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Autor Tópico: D. José Policarpo Cardeal Patriarca de Lisboa, Portugal  (Lida 1365 vezes)
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Rita*
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« em: 27 de Fevereiro de 2007, 21:12 »

D. José Policarpo



Procurar sinais de missão

 
Aprofundar as razões da Fé é a tarefa a que se propõe o Cardeal Patriarca de Lisboa nas catequeses que preparou para este tempo de Quaresma.

Na primeira Catequese Quaresmal, realizada este domingo, D. José Policarpo destacou a importância da busca de sinais de missão. “Amar os homens do nosso tempo não significa deixar-se arrastar pela deriva cultural das sociedades contemporâneas. Como enviado em missão, a Igreja tem de ser capaz de afirmar a diferença de ler, nos anseios e nos problemas da sociedade, sinais para a sua missão e poder propor, com convicção, aquilo em que acredita”, disse o Cardeal Patriarca de Lisboa.

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Rita Rosa Canadá
« Última modificação: 27 de Fevereiro de 2007, 21:43 por Rita* » Registado
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« Responder #1 em: 01 de Março de 2007, 18:05 »

Patriarca de Lisboa triste com a vitória do "Sim" - 01/03/2007 - 08:51 
 
O Cardeal-Patriarca de Lisboa considera uma "fragilidade interna" da comunidade católica o voto fiéis no "Sim" no referendo do aborto e assegura que a Igreja, "mais do que derrotada, ficou triste com a decisão dos portugueses".
"Muitas vezes, porém, as vitórias avaliam-se, mais do que pela quantidade dos votos, pela justiça das causas. E continuamos convencidos de que a nossa é uma causa justa e reta, em termos de civilização. Relativamente aos votos «Sim» dos católicos – e aqui podemos falar de uma derrota – já me tocam mais de perto. Porque mostram uma fragilidade interna da comunidade católica", refere, em entrevista à revista Visão, publicada hoje, 1 de Março.

" O referendo fez-me refletir na fragilidade da nossa catequese. Na qualidade, na acutilância... Nós não estamos a conseguir transmitir às gerações mais novas esta fidelidade aos valores do Evangelho", disse, sublinhando tratar-se de uma opinião pessoal.

D. José Policarpo refere, sobre os próximos passos a dar nesta matéria, que "não podemos colaborar com uma lei que consideramos injusta, mas estaremos do lado de todas as salvaguardas que garantam ajuda à mulher que tenciona fazer um aborto. Até para propor alternativas".

O Patriarca de Lisboa mostra-se preocupado com o "crescente número de católicos cuja profissão de fé não coincide com a moral praticada. E não fazem acompanhar a exigência da vida cristã com a atitude moral".

Sobre alguma polêmica gerada em torno do que está previsto no Código de Direito Canônico sobre o aborto, D. José Policarpo sublinha que ninguém está excomungado por ter votado «Sim», mas refere que "quem fez profissão de fé católica e dela se afastou numa questão como a do aborto, pelo menos deveria pensar um bocadinho nisso".

Sobre a "mutação cultural" que se vive em Portugal, o Cardeal-Patriarca diz que "as pessoas já não fazem perguntas sobre o sentido da vida, mas sobre o problema que têm, em cada momento, diante dos olhos".

 Rita  Rosa

 
www.catolicanet.com.br

 
Fonte: Agência Ecclesia
Local:Lisboa (Portugal)
 
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« Responder #2 em: 31 de Março de 2007, 15:29 »

Mensagem do Cardeal-Patriarca para a Quaresma 2007
2007-02-22 22:42:59

1. Na sua Mensagem para a Quaresma, o Santo Padre Bento XVI convida os cristãos a encontrarem-se com Jesus Cristo, contemplando o Seu rosto de crucificado: “hão-de olhar para Aquele que trespassaram” (Jo. 19,37). Convido os cristãos da Diocese de Lisboa a seguirem a palavra do Papa, porque somos uma Igreja em comunhão com o Sucessor de Pedro, e queremos sê-lo mais profundamente neste tempo santo da Quaresma, início da celebração pascal deste ano. Por isso limitar-me-ei a dar sugestões para uma resposta sincera e profunda às palavras do Santo Padre.

Acolher o amor de Deus

2. Olhar o rosto de Jesus crucificado é abrir-se ao insondável amor com que Deus nos ama. Porque a morte de Jesus, o Filho de Deus, é a mais radical expressão do amor de Deus por nós, contemplar o Crucificado é o caminho mais directo para nos abrirmos a esse amor infinito. Também aí, sobretudo aí, Cristo é o caminho para o Pai.

Que Deus nos ama, é objecto da nossa fé. Começamos por acreditar nesse amor. Mas o amor de Deus por cada um de nós pode tornar-se experiência vivida e mesmo sentida. A generosidade absoluta desse amor comove-nos; a ânsia que Deus manifesta de nos amar e de receber o nosso amor, desperta dinamismos profundos, escondidos no nosso coração. Não é só Deus que se sente atraído por nós; no mais íntimo de nós mesmos sentimo-nos atraídos por Deus e essa é uma atracção de amor. A dimensão esponsal com que as imagens bíblicas nos apresentam o amor de Deus pelo seu Povo, revela-nos o mais profundo desejo de Deus: ser comunhão connosco. Para o conseguir, enviou o seu Filho, isto é, deu-no-l’O para nos amar com um amor humano, que é divino, e dar a maior prova de amor, deixar-se amar por nós.

Ao preparar a Páscoa deste ano, não desviando o olhar do rosto de Cristo crucificado, identifiquemos todos os sinais da nossa atracção por Deus, demos-Lhe o nosso amor manifestado em gestos simples de vida, que vão da adoração ao amor fraterno, e demos, neste tempo, à Cruz do Senhor um lugar especial na nossa vida, com muita gratidão e de ternura. E nunca esqueçamos que amá-l’O é cumprir a sua vontade obedecendo aos seus mandamentos, pois há formas de viver que abafam em nós essa experiência do amor de Deus.


Quaresma, tempo eucarístico

3. O Santo Padre diz-nos na sua Mensagem: “A Eucaristia atrai-nos para o acto oblativo de Jesus, somos envolvidos na dinâmica da sua doação. Vivamos então a Quaresma como um «tempo eucarístico», no qual, acolhendo o amor de Jesus, aprendemos a difundi-lo à nossa volta com todos os gestos e palavras”

O que é que nos sugere este convite de vivermos a Quaresma como tempo eucarístico?

* Tomar consciência, pelo modo como a preparamos e participamos nela, que a Eucaristia é o maior dom dado por Cristo à Sua Igreja: participar no acto de amor do Pai, que entrega o Seu Filho por nosso amor; participar no amor de Cristo ao Pai e a nós, “obedecendo até à morte e morte de Cruz”, abraçando a humanidade no amor infinito de Deus; participar na obediência de Jesus, procurando, em tudo, fazer a vontade de Deus Pai e participar no amor de Cristo pela humanidade, envolvendo, também nós, toda a humanidade com o nosso amor; entregar toda a nossa vida para a reencontrar em Deus.


* Procurar a Eucaristia, com uma fidelidade ainda mais delicada, sempre que possível, em todos os dias da semana.

* Cuidar, com particular zelo, da qualidade das celebrações, para que nelas se exprima a comunhão entre Cristo e a Sua Igreja, em comunhão e encontro de fé e amor.

* Preparar-se para elas, com especial cuidado e delicadeza, pela conversão e arrependimento dos nossos pecados, celebrando o sacramento da reconciliação.

* Partir delas, sentindo-se enviado em missão e testemunhando, pelas palavras e pela vida, a alegria de nos sentirmos amados por Deus.

A Eucaristia não é uma repetição. Em cada dia ela pode ser a surpresa do encontro com o Amor. É o momento em que Deus nos atrai e se nos revela, onde a Sua Palavra pode ter o impacto de uma manifestação de Deus. Só assim as celebrações eucarísticas, durante a Quaresma, nos prepararão para a Festa da Páscoa, onde nos cruzaremos com Jesus ressuscitado e descobriremos que contemplar o Seu rosto doloroso é o caminho para encontrar o Seu rosto glorioso.


A Quaresma, tempo de Caridade

4. A caridade, diz o Santo Padre, “é o amor oblativo de quem procura exclusivamente o bem do próximo”, que tem a sua fonte em Deus, que, ao dar-nos o Espírito Santo, inunda os nossos corações de capacidade e de desejo de amar os irmãos como Cristo os ama.

O nosso Programa Diocesano de Pastoral está repassado de um desejo: fazer de toda a acção da Igreja uma expressão da caridade. A Quaresma é um tempo privilegiado para darmos concretização a este desejo. São as próprias palavras do Papa a indicar-nos o caminho: “Contemplar «Aquele que trespassaram» estimular-nos-á desta forma a abrir o nosso coração aos outros, reconhecendo as feridas provocadas à dignidade do ser humano; impulsionar-nos-á, sobretudo, a combater qualquer forma de desprezo pela vida e de exploração da pessoa e a aliviar os dramas da solidão e do abandono de tantas pessoas. A Quaresma seja para cada cristão uma experiência renovada do amor de Deus que nos foi dado em Cristo, amor que todos os dias devemos, por nossa vez, «dar novamente» ao próximo, sobretudo a quem mais sofre e é necessitado. Só assim poderemos participar plenamente da alegria da Páscoa”.


5. Na nossa Diocese é já uma tradição que uma das expressões da caridade seja a nossa “Renúncia Quaresmal”, partilhando mais generosamente o que temos em favor dos mais carenciados, pessoas e comunidades de todo o mundo. Como sabem, o contributo da vossa Renúncia destina-se ao “Fundo Diocesano de Ajuda Inter-Eclesial”, que procura responder aos pedidos de ajuda que nos vêm de todo o mundo. Como o Santo Padre nos disse na sua Encíclica “Deus é amor”, a caridade deve ser praticada pelas pessoas e pelas Igrejas. Este “Fundo” é um dos modos que permite à Igreja de Lisboa praticar a caridade, ajudando as Igrejas mais pobres em bens materiais a socorrer os seus pobres e a viabilizar instituições de ajuda aos nossos irmãos. Não os conhecemos, mas Deus conhece-os e ama-os e recompensar-nos-á pela nossa generosidade. Que a nossa caridade proporcione a esses irmãos o sentirem-se amados por Deus.

Os resultados até agora recebidos da “Renúncia Quaresmal” de 2006 são da ordem dos 262.007,24€. Em anexo, a lista dos pedidos que contemplámos em 2006, depois de os analisarmos cuidadosamente. Um outro conjunto de pedidos de ajuda está já em estudo.

Construamos, desde já, a alegria da nossa Páscoa. Maria, que aos pés da Cruz, nos recebeu como seus filhos, estará connosco nesta nossa abertura ao amor de Deus.



Lisboa, 2 de Fevereiro de 2007, Festa da Apresentação do Senhor.

† JOSÉ, Cardeal-Patriarca

www.paroquiasdeportugal.org


Fonte Ecclesia

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Rita*
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« Responder #3 em: 16 de Setembro de 2007, 02:16 »

D. José Policarpo escreve aos padres sobre o Motu Proprio

 
O sacerdote não deve pôr o acento no seu possível gosto pessoal pela Liturgia anterior à Reforma Litúrgica

Carta a todos os Presbíteros que exercem o seu ministério no Patriarcado de Lisboa
Caros Padres,

1. Dirijo-me a vós num momento da vida da Igreja, em que se exige particular discernimento pastoral: a publicação por Sua Santidade o Papa Bento XVI da Carta Apostólica, dada sob a forma de “Motu Proprio”, “Summorum Pontificum Cura”. O “Motu Proprio” regula o uso, na Liturgia, do “Missale Romanum”, na sua última edição de 1962, promulgada pelo Papa João XXIII, como forma extraordinária de celebração da Liturgia católica segundo o Rito Romano.

Ao apresentar este “Motu Proprio”, o Santo Padre escreveu uma Carta aos Bispos de todo o mundo, cujo texto é indispensável para a interpretação e aplicação pastoral do referido “Motu Proprio”.

Ambos os textos serão publicados no “Vida Católica”.

O Santo Padre reconhece que a notícia da publicação destas Normas provocou duas reacções: uma entusiasta aceitação e uma férrea oposição. Espero que, entre nós, nenhuma destas atitudes extremas prevaleça. Considero que as pessoas que desejam celebrar a Liturgia do Missal de 1962 são, entre nós, uma minoria, embora permeáveis ao que se passa noutras Igrejas. É mais plausível a reacção daqueles que sentem desgosto, pensando que se pôs em questão o Concílio Vaticano II e o seu “ex libris” que é a Reforma Litúrgica. De facto, muitos de nós vivemos com grande entusiasmo a Reforma Litúrgica e o espírito de “aggiornamento” proposto pelo Concílio, e isso modelou a nossa forma de ser cristão e imprimiu o rosto às comunidades cristãs, que aprenderam a viver a Liturgia, não apenas como manifestação da fé pessoal, mas como expressão viva de um Povo que se reconhece como comunidade quando celebra a Sagrada Liturgia.

Em espírito de comunhão com o Santo Padre, escutando-o e obedecendo-lhe, queremos pôr pastoralmente em prática, com o discernimento que a sua aplicação a uma situação concreta exige, a sua orientação para toda a Igreja, percebendo as motivações que o moveram e os objectivos que pretende alcançar.

Apesar de o “Motu Proprio” dar uma grande autonomia de decisão aos Párocos e, em certos casos, a todos os Sacerdotes, o Bispo não deixa de ser, como o Santo Padre reconhece, citando a “Sacrossanctum Concilium”, nº 22, o moderador da Liturgia na própria Diocese: “O governo da Liturgia depende unicamente da autoridade da Igreja: pertence à Sé Apostólica e, nas regras do direito, ao Bispo” (S.C., nº22). Na construção da unidade da Igreja diocesana, a aplicação deste “Motu Proprio”, no respeito pela autoridade do Santo Padre, expressamente manifestada, será definida pelo Bispo diocesano, com a colaboração do Departamento de Liturgia da Diocese.

Os motivos e objectivos do Santo Padre

2. Antes de mais, o bem dos fiéis, daqueles que desejam a celebração segundo o Missal de 1962, porque procuram aí a dimensão sagrada do mistério da Eucaristia, que também podem encontrar na celebração segundo o Missal de Paulo VI, que devem em qualquer hipótese aceitar, porque continua a ser, para toda a Igreja, a forma normal de celebrar a Liturgia. O Santo Padre afirma mesmo que, vencidos os exageros de uma criatividade litúrgica mal concebida, é ocasião de imprimir nesta forma normal de celebrar a Missa toda a sua dimensão sagrada. Diz Bento XVI na Carta aos Bispos: “Na celebração da Missa segundo o Missal de Paulo VI, poder-se-á manifestar, de maneira mais intensa do que frequentemente tem acontecido até agora, aquela sacralidade que atrai muitos para o uso antigo…” celebrando “com grande reverência, em conformidade com as rubricas; isto torna visível a riqueza espiritual e a profundidade teológica deste Missal”.

- O “bem dos fiéis” é, pois, o único motivo que pode levar os Párocos a usar o Missal de 1962, pelo que um Pároco não pode impor à Paróquia o Missal de 1962 apenas motivado pela sua perspectiva pessoal.

- O “bem dos fiéis” supõe discernimento: quantos são os fiéis, quais os motivos que os levam a pedir essa Liturgia; que formação cristã e litúrgica possuem. De facto o Santo Padre afirma: “O uso do Missal antigo pressupõe um certo grau de formação litúrgica e o conhecimento da língua latina; e quer uma quer outro não é muito frequente encontrá-los”.

Que ninguém se precipite nem facilite, na certeza de que encontraremos de modo justo, uma resposta para os fiéis que o pedirem, obedecendo aos critérios enunciados pelo Santo Padre, que não contemplam motivos como o simples gosto pelo antigo, o ser diferente, ou a forma de reagir a imperfeições na forma actual de celebrar a Liturgia.

3. Um outro objectivo do Santo Padre é salvaguardar a unidade da Igreja. “Trata-se de chegar a uma reconciliação interna no seio da Igreja”[1].

Na história da Igreja, mais do que uma vez, as grandes reformas originaram divisões com grupos de cristãos que não as aceitaram. Foi o caso dos “velhos católicos”, a seguir ao Concílio Vaticano I, e o do cisma de Mons. Lefebvre, a seguir ao Concílio Vaticano II. Bento XVI confessa que a primeira abertura ao uso do Missal de 1962, feita por João Paulo II no “Motu Proprio” Ecclesia Dei, foi motivada pela crise lefebriana e dirigia-se à Fraternidade S. Pio X. O seu “Motu Proprio” dirige-se não apenas aos seguidores de Mons. Lefebvre, mas a outros cristãos, mesmo jovens que, pensa o Santo Padre, se sentem atraídos por essa Liturgia. O horizonte de análise do Santo Padre é a Igreja toda.

Mas esta preocupação por salvaguardar a unidade da Igreja tem, nos dois documentos do Papa, outras concretizações a que devemos dar grande relevo pastoral: antes de mais, o Missal de Paulo VI é a forma normal, para toda a Igreja, de celebrar a Liturgia. Diz o Santo Padre que, “obviamente, para viver em plena comunhão, também os sacerdotes das Comunidades aderentes ao uso antigo não podem, em linha de princípio, excluir a celebração segundo os novos livros. De facto, não seria coerente com o reconhecimento do valor e da santidade do novo rito a exclusão total do mesmo”; por outro lado, quando o Pároco acha que deve acolher o desejo de um grupo de fiéis da sua Paróquia de celebrar pelo Missal de 1962, “tenha em conta que o bem destes fiéis seja harmonicamente coordenado com o bem pastoral de toda a Paróquia, sob orientação do Bispo nos termos do c. 392, evitando divisões e promovendo a unidade de toda a Igreja” (art.º 5 §1 do Motu Proprio). Isto quer dizer que tem de se avaliar o significado dessa abertura na harmonia de toda a comunidade.

Papel dos Sacerdotes na aplicação destas Normas

4. Porque é o sacerdote quem preside à Eucaristia e aos Sacramentos, o bom discernimento pastoral dos sacerdotes é muito importante para uma aplicação positiva e equilibrada destas Normas.

Como já ficou dito, o sacerdote não deve pôr o acento no seu possível gosto pessoal pela Liturgia anterior à Reforma Litúrgica, mas no bem dos fiéis e de toda a comunidade a que preside. O seu gosto pessoal só poderá ter lugar na missa privada, “sine populo” (art.º 2º). Estas celebrações não podem ser aquelas que são anunciadas ao Povo de Deus, como programa normal da Paróquia. Essas “missas privadas” não devem ser anunciadas. A possibilidade de outros fiéis assistirem a elas, como está previsto no art.º 4º do “Motu Proprio”, não pode entender-se como divulgação pública das mesmas.

Quanto às celebrações públicas para os fiéis que as pedirem, dada a não premência do fenómeno entre nós, que ninguém se precipite a conceder essas celebrações, sem um discernimento prévio, de preferência feito em presbitério e em diálogo com o Bispo.

Estejam os Párocos particularmente atentos para se certificarem que os sacerdotes que se apresentam para celebrar segundo o rito antigo, mesmo na missa “sine populo”, são idóneos e não impedidos pelo Direito (cf. Art.º 5º §4).

5. Os Párocos devem cuidar, particularmente, da qualidade e profundidade litúrgica dessas celebrações. O rito antigo, já muito distante da prática da Igreja, se não é celebrado com dignidade litúrgica, pode transformar-se em elemento desagregador do crescimento das comunidades. Neste aspecto tenham-se em conta, sobretudo os seguintes pontos:

5.1. O uso da língua latina. É claro na Carta do Santo Padre aos Bispos que o seu uso supõe o conhecimento da língua latina. Infelizmente muitos sacerdotes da nossa Diocese já não sabem o latim. Esses sacerdotes devem considerar-se não idóneos para presidir à Missa segundo o Missal de 1962. Se as circunstâncias pastorais o aconselharem, devem procurar-se sacerdotes que o possam fazer dignamente.

5.2. A música. Os textos do Missal de 1962 estão musicados em gregoriano. A possibilidade de os cantar, com o mínimo de qualidade, deve ser condição para permitir missas comunitárias nesse rito.

5.3. O vernáculo. As leituras em português supõem traduções aprovadas pela Santa Sé (cf. Art.º 6º).

5.4. Os espaços sagrados. Os nossos templos estão orientados para a celebração da Missa segundo o Missal de Paulo VI. Fica proibida qualquer tentativa de alterações dos espaços, sobretudo do altar e do presbitério, por causa da possibilidade de celebrar o ritual de 1962, que aliás já previa a celebração “versus populum”.

Princípios basilares a ter em conta.

6. Os textos litúrgicos emanados da Reforma Litúrgica constituem a Liturgia normal da Igreja para todos. O uso de textos de antes da Reforma Litúrgica, é excepcional, motivado pelo “bem dos fiéis”, a discernir e analisar ponderadamente.

7. As celebrações, segundo esse rito, devem ser durante a semana. Nos Domingos e dias festivos, celebra-se a Liturgia normal. O Santo Padre abre a hipótese, no caso dum grupo significativo de fiéis o aconselhar, de uma das celebrações paroquiais nos Domingos e dias festivos seguir o Missal de 1962. Na nossa Diocese, peço aos Párocos que, por enquanto, não permitam essas celebrações dominicais, antes de uma análise profunda da situação. Se chegarmos à conclusão que o “bem dos fiéis” o exige, encontraremos, em conjunto, formas de lhes garantir, ao Domingo e dias festivos, celebrações de grande qualidade segundo a Liturgia antiga.

8. Estejamos vigilantes para que esta abertura concedida pelo Santo Padre, tendo em conta o bem de toda a Igreja, não se transforme numa campanha em favor da Liturgia antiga. Isso seria contra a Reforma Litúrgica e todo o espírito do Concílio Vaticano II, e ignoraria o carácter extraordinário, claramente afirmado pelo Santo Padre, do uso do Missal de 1962.

9. Procuremos todos celebrar a Liturgia com qualidade, unção e sentido do Sagrado. Estas qualidades que aparecem a justificar os que procuram a Liturgia antiga, são aliás valores da Reforma Litúrgica, pois toda ela é expressão, em assembleia orante, da fé da Igreja.

Conclusão

10. Assino esta carta com data de 14 de Setembro, no dia em que entra em vigor a Carta Apostólica do Santo Padre “Summorum Pontificum Cura”. Ela é a expressão da nossa comunhão obediente com o Santo Padre, mas também o assumir das nossas responsabilidades pastorais, como Pastor desta Igreja de Lisboa.

Lisboa, 14 de Setembro de 2007, Festa da Exaltação da Santa Cruz

D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca

 
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« Responder #4 em: 16 de Setembro de 2007, 15:15 »

A maioria dos padres já não sabe Latim, conforme afirma o próprio cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, numa carta dirigida aos sacerdotes da capital, na qual esclarece as condições necessárias para se celebrar missa naquela língua morta. No documento – que pretende explicar a Carta Apostólica do Papa Bento XVI, em que autoriza de forma extraordinária a celebração da Liturgia Católica segundo o Rito Romano –, D. José Policarpo refere a propósito que “esses sacerdotes devem considerar-se não idóneos para presidir à missa segundo o missal de 1962”.
“Nos últimos 20 anos, o ensino do Latim nos seminários ficou reduzido a um semestre, o que não dá para aprender nada. Sabe-se apenas o rudimentar da língua. É um fenómeno que abarca todo o País. Não é, de maneira nenhuma, suficiente para se celebrar uma missa em Latim”, explicou ao CM o padre Jardim Gonçalves, chefe de gabinete do Patriarca de Lisboa, explicando o porquê de o Latim ter caído em desuso: “É uma consequência natural dos tempos. Toda a liturgia que estava em Latim começou a ser traduzida para as línguas de cada país. Deixou de ser necessário, tal como aconteceu em outras vertentes da cultura não eclesiástica”.

Na carta, D. José Policarpo enumera uma série de parâmetros que têm de ser cumpridos para a celebração de uma missa em Latim. Além da questão da língua (ver apoios), o cardeal patriarca alerta os sacerdotes para a necessidade de terem em conta o bem dos fiéis, acrescentando que “um pároco não pode impor à Paróquia o Missal de 1962 apenas motivado pela sua perspectiva pessoal”. Deve discernir-se, escreve o cardeal, sobre “quantos são os fiéis, quais os motivos que os levam a pedir esta liturgia, que formação cristã e litúrgica possuem”.

Jardim Gonçalves acrescenta que os pedidos de fiéis para realizar missas em Latim “são praticamente inexistentes”.

Na carta, Dom José Policarpo aborda ainda o problema dos espaços sagrados.

“O que se proíbe é que se comece a fazer obras nas igrejas, desnecessariamente, para se adaptar o espaço religioso à celebração da eucaristia em Latim. Que era feita com o sacerdote de costas voltadas para o povo”, rematou.

PERFIL

José da Cruz Policarpo nasceu a 26 de Fevereiro de 1936, em Alvorninha (Caldas da Rainha), e foi feito Cardeal da Igreja Católica em 2001. Foi reitor da Universidade Católica Portuguesa, por decreto da Santa Fé, de 1988 a 1996. Em 2005, foi apontado como um forte candidato a suceder ao Papa João Paulo II. Homem de convicções fortes, reconheceu a derrota após a vitória do ‘sim’ no referendo ao aborto.

NORMAS

LÍNGUA LATINA

“Infelizmente muitos sacerdotes da nossa diocese já não sabem o Latim. Esses sacerdotes devem considerar-se não idóneos para presidir à Missa segundo o Missal de 1962. Se as circunstâncias pastorais o aconselharem, devem procurar-se sacerdotes que o possam fazer dignamente”.

CANTO GREGORIANO

“Os textos do Missal de 1962 estão musicados em Gregoriano. A possibilidade de os cantar, com o mínimo de qualidade, deve ser condição para permitir missas comunitárias nesse rito”.

ESPAÇOS SAGRADOS

“Fica proibida qualquer tentativa de alterações dos espaços, sobretudo do altar e do presbitério, por causa da possibilidade de celebrar o ritual de 1962.”
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