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Autor Tópico: Espiritualidades: Taizé  (Lida 13176 vezes)
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« em: 30 de Março de 2007, 21:14 »

Descobrir pessoas, lugares e espiritualidades

tesouros da Igreja para uma caminhada de fé



Irmão Roger (12 de Maio de 1915 - 16 de Agosto de 2005)


O início de uma caminhada
http://www.taize.fr/pt_rubrique487.html


Tudo começou numa grande solidão. Em 1940, com 25 anos, o irmão Roger deixou a sua terra natal, na Suíça, para ir viver em França, o país de sua mãe. Há já vários anos, trazia dentro de si o chamamento para criar uma comunidade onde se concretizasse todos os dias a reconciliação entre cristãos, «onde a bondade do coração fosse vivida de forma muito concreta e onde o amor fosse o coração de tudo». Ele desejava que esta comunidade estivesse presente no meio do sofrimento daqueles tempos e foi assim que, em plena 2ª guerra mundial, se estabeleceu na pequena aldeia de Taizé, na Borgonha, a alguns quilómetros da linha de demarcação que dividia a França ao meio. Começou então a esconder refugiados (principalmente judeus), que sabiam que, quando fugiam da zona ocupada, podiam encontrar refúgio em sua casa.

Mais tarde juntaram-se-lhe alguns irmãos. Foi no dia de Páscoa de 1949 que os primeiros irmãos se comprometerem para toda a vida no celibato, na vida comunitária e numa grande simplicidade de vida.

No silêncio de um longo retiro, durante o Inverno de 1952-1953, o fundador da comunidade escreveu a Regra de Taizé, onde expressava para os seus irmãos «o essencial que permitira uma vida comunitária».

A partir dos anos 50, alguns irmãos foram viver para lugares desfavorecidos para ficarem mais perto daqueles que sofrem.

Desde os finais dos anos 50, o número de jovens que vem a Taizé cresceu sensivelmente. A partir de 1962, irmãos e jovens enviados por Taizé não cessaram de ir e vir dos países da Europa de Leste, com a maior discrição, para não comprometer as pessoas que estavam a ajudar.

Entre 1962 e 1969, o próprio irmão Roger visitou a maior parte dos países da Europa de Leste, por vezes para encontros de jovens, autorizados mas muito vigiados, outras vezes para simples visitas, sem permissão para falar em público («Calar-me-ei convosco», costumava dizer aos cristãos desses países).

Foi em 1966 que as irmãs de Santo André, comunidade católica internacional fundada há mais de 7 séculos, vieram habitar para a aldeia vizinha e começaram a assumir uma parte das tarefas do acolhimento. Mais recentemente, algumas irmãs ursulinas polacas vieram também dar a sua colaboração.

A comunidade de Taizé junta hoje uma centena de irmãos, católicos e de diversas origens evangélicas, vindos de mais de 25 países. Pela sua própria existência, ela é um sinal concreto de reconciliação entre cristãos divididos e povos separados.

Num dos seus últimos livros, intitulado «Deus só pode amar», o irmão Roger descrevia deste modo a sua caminhada ecuménica:

«Poderei recordar aqui que a minha avó materna descobriu intuitivamente uma espécie de chave para a vocação ecuménica e que me abriu uma via para a concretizar? Marcado pelo testemunho da sua vida, e ainda muito jovem, encontrei a minha própria identidade de cristão ao reconciliar em mim mesmo a fé das minhas origens com o mistério da fé católica, sem ruptura de comunhão com ninguém.»

Os irmãos não aceitam doações nem ofertas. Nem sequer aceitam para si mesmos as suas próprias heranças pessoais, mas oferecem-nas aos mais pobres. É pelo seu trabalho que ganham a vida e partilham com os outros.

Existem agora pequenas fraternidades em bairros desfavorecidos da Ásia, da África e da América do Sul e do Norte. Os irmãos tentam partilhar as condições de vida daqueles que vivem à sua volta, esforçando-se por serem uma presença de amor junto dos mais pobres, dos meninos de rua, dos prisioneiros, dos moribundos, dos que ficam feridos mesmo no mais profundo de si mesmos por rupturas de afeição, pelos abandonos humanos.

Hoje, vindos do mundo inteiro, muitos jovens encontram-se em Taizé, durante todas as semanas do ano, para encontros que podem juntar de um domingo ao domingo seguinte até seis mil pessoas, representando mais de 70 países. Com os anos, centenas de milhares de jovens passaram por Taizé, meditando sobre o tema «vida interior e solidariedade humana». Nas fontes da fé, procuram descobrir um sentido para a sua vida e preparam-se para assumir responsabilidades nos lugares onde vivem.

Também homens da Igreja se deslocam a Taizé; assim, a comunidade acolheu o papa João Paulo II, três arcebispos de Cantuária, metropolitas ortodoxos, catorze bispos luteranos suecos e numerosos pastores do mundo inteiro.

Para apoiar as gerações mais jovens, a comunidade de Taizé anima uma «peregrinação de confiança através da terra». Esta peregrinação não organiza os jovens num movimento centrado na comunidade, mas estimula-os a serem portadores de paz, de reconciliação e de confiança, nas suas cidades, universidades, nos seus locais de trabalho, nas suas paróquias, e isto em comunhão com todas as gerações. Como etapa desta «peregrinação de confiança através da terra», um encontro europeu de cinco dias reúne no fim de cada ano várias dezenas de milhares de jovens numa metrópole europeia, no Leste ou no Ocidente.

Por ocasião do encontro europeu, o irmão Roger publicava todos os anos uma «carta», traduzida em mais de cinquenta línguas, retomada e meditada depois durante todo o ano pelos jovens, em suas casas ou nos encontros em Taizé. O fundador de Taizé escreveu muitas vezes esta carta a partir de um lugar pobre onde ia viver durante algum tempo (Calcutá, Chile, Haiti, Etiópia, Filipinas, África do Sul...)

Hoje, no mundo inteiro, o nome de Taizé evoca paz, reconciliação, comunhão e a espera de uma Primavera da Igreja: «Quando a Igreja escuta, cura e reconcilia, ela torna-se naquilo que é no mais luminoso de si mesma: límpido reflexo de um amor» (irmão Roger).

O irmão Roger recebeu os seguintes prémios:


09/04/1974: Templeton Prize, London (Prémio Templeton, Londres)
13/10/1974: Friedenspreis des Börsenverein des deutschen Buchhandels, Frankfurt (Prémio da Paz dos Livreiros alemães, Frankfurt)
21/09/1988: Prix UNESCO de l’Education pour la Paix, Paris (Prémio UNESCO da Educação para a Paz, Paris)
04/05/1989: Karlspreis, Aachen (Prémio Carlos Magno, Aix-la-Chapelle)
20/11/1992: Prémio Robert Schuman, Estrasburgo
24/04/1997: Award for international humanitarian service, Université de Notre Dame, Indiana, USA (Prémio pelo serviço humanitário internacional, Universidade de Notre Dame, Ind, EUA)
22/10/2003: Dignitas Humana Award, Saint John’s University, Collegeville, Minnesota, USA (Prémio pela defesa da Dignidade Humana, Universidade de Saint John, Collegeville, Minnesota, EUA)

Livros do irmão Roger, de Taizé:


 Rosa 1958 Vivre l’Aujourd’hui de Dieu
 Rosa 1965 Dynamique du provisoire
 Rosa 1968 Violence des pacifiques
 Rosa 1971 Ta fête soit sans fin
 Rosa 1973 Lutte et contemplation
 Rosa 1976 Vivre l’inespéré
 Rosa 1979 Etonnement d’un amour
 Rosa 1980 Les Sources de Taizé
 Rosa 1982 Fleurissent tes déserts
 Rosa 1985 Passion d’une attente
 Rosa 1988 Son amour est un feu
 Rosa 1995 En tout la paix du cœur
 Rosa 2001 Dieu ne peut qu’aimer
 Rosa 2005 « Pressens-tu un bonheur Interrogação »(Presses de Taizé/Seuil)

 Rosa 1992 em conjunto com a Madre Teresa: La prière, fraîcheur d’une source


Palavras proferidas pelo irmão Alois, novo prior da Comunidade de Taizé sucedendo o Irmão Roger, nas exéquias de seu fundador, o irmão Roger, em 23 de Agosto 2005


Em nome da nossa comunidade de Taizé, gostaria de agradecer a todos a vossa presença e o vosso apoio, nesta hora em que dizemos adeus ao nosso irmão Roger. Obrigado aos representantes das igrejas ortodoxas, católicas, protestantes e anglicanas. Obrigado aos que representam as autoridades civis da Alemanha, de França, da Roménia e de outros países.

Gostaria de expressar afeição do fundo do coração a Geneviève, a irmã muito querida do irmão Roger, à sua família e a todos aqueles e aquelas para quem ela foi mãe e avó.

O irmão Roger abriu um caminho e levou-nos a percorrê-lo com uma motivação e uma coragem excepcionais. As suas convicções íntimas levaram-no a avançar infatigavelmente por este caminho. Permitam-me mencionar somente duas destas convicções:

O irmão Roger repetia frequentemente estas palavras: «Deus está unido a cada ser humano, sem excepção.» Esta confiança sustentava e sustentará a vocação ecuménica da nossa pequena comunidade. Com toda a Igreja, queremos acreditar nesta realidade e fazer tudo para a exprimir através da nossa vida. O irmão Roger tinha no seu coração todos os homens, de todas as nações, em particular os jovens e as crianças. Queremos segui-lo neste caminho.

E a outra convicção: o irmão Roger voltava constantemente a este valor do Evangelho que é a bondade do coração. Não é uma palavra vazia, mas uma força capaz de transformar o mundo, porque Deus trabalha através dela. Em face do mal, a bondade do coração é uma realidade vulnerável. Mas a vida de entrega do irmão Roger é um sinal de que a paz de Deus terá para cada homem e cada mulher a última palavra sobre a nossa terra.

Uma vez que o irmão Roger não desejava que se pronunciassem muitas palavras nas igrejas, gostava de terminar com uma oração.

Deus de bondade, nós confiamos ao teu perdão Luminiţa Solcan que, num acto doente, pôs fim à vida do nosso irmão Roger. Com Cristo sobre a cruz, dizemos-te: perdoa-lhe, Pai, porque ela não sabe o que fez.

Espírito Santo, pedimos-te pelo povo da Roménia e pelos jovens romenos tão queridos em Taizé.

Cristo de compaixão, tu ofereces-nos a possibilidade de estar em comunhão com os que nos precederam e que podem permanecer muito próximos. Entregamos entre as tuas mãos o nosso irmão Roger. Ele já contempla o invisível. Seguindo-o, tu preparas-nos para acolher o brilho da tua luz.

Iremos agora cantar; depois, o cardeal Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, falará e celebrará a Eucaristia, que será concelebrada pelos irmãos de Taizé que são sacerdotes.

[Tradução distribuída pela Comunidade de Taizé]
TAIZÉ, terça-feira, 30 de agosto de 2005 (ZENIT.org)

A COMUNIDADE DE TAIZÉ
o site da comunidade: http://www.taize.fr/pt
o que é Taizé: http://amigosdetaize.no.sapo.pt/o_que_e.htm


A Comunidade de Taizé é uma comunidade ecuménica Cristã em Taizé, Borgonha, França.

A Comunidade foi fundada em 1940 pelo Frère Roger (Irmão Roger), que permaneceu como seu Prior até à data de sua morte a 16 de Agosto de 2005, e é dedicada à reconciliação. A comunidade ecuménica é constituída por mais de cem homens de várias nacionalidades, representando ramos Protestantes e Católicos da Cristandade. A vida na comunidade foca a oração e a meditação cristã. Jovens de todo o mundo visitam Taizé todas as semanas para integrar na vida da comunidade.

Música contemplativa
(http://www.taize.fr/en_article681.html?lang=pt)


Taizé germinou um estilo único de música contemplativa que reflecte a natureza meditativa da comunidade. A música de Taizé foca frases simples, usualmente linhas dos Salmos ou outro pedaço da Escritura, repetidas e algumas vezes cantadas em cânone. O intuito da repetição é o de ajudar na meditação e na oração.

A comunidade, apesar de origem Europeia Ocidental, procura acolher pessoas e tradições ao longo do globo. Este internacionalismo arrasta-se até à música e orações onde as músicas são cantadas em muitas línguas, cada vez mais incluindo cânticos e ícones provenientes da tradição Ortodoxa Oriental.

Os encontros de jovens ( de uma semana)
http://www.taize.fr/pt_article528.html


A comunidade de Taizé tornou-se um importante destino de peregrinação Cristã com milhares de pessoas que a visitam cada ano, e grupos até seis mil pessoas por semana, especialmente durante o verão. Os encontros de uma semana com jovens de várias nacionalidades (para jovens dos 17 aos 30 anos de idade) são a prioridade da comunidade.

O programa de um dia normal dos encontros de jovens:

 Aquecer Oração da manhã
 Aquecer Pequeno-almoço
 Aquecer Reflexão bíblica nos grandes grupos orientado por um dos irmãos
 Aquecer Reflexão em pequenos grupos de discussão
 Aquecer Oração do meio-dia
 Aquecer Almoço
 Aquecer Ensaio de cânticos (opcional)
 Aquecer Tarefas regulares
 Aquecer Workshops temáticos
 Aquecer Lanche
 Aquecer Jantar
 Aquecer Oração da noite

No coração de Taizé encontra-se uma paixão pela Igreja. É por essa razão que a comunidade nunca quis criar um "movimento" ou organização centrada em si mesma, mas sim enviar o jovem de volta dos encontros para a sua Igreja local, para a sua paróquia, grupo ou comunidade, para realizar, junto com muitos outros, a "peregrinação de confiança na terra".

Em muitos locais ao longo do globo, orações ecuménicas que usam as músicas de Taizé são organizadas por gente, novos e velhos, que estiveram em contacto com a comunidade. Estes tempos de oração são muito variados e integram de forma apropriada na vida da Igreja local. O site da comunidade  fornece reflexões, orações, canções e notícias sobre a "peregrinação de confiança na terra".

O Irmão Roger foi morto no dia 16 de Agosto de 2005, quando uma mulher romena aparentemente com distúrbios mentais, apunhalou-o várias vezes durante a oração da noite. A mulher foi presa, mas o Irmão Roger morreu pouco após o ataque. O Irmão Alois, um Alemão Católico, foi escolhido para suceder o Irmão Roger. Alois já tinha sido escolhido pelo Irmão Roger oito anos antes.

OS ENCONTROS DE FIM-DE-ANO

No final de cada ano a comunidade organiza um encontro europeu numa cidade europeia, integrado numa peregrinação de confiança sobre a terra.

1978 - Paris (França)
1979 - Barcelona (Espanha)
1980 - Roma (Itália)
1981 - Londres (Reino Unido)
1982 - Roma (Itália)
1983 - Paris (França)
1984 - Colónia (Alemanha)
1985 - Barcelona (Espanha)
1986 - Londres (Reino Unido)
1987 - Roma (Itália)
1988 - Paris (França)
1989 - Wroclaw (Polónia)
1990 - Praga (República Checa)
1991 - Budapeste (Hungria)
1992 - Viena (Áustria)
1993 - Munique (Alemanha)
1994 - Paris (França)
1995 - Wroclaw (Polónia)
1996 - Estugarda (Alemanha)
1997 - Viena (Áustria)
1998 - Milão (Itália)
1999 - Varsóvia (Polonia)
2000 - Barcelona (Espanha)
2001 - Budapeste (Hungria)
2002 - Paris (França)
2003 - Hamburgo (Alemanha)
2004 - Lisboa (Portugal)
2005 - Milão (Itália)
2006 - Zagreb (Croácia)
artigo retirado da Wikipédia

Algumas videos encontrados na Net registando de experiências vividas:


 Presente http://www.youtube.com/watch?v=9oDr2m7dojg

 Presente http://www.youtube.com/watch?v=JdW6oGG8hRY&mode=related&search=

 Presente http://www.youtube.com/watch?v=_mti5gQRWfM&mode=related&search=

 Presente http://www.youtube.com/watch?v=ofF0OQe2Bq0&mode=related&search=

 Presente http://www.youtube.com/watch?v=ofF0OQe2Bq0&mode=related&search=
« Última modificação: 30 de Março de 2007, 21:16 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #1 em: 30 de Março de 2007, 21:14 »


PARA REFLECTIR: Ecos de Taizé (Março 2007)



Se Jesus sabia que Judas o ia trair, por que razão ficou com ele até ao fim no círculo dos seus mais próximos?

Entre os numerosos discípulos que o seguiam, Jesus designou doze para serem os mais próximos, para partilharem e continuarem a sua missão. Não foi com ligeireza que instituiu este grupo de doze apóstolos, foi depois de ter rezado toda uma noite.

Mas, a dado momento, Jesus apercebeu-se de uma mudança de atitude em Judas, um dos doze. Jesus compreendeu que ele se afastava interiormente, e até que o ia «entregar», como dizem os evangelhos. Segundo o evangelho de João, já na Galileia, muito antes dos acontecimentos em Jerusalém que deviam levá-lo à cruz, Jesus compreendeu o que se passava (João 6,70-71). Por que razão não afastou Judas nessa altura e o conservou perto de si até ao fim?

Uma das palavras que Jesus utiliza para falar da criação do grupo dos doze apóstolos dá-nos uma pista: «Não vos escolhi eu a vós, os Doze?» (João 6,70; ver também João 13,18). O verbo escolher ou eleger é uma palavra-chave na história bíblica. Deus escolheu Abraão, escolheu Israel para fazer o seu povo. É assim a escolha de Deus que constitui o povo de Deus, o povo da aliança. O que torna a aliança inabalável é que Deus escolhe amar Abraão e os seus descendentes para sempre. O apóstolo Paulo comentará: «Os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis» (Romanos 11,29).

Visto que Jesus escolheu os doze como Deus escolheu o seu povo, não podia mandar embora Judas, mesmo quando compreendeu que ele o ia trair. Sabia que o devia amar até ao fim, para atestar que a escolha de Deus era irrevogável.

Os profetas, em particular Oseias e Jeremias, falaram em nome de um Deus magoado e humilhado pelas traições do seu povo, e que, contudo, não cessa de o amar com um amor de eternidade. Jesus não queria nem podia fazer menos: humilhado pela traição de um dos seus íntimos, não deixou de lhe demonstrar o seu amor.

 Ao baixar-se diante dos seus discípulos para lhes lavar os pés, fez-se o servidor de todos, também de Judas. E foi em particular a Judas que deu um bocado do pão partilhado: parcela de amor ardente que este levou consigo para a noite (João 13, 21.30).

Se queria ser fiel a seu Pai – ao Deus que escolhera Abraão e Israel, ao Deus dos profetas – Jesus tinha que conservar Judas perto de si até ao fim. Amava Judas mesmo quando este estava todo ele preso pelas trevas. «A luz brilhou nas trevas» (João 1,5). O evangelho diz que foi no momento em que deu o seu amor a Judas, no momento em que o ama sem nada ganhar com isso, que Jesus «foi glorificado» (João 13,31). Na mais opaca noite do ressentimento e do ódio, ele manifesta o brilho extraordinário do amor de Deus.

Por que razão são os evangelhos tão discretos sobre os motivos de Judas?

É espantoso que os primeiros cristãos não tenham escondido o facto de que um dos doze apóstolos entregou Jesus às autoridades hostis.

Na verdade, este facto levanta uma dúvida sobre a pessoa do próprio Jesus: ter-se-ia enganado na escolha dos seus companheiros? Mas é igualmente espantoso que os evangelhos não digam praticamente nada sobre os motivos de Judas.

Ficou decepcionado quando compreendeu que Jesus não era um Messias com um programa de libertação política?

Pensou estar a agir no interesse do seu povo pondo fim à carreira de Jesus? Alguns supuseram que ele agia por amor ao dinheiro; outros que, ao contrário, agia por amor, para ajudar Jesus a dar a sua vida…

Sobre a razão do que Judas fez, só há nos evangelhos duas indicações.

Uma é a evocação do diabo: foi ele que «meteu no coração de Judas a decisão de o entregar» (João 13,2). Mas isso só torna o enigma ainda mais impenetrável. O diabo, ou Satanás, é aquele que se opõe, ralha, calunia. Jesus apercebeu-se do ressentimento que nascera no coração de Judas e que estava enraizado de forma inabalável. Mas sobre o porquê, não há nem uma palavra, nem mesmo uma alusão.

A outra indicação é a referência às sagradas Escrituras. Sobre a traição de Judas, Jesus diz: «há-de cumprir-se a Escritura: Aquele que come do meu pão levantou contra mim o calcanhar» (Salmo 41,10 citado em João 13,18). É preciso compreender bem qual é, nos evangelhos, o sentido desta referência às sagradas Escrituras. Elas não são um cenário que determinaria de antemão o papel de cada actor. Todos os leitores atentos da Bíblia sabem bem como ela propõe escolhas e coloca cada um perante as suas responsabilidades.

Citando o versículo do salmo, «Aquele que come do meu pão levantou contra mim o calcanhar» (Salmo 41,10), Jesus não afirma que Judas não podia agir de outra forma, mas que Deus permanece o actor principal no que está a acontecer.

Há o drama da traição, e ao mesmo tempo é Deus que está a actuar. Pois, se o que Judas está a fazer cumpre a Escritura, é de uma forma misteriosa que o projecto de Deus se realiza, Deus cumpre a sua palavra (Isaías 55,10-11). A referência à Escritura permite acreditar em Deus mesmo na noite, mesmo quando o que acontece é incompreensível.

Se o ressentimento e o ódio de Judas permanecem incompreensíveis, o amor de Jesus «até ao fim» ainda está mais para além de toda a compreensão. Os evangelhos são tão discretos quanto aos motivos de Judas porque não querem satisfazer a nossa curiosidade, mas sim conduzir-nos à fé. Eles não revelam o abismo de trevas do drama de Judas, mas revelam a insondável e incompreensível profundidade do amor de Deus.
Última actualização: 26 de Março de 2007
http://www.taize.fr/pt_article4598.html
« Última modificação: 30 de Março de 2007, 21:17 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #2 em: 05 de Abril de 2007, 13:02 »

PARA REFLECTIR: Ecos de Taizé (1 de Abril 2007)



10 *Jacob saiu de Bercheba e tomou o caminho de Haran. 11*Chegou a determinado sítio e resolveu ali passar a noite, porque o sol já se tinha posto. Serviu-se de uma das pedras do lugar como travesseiro e deitou-se.

12*Teve um sonho: viu uma escada apoiada na terra, cuja extremidade tocava o céu; e, ao longo desta escada, subiam e desciam mensageiros de Deus.

13Por cima dela estava o SENHOR, que lhe disse:


«Eu sou o SENHOR,
o Deus de Abraão, teu pai,
e o Deus de Isaac.

Esta terra, na qual te deitaste,
dar-ta-ei, assim como à tua posteridade.

14 A tua posteridade será tão numerosa
como o pó da terra;
estender-te-ás para o ocidente, para o oriente,
para o norte e para o sul,
e todas as famílias da Terra serão abençoadas em ti
 e na tua descendência.

15 Estou contigo
 e proteger-te-ei para onde quer que vás
e reconduzir-te-ei a esta terra,
 pois não te abandonarei antes de fazer o que te prometi.»


Uma vida cheia de contrariedades

Uma mensagem do céu


Em pleno deserto, depois de ter fugido da cólera do seu irmão, Jacob tem um sonho comovedor. Vê «uma escada» na qual mensageiros de Deus sobem e descem. Na subida, levam a Deus o medo, a culpa e o sofrimento de Jacob. Na descida, traziam a Jacob a presença de Deus, as suas palavras e a sua promessa (v. 13-15).

Que descobertas é que Jacob faz através deste sonho? Antes de mais, que Deus lhe fala pessoalmente.

Anteriormente, Jacob não tinha tido uma experiência pessoal de Deus. Falando a seu pai, dizia-lhe: «o teu Deus» e não «o meu Deus» (Génesis 27, 20).

Este sonho esclarece a situação de Jacob.

Vendo do exterior, não há esperança. Jacob está em fuga e tem muito medo. Mas o sonho projecta outra luz sobre estas circunstâncias.

Para além desta realidade esconde-se outra realidade:

Deus, que o acompanha e o apoia.

Jacob precisava do sonho para compreender isto. Só a reflexão não teria sido suficiente.

Agora pode prosseguir o seu caminho com confiança. É um exilado, mas não um exilado sem esperança.

Está só, mas não abandonado. Longe de casa, pode avançar graças a este sonho e à promessa divina. O seu medo não é a única realidade.

Pela primeira vez, Jacob apercebe-se de que não está no centro do universo. Ele não subiu pela escadaria até ao céu. É aquele que recebe, não é como anteriormente um activista, um homem que queria sempre dominar as situações.

Jacob teve este sonho quando atravessava um período de crise. Antes disso, a sua vida seguia caminhos previstos e não estaria aberto à mensagem de Deus.

Também na nossa vida, as certezas rígidas devem por vezes ser abaladas para que fiquemos atentos ao que Deus nos quer comunicar. Então podemos passar pela experiência positiva de que nós não somos senhores da nossa existência.




  Rosa Já alguma vez viveste uma espécie de encontro com Deus? Isso aconteceu num momento positivo ou negativo da tua vida?

 Rosa  Já passaste pela experiência de viver situações de incerteza que te fizeram bem e através das quais encontraste uma nova confiança em Deus?

 Rosa O que desejarias que levassem a Deus pela «escada» acima?


Jacob e Esau
« Última modificação: 05 de Abril de 2007, 15:18 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #3 em: 01 de Maio de 2007, 15:45 »

PARA REFLECTIR: Ecos de Taizé (1 de Maio 2007)


O que nos intimida?
O que trava o nosso entusiasmo, a nossa liberdade?
O que nos leva até a duvidar desta?
É útil ter presentes estas questões ao ler esta passagem
e várias outras da Epístola aos Efésios

Efésios 3,14-19:

Jesus Cristo, espaço de liberdade


«14É por isso que eu dobro os joelhos diante do Pai, 15do qual recebe o nome toda a família, nos céus e na terra:

16*que Ele vos conceda, de acordo com a riqueza da sua glória, que sejais cheios de força, pelo seu Espírito, para que se robusteça em vós o homem interior; 17que Cristo, pela fé, habite nos vossos corações; que estejais enraizados e alicerçados no amor, 18*para terdes a capacidade de apreender, com todos os santos, qual a largura, o comprimento, a altura e a profundidade... 19*a capacidade de conhecer o amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento, para que sejais repletos, até receberdes toda a plenitude de Deus.»



Aqueles a quem este texto se destina parecem acreditar que estão sujeitos à influência de forças que escapam a Deus.

Os profetas tinham conhecido combates semelhantes quando o povo se voltara para os ídolos.

Na Epístola aos Efésios, embora o contexto cultural possa ser diferente (estamos talvez a lidar com a crença no poder dos astros), as questões e os medos não mudaram assim tanto.

Nos dois casos há intimidação. A liberdade de escolher e permanecer fiel a essa escolha está comprometida.

Compreende-se melhor a insistência do autor sobre a palavra «poder». A um auditório que está supostamente inquieto, afirma que aquilo que Deus manifestou ao ressuscitar Cristo dos mortos é de um poder incomparável. Nada lhe pode resistir. Não existe nenhum poder real que possa vir de outro lado, que encontre a sua origem fora dele. Tudo lhe está sujeito.

Contudo, é necessário que os olhos do coração estejam iluminados (1,18) para ver «como é extraordinariamente grande o poder de Deus para connosco» (1,19).

Quanto mais o crente contempla isso, mais se fortifica «o homem interior» (3,16), ou seja, a sua capacidade de escolher com inteligência e liberdade.

Estamos aqui muito longe de uma religião do medo e da superstição.

Conhecer Cristo, crer nele, é evoluir num espaço de liberdade.

 Quando o autor fala em compreender «a largura, o comprimento, a altura e a profundidade», não refere qual o objecto que se pretende compreender. É necessário ler o versículo seguinte para encontrar a expressão «conhecer o amor de Cristo» (3,19a). Certamente quer fazer compreender que não há nada maior que este mistério e que não há que procurar senão nele.


 Desabrochar  O que se apoia hoje nos meus medos e na minha inquietação para me fazer duvidar da minha liberdade?

 Desabrochar  O que me ajuda a descobrir a liberdade que Cristo me dá?
« Última modificação: 01 de Maio de 2007, 15:54 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #4 em: 01 de Junho de 2007, 12:26 »

PARA REFLECTIR: Ecos de Taizé (1 de Junho 2007)


Marcos 6,6b-13: Levar uma boa nova


"Jesus percorria as aldeias vizinhas a ensinar. Chamou os Doze, começou a enviá-los dois a dois e deu-lhes poder sobre os espíritos malignos.

Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser um cajado: nem pão, nem alforge, nem dinheiro no cinto; que fossem calçados com sandálias e não levassem duas túnicas.

E disse-lhes também:

   «Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela até partirdes dali.
   E se não fordes recebidos numa localidade,
   se os seus habitantes não vos ouvirem,
   ao sair de lá sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles.»

Eles partiram e pregavam o arrependimento, expulsavam numerosos demónios, ungiam com óleo muitos doentes e curavam-nos."



Jesus não cumpre sozinho a sua missão.


Junta um grupo de amigos para estarem com ele e para anunciarem a boa nova de que o Reino de Deus está próximo. Jesus parte para ensinar nas aldeias vizinhas, e envia os seus discípulos para fazerem o mesmo. Mas eles não podem anunciar o Evangelho só com palavras, também o farão pela vida que levam.

«Levai só um cajado.»


As recomendações de Jesus são exigentes. Nada de pão, na confiança de que haverá resposta para as suas necessidades. Sem bolsa, ao contrário dos mendigos que tinham uma para guardarem as esmolas. Até sem uma segunda túnica, como as pessoas de posses. Apenas com o que permite andar: um cajado e sandálias. Jesus convida os seus discípulos a porem-se em marcha desprovidos de qualquer segurança, a depositarem a sua confiança só em Deus.

A mensagem que confia aos discípulos é dirigida a todos.


Jesus diz aos seus discípulos para «entrarem numa casa e aí ficarem». Nessa época, quando os judeus viajavam, ficavam sempre alojados em casa de um membro da sua própria comunidade, por temerem perder a pureza ritual. Ao aceitarem a hospitalidade de um qualquer, os discípulos mostram que a mensagem do Evangelho ultrapassa as barreiras sociais e religiosas.

Contudo, esta mensagem não é acolhida por todos (ver v.11). Face às resistências, é necessário não ficar desencorajado ou retido. É necessário «sacudir o pó» e continuar a peregrinação.

Quando, pelo contrário, alguém acolhe o Evangelho, a sua existência pode transformar-se com isso. Os discípulos têm os mesmos poderes de Jesus: curar os doentes e expulsar os espíritos impuros.

O que significa isso para nós, hojeInterrogação


Talvez se trate de libertar aqueles que estão fechados na tristeza e no desespero, dar esperança àqueles que crêem que a sua existência é inútil. Em vista disso, compete-nos confiar e permanecer enraizados no essencial.


PROPOSTA DE REFLEXÂO:


 Desabrochar  Se Jesus enviasse os seus discípulos hoje, que instruções lhes daria?
 Desabrochar  O que te dá um sentimento de segurança?
 Desabrochar  Quando precisaste de ultrapassar os teus medos e pôr-te a caminho com muito pouco? O que aprendeste com essa experiência?
 Desabrochar  O que significa hoje em dia curar os doentes e expulsar os espíritos impuros?
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« Responder #5 em: 01 de Julho de 2007, 18:55 »

PARA REFLECTIR: Ecos de Taizé (1 de Julho 2007)


    As águias e a árvore


Texto Bíblico:  Ezequiel 17,22-24

Assim fala o Senhor DEUS: Depois, eu mesmo tomarei do cimo do cedro, do mais alto dos seus ramos colherei uma haste, e plantá-la-ei num monte bastante alto. Plantá-la-ei na montanha elevada de Israel: deitará ramos, produzirá frutos e tornar-se-á um cedro magnífico.

Nele habitarão todas as espécies de aves; à sombra dos seus ramos repousarão todas as espécies de voláteis. E todas as árvores dos campos saberão que sou eu, o SENHOR, quem humilha a árvore elevada e eleva a árvore humilhada, quem faz secar a árvore verdejante e florescer a que está seca. Eu, o SENHOR, disse-o e cumpro-o.»

Como nos nossos dias,
no tempo dos grandes profetas da Bíblia a situação política
era de uma complexidade que por vezes desorientava.


O pequeno povo de Israel, obrigado a traçar o seu caminho entre os grandes deste mundo, era ameaçado pela tentação de se aliar a esses poderes mundiais, esperando assim defender-se ao fazer com que uns lutassem contra os outros.

Os profetas, por seu lado, acentuavam a confiança no Senhor, único Mestre da história. Compreende-se facilmente que aos olhos dos «realistas», a sua atitude nem era digna de ser levada a sério.


Mas onde se encontra o verdadeiro realismo? Aqui o profeta Ezequiel insurge-se contra a tentativa dos chefes do seu povo de encontrarem a salvação pelo jogo das alianças. Descreve a Babilónia e o Egipto como duas grandes águias que disputam um cedro entre si, na verdade uma vinha que no fim fica reduzida a nada. Para Ezequiel, é evidente que todas as tentativas para se saírem bem aliando-se aos poderosos deste mundo está condenada ao fracasso.
No meio desta confusão, surge outra esperança.

De maneira inesperada, o próprio Deus tomará conta da situação. Escolherá um pequeno resto da nação («um jovem rebento») e irá trazê-lo de novo para a sua terra onde se enraizará.

Esse rebento minúsculo acabará por se tornar uma magnífica árvore, de forma que todas as aves virão fazer os ninhos nos seus ramos.

Assim saber-se-á que Deus tem nas suas mãos as chaves da humanidade e que é capaz de fazer maravilhas a partir de quase nada, enquanto que a força e a grandeza humanas muitas vezes não são senão aparências vazias.

Esta alegoria de Ezequiel contém em germe toda a lógica divina que resplandecerá com vigor aquando da vinda de Cristo. E Jesus empregará exemplos semelhantes para explicar a chegada do Reino de Deus com a sua pessoa


PROPOSTA DE REFLEXÂO:


Marcos 4, 30-32: O grão de mostarda

 30Dizia também: «Com que havemos de comparar o Reino de Deus? Ou com qual parábola o representaremos?
31É como um grão de mostarda que, ao ser deitado à terra, é a mais pequena de todas as sementes que existem; 32mas, uma vez semeado, cresce, transforma-se na maior de todas as plantas do horto e estende tanto os ramos, que as aves do céu se podem abrigar à sua sombra.»

Conheço exemplos em que Deus reduz a nada os desígnios dos fortes deste mundo?
O que significa ser realista? A convicção de que Deus se encontra escondido por trás do decurso dos acontecimentos terá justificação?
Que consequências tem essa convicção no meu comportamento?
« Última modificação: 01 de Julho de 2007, 19:15 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #6 em: 15 de Agosto de 2007, 15:52 »

PARA REFLECTIR: Ecos de Taizé (Agosto 2007)


Uma só família humana

Com efeito, ele é a nossa paz, ele que, dos dois povos, fez um só e destruiu o muro de separação, a inimizade: na sua carne, anulou a lei, que contém os mandamentos em forma de prescrições, para, a partir do judeu e do pagão criar em si próprio, um só homem novo, fazendo a paz, e para os reconciliar com Deus, num só Corpo, por meio da cruz, matando assim a inimizade. E, na sua vinda, anunciou a paz a vós que estáveis longe e paz àqueles que estavam perto. Porque, é por ele que uns e outros, num só Espírito, temos acesso ao Pai. Portanto, já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos
santos e membros da casa de Deus, edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e Profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. É nele que toda a construção, bem ajustada, cresce para formar um templo santo, no Senhor. É nele que também vós sois integrados na construção, para formardes uma habitação de Deus, pelo Espírito.
Efésios 2, 14-22


No decurso da história, o povo judeu esteve muito atento à sua especificidade enquanto Povo da Aliança. Frequentemente enfatizou as suas diferenças, em vários aspectos da vida, em relação às nações e religiões ao seu redor, de modo a manter a sua identidade de povo escolhido e a ser um sinal para o mundo.
Esta atitude acabou, por vezes, por expor o povo judeu à incompreensão e até à hostilidade dos outros.

No princípio da história da Igreja, São Paulo afirmou que, graças a Cristo, o muro que mantinha os povos separados já não existia.


Ao ser maltratado, Cristo nunca ameaçou (1 Pe 2,23). Ao revelar o seu amor ao ponto de morrer na cruz, «matou a inimizade» (v.16). O próprio Cristo trouxe a paz ao reconciliar todos os humanos – judeus e pagãos – com Deus e, consequentemente, uns com os outros. Assim, fora de todas as formas de separação e ódio, nasceu uma nova humanidade no corpo de Cristo.

Segundo São Paulo, este corpo é a Igreja, a comunidade daqueles que seguem as pisadas de Cristo. Os Apóstolos e os Profetas (v.20) são as primeiras testemunhas de Cristo, sobre as quais se edifica a «casa de Deus».

Cada crente, qualquer que seja a sua origem, é dela um membro por inteiro. Quando os cristãos vivem em união e amor, a Igreja cresce como uma construção de Deus, um sinal visível da presença divina no mundo.

Este texto abre caminho a perspectivas muito vastas. A realidade de uma só família humana é um dom de Deus na fé.

Acima das diferenças culturais
e económicas, e apesar dos grandes fardos da história, os cristãos podem e devem dar provas desta unidade num mundo que ainda está muito dividido.

Reflectindo...

Que atitudes, acções e iniciativas concretas nos ajudam a ultrapassar as barreiras de separação que existem em nós e à nossa volta?
«Cristo é a nossa paz». O que representam hoje para mim estas palavras de São Paulo?
O que ajuda a nossa comunidade paroquial ou grupo de oração a alagar-se como espaço de comunhão numa sociedade frequentemente heterogénea e multicultural?
O que posso eu fazer para encorajar este processo?




20*Em verdade, em verdade vos digo: quem receber aquele que Eu enviar é a mim que recebe, e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.»
Jo 13, 20

« Última modificação: 15 de Agosto de 2007, 16:27 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #7 em: 07 de Setembro de 2007, 15:25 »

PARA REFLECTIR: Ecos de Taizé (Setembro 2007)


Isaías 1,11-18:


Atenção a Deus, respeito pelo homem                                                                           

De que me serve a mim a multidão das vossas vítimas? -diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros, de gordura de bezerros. Não me agrada o sangue de vitelos, de cordeiros nem de bodes.

Quando me viestes prestar culto, quem reclamou de vós semelhantes dons, ao pisardes o meu santuário? Não me ofereçais mais dons inúteis: o incenso é-me abominável; as celebrações lunares, os sábados, as reuniões de culto, as festas e as solenidades são-me insuportáveis. Abomino as vossas celebrações lunares, e as vossas festas;    
estou cansado delas, não as suporto mais. Quando levantais as vossas mãos, afasto de vós os meus olhos; podeis multiplicar as vossas preces, que eu não as atendo.

É que as vossas mãos estão cheias de sangue.
Lavai-vos, purificai-vos, tirai da frente dos meus olhos a malícia das vossas acções. Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem; procurai o que é justo, socorrei os oprimidos, fazei justiça aos órfãos, defendei as viúvas. Vinde agora, entendamo-nos -diz o Senhor.

Mesmo que os vossos pecados sejam como escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve. Mesmo que sejam vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã.


O profeta Isaías tornou-se porta-voz de um Deus que abriu o seu coração a um povo que amava. Amor e palavras directas não se excluem mutuamente: quem diz a outro o que não pode suportar nele, não desistiu de confiar nessa pessoa.

Os líderes das nações lidam com Deus de um modo que o repugna. A sua adoração é inútil, não tem sentido e chega mesmo a ser destrutiva. Deus está farto (do culto, não dos homens). Deus já não escuta e nada mais quer ver.

No entanto, o calendário litúrgico é seguido à regra; as orações decorrem normalmente. No entanto, o que interessa a Deus não é a qualidade da liturgia, mas sim a dos que a celebram.

Estes pretendem servir a Deus, mas não servem os homens. Não percebem que Deus se uniu à nação inteira, começando pelos mais fracos, pelos oprimidos e pelos indefesos. Conduzem à ruína o povo que Deus lhes confiou.

A oração destas pessoas tornou-se um pouco ridícula; não se encontram puras. Se desejam servir Deus, devem mudar as suas atitudes e purificar-se, fazendo o bem, ajudando os outros, estabelecendo a justiça.

Todos aqueles que, política ou socialmente, vão ao sabor da corrente, desprezando os fracos e os marginalizados, afastam-se de Deus. Mas Deus, o verdadeiro soberano, convida-os a regressar a si e promete um perdão que purifica, que lavará o sangue cujos gritos chegam ao céu e que afoga todos os hinos.


Vimo-lo sem aspecto atraente,
3desprezado e abandonado pelos homens,
como alguém cheio de dores,
habituado ao sofrimento,
diante do qual se tapa o rosto,
menosprezado e desconsiderado.
4*Na verdade, ele tomou sobre si as nossas doenças,
carregou as nossas dores.
Nós o reputávamos como um leproso,
ferido por Deus e humilhado.
5Mas foi ferido por causa dos nossos crimes,
esmagado por causa das nossas iniquidades.
O castigo que nos salva caiu sobre ele,
fomos curados pelas suas chagas.
6*Todos nós andávamos desgarrados
como ovelhas perdidas,
cada um seguindo o seu caminho.
Mas o SENHOR carregou sobre ele todos os nossos crimes
.

Isaias 53, 2-6

Porque aonde Deus (que habita entre o seu povo) é adorado correctamente, a opressão, o uso arbitrário do poder e a injustiça desaparecem. E então o povo pode cantar a Deus, porque pode respirar livremente e a sua dignidade é respeitada.

Aquilo que aqui surge de uma forma dramática e prolífica é expresso de modo mais sucinto e sóbrio por Jesus, quando diz:

«Se fores apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta» (Mateus 5,23-24).

  Rosa Como ligo o serviço a Deus com o serviço aos outros Interrogação
  Rosa De que forma acontece isso na minha comunidade paroquial Interrogação
  Rosa O que podem significar estas palavras às pessoas que tentam encontrar um caminho para uma sociedade em que os direitos de todos são respeitados Interrogação
   
« Última modificação: 07 de Setembro de 2007, 16:56 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #8 em: 07 de Setembro de 2007, 16:45 »

Aqui fica a oração das velas. Quem é que não gosta desta música?

<a href="http://www.youtube.com/v/V_GL_zdSSIY" target="_blank">http://www.youtube.com/v/V_GL_zdSSIY</a>
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alguns doutores querem ser DEUS,
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« Responder #9 em: 07 de Setembro de 2007, 17:12 »

Obrigada Blaster, efectivamente é magnífico...
Espero um dia lá ir 


Peregrinação Diocesana a Taizé

O bispo do Algarve, D. Manuel Quintas,
junto dos jovens que o acompanharam nesta peregrinação
(de 27 de Julho a 6 de Agosto 2007)...






Para mais fotografias,
clique AQUI

Algarvios viveram comunhão de fé em Taizé


A diocese do Algarve peregrinou, de 27 de Julho a 6 de Agosto, à Comunidade Ecuménica de Taizé, no Sul de França, sob a presidência do seu Bispo, D. Manuel Neto Quintas, que, como alguns dos algarvios, nunca tinha ali estado.

Os 174 peregrinos, oriundos de todo o Algarve, tiveram oportunidade, durante a semana, de domingo (29/7) a domingo (5/8), de fazer uma experiência comunitária de fé em Cristo que ultrapassou diferentes fronteiras, raças, culturas e confissões cristãs.

Taizé, apresentou-se uma vez mais, como um protótipo da comunidade cristã perfeita onde todos contribuem para o bem comum, trabalhando, partilhando os bens, reflectindo em grupo e orando em conjunto.

Para a diocese algarvia, e até para a Igreja portuguesa, acabou por constituir um momento histórico em que, pela primeira vez, um Bispo acompanhou os jovens da sua diocese numa peregrinação a Taizé. Isso mesmo foi sublinhado até por um dos motoristas.

Os algarvios inseriram-se então na estrutura prevista e apresentada logo à chegada pela comunidade ecuménica, numa semana em que estiveram em Taizé cerca de 5000 pessoas, caindo assim por terra, logo nos primeiros momentos, a sensação inicial, por ventura criada naqueles que ali estavam pela primeira vez, de que seria difícil disciplinar a estadia de toda aquela multidão.

Assim sendo, os jovens dos 15 aos 29 ficaram acampados com os respectivos responsáveis, participando nos grupos de reflexão ou optando por meditar em silêncio.

Os adultos com mais de 30 anos, individualmente ou em casal, foram acolhidos em alojamentos masculinos e femininos, podendo fazer a mesma experiência de silêncio ou de partilha de grupos.

A primeira parte da manhã foi preenchida com introduções, apresentadas a cada grupo por um dos irmãos de Taizé, seguida da partilha em grupos ou da reflexão individual em silêncio.

À tarde, os participantes puderam integrar os diferentes workshops e durante o tempo livre foi-lhes ainda possível colaborarem nas várias tarefas para a manutenção da comunidade.

As famílias com crianças até 14 anos integraram a comunidade na chamada ‘Olinda’, uma quinta na aldeia vizinha de Ameugny, a cerca de 600 metros de Taizé. Ali também, pais e filhos, puderam assistir pela manhã à introdução do irmão, seguida de reflexões de grupo, enquanto as crianças, segundo as suas idades, envolveram-se em trabalhos que estimulavam o seu entendimento da passagem bíblica de cada dia.

À tarde, a encenação apresentada às famílias, novamente com todos os seus membros reunidos, coube à equipa de animação, composta pelos irmãos, irmãs e voluntários que a integraram, contando com a colaboração, em cada dia, com uma família diferente e com um grupo distinto de crianças.

O Bispo diocesano, alojado na ‘El Abiodh’, – o edifício da enfermaria local que também serve para acolher os voluntários, as irmãs que colaboram com a comunidade e os visitantes convidados –, começou logo, na viagem para Taizé, por apelar à “predisposição interior” dos peregrinos para se deixarem “conduzir pela acção de Deus, pela ajuda do Espírito Santo e pelo confronto com a pessoa de Jesus”.

E precisamente “o verdadeiro conhecimento da pessoa de Cristo, a partir do Evangelho” e a “verdadeira interpelação em relação à vida, apelando a uma conversão e identificação com Cristo” foram os aspectos destacados por D. Manuel Quintas à FOLHA DO DOMINGO para definir a semana vivida em Taizé, experiência que considerou “muito gratificante”, até porque lhe proporcionou uma “reconciliação com o tempo”.

Reconhecendo que ficou com uma “visão mais ampla” da comunidade da Borgonha francesa, o Bispo do Algarve explica que isso se deveu ao facto de os irmãos terem proporcionado que passasse por todos os sectores. “Inseri-me na dinâmica que está preparada para cada um dos dias e dirigida a cada um dos destinatários, segundo a sua condição de participação: jovens, adultos ou famílias. Foi enriquecedor e deu-me uma visão do sentido evangelizador e catequizador que os irmãos imprimem à sua acção junto daqueles que ali passam”, elucidou.

Por outro lado, o Bispo diocesano foi igualmente convidado a participar, pelo prior de Taizé, na intimidade das refeições dos irmãos, que testemunhou serem marcadas pela simplicidade que marca também a sua vida fraterna a par da dimensão contemplativa.

D. Manuel Quintas considera assim que a comunidade francesa apresenta “uma proposta já muito bem estruturada, fruto de muitos anos de experiência, com uma pedagogia própria, que poderá dar muitos frutos a quem nela se quiser deixar envolver e aderir”.

“Aquilo que mais saliento são as propostas que nos apresentam, a partir da Palavra de Deus, de forma muito directa, incisiva, humana, existencial e de fácil compreensão, que leva todas as pessoas a aderirem e a fazerem o seu caminho de conversão pessoal no confronto com a Palavra anunciada”.

Para o Prelado, outro aspecto positivo e “muito enriquecedor” é a “grande diversidade de proveniência de jovens e adultos”. Por outro lado, D. Manuel destaca ainda que “Taizé permite fazer uma experiência muito grande de comunhão humana”. “Valoriza-se sobretudo aquilo que une: a comunhão na mesma fé que se dirige ao mesmo Deus”, concretiza.

O Bispo diocesano, que passou um dia pela ‘Olinda’, mostrou-se ainda surpreendido com a pedagogia utilizada com as amílias. “Surpreendeu--me muito porque é muito envolvente e bem organizada, sobretudo para as crianças”, confessou.

Dos peregrinos algarvios, D. Manuel Quintas espera que esta vinda a Taizé os ajude “a levarem consigo a riqueza que receberam e a poder partilhá-la com os outros, sobretudo ao nível da sua participação e inserção na vida diocesana e do cultivo da oração mais contemplativa na sua vida pessoal”. “Espero que nós, que estivemos lá, possamos trazer para a nossa diocese aquilo que vivemos e celebrámos e isso possa ser motivo de enriquecimento nas próprias comunidades paroquiais”, complementou.

No cômputo geral, esta peregrinação algarvia acabou por decorrer de forma serena, apenas a registar-se um incidente pontual com um grupo muito restrito de jovens que felizmente acabou por não ter consequências de maior.

Jovens com "consistência, fidelidade e persistência"

Um dos momentos mais significativos da semana da Peregrinação da Diocese do Algarve a Taizé ocorreu a meio da semana com o encontro dos cerca de 300 portugueses que ali se encontravam.

Presidido pelo Bispo do Algarve, o encontro português constituiu uma oportunidade para D. Manuel fazer festa com os jovens portugueses, tendo cantado com eles algumas músicas, entusiasmado pelo ambiente que se vivia em Taizé.

Visivelmente animado pelo decorrer da peregrinação algarvia, o Bispo do Algarve pediu aos jovens maior “consistência, fidelidade e persistência” na presença na Igreja.

“A vossa presença na Igreja ganhará consistência, adquirirá fidelidade e persistência, quanto mais a pessoa de Cristo fizer parte da vossa vida”, complementou o Prelado, garantindo que os jovens o ajudam “a olhar não só para o presente, mas para o futuro com outra esperança”.
 
Procurando responder a algumas questões levantadas pelo único irmão português presente em Taizé, o irmão David, D. Manuel Quintas aconselhou os jovens a não esperar um lugar especial na Igreja.

“Tendes um lugar, que não é físico, que é vosso e que ninguém ocupa por vós. Na Igreja do Algarve tendes o lugar todo. Tendes as portas abertas. Era bom que não vos considerásseis hóspedes na Igreja. Estais na Igreja de pleno direito e quando não estais, fazeis falta”, afirmou, acrescentando que gostaria que os jovens crismados vivessem “comprometidos no anúncio da fé, ou seja na sua transmissão e testemunho”, “vivessem de maneira consciente o seu Baptismo e que assumissem, com responsabilidade, o seu lugar na Igreja, inserindo-se na comunidade cristã, nos diferentes serviços e ministérios”.

“Espero sinceramente que estes dias passados aqui em Taizé vos ajudem de tal modo que, ao regressarmos às dioceses, a vossa experiência aqui vivida vos leve a marcar a diferença nas vossas comunidades e seja verdadeiramente sinal”, concluiu.

O irmão David, que apresentou uma breve explicação sobre a origem e história da comunidade da qual faz parte, considerou também que “a experiência de comunhão de Taizé só faz sentido se puder ser concretizada com uma procura de comunhão no dia-a-dia”.

Durante o encontro houve ainda espaço para a partilha de alguns testemunhos de diferentes vivências do compromisso cristão na Igreja.

Lourdes fez parte do programa

A viagem de ida para Taizé foi repartida por dois dias, tendo os algarvios pernoitado em Lourdes (França), após uma primeira paragem na estância balnear francesa de Biarritz.
Chegados ao santuário mariano, os peregrinos foram alojados na Village des Jeunes e na Maison Saint-Pierre et Saint-Paul , tendo o Bispo do Algarve pernoitado na Maison des Chapelains.

Na celebração da Eucaristia, presidida por D. Manuel Quintas na Basílica Superior da Imaculada Conceição, após o visionamento de parte de um filme sobre a história das aparições a Bernardette Soubi-rous, o Bispo do Algarve destacou a importância de descobrir que “a oração não é uma questão de método ou de palavras, mas de amor”.

“Quando descobrirmos que somos verdadeiramente amados por Deus, a oração brota espontaneamente de nós”, sublinhou o Bispo diocesano.

No dia seguinte, dia 29 de Junho, pelas 6 horas, os algarvios madrugaram para novamente participa-rem na celebração da Eucaristia, que teve lugar desta vez na gruta do Santuário de Lourdes, novamente presidida por D. Manuel Quintas.
De seguida, os peregrinos algarvios partiram para Taizé.

Desafio à organização

Ao Sector Diocesano da Pastoral Juvenil, responsável pela organização da Peregrinação da Diocese do Algarve a Taizé, D. Manuel Quintas deixou um desafio.

O repto prende-se com a incrementação e efectivação da peregrinação dos jovens algarvios àquela comunidade ecuménica.

“Penso que estas iniciativas são de continuar”, desejou o Bispo do Algarve, recordando o hábito já existente de peregrinar anualmente a Taizé com um ou dois grupos algarvios. “Penso que poderíamos avançar um pouco mais no que diz respeito à preparação, organização e envolvimento daqueles que vêm, para que aproveitem ainda mais e para que, quando regressem, enriqueçam ainda mais as comunidades a que pertencem. Ninguém vai a Taizé que não regresse com algo de novo e de interpelador para a sua vida”, salientou D. Manuel Quintas.

Ressonâncias da Peregrinação a Taizé...

Catarina Gabadinho - 16 anos

“Foi o segundo ano que fui a Taizé. Esta peregrinação teve um significado bastante especial porque fui com o objectivo de me encontrar, de evoluir a nível espiritual e também de partilhar os momentos de oração.

Gostei mais este ano porque da primeira vez não estava tão preparada para viver o que é Taizé. Se calhar ainda não tinha a maturidade necessária. Este ano encarei Taizé de uma maneira diferente”.


Família Agostinho


Luís Agostinho - 37 anos

“Já tinha tido uma experiência de participação inserido num grupo de jovens, mas em agora em família teve um significado especial.
Toda a dinâmica que existiu, programada na ‘Olinda’, promove a oração em família e a reflexão das passagens bíblicas e isso foi muito importante porque me fez crescer também na fé e no amor a Cristo. Toda esta comunhão que existe dos diversos credos cristãos faz-nos sentir mais unidos a Deus que todos amamos”.

Sílvia Agostinho - 35 anos

“A participação em família faz-nos crescer em conjunto e a partilha nos grupos permite-nos perceber que existem outras famílias que vivem como nós e isso é muito positivo.

A minha participação, nos momentos de oração pessoal, permitiu-me também constatar que o trabalho que estou a fazer na paróquia é necessário porque Deus precisa de mim ali, a desempenhar aquela missão”.

André e Inês Agostinho - 8 e 11 anos

“O que mais gostámos foi dos momentos de oração”.


Pe. Manuel Condeço
Pároco de Algoz e Guia e único sacerdote
que integrou a peregrinação


“Embora não tivesse sido novidade para mim o esquema de trabalho porque já conheço estes sistemas por ter trabalhado com jovens, ajudou-me a rejuvenescer, pois há muito tempo que os não exercia.

Por outro lado foi para mim motivador por ver tantos jovens do Algarve juntos a pedirem algo de novo na sua vida.

Já tinha passado em Taizé, mas não tinha entrado. Constituiu para mim uma pausa no trabalho de sacerdote e pároco e foi muito gratificante a todos os níveis. Espiritualmente foi quase um retiro em que pude aliviar o espírito e a mente. Gostei imenso de ter participado e acho que todos os sacerdotes deviam ter uma experiência deste género.

Embora não tivesse ficado surpreendido, fiquei impressionado e fez-me reflectir: porque não temos jovens nas nossas paróquias, quando ali há uma adesão tão grande?

É importante aproveitar este entusiasmo para, na vida prática de cada dia, possam manter viva esta “chama” que foram buscar a Taizé, mas essa disposição tem de partir dos próprios jovens porque se for imposta não funciona.

O facto de terem participado pessoas da minha paróquia, terem-se integrado e virem entusiasmadas é sinal da presença do Espírito e sinto--me feliz.


Casal Luís Henriques e Zulete Martins


Luís Henriques - 66 anos

“Destaco a vivência de uma fé universal. A diversidade de pessoas, de idades, de culturas unidas no mesmo sentimento foi para mim uma alegria muito especial. Importante foi também o valor dado ao silêncio. O silêncio ali é vivido como um encontro muito pessoal e directo com Deus. Nunca me tinha apercebido da riqueza, do alívio e da felicidade do silêncio.

Outra coisa que me impressionou bastante foi o facto de, naquela igreja, cheia de gente nas mais diversas posições físicas, sentir que todos estavam numa sintonização perfeita e plena a nível religioso.
A expectativa que tinha de Taizé foi ultrapassada.

O facto de termos ficado em alojamentos separados não me afectou nada, sobretudo à medida que fui percebendo a dimensão da diversidade. Por outro lado havia momentos de encontro ao longo do dia.

Penso que é também uma riqueza, os jovens sentirem a participação dos adultos. A prioridade de participação deverá continuar a ser dos jovens, mas não em exclusividade.”

Zulete Martins - 62 anos

“Senti que aquele tipo de Igreja seria um bocadinho da Igreja que Cristo sonhou. Senti-me tão jovem como os jovens, até porque penso que a fé é jovem em qualquer idade. Levo uma maior disponibilidade interior de entrega, confiança e esperança na minha fé, perante as realidades da vida. Senti que aqueles jovens são uma promessa de esperança num mundo melhor. Senti que aquele espírito de união que se estabeleceu é a força do Espírito Santo que pairava ali.

Nas actividades em que já participo vou estar com um espírito mais evangélico, de maior entrega, humildade, confiança, esperança e paciência”.

« Última modificação: 07 de Setembro de 2007, 17:20 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #10 em: 05 de Outubro de 2007, 12:29 »

PARA REFLECTIR: Ecos de Taizé (Outubro 2007)


Mateus 7,7-11:
 Pedir e Confiar   



O quê? O que devemos fazer
quando
necessitamos de algo
Interrogação
"Jesus disse:
 «Pedi, e ser-vos-á dado;
procurai, e encontrareis;
batei, e hão-de abrir-vos.
Pois, quem pede, recebe;
e quem procura, encontra;
e ao que bate, hão-de abrir.

Qual de vós, se o seu filho lhe pedir pão,
lhe dará uma pedra?
Ou, se lhe pedir peixe,
lhe dará uma serpente?
Ora bem, se vós, sendo maus,
sabeis dar coisas boas aos vossos filhos,
quanto mais o vosso Pai que está no Céu
dará coisas boas àqueles que lhas pedirem.»
     

Jesus encoraja-nos a colocar as nossas necessidades perante Deus, uma acção muito simples que ele descreve de três maneiras.

Em primeiro lugar, podemos, apenas e muito simplesmente, pedir a Deus. Rezar não é um acto de magia. Na oração, não há fórmulas, preparações ou acções especiais. Podemos apenas pedir da maneira mais directa possível.

Ou podemos procurar. Procurar implica ceder algum tempo e esforço e, por vezes, implica atravessar momentos de frustração. Mas quando procuramos com uma esperança verdadeira de encontrar aquilo que desejamos, podemos também ser conduzidos à alegria.

Por fim, podemos agir como se batêssemos a uma porta, e isto sugere permanecer na expectativa de que alguém virá. Implica um encontro com alguém.

Cristo assegura-nos que levar as nossas necessidades a Deus destas formas nunca será em vão. Podemos rezar, pedir, procurar e bater à porta com toda a confiança, porque Deus irá ouvir e responder: segundo a prática judaica, usar formais verbais como «receber» e «hão-de abrir» é um modo de falar da actividade de Deus sem o mencionar.

Jesus explica-se com uma analogia. Os seres humanos, imperfeitos, sabem como dar aos seus filhos aquilo de que eles precisam. «Se vós, sendo maus» significa «com todas as vossas faltas»: Cristo não está a denegrir a natureza humana, mas a dizer, simplesmente, que, em comparação com a generosidade sem limites de Deus, o nosso amor é algo muito frágil. E se o nosso amor pode dar o que é necessário aos nossos filhos, temos todas as razões para confiar em Deus tanto ou até mais do que as crianças humanas confiam nos seus pais.

Os pais querem que os seus filhos procurem neles mais do que apenas alimento. Deus quer que procuremos nele mais do que aquilo de que precisamos agora. Mais do que as necessidades da vida, é a fonte da própria vida que, com grande simplicidade, Deus nos quer dar.

Se o texto começa por focar as nossas necessidades, termina com ênfase no «vosso Pai que está no Céu»: o que verdadeiramente dá vida é uma relação de confiança com ele. Pedir, procurar e bater à porta, mesmo quando não há uma resposta imediata e óbvia às nossas orações, são modos de penetrar e deixar crescer esta confiança que dá a vida.

Interiorizando...


  O quê? Já tive a experiência de receber, encontrar ou ter uma porta aberta por Deus?  O quê? Quando?
  O quê? O que procuro?
  O quê? O que me ajuda a continuar a pedir, procurar e bater à porta com confiança?
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« Responder #11 em: 11 de Novembro de 2007, 13:14 »

PARA REFLECTIR: Ecos de Taizé (Novembro 2007)


No caminho da família humana
Isaías 2,2-5

No fim dos tempo o monte do templo do Senhor estará firme, será o mais alto de todos, e dominará sobre as colinas. Acorrerão a ele todas as gentes, virão muitos povos e dirão: «Vinde, subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacob.

Ele nos ensinará os seus caminhos, e nós andaremos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor.
 
Ele julgará as nações, e dará as suas leis a muitos povos, os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra e não se adestrarão mais para a guerra. Vinde, casa de Jacob!, caminhemos à Luz do Senhor.»


Isaías ouviu palavras audaciosas. Ele é o profeta da consolação e do encorajamento. E, no entanto, o que ele afirma aqui parece-nos um pouco irreal. Fala de um povo que parece estar no final do seu percurso.

O profeta diz que a história terminará de modo diferente daquele que a situação presente sugere. A montanha em que a casa do Senhor se encontra irá prevalecer sobre tudo. A presença de amor de Deus permanecerá na sua cidade, com o seu povo. E terá consequências para o mundo inteiro.

Será finalmente no seu povo que os seres humanos procurarão Deus. Todos os povos, de numerosas nações, unir-se-ão na montanha da presença de Deus. Este amor entre Deus e os seus seguidores não deixará ninguém indiferente.

E a palavra de Deus, a lei de Deus, separará os humanos do ódio e da destruição. Ela irá construir, irá fundar uma cultura, uma agricultura e uma vinicultura para produzir o pão e o vinho. A guerra revelar-se-á como um beco sem saída. A aspiração dos povos de seguir outro caminho será satisfeita.

Deste modo, as outras nações irão reconhecer o Deus de Israel como o Deus verdadeiro e, consequentemente, como o seu Deus, à luz de um amor tangível e desinteressado, que nunca é negado e que nenhum poder pode conquistar, que permanece mesmo durante os dias de escuridão – e que é destinado a todos.

O que Isaías ouve não é uma ilusão. Sobre a montanha, na cidade, Jesus veio completar a história para todos os povos. O fim do tempo e o seu amor manifestado até ao fim, na cruz, revelaram-se como uma e a mesma coisa. Como Ressuscitado, é o caminho para todos.


São Paulo escreveu que Cristo é a realidade. Em si próprio, Cristo colocou um fim ao ódio e nada nos pode separar do amor que em si foi revelado. No nosso caminho ameaçado pela violência e pela divisão, acolhemos Cristo e recebemos já a sua paz, no pão e no vinho

Interiorizando...
  Rosa O que significa olhar para a nossa vida e para o nosso mundo na luz de Deus Interrogação O que vemos Interrogação

 Rosa  Onde descobrimos o que nos atrai na Igreja Interrogação
Rosa O que podemos fazer para que os caminhos dos diferentes povos se juntem Interrogação

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« Responder #12 em: 26 de Dezembro de 2007, 20:46 »

PARA REFLECTIR: Ecos de Taizé (Dezembro 2007)


A vossa salvação está em terdes calma

Isaías 30,15-20


Vede o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel:
 «A vossa salvação está na conversão e em terdes calma; a vossa força está em terdes confiança e em permanecerdes tranquilos.»

Mas não quisestes. Dissestes: «Não; fugiremos a cavalo!» -Pois bem, fugireis. «Correremos a galope!» -Pois bem, serão mais velozes os vossos perseguidores. (…) Mas o Senhor espera para se apiedar de vós, aguenta para se compadecer de vós; porque o Senhor é um Deus justo, e ditosos os que nele esperam.

 Povo de Sião, que habitas em Jerusalém, já não chorarás mais, porque o Senhor terá piedade de ti quando ouvir a tua súplica, e, mal te ouça, logo te responderá.

(Isaías 30,15-20)


Na história de Israel, Deus pede ao seu povo duas coisas contraditórias: não fugir diante do perigo e não contar com as suas forças. Portanto, « Nós fugiremos a cavalo, correremos a galope Excalmação» é exactamente o que Deus não queria ouvir da sua boca!

A identidade de Israel é a de um povo que, escravo no Egipto, saiu de lá de « mãos vazias », sem armas nem bagagens. O Êxodo foi tornado possível porque o próprio Deus se empenhou em abrir um caminho, aonde não havia nenhum. Israel teve apenas que se deixar conduzir.

Mas, para se deixar conduzir, é necessário aceitar simultaneamente desprender-se do domínio dos acontecimentos e enfrentar o perigo como ele é : atravessar o mar, em vez de regressar ao Egipto.

No fundo, muitas vozes no interior de nós mesmos gostariam de nos levar de volta ao Egipto. «Foi por falta de túmulos no Egipto que nos trouxeste para morrermos no deserto?» (Êxodo 14,11) protestam os Hebreus diante de Moisés a meio do caminho. Toda uma parte de nós mesmos prefere o conforto da escravatura à dificuldade de olhar de frente os perigos da liberdade.

Aceitar avançar aonde não há caminho, desprender-se do domínio dos acontecimentos, saber contar com mais do que as suas próprias forças: eis a atitude que o profeta descreve pelas palavras «calma» e «conversão».

Se a salvação reside aí é porque a calma nos permite assumir a nossa própria vulnerabilidade e não a considerar como um obstáculo no caminho da liberdade.

Reconhecer-se vulnerável, sem «galopar», é seguramente dar espaço ao «Deus de justiça» para agir, para nos «responder assim que nos ouvir». Longe de nos conduzir à passividade, esta vulnerabilidade dá-nos a audácia de avançar sem previsão nem provisão.

Nas sociedades altamente tecnicizadas, onde o medo do fracasso impede de correr riscos e onde se quer prever sempre tudo, é essencial redescobrir a audácia da vulnerabilidade. É esse o convite do Deus de Israel, aquele que «nos faz sair da casa de servidão» (Êxodo 13,3).


Para reflectir...


  Inocente Como reajo eu perante situações em que tenho a impressão de perder o pé Interrogação

  Inocente O que me ajuda a reencontrar a calma
Interrogação

Aceitar avançar aonde não há caminho,
libertar-se do domínio dos acontecimentos,
saber contar com uma coisa diferente das suas próprias forças

 Inocente a fé ajuda-me a isso  Interrogação Como  Interrogação


Eis a Palavra que tenho precisado escutar nestes últimos meses e só hoje a encontrei, pois nem tudo está nas nossas mãos e há momentos que nada podemos fazer senão esperar de coração maltratado nas nossas mãos estendendo-o a Deus,  na tranquilidade de quem onde põe a sua confiança:  essa paz também é dom de Deus pois sozinhos não a conseguimos ter
« Última modificação: 26 de Dezembro de 2007, 20:50 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #13 em: 01 de Janeiro de 2008, 12:36 »

ECOS DE TAIZÉ:  (Janeiro 2008)

  Pedras vivas

«Aproximando-vos dele, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus, também vós -como pedras vivas- entrais na construção de um edifício espiritual, em função de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. Por isso se diz na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida, preciosa; quem crer nela não será confundido.
 
Vós, porém, sois linhagem escolhida, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido em propriedade, a fim de proclamardes as maravilhas daquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável, a vós que outrora não éreis um povo, mas sois agora povo de Deus, vós que não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia.»





Durante séculos, no coração da religião do antigo Israel encontrava-se o Templo de Jerusalém, edifício impressionante construído no monte Sião, local da presença divina onde os padres da linhagem de Aarão levavam oferendas a Deus em nome do povo.

Estas oferendas animais e vegetais exprimiam o desejo dos crentes de entrar numa comunhão com o Senhor, de afirmar a sua gratidão restituindo-lhe um pouco do que ele lhes havia dado na sua generosidade.

Contudo, eis que um dos primeiros responsáveis cristãos, escrevendo aos fiéis de origem não judia, se serve destes elementos da religião antiga transformando-os. Serve-se deles para lhes explicar a sua nova identidade enquanto discípulos de Jesus Cristo.

Retomando as palavras do profeta Oseias sobre o perdão de Deus ao seu povo infiel (ver Oseias 1-2), o apóstolo afirma que os destinatários da sua carta fazem agora parte do povo que Deus escolheu para ser, no mundo, o testemunho por excelência do seu amor. E isso não devido aos seus méritos, mas unicamente graças à compaixão divina, manifestada de forma tangível por Cristo vindo para todos.

Para os cristãos, o lugar da presença divina não é um local geográfico ou um edifício, mas pessoas. É antes de mais Cristo, descrito noutros textos como o Templo verdadeiro, o local de encontro com Deus (ver João 2, 21), mas aqui sobretudo como «a pedra angular» deste Templo.

Os seus discípulos são pedras vivas que se reúnem à sua volta para formar a morada divina. Ao mesmo tempo, eles são comparados aos padres que celebram neste novo Templo.

Por outras palavras, é pela vida da comunidade cristã, quando ela permanece fiel ao seu fundador, que o mundo descobrirá a verdadeira identidade de Deus e entrará em relação com ele. Daí a grande importância para os cristãos de viver de tal forma que revelem uma imagem autêntica do Deus invisível. Eles fazem isso antes de mais pelo seu amor recíproco, aberto a todos.

Para reflectir...


 Rosa  O que significa para nós «aproximar-se de Cristo», sendo que ele não vive mais entre nós na terra Interrogação

 Rosa  O que fazer para viver mais no reconhecimento em direcção a Deus, «que nos chamou das trevas para a sua luz admirável» Interrogação

 Rosa  Através de que maneira de viver poderemos ser sinais da presença do Deus invisível Interrogação
« Última modificação: 01 de Janeiro de 2008, 12:42 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #14 em: 04 de Fevereiro de 2008, 15:44 »

ECOS DE TAIZÉ:  (Fevereiro 2008)

  Uma cura que convida a recordar

«Um sábado, ensinava Jesus numa sinagoga. Estava lá certa mulher doente por causa de um espírito, há dezoito anos: andava curvada e não podia endireitar-se completamente.

Ao vê-la, Jesus chamou-a e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua enfermidade.» E impôs-lhe as mãos. No mesmo instante, ela endireitou-se e começou a dar glória a Deus.

Mas o chefe da sinagoga, indignado por ver que Jesus fazia uma cura ao sábado, disse à multidão: «Seis dias há, durante os quais se deve trabalhar. Vinde, pois, nesses dias, para serdes curados e não em dia de sábado.»

Replicou-lhe o Senhor: «Hipócritas, não solta cada um de vós, ao sábado, o seu boi ou o seu jumento da manjedoura e o leva a beber? E esta mulher, que é filha de Abraão, presa por Satanás há dezoito anos, não devia libertar-se desse laço, a um sábado?»

Dizendo isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e a multidão alegrava-se com todas as maravilhas que ele realizava.»





Na conversa, na sinagoga, que se segue à cura de uma mulher curvada, Jesus conclui revelando a entidade única desta mulher: ela é uma filha de Abraão (v.16).

Convém que a sua verdadeira identidade seja manifestada no dia de sábado. Com Jesus, não estamos no plano daquilo «que deveríamos ou não fazer?», como pretende o chefe da sinagoga, mas antes do «que deveríamos nós ser ou não ser?» - quem somos nós verdadeiramente?

O chefe da sinagoga refere-se ao mandamento divino sobre o sábado em Êxodo 20,9-11. Jesus, por sua vez, responde segundo o mandamento paralelo em Deuteronómio 5,13-15, que explica:

«…para que o teu servo e a tua serva descansem como tu.
Lembra-te que foste escravo na terra do Egipto,
donde o Senhor, teu Deus, te tirou.»


É por esta razão que a mulher devia ser «liberta» da sua escravidão precisamente no dia de sábado. Assim ela torna-se um sinal vivo que evoca a libertação de Deus hoje.

Que quer dizer descansar em Deus?


Em primeiro lugar, significa recordar-se. Trata-se de ver a nossa existência com outra luz, diferente da da nossa actividade, do nosso trabalho, de ver sobretudo aquilo que Deus realiza, antes de mais através das nossas fraquezas.

Para o povo de Deus, isto significava lembrar-se do período da escravidão. Para nós, isso poderia significar que a lembrança das nossas feridas interiores nos tornará mais humanos, levando-nos a ver a bondade de Deus para connosco e para com os outros, e ajudando-nos a (re)descobrir a nossa verdadeira identidade.

A mulher curvada devia ser «libertada».

 Desabrochar De que devemos nós ser libertados, afim de nos tornarmos plenamente nós mesmos Interrogação

Frequentemente devemos ser libertados de fazer «demais».
 Em vez de nos perguntarmos o que devemos ainda fazer,
a questão não será:

 Desabrochar como fazer menos, afim de ficarmos livres para o que é mais essencial?

Somos por vezes tentados a querer fazer cada vez mais, a ter medo de não fazer o suficiente ou de decepcionar alguém dizendo não. Ou então queremos fazer tudo nós mesmos, sem confiar nada aos outros.

Não somos convidados a «fazer» mais, mas,
como a mulher curvada, a «ser» mais, a amar mais
.

 Desabrochar Que espaço posso encontrar na minha vida quotidiana para parar, para recordar, para descansar em Deus Interrogação
 Desabrochar De que devo ser «libertado» Interrogação
 Desabrochar De todas as minhas actividades, a quais deveria renunciar Interrogação
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