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Autor Tópico: Caminhada Quaresmal rumo à Páscoa  (Lida 14230 vezes)
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lea onda-menor
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« Responder #30 em: 09 de Abril de 2007, 23:41 »

Jesus não está morto  (Jo 20, 1- 18) - Parte II

4. A Cruz como acontecimento trinitário e pascal


No centro de todo o acontecimento Redentor está a Cruz de Jesus. Como acontecimento do Filho, porque Jesus é o Filho eterno do Pai, a Cruz é necessariamente um acontecimento trinitário. O Filho entrega-Se na Cruz por Amor e obediência ao Pai para Salvação da Humanidade.
Amado pelo Pai, possuindo o Espírito Criador do Pai, Jesus Cristo assume na Cruz uma existência representativa, solidária para com a humanidade.
A Cruz é obra do Pai e do Filho na plenitude do Amor que é o Espírito para a re-Criação do mundo. No Cristianismo, a Cruz na qual Cristo morreu e pela qual chegou à Ressurreição, tornou-se, pois, arquétipo da acção salvífica de Deus e modelo da resposta do homem.
Na Cruz evidencia-se a plena unidade de vontade de Pai e Filho, o que revela a Cruz como um Mistério de Amor - o Mistério de Amor que realiza a Salvação.

É a existência trinitária de Deus que funda a possibilidade real da Cruz ser redentora o Amor relacional (unidade e distinção) entre o Pai e o Filho triunfa da Cruz e subsiste como Vida.
Nesta relação de contínua geração o Pai entrega o Filho na Cruz;. o Filho é entregue e entrega-Se a si mesmo; e o Espírito permanece como ligação da temporalidade da morte de Cristo à eternidade vivificante do Pai.
Pelo lado de Cristo a morte foi consentida por obediência filial (Fil 2., 8; Rom 5,: 19; He 5,, Cool à sua missão recebida de Deus e por amor quer ao Pai, quer aos seus irmãos.
Da parte de Deus, Pai e enviante de Jesus, a entrega do Filho acontece por pelo Amor com Deus amou o mundo (Jo 3, 16-17) 56

4.1. O Pai entrega o Filho no Amor
Aquilo que identifica a acção do Pai é o acto de entregar - Deus Pai entrega o seu Filho à morte.
Entrega-O na Encarnação, entrega-O na Cruz e entrega-O, derradeiramente na Ressurreição. A Palavra faz-Se carne e faz-Se Cruz.
Da contemplação de Deus que entrega seu Filho ao mundo, João conclui que Deus é Amor ( 1 Jo 4, 16). Deus não entrega o seu Filho como os inimigos mas entrega-O como Pai, sempre agindo na sua paternidade. Entrega-O gerando-o continuamente mundo, entrega o Filho para Salvação do mundo.
O Pai é pois quem primeiro entrega o Filho, o que revela que a Salvação está no mistério filial que se realiza no mundo. Assim, nesta contínua geração, o Filho é Deus com o Pai desde toda a eternidade e também no despojamento quenótico.

« Neste abandono do Filho, o Pai abandona-Se também a si mesmo, entregando o Filho entrega-Se a si mesmo, embora não do mesmo modo, e sofre também ».
O Pai sofre a dor do despojamento do Filho porque nunca abandona a sua paternidade, a sua relação de Amor que gera: o Filho sofre a agonia e o Pai sofre a morte do Filho.
Se o Filho, na Cruz, sente a falta do Pai, o Pai também sente, na Cruz, o sofrimento do Filho, ou seja a falta do Filho. O sofrimento na Cruz é recíproco, embora o Pai não morra” na Cruz, porque o Amor (gerar e ser gerado) também é recíproco.
Este Amor relacional entre o Pai e o Filho será condição de possibilidade da Cruz, e de aniquilamento transformar-se-á em suprema divinização e glorificação.

4.2. O Filho entrega-se no Amor

Se, por um lado, o Pai entrega Filho na Cruz, também é verdade que o pr6prio Filho se entrega na Cruz. Será importante então relevar a total consonância de vontade entre Pai e o Filho na entrega à Cruz.
O Filho entega-Se na Cruz na sua filiação, expressão radical da sua obediência de Amor ao Pai. A entrega como acto livre de Jesus manifesta a plenitude da sua filiação divina.
Em virtude da sua própria Encarnação, o Filho assume já a morte. Mas como não tem pecado em si essa morte é assumida em liberdade, diríamos mesmo intencionalmente - uma morte por Amor, no Amor, que redime.

Neste Amor a Cruz não surge como uma casualidade mas sim como vontade , sabedoria e poder de Deus ( 1 Cor 1 18 ss). Cristo fez-se obediente não a um destino anónimo mas ao próprio Pai no conhecimento e intimidade do conhecimento da vontade do Pai - a sua obediência representa a tradução do seu Amor de Filho para com o Pai.

Aquele que é entregue, entrega-Se. Neste gesto de separação, a agonia de Jesus que se abandona e é abandonado pelo Pai, se manifestará decisivamente a Comunhão de Jesus com o Pai . “Ele foi entregue por causa dos nossos pecados e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rom 4, 25).
A filiação divina de Jesus surge pois como a única possibilidade de compreender a entrega e obediência de Jesus na Cruz.

          4.2.1. Filiação e entrega

O conceito fundamental que expressa a atitude de Jesus é o conceito de “entrega”, o qual revela a total comunhão e identificação de Jesus ao Pai.
O Pai entrega e o Filho entrega-Se, plenamente activo nesta atitude, ou seja, o Pai entrega Filho no Amor que tem à humanidade (Rom 8, 32; Jo 3, 16) e o Filho auto-entrega-Se pelo mesmo Amor à humanidade e ao Pai(Rom8, 5; ãál 2, 20; Ef 5, 1).
Em Jesus Cristo a “condição de filho” e a “entrega” coincidem totalmente, são a mesma forma de Jesus viver a sua contínua e eterna geração pelo Pai.
Cristo, não tendo em Si pecado faz-Se pecado para Salvação da humanidade.
Assim, frente a quem pensasse que Deus deixa Cristo sofrer na Cruz friamente ou que a Cruz é expressão de uma ira divina que exige “satisfação é a própria Escritura que afirma a Cruz como Amor de Deus em nosso favor.

A morte de Jesus entra no desígnio de Deus E Jesus tem plena consciência disso - a consciência que tem da sua entrega é a mesma que tem de ser Filho de Deus e de vir ao mundo para fazer a vontade do Pai.

O mistério da encarnação salvífica em sua totalidade (a consusbstancialidade do Filho connosco) tem a sua raiz profunda na “consubstancialidade” de natureza-amor do Filho com o Pai do qual o dom recíproco do Espírito Santo é expressão.

O Pai é Pai para Salvação do mundo e o Filho é Filho para Salvação do mundo - a paixão é trinitária e a salvação é trinitária.
É na sua “condição de filho” que Jesus encarna e é na sua “condição de filho” que Jesus se entrega e redime.

          4.2.2. Filiação divina, obediência e liberdade na Cruz

O ser de Jesus realiza-se a partir do Pai e com vista à humanidade. No dizer de W.Kasper, Ele Filho de Deus no abaixamento, é Filho de Deus na eternidade e é Filho de Deus como plenitude do tempo, Aquele para onde tudo convergirá. Definitivamente, a Cruz manifesta-se como obra de Deus.

Se a Cruz é vontade de Deus, então não é acidente ou casualidade da história, mas sim uma necessidade querida por Deus. O Ser de Jesus é ser Filho ( a Filiação) e o ser Filho revela uma relação essencial de Amor ao Pai. Esta relação de Amor é a medida da Obediência e da Liberdade de Jesus na Cruz.

O Filho não é uma parte de Deus que morre. Ele é Deus como Pai mas, também frente ao Pai Ele é Pessoa diferente da Pessoa do Pai. Acontecendo que o Amor em Deus é unidade e distinção e que cada Pessoa apenas se distingue na medida em que se relaciona, a Cruz do Pai e do Filho.

O Drama da Cruz, centro do Cristianismo, é portanto o drama do Filho - drama de solidão humana mas de comunhão divina Na comunhão divina se encontram radicadas a liberdade e a obediência de Jesus. A Cruz é salvadora porque a obediência de Jesus foi realizada na liberdade do Amor que se auto-entrega pela consciência que tem da sua filialidade e Missão.

Se a filialidade releva a obediência na Cruz, ela releva muito mais a liberdade e o Amor, pois, para Cristo, obedecer é dar todo o tempo a Deus.

          4.3. O Espirito e a reciprocidade no Amor que brota da Cruz como Redenção

O Espirito Santo, que procede do Pai e do Filho, é, na Trindade, a Pessoa Comunhão. É Comunhão enquanto, como já afirmámos, é reciprocidade de Amor - o Pai gera no Amor e o Filho é gerado no Amor.; o Pai é a Fonte e o Filho sabe-Se inteiramente recebido do Pai. Toda a vida de Jesus, se passa na consciência de ser o Enviado do Pai - por si só não é nada, nada faz; aquilo que sabe, diz e faz é porque o Pai Lh’O revela no Amor da interioridade divina., Ele é o Verbo de Deus encarnado.

« O acontecimento de Cristo é plenamente humano e plenamente divino: acontecimento de plena codivisão, solidariedade, “consubstancilidade” humanodivina. N’Ele, morto e ressuscitado, Deus morrendo destrói a morte: supera a fragilidade humana, submetida ao poder do limite, do pecado e da morte » .

Toda a Vida de Jesus Cristo é, portanto, como dissemos uma caminhada para a Cruz. Mas para a Cruz vivida nesta, relação de Amor. Na Cruz o Filho de Deus não deixa de ser Filho de Deus.
A “salvação” só se dá quando o Filho eterno do Pai, por um amor sobreabundante (o Espírito) se fez homem e morreu por nós. Só então, Deus em
absoluta liberdade ( e por isso permanecendo Deus) ocupa o nosso “lugar” para que nós os pecadores, apesar do pecado tenhamos junto d’Ele a nossa casa paterna.

O Amor relação ao Pai ( Espírito Santo) revela-Se então como a possibilidade de despojamento de Cristo na Cruz sem que a Morte possa aí ter poder. A reciprocidade no Amor fará com que o Filho nunca deixe de ser gerado no Amor do Pai e por isso ressuscite. O Espírito é pois fonte de vida. O Pai gera na Encarnação, na Vida e, radicalmente, na Ressurreição o seu Filho para a Vida. Ao mesmo tempo a única possibilidade de “substituição” por parte de Cristo é o Espírito Santo.
O Ministério de Jesus é inaugurado na força do Espírito (Lc 4, 14) , desenvolve-se e culmina nessa mesma força.
A ressurreição de Jesus revela pois a paternidade eterna de Deus e a reciprocidade entre o Pai e o Filho:

No Pai, o Espírito é em primeiro lugar Amor que se dá; no Filho, esse mesmo Espírito é em primeiro lugar Amor que acolhe. Consentindo no dom do Pai, o Filho permite ao Pai que se dê. O Amor que acolhe “provoca” o Amor do Pai que se dá gerando. O Espírito procede então da relação do Pai e do Filho, da paternidade de um e da filiação do outro
Esta reciprocidade brota então da Cruz como Vida, o acontecimento acabado da Redenção em que Filho veio dar a Vida ao Mundo. O Amor intra-tritinário revela-se plenamente na Páscoa onde se manifesta, de facto, a vitória de Deus sobre o pecado do Mundo.
A Cruz, como “último acto” revela-se assim como um drama trinitárto, mas um drama de onde brota a vida porque traz a eternidade para ser vivida no tempo.

5. Mistério Pascal – passar para aquilo que não passa


A tradição da Igreja sempre interpretou a Páscoa como “passagem”. E sempre a “passagem” teve diversos sentidos:

- passar sobre (hyperbasis): quando fala de Deus ou do seu anjo que passa sobre as casas dos judeus sem os ferir

- passar através de (diabasis): quando o povo passa do Egipto para a Terra Prometida

- passagem para o alto (anabasis): quando o homem passa das coisas terrenas para as coisas do céu

- passagem para fora (exodus): quando o homem sai da escravidão do pecado

- passagem para diante (progressio): quando o homem progride no caminho da santidade.

Na base da ideia da Páscoa está, portanto, a ideia de uma passagem: da morte para a vida. É algo que se evoca como provisório e transitório, algo que é preciso ser ultrapassado. E só é possível parar quando se chega à plenitude, quando se chega à Parusia. Como disse Sto Agostinho, num dos seus comentários ao Evangelho de João (55, 1 in CCL 36, pp463) a Páscoa é passar para aquilo que não passa.
E, de facto, se virmos à nossa volta e bem dentro de nós, tudo passa. Mas, diante deste tudo que passa, há Alguém que não passa: Deus, o Amor de Deus.

O homem é frágil, passa, é transitório. Deus não passa, não é provisório, não é transitório. Por isso a Páscoa é passar para o que não passa nunca: Deus.

Diante desta passagem podemos reflectir a morte de Cristo como uma passagem: e só passa quem se entrega na liberdade e na obediência. O Pai entrega-Se novamente e entrega o Filho e o Filho entrega-Se ao Pai e à humanidade.
Então, em Cristo, todos passamos, todos vivemos a passagem que é a Páscoa. A humanidade está representada no Adão da queda e está, sobretudo, representada no Jesus Cristo da redenção. Cristo morreu pelos nossos pecados e a essência da sua missão pode centra-se aqui: morreu por nós.

Este “por nós” não significa uma substituição penal ao estilo de vítima que entregámos por nós. Este “por nós” é “em nosso favor”. Se quisermos é o essencial da nossa oração: Cristo repete-se no coração de cada um de nós.

Texto encontrado em: Cristo na Cidade
« Última modificação: 09 de Abril de 2007, 23:43 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #31 em: 10 de Abril de 2007, 23:35 »

VER JESUS RESSUSCITADO


"Os Evangelhos testemunham o nexo indissociável entre Paixão e Ressurreição. Jesus enfrentou a paixão, consciente que chegaria à ressurreição. Ressuscitado, continuou agindo em coerência com os motivos que o tinham levado a enfrentar a paixão.

Na paixão, agiu como servo obediente, submisso aos acontecimentos, que ele ultrapassava pela motivação interior com que os vivia. Ressuscitado, agiu como Senhor, conduzindo os fatos com soberania, administrando-os em função do despertar da fé nos seus discípulos, de reconduzi-los à comunidade, e de enviá-los em missão.

Neste contexto, suas aparições foram módicas, raras, breves, e sempre em função de suscitar a fé, e de motivar para a missão.

A coerência com a paixão fica ressaltada, de maneira especial, pelo fato do Ressuscitado não ter aparecido a ninguém daqueles que o tinham condenado. Crucificado, não aceitou as provocações dos algozes e perdoou a todos. Ressuscitado, não se vingou de ninguém, não usou seu poder para forçar o reconhecimento de sua vitória, não deu nenhum espetáculo, não se impôs a ninguém.

Só apareceu aos que tinham a mecha fumegante da fé. E assim mesmo, de maneira muito discreta, em função de reacendê-la, para que com ela seguissem em frente, e levassem a Boa Nova aos outros, para também acreditarem.

Aí encontramos o primeiro critério para a questão que hoje se coloca, a propósito do significado verdadeiro do “ver Jesus”. A fé é o caminho indispensável para irmos ao encontro de Cristo. E’ pela fé que agora podemos dar-nos conta da verdade e das conseqüências de sua ressurreição.

Os Evangelhos oferecem lições concretas e práticas, pela maneira como descrevem a presença do Ressuscitado junto aos seus discípulos.

E’ uma presença percebida através de sinais, que instigam para a reflexão, abrem caminho para a compreensão, e levam à elaboração interior da certeza da fé. E’ esta convicção interior que leva ao reconhecimento da verdade. Sem ela não acontece a visão do Ressuscitado.

As mulheres e os discípulos não viram logo Jesus. Viram primeiro o sepulcro vazio. Viram anjos que recordaram as palavras de Jesus. E quando começaram a ver Jesus, não o reconheceram logo. Foi preciso ouvir sua voz. Assim aconteceu com Madalena, com os discípulos de Emaús, com os apóstolos à beira do lago.

Aí temos outro critério importante nesta questão de “ver Jesus”. A palavra educa mais para a fé do que a visão. Pois ela instiga mais a elaboração interior. A visão pode bloquear, a palavra abre a mente e o coração. “Não estava ardendo nosso coração enquanto ele nos falava pelo caminho?”, se perguntam os discípulos de Emaús.

As visões foram breves, e todas em função da missão. “Ide depressa contar aos discípulos” (Mt 28,7), falou o anjo às mulheres. O próprio Jesus reitera: “ide anunciar aos meus irmãos” (Mt 28,10). Ao partilharem o pão, os discípulos de Emaús reconheceram o Mestre, que logo desapareceu, e eles partiram de imediato para contar aos companheiros. E quando Jesus apareceu a todos reunidos, foi para enviá-los solenemente em missão.

As aparições não são ponto de chegada, são ponto de partida para a missão. Ver Jesus não é objetivo, é impulso para o anúncio da Boa Nova.

A visão é importante na medida em que nos mostra Jesus assumindo formas concretas de realidades humanas, a partir das quais podemos reconhecer sua presença. Para Madalena se mostrou em forma de jardineiro. Para os discípulos de Emaús em forma de viandante. Para os apóstolos à beira do lago em forma de estranho. A partir do que vemos, a fé nos conduz a reconhecer o Senhor nestas presenças humanas concretas.

Ver, portanto, é só um início, que precisa ser trabalhado pela fé. O próprio Jesus interpelava os fariseus, que viam os sinais, mas não acreditavam. A respeito dos gregos que queriam “ver Jesus”, ele aproveita para falar do seu mistério pascal, lembrando que o Filho do Homem teria a mesma sorte do grão de trigo, que morrendo produz muito fruto.

A paixão permanece o sinal que todos viram, e todos podem ver. Mas o Ressuscitado apareceu “não a todo o povo, mas às testemunhas designadas de antemão por Deus” (Atos 10, 41). A Tomé, que insistiu em ver para crer, Jesus dá o critério final e decisivo: “felizes os que creram sem terem visto” (Jo 20,29).

E’ esta alegria maior que Cristo agora nos oferece, e que todos devemos buscar."

Dom Demétrio Valentini, Bispo da Diocese de Jales
 Membro da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz - Setor Pastoral Social
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
« Última modificação: 17 de Abril de 2007, 13:18 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #32 em: 14 de Abril de 2007, 16:32 »

II Domingo após a Páscoa:
Domingo da Divina Misericórdia



Quanta necessidade da misericórdia de Deus
tem hoje o mundo!
João Paulo II


"Desejo que esta imagem se bendiga solenemente
 no primeiro domingo depois da Páscoa da Ressurreição:
esse domingo se celebrará a Festa da Misericórdia.

Naquele dia se abrirão todas as comportas
através das quais fluem as graças divinas:
a alma que acuda a Confissão e receba a Sagrada Comunhão,
obterá a remissão total das culpas e do castigo. "

Sobre as indulgêngias concedidas neste dias consulte o Documento datado de 29 de Junho de 2002




«No dia 22 de Fevereiro de 1931, Ir. Maria Faustina Kowalska, apóstola e mensageira da Misericórdia Divina, recebeu o seguinte pedido de Jesus:


" Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo,
com a inscrição:
Jesus, eu confio em vós"
(Diário, 47).


Quero que essa Imagem (...)
seja benta solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa,
e esse Domingo deve ser a Festa da Misericórdia"
(Diário, 49).


O conteúdo desta Imagem está intimamente ligado à Liturgia do segundo Domingo da Páscoa. Com efeito, o Evangelho desse Domingo narra a aparição de Jesus ressuscitado no Cenáculo e a instituição do Sacramento da Reconciliação (cf. Jo 20, 19-29).

Esta união está ainda sublinhada pela Novena, com o Terço da Misericórdia Divina, começando na Sexta-Feira Santa.

A Imagem representa Jesus Ressuscitado trazendo a nós a paz pela remissão dos pecados, pelo preço da Sua Paixão e Morte na Cruz.

Os raios do Sangue e da Água que brotam do Coração (invisível na Imagem), trespassado por uma lança, e as cicatrizes das chagas da crucifixão relembram os acontecimentos da Sexta-Feira Santa (Jo 19, 17-18. 33-37).

A Imagem de Jesus Misericordioso une, então, estes dois acontecimentos evangélicos que mais plenamente falam sobre o amor de Deus para com o ser humano.

Essa Imagem, além de apresentar a Misericórdia Divina, constitui também um sinal para recordar o dever cristão da confiança em Deus misericordioso e de um amor concreto ao próximo .

Com providencial solicitude pastoral, acolhendo o desejo de fiéis do mundo inteiro de exaltar a Misericórdia Divina, e movido pela ternura do Pai das Misericórdias, o Santo Padre João Paulo II estabeleceu que no Missal Romano, depois do título "Segundo Domingo da Páscoa", fosse acrescentado "ou da Misericórdia Divina".

O Santo Padre estabeleceu ainda que o Domingo da Misericórdia Divina seja enriquecido com a Indulgência plenária nas habituais condições (confissão sacramental, comunhão eucarística e orações segundo a intenção do Sumo Pontífice), concedendo ao fiel que, no segundo Domingo da Páscoa, ou seja, da "Misericórdia Divina", em qualquer igreja ou oratório, livre de todo pecado, também venial, participe nas práticas de piedade em honra da Misericórdia Divina, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por exemplo: Ó Jesus Misericordioso, eu confio em vós".

Concede-se a Indulgência parcial ao fiel que, pelo menos com o coração contrito, eleve ao Senhor Jesus Misericordioso uma das invocações piedosas lagitimamente aprovadas (Decreto "Misericors et miserator", 5 de maio de 2000).

Doravante a celebração do "Domingo da Misericórdia Divina" terá a finalidade de inculcar no coração dos fiéis a confiança total na Misericórdia Divina.

Também nós queremos divulgar a devoção ao Coração Misericordioso de Jesus e desenvolver uma "cultura da Misericórdia", para combater a mentalidade contemporânea que se opõe ao Deus da Misericórdia e que tende a separar da vida e a tirar do coração humano a própria idéia da misericórdia (cf. DM, 2).

O mundo contemporâneo só encontrará a verdadeira paz e salvação, quando se deixar envolver pela misericórdia apresentada por Jesus na parábola do filho pródigo, e entender que o amor de Deus é capaz de debruçar-se sobre todos os filhos e filhas pródigos, sobre qualquer miséria humana e, especialmente, sobre toda miséria moral, sobre o pecado (cf. DM, 6).

Cristo encarna e personifica a Misericórdia Divina, pois a Encarnação do Verbo não é somente obra da caridade de Deus (cf. Jo 3, 16), mas também revelação máxima da Misericórdia Divina feita pessoa (cf. DM, 2).

O essencial do culto da Misericórdia de Deus consiste na atitude cristã de total confiança em Deus e no amor efetivo ao próximo. Mais do que muitas palavras devemos cultivar uma confiança inabalável em Deus misericordioso e tornar-nos cada vez mais misericordiosos e solidários, sobretudo para com os mais desprotegidos...

Se o amor é a essência e a natureza de Deus, também nós, imagens tão semelhantes de Deus, somos chamados a nos tornar misericordiosos como o Pai é misericordioso (cf. Lc 6, 36).

Por isso, a Misericórdia é a bem-aventurança do discípulo e discípula de Jesus: "Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5, 7)

Sinto em meu coração o desejo ardente de que a mensagem do amor misericordioso de Jesus, chegue a todas as Dioceses e Comunidades eclesiais de nosso Regional, enchendo os corações de esperança e de paz.

Chegou a hora de transmitir ao mundo este fogo da misericórdia. »

Sejamos apóstolos e testemunhas ardorosas da Misericórdia Divina!
Dom Nelson Westrupp, scj
Presidente do Conselho Episcopal Regional Sul 1 - CNBB


 
HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

"Ó incompreensível e insondável
Misericórdia de Deus,
Quem Te pode adorar
e exaltar de modo digno?
Ó máximo símbolo
de Deus Omnipotente,
Tu és a doce esperança
dos pecadores"
(Diário, 951, ed. it. 2001, pág. 341)


Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Repito hoje estas palavras, simples e sinceras, de Santa Faustina, para adorar juntamente com ela e com todos vós o mistério inconcebível e insondável da misericórdia de Deus. Como ela, queremos professar que não existe para o homem outra fonte de esperança, fora da misericórdia de Deus. Desejamos repetir com fé: Jesus, tenho confiança em Ti!

No nosso tempo, em que o homem se sente perdido face às numerosas manifestações do mal, temos particular necessidade deste anúncio que exprime a confiança no amor omnipotente de Deus. É preciso que a invocação da misericórdia de Deus surja do fundo dos corações repletos de sofrimento, de apreensão e de incerteza, mas que, ao mesmo tempo, procura uma fonte infalível de esperança. É por isso que hoje viemos aqui, ao Santuário de Lagiewniki, para redescobrir em Cristo o rosto do Pai: daquele que é "Pai da misericórdia e Deus de toda a consolação" (2 Cor 1, 3). Com os olhos da alma desejamos fixar o olhar de Jesus misericordioso para encontrar na profundidade deste olhar o reflexo da sua vida, assim como a luz da graça que já recebemos tantas vezes, e que Deus nos destina todos os dias e para o último dia.

2. Preparamo-nos para dedicar este novo templo à Misericórdia de Deus. Antes deste acto desejo agradecer de coração a todos os que contribuíram para a sua construção. Agradeço de modo especial ao Cardeal Franciszek Macharski, que muito se empenhou nesta iniciativa, manifestando a sua devoção à Misericórdia Divina. Abraço com afecto as Irmãs da Bem-Aventurada Virgem Maria da Misericórdia e agradeço-lhes a sua obra de difusão da mensagem deixada pela Irmã Santa Faustina. Saúdo os Cardeais e os Bispos da Polónia, guiados pelo Cardeal Primaz, assim como os Bispos provenientes de várias partes do mundo. Alegro-me com a presença dos sacerdotes diocesanos e religiosos e dos seminaristas.

Saúdo de coração todos os participantes nesta celebração e, de modo particular, os representantes da Fundação do Santuário da Misericórdia Divina que se encarregou da sua construção, e os responsáveis das várias empresas. Sei que, com generosidade, muitas das pessoas aqui presentes apoiaram materialmente esta construção. Peço a Deus que recompense a sua magnanimidade e o seu compromisso com a sua Bênção!

3. Irmãos e Irmãs! Enquanto dedicamos esta nova Igreja, podemos fazer a pergunta que preocupava o rei Salomão: "Mas, em verdade, habitará Deus sobre a terra? Se nem o céu, se nem os altíssimos céus vos podem conter, muito menos esta casa que edifiquei!" (1 Rs 8, 27). Sim, à primeira vista, relacionar determinados "espaços" com a presença de Deus poderia parecer inoportuno. Contudo, é preciso recordar que o tempo e o espaço pertencem totalmente a Deus.

Mesmo se o tempo e o mundo inteiro podem ser considerados o seu "templo", contudo existem tempos e lugares que Deus escolhe, para que, neles, os homens conheçam de maneira especial a sua presença e a sua graça. E o povo, estimulado pelo sentido da fé, vem a estes lugares, com a certeza de estar verdadeiramente diante de Deus que, está presente neles.

Vim a Lagiewniki com este mesmo espírito de fé, para dedicar este novo templo, com a convicção de que ele é um lugar especial escolhido por Deus para difundir a graça da sua misericórdia. Rezo para que esta igreja seja sempre um lugar de anúncio da mensagem sobre o amor misericordioso de Deus; um lugar de conversão e de penitência; um lugar de celebração da Eucaristia, fonte da misericórdia; um lugar de oração e de assídua impetração da misericórdia para nós e para o mundo. Rezo com as palavras de Salomão: "Senhor, meu Deus, atendei à oração e às súplicas do vosso servo; ouvi o clamor e a prece que hoje vos dirijo. Que os vossos olhos estejam dia e noite abertos sobre esse templo... Ouvi a súplica do vosso servo e do vosso povo de Israel, quando aqui orarem. Ouvi-os do alto da Vossa mansão no céu, ouvi-os e perdoai" (1 Rs 8, 28-30).

4. "Mas vai chegar a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja" (Jo 4, 23). Quando lemos estas palavras do Senhor Jesus no Santuário da Misericórdia Divina, damo-nos conta, de maneira muito particular, de que não nos podemos apresentar aqui, a não ser em Espírito e verdade. É o Espírito Santo, Consolador e Espírito de Verdade, que nos conduz pelos caminhos da Misericórdia Divina. Ele, convencerá o mundo "do pecado, da justiça e do juízo" (Jo 16, 8), ao mesmo tempo revela a plenitude da salvação em Cristo. Este convencer em relação ao pecado realiza-se numa dupla relação à Cruz de Cristo. Por um lado, o Espírito Santo permite-nos, mediante a Cruz de Cristo, reconhecer o pecado, qualquer pecado, na total dimensão do mal, que em si contém e esconde. Por outro lado, o Espírito Santo permite-nos, sempre mediante a Cruz de Cristo, ver o pecado à luz do mysterium pietatis, isto é, do amor misericordioso e indulgente de Deus (cf. Dominum et vivificantem, 32).

Desta forma, "convencer em relação ao pecado" torna-se ao mesmo tempo um convencer que o pecado pode ser perdoado e o homem pode novamente corresponder à dignidade do filho predilecto de Deus. De facto, a Cruz, "é o modo mais profundo de a divindade se debruçar sobre a profundidade (...). A Cruz é como que um toque do amor eterno nas feridas mais dolorosas da existência terrena do homem" (Dives in misericordia, 8). Esta verdade será sempre recordada pela pedra angular deste Santuário, tirada do monte do Calvário, de certa forma debaixo da Cruz, sobre a qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte.

Estou firmemente convicto de que este novo templo permanecerá sempre um lugar onde as pessoas se apresentarão diante de Deus em Espírito e verdade. Virão com a confiança que assiste todos aqueles que humildemente abrem o coração à acção misericordiosa de Deus, àquele amor que nem sequer o maior pecado pode destruir. Aqui, no fogo do amor divino, os corações arderão bradando à conversão, e quem procura a conversão ou a esperança encontrará alívio.

5. "Pai eterno, ofereço-Te o Corpo e o Sangue, a Alma e a divindade do teu dilectíssimo Filho e nosso Senhor Jesus Cristo, pelos nossos pecados e pelos pecados de todo o mundo; pela Sua dolorosa Paixão, tem piedade de nós e de todo o mundo" (Diário, 476, ed. it., pág. 193). De nós e do mundo inteiro... Quanta necessidade da misericórdia de Deus tem hoje o mundo! Em todos os continentes, do profundo do sofrimento humano, parece que se eleva a invocação da misericórdia. Onde predominam o ódio e a sede de vingança, onde a guerra causa o sofrimento e a morte dos inocentes, é necessária a graça da misericórdia para aplacar as mentes e os corações, e para fazer reinar a paz. Onde falta o respeito pela vida e pela dignidade do homem, é necessário o amor misericordioso de Deus, a cuja luz se manifesta o indescritível valor de cada ser humano. É necessária a misericórdia para fazer com que toda a injustiça no mundo encontre o seu fim no esplendor da verdade.

Por isso hoje, neste Santuário, desejo confiar solenemente o mundo à Misericórdia Divina. Faço-o com o desejo ardente de que a mensagem do amor misericordioso de Deus, aqui proclamado por intermédio de Santa Faustina, chegue a todos os habitantes da terra e cumule os seus corações de esperança. Esta mensagem se difunda deste lugar em toda a nossa Pátria e no mundo. Oxalá se realize a firme promessa do Senhor Jesus: deve elevar-se deste lugar "a centelha que preparará o mundo para a sua última vinda" (cf. Diário, 1732, ed. it., pág. 568). É preciso acender esta centelha da graça de Deus. É necessário transmitir ao mundo este fogo da misericórdia. Na misericórdia de Deus o mundo encontrará a paz, e o homem a felicidade!

Confio-vos esta tarefa a vós, caríssimos Irmãos e Irmãs, à Igreja que se encontra em Cracóvia e na Polónia, e a todos os devotos da Misericórdia Divina, que aqui vierem da Polónia e do mundo inteiro. Sede testemunhas da misericórdia!

6. Deus, Pai misericordioso
que revelaste o Teu amor
no Teu Filho Jesus Cristo
e o derramaste sobre nós
no Espírito Santo, Consolador
confiamos-te hoje o destino
do mundo e de cada homem.
Inclina-te sobre nós, pecadores
cura a nossa debilidade
vence o mal
faz com que todos
os habitantes da terra
conheçam a tua misericórdia
para que em Ti, Deus Uno e Trino
encontrem sempre a esperança.
Pai eterno
pela dolorosa Paixão e Ressurreição
do teu Filho
tem misericórdia de nós
e do mundo inteiro.
Amém!

Santuário da Misericórdia Divina, Lagiewniki
Sábado 17 de Agosto de 2002

Curiosamente João Paulo II faleceu
nas Vésperas do Domingo da Misericordia (2005)


« Última modificação: 14 de Abril de 2007, 18:18 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #33 em: 16 de Abril de 2007, 17:44 »

As Tentações de Jesus


Depois de jejuar por quarenta dias e quarenta noites, Nosso Senhor devia estar muito fraco. Aqui está Ele no deserto; Ele sente fome como qualquer outro homem em tais circunstâncias. Este é o momento que o tentador escolhe para avançar com a proposta de que Ele transforme as pedras que estão ao seu redor no pão que Ele necessita e espera tão desesperadamente.

"Jesus não apenas recusa a comida que o seu corpo precisa, mas também rejeita a grande tentação: que é usar o seu poder divino para solucionar, se podemos expressar desta forma, um problema pessoal...Quão generoso é Nosso Senhor em humilhar-se e aceitar totalmente sua condição humana! Ele não usa o seu poder divino para escapar das dificuldades ou para evitar o esforço. Oremos para que Ele nos ensine a sermos fortes, a amarmos o trabalho, e apreciarmos a nobreza humana e divina de saborear as consequências da auto-doação." (J.Escrivá)

Esta passagem do Evangelho (tentação no deserto) ensina-nos também a sermos particularmente cuidadosos connosco mesmos e com aqueles com quem temos uma obrigação especial de ajudar nos seus momentos de fraqueza e cansaço: a estarmos atentos quando nós mesmos estamos indo pelo mau caminho. São nestes momentos que o diabo escolhe para nos tentar mais intensamente, para que assim nossas vidas possam se afastar da vontade de Deus e seguir um caminho diferente.

Na segunda tentação, o diabo levou-o à Cidade Santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se és o Filho de Deus, atira-te para baixo, porque está escrito: "Ele dará ordem ao seus anjos a teu respeito, e eles te tomarão pelas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra." E Jesus disse-lhe: "Também está escrito: Não tentarás ao Senhor teu Deus."

Pareceu ser uma tentação bem astuta: "se você recusar, você estará demonstrando que você não acredita completamente em Deus; se você aceitar, você obriga-o a enviar os seus anjos para salvá-lo, para a sua vantagem pessoal" (o diabo não sabe que Jesus não precisa de nenhum anjo).

Nosso Senhor vai ouvir uma proposta semelhante, com um texto quase idêntico, no fim da sua vida na terra: "Rei de Israel que é; que desça agora da cruz e creremos nele!" (Mt 27:42)

Cristo recusa-se a fazer milagres sem sentido, que seriam simplesmente uma questão de vaidade ou ostentação. Nós também devemos estar alertas para rejeitar tentações similares, que surgem nas nossas próprias circunstâncias. O desejo de distinguir-se pode ser causado pela mais santa das coisas, nós devemos estar alertas à argumentos falsos, pretendendo estarem baseados na Sagrada Escritura, e não pedir (e muito menos exigir) por provas ou sinais extraordinários para que acreditemos. Deus mostra-nos o caminho da fé com graças e testemunhos suficientes na nossa vida diária.

Na última das tentações, o diabo oferece a Jesus toda a glória e poder temporal que qualquer homem pudesse desejar. O diabo, mostrou-lhe todos os reinos do mundo com o seu esplendor, e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares. Nosso Senhor agora mandou o tentador embora de uma vez por todas.

O diabo sempre promete mais do que aquilo que ele pode dar. Felicidade está muito longe de ser o seu presente. Qualquer tentação é sempre uma decepção infeliz. Para nos testar, o diabo tira vantagem das nossas ambições. Provavelmente, a pior delas seja a de desejar a própria excelência a qualquer custo, de sistematicamente buscar a nós mesmos em tudo o que fazemos ou planeamos. O nosso eu próprio pode frequentemente ser o pior dos ídolos.

Também não devemos cair por adorar coisas materiais, fazendo delas falsos deuses que, no final, farão de nós escravos. Bens materiais deixam de ser bens se nos separam de Deus e do nosso próprio.

Nós teremos que manter um constante cuidado, uma batalha contínua, porque nós ainda temos a tendência de procurar a glória humana, a despeito de termos dito a Nosso Senhor, em tantas ocasiões, que nós queremos somente a sua glória. Jesus fala-nos também: "Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a ele servirás." E isto é o que nós queremos e o que nós pedimos; ser capazes de servir a Deus na vocação para a qual ele nos chamou.
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« Responder #34 em: 19 de Abril de 2007, 19:46 »

Viver o tempo Pascal




Artigos:
:: A Ressurreição de Jesus no Evangelho de S. Lucas
:: Jesus Cristo desceu aos infernos?
:: Rostos de Páscoa
:: Tempo para aprender a ser Igreja

Outros subsídios:
:: Salmos Responsoriais
:: Rezar a Palavra
:: Com S. Lucas na escola do Evangelho
:: A caminho de Emaús
:: Testemunhas da Ressurreição
:: O Tempo Pascal
« Última modificação: 19 de Abril de 2007, 19:53 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #35 em: 04 de Fevereiro de 2008, 15:51 »

Carnaval, Cinzas e Quaresma
Próximos dias são marcados pelo início do tempo de preparação para a Páscoa, no calendário da Igreja Católica


  Olhando para o calendário, rapidamente se percebe que é a Páscoa quem rege o Carnaval: a Páscoa é celebrada no primeiro Domingo da lua cheia após o equinócio da primavera, no hemisfério Norte. O Carnaval acontece entre 3 de Fevereiro e 9 de Março, sempre quarenta e sete dias antes da Páscoa, ou seja, após o sétimo Domingo que antecede o Domingo de Páscoa.


Carnaval

O Carnaval é uma festividade popular colectiva, cíclica e agrária. Teve como verdadeiros iniciadores os povos que habitavam as margens do rio Nilo, no ano 4000 a.C., e uma segunda origem, por assim dizer, nas festas pagãs greco-romanas que celebravam as colheitas, entre o séc. VII a.C. e VI d.C.

A Igreja viria a alterar e adaptar práticas pré-cristãs, relacionando o período carnavalesco com a Quaresma. Uma prática penitencial preparatória à Páscoa, com jejum começou a definir-se a partir de meados do século II; por volta do século IV, o período quaresmal caracterizava-se como tempo de penitência e renovação interior para toda a Igreja, inclusive por meio do jejum e da abstinência

Tertuliano, São Cipriano, São Clemente de Alexandria e o Papa Inocêncio II foram grandes inimigos do Carnaval, mas, no ano 590, a Igreja Católica permite que se realizem os festejos do Carnaval, que consistiam em desfiles e espectáculos de carácter cómico.

No séc. XV, o Papa Paulo II contribuiu para a evolução do Carnaval, imprimindo uma mudança estética ao introduzir o baile de máscaras, quando permitiu que, em frente ao seu palácio, se realizasse o Carnaval romano, com corridas de cavalos, carros alegóricos, corridas de corcundas, lançamento de ovos, água e farinha e outras manifestações populares.

Sobre a origem da palavra Carnaval não há unanimidade entre os estudiosos, mas as hipóteses “carne vale” (adeus carne!) ou de “carne levamen” (supressão da carne) levam-nos, indubitavelmente, para o início do período da Quaresma. A própria designação de Entrudo, ainda muito utilizada entre nós, vem do latim “introitus” e apresenta o significado de dar entrada, começo, em relação a esse tempo litúrgico.

Cinzas

No dia seguinte, a cinza recorda o que fica da queima ou da corrupção das coisas e das pessoas. Este rito é um dos mais representativos dos sinais e gestos simbólicos do caminho quaresmal.

Nos primeiros séculos, apenas cumprem este rito da imposição da cinza os grupos de penitentes ou pecadores que querem receber a reconciliação no final da Quaresma, na Quinta-feira Santa, às portas da Páscoa. Vestem hábito penitencial, impõem cinza na sua própria cabeça, e desta forma apresentam-se diante da comunidade, expressando a sua vontade de conversão.

A partir do século XI, quando desaparece o grupo de penitentes como instituição, o Papa Urbano II estendeu este rito a todos os cristãos no princípio da Quaresma. As cinzas, símbolo da morte e do nada da criatura em relação a seu Criador, obtêm-se por meio da queima dos ramos de palmeiras e de oliveiras abençoados no ano anterior, na celebração do Domingo de Ramos.

Quaresma

O termo Quaresma deriva do latim "quadragesima dies", ou seja, quadragésimo dia. É o período do ano litúrgico que dura 40 dias: começa na quarta-feira de cinzas e termina na missa "in Coena Domini" (Quinta-Feira Santa), sem inclui-la.

O sexto Domingo, que dá início à Semana Santa, é chamado "Domingo de Ramos", "de passione Domini". Desse modo, reduzindo o tempo "de passione" aos quatro dias que precedem a Páscoa, a Semana Ssanta conclui a Quaresma e tem como finalidade a veneração da Paixão de Cristo a partir da sua entrada messiânica em Jerusalém.

Uma prática penitencial preparatória para a Páscoa, com jejum, começou a surgir a partir de meados do século II; outras referências a um tempo pré-pascal aparecem no Oriente, no início do século IV, e no Ocidente no final do mesmo século.

Nos primeiros tempos da Igreja, durante esse período, estavam na fase final da sua preparação os catecúmenos que, durante a vigília pascal, haveriam de receber o Baptismo.

Por volta do século IV, o período quaresmal caracterizava-se como tempo de penitência e renovação interior para toda a Igreja, inclusive por meio do jejum e da abstinência, marcas que ainda hoje se mantêm.

Na Liturgia, este tempo é marcado por paramentos e vestes roxas, pela omissão do "Glória" e do "Aleluia" na celebração da Missa.
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