Suas palavras, as “vivermos”. Se queremos que os outros acreditem em nós, temos que nos tornar “especialistas” do Evangelho, ser um “Evangelho vivo”. Só então o poderemos testemunhar com a vida e ensiná-lo com palavras.

«Aquele que praticar [estes preceitos] e ensinar [aos homens], esse será grande no Reino do Céu».

Qual o modo melhor para viver esta Palavra Interrogação
Fazer com que seja o próprio Jesus a ensinar-nos. Para isso, é preciso atrair a Sua presença em nós e entre nós, com o nosso amor recíproco.

Será Ele a sugerir-nos as palavras a dizer, quando falamos com as pessoas, a indicar-nos os caminhos, a abrir-nos a passagem para entrar no coração dos irmãos, para O testemunhar onde quer que nos encontremos, mesmo nos ambientes mais difíceis e nas situações mais complicadas. Vamos ver, então, o mundo – aquela pequena parte de mundo onde vivemos – transformar-se, converter-se à concórdia, à compreensão, à paz.

O importante é manter viva entre nós a Sua presença com o nosso amor recíproco. Ser dóceis em ouvir e seguir a Sua voz: a voz da consciência que nos fala constantemente se soubermos fazer calar as outras vozes.

Será Ele que nos vai ensinar a “pôr em prática”, com alegria e criatividade, até os “mínimos” preceitos, de modo a esculpir com perfeição a nossa vida de unidade. Que se possa dizer de nós aquilo que se dizia, naquela época, dos primeiros cristãos:

«Olha como eles se amam (...)
e como estão preparados a morrer uns pelos outros» (1).


Pelo modo como os nossos relacionamentos forem renovados pelo amor, os outros poderão verificar que o Evangelho pode realmente gerar uma sociedade nova.

Não podemos guardar para nós o tesouro que recebemos:

«Ai de mim, se eu não evangelizar!» (2),


é o que devemos repetir com S. Paulo. Se nos deixarmos guiar pela voz interior, poderemos sempre descobrir novas possibilidades de comunicar: falando, escrevendo, dialogando.

Que o Evangelho torne a brilhar, através das nossas pessoas, nas nossas casas, nas nossas cidades, nos nossos países. Florescerá uma vida nova também em nós; a alegria crescerá nos nossos corações. Daremos um testemunho maior do Ressuscitado… e, então, Ele considerar-nos-á “grandes no Seu Reino”.

Uma excelente demonstração disto é a vida da Ginetta Calliari. Ao chegar ao Brasil, em 1959, com o primeiro grupo dos Focolares, sofreu um grande choque ao deparar-se, bruscamente, com as graves desigualdades daquele país. Decidiu dedicar-se ao amor recíproco, vivendo com radicalidade as Palavras de Jesus. Dizia ela, com convicção: «Será Ele a abrir-nos o caminho».

Com o passar do tempo, juntamente com ela, desenvolveu-se e consolidou-se uma comunidade que, actualmente, é constituída por centenas de milhares de pessoas de todas as categorias e idades: moradores das favelas e pessoas pertencentes às classes abastadas, que se põem ao serviço dos mais pobres.

Assim, foi possível concretizar obras sociais que mudaram o rosto das favelas em diversas cidades. Um pequeno “povo” unido, que continua a mostrar que o Evangelho é verdadeiro. Foi este o dote que a Ginetta levou consigo quando partiu para o Céu.                             

Chiara Lubich

1) Tertuliano, Apologético, 39, 7 (Liv. Alcalá, Lisboa 2002, p. 463);
2) cf. 1 Cor 9, 16.


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« Responder #18 em: 02 de Março de 2008, 13:11 »

Palavra de Vida - Mês de:

«O Meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e consumar a Sua obra»
         
     


Aqui está uma maravilhosa Palavra de Jesus! De certo modo, todos os cristãos a podem repetir para si mesmos. É uma Palavra que, se for posta em prática, pode levar-nos bastante longe na Santa Viagem da vida.

Jesus, sentado na borda do poço de Jacob, na Samaria, estava a concluir o Seu diálogo com a samaritana. Os discípulos, quando voltaram da cidade vizinha – onde tinham ido comprar mantimentos –, ficaram admirados por ver o Mestre a falar com uma mulher. Mas nenhum Lhe perguntou porque é que estava a falar com ela.

Logo que a samaritana se afastou, insistiram com Ele para que comesse. Jesus, adivinhando os seus pensamentos, explicou-lhes a razão do Seu modo de proceder: «Eu tenho um alimento para comer, que vós não conheceis».

Os discípulos não compreenderam. Pensavam que se tratava do alimento material e interrogaram-se entre si se alguém, durante a sua ausência, teria dado de comer ao Mestre. Jesus, então, disse abertamente: 

«O Meu alimento é fazer a vontade d’Aquele
que Me enviou e consumar a Sua obra».
 

O alimento é uma coisa de que precisamos todos os dias, para nos mantermos vivos. Jesus não o nega. E aqui fala precisamente de alimento. Portanto, dessa necessidade natural. Mas fá-lo para afirmar a existência e a exigência de um outro alimento, de um alimento mais importante, de que Ele não pode prescindir.

Jesus desceu do Céu para fazer a vontade d’Aquele que O enviou e realizar a Sua obra. Não tem pensamentos nem projectos próprios, mas sim os do Seu Pai. As palavras que diz e as obras que realiza são as do Pai. Não faz a Sua vontade, mas a vontade d’Aquele que O enviou. Esta é a vida de Jesus. Ao realizar esta tarefa, Jesus sacia a Sua fome. Ao fazer assim, alimenta-se.

A plena adesão à vontade do Pai caracteriza toda a Sua vida, até à morte na cruz, onde concluirá verdadeiramente a obra que o Pai Lhe confiou.

«O Meu alimento é fazer a vontade d’Aquele
que Me enviou e consumar a Sua obra».


Jesus considera que fazer a vontade do Pai é o Seu alimento, porque, ao realizá-la, ao “assimilá-la”, ao “comê-la”, ao identificar-Se com ela, recebe a Vida através dela. E qual é a vontade do Pai, a Sua obra, que Jesus deve realizar completamenteInterrogação É dar a salvação à Humanidade, dar-lhe a Vida que não morre.

Jesus – com o Seu diálogo e com o Seu amor – comunicou uma semente desta Vida, pouco antes, à samaritana. De facto, em breve os discípulos iriam ver essa Vida germinar e expandir-se, porque a samaritana comunicou logo a outros samaritanos a riqueza que descobriu e recebeu: «Vinde ver um homem (…). Não será Ele o Messias?» (Jo 4, 29).

E Jesus, ao falar com a samaritana, revela o plano de Deus, que é Pai: que todos os homens recebam o dom da Sua vida. É esta a obra que Jesus tem urgência em realizar, para a confiar depois aos Seus discípulos, à Igreja. 

«O Meu alimento é fazer a vontade d’Aquele
que Me enviou e consumar a Sua obra».

 Poderemos também nós viver esta Palavra tão típica de Jesus, a ponto de espelharmos, de um modo muito especial, o Seu ser, a Sua missão, o Seu zelo Interrogação Sem dúvida Excalmação

Será necessário vivermos também nós como filhos do Pai, que somos, pela Vida que Cristo nos comunicou, e alimentarmos assim a nossa vida com a Sua vontade. Podemos fazê-lo realizando, momento após momento, aquilo que Ele quer de nós. E realizá-lo de modo perfeito, como se não tivéssemos mais nada a fazer. De facto, Deus não quer mais do que isto.

Alimentemo-nos, então, com aquilo que Deus quer de nós em cada momento presente. Experimentaremos que, agindo deste modo, ficamos saciados: temos paz, alegria, felicidade, temos uma antecipação – e não é exagerado dizê-lo – das bem-aventuranças, da suprema felicidade. Também nós, juntamente com Jesus, poderemos contribuir para consumar a obra do Pai. Será este o melhor modo para vivermos a Páscoa.
                          
Chiara Lubich
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« Responder #19 em: 15 de Março de 2008, 16:40 »

El arte de amar  - Pensamentos de Chiara Lubich
Último adeus a Chiara Lubich 
Terça-feira, 18 de Março,
às 15.00 h (hora de Roma)


               “Tive conhecimento, com profunda comoção, da notícia da   morte de Chiara, após uma longa e fecunda vida incansavelmente assinalada pelo seu amor a Jesus abandonado”.

          É assim que começa o telegrama com a assinatura do Papa Bento XVI que chegou esta manhã à casa de Chiara. “Nesta hora de dolorosa separação”, o Santo Padre assegura a sua proximidade espiritual “com afecto”, “aos familiares e a toda a Obra de Maria-Movimento dos Focolares a que ela deu início, assim como a todos aqueles que apreciaram o seu empenho constante pela comunhão na Igreja, pelo diálogo ecuménico e pela fraternidade entre todos os povos”. O Papa agradece ao Senhor “pelo testemunho da sua existência completamente dedicada às necessidades do homem contemporâneo, na plena fidelidade à Igreja e ao Papa”.

          Bento XVI exprime o desejo que, “todos aqueles que a conheceram e encontraram, contemplando as maravilhas que Deus realizou através do seu ardor missionário, sigam os seus passos mantendo vivo o carisma”.

          O Papa conclui invocando “a materna intercepção de Maria” e dando “a todos” a sua bênção apostólica.

Uma biografia


          O último adeus a Chiara Lubich terá lugar na próxima Terça-feira, dia 18 de Março, às 15.00 h (hora de Roma) na Basílica romana de S. Paulo Fora de Muros.

          A cerimónia será presidida pelo cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone. Será transmitido em directo, via Internet e via satélite.

          Durante toda a manhã houve um contínuo fluxo de visitas à sua casa. A câmara ardente será preparada esta tarde, a partir das 16.00h (hora de Roma) até
amanhã à noite, no Centro Internacional do Movimento dos Focolares em Rocca di Papa (via Frascati 306). Será sepultada na Capela do Centro Internacional do Movimento em Rocca di Papa.

          Em Trento, o Presidente da Câmara Alberto Pacher proclamou dia de luto na cidade.


Nada do que é feito por amor é pequeno
Chiara Lubich

   
"Ninguém sabia como se desenvolveria esta obra: as circunstâncias que foram surgindo,
aos poucos, o revelaram.

Até mesmo a estrutura do movimento, mais do que sugerida por idéias humanas, foi inspirada por um carisma, ou seja, por um dom de Deus".

 Rosa As origens, contadas por Chiara Lubich
 Rosa Obras de Chiara Lubich publicadas em português



1991 – UM ANO HISTÓRICO

         A vida dos Movimentos de espiritualidade, que no decorrer dos séculos surgiram no seio da Igreja, sempre foi marcada por importantes datas, assinalando manifestações especiais do Espírito. Estas manifestações podem ser iluminações oferecidas ao fundador em vista do nascimento de uma Obra a ele confiada ou de seu desenvolvimento posterior; pode ser o momento da aprovação dos estatutos desta Obras por parte do Magistério da Igreja; ou ainda, podem ser fortes intuições e impulsos visando à concretização de projetos que parecem transcender as previsões e possibilidades humanas; ou até mesmo extraordinárias intervenções da Providência.

         Também a história do Movimento dos Focolares é cadenciada por etapas fundamentais. A última delas data de 1991, ano que será lembrado como o "ano da economia de comunhão".

         Economia de comunhão: trata-se de uma idéia e de um programa de ação amadurecidos no coração da fundadora do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich, e por ela lançados por ocasião de sua visita às comunidades do Movimento no Brasil, em maio de 1991. Tal novidade logo encontrou grande ressonância junto às outras comunidades do Movimento espalhado por todos os países do mundo, novidade acolhida com grande entusiasmo.

         É compreensível que a economia de comunhão tenha nascido do encontro com a comunidade brasileira, a qual desabrochou no seio de um país onde se sofre de maneira dramática a desigualdade social entre poucos muito ricos e milhões muito pobres. Também o fato de este projeto ter sido acolhido com interesse e imediata participação em todas as outras regiões do mundo – mesmo nos lugares onde os desníveis não são tão acentuados -, explica-se pela sua íntima coerência com o carisma do qual a Obra de Maria recebe vida, inspiração e impulso. Pois trata-se de um carisma que, estando plenamente inserido dentro da mensagem cristã, conduz ao aprofundamento e à vivência desta mensagem a partir de uma determinada perspectiva, a unidade. Sem dúvida, um carisma que envolve o ser humano todo e o ajuda a estabelecer um relacionamento de unidade, de filiação com Deus e de fraternidade com os homens, até traduzir-se em gestos concretos sob todos os aspectos da vida, inclusive o econômico, que, se é verdade que é necessário respeitar a liberdade da pessoa, deve ao mesmo tempo ser um reflexo de "comunhão", uma realidade típica da espiritualidade evangélica que anima a do Movimento dos Focolares.

         Como lembrou Chiara em seus pronunciamentos no Brasil, a vida da Obra de Maria* e de seus membros distinguiu-se, desde o início, por uma experiência toda particular e original: trata-se da prática da comunhão de bens, aliada a um elevado conceito do trabalho humano.

         Trabalho este considerado "constitutivo do homem", porque através dele "seguimos o plano que Deus tem para nós" – motivo pelo qual "devemos procurar executá-lo do modo mais perfeito possível", com o "despreendimento" de quem não coloca a atividade do trabalho (o sucesso, o ganho, o poder que daí podem derivar) no lugar de Deus (Lubich, 1985, p. 12).

         Uma comunhão de bens que procura se espelhar da melhor maneira possível na comunhão vivida pelos primeiros cristãos, de quem está escrito, "eram um só coração e uma só alma" e "tinham tudo em comum..." e por isso "não existia necessitado algum entre eles" (cf. At 2,42-45; 4,32-35).

         Chiara mesmo viveu esta comunhão de bens, em primeiro lugar, juntamente com as suas jovens companheiras e com as quinhentas pessoas que, logo nos primeiros meses, aderiram às propostas do Movimento nascente. É a própria Chiara quem explica: "era uma comunhão completa, no sentido de que também quem se encontrava na indigência colocava em comum as próprias necessidades".

         Uma comunhão de bens que, no entanto, não se limitava aos membros do Movimento, mas era do mesmo modo vivida nas ruas de Trento entre as ruínas da guerra, sobretudo nos bairros mais atingidos como o Androne, S. Martino, Laste..., período em que a cidade se encontrava completamente devastada e as pessoas na miséria.

         Num pequeno apartamento recolhiam-se víveres e medicamentos, de onde depois tudo era distribuído. Desse modo vivia-se uma dimensão do Evangelho que readquiria uma vitalidade inesperada em pleno século XX. Era um ato pequeno, mas ao mesmo tempo de grande valor humano e cristão, pois levavam alívio aos famintos, aos sem-teto, aos que não tinham com que se vestir, aos doentes, mutilado, encarcerados. E, ao realizar este trabalho, a primeira comunidade do Movimento tinha como objetivo resolver o problema social da cidade de Trento, pois Trento era todo o "seu mundo" naquela época (cf. documentário-entrevista Por uma economia de comunhão. Gravado em Rocca di Papa [Roma], novembro de 1991).

         Portanto, já desde aquela época, não se tratava de uma comunhão de bens direcionada apenas a obras caritativas, assistenciais, para aliviar alguma pessoa. Existia uma viva atenção à situação social e o esforço em contribuir para resolvê-la

PONTO DE PARTIDA E FUNDAMENTO

         Esta prática da autêntica comunhão de bens entre os membros mais internos do Movimento e, depois, da ajuda concreta a quem quer que dele se aproximasse, primeiro iniciada em Trento e depois difundida, aos poucos, em todo o Movimento no mundo inteiro, constitui hoje o ponto de partida e o fundamento do "Projeto Brasil".

         Assim também deve ser considerado ponto de partida e fundamento, em escala mais vasta, o compromisso, em todos os aspectos sociais expresso de modo especial pelos Movimentos de amplo alcance nascidos no decorrer dos anos no seio da Obra de Maria: Humanidade Nova, Jovens por um Mundo Unido, Famílias Novas, Movimento Paroquial e Movimento Juvenil pela Unidade. Compromisso que se concretizou em iniciativas, ações, obras e "operações" internacionais, desenvolvidas nos contextos sociais mais variados em resposta às exigências mais urgentes. Sobretudo na ajuda aos mais pobres, aos marginalizados, aos subdesenvolvidos, aos habitantes dos barracos das Filipinas, aos favelados brasileiros, das àreas empobrecidas do Sul do mundo às periferias sofridas das grandes metrópoles do Norte industrializado. Ou em ocasiões de calamidades naturais, ou ainda em auxílio a regiões inteiras do mundo, como o Sahel e os países da Europa Oriental, com dificuldades específicas.

         A força de unir e de envolver que está contida no Evangelho sempre se expressou e ainda se expressa, no Movimento, através da comunhão: comunhão espiritual e comunhão de bens materiais, comunhão de propósitos, de tempo, de capacidades. Tudo num intercâmbio construtivo e fraterno de culturas, tradições, técnicas diversificadas – até mesmo opostas -, intercâmbio do qual veio à luz uma contribuição peculiar e insubstituível de indivíduos e grupos e onde o paternalismo, o sentido de superioridade ou de inferioridade saíram derrotados.

         Deste modo, a espiritualidade da unidade foi se expressando e se encarnando num empenho pela comunhão de bens, seja ela local ou planetária, e numa cultura da disponibilidade e da solidariedade, no exercício da partilha e da busca comum para encontrar – no limite do possível – respostas às exigências setoriais imediatas, como também aos problemas de grande amplitude socioeconômica.

         E é exatamente sobre este fundamento que se insere o discurso de Chiara Lubich, definido por muitos como uma "bomba" (uma explosão) detonada no lugar e momento mais oportunos.

         O Movimento estava preparado, depois de quarenta anos de experiência também neste campo específico, para acolher a mensagem e extrair dela um novo impulso e uma orientação mais precisa.

A REALIDADE SOCIAL DO BRASIL COMO MOTIVO INICIAL DE INSPIRAÇÃO

         A realidade social brasileira nos seus profundos contrastes – já conhecidos de Chiara em diversas viagens que ela fez ao País na década de 60 – saltou-lhe novamente aos olhos, numa dramática síntese, enquanto, logo ao chegar, atravessava a megalópole de São Paulo e seus subúrbios. Em seguida, durante os primeiros dias de sua permanência no País, esta realidade foi se desvendando sempre mais, interpelando Chiara com uma força notável, sugerindo-lhe reflexões que ela comunicava pouco a pouco a seus colaboradores, e impulsionando-a a convidá-los, antes de mais nada, a um amor mais vigilante pelos outros e a uma oração confiante, "de filhos", ao Pai. Escrevia:

         Aqui existe carência sobretudo de amor verdadeiro e autêntico, especialmente se pensarmos na "coroa de espinhos" (como o cardeal de São Paulo, D. Evaristo Arns, fala do cinturão de pobreza e miséria da periferia), coroa que circunda a cidade repleta de grandes arranha-céus. É o grande problema destas terras em via de desenvolvimento, um dos maiores problemas do nosso Planeta, pelo qual nós poderemos fazer sempre muito pouco. Mas Deus Pai pode cuidar da solução. E também pela nossa fé de filhos seus [...]Deus tudo pode. Devemos Ter esperança e precisamos rezar: é sobretudo esta a nossa caridade, em vista deste objetivo [...]. Em 1900 São Paulo era uma cidade pequena. Agora é uma floresta de arranha-céus. É grande o poder do capital nas mãos de alguns e tamanha é a exploração dos outros. E pergunto: mas por que este poderio todo não se orienta para a solução dos imensos problemas do Brasil? Porque falta o amor ao irmão; o que domina é o interesse, o egoísmo... Que caricatura é o mundo sem Jesus! (Diário, 15.5.1991).

E continuava:

         ... toda a Obra deve dar um salto de qualidade no campo de sua expressão social [...] nós temos um potencial neste campo expresso através de obras, ações, da presença de "homens novos", educados a viver para os outros; temos células de ambiente. Mas tudo é sempre pouco diante das necessidades do mundo e do próprio Movimento. É preciso que nasça algo muito maior e mais global (Lubich, 1991b).

         Porém, era necessário que houvesse ocasião para um salto de qualidade, um poderoso sinal o qual Chiara definirá em seguida

         O "coração" da minha permanência no Brasil [...] que a meu ver o Senhor, o Espírito Santo, fez amadurecer em mim, nos meus colaboradores mais diretos, nos responsáveis pelas várias regiões do Brasil (Lubich, 1991a).

OUTROS MOTIVOS

         Todavia houve ainda outros motivos que deram origem à sua nova idéia e ao novo programa, além do contato com a realidade brasileira: a lembrança, antes de tudo, de um episódio acontecido muitos anos atrás e uma reflexão sobre a encíclica Centesimus annus.

         A lembrança: Voltando no tempo trinta anos, o retorno a um fato que acontecera em Einsiedeln, cidadezinha na Suiça, famosa por seu grande santuário mariano numa abadia beneditina. Conta Chiara:

         Um dia, estávamos olhando do alto de uma colina, sob um sol luminoso, a imponente construção da abadia tendo ao centro uma belíssima igreja onde os monges rezam, o conjunto de casas à direita e à esquerda da igreja onde eles moram e estudam, a escola, os terreno que circundam, onde trabalham e criam animais. E de fato víamos realizado ali naquele lugar o ideal de são Bento, do "ora et labora" ("reza e trabalha"). Sentimos uma grande admiração pelos santos fundadores, como são Bento, que depois de tantos séculos permanecem ainda vivos em suas realizações.

         Diante daquele esplêndido panorama, desabrochou nos nossos corações uma outra imagem que nos parecia mostrar uma vontade de Deus para o nosso Movimento: imaginávamos uma "cidadezinha" moderna de verdade, com casas, escolas, mas também com indústrias, empresas, aonde se pudesse dar testemunha de como seria o mundo se todos vivessem o amor evangélico. Foi uma intuição muito forte ... Alguns anos depois, em Loppiano, surgia a primeira de nossas "cidadezinhas"; e em seguida, aos poucos, em vários países foram nascendo todas as outras (ibid.).

         Entre estas "cidadezinhas" (que já somam quinze no mundo) encontra-se também Araceli, o lugar da permanência de Chiara no Brasil. Está situada num planalto a cerca de oitocentos metros de altitude, nos arredores de São Paulo, e recebe este nome por causa de uma focolarina espanhola falecida há alguns anos. Esta "cidadezinha" foi se desenvolvendo ao redor de um pequeno núcleo de casas com escolas de formação, locais de trabalhos, alguns focolares*, a redação da revista Cidade Nova, casas onde residem várias famílias vindas de outras localidades do Brasil e que para lá se transferiram, além de um amplo Centro Mariápolis para encontros. É um ponto de referência para muitos que, nesta convivência baseada na mensagem da unidade, encontram esperança e estímulo para uma renovação espiritual e compromisso com uma vida mais coerente.

         Portanto, temos esta lembrança histórica, mas que é também a atualidade, de uma semente que já brotou no difícil contexto da situação do Brasil, bem como em muitos outros países do mundo.

         Em seguida, a reflexão sobre a encíclica Centesimus annus:

         Uma encíclica maravilhosa, radiografia perfeita de toda a situação econômica, social e política do mundo de hoje; a reafirmação da Doutrina Social da Igreja de que são lícitas: a propriedade privada, a livre iniciativa, a livre associação; mas que também com veemência convida todos à solidariedade, chegando até à hipótese de uma economia mundial [...] um sonho, mas também uma esperança.

A IDÉIA, O PROJETO

         Araceli, 29 de maio de 1991. Chiara fala aos habitantes da "cidadezinha":

 

         Nestes dias tivemos a oportunidade de considerar todo o aspecto social contido no nosso carisma. É um carisma que, sem dúvida, possui muitas finalidades: por exemplo, conduz para a santidade, conduz a uma nova evangelização, ao ecumenismo, à construção da paz [...] mas também contribui para resolver o problema social [...], pois põe em evidência uma realidade socioeconômica: a comunhão de bens. E não faz apenas com que se sinta a sua necessidade, mas que há quarenta e sete anos, ela se concretize de várias formas no Movimento. Os membros mais próximos vivem-na efetivamente de acordo com a sua inserção específica dentro da Obra. No coração do Movimento, temos os focolarinos, que colocam em comum tudo o que possuem e também o fruto do seu trabalho mês após mês. Da mesma forma os focolarinos casados, os voluntários, os gen, etc., a concretizam a seu modo, mas sempre de forma radical e livre. E assim também, de diferentes maneiras todos os outros.

         A comunhão de bens é uma prática à qual damos uma especial atenção e, diria mais, é um elemento novo. De fato, todo carisma que surge na Igreja traz consigo uma novidade já implícita nas Sagradas Escrituras e no constante ensinamento da Igreja, que no entanto o Espírito Santo ilumina e explicita no tempo oportuno. Nós já dissemos como a comunhão de bens para o cristão é algo intrínseco à sua vida [...]. Se todos a viverem, as desigualdades sociais, os pobres, os famintos, os explorados... não existirão mais.

         De nossa parte, no decorrer destes anos, esta experiência foi enriquecida por todas aquelas contribuições que a Doutrina Social da Igreja nos ofereceu, sobretudo através das encíclicas sociais.

         E agora nasce aqui em Araceli uma idéia: Deus chama o nosso Movimento no Brasil – que conta com aproximadamente duzentas mil pessoas, incluindo os simpatizantes – a realizar uma comunhão de bens muito mais ampla, que envolva todo o Movimento no seu conjunto.

         Poderíamos começar a ver isto realizado nas nossas "cidadezinhas", a partir de Araceli. Sob o impulso da comunhão de bens, deveriam surgir aqui indústrias, empresas, administradas sobretudo pelos membros tipicamente leigos do Movimento: os focolarinos casados e os voluntários, que foram definidos como "os primeiros cristãos do século XX". Estes vários tipos de empresas seriam sustentadas por pessoas de todo o Brasil; deveriam nascer sociedades empresariais onde cada um tivesse a possibilidade de participar, ainda que modestamente mas de forma muito difundida. A gestão de tais empresas seria confiada a pessoas capazes e competentes, em condições de fazê-las funcionar com a máxima eficiência e lucratividade.

         E aqui está a novidade – salienta Chiara -: este lucro seria colocado em comum.

         Deveria nascer assim uma economia de comunhão da qual esta "cidadezinha" seria um modelo, uma cidade-piloto. Também nós achamos que, sem dúvida, deva existir um capital, mas queremos que o lucro seja colocado em comum livremente. Com quais finalidades? As mesmas das primeiras comunidades cristãs: ajudar o que estão em necessidade, dando-lhes condições de vida e possibilidades de um emprego [...]. Depois, naturalmente, incrementar a própria empresa. E por fim, desenvolver as estruturas desta pequena cidade visando a formação de "homens novos", cuja vida seria motivada pelo amor cristão, porque sem "homens novos" não se faz uma sociedade nova...

         Comecemos por esta "cidadezinha" brasileira para partirmos de um ponto do mundo onde os problemas sociais são particularmente dramáticos, mas onde também o esforço para enfrentá-los é mais intenso. Sabemos que depois o exemplo arrasta....

UM PASSO À FRENTE

         Este é o núcleo central do pronunciamento de Chiara, formulado na espontaneidade do relacionamento direto com as pessoas, e esta é a sua novidade, o salto de qualidade em relação à experiência vivida até então pelo Movimento: a passagem da comunhão de bens para a economia de comunhão. A comunhão de bens é reafirmada e reativada com empenho. Contudo, a economia de comunhão é um passo à frente, pois diz respeito ao uso ativo dos bens: as pessoas não se limitam a uma doação mas colocam os bens em circulação no corpo social, para que estes, por sua vez, produzam outros bens. Trata-se, portanto, de uma economia como expressão da vida de unidade, que se traduz também em relações econômicas renovadas entre "homens novos" que redescobrem a fraternidade universal, na comum filiação divina. Trata-se de uma reviravolta que coloca os talentos, a capacidade empresarial e o profissionalismo a serviço do bem comum; naturalmente sempre dentro de um absoluto respeito à liberdade. O projeto só se realizará à medida que amadurecer na livre consciência de cada um.

         A economia de comunhão atinge diretamente a atividade de trabalho e a estrutura básica da economia moderna: a empresa. Esta é orientada a colocar em comum seus recursos e se revitaliza, pois deve cada vez mais ser composta por pessoas capazes de usar as categorias da solidariedade, especialmente em relação aos mais pobres. A empresa se abre para o âmbito externo como elemento propulsor da sociedade em direção a uma economia que esteja a serviço da comunidade. Esta economia de comunhão, à medida que o Movimento conseguir concretizá-la, contribuirá para a realização do grande projeto das "cidadezinhas" que – poderão adquirir a fisionomia e a função de autênticos modelos de sociedade renovada pelo Evangelho, assim como forma vislumbradas trinta anos atrás.

         Além do mais, o projeto aspira eliminar, quanto possível, a pobreza entre os membros do Movimento, aceitando o desafio de resolver não apenas os problemas individuais de cada um, mas o problema em si. Ajudar quem passa necessidade na comunidade, mas tendo em vista inseri-lo no ciclo produtivo e torná-lo auto-suficiente, em sua plena dignidade de pessoa.

         Nesta novidade encontra-se, a nosso ver, uma resposta embrionária à grande exigência de integrar o direito à propriedade privada, à iniciativa, à atividade pessoal, com a destinação universal dos bens e com a produção econômica, posta em ação como o objetivo de gerar recursos destinados ao bem de todos.

O PROJETO SE PROPAGA

         Chiara tinha em mente, ao menos no início, limitar esta experiência ao âmbito de Araceli e de Brasil, mas ao mesmo tempo, exatamente porque "o exemplo arrasta", dava-se conta de que esta realização, embora local e pequena, teria tido logo uma ressonância e uma influência muito mais vastas. De fato, exatamente alguns dias depois do seu anúncio no Brasil, num congresso internacional de Humanidade Nova – realizado em Roma com representantes do mundo da economia e do trabalho, provenientes de vários países – esta idéia foi acolhida e lançada em todo o Movimento. O resultado foi um efusivo número de ofertas, iniciativas, projetos, segundo estas primeiras indicações vindas do Brasil.

         Em seguida, ainda na Mariápolis Araceli, Chiara voltou mais de uma vez a falar sobre este projeto do qual, percebeu ela, poderia nascer "uma doutrina social de comunhão na liberdade". Doutrina cuja elaboração ela confiou, de modo especial, aos jovens, ao mesmo tempo que convidou para sua concretização imediata o Movimento Humanidade Nova, os voluntários – que são os seus primeiros animadores – e as famílias – às quais recomendou considerarem como próprios estes compromisso no campo social e esta novidade da economia de comunhão, tornando-se seus porta-vozes entre outras famílias e transmitindo-a, desde já, às novas gerações para que cresçam com esta mentalidade.

         Ainda em um posterior encontro com os responsáveis pelo Movimento Famílias Novas, recomendou que "cada família fosse vista não só como uma pequena Igreja, mas também como uma escola onde se formam "homens novos".

         Encorajada pela aceitação constatada no Brasil, pela ressonância e pelos inúmeros empenhos concretos provenientes de todas as partes do mundo, Chiara insistiu em lançar essa idéia também depois do seu retorno à Europa. Em todas as suas palestras e entrevistas, nos encontros do Movimento na Polônia – onde em agosto daquele ano encontrou os membros da Europa Oriental e Ocidental reunidos em Katowice -, e nos meses seguintes, em Rocca di Papa (Roma), retornou ao assunto aprofundando-o cada vez mais e indicando suas ulteriores possibilidades e perspectivas.

         O "Projeto Araceli" estendeu-se assim às "cidadezinhas" já existentes ou em fundação nos vários países: todas destinadas a acolher as novas empresas ou a ser o centro das empresas "coligadas". Nos vários países procura-se fazer com que confluam na própria "cidadezinha" as melhores energias em termos de capacidade, tempo e disponibilidade, promovendo-se uma permuta entre as "cidadezinhas" de nações pobres e nações ricas, entre as regiões mais e as menos desenvolvidas, para que se viva a nova dimensão da comunhão em nível internacional.

         No contato e no intercâmbio com a base do Movimento e com seus colaboradores mais diretos, Chiara foi evidenciando sempre mais a vastidão potencial do projeto. A aprovação por parte dos bispos, que hoje são freqüentemente chamados, nos seus trabalhos pastorais, a enfrentar gravíssimos problemas sociais, e a aceitação encontrada entre sociólogos, antropólogos e estudiosos de economia, fortaleceram-na e convenceram-na de que desta idéia – se for concretizada, como já está sendo em realizações de vários níveis – pode realmente brotar uma contribuição específica do Movimento para a solução dos problemas da economia, cujas dimensões são hoje planetárias.

         Por ora o projeto está fermentando a partir de dentro no vasto Movimento dos Focolares em todos os seus setores.

A ESPERANÇA

         Mas – como já foi dito – este projeto nascido antes de tudo para resolver o problema social dentro das fronteiras do Movimento, onde – como na primeira comunidade de Trento na época da guerra – "não devem nem podem existir pobres", terá a nosso ver plena adesão também fora do seu âmbito. Esta idéia poderá persuadir muitas pessoas. Desmoronou uma ideologia que fundamentava a ordem econômica num coletivismo imposto ao homem, reduzido a produtor e visto somente sob a dimensão econômica; mas não está menos em crise o sistema fundamentado num desumano individualismo e num homem reduzido a mero consumidor. De fato, espera-se por algo que resolva os problemas sociais e econômicos e que seja impulsionado pelo que existe de mais verdadeiro e autêntico no homem.

         Esta nova perspectiva, esta esperança é expressa por Chiara no final do documento-entrevista Pôr uma economia de comunhão, gravado em novembro de 1991:

         Ao contrário da economia consumista, baseada na cultura do Ter, a economia de comunhão é a economia do dar. Isto pode parecer difícil, árduo, heróico. Mas não é assim, porque o homem, feito à imagem de Deus, que é Amor, encontra a própria realização justamente no amor, na doação. Esta exigência está no mais profundo do seu ser, tenha ele fé em Deus ou não. É justamente nesta constatação, comprovada pela nossa experiência, que está a esperança de uma difusão universal da economia de comunhão

 Rosa Discurso de Chiara Lubich aos políticos e empresários

 Rosa O espírito de fraternidade na política como chave da unidade da Europa e do mundo



RECORDANDO AINDA A ACÇÂO DE CHIARA...


O AMOR UNE

Evangelização - Diálogo interreligioso


Uma viagem de Chiara Lubich à Índia
promove notáveis avanços no diálogo inter-religioso

Na Índia, ferida atualmente por uma onda de violência por parte de extremistas hindus contra cristãos e muçulmanos e, ao mesmo tempo, marcada por uma profunda espiritualidade, que se percebe no ar, aconteceu, no mês de janeiro, uma série de momentos muito significativos no âmbito do diálogo inter-religioso. Foi o encontro de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, com personalidades representativas do hinduísmo.

O compromisso de Chiara Lubich e do Movimento dos Focolares no diálogo inter-religioso iniciou nos anos Setenta e desenvolveu-se com as grandes religiões, sobretudo o judaísmo, o islã e o budismo; com essa viagem, abriu-se agora mais para o mundo hindu. O objetivo é trabalhar para que o pluralismo religioso possa perder sempre mais seu caráter negativo como causa de divisões e de guerras, para adquirir o aspecto positivo: contribuir para recompor a unidade da família humana, conforme o plano de Deus sobre a humanidade.


Encontro de corações

O estilo deste diálogo é sobretudo em nível da vida. "É um encontro de corações. Estamos unindo as mãos para construir um mundo de paz": com estas palavras, Vinu Aram, em nome da Shanti Ashram e do Movimento Sarvodaya, de inspiração gandhiana, acolheu Chiara em Coimbatore, no sul da Índia. Vinu Aram é um dos membros que preside a Conferência Mundial das religiões pela Paz (W.C.R.P.) e filha do falecido dr.Aram, senador vitalício e seguidor de Gandhi.. Em Coimbatore, diante de mais de 500 pessoas, entre as quais alguns antigos companheiros de Gandhi, Chiara recebeu o prêmio "Defensor da paz", com a motivação: "Chiara Lubich, utilizando a mais potente força humana do amor e uma fé forte na unidade de todo o gênero humano mostrada pelos ensinamentos de Jesus Cristo, foi escolhida pela sua missão incansável de lançar as sementes de paz e o amor entre todos os povos".

Chiara, em um discurso enriquecido de citações da tradição hindu, apresentou a experiência da sua vida, marcada pela procura constante da unidade. E concluiu: "Estávamos convencidos de que onde havia uma sinagoga, uma mesquita, um templo, ali era nosso lugar. Estávamos e estamos convencidos de ser chamados a contribuir na construção da fraternidade universal com todos eles".

As reações foram de total adesão. Entre muitos, um professor de cultura hindu na universidade de Bombaim, afirmou: "Estou realmente contente, cheio de alegria. Reforcei minha fé. Enquanto pessoas como Chiara e seus amigos trabalharem pela paz, a terra será um lugar pleno de paz. Todas as religiões devem avançar juntas, porque todas procuram a verdade. E a verdade não é senão amor e paz, aquilo que nos diz Chiara".

Em Coimbatore estava presente a professora Kala Acharya, diretora do instituto universitário de cultura e pesquisa na universidade Somaiya, em Bombaim. Ela convidou Chiara para sua universidade, porque "é muito importante o sentido que você dá ao amor", lhe dizia. A fundadora do Movimento dos Focolares encontrou-se com cerca de 600 alunos e professores, representantes de várias religiões, falando de "uma espiritualidade pela fraternidade universal". Surendra Nathan, advogado e professor universitário, expressou a impressão dos presentes: "Ela resumiu o pensamento global deste país, elaborado em muitos séculos. Nós acreditamos na unidade e na diversidade das religiões e das culturas, mas o conceito, que será a base de tudo, é a unidade e a fraternidade universal. Chiara Lubich colocou, muito claramente, em evidência as idéias que já temos nesta nação. Isso será muito apreciado pelas massas desse país".

Antes disso, Chiara tinha se encontrado com a Conferência episcopal da Índia, em Calcutá, falando sobre os leigos e evidenciando a experiência de diálogo inter-religioso do Movimento dos Focolares. "Não são palavras, mas teologia vivida", comentou dom Patrick Nair de Meerut. "Isso explica o impacto especialmente sobre os não-cristãos, porque o amor é a coisa mais importante, sobretudo num país como o nosso em que há muitas diversidades".

Em todos esses contatos, nasceu o desejo de continuar o diálogo entre cristãos e hindus: foram programados encontros de espiritualidade, colaboração acadêmica e ações de solidariedade em comum.


Por ocasião de sua viagem à Índia, Chiara Lubich deu uma entrevista à Rádio Vaticana. Reproduzimos alguns trechos.

Rádio.: O que significa dialogar?

Chiara.: Dialogar significa, antes de mais nada, colocar-se no mesmo nível: não se considerar melhor que os outros. Podemos dialogar com qualquer pessoa, também com o menor, com o mais miserável... E significa também escutar o que o outro tem no coração: abrir-se totalmente. Significa deixar de lado todos os nossos pensamentos, os afetos do coração, os apegos... Deixar de lado tudo para poder entrar no outro. Depois, naturalmente, pedir também ao outro que nos escute. Percebem-se assim aqueles elementos comuns que temos e, no caso do diálogo que levamos para frente, colocar-se de acordo para vivê-los juntos. Esse diálogo realiza a fraternidade universal, para a qual queremos agir. É possível juntar-se também com as pessoas mais distantes, mais diferentes.

Rádio.: O que o diálogo acrescenta à Igreja católica?

Chiara.: O diálogo com as outras religiões abre cada vez mais a Igreja - escute! - àquela outra parte de si mesma que está fora dela! Porque são Tomás disse que a Igreja não deve ser medida somente considerando o número dos católicos, mas, sendo que Jesus Cristo morreu por todos os homens, deve ser medida olhando o número de todos aqueles pelos quais ele morreu, isto é, a humanidade inteira. Portanto, de certa maneira, a Igreja está também "fora dela mesma" Com o diálogo, abre-se àquilo de "si mesma que está fora dela" e que está presente nas sementes do Verbo. E Jesus Cristo, Verbo encarnado, é "nosso". Devemos, portanto, considerar essas sementes como "nossas".
Costanzo Donegana

"Somente quem passa
pelo gelo da dor
chega à inocência do amor."



"Falemos sempre
 de qualquer pessoa
como se ela
estivesse presente"
       

Saudade do Paraíso

         Às vezes apodera-se de nós uma saudade de Paraíso. Às vezes sentimos o peso desta vida na terra e da espera.

         Mas imediatamente Alguém nos chama interiormente a recolhermo-nos a sós com o Eterno e nos consola, nos estimula a continuar a vida assim até quando Ele quiser.

         São momentos em que nos sentimos como uma criança abraçada e estreitada nos braços da mãe, onde já não nos falta mais nada. E naquele conforto recebemos novo alento e sentimos que não está certo, e que nem sequer é justo ir já gozar eternamente daquilo que a bondade de Deus nos preparou. Uma eternidade bem-aventurada deve ser merecida. E, como as flores com o sol da Primavera, reflorescem propósitos verdadeiros de heroísmo quotidiano, decisões cristãs de viver bem, até à perfeição, os dias que nos restam. E procuramos e voltamos a procurar na alma os melhores pensamentos que no passado nos deram asas. Apanhando um, depressa o imprimimos de novo no coração como confirmação e lema, como ideal a viver ao menos naquele dia.

CHIARA LUBICH,  "Saber perder",
Editora Cidade Nova,  Parede, 1994, pg. 63
« Última modificação: 15 de Março de 2008, 18:04 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #20 em: 01 de Abril de 2008, 18:50 »

Palavra de Vida - Mês de:

««A paz será obra da justiça,
e o fruto do direito
será a tranquilidade e a segurança para sempre» 
         
     


«Uma vez mais virá sobre nós o Espírito do Alto. Então o deserto se converterá em jardim, e o jardim será como uma floresta». É assim que começa o texto de onde é tirada a Palavra de Vida deste mês. O profeta Isaías, na segunda metade do século VIII antes de Cristo, anuncia um futuro de esperança para a Humanidade. Será quase como uma nova criação, um novo «jardim», habitado pelo direito e pela justiça, de onde vêm a paz e a segurança.

Esta nova era de paz (shalom) será obra do Espírito divino – força de vida capaz de renovar a Criação – e, ao mesmo tempo, será fruto do respeito pelo pacto entre Deus e o Seu povo e entre os membros do próprio povo, tornando-se inseparável a comunhão com Deus e a comunidade dos homens.

«A paz será obra da justiça,
 e o fruto do direito
será a tranquilidade e a segurança para sempre»


 As palavras de Isaías são um apelo à necessidade de um compromisso sério e responsável de seguir as normas comuns da convivência civil que, ao impedirem o individualismo egoísta e a anarquia, favorecem a coexistência harmoniosa e a actividade orientada para o bem comum.

Será possível viver segundo a justiça e praticar o direito? Sim, na condição de reconhecermos todas as outras pessoas como irmãos e irmãs e de vermos a humanidade como uma família, no espírito da fraternidade universal.

E como é que isto pode ser possível sem a presença de um Pai comum a todos? No ADN de cada pessoa, por assim dizer, Ele já inscreveu a fraternidade universal. De facto, aquilo que um pai mais deseja é que os filhos se tratem como irmãos e irmãs, se estimem, se amem. Por isso, o “Filho” por excelência do Pai, o Irmão de cada pessoa, veio e deixou-nos como norma, para a nossa convivência social, o amor recíproco. Respeitar as regras do civismo, cumprir o nosso dever, são expressões do nosso amor. O amor é a norma mais importante de todo o agir, aquela que anima a verdadeira justiça e constrói a paz. As nações precisam de leis cada vez mais adequadas às necessidades da vida social e internacional, mas, sobretudo, precisam de homens e mulheres que se organizem segundo a caridade. Esta organização é justiça, e só segundo essa perspectiva é que as leis têm valor.

«A paz será obra da justiça,
 e o fruto do direito
será a tranquilidade e a segurança para sempre»


Como viver, então, a Palavra de Vida durante este mês? Dedicando-nos com um zelo ainda maior aos deveres profissionais, à ética, à honestidade, à legalidade. Considerando as outras pessoas como se fossem da nossa família, e que, por isso, esperam de nós atenção, respeito, uma atitude solidária. Se na base da nossa vida, nos nossos relacionamentos com o próximo, pusermos a mútua e contínua caridade (que precede todas as coisas), como a mais perfeita expressão do nosso amor para com Deus, então a nossa justiça será mesmo agradável a Deus.

«A paz será obra da justiça,
 e o fruto do direito
será a tranquilidade e a segurança para sempre»


Um polícia do Sul da Itália – por uma opção de solidariedade para com as pessoas mais necessitadas da sua cidade – decidiu ir viver com a sua família num dos bairros económicos construídos há pouco tempo: as ruas são de terra batida, não há iluminação pública, não existe água canalizada, nem esgotos. E, quanto a serviços sociais e transportes públicos, nem se fala!…

«Procurámos criar com cada família e morador do bairro – conta ele – uma relação de conhecimento e de diálogo, tentando diminuir o abismo entre os cidadãos e a administração pública. Pouco a pouco, os cerca de três mil habitantes do bairro tornaram-se sujeitos activos, na relação com as instituições públicas, através de uma comissão criada para esse efeito. Conseguiu-se obter, da administração regional, a aplicação pública de uma grande soma para o saneamento do bairro, que agora se tornou um bairro-piloto. Isto deu origem a actividades formativas para os representantes de todas as comissões de bairros da cidade».                       

Chiara Lubich



Bento XVI recorda Chiara Lubich
numa carta enviada ao Cardeal Bertone para o funeral

" Mulher de intrépida fé,
mensageira dócil de esperança e de paz "



Ao Senhor Cardeal
Tarcisio Bertone
Secretário de Estado

Tomo parte espiritualmente na solene liturgia com que a comunidade cristã acompanha Chiara Lubich na sua despedida desta Terra para entrar no seio do Pai Celeste. Renovo, com afecto, os sentimentos do meu vivo pesar aos responsáveis e a toda a Obra de Maria – Movimento dos Focolares, assim como aos que colaboraram com esta generosa testemunha de Cristo, que se consumou, sem reservas, pela difusão da mensagem evangélica em todos os âmbitos da sociedade contemporânea, sempre atenta aos “sinais dos tempos”.

Muitos são os motivos para dar graças ao Senhor pelo dom que concedeu à Igreja nesta mulher de intrépida fé, mensageira dócil de esperança e de paz, fundadora de uma vasta família espiritual que abraça variados campos da evangelização. Gostaria, sobretudo, de agradecer a Deus pelo serviço que Chiara prestou à Igreja. Um serviço silencioso e marcante, sempre em sintonia com o magistério da Igreja: “Os Papas – dizia – sempre nos compreenderam”. Isto porque Chiara e a Obra de Maria procuraram responder sempre com fidelidade dócil a cada apelo e desejo deles. O vínculo constante com os meus veneráveis Antecessores, desde o Servo de Deus Pio XII ao Beato João XXIII, aos Servos de Deus Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II é um concreto testemunho. Para ela, o pensamento do Papa era um guia seguro para se orientar. Aliás, observando as iniciativas que suscitou, poderíamos até mesmo afirmar que tinha quase a profética capacidade de intuir e de actuar antecipadamente esse pensamento. A sua herança passa agora para a sua família espiritual. Que a Virgem Maria, modelo constante de referência para Chiara, ajude cada focolarino e cada focolarina a prosseguir pelo mesmo caminho, para que – como escreveu o amado João Paulo II na conclusão do Grande Jubileu do ano 2000 – a Igreja seja cada vez mais casa e escola de comunhão.

Que o Deus da esperança acolha a alma desta nossa irmã, conforte e alimente o empenho de todos aqueles que receberam o seu testamento espiritual. Para que isto aconteça, asseguro uma especial recordação na oração, e envio a todos os presentes no sagrado rito, a Bênção apostólica.

                                              Do Vaticano, 18 de Março de 2008
                                              Ass: Bento PP XVI


« Última modificação: 01 de Abril de 2008, 18:52 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #21 em: 04 de Maio de 2008, 12:32 »


Palavra de Vida - Mês de:

«Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade»  
         
     


O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos da cidade de Corinto, por quem tinha uma predilecção especial. Tinha vivido com eles durante quase dois anos, entre o ano 50 e o ano 52. Tinha semeado ali a Palavra de Deus, lançando os alicerces da comunidade cristã, até a gerar como um pai (1).

Poucos anos mais tarde, quando lá voltou, alguns deles desacreditaram publicamente a sua autoridade de Apóstolo (2). Foi um motivo para reafirmar a grandeza do seu ministério. Ele anunciava o Evangelho não por iniciativa própria, mas porque era movido por Deus. A Palavra de Deus, para ele, já não tinha nada de oculto, porque o Espírito Santo tinha-lha feito compreender à luz daquilo que tinha acontecido em Cristo Jesus. Por isso, podia vivê-
-la e anunciá-la com plena liberdade. Ela permitia-lhe entrar em comunhão com o Senhor, ser transformado n’Ele e até ser guiado pelo seu próprio Espírito de liberdade. 

Desabrochar «Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade»  Desabrochar


É Jesus Ressuscitado, o Senhor, quem continua ainda hoje, como nos tempos de Paulo, a agir na História, e em particular na comunidade cristã, através do seu Espírito. A nós, concedeu-nos a graça de compreender o Evangelho em toda a sua novidade e continua a escrevê-lo nos nossos corações para que se torne a lei da nossa vida.

Nós não somos orientados por leis que nos sejam impostas de fora, não somos escravos condicionados por regulamentos com que não concordemos ou de que não estejamos convencidos. O cristão é movido por um princípio de vida interior que o Espírito Santo colocou nele através do baptismo. É movido pela Sua voz, que repete as palavras de Jesus, fazendo-as compreender em toda a sua beleza. São expressão de vida e de alegria: o Espírito Santo torna-as actuais, ensina-nos como as podemos viver e, ao mesmo tempo, infunde em nós a força para as podermos pôr em prática. É o próprio Senhor que, graças ao Espírito Santo, vem viver e agir em nós, tornando-nos Evangelho vivo.

Sermos guiados pelo Senhor, pelo Seu Espírito, pela Sua Palavra: esta é a verdadeira liberdade! Coincide com a realização mais profunda do nosso eu.   

Desabrochar «Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade»  Desabrochar
 

Mas sabemos que, para que o Espírito Santo possa agir, é necessária uma total disponibilidade para O ouvir – estarmos prontos a mudar a nossa mentalidade, se for preciso – e, depois, aderir plenamente à Sua voz. É fácil deixarmo-nos escravizar pelas pressões exercidas pelos costumes e pelo consenso social, e sermos levados a fazer escolhas erradas.

Para viver a Palavra de Vida deste mês é preciso aprender a dizer um “não” decidido ao negativo, que nos vem do coração todas as vezes que somos tentados a ficar instalados em atitudes que não são segundo o Evangelho. Temos que aprender a dizer um “sim” convicto a Deus, sempre que percebermos que Ele nos chama a viver na verdade e no amor.

Descobriremos a ligação entre a cruz e o Espírito, como entre causa e efeito. Todo o corte, toda a poda, todo o não ao nosso egoísmo é uma fonte de luz nova, de paz, de alegria, de amor, de liberdade interior, de realização de nós mesmos. É uma porta aberta ao Espírito. Neste tempo de Pentecostes, Ele poderá derramar sobre nós, com maior abundância, os Seus dons. Poderá guiar-nos. Seremos reconhecidos como verdadeiros filhos de Deus.

Seremos cada vez mais livres do mal, cada vez mais livres para amar.

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Foi essa liberdade que encontrou um funcionário das Nações Unidas, durante o seu último mandato num dos países dos Balcãs. A missão que lhe tinha sido confiada representava um trabalho gratificante, embora de extrema responsabilidade. Uma grande dificuldade eram os prolongados momentos longe da família. Mesmo quando voltava a casa não era fácil deixar “fora da porta” o fardo do trabalho em que estava envolvido, para se dedicar de alma e coração aos filhos e à esposa.

De repente, foi transferido para outra cidade, sempre na mesma região. Seria impensável levar consigo a família porque, apesar dos acordos de paz assinados há pouco, as hostilidades continuavam. O que fazer? O que é que valia mais, a carrreira ou a família? Sobre este assunto falou longamente com a esposa, com quem partilha, há um certo tempo, uma intensa vida cristã. Pedem a luz ao Espírito Santo e, juntos, procuram a vontade de Deus para toda a família. Por fim, a decisão: era melhor deixar aquele trabalho que iria até ser bem remunerado. Foi uma decisão realmente rara naquele ambiente profissional. «A força para fazer esta escolha – conta ele mesmo – foi fruto do amor recíproco com a minha esposa, que nunca me fez pesar os incómodos que o meu trabalho lhe trazia. Aquilo que eu fiz foi procurar o bem da família, para lá da segurança económica e da carreira, e encontrei a liberdade interior».

Chiara Lubich

(1) Cf. 1 Cor 3, 6.10; 4, 15; 2) cf. 2 Cor 2, 5-11; 7, 12.
« Última modificação: 04 de Maio de 2008, 12:37 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #22 em: 02 de Junho de 2008, 21:15 »


Palavra de Vida - Mês de:

«Aquele que guarda os Seus mandamentos
permanece em Deus e Deus nele»  
         
     


Quando amamos muito alguém, gostaríamos de estar sempre com a pessoa amada. Este é também o desejo de Deus, que é Amor. Ele criou-nos para que O pudéssemos encontrar, e a nossa alegria nunca será completa enquanto não chegarmos a uma união íntima com Ele, o único que pode saciar o nosso coração. Ele desceu do Céu para estar connosco e para nos introduzir na Sua comunhão.

São João, na sua Carta, fala de “permanecer” um no outro: Deus em nós e nós n’Ele. Recorda uma exigência mais profunda, que Jesus manifestou na Última Ceia. «Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós», tinha dito o Mestre, explicando, com a alegoria da videira e dos ramos, como é forte e vital o vínculo que nos une a Ele (1).

Mas como alcançar a união com Deus  Interrogação
São João não tem hesitações:
basta “guardar os Seus mandamentos”:

«Aquele que guarda os Seus mandamentos
permanece em Deus e Deus nele».


Mas, serão muitos os mandamentos que é preciso “guardar” para chegar a esta unidade?

Não, a partir do momento em que Jesus os resumiu num único mandamento. «Este é o Seu mandamento – recorda São João imediatamente antes de enunciar a nossa Palavra de Vida, aquela que escolhemos para este mês –: que acreditemos no Nome de Seu Filho, Jesus Cristo, e que nos amemos uns aos outros, conforme o mandamento que Ele nos deu» (2).

Acreditar em Jesus e amarmo-nos como Ele nos amou:
é este o único mandamento

Se a existência humana encontra a sua realização na permanência de Deus entre nós, então só há um modo para sermos plenamente nós mesmos: amar! São João está de tal modo convencido disso que continua a repeti-lo ao longo de toda a Carta: «Quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele» (3); «Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós…» (4).

Conta a tradição, a este respeito, que quando ele, já velhinho, era interrogado sobre os ensinamentos do Senhor, repetia sempre as palavras do Mandamento Novo. Se lhe perguntavam porque é que não falava de outra coisa, respondia: «Porque é o mandamento do Senhor! Se o praticarmos, já não precisamos de mais nada».

Assim acontece com cada Palavra de Vida:
leva-nos infalivelmente a amar. Não pode ser de outro modo, porque Deus é Amor e cada Sua Palavra contém o amor, exprime-o. E, se for vivida, transforma tudo em amor. 

«Aquele que guarda os Seus mandamentos
permanece em Deus e Deus nele».


A Palavra deste mês convida-nos a acreditar em Jesus, a aderir com todo o nosso ser à Sua Pessoa e ao Seu ensinamento. Acreditar que Ele é o amor de Deus – como nos ensina ainda São João nesta Carta – e que, por amor, deu a vida por nós (5). Acreditar até quando Ele parece estar longe, quando não O sentimos, quando surgem dificuldades ou chega o sofrimento...

Fortalecidos com esta fé,
saberemos viver segundo o Seu exemplo
e, obedecendo ao Seu mandamento,
amarmo-nos como Ele nos amou.

Amar até quando o outro já não nos parece amável, ou quando temos a impressão de que o nosso amor é inadequado, inútil, não correspondido. Fazendo assim reavivaremos os relacionamentos entre nós, de um modo cada vez mais sincero, cada vez mais profundo, e a nossa unidade atrairá a permanência de Deus entre nós. 

«Aquele que guarda os Seus mandamentos p
ermanece em Deus e Deus nele».


«Estávamos enamorados, o meu marido e eu, e era muito fácil o relacionamento entre nós nos primeiros anos de casamento. Mas, neste último período, ele anda muito cansado e stressado. No Japão, o trabalho pesa mais sobre as costas de uma pessoa do que um rochedo.

Uma noite, depois de voltar do trabalho, ele sentou-se à mesa para jantar. Fiz menção de me sentar ao lado dele, mas, aos gritos, ele mandou-me embora: “Não tens o direito de comer, porque não trabalhas!”. Passei a noite a chorar, pensando em ir-me embora de casa, em me separar. No dia seguinte mil e um pensamentos continuavam a atormentar-me: “Errei em ter casado com ele, já não consigo viver com ele”.

À tarde falei disto às amigas com quem partilho a minha vida cristã. Ouviram-me com amor e, através da comunhão com elas, reencontrei a força e a coragem necessárias para ir em frente. Consegui ainda preparar o jantar para o meu marido. À medida que se aproximava a hora do seu regresso, aumentava o meu receio: como é que ele vai reagir hoje? Mas uma voz, dentro de mim, parecia dizer-me: “Aceita este sofrimento, não desistas. Continua a amar”. E eis que ele bateu à porta. Trouxe um bolo para mim. “Desculpa-me – disse-me – por aquilo que aconteceu ontem”». 

Chiara Lubich

                           1) Cf. Jo 15, 1-5;           2) 1 Jo 3, 23;
                           3) ibid. 4, 16;                4) ibid. 4, 12;
                           5) cf. ibid. 3, 16
« Última modificação: 02 de Junho de 2008, 21:18 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #23 em: 06 de Julho de 2008, 18:28 »

Palavra de Vida - Mês de:

«O que quiserdes que vos façam os homens,
fazei-o também a eles,
porque isto é a Lei e os Profetas»
  
         
     


Quem é que nunca experimentou uma sede de infinito Interrogação Ou nunca sentiu um desejo apaixonado de abarcar a imensidão Interrogação Muitas vezes até já sentimos uma profunda insatisfação por aquilo que fazemos ou somos. Se assim for, vamos gostar de conhecer uma fórmula que nos dê a plenitude que tanto ansiamos: uma maneira de não ficar com remorsos por deixar passar os dias em vão…

Há uma palavra no Evangelho que nos faz pensar e que, mesmo se só for compreendida parcialmente, nos vai fazer transbordar de alegria. Ali está condensado tudo o que devemos fazer na vida. Essa frase resume todas as leis que Deus gravou no coração das pessoas.

É a seguinte:


«O que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas».

 É a chamada “regra de ouro”.

Foi Cristo que a trouxe, embora já fosse conhecida universalmente através do Antigo Testamento. Era conhecida por Séneca e, no Oriente, o chinês Confúcio citou-a várias vezes. E muitos outros ainda. Isto mostra que Deus a considera importante e gostaria que todas as pessoas fizessem dela a norma das suas vidas.

É uma regra bonita e até parece um slogan.

Vamos citá-la de novo: 


«O que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas»

Amemos deste modo todos os próximos que encontrarmos durante o dia. Basta imaginarmos que estamos na situação deles e tratá-los como gostaríamos de ser tratados se fôssemos nós.

A voz de Deus, que fala dentro de nós, há-de sugerir-nos qual a expressão de amor mais adequada para cada circunstância.

É fome que ele tem Interrogação
Pensemos que somos nós que temos fome e dêmos-lhe de comer.

Está a sofrer uma injustiça Interrogação Sou eu que a sofro também Excalmação

Está a passar um momento de escuridão e de dúvida Interrogação Sou eu que estou. Confortemo-lo com as nossas palavras, partilhando as suas dificuldades. E não descansemos enquanto ele não se sentir iluminado e aliviado. Se fôssemos nós, gostaríamos de ser tratados assim.

É um deficiente físico Interrogação Quero amá-lo até quase sentir no meu corpo e no meu coração a sua deficiência. O amor irá sugerir-nos o melhor modo para o fazer sentir-se igual aos outros, e até com uma graça a mais, porque nós, cristãos, sabemos quanto vale o sofrimento. E devemos fazer o mesmo com todos, sem qualquer discriminação entre simpático e antipático, jovem e velho, amigo e inimigo, compatriota e estrangeiro, bonito e feio… O Evangelho diz mesmo todos.

Tenho a sensação de ouvir um murmúrio geral… Compreendo… Talvez estas minhas palavras pareçam demasiado simples. Mas quanta transformação requerem Excalmação Como são diferentes do nosso modo habitual de pensar e de agir Excalmação

Por isso, coragem! Tentemos começar.

Um dia passado assim vale uma vida Excalmação E, à noite, já não nos vamos reconhecer. Sentiremos uma alegria nunca antes experimentada. Teremos uma força nova. Deus estará connosco, porque Deus está com aqueles que amam. Os nossos dias passarão a ser cheios de sentido.

Pode ser que às vezes andemos mais devagar ou sejamos tentados a desanimar e a voltar à vida de antes… Mas não Excalmação Coragem Excalmação Deus dá-nos a força.

Recomecemos sempre. Se perseverarmos, veremos lentamente o mundo mudar à nossa volta. Compreenderemos que o Evangelho torna a vida mais deslumbrante, ilumina o mundo, dá sabor à nossa existência e tem em si a capacidade de resolver todos os problemas.

E não ficaremos descansados enquanto não comunicarmos a nossa extraordinária experiência aos outros: aos amigos que a possam compreender, às pessoas da nossa família, a todos aqueles a quem a quisermos transmitir.

Renascerá a esperança.

 «O que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas».


Chiara Lubich - Publicada em:
La dottrina spirituale, Roma 2006, p. 187

   
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