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Autor Tópico: Caminhada Quaresmal rumo à Páscoa  (Lida 14223 vezes)
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« em: 20 de Fevereiro de 2007, 13:13 »

DEZ SÍMBOLOS DA QUARESMA

A quaresma começa, precisamente, com um símbolo bem conhecido e consolidado: a CINZA, que nos lembra a condição efêmera da vida e seu destino de eternidade em Deus.

A Cinza de cada ano, recorda também a árvore da Cruz Ressuscitada da Vigília Pascal do ano anterior.

1.- A quaresma é DESERTO. É aridez, solidão, jejum, austeridade, rigor, esforço, penitência, perigo, tentação.

2.- A quaresma é PERDÃO. As histórias bíblicas de Jonas e de Nínive e a parábola do filho pródigo são exemplos dele.

3.- A quaresma é ENCONTRO, é abraço de reconciliação como na parábola do filho pródigo ou na conversão de Zaqueu ou no diálogo de Jesus Cristo com a mulher adúltera.

4.- A quaresma é LUZ, como se põe em evidência, por exemplo, no evangelho do cego de nascimento. É a passagem das trevas para a luz. Jesus Cristo é a luz do mundo.

5.- A quaresma é SAÚDE, símbolo manifestado nos textos como na cura do paralítico ou do filho do centurião.

6.- A quaresma é AGUA. É a passagem da sede de nossa insatisfação para a água viva, a água de Moisés ao povo de Israel no deserto ou de Jesus à mulher samaritana.

7.- A quaresma é superação vitoriosa das provas e dificuldades. É LIBERTAÇÃO, TRIUNFO. Algumas figuras bíblicas, que sofrem graves perigos e vencem na prova, são José filho de Jacó, a casta Suzana, Ester, o profeta Jeremias e, sobretudo, Jesus, tentado e transfigurado.

8.- A quaresma é CRUZ. Sinal e presença permanente durante toda a quaresma. Prefigurada no Antigo Testamento e manifestada com o exemplo de Jesus Cristo e com seu convite de carregá-la como condição para o seguimento.

9.- A quaresma é TRANSFIGURAÇÃO. É a luz definitiva do caminho quaresmal, preanunciada e vivida na cena da transfiguração de Jesus. Pela cruz para a luz".

10.- A quaresma é o esforço para retirar o fermento velho e incorporar a FERMENTAÇÃO NOVA DA PÁSCOA RESSUSCITADA E RESSUSCITADORA, agora e para sempre.

                                        Pe. Antônio G. Dalla Costa, CS

S. Francisco e as suas Quaresmas:

«E jejuem os irmãos desde a Festa de Todos os Santos até ao Natal do Senhor. Mas a santa Quaresma que começa na Epifania e se estende por quarenta dias contínuos, a qual o Senhor com o seu santo jejum consagrou (Mt 4,2), os que voluntariamente a jejuam, sejam benditos do Senhor, e os que a não quiserem jejuar, não sejam obrigados; mas jejuem a outra Quaresma até à Ressurreição do Senhor. E não têm os irmãos obrigação de jejuar noutros dias, a não ser à sexta-feira. Mas quando houver manifesta necessidade, não sejam obrigados a jejum corporal»

São Francisco fala de três Quaresmas. Mas ele ainda viveu outras -Eram seis ao todo:

● a Quaresma da Epifania ou “Santa”, porque vivida e “santificada” pelo Senhor Jesus (7 de Janeiro a 15 de Fevereiro);
a Quaresma da Ressurreição do Senhor (de Quarta-feira de Cinzas até à Páscoa);
a Quaresma de São Pedro e São Paulo, como manifestação de amor à santa Igreja (de 20 de Maio a 29 de Junho);
a Quaresma da Assunção de Nossa Senhora (de 29 de Junho a 15 de Agosto);
a Quaresma de São Miguel Arcanjo (de 15 de Agosto a 25 de Setembro);
a Quaresma do Advento ou da Encarnação (da Festa de Todos os Santos até ao Natal) do Senhor.

Um artigo dos Frades Capuchinhos: http://www.capuchinhos.org/francisco/artigos/sonhar_pascoa.htm

----------------------------------------------------

Uma proposta quaresmal possível:

OS 800 ANOS DA CAMINHADA DE CONVERSÃO DE S. FRANCISCO DE ASSIS


O tumulo de S. Francisco de Assis

Com S. Francisco de Assis nos 800 anos da sua caminhada de conversão. E como este santo não é pertença exclusiva dos franciscanos mas tesouro inestimável da Santa Igreja e proposto pela revista Times como personalidade marcante do século XX... Ei-lo!

uma cronologia possível: http://www.centrinho.usp.br/sfa/sf_02.html

oração de Francisco diante a Cruz de S. Damião:

Ó glorioso Deus altíssimo,
iluminai as trevas do meu coração,
concedei-me uma fé verdadeira,
uma esperança firme e um amor perfeito.
Dai-me, Senhor, o (recto) sentir e conhecer,
a fim de que possa cumprir
o sagrado encargo
que na verdade acabais de dar-me.
Amém.

Um dia veio a resposta: http://www.procasp.org.br/paragrafo.php?num=491

E LANÇOU-SE À AVENTURA...

O santo que, no final da vida, depois de uma noite mal passada e cheia de dores amanhece com Cântico das Criaturas nos lábios... um santo da alegria

 S. Francisco - o santo da Alegria: http://www.franciscanos.org.br/nossaorigem/especiais/sf_alegria/apresentacao.htm

O que nos ensina São Francisco sobre a perfeita alegria?

"Vindo uma vez S. Francisco de Perusa para S. Maria dos Anjos com frei Leão, em tempo do inverno, e o grandíssimo frio fortemente o atormentasse, (...) frei Leão perguntou-lhe:

Pai, peço-te, da parte de Deus, que me digas onde está a perfeita alegria.



E S. Francisco assim lhe respondeu:

Quando chegarmos a S. Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento, e o porteiro chegar irritado e disser: Quem são vocês?

E nós dissermos: Somos dois dos vossos irmãos,

e ele disser: Não dizem a verdade; são dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora daqui:

e não nos abrir e deixar-nos estar ao tempo, à neve e à chuva, com frio e fome até à noite:

então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente, sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele (...) escreve que nisso está a perfeita alegria.

E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite batermos mais e chamarmos e pedirmos pelo amor de Deus com muitas lágrimas que nos abra a porta e nos deixe entrar,

e se ele mais escandalizado disser: Vagabundos importunos, pagar-lhes-ei como merecem:

e sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó:

se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devemos suportar por seu amor: ó irmão Leão, escreve que aí e nisso está a perfeita alegria,

 e ouve, pois, a conclusão, irmão Leão.

Acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, está o de vencer-se a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos (...)".

o texto original: http://www.procasp.org.br/paragrafo.php?num=899

Que a benção deste Santo a Frei Leão se estenda também a ti:

O Senhor vos abençoe e vos guarde.
Vos mostre a sua face e se compadeça de vós.
Volva para vós o seu rosto e vos dê a paz!
O Senhor vos abençoe,
Pai, Filho, Espírito Santo
Amém
.

PAZ E BEM! Beijos 

« Última modificação: 13 de Março de 2007, 12:03 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #1 em: 20 de Fevereiro de 2007, 13:16 »

CATEQUESES NA QUARESMA

Para melhor integrar a caminhada da catequese proposta nos catecismos com o ritmo litúrgico e a campanha da Quaresma sugerida pelo Secretariado, chegou-nos um esquema que apresenta qual a catequese que, nos catecismos da segunda e terceira fase, melhor se adapta a cada uma das semanas da Quaresma.

Sugere-se o seguinte esquema:

3º ano: «Queremos seguir-te»
- 1ª semana: Catequese n.º 16
- 2ª semana: Catequese n.º 15
- 3ª semana: Catequese n.º 18
- 4ª semana: Catequese n.º 17
- 5ª semana: Catequese n.º 19
- 6ª semana: Catequese n.º 20

4º ano: «Ficamos contigo»
- 1ª semana: Catequese n.º 15
- 2ª semana: Catequese n.º 16
- 3ª semana: Catequese n.º 17
- 4ª semana: Catequese n.º 18
- 5ª semana: Catequese n.º 19
- 6ª semana: Catequese n.º 20

5º ano: «Eu sou o vosso Deus»
- 1ª semana: Catequese n.º 15
- 2ª semana: Catequese n.º 16
- 3ª semana: Catequese n.º 17
- 4ª semana: Catequese n.º 18
- 5ª semana: Catequese n.º 19
- 6ª semana: Catequese n.º 20

6º ano: «Jesus Cristo é o Senhor»
- 1ª semana: Catequese n.º 13
- 2ª semana: Catequese n.º 14
- 3ª semana: Catequese n.º 16
- 4ª semana: Catequese n.º 15
- 5ª semana: Catequese n.º 18
- 6ª semana: Catequese n.º 17

Para a primeira fase, o 1º e 2º ano, chegou-nos também a sugestão de que se utilizasse apenas o cartaz grande e as pegadas, e que as actividades lançadas fossem as sugeridas nos catecismos.

E está sempre aberto o espaço para a criatividade para melhor «incarnar» a Campanha em cada grupo, para usar todos ou apenas alguns dos materiais, seguir as sugestões ou criar novas dinâmicas a partir da caminhada própria de cada grupo!

encontrado em: http://catequeseleiria.blogspot.com/
Secretariano Diocesano da Catequese - Diocese de Leiria-Fátima

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« Responder #2 em: 20 de Fevereiro de 2007, 13:32 »

REFLEXÃO PARA O SENTIDO DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS

 

Sentido litúrgico

 
«A Quarta-feira de Cinzas é a porta de entrada da Quaresma. Com a imposição das cinzas começa oficial e solenemente o tempo de preparação para a Páscoa. Entramos no grande Templo onde se vive, de maneira mais intensa, o programa que Jesus nos propõe: oração, esmola e jejum. Nossos olhos e nosso coração estão sintonizados na Páscoa.

A oração que este tempo nos sugere vai além das simples fórmulas tão comuns em nosso cotidiano: é a oração do cego e a do publicano: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!”. “Ó meu Deus, tem piedade de mim, pecador!”. Oração de súplica e de arrependimento. Oração de quem se reconhece pecador. Trata-se da oração do coração, que busca a união com Deus, através dela.

Leia Lc 18,1; 21,36; 1Tess 5,17; Ef. 6,18.

O jejum também vai muito além de abstenção de alimentos. O Profeta Joel nos acusa dizendo que reduzimos a exigência divina a um simples formalismo exterior: “Rasgai vossos corações e não vossas vestes”.  Que valor tem deixar de comer carne, para substituí-la por um prato de  bacalhau que custa muito mais caro?Excalmação Joel fala de um jejum que apela para uma conversão profunda. Entender jejuar como criar um espaço, um vazio em nós para que a graça de Deus nos refaça e nos preencha.

Leia Is 58,3-7; Joel 1,4; 2,15; Jonas 3,5.

  A esmola não se reduz à oferta de dinheiro, alimentos, roupas e outros objetos: “Misericórdia eu quero e não vossos sacrifícios”. Deus espera que tiremos algo de nós mesmos para lhe oferecer. A oferta exterior precisa simbolizar e significar essa doação interior: tiramos algo de nós, um pedaço mesmo, para oferecer a Deus.

Leia Sl. 40,6 Is 43,23 Jer 6,20 Os 6,6.

A CINZA   na cabeça é usada em sinal de penitência, de conversão, de luto pelo pecado. É um sinal exterior que expressa o arrependimento interior e o desejo de conversão. Reconhecemos que somos pecadores e que devemos trabalhar pela mudança de vida. A cinza na testa revela sobretudo um compromisso de viver o tempo de preparação para a Páscoa.

Leia 2Sam 13,19 Est 4,1 Jó 2,8; Jon 3,6.

O Rito da Imposição das Cinzas com todo seu simbolismo nos provoca para viver o espírito quaresmal, ou seja, atitude interior, constante, permanente, preparando-nos para a Páscoa.
 
A história ensina
 
            Desde o século 4º, a Igreja vem se preparando para a Páscoa com 40 dias de austeridade, à semelhança da experiência vivida por Cristo no deserto.

Como na antiga disciplina os domingos não eram dias de penitência nem de jejum, a quaresma somente somava 36 dias.

Sendo assim, a Igreja antecipou para Quarta-feira de Cinzas para completar os 40 dias.

 A Igreja assumiu a tradição do Antigo Testamento propondo como programa para o tempo quaresmal oração, esmola e jejum.

Entre os séculos 4º e 10º  havia um rigor muito grande com relação aos pecadores públicos. Eles eram excluídos de participar da celebração eucarística. Vestiam uma túnica, colocavam cinzas na cabeça e eram separados da comunidade eclesial: precisavam ser reconciliados oficialmente aqueles que cometiam pecado grave de caráter público. A Cerimônia da reconciliação acontecia na 5a Feira Santa, e a da expulsão, na 4ª Feira de Cinzas.     

O texto do Profeta Joel influenciou a Igreja no sentido de abrandar o rigor da disciplina: “vosso Deus é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”.

A partir do século 8º o rito foi tomando um caráter mais geral com a introdução de normas que permitiam a todos os cristãos receberem as cinzas como reconhecimento de nossa condição de pecadores.

Importante notar que os pecadores expulsos da assembléia continuavam assistindo as reuniões litúrgicas da Quaresma, conforme testemunha Santo Agostinho que escreveu homilias aos penitentes presentes no templo.

Hoje este sentido original da imposição das cinzas se estendeu a todos os cristãos como sinal de entrada na Quaresma e preparação para a Páscoa. Tem um sentido autenticamente penitencial que se expressa em algumas virtudes: oração, simplicidade de vida, espírito de pobreza e desapego, parcimônia no comer e no beber, cuidado com as palavras, disponibilidade de tempo para os outros, e outras virtudes penitenciais.

As Cinzas provêm dos ramos de oliveira abençoados e usados no ano anterior, no Domingo de Ramos. É colocado na testa do cristão como gesto de humildade, arrependimento, reconhecimento dos próprios erros e, ao mesmo tempo, de muita confiança em Deus.

A testa aponta para o mental, o pensamento: convida a refletir, analisar, avaliar, examinar a consciência, as atitudes de vida.
 
Uma vida pascal
 
Todas as semanas da Quaresma nasceram ao mesmo tempo: de tal forma foram hoje organizadas que em conjunto com a Oração das Horas, oferecem uma verdadeira catequese pascal.

Ajudam-nos a entender que a Páscoa não é uma festa, mas uma atitude de vida, um jeito de viver: somos chamados a viver uma vida pascal, de passagem, de transfiguração.

É um esforço de todos os dias para superar o egoísmo, os vícios, o ódio, a indiferença pelos irmãos, crescendo no amor, na dedicação, na doação de nossa vida.

É um trabalho perseverante para vencer as injustiças, o sistema de vida baseado na ganância, no luxo, na violência, no consumismo, no aumento do capital a qualquer custo.

É positivamente se unir a outras pessoas e grupos para construir uma sociedade segundo o Coração de Deus: uma sociedade justa e fraterna, baseada na partilha, na solidariedade, no respeito a cada ser humano, no amor sem exclusão e preconceito.

O documento de Medellin lembra a situação do povo que saiu das terras do Egito, fazendo a passagem pelo Mar Vermelho, para nos dizer que é preciso viver a passagem “de condições menos humanas a condições mais humanas!»

Pe. Luiz Carlos Magalhães
« Última modificação: 20 de Fevereiro de 2007, 13:35 por lea onda-menor » Registado

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Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.


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« Responder #3 em: 20 de Fevereiro de 2007, 17:15 »

Todas as Sextas-Feiras da Quaresma são dias de abstinência. É um apelo à capacidade de renunciar à carne, isto é, a algumas coisas que nos podem dar "gozo", mas que desejamos dominar (televisão, café, um passeio, um almoço num restaurante, numa palavra, o que cada um for capaz de criar).
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lea onda-menor
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« Responder #4 em: 22 de Fevereiro de 2007, 07:04 »

Ao chegar à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos:
«Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?»

 Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas.»

Perguntou-lhes de novo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
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« Responder #5 em: 22 de Fevereiro de 2007, 17:08 »

A Quaresma caminho para a Páscoa, caminho que deve conduzir à Ressurreição, à Vida Nova. Por isso à Quaresma exige da nossa parte o esforço da conversão, a intensidade de ascese para que se realize a mudança necessária, o desejo generoso que dinamize o nosso ser para que nos abramos ao espírito que salva e converte, purifica e cura, transforma e cristifica. Para isso a Quaresma deve ter várias frentes de acção rumo à Páscoa.
1° Para com Deus mais (melhor) oração. A Quaresma tem de ser um tempo forte de oração, de silêncio, de deserto, de mais intensidade de comunhão com Deus, de leitura da Palavra, de meditação, da escuta do Senhor. Não só o "mais", mas também o "melhor", ou seja dar melhor, qualidade à oração que já fazemos, intensificar o nosso esforço de atenção, de escuta, de amor, de diálogo que nos apanhe, por dentro, o coração.
2° Para com o próximo mais caridade. A santidade mede-se pelo amor. Converter-se tem de ser sempre amar mais e melhor. Só quem ama vive em Deus e com Deus. Quanto mais caridade, quanto mais obras concretas de amor ao próximo, mais conversão e mais santidade. O grande esforço da nossa quaresma tem de ser este. Se rezamos é para amar mais, para amar melhor, para sermos mais fiéis no amor. Que vamos fazer? Como dimensionar na vida esta atitude de amor fraterno? Qual a dimensão, o sector que mais precisa Interrogação Que vamos nós intensificar Interrogação
3° Para connosco mais penitência. Mas a melhor e mais eficaz penitência é aquela que nos leva a rezar melhor e a amar mais. Passar um dia sem criticar é, talvez, maior penitência que jejuar. Mas é mais eficaz mais fecundo. Não ver televisão para poder rezar, ler a Escritura, é maior penitência que fazer abstinência. Qual será então o estilo de penitência que vai ajudar-nos a uma vida mais orante e mais caridosa Interrogação Jejuar da crítica, da televisão, do prazer, do comodismo... Abster-se do que me afasta de Deus, me tira tempo para Ele, do que me impede de amar mais.
4° Reconciliados com o Pai. Neste ano dedicado ao Pai, a nossa Quaresma tem de ter um sentido de filiação amorosa, de retorno à casa do Pai, de Reconciliação com Ele e acolhe os outros. O sacramento da Reconciliação é a grande festa de Deus, que perdoa, acolhe; abraça, beija, acarinha o filho pecador que volta a Casa. A Quaresma apresenta-se como verdadeiro espaço e tempo de Reconciliação amorosa com o Pai. E precisamos de trazer os outros ao encontro do Pai de Misericórdia. Que belo apostolado da nossa Quaresma, que boa maneira de amar e de fazer penitência.

O Pai nos espera. Vamos ao seu encontro. O Espírito Santo quer ajudar-nos , neste caminho em que, reconciliados com o Pai, celebraremos a Páscoa do Senhor Ressuscitado, ressuscitando com Ele. Só assim haverá verdadeira Páscoa, verdadeira passagem. Eis o grande desafio que nos é proposto... Que resposta, fiel e generosa, vai dar cada um de nós Interrogação Que programa de Quaresma vamos fazer pessoal e em família Interrogação



P. Dário Pedroso, s.j
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« Responder #6 em: 23 de Fevereiro de 2007, 09:16 »

Sexta-feira a seguir às Cinzas antes do 1.º Domingo da Quaresma...

Uma memória recordada nos cinemas
e baseada nas revelações de Ana Catarina Emmerich



A Paixão de Cristo, Mel Gibson (trailer do Filme)
Ainda se recorda?


O acompanhar silencio de Maria foi o que mais me atraiu em todos este filme:

"19 Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração" Lc 2

"51 (...)Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração" Lc 2


Com Maria a contemplar a Paixão: http://www.srcoronado.com/smf/index.php?topic=4839.msg47058;topicseen#new

« Última modificação: 23 de Fevereiro de 2007, 09:46 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #7 em: 24 de Fevereiro de 2007, 21:33 »

I DOMINGO DA QUARESMA


«Os relatos das tentações procuram expressar uma experiência mística de Jesus, e então não devem ser interpretados ao pé da letra, duma maneira fundamentalista!

Uma coisa já chama a atenção - as tentações vêm logo após o baptismo de Jesus!

O baptismo significava o assumir público da sua missão, por parte de Jesus. Logo após este compromisso, ele tem que enfrentar as tentações.

Aqui a experiência de Jesus é como a nossa própria - nós temos compromisso com o projeto de Deus, mas entre o nosso compromisso e a prática dele, existem muitas tentações!

O texto diz que Jesus estava “repleto do Espírito Santo”, uma frase somente usada em outras três ocasiões: Atos 6,5 e 7,55 (Estêvão) e 11,24 (para Barnabé).

Jesus é o modelo para cristãos que sofrem pressões! Também o texto sublinha que ele era “conduzido pelo Espírito através do deserto”.

O Espírito Santo não conduz Jesus à tentação, mas é a força sustentadora dele, durante as suas tentações.

E como o Espírito dava força a Jesus, Lucas quer ensinar às suas comunidades que elas também poderão contar com este apoio do Espírito Santo nos momentos difíceis da vivência da sua fé!

Podemos reconhecer nas tentações as mesmas que nós, individualmente e comunitariamente enfrentamos na nossa caminhada da fé hoje! Vejamos:

PEDRA TORNAR PÃO - A TENTAÇÂO DO PRAZER

Primeiro, Jesus é tentado para mandar que uma pedra se tornasse pão. Podemos ver aqui a tentação do “prazer”- logo que enfrenta sofrimento por causa da sua ascese, Jesus é tentado a escapar dele!

Uma tentação das mais comuns hoje, num mundo que prega a satisfação imediata dos nossos desejos, numa sociedade que cria necessidades falsas através de sofisticadas campanhas de propaganda. Uma sociedade de individualismo, onde a regra é “se quiser, faça!”, uma sociedade onde sacrifício, doação e solidariedade são considerados como ladainha dos perdedores!

E a resposta de Jesus é contundente: “Não só de pão vive o homem”.( v. 4).

O homem vive de pão certamente, mas não só! Jesus não é sádico nem masoquista, contra o necessário para viver dignamente. Mas salienta muito bem que não é somente a posse de bens que traz a felicidade, mas a busca de valores mais profundas, como a justiça, a partilha, a doação, a solidariedade com os sofredores.

Não faz nenhum contraste falso entre bens materiais e espirituais - precisa de ambos para que se tenha a vida plena!

Nesta frase, Jesus desautoriza tanto os que buscam a sua felicidade na simples posse de bens como os que dispensam a luta pelo pão de cada dia para todos!

A TENTAÇÂO DO TER

A segunda tentação pode ser visto como a de “ter”. De novo algo muito actual!

Nós vivemos na sociedade pós-moderna da globalização do mercado, do neo-liberalismo, do evangelho do mercado livre. Diariamente a televisão traz para dentro das nossas casas a mensagem de que é necessário “ter mais”, e que não importa “ser mais”!

 E como sempre, a tentação vem em forma atraente - até a Igreja pode cair na tentação de achar que a simples posse de bens, que podem ser usados em favor da missão, garantirá uma pregação mais evangélica.

 Somos tentados a não acreditar na força dos pobres, de não seguir o caminho do carpinteiro de Nazaré.

Jesus também teve que enfrentar esta tentação - ele que veio para ser pobre com os pobres, para mostrar o Deus que opta preferencialmente pelos pobres, é tentado a confiar nas riquezas!

Para o diabo - e para o nosso mundo que idolatra o bem-estar material e o lucro, mesmo às custas da justiça social, Jesus afirma: “Você adorará o Senhor seu Deus, e somente a ele servirá”( v. Cool.

A TENTAÇÂO DO PODER

A terceira tentação podemos entender como a do “poder”. Uma tentação permanente na história das Igrejas e dos cristãos.

Quantas vezes as Igrejas confiavam mais no poder secular do que na fragilidade da cruz, para “evangelizar”. Quanta aliança entre a cruz e a espada - a América Latina que diga!

E ainda hoje todos nós enfrentamos esta tentação - não de ter poder para servir, mas de confiar no poder aparente deste mundo, mais do que na fraqueza aparente de Deus, assim contradizendo o que Paulo afirmava com toda força:

 “A fraqueza de Deus é mais forte do que os homens”( 1 Cor 1,25) E ainda: “Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte (“(1 Cor 1,27).

Jesus, que veio para servir e não para ser servido, que veio como o Servo Sofredor e não como dominador, teve que clarear a sua vocação e despachar o diabo com a frase: “Não tentarás o Senhor seu Deus”

AS TENTAÇÔES DE JESUS SÂO AS DO MUNDO MODERNO: PRAZER - TER - PODER

 Realmente, podemos nos encontrar nas tentações de Jesus! São as tentações do mundo moderno - o ter, o poder e o prazer!

Todas coisas boas em si, quando bem utilizadas conforme a vontade de Deus, mas altamente destrutivas quando tomam o lugar de Deus em nossas vidas!.

Jesus teve que enfrentar o que nós enfrentamos - o “diabo” que está dentro de nós, o tentador que procura nos desviar da nossa vocação de discípulos.

E o trecho de hoje nos coloca diante da orientação básica para quem quer vencer: “Você adorará o Senhor seu Deus, e somente a ele servirá”( v.Cool»

Pe. Tomaz Hughes - SVD
   
« Última modificação: 24 de Fevereiro de 2007, 21:35 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #8 em: 02 de Março de 2007, 15:12 »

Recordando os ultimos momentos da vida de Cristo...


 Rosa dinamização possível: http://www.santamaria.org.br/Conteudo.aspx?A=79&C=144
 Rosa Bach, A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o Evangelista Mateus: o texto traduzido em Português: http://www.lukasdoro.com.br/paixao_segundo_mateus.html
 Rosa texto sobre as 2 Paixões de Bach (s. Mateus e S. João) complementado com extractos musicais: http://viveraltadelisboa.blogspot.com/2006/04/as-paixes-de-bach.html (sublime)
 Rosa recordar cenas de um filme "a Paixão" com uma canção: um video clip: http://www.sublimeamor.com.br/videos/video.asp?v=74


MEDITANDO ESSES MOMENTOS...


UMA DEVOÇÃO

Via-sacra (Via Crucis / Via Dolorosa)


«A devoção da Via-sacra ou Via crucis tem suas origens bem dentro da espiritualidade franciscana.

 É de todos conhecida a intensidade com que Francisco meditava sobre a humanidade de Cristo:
 
encarnação, natal, paixão e,
dentro do mistério kenótico do Filho de Deus, a Eucaristia,
intimamente ligada à encarnação.


Tudo isto, evidentemente, sem anular a divindade de Cristo.

Tomás de Celano, ao narrar o encontro de Francisco com o crucifixo de São Damião, exprime-se com uma frase de intenso significado:

"Desde então, grava-se na sua santa alma a compaixão do Crucificado..., e no coração dele são impressos mais profundamente os estigmas da venerável paixão, embora ainda não na carne" .

É esta compaixão que leva Francisco a chorar constantemente a paixão do Senhor.

"A partir daquela hora - continua o biógrafo - a alma dele se derreteu. Desde então, não consegue conter o pranto, chora também em alta voz a paixão de Cristo... Enche de gemidos os caminhos, não admite qualquer consolação, ao recordar-se das chagas de Cristo" .

Digno de menção é o episódio narrado pela Legenda dos Três Companheiros:

"Uma vez, caminhava solitário perto de Santa Maria da Porciúncula, chorando e lamentando em alta voz. Um homem espiritual, ouvindo-o, julgava que ele sofresse alguma enfermidade ou dor e, movido de compaixão para com ele, interrogou-o por que chorava. E ele disse: 'Choro a paixão de meu Senhor, pelo qual eu não deveria envergonhar-me de ir chorando em alta voz por todo o mundo'. O outro também começou a chorar com ele em alta voz" .

Neste contexto de intensa compaixão se compreende a redação do Ofício da Paixão, meditação que Francisco fazia dos salmos que ele rezava na óptica da Paixão do Senhor.

Em outras palavras: Francisco lia certos versículos do saltério sempre ligados ao mistério da paixão de Cristo. E deste conjunto de versículos de diferentes salmos ele compôs o Ofício da Paixão, que ele rezava sempre como ofício votivo.

E esta compaixão vai conduzir Francisco a sofrer-com o Cristo sofredor, pois que o identificará com Ele na cruz, imprimindo nele os estigmas no Monte Alverne.
 
O amor de Francisco pela humanidade de Cristo leva-o conseqüentemente ao amor pela Terra Santa. Os historiadores discutem se Francisco realmente foi ou não à Terra Santa. Mas a presença franciscana na Terra Santa é de antiga data.

Quando em 1217 a Ordem foi estruturada em províncias, Francisco mandou frades para a Província da Síria, isto é, com acesso à Terra Santa. Frei Elias foi o primeiro Provincial da Síria.

Depois da morte de Francisco, a presença dos frades menores na Terra Santa foi constante. E a alma dos frades menores ficou marcada também pela compaixão para com os sofrimentos do Senhor, pois esta faz parte de sua espiritualidade.
 
Deste modo, a difusão da devoção da Via-sacra só podia ter tido a colaboração dos franciscanos. Isto se deu a partir dos séculos XIV e XV.

  Os frades menores, que desde 1342 tinham a guarda ou custódia da Terra Santa, começaram a percorrer com os peregrinos a via dolorosa de Cristo, que começava diante da casa de Pilatos até à sepultura de Jesus.

Os lugares de parada (estações) para meditação sobre um determinado sofrimento de Cristo eram marcados com uma pedra, depois com pequenas cruzes .

 Estas estações foram desde cedo visitadas pelos peregrinos .

Inicialmente, as meditações eram baseadas nos textos do Evangelho. Posteriormente, foram-se acrescentando alguns elementos colhidos da tradição, como, por exemplo, a cena da presença consoladora de Verônica.

Mais tarde, esta devoção foi transplantada pelos franciscanos para a Europa.

Assim, os peregrinos que voltavam da Palestina, desejando recordar os lugares santos visitados em Jerusalém, começaram a recorrer a esta devoção. E a devoção foi-se espalhando sempre mais, mesmo para aqueles que nunca tinham visitado a Terra Santa.

São Leonardo de Porto Maurício (1676-1751) foi um grande propagador da Via-sacra, difundindo numerosos quadros.

 Preparou o jubileu de 1750, quando erigiu a Via-sacra do Coliseu, declarando sagrado aquele lugar santificado pelo sangue dos mártires.

Mas já a partir de Leão X, com a concessão de indulgências, a Via-sacra encontrou expansão geral.

A Via-sacra convida-nos a percorrer o mesmo caminho de Cristo (seguimento de Cristo mesmo na cruz), mostrando-nos nossa fundamental condição de pessoas in via . Isto nos convoca a meditar sobre a nossa condição de peregrinos e forasteiros neste mundo . »

Frei Celso Márcio Teixeira ofm

VIA SACRA VIRTUAL: imagens de Jerusalém com o percurso de oração e meditações do cardeal Ratzinger ( actual Papa Bento XVI ) em Inglês, espanhol ou italiano - MUITO INTERESSANTE!: http://www.jerusalemviacrucis.org/

VIA SACRA VIRTUAL (com uma intrudução e imagens de Jerusalem ilustrando as 15 estações da via sacra conjuntamente com uma brevíssima reflexão cedida pela Editora Paulus): http://www.auxiliadora.org.br/viasacra/index.htm

VIA SACRA VIRTUAL (inspirada em Santo Afonso Maria Ligório): http://www.santuarionacional.org.br/index.php?id_canal=59

Fotografias do caminho da Via Sacra em Lourdes (França): http://corazones.org/lugares/francia/lourdes/via_crucis_lourdes/a_via_crucis_lourdes1.htm

Fotos do coliseu de Roma: http://www.romestate.it/fotobook_event.php?id=6&lang=spa / Roma antiga: Forum Romano e Via sacra: http://www.kenia.art.br/galeria/thumbnails.php?album=96

fotos - VIA CRUCIS AL COLOSSEO - 14 aprile 2006: http://benediktxvi.ru/gallery/crucis/ratzinger-via-crucis-14-04-2006-.html

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De volta  a Jerusalém para visualizar a Via Dolorosa e o santo Sepulcro em "Quick Time Tour" Interrogação Explorando com o rato sobre as imagens, apr´ximando ou afastando com os comandos + e - por debaixo da imagem em ponto pequeno. Na "Stations of the cross" (estações da Via sacra) se clicar em na setinha para cima ao lado do sinal de + ("show hot spots" ) sinaliza na imagem o que deve prestar atenção e em aixo aparece a legenda (em inglês) depois na sombra azul ... pode passar de uma imagem para outra pelo rato: http://www.z360.com/cross/index.htm
« Última modificação: 03 de Março de 2007, 12:40 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #9 em: 04 de Março de 2007, 09:37 »

II DOMINGO DA QUARESMA



Todos os anos, o II DOMINGO DA QUARESMA apresenta-nos a Transfiguração do Senhor (Lc 9,28b-36). Mas cada evangelista sinóptico tem as suas particularidades. Eis as de Lucas:

 Aquecer  É o único a dizer que Jesus sobe ao monte «para orar» (v. 28).

 Aquecer  Só ele revela o tema da conversa de Jesus com Moisés e Elias: «da sua morte, que ia acontecer em Jerusalém» (v.31), e que Pedro só pede para ficarem ali «quando eles iam separar-se de Jesus» (v.33). Curiosamente, Marcos diz que Pedro «não sabia que dizer» (Mc 9,6).

 Aquecer Só ele diz que o rosto de Jesus se modificou (v.29) e que os apóstolos entraram na nuvem, sendo esse o momento em que ficaram aterrorizados (v.35), e não quando ouviram a voz, como na versão de Mateus.

 Aquecer Ainda sobre as palavras da voz que se ouviu do céu, Lucas acompanha Marcos mais de perto, trocando apenas «muito amado» por «predilecto» (v.35).

 Aquecer Em Lucas, Jesus não pede segredo aos discípulos acerca do sucedido, como em Mateus e Marcos, embora eles o guardem na mesma.

Nesta subida com Jesus para Jerusalém, é bom sabermos que Ele vai ser lá glorificado e que os nossos esforços da Quaresma vão traduzir-se em Ressurreição e vida nova.
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UMA REFLEXÃO POSSÍVEL:

 
Transfigurou-se diante deles

«Todos os anos nós lemos, no segundo domingo da Quaresma, o evangelho da Transfiguração. Não se trata da festa da Transfiguração que se celebra no dia 6 de Agosto.

Esse texto, apresentando Jesus transfigurado, é a explicação de como será a meta última dos cristãos, dos que tem fé. A comunidade que vem do tempo dos apóstolos passou por dificuldades maiores do que estas que estamos vivendo. Os evangelistas, devido à crise apresentada pelos cristãos diante do fracasso de Jesus, sua paixão e morte, apresentam Cristo Ressuscitado como compreensão desses fatos dolorosos.

 O Cristo que se transfigura é iluminado pela luz incriada, a divindade. Nesse momento recebe a experiência da Ressurreição. Ele está na esfera de Deus, representada pela nuvem. Jesus não é um simples fato da história, como tantos outros, mas é confirmado pelo Pai como Filho dileto.

O Pai, apresentando o Filho, proclama: “Este é o meu Filho, o Dileto”. Propõe que o escutemos para sermos transformados.

Os discípulos experimentaram a presença de Deus, tanto que Pedro diz: “É bom estarmos aqui”.

 O Filho ressuscitado dos mortos, como prefigura a transfiguração, é a solução para todas as dúvidas da comunidade diante do fracasso de Jesus. Hoje continua iluminando com a Ressurreição os baixios de nossa vida.

Um caminho de vida renovada

No mundo actual a comunidade está passando por crises semelhantes à crise da comunidade primitiva. Jesus por mais conhecido que seja, não passa para muitos, de uma figura bonita.

O mundo não vê Jesus como vida, luz, verdade e caminho para os cristãos. A situação se torna grave quando Jesus para eles não chega a ser fonte de vida. O Pai manda ouvir seu Filho.

Escutar significa tomar uma atitude obediente de vida, isto é, aberta à vida de Jesus em nós.

Vamos escutá-lO através da vida vivência do baptismo. Seremos assim transfigurados com Ele. Nossa transfiguração com Ele passa pela Liturgia.

Nela, celebrando e vivendo os sacramentos, seremos santificados, iluminados.

Fazemos desse modo nosso caminho espiritual que, com Ele, passa pela cruz, para chegar à Ressurreição. Nossa fé exige uma prática de vida, mas possui também a presença de Deus que, pelo Espírito, nos encaminha cada vez mais a sermos “cidadãos dos céus” (Fl 3,20), vivendo ainda na terra, esperando a transformação de nosso corpo para sermos semelhantes a seu corpo glorioso.

Muito de humanos e bastante divinos

O tempo da Quaresma coloca diante de nós a realidade do pecado e da graça, da morte e da vida.

 Reflectimos as tentações de Jesus. Em Cristo somos tentados e em Cristo venceremos, como nos diz Santo Agostinho. Não depende só de nós, como um esforço pessoal.

A aliança de Deus com Abraão continua dando-nos a certeza de que, fazendo esse caminho, chegaremos à glória de sua Ressurreição.

Como Abraão nós somos chamados a entrar em aliança com Deus. Tanto a obscuridade da nuvem em que entram os discípulos, como o torpor em que entra Abraão, são características do encontro com Deus, pois Ele é a luz.

Jesus também entra na obscuridade do sofrimento e da morte. Por aí também passa o discípulo. Chegaremos à ressurreição luminosa que vemos em Jesus, passando pela morte com Cristo, em seu Mistério Pascal.

Durante a vida somos interiormente transformados, divinizados, para entrar na glória da Ressurreição e luzir ao fim como astros no firmamento.»
Pe. Luiz Carlos de Oliveira



A Basílica da Transfiguração

OUTRA REFLEXÃO PROPOSTA PELOS CLARETIANOS:
http://www.claretianos.com.br/servicobiblico2/?dia=4&mes=3&ano=2007



A vista do monte Tabor

O Monte Tabor (ou o Monte da Transfiguração) - em espanhol:
http://198.62.75.1/www1/ofm/san/TABmenu_Es.html

Um saltinho até à terra Santa (Inglês) ... clique sobre as imagens e aguarde um pouco: surgirá uma bela imagem que se aproxima/ em movimento:
http://www.my-holyland.com/gallery.php?s_category=1
http://www.my-holyland.com/site_intro.php?category_id=1
"mapas" muito interessantes:
http://www.my-holyland.com/gallery.php?s_category=3

tudo isto no mesmo site explore-o:
http://www.my-holyland.com/index.php

Lugares Bíblicos (também em Inglês):
http://www.bibleplaces.com/index.htm
http://www.biblewalks.com/sites/Sites.html



« Última modificação: 04 de Março de 2007, 14:23 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #10 em: 13 de Março de 2007, 09:42 »

III Domingo da Quaresma



A figueira é uma planta símbolo do Povo de Deus.
Na Palestina geralmente as figueiras são plantadas
no meio das vinhas, outra planta símbolo de Israel.
A figueira produz frutos por 10 meses sem parar.
É símbolo da abundância e da generosidade.



O Evangelho deste III DOMINGO DA QUARESMA (11 de Março) vem recordar-nos que «é agora o tempo favorável, é agora o dia da salvação», como nos dizia Paulo na II Leitura de Quarta-feira de Cinzas. Não é tempo para perder o tempo ou se iludir com floreados e aparências. É tempo de fruto! Daí a parábola da figueira estéril.

Em Mateus também se encontra uma figueira estéril, à qual Jesus vai procurar fruto mas só encontra folhagem; e então amaldiçoa-a para que não dê mais fruto (21,18-22). Marcos, em lugar paralelo, aduz a atenuante de que «não era tempo de figos» (11,13), mas isso não livra a figueira de ser amaldiçoada. No texto de Lucas, o evangelista da misericórdia, não há maldição: o Senhor concede um prazo à figueira, graças à intercessão do encarregado da vinha: «Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume. Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.»

Esta Quaresma poderá ser a última estação do prazo que Deus me concede. Como penso vivê-la, para compensar tantas provas do seu amor não correspondido, tantos dons, tantos sacramentos, tantas oportunidades não aproveitadas para ler ou escutar a sua Palavra, tanto bem omitido e tanto mal praticado…?Excalmação



«Amigos e amigas, Paz e Bem!

O tempo da Quaresma (quarenta dias) tem uma característica peculiar, ou seja, um tempo dedicado exclusivamente à conversão do coração e à mudança radical de vida, mediante a prática da oração, do jejum e da caridade.

Por isso mesmo, que a Quaresma caracteriza-se pela cor ROXA. A cor roxa indica uma situação de grande esforço. Para uma compreensão mais directa podemos comparar assim:

“... quando alguém está fazendo um grande esforço físico para empurrar ou levantar algo muito pesado, esta pessoa fica toda roxa”.

Ora, em sentido figurado é isso mesmo! A Quaresma é o tempo para empurrar para longe os vícios e as maldades que nos aprisionam e impedem de viver a vontade de Deus e também tempo de levantar a cabeça e seguir adiante na caminhada.

O texto do evangelho escolhido para este domingo é o de Lc 13,1-9. O texto apresenta uma síntese da caminhada de Jesus para Jerusalém.

Esta caminhada tem um sentido teológico de libertação e de realização das promessas do Pai. Jesus faz a experiência do desprezo e do abandono por parte daqueles que ele confiava plenamente.

Jerusalém foi o ponto de chegada de Jesus, pois lá ele teve que enfrentar o mistério da cruz. Mas, Jerusalém foi também o ponto de partida dos discípulos para a construção da nova etapa missionária após a ressurreição.

Três aspectos se destacam neste texto de hoje:

 Aquecer 1. Que as tragédias não podem ser vistas como castigo de Deus. Não vale o pensamento: Pecou, pagou!

Deus não castiga e nem pode castigar ninguém, pois Deus é amor e amor em plenitude, portanto, não cabe no coração de Deus nenhum espaço para a vingança e o ódio. Porém, na mentalidade do tempo de Jesus, essa idéia de que Deus castiga, era muito forte e corrente.

 Aquecer 2. Deus é amor e oferta generosa de vida. Deus não quer e não pode castigar ninguém! Por isso, Jesus apresenta a idéia do Deus-Misericórdia:
“... se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo jeito”.

Portanto, as tragédias nos fazem perceber que, se elas existem, é porque não houve aceitação do projeto de Deus. E quando as pessoas não aceitam este projeto, se auto-destroem, pois passam a ver a ter fim em si mesmos, e não em Deus. Quem não aceita a proposta de Jesus, colabora de forma indireta com os projetos de morte e construtores da própria desgraça.
 
 Aquecer 3. Deus é absolutamente bom.
No final do texto, aparece a parábola da figueira.

A figueira é uma planta símbolo do Povo de Deus. Na Palestina geralmente as figueiras são plantadas no meio das vinhas, outra planta símbolo de Israel. A figueira produz frutos por 10 meses sem parar. É símbolo da abundância e da generosidade.

Ora, uma figueira que esteja a 3 anos sem produzir, causa espanto para todos! Fica muito claro, que na parábola, a figueira representa o povo do tempo de Jesus e todos aqueles que não querem fazer parte da vinha do Senhor.

O patrão (Deus) quando viu que a figueira estava sem dar frutos por 3 anos, ficou com vontade de corta-la pela raiz. Ma o agricultor (Jesus) pediu para dar uma nova chance e adubar novamente a figueira.

Ora, como será possível esperar frutos de uma figueira que por 3 anos nada produziu? Todos sabiam que não era necessário adubar figueiras. Deus ultrapassa todas as expectativas e decide adubar a figueira.

Deus aposta nas pessoas além daquilo que possa parecer absurdo. Deus é assim! A solidariedade de Deus não tem limites e confia no ser humano ao extremo das possibilidades.

Será que a adubação terá algum resultado? Ora, assim mesmo é a solidariedade de Deus. Ele continua confiando no ser humano, sem esperar resultados imediatos.

O resultado só virá, mediante o compromisso de cada um. É hora de fazermos nossa parte para que a figueira possa produzir muitos frutos de justiça e de paz.

Frei Itamar José Angonese, OFMCap


Nesta terceira etapa da caminhada para a Páscoa somos chamados, mais uma vez, a repensar a nossa existência.

O tema fundamental da liturgia de hoje é a “conversão”. Com este tema enlaça-se o da “libertação”:

o Deus libertador propõe-nos a transformação em homens novos, livres da escravidão do egoísmo e do pecado, para que em nós se manifeste a vida em plenitude, a vida de Deus.

O Evangelho contém um convite a uma transformação radical da existência, a uma mudança de mentalidade, a um re-centrar a vida de forma que Deus e os seus valores passem a ser a nossa prioridade fundamental. Se isso não acontecer, diz Jesus, a nossa vida será cada vez mais controlada pelo egoísmo que leva à morte.

A segunda leitura avisa-nos que o cumprimento de ritos externos e vazios não é importante; o que é importante é a adesão verdadeira a Deus, a vontade de aceitar a sua proposta de salvação e de viver com ele numa comunhão íntima.

A primeira leitura fala-nos do Deus que não suporta as injustiças e as arbitrariedades e que está sempre presente naqueles que lutam pela libertação. É esse Deus libertador que exige de nós uma luta permanente contra tudo aquilo que nos escraviza e que impede a manifestação da vida plena. (in Dehonianos)

EM TEMPO DE QUARESMA...

Parabolas de conversão e perdão: http://www.acidigital.com/fiestas/quaresma/parabolas.htm#3

Jesus e as pábolas: http://www.ceallankardec.org.br/jesus%20parabolas.htm


A Paixão de Jesus no Evangelho de São Lucas:
http://www.capuchinhos.org/porciuncula/biblia/paixao_lucas.htm
« Última modificação: 13 de Março de 2007, 11:24 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #11 em: 13 de Março de 2007, 09:55 »

IV Domingo da Quaresma



«Pai, pequei contra o céu e diante de ti;
já não sou digno de ser chamado teu filho. (Lc 15,18)»

Para atingir a intenção de Jesus e o alcance da parábola, temos de atender ao início do texto: Jesus propôs esta parábola, porque os fariseus e os escribas o criticavam, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles.» Daí a lição que lhes dá no filho mais velho, e a afirmação repetida no final das outras duas parábolas da ovelha e da dracma perdidas, que antecedem esta no mesmo capítulo: «Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão» .

O pior mal não é pecar: é não se arrepender, por descrença na misericórdia de Deus. O nosso Deus é esse Pai cheio de compaixão que, ao ver-nos regressar, corre ao nosso encontro, nos abraça e cobre de beijos, readmitindo-nos à festa da vida, quase sem nos deixar pedir-lhe perdão.


Rezar/ meditar a Parabola de Lucas - Proposta:
http://www.capuchinhos.org/porciuncula/parabolas_lucas/pai_misericordioso.htm


Podemos afirmar: aqui está o verdadeiro sentido da conversão: “nascer de novo”. É essa a  grande maravilha que Deus quer operar na vida dos seus amados. A conversão é recriação do ser, um fato mais admirável que a criação do Universo. É obra em 1º lugar do Espírito Santo em nós, para que com  sabor novo possamos pronunciar: “Abba”.



O retorno do Filho Pródigo

«Parece-me que o belíssimo quadro “A volta do filho pródigo”, de Rembrandt, quis expressar essa realidade da conversão como um novo nascimento, quando nos apresenta o filho estreitado entre as mãos do pai, com a silhueta um tanto  informe de um embrião humano.

Ele está sendo gestado na luz, no calor, no abraço amoroso do Pai Misericordioso. Assim, a conversão nos lança num relacionamento mais profundo, íntimo com Deus que não vemos e, necessariamente , com os irmãos que vemos bater à nossa porta de fome, frio, cansaço, doença, solidão e desespero. Só homens e mulheres novos sentirão compaixão ao ver nos rostos deformados pela miséria, a face mesma de Jesus.

No período da Quaresma, a Igreja quer preparar seus fiéis, mediante a solene celebração do Tríduo Pascal, para a renovação de nossa existência em Cristo. Os exercícios quaresmais como jejuns, abstinência, esmola, paciência com o próximo, irão favorecer esse nascer de novo. Seremos gestados, no seio da Igreja, da comunidade.»

Uma gravura a agua forte menos conhecido também de Rembrandt:



Filho Pródigo ou Paí misericordioso?

«Caríssimos Irmãos e Irmãs:

1. Continuando a aprofundar o sentido da conversão, procuraremos hoje compreender também o significado da remissão dos pecados, que nos é oferecida por Cristo através da mediação sacramental da Igreja.

E em primeiro lugar queremos tomar consciência da mensagem bíblica sobre o perdão de Deus: mensagem amplamente desenvolvida no Antigo Testamento e que encontra a sua plenitude no Novo Testamento. A Igreja inseriu este conteúdo da sua fé no próprio Credo, onde precisamente professa a remissão dos pecados: Credo in remissionem peccatorum.

2. O Antigo Testamento fala-nos, de diversas maneiras, do perdão dos pecados. A propósito disso, encontramos uma terminologia diversificada: o pecado é «perdoado», «cancelado» (Êx 32, 32), «expiado» (Is 6, 7), «lançado para trás» (Is 38, 17). Diz por exemplo o Salmo 103: «É Ele quem perdoa as tuas culpas e sara todas as tuas enfermidades» (v. 3), «Não nos tratou segundo os nossos pecados; nem nos castigou segundo as nossas culpas... Como o pai se compadece dos filhos, assim o Senhor se compadece dos que O temem» .

Esta disponibilidade de Deus ao perdão não atenua a responsabilidade do homem e a necessidade do seu empenho de conversão. Mas, como ressalta o profeta Ezequiel, se o malvado se afastar da sua conduta perversa, o seu pecado já não será recordado, ele viverá.

3. No Novo Testamento, o perdão de Deus manifesta-se através das palavras e dos gestos de Jesus. Ao perdoar os pecados Jesus mostra o rosto de Deus Pai misericordioso. Tomando posição contra algumas tendências religiosas caracterizadas pela severidade hipócrita em relação aos pecadores, Ele ilustra em diversas ocasiões como é grande e profunda a misericórdia do Pai para com todos os seus filhos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1443).

Ápice desta revelação pode ser considerada a parábola sublime que se costuma chamar «do filho pródigo», mas que deveria ser denominada do «pai misericordioso» (cf. Lc 15, 11-32). Aqui a atitude de Deus é apresentada em termos deveras extraordinários a respeito dos critérios e das expectativas do homem. Na parábola, o comportamento do pai é compreendido em toda a sua originalidade, se tivermos presente que, no contexto social do tempo de Jesus, era normal que os filhos trabalhassem na casa paterna, como os dois filhos do senhor da vinha, dos quais Ele nos fala noutra parábola (cf. Mt 21, 28-31). Este regime devia durar até à morte do pai, e só então os filhos dividiam entre si os bens que lhes cabiam como herança. No nosso caso, ao contrário, o pai cede ao filho mais novo, que lhe pede a sua parte de património, e divide os seus bens entre ele e o filho mais velho (cf. Lc 15, 12).

4. A decisão do filho mais novo de se emancipar, esbanjando os bens recebidos do pai e vivendo de maneira dissoluta (cf. ibidem, 15, 13), é uma descarada renúncia à comunhão familiar. O afastamento da casa paterna exprime bem o sentido do pecado, com o seu carácter de ingrata rebelião e as suas consequências também humanamente dolorosas. Diante da escolha deste filho o raciocínio humano, expresso de algum modo no protesto do filho mais velho, teria aconselhado a severidade de uma adequada punição, antes de uma plena reintegração na família.

Mas ao contrário o pai, ao vê-lo de longe que retornava, vai ao seu encontro cheio de comoção (ou melhor, «agitando-se nas suas entranhas», como diz literalmente o texto grego: Lc 15, 20), estreita-o num abraço de amor e quer que todos lhe façam festa.

A misericórdia paterna é ressaltada mais ainda quando este pai, ao censurar com ternura o irmão mais velho que reivindica os próprios direitos (cf. ibidem, 15, 29 s.), o convida ao comum banquete de alegria. A pura legalidade é superada pelo generoso e gratuito amor paterno, que supera a justiça humana e convoca os dois filhos a sentarem-se mais uma vez à mesa do pai.

O perdão consiste não só em receber de novo sob o tecto paterno o filho que dele se afastara, mas também em acolhê-lo na alegria de uma comunhão recomposta, transferindo-o da morte para a vida. Por esta razão, «era preciso fazer festa e alegrar-se» (ibidem, 15, 32).

O Pai misericordioso, que abraça o filho perdido, é o ícone definitivo do Deus revelado por Cristo. Antes de mais e sobretudo, Ele é Pai. É o Deus Pai que estende os seus braços misericordiosos de bênção, esperando sempre, nunca forçando nenhum dos seus filhos. As suas mãos sustentam, estreitam, dão vigor e ao mesmo tempo confortam, consolam, acariciam. São mãos de pai e contemporaneamente de mãe.

O pai misericordioso da parábola contém em si, transcendendo-os, todos os traços da paternidade e da maternidade. Ao lançar-se ao pescoço do filho, ele demonstra as semelhanças de uma mãe que acaricia o filho e o circunda com o seu calor. Compreende-se, à luz desta revelação do rosto e do coração de Deus Pai, a palavra de Jesus, que transtorna a lógica humana: «Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento» (ibidem, 15, 7). Como também: «Há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrepende» (ibidem, 15, 10).

5. O mistério do «retorno a casa» exprime de modo admirável o encontro entre o Pai e a humanidade, entre a misericórdia e a miséria, num círculo de amor que não só se refere ao filho perdido, mas se estende a todos.

O convite ao banquete, que o pai dirige ao filho mais velho, implica a exortação do Pai celeste a todos os membros da família humana para que também eles sejam misericordiosos.

A experiência da paternidade de Deus implica a aceitação da «fraternidade», precisamente porque Deus é Pai de todos, também do irmão que erra.

Ao narrar a parábola, Jesus não fala só do Pai, mas deixa entrever também os seus próprios sentimentos. Diante dos fariseus e dos escribas que O acusam de receber os pecadores e de comer com eles (cf. ibidem, 15, 2), mostra preferir os pecadores e os publicanos que se aproximam d'Ele com confiança (cf. ibidem, 15, 1) e revela assim que foi enviado para manifestar a misericórdia do Pai. É a misericórdia que resplandece sobretudo no Gólgota, no sacrifício oferecido por Cristo em remissão dos pecados (cf. Mt 26, 28). »

Audiência de João Paulo II,  8 de Setembro de 1999

Outra reflexão: O IRMÂO MAIS VELHO...

«A parábola do filho pródigo é sem dúvida uma das mais belas da bíblia, talvez a que melhor reflete a nossa relação com Deus. Nos filhos podemos visualizar claramente a natureza humana que se manifesta, pela tendência ao pecado.

No mais novo isto é mais explícito, ele abandona a casa do Pai e vai em busca dos prazeres do mundo. Quem de nós nunca desejou, por um momento sequer, esquecer da fé, do amor ao próximo e dos outros princípios que devem reger a vida do cristão, para poder agir pura e simplesmente em busca do que é melhor para si ou do que lhe traz mais prazer?

O filho mais novo é a expressão deste sentimento, aquele que aposta toda sua vida numa direção que muitos de nós já pensamos, ou até mesmo desejamos seguir. É a face daquele que se deixa seduzir e passa a acreditar que viver pelo mundo é melhor do que viver pelo Pai.

O filho mais velho, por outro lado, vive pelo Pai mas alimenta um profundo, talvez mesmo subconsciente, desejo de viver pelo mundo. Se ressente a toda hora do que poderia estar fazendo e ganhando se não tivesse de se manter sob as normas e a serviço do Pai.

Justamente como acontece conosco, enquanto cristãos e enquanto Igreja, e em especial comigo. Tento viver pelos princípios de nossa fé, e mesmo falhando muito, já enfrento dificuldades tremendas.

 Ouço o mundo a minha volta que diz que devo me preocupar com o meu futuro, aproveitar ao máximo os prazeres de minha juventude e buscar o que é melhor para mim, pois todos fazem o mesmo. E ouço o Senhor que me diz que não preciso me preocupar com o futuro, pois Ele o garantirá se me preocupar com a construção de seu reino, me diz que a juventude passa e que devo buscar prazeres maiores na entrega ao amor verdadeiro, afirma que devo procurar o que é melhor para o próximo, pois estou aqui para lhe servir.

São vozes conflitantes, que me chamam a direções opostas, o que seguir? A quem ouvir? Tenho buscado seguir ao Senhor que com sua presença me dá forças para seguir firme na esperança de que Ele conduz os caminhos da vida.

Mas também tenho observado muitos de meus irmãos, amigos, que optaram seguir pela outra direção. E muitas vezes, como o filho mais velho, sinto uma grande inveja dos que fizeram uma opção diferente e seguem livres buscando somente seus interesses e seu prazer.

Podem fazer tantas coisas que eu não me permito fazer, se beneficiam tantas vezes das oportunidades que deixo passar por me ocupar dos interesses da construção do reino, se sentem felizes, ou pelo menos o demonstram, e eu fico a pensar até onde vale a pena.

É neste momento que uma grande tentação se apodera de todo aquele que nutre estes sentimentos: a tentação de condenar.

Por me sentir intimamente atraído por aquilo que não faço, condeno abertamente quem o faz e acho que deva ser punido por ter se comportado desta forma e principalmente por ter obtido as vantagens que eu ambicionava e não pude obter. Quero castigo e não perdão.

 A atitude do filho mais velho agora é minha: desejo que meu irmão que não seguiu os caminhos do Pai seja punido e não acolhido. Este sentimento de rancor, é uma das piores tentações que afligem o cristão, sou pego por sentimentos que nunca desejaria sentir.

Se não segui pelo mesmo caminho que estes meus irmãos, foi simplesmente porque o Pai tem me segurado e cercado de cuidados e advertências que me impedem de fugir de sua graça. Nada do que faço ou deixo de fazer é por meu mérito, mas sim pela graça do Senhor. Por mim, me entregaria ao mundo, mas o amor que o Pai me dedica me impede.

E é este mesmo amor que o Pai deseja dedicar ao meu irmão que segue hoje os caminhos do mundo. Ao menor sinal de sua volta o Pai se alegra e vai em sua direção para lhe dar um abraço cheio da sua misericórdia.

 E sei que o Pai me convida a ser este abraço para meu irmão que vive pelo mundo, um abraço de aceitação, compreensão, amor e perdão. Deseja ardentemente que toda a Igreja seja portadora deste abraço de acolhida aos pecadores.

Mas nossos sentimentos, os meus ao menos, nos levam a condenar, a criticar e afastar, ao invés de acolher. Devo buscar servir ao Senhor com mais afinco, e me desapegar mais do que o mundo me oferece, pois só me ressinto de meus irmãos porque estou apegado ao que eles podem estar obtendo.

Quando for capaz de entregar a busca da minha felicidade por completo nas mãos do Senhor para que ele cuide dela, então serei capaz de dar um abraço como o do Pai para meus irmãos que vivem em outros caminhos.» (http://www.loreto.org.br/fev_pj.asp)



Teatro Cristão

em Fátima:

A conhecida Parábola do Filho Pródigo vai ser apresentada no Santuário de Fátima em várias datas e durante próximos meses, até Abril de 2007... :
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=38635
 
Tema do Ano 2007 no Santuário de Fátima: Deus é Amor Misericordioso:
http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=1261

Um texto para dramatizar:  http://www.teatrocristao.pop.com.br/filhoprodigo.htm

Episódios bíblicos captados nas mãos de um artista - Rembrandt (1606-1669):
http://www.abcgallery.com/R/rembrandt/rembrandt.html   
« Última modificação: 13 de Março de 2007, 11:29 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #12 em: 30 de Março de 2007, 17:46 »

SÓ DEUS PODE DAR AMOR, MAS TU PODES ENSINAR A AMAR... SÓ DEUS É O CAMINHO, MAS TU PODES INDICÁ-LO AOS OUTROS... SÓ DEUS É A LUZ, MAS TU PODES FAZÊ-LA BRILHAR... SÓ DEUS SE BASTA A SI MESMO, MAS QUER PRECISAR DE TI E CONTAR CONTIGO... um cantinho que me comoveu: http://fazteaolargo.blogs.sapo.pt/23015.html


V DOMINGO DA QUARESMA:

«Não quero a morte do pecador, mas que se converta e viva» ( Ez 33, 11)

A liturgia da palavra deste domingo apresenta-nos a lógica de Deus, que é de tolerância e de compreensão, face aos nossos erros e desvios do seu amor. Ele desafia-nos à superação das nossas escravidões e convida-nos a alcançar a vida nova em Cristo, desde aqui e agora, até à ressurreição final

A mulher surpreendida em adultério...

"aquele dentre vós que estiver sem pecado atire  a primeira pedra."


"«Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?» «Ninguém, Senhor» «Também eu não te condeno. Vai, e doravante não tornes a pecar»"

A LÓGICA DOS HOMENS versus A  LÓGICA DO REINO


«Temos, portanto, diante de Jesus uma mulher que, de acordo com a Lei, tinha cometido uma  falta que merecia a morte. Para os escribas e fariseus, trata-se de uma oportunidade de ouro para testar a ortodoxia de Jesus e a sua fidelidade às exigências da Lei; para Jesus, trata-se de revelar a atitude de Deus frente ao pecado e ao pecador.

Apresentada a questão, Jesus não procura branquear o pecado ou desculpabilizar o comportamento da mulher. Ele sabe que o pecado não é um caminho aceitável, pois gera infelicidade e rouba a paz…

No entanto, também não aceita pactuar com uma Lei que, em nome de Deus, gera morte. Porque os esquemas de Deus são diferentes dos esquemas da Lei, Jesus fica em silêncio durante uns momentos e escreve no chão, como se pretendesse dar tempo aos participantes da cena para perceber aquilo que estava em causa.

Finalmente, convida os acusadores a tomar consciência de que o pecado é uma consequência dos nossos limites e fragilidades e que Deus entende isso: “quem de vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”.

E continua a escrever no chão, à espera que os acusadores da mulher interiorizem a lógica de Deus – a lógica da tolerância e da compreensão.

Quando os escribas e fariseus se retiram, Jesus nem sequer pergunta à mulher se ela está ou não arrependida: convida-a, apenas, a seguir um caminho novo, de liberdade e de paz (“vai e não tornes a pecar”).

A lógica de Deus não é uma lógica de morte, mas uma lógica de vida; a proposta que Deus faz aos homens através de Jesus não passa pela eliminação dos que erram, mas por um convite à vida nova, à conversão, à transformação, à libertação de tudo o que oprime e escraviza; e destruir ou matar em nome de Deus ou em nome de uma qualquer moral é uma ofensa inqualificável a esse Deus da vida e do amor, que apenas quer a realização plena do homem.

O episódio põe em relevo, por outro lado, a intransigência e a hipocrisia do homem, sempre disposto a julgar e a condenar… os outros.

 Jesus denuncia, aqui, a lógica daqueles que se sentem perfeitos e auto-suficientes, sem reconhecerem que estamos todos a caminho e que, enquanto caminhamos, somos imperfeitos e limitados.

É preciso reconhecer, com humildade e simplicidade, que necessitamos todos da ajuda do amor e da misericórdia de Deus para chegar à vida plena do Homem Novo. A única atitude que faz sentido, neste esquema, é assumir para com os nossos irmãos a tolerância e a misericórdia que Deus tem para com todos os homens.

Na atitude de Jesus, torna-se particularmente evidente a misericórdia de Deus para com todos aqueles que a teologia oficial considerava marginais.
Os pecadores públicos, os proscritos, os transgressores notórios da Lei e da moral encontram em Jesus um sinal do Deus que os ama e que lhes diz: “Eu não te condeno”. Sem excluir ninguém, Jesus promoveu os desclassificados, deu-lhes dignidade, tornou-os pessoas, libertou-os, apontou-lhes o caminho da vida nova, da vida plena.

A dinâmica de Deus é uma dinâmica de misericórdia, pois só o amor transforma e permite a superação dos limites humanos. É essa a realidade do Reino de Deus.»


"Sabes o que quer dizer «apedrejar»? Sim, é atirar pedras a um condenado até que ele morra, na praça pública.

Os mais velhos foram os primeiros a ir embora. Porquê? O Evangelho diz. Talvez porque tendo mais experiência, sejam mais lúcidos sobre as suas próprias dificuldades em praticar o bem, e porque têm também mais coisas em que precisam de ser perdoados!

Jesus é desconcertante. Uma vez mais Ele não faz aquilo que toda a gente esperaria. Respeitando a lei da sua época, Ele interessa-se em primeiro lugar por aquela que está a ser condenada. Ele não diz a esta mulher que ela teve razão para enganar o seu marido, ou enganar-se a si mesma na sua procura de felicidade. Mas diz-lhe: «Vai, e não tornes a pecar».

Jesus confia que doravante ela pode levar outra vida.

Jesus, Tu olhas com amor aqueles que encontras; confias, levantas, curas.

No Evangelho, aqueles e aquelas que tiveram a possibilidade de te encontrar viram as suas vidas transformarem-se.

As testemunhas que encontro ao meu redor contam-me também que Tu mudaste as suas vidas.

Obrigado pelo olhar de amor
Que pões sobre cada um de nós
E ensina-me
A olhar também os outros
Da mesma maneira.

Uma só palavra, um só gesto, e Tu curas, Senhor,
Tu salvas e levantas!
Senhor, faz sobre mim esse gesto,
Diz-me essa palavra."




 

« Última modificação: 30 de Março de 2007, 17:55 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #13 em: 30 de Março de 2007, 18:36 »

SEMANA SANTA


O Santo Tríduo Pascal e a Indulgência Plenária

Durante o santo Tríduo Pascal podemos ganhar para nós ou para os defuntos o dom da Indulgência Plenária se realizarmos algumas das seguintes obra estabelecidas pela Santa Sé.

Obras que gozam do dom da indulgência pascal:

Quinta-feira Santa

1. Se durante a solene reserva do Santíssimo, que segue à Missa da Ceia do Senhor, recitamos ou cantamos o hino eucarístico "Tantum Ergo" ("Adoremos Prostrados").

2. Se visitarmos pelo espaço de meia hora o Santíssimo Sacramento reservado no Monumento para adorá-lo.

Sexta-feira Santa

1. Se na Sexta-feira Santa assistirmos piedosamente à Veneração da Cruz na solene celebração da Paixão do Senhor.

Sábado Santo

1. Se rezarmos juntos a reza do Santo Rosário.

Vigília Pascal

1. Se assistirmos à celebração da Vigília Pascal (Sábado Santo de noite) e nela renovamos as promessas de nosso Santo Batismo.

Condições:

Para ganhar a Indulgência Plenária além de ter realizado a obra enriquecida se requer o cumprimento das seguintes condições:

A. Exclusão de todo afecto para qualquer pecado, inclusive venial.

B. Confissão sacramental, Comunhão eucarística e Oração pelas intenções do Sumo Pontífice. Estas três condições podem ser cumpridas uns dias antes ou depois da execução da obra enriquecida com a Indulgência Plenária; mas convém que a comunhão e a oração pelas intenções do Sumo Pontífice se realizem no mesmo dia em que se cumpre a obra.

É oportuno assinalar que com uma só confissão sacramental podemos ganhar várias indulgências. Convém, não obstante, que se receba frequentemente a graça do sacramento da Penitência, para aprofundar na conversão e na pureza de coração. Por outro lado, com uma só comunhão eucarística e uma só oração pelas intenções do Santo Padre só se ganha uma Indulgência Plenária.

A condição de orar pelas intenções do Sumo Pontífice se cumpre rezando-se em sua intenção um Pai Nosso e Ave-Maria; mas se concede a cada fiel cristão a faculdade de rezar qualquer outra fórmula, segundo sua piedade e devoção


SIMBOLOGIA DA SEMANA SANTA

O pão e o vinho

São os elementos naturais que Jesus toma para que não só simbolizem mas também se convertam em seu Corpo e seu Sangue e o façam presente no sacramento da Eucaristia.

Jesus os assume no contexto da ceia pascal, onde o pão ázimo da páscoa judaica que celebravam com seus apóstolos fazia referência a essa noite no Egito em que não havia tempo para que a levedura fizesse seu processo na massa (Ex 12,8).

O vinho é o novo sangue do Cordeiro sem defeitos que, posto na porta das casas, evitou aos israelitas que  seus filhos morressem na passagem de Deus (Ex 12,5-7). Cristo, o Cordeiro de Deus (Jo 1,29), ao que tanto se refere o Apocalipse, salva-nos definitivamente da morte por seu sangue derramado na cruz.

Os símbolos do pão e o vinho são próprios da Quinta-feira Santa no que, durante a Missa vespertina da Ceia do Senhor, celebramos a instituição da Eucaristia, da qual encontramos alusões e alegorias ao longo de toda a Escritura.

Mas como esta celebração vespertina é o pórtico do Tríduo Pascal, que começa na Sexta-feira Santa, é necessário destacar que a Eucaristia dessa Quinta-feira Santa, celebrada por Jesus sobre a mesa-altar do Cenáculo, era a antecipação de seu Corpo e seu Sangue oferecidos à humanidade no "cálice" da cruz, sobre o "altar" do mundo.

O lava-pés

É o único que nos relata este gesto simbólico de Jesus na Última Ceia e antecipa o sentido mais profundo do "sem-sentido" da cruz.

Um gesto incomum para um Mestre, próprio dos escravos, converte-se na síntese de sua mensagem e dá aos apóstolos uma chave de leitura para enfrentar o que virá.

Em uma sociedade onde as atitudes defensivas e as expressões de autonomia se multiplicam, Jesus humilha nossa soberba e nos diz que abraçar a cruz, sua cruz, hoje, é ficar ao serviço dos outros. É a grandeza dos que sabem fazer-se pequenos, a morte que conduz à vida.



Os símbolos da Paixão

1. A cruz

A cruz foi, na época de Jesus, o instrumento de morte mais humilhante. Por isso, a imagem do Cristo crucificado se converte em "escândalo para os judeus e loucura para os pagãos" (1 Cor 1,23). Teve que  passar muito tempo para que os cristãos se identificassem com esse símbolo e o assumissem como instrumento de salvação, entronizado nos templos e presidindo as casas e habitações, e pendendo no pescoço como expressão de fé.

Isto  demonstram as pinturas catacumbais dos primeiros séculos, onde os cristãos, perseguidos por sua fé, representaram a Cristo como o Bom Pastor pelo qual "não temerei nenhum mal" (Sl 22,4); ou fazem referência à ressurreição em imagens bíblicas como Jonas saindo do peixe depois de três dias; ou ilustram os sacramentos do Batismo e a Eucaristia, antecipação e alimento de vida eterna. A cruz aparece só velada, nos cortes dos pães eucarísticos ou na âncora invertida.

Poderíamos pensar que a cruz era já a que eles estavam suportando, nos anos da insegurança e a perseguição. Entretanto, Jesus nos convida a segui-lo nos negando a nós mesmos e tomando nossa cruz a cada dia (cf MT 10,38; Mc 8,34; Lc 9,23).

Expressão desse martírio cotidiano são as coisas que mais nos custam e nos doem, mas que podem ser iluminadas e vividas de outra maneira precisamente desde Sua cruz.

Só assim a cruz já não é um instrumento de morte mas sim de vida e ao "por que eu" expresso como protesto diante de cada experiência dolorosa, substituímo-lo pelo "quem sou eu" de quem se sente muito pequeno e indigno para poder participar da Cruz de Cristo, inclusive nas pequenas "lascas" cotidianas.


2. A coroa de espinhos, o látigo, os pregos, a lança, a esponja com vinagre...

Estes "acessórios" da Paixão muitas vezes aparecem graficamente apoiados ou superpostos à cruz.

São a expressão de todos os sofrimentos que, como peças de um quebra-cabeças, conformaram o mosaico da Paixão de Jesus.

Eles materialmente nos recordam outros sinais ou elementos igualmente dolorosos: o abandono dos apóstolos e discípulos, as brincadeiras, os cusparadas, a nudez, os empurrões, o aparente silêncio de Deus.

A Paixão revestiu os três níveis de dor que todo ser humano pode suportar: física, psicológica e espiritual. A todos eles Jesus respondeu perdoando e abandonando-se nas mãos do Pai.



Os símbolos da Luz


1. A luz e o fogo

Desde sempre, a luz existe em estreita relação com a escuridão: na história pessoal ou social, uma época sombria vai seguida de uma época luminosa; na natureza é das escuridões da terra de onde brota à luz a nova planta, assim como à noite lhe sucede o dia.

A luz também se associa ao conhecimento, ao tomar consciência de algo novo, frente à escuridão da ignorância. E porque sem luz não poderíamos viver, a luz, sempre, mas sobre tudo nas Escrituras, simboliza a vida, a salvação, que é Ele mesmo (Sl 27,1; Is 60, 19-20).

A luz de Deus é uma luz no caminho dos homens (Sl 119, 105), assim como sua Palavra (Is 2,3-5). O Messias traz também a luz e Ele mesmo é luz (Is 42.6; Lc 2,32).

As trevas, então, são símbolo do mal, a desgraça, o castigo, a perdição e a morte (Jó 18, 6. 18; Am 5. 18). Mas é Deus quem penetra e dissipa as trevas (Is 60, 1-2) e chama os homens à luz (Is 42,7).

Jesus é a luz do mundo (Jo 8, 12; 9,5) e, por isso, seus discípulos também devem sê-lo para outros (MT 5.14), convertendo-se em reflexos da luz de Cristo (2 Cor 4,6). Uma conduta inspirada no amor é o sinal de que se está na luz (1 Jo 2,8-11).

Durante a primeira parte da Vigília Pascal, chamada "lucenario", a fonte de luz é o fogo. Este, além de iluminar queima e, ao queimar, purifica. Como o sol por seus raios, o fogo simboliza a ação fecundante, purificadora e iluminadora. Por isso, na liturgia, os simbolismos da luz-chama e iluminar-arder se encontram quase sempre juntos.


2. O círio pascal

Entre todos os simbolismos derivados da luz e do fogo, o círio pascal é a expressão mais forte, porque  reúne  ambos.

O círio pascal representa a Cristo ressuscitado, vencedor das trevas e da morte, sol que não tem ocaso. Acende-se com fogo novo, produzido em completa escuridão, porque em Páscoa todo se renova: dele se acendem todas as demais luz.

As características da luz são descritas no exultet e formam uma unidade indissolúvel com o anúncio da libertação pascal. O acender o círio é, pois, um memorial da Páscoa. Durante todo o tempo pascal o círio estará aceso para indicar a presença do Ressuscitado entre os seus. Toda outra luz que arda com luz natural terá um simbolismo derivado, ao menos em parte, do círio pascal.



Os símbolos do Baptismo

1. A água

Embora o rito do Batismo está todo ele repleto de símbolos, a água é o elemento central, o símbolo por excelência.

Em quase todas as religiões e culturas, a água possui um duplo significado: é fonte de vida e meio de purificação.

Nas Escrituras, encontramos as águas da Criação sobre as quais  pairava o Espírito de Deus (Gn 1,2). A água é vida no regaço, na seiva, no liquido amniótico que nos envolve antes de nascer.

No dilúvio universal as águas torrenciais purificam a face da terra e dão lugar à nova criação a partir de Noé.

No deserto, os poços e os mananciais se oferecem aos nômades como fonte de alegria e de assombro. Perto deles têm lugar os encontros sociais e sagrados, preparam-se os matrimônios, etc.

Os rios são fontes de fertilização de origem divina; as chuvas e o orvalho contribuem com sua fecundidade como benevolência de Deus. Sem a água o nômade seria imediatamente condenado à morte e queimado pelo sol palestino. Por isso se pede a água na oração.

Yahvé se compara com uma chuva de primavera (Os 6,3), ao orvalho que faz crescer as flores (Os 14.6). O justo é semelhante à árvore plantada ao borde das águas que correm (Nm 24,6); a água é sinal de bênção.

Segundo Jeremias (2, 13), o povo do Israel, ao ser infiel, esquece de Yahvé como fonte viva, querendo escavar suas próprias cisternas. A alma procura deus como o cervo sedento procura a presença da água viva (Sl 42,2-3). A alma aparece assim como uma terra seca e sedenta, orientada para a água.

Jesus emprega também este simbolismo em sua conversação com a samaritana (Jo 4.1-14), a quem lhe revela como "água viva" que pode saciar sua sede de Deus. Ele mesmo se revela como a fonte dessa água: "Se alguém tiver sede, que venha para Mim e beba" (Jo 7,37-38). Como da rocha de Moisés, a água surge do flanco transpassado pela lança, símbolo de sua natureza divina e do Batismo (cf Jo 19,34).

Por este motivo, a água se converteu no elemento natural do primeiro sacramento da iniciação cristã.  Desde os primeiros séculos do cristianismo, os cristãos adultos eram batizados em uma espécie de pileta cheia de água que contava com duas escadas: por uma descia e por outra  saía. A imagem de "descer" às águas representava o momento da purificação dos pecados e estava associada à morte de Cristo.

A saída, subindo pelo lado oposto, representava o renascer à nova vida, como saindo do ventre materno,. e era associado à ressurreição. No centro se fazia a profissão de fé pública. E isto significa que a água do batismo não é algo "mágico" -como pensam muitos crentes- que protege ou transforma por si só, mas sim a expressão deste duplo compromisso: o de mudar de vida morrendo ao pecado e o de renovar a escala de valores, iluminados por Cristo, ressuscitados com Ele.


2. A vestimenta branca

A cor branca sempre foi identificado com a pureza, com o inocente. Parece lógico que, desde os primeiros séculos do cristianismo, os catecúmenos fossem ao Batismo vestidos com túnicas brancas. Poderíamos considerá-lo, inclusive, como inspirado na imagem reiterada do Apocalipse, em que os seguidores fiéis do Cordeiro mereceram vestir-se de branco (cf 3,4-5.18; 4,4; 7,9.13-14; 19,14; 22,14).

Entretanto, os textos bíblicos dependeriam do que nos diz a tradição cultural dos primeiros séculos, anterior aos mesmos. Em todo o Império Romano, só os membros do Senado se vestiam com túnicas brancas. Dali que os chamassem candídatus, do latim "cândida", branco. Desta maneira. Manifestava publicamente sua dignidade, a de servir ao Imperador, quem se apresentava como o Filho de Deus.

Os cristãos, então, a irem vestidos de branco a receber o Batismo, tentaram mostrar que a verdadeira dignidade do homem não consiste em trabalhar para nenhum poder político mas sim em servir Jesus Cristo, o verdadeiro Filho de Deus. Portanto, mais que símbolo de pureza, era símbolo de dignidade, de vida nova, de compromisso com um estilo de vida e com o esforço cotidiano por conservá-la sem mancha, para ser considerados dignos de participar do banquete do Reino (cf MT 22, 12).

Em uma sociedade consumista como a nossa, em que a dignidade das pessoas depende de como vão vestidas, da moda que seguem, das marcas que usam, os cristãos deveriam nos perguntar o que fizemos de nossa "veste branca" batismal e verifìcar se, como diz São Paulo, "tendo-nos revestldo de Cristo" (Cfr Gl 3.27).



Comemoração da Paixão de Cristo- Uma festa posta na terça-feira logo depois de sexagésima (sexagésimo dia antes da Páscoa).

Seu objeto é a recordação devota e a honra dos sofrimentos de Cristo para a redenção da humanidade. Enquanto a festa em honra dos instrumentos da Paixão de Cristo – a Santa Cruz, a Lança, Pregos, e a
Coroa de Espinhos – chamadas “Arma Cristã”, originou-se durante a Idade Média, esta comemoração é de mais recente origem.

Aparece pela primeira vez no Breviário de Meissen (1517) como uma festa simples para  15 de Novembro. O mesmo breviário tem uma festa da Santa Face para 15 de Janeiro e do Nome Sagrado para em 15 de Março.

 [Grotefend, "Zeitrechnung" (Hanover, 1892), II, 118 sqq.]; estas festas desapareceram com a introdução do Luteranismo. Como se encontra no apêndice do Breviário Romano, foi iniciado por São Paulo da Cruz (morto em 1775). O Ofício foi composto por Tomás Struzzieri, Bispo de Todi, e fiel associado a São Paulo.




Uma devoção possível:

AS SETE ULTIMAS PALAVRAS DE CRISTO NA CRUZ
http://www.acidigital.com/fiestas/semanasanta/7palavras.htm

Música de Joseph Haydn, Opus 51
apresentação de uma obra interessante: http://www.fraternidaderosacruz.org/er_auspdc.htm

programa na TSF: http://tsf.sapo.pt/online/common/include/streaming_audio_radio.asp?audio=/2002/04/noticias/23/Toqu23.asx

Cheirinhos da obra com coro:
http://www.sonybmgmasterworks.com/artists/juilliardstringquartet/haydnthesevenlastwordsofchrist_p1458.html

cheirinhos da obra em quarteto de cordas (clicar em "listen"):
http://www.linnrecords.com/recording-the-seven-last-words-hdcd.aspx
« Última modificação: 30 de Março de 2007, 18:47 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #14 em: 30 de Março de 2007, 19:08 »


O Domingo de Ramos é o pórtico de entrada na Semana Santa. Neste dia a Igreja comemora a entrada de Jesus em Jerusalém, para consumar o seu mistério pascal.

É uma entrada que prefigura e preludia a sua entrada, pela Ressurreição gloriosa, na Jerusalém Celeste.

Jesus, porém, quis chegar ao triunfo passando pela Paixão e Morte.

Por isso se lê, na Missa de Ramos, o evangelho da Paixão. Os fiéis são convidados a olhar para Jesus, o qual «sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos» (1 Pd 2, 21).


Formação e evolução

A origem do Domingo da paixão "in palmis" seria um costume popular do século V, em Jerusalém, que na tarde do Domingo fazia uma procissão solene para comemorar a entrada de Jesus na cidade. A procissão de palmas iniciava-se no Monte das Oliveiras na direção da cidade, imitando assim o ingresso do Senhor em Jerusalém. O sucesso e a popularidade desta evocação comemorativa dá-se porque a comunidade revive, dramatizando-a, a cena evangélica da entrada de Jesus em Jerusalém lida no início, refazendo depois o percurso feito por Cristo. A procissão não estava ligada a uma celebração eucarística.

No início do século VII esses costumes passarão do Oriente para a Espanha e a Gália.
Somente no século XII que será aceita em Roma.

Desde os tempos primitivos, começa em algum lugar fora da Igreja principal. No início da Idade Média, o centro da atenção era o livro do Evangelho, mais tarde suplantado por relíquias e, finalmente, pela própria Hóstia.
 

Procissão

A única procissão recordada pelo NT é a entrada de Jesus em Jerusalém ( Mt 21,1-11; Mc 11,1-11; Lc 19, 29-40; Jo 12,12-19). O AT descreve quatro procissões extraordinárias: a tomada de Jericó (Js 6,1-16), o transporte da arca para Jerusalém ( 2Sm 6,12-19; 1Cr 15,25-16,3), a procissão de Neemias ( Ne 12,27-43), e a de Judite ( Jt 15,12-16,18). Todas tem como meta Jerusalém, onde termina com a oferta dos dons e dos holocaustos.

A entrada de Jesus em Jerusalém é a conclusão do ritual de uma peregrinação e como preâmbulo do sacrifício da cruz. ( cf Lc 19,45).

O Messias apresenta-se com o aparato dos conquistadores, mas é montado em um burrinho ( como no cortejo que consagrará Salomão, 1Rs 1,33). As aclamações da multidão são extraídas do Sl 117,25s; a palma, que na mentalidade helenista tem significado de vitória ( 1Mc 13,51; Jo12,13; Ap 7,9), lembra as celebrações da festa dos tabernáculos, em cujos dias Israel imitava a caminhada pelo deserto. Durante esta procissão, Jesus chora sobre Jerusalém e dois dias depois pronunciará o seu discurso escatológico ( cf. Lc 19,41-44).
 

Celebração do Domingo de Ramos hoje

O Domingo de Ramos é o 6o Domingo da Quaresma e ocupa um lugar de destaque no conjunto de 40 dias. Tem como finalidade: preparar imediatamente a páscoa.

Não faz parte do Tríduo Pascal, mas tem uma grande importância para a celebração da morte e ressurreição do Senhor, de modo especial pela comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém. Esta celebração dá a tônica para toda a semana santa, especialmente para os últimos dias dela.

Durante as 5 semanas da Quaresma, a Igreja se preparou: pela oração, pela penitência, pela caridade, pelos encontros de estudo e reflexão da Palavra, pela defesa do idoso... para a Semana Santa. Com este Domingo inicia-se a "grande semana".

Na liturgia, revivem e se revelam os dois aspectos fundamentais da Páscoa: a entrada messiânica de Jesus em Jerusalém e a memória da sua paixão. Este é o único Domingo no qual se faz tal memória da paixão do Senhor.

Assim, abrimos as portas para a Semana Santa, que quer ser para nós mais do que uma piedosa recordação de um acontecimento do passado.
 

Tema Central do Domingo de Ramos

É o ato público do nosso seguimento de Cristo na fé e na caridade agradecida. Depois de 2000 mil anos ouvimos o grito de Hosana, salve, viva!

Pelas ruas de Jerusalém iniciou-se uma grande caminhada: o povo reconheceu o seu Salvador. Cristo trazia a boa nova da libertação: justiça para os pequenos, amor e misericórdia em vez de lei e castigo, igualdade para todos, em vez de grupos poderosos dominando e total comunhão com Deus.
 

Sinais, gestos e expressões do Domingo de Ramos

1. Procissão: caracteriza-se a procissão por alegria, alegria que antecipa a da Páscoa. A caminhada é a imagem perfeita da vida do povo: todos caminhando para a casa do Pai, construindo o Reino de paz, justiça, fraternidade...

2. Ramos: Sinais de vida, de esperança e de vitória, "com os quais prestamos nossa homenagem a Cristo, nosso Rei". Conservados nas casas, os ramos trazem à mente dos fiéis a vitória de Cristo celebrada na procissão.

3. Cânticos: Por natureza, o canto litúrgico é repetição, memória, costume e, por sua vez, novidade, atualização. É algo vivo, dinâmico e criativo, expressando a fé comum e impulsionando-nos para a conversão. Durante a procissão de ramos cantar os Salmos 23 e o 46 e outros cantos apropriados, em honra de Cristo Rei. Será através do canto que iremos auxiliar no sentido de que todos fiquem harmonizados com o mistério que celebramos.

4. Leitura da Paixão: depois de ter comemorado a triunfo do Senhor pela celebração dos ramos se comemora também a paixão do Senhor. A memória é feita através das três leituras que falam disso diretamente. A leitura poderá ser feita por leitores leigos e leigas, reservando-se a parte de Cristo ao presidente da assembléia.
 

De Segunda a Quarta-feira

Nenhuma celebração especial marca a primeira metade da semana santa. Durante estes dias, a Igreja celebra com atenção profunda o mistério da paixão do Senhor. Podemos afirmar que nestes dias somos chamados a "repousar na paixão de Cristo". A Igreja contempla o Servo sofredor, aparecendo como figuras eloqüentes, Maria Madalena que perfuma o corpo do Senhor, Pedro e Judas. A Igreja prepara-se para o Tríduo Pascal.

No Ordo (livro de leituras) se estabelece o seguinte:

- Segunda feira: Jo 12,1-11 : é a unção de Betânia, onde Jesus anuncia a sua sepultura;

- Terça feira: Jo 13,21-33.36-38 : Contexto da última ceia, onde se dá o anúncio da traição de Judas e da negação de Pedro

- Quarta feira: Mt 26,14-25, preparativos em vista da ceia pascal.

A liturgia desses dias, tanto na eucaristia como na oração das laudes, continua apresentando Cristo servo sofredor, que se oferece livremente à sua paixão para entrar na glória do Pai. São dias em que a liturgia segue, passo a passo, os últimos acontecimentos da vida terrena de Jesus, levando-nos a descobrir vitalmente a unidade do mistério do sofrimento e glorificação do Senhor.
Pe. José Luiz Majella Delgado


para colorir:


DOMINGO DE RAMOS - DIA MUNDIAL DA JUVENTUDE



Com o Papa João Paulo II,

 foi celebrada pela primeira vez, de maneira oficial, a jornada mundial da Juventude no Domingo de Ramos de 1986, em Roma.

A partir de 1987 e depois, a cada dois anos, como regra geral, organiza-se a Jornada Mundial da Juventude em algum lugar determinado do mundo.


XXII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE (2007)


"Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei" (Jo 13, 34)

O XXII Dia Mundial da Juventude celebrar-se-é nas dioceses de todo o mundo, a 1de Abril de  2007, Domingo de Ramos.

Queridos jovens!

Por ocasião da XXII Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada nas dioceses no próximo Domingo de Ramos, gostaria de propor à vossa meditação as palavras de Jesus: "que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei" (Jo 13, 34).

É possível amar?

Cada pessoa sente o desejo de amar e ser amada. Mas como é difícil amar, quantos erros e falências se verificam no amor! Há até quem chegue a duvidar se o amor é possível. Mas se carências afectivas ou desilusões sentimentais podem levar a pensar que amar é uma utopia, um sonho irrealizável, será solução resignar-se? Não! O amor é possível e a finalidade desta mensagem é contribuir para reavivar em cada um de vós, que sois o futuro e a esperança da humanidade, a confiança no amor verdadeiro, fiel e forte; um amor que gera paz e alegria; um amor que une as pessoas, fazendo-as sentir-se livres no respeito mútuo. Deixai então que eu percorra juntamente convosco um itinerário, em três tempos, na "descoberta" do amor.

Deus, fonte do amor

O primeiro tempo refere-se à fonte do amor verdadeiro, que é única: Deus. São João faz ressaltar bem este aspecto ao afirmar que "Deus é amor" (1 Jo 4, 8.16); agora ele não quer dizer apenas que Deus nos ama, mas que o próprio ser de Deus é amor. Estamos aqui diante da revelação mais luminosa da fonte do amor que é o mistério trinitário: em Deus, uno e trino, há um intercâmbio eterno de amor entre as pessoas do Pai e do Filho, e este amor não é uma energia ou um sentimento, mas uma pessoa, o Espírito Santo.

A Cruz de Cristo revela plenamente o amor de Deus

Como se nos manifesta o Deus-Amor? Estamos no segundo tempo do nosso itinerário. Mesmo se já na criação são claros os sinais do amor divino, a revelação total do mistério íntimo de Deus verificou-se com a Encarnação, quando o próprio Deus se fez homem. Em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, conhecemos o amor em todo o seu sentido. De facto, "a verdadeira novidade do Novo Testamento, escrevi na Encíclica Deus caritas est, não consiste em ideias novas, mas na própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos: um realismo extraordinário" (n. 12). A manifestação do amor divino é total e perfeita na Cruz, onde, como afirma São Paulo, "é assim que Deus demonstra o seu amor para connosco: quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós" (Rm 5, Cool. Portanto, cada um de nós pode dizer sem receio de errar: "Cristo amou-me e entregou-se a Si mesmo por mim" (Ef 5, 2). Redimida pelo seu sangue, vida humana alguma é inútil ou de pouco valor, porque todos somos amados pessoalmente por Ele com um amor apaixonado e fiel, um amor sem limites. A Cruz, loucura para o mundo, escândalo para muitos crentes, é ao contrário "sabedoria de Deus" para todos os que se deixam tocar profundamente no seu ser, "o que é considerado loucura de Deus é mais sábio que os homens, e o que é debilidade de Deus é mais forte que os homens" (1 Cor 1, 24-25). Aliás, o Crucificado, que depois da ressurreição carrega para sempre os sinais da própria paixão, põe em relevo as "falsificações" e as mentiras sobre Deus, que se disfarçam com a violência, a vingança e a exclusão. Cristo é o Cordeiro de Deus, que assume os pecados do mundo e arranca o ódio do coração do homem. Eis a sua verdadeira "revolução": o amor.

Amar o próximo como Cristo nos ama

Chegamos agora ao terceiro tempo da nossa reflexão. Na cruz Cristo grita: "Tenho sede" (Jo 19, 28). Revela assim uma sede ardente de amar e de ser amado por todos nós. Só quando conseguirmos compreender a profundeza e a intensidade deste mistério, nos aperceberemos da necessidade e da urgência de o amarmos "como" Ele nos amou. Isto exige o compromisso de dar também, se for necessário, a própria vida pelos irmãos sustentados pelo Seu amor. Já no Antigo Testamento Deus dissera: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 19, 18), mas a novidade de Cristo consiste no facto de que amar como Ele nos amou significa amar todos, sem distinções, também os inimigos, "até ao fim" (cf. Jo 13, 1).

Testemunhas do amor de Cristo

Gostaria agora de me deter sobre três âmbitos da vida quotidiana onde vós, queridos jovens, sois particularmente chamados a manifestar o amor de Deus. O primeiro é a Igreja que é a nossa família espiritual, composta por todos os discípulos de Cristo. Recordando-nos das suas palavras: "Por isso é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros" (Jo 13, 35), alimentai, com o vosso entusiasmo e com a vossa caridade, as actividades das paróquias, das comunidades, dos movimentos eclesiais e dos grupos juvenis aos quais pertenceis. Sede solícitos em procurar o bem do próximo, fiéis aos compromissos assumidos. Não hesiteis em renunciar com alegria a alguns dos vossos divertimentos, aceitai de bom grado os sacrifícios necessários, testemunhai o vosso amor fiel a Jesus anunciando o seu Evangelho especialmente aos vossos contemporâneos.

Preparar-se para o futuro

O segundo âmbito, no qual sois chamados a expressar o amor e a crescer nele, é a preparação para o futuro que vos espera. Se sois noivos, Deus tem um projecto de amor para o vosso futuro de casal e de família e por conseguinte é essencial que o descubrais com a ajuda da Igreja, livres do preconceito difundido de que o cristianismo, com os seus mandamentos e as suas proibições, constitui obstáculos à alegria do amor e impede sobretudo de viver plenamente aquela felicidade que o homem e a mulher procuram no seu amor recíproco. O amor do homem e da mulher está na origem da família humana, e o casal formado por um homem e por uma mulher tem o seu fundamento no desígnio original de Deus (Gn 2, 18-25). Aprender a amar-se como casal é um caminho maravilhoso, que contudo exige uma aprendizagem laboriosa. O período do noivado, fundamental para construir o casal, é um tempo de expectativa e de preparação, que deve ser vivido na castidade dos gestos e das palavras. Isto permite amadurecer no amor, na solicitude e nas atenções ao outro; ajuda a exercer o domínio de si, a desenvolver o respeito do outro, características do verdadeiro amor que não procura em primeiro lugar a própria satisfação nem o seu bem-estar. Na oração comum, pedi ao Senhor que guarde e incremente o vosso amor e o purifique de qualquer egoísmo. Não hesiteis em responder generosamente à chamada do Senhor, porque o matrimónio cristão é uma verdadeira e autêntica vocação na Igreja. De igual modo, queridos jovens e queridas jovens, estai preparados para dizer "sim", se Deus vos chamar a segui-lo pelo caminho do sacerdócio ministerial ou da vida consagrada. O vosso exemplo servirá de encorajamento para muitos outros vossos contemporâneos, que estão em busca da verdadeira felicidade.

Crescer no amor todos os dias

O terceiro âmbito do compromisso que o amor exige é o da vida quotidiana nos seus diversos aspectos. Refiro-me sobretudo à família, à escola, ao trabalho e ao tempo livre. Queridos jovens, cultivai os vossos talentos não só para conquistar uma posição social, mas também para ajudar os outros "a crescer". Desenvolvei as vossas capacidades, não só para vos tornardes mais "competitivos" e "produtivos", mas para serdes "testemunhas da caridade". Juntai à formação profissional o esforço de adquirir conhecimentos religiosos úteis, para poder desempenhar a vossa missão de modo responsável. Convido-vos sobretudo a aprofundar a Doutrina Social da Igreja, para que a vossa acção no mundo seja inspirada e iluminada pelos seus princípios. O Espírito Santo faça com que sejais inovadores na caridade, perseverantes nos compromissos que assumis, e audaciosos nas vossas iniciativas, a fim de que possais oferecer o vosso contributo para a edificação da "civilização do amor". O horizonte do amor é verdadeiramente ilimitado: é o mundo inteiro!

"Atrever-se a amar" seguindo o exemplo dos santos

Queridos jovens, gostaria de vos convidar a "atrever-se a amar", isto é, a não desejar mais do que um amor forte e belo, capaz de tornar toda a existência uma jubilosa realização da doação de vós próprios a Deus e aos irmãos, à imitação d'Aquele que mediante o amor venceu para sempre o ódio e a morte (cf. Ap 5, 13). O amor é a única força capaz de mudar o coração do homem e a humanidade inteira, tornando frutíferas as relações entre homens e mulheres, entre ricos e pobres, entre culturas e civilizações. Disto dá testemunho a vida dos Santos que, verdadeiros amigos de Deus, são o canal e o reflexo deste amor original. Comprometei-vos a conhecê-los melhor, entregai-vos à sua intercessão, procurai viver como eles. Limito-me a citar Madre Teresa que, para se apressar a responder ao grito de Cristo "Tenho sede", grito que a comoveu profundamente, começou a recolher os moribundos nas estradas de Calcutá, na Índia. A partir de então, o único desejo da sua vida tornou-se o de extinguir a sede de amor de Jesus, não com palavras, mas com gestos concretos, reconhecendo o seu rosto desfigurado, sequioso de amor, no rosto dos mais pobres. A Beata Teresa pôs em prática o ensinamento do Senhor: "Sempre que fizerdes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes" (Mt 25, 40). E a mensagem desta humilde testemunha do amor divino difundiu-se por todo o mundo.

O segredo do amor

Queridos amigos, a cada um de nós só é concedido alcançar este grau de amor se recorrermos ao indispensável apoio da graça divina. Só a ajuda do Senhor nos permite, de facto, evitar a resignação diante da grandiosidade da tarefa a ser desenvolvida e infunde-nos a coragem de realizar quanto é humanamente impensável. Sobretudo a Eucaristia é a grande escola do amor. Quando se participa regularmente e com devoção na Santa Missa, quando se vivem na companhia de Jesus Eucarístico pausas prolongadas de adoração, é mais fácil compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do seu amor que ultrapassa todo o conhecimento (cf. Ef 3, 17-18). Partilhando o Pão eucarístico com os irmãos da comunidade eclesial sentimo-nos depois estimulados a converter com prontidão, como fez a Virgem com Isabel, o amor de Cristo em generoso serviço aos irmãos.

Rumo ao encontro de Sidney

A este propósito, é iluminadora a exortação do apóstolo João: "Meus filhinhos, não amemos com palavras e com a boca, mas com obras e de verdade. Por isto conheceremos que somos da verdade" (1 Jo 3, 18-19). Queridos jovens, é com este espírito que vos convido a viver a próxima Jornada Mundial da Juventude juntamente com os vossos Bispos nas vossas respectivas dioceses. Ela representará uma etapa importante rumo ao encontro de Sidney, cujo tema será: "Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas" (Act 1, Cool.

Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, ajudar-vos-é a fazer ressoar em toda a parte o grito que mudou o mundo: "Deus é amor!". Acompanho-vos com a oração e abençoo-vos de coração.

Vaticano, 27 de Janeiro de 2007


BENTO XVI


João Paulo II e as suas Mensagens para os Jovens:
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/messages/youth/index_po.htm




« Última modificação: 30 de Março de 2007, 19:10 por lea onda-menor » Registado

"O claustro de um Franciscano é o MUNDO!"
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