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Autor Tópico: COISAS DE SANTOS ;)  (Lida 116217 vezes)
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« Responder #300 em: 23 de Abril de 2007, 15:39 »

23 de Abril
Santo Adalberto, bispo e mártir (956-997)


«Adalberto nasceu em 956, na Boêmia, atual República Checa, e era descendente da nobre família dos príncipes de Slavnik. Seu nome de batismo era Woytiech, isto é, "socorro do exército". Ainda bebê, adoeceu gravemente, gerando uma promessa por parte dos pais: teria sua vida consagrada a Deus. Como recuperou a saúde, eles encaminharam seus estudos de forma que, mais tarde, se tornasse sacerdote. Foi educado pelo arcebispo Adalberto, da cidade de Magdeburgo, do qual tomou o nome, em 983, durante sua ordenação.

Nesse mesmo ano, acompanhou a agonia do bispo de Praga, Diethmar I, que morreu pouco tempo depois. Seus contemporâneos o elegeram seu sucessor e, em sinal de humildade e de penitência, entrou na cidade descalço. Assim que tomou posse, procurou reestruturar a diocese. Adalberto dedicou-se totalmente à proteção dos pobres e doentes.

Diz a tradição que ele, todos os dias, tinha à mesa, nas refeições, a companhia de doze mendigos, em homenagem aos santos apóstolos . Conta-se que, certa vez, uma mendiga pediu-lhe esmola e, como não tinha, ele lhe deu o próprio manto. Apesar desse exemplo vivo, seu rebanho insistia em viver totalmente fora dos padrões cristãos.

Desiludido, depois de seis anos ele resolveu abandonar a diocese, pedindo ao papa João XV que o afastasse do cargo. Entrou no mosteiro de São Bonifácio, onde passou cinco anos, para de novo voltar a Praga e retomar, a pedido do papa, a direção da diocese. Contudo, novamente o povo o repudiou por causa da disciplina cristã correta que queria instaurar. Novamente decepcionado, retomou, angustiado, a vida de monge.

Em obediência ao papa Gregório V, Adalberto assumiu pela terceira vez a diocese de Praga. Seu regresso foi tempestuoso. Os fiéis se revoltaram e impediram que entrasse na cidade. Seus parentes sofreram atentados, os bens foram confiscados, os castelos incendiados.

Ele, então, se refugiou na Polônia, onde, a pedido de seu amigo, duque Boleslao, seguiu com alguns sacerdotes em missão evangelizadora na Prússia, que ainda era pagã. Adalberto fixou-se na cidade de Danzig e converteu praticamente toda a população. Porém os sacerdotes pagãos, vendo acabar seu poder e influência, arquitetaram e executaram o assassinato de Adalberto e de todos os religiosos que o acompanhavam.

Ele foi morto com sete golpes de lança e depois decapitado, na cidade de Tenkiten, no dia 23 de abril de 997. Os inimigos entregaram seu corpo ao duque Boleslao mediante pagamento em ouro. Adalberto foi enterrado no convento de Gniezno. Logo o seu túmulo se tornou meta de peregrinação, com inúmeras graças acontecendo por sua intercessão. No ano 999, o papa Silvestre II canonizou o primeiro bispo eslavo de Praga, Adalberto.

Em 1039, suas relíquias foram trasladadas definitivamente para a catedral de Praga, para onde o primeiro pontífice eslavo da história cristã, Carol Wojtyla, ou papa João Paulo II, seguiu em peregrinação para as comemorações do milênio da festa de santo Adalberto.»

Texto retirado de: Portal Paulinas


Da vida de Santo Adalberto,
escrita por um autor contemporâneo:

«Reuniram-se as pessoas à sua volta e, esperando o que o Senhor da cidade estava para fazer, gritavam-lhe furiosamente, como cães raivosos, e perguntavam-lhe quem e de onde era e para que vinha.

Então o Santo respondeu com voz serena:

 «Sou natural da Boémia, de nome Adalberto, monge de profissão, antes bispo e agora vosso apóstolo.

 O motivo da minha vinda é a vossa salvação, para que, abandonando os vossos ídolos surdos e mudos, reconheçais o vosso Criador, que é o único Deus, porque além d’Ele não há outro; para que, acreditando no seu nome, tenhais a vida e mereçais alcançar o prémio das alegrias celestes nas moradas eternas».

 Assim falou Santo Adalberto. Eles, porém, continuando na sua feroz indignação, vociferavam contra ele palavras blasfemas e ameaçavam matá-lo.

Chegou ao extremo o furor pagão e, lançando-se impetuosamente sobre ele e seus campanheiros, meteram-nos a todos no cárcere.

Estando Santo Adalberto de pé, em frente de Gaudêncio e outro irmão agrilhoado, disse-lhes:

«Não estejais tristes. Sabeis que sofremos pelo nome do Senhor, cujo poder está acima de todo o poder, cuja beleza supera toda a formosura, que tem autoridade inexprimível e bondade inefável. Na verdade, que há de mais belo e mais delicioso que dar a vida pelo dulcíssimo Jesus?».

Do furioso bando surgiu o cruel Sigo, que, atirando a seta com todo o ímpeto, lhe atravessou o coração. Enquanto brotava purpúreo sangue pelas feridas de um e outro lado do seu peito, o santo estava de pé, orando com os olhos e as mãos voltados para o céu. Das suas vigorosas veias saía uma corrente brilhante de púrpura e, ao extraírem o dardo, ficaram patentes sete grandes feridas.

Desligado das correntes, estendeu os braços em forma de cruz e com abundantes súplicas clamou ao Senhor pela sua salvação e pela salvação dos perseguidores.

Assim se libertou do cárcere aquela santa alma; assim ficou na terra em alongada cuz aquele nobre corpo; assim também, dando a vida com derramamento do seu sangue, foi finalmente habitar com Cristo na bem-aventurança celeste.»



Túmulo de Santo Adalberto na Catedral de Gniezno


HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II (Praga, 27 de Abril de 1997)
PARA COMEMORAR O MILÉNIO  DO MARTÍRIO DE SANTO ADALBERTO

AUDIÊNCIA DE JOÃO PAULO II (Quarta-feira 30 de Abril de 1997):
No «itinerarium» terreno de Santo Adalberto
a história espiritual do inteiro continente europeu


[...]É precisamente esta a mensagem de Santo Adalberto que, em tempos não fáceis soube fundar, sobre o primado de Deus e dos valores do espírito, o futuro da vossa Terra e de outros Povos europeus.

O seu testemunho vos ajude a dar o justo relevo às conquistas económicas, sem contudo ceder ao fascínio ilusório dos mitos consumistas. Encoraje-vos, além disso, a reafirmar os valores que fazem a verdadeira grandeza de uma Nação: a rectidão intelectual e moral, a defesa da família, o acolhimento do necessitado, o respeito pela vida humana, desde a concepção até ao seu ocaso. O Santo Bispo e Mártir recorda-vos as sólidas raízes espirituais da vossa Nação e impele-vos a conservar com cuidado o património de fé e de civilização que, a partir da pregação dos Santos Cirilo e Metódio, de geração em geração, chegou até vós. Presente nas tradições populares, nas obras dos filósofos, dos literatos e dos artistas da vossa Terra, bem como nas multiformes expressões da vossa cultura, ele constitui a garantia da vossa identidade e do vosso futuro.

4. [...]O exemplo de Santo Adalberto, corajoso diante das dificuldades e dos desafios do seu tempo e fiel a Cristo até ao supremo testemunho do sangue, estimula- vos a empenhar-vos com generosidade numa renovada obra de evangelização, cujas premissas necessárias são: o conhecimento aprofundado da fé mediante uma séria formação bíblica e teológica, a convicta participação na liturgia e na vida paroquial, o serviço generoso aos irmãos necessitados, o diálogo franco e sincero com os vizinhos e os distantes, a escuta atenta das expectativas de quantos vos circundam.
DISCURSO DE DESPEDIDA DE JOÃO PAULO II (27/04/ 1997)


ícone da celebração dos mil anos da sua morte
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« Responder #301 em: 23 de Abril de 2007, 18:54 »

São Jorge

23 de Abril



A existência do popularíssimo são Jorge, por vezes, foi colocada em dúvida. Talvez porque sua história sempre tenha sido mistura entre as tradições cristãs e lendas, difundidas pelos próprios fiéis espalhados entre os quatro cantos do planeta.

Contudo encontramos na Palestina os registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de Tel Aviv, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde dessa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas. Ele foi escolhido como o padroeiro de Génova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo. Até hoje, possui muitos devotos fervorosos em todos os países católicos.

A sua imagem de jovem guerreiro, montado no cavalo branco e enfrentando um terrível dragão, obviamente reporta às várias lendas que narram esse feito extraordinário. A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não fosse destruída pelo dragão, a cidade oferecia-lhe vítimas jovens, sorteadas a cada ataque.

Certo dia, chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em prantos à margem do lago. De repente, apareceu o jovem guerreiro e matou o dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas transformou-o em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia, chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a comunidade inteira à conversão.

De facto, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano.

São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos e principalmente nos dias actuais, onde a violência impera em todas as situações das nossas vidas. O seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando a sua celebração passou a ser facultativa. A festa acontece no dia 23 de abril, tanto no Ocidente como no Oriente



Dos Sermões de São Pedro Damião, bispo

(Sermo 3, De sancto Georgio: PL 144, 567-571) (Sec. XI)

Inexpugnavelmente protegido pelo estandarte da cruz

A festa de hoje, caríssimos irmãos, vem duplicar a alegria pascal, como pedra preciosa que, engastada em ouro, o embeleza mais ainda com a sua própria formosura.

Jorge foi transferido duma milícia para outra, porque deixou o cargo de oficial dum exército da terra para se dedicar à milícia cristã. Nesta, como intrépido soldado, começou por libertar-se do peso dos seus bens terrenos, dando tudo aos pobres, e assim, livre e desembaraçado, revestido da couraça da fé, lançou-se na primeira linha do combate como valoroso guerreiro de Cristo.

Isto nos ensina claramente que não estão aptos para lutar com fortaleza e eficácia pela defesa da fé aqueles que ainda se recusam a despojar-se dos bens da terra.

São Jorge, inflamado pelo fogo do Espírito Santo e protegido inexpugnavelmente pelo estandarte da cruz, de tal modo combateu contra o rei iníquo que, vencendo este enviado de Satanás, venceu o chefe de toda a iniquidade e animou os soldados de Cristo a lutarem com valentia.

Assistia ao combate o Árbitro supremo e invisível, que, segundo os planos da sua providência, permitiu que os ímpios o atormentassem. Entregou de facto o corpo do mártir às mãos dos algozes, mas guardou a sua alma com protecção constante no baluarte invencível da fé.

Caríssimos irmãos, não nos limitemos a admirar este combatente do exército celeste, mas imitemo-lo também. Eleve-se o nosso espírito para o prémio da glória celeste, contemplemo-lo atentamente com os olhos do nosso coração, para não nos deixarmos abalar nem pelo sorriso enganador do mundo nem pelas ameaças do seu ódio perseguidor.

Purifiquemo-nos de toda a mancha na carne e no espírito, como nos manda São Paulo, para merecermos um dia entrar naquele templo da bem-aventurança, que por agora apenas entrevemos com o olhar do espírito.

Todo aquele que se quer esforçar por se oferecer a Deus em sacrifício no templo de Cristo, que é a Igreja, é necessário que, depois de lavado no banho sagrado do Baptismo, se revista com o manto das virtudes, conforme está escrito: Revistam-se de justiça os vossos sacerdotes. Quem pelo Baptismo renasce como homem novo em Cristo, não há-de tornar a vestir a mortalha do homem velho, mas a veste do homem novo, vivendo sempre renovado numa vida sem mancha.

Só assim, purificados da imundície da nossa antiga condição pecadora e resplandecentes pelo brilho dum procedimento renovado, seremos dignos de celebrar o mistério pascal e imitaremos verdadeiramente o exemplo dos santos mártires.



Orações a São Jorge

Oração I


Ó Deus onipotente, que nos protegeis pelos méritos e as bênçãos de São Jorge, fazei que este grande mártir, com a sua couraça, a sua espada, e o seu escudo; que representam a fé, a esperança, e a caridade; ilumine os nossos caminhos e fortaleça o nosso ânimo nas lutas da vida. Dê firmeza à nossa vontade contra as tramas do maligno, para que, vencendo na terra, como São Jorge venceu, possamos triunfar no céu convosco, e participar Das eternas alegrias. Amém!


Oração II

São Jorge, também invocado como padroeiro dos escuteiros e de tantas nações, não nos importamos se muitos dizem-no ser uma lenda, por derrotares um dragão. Não importa que este dragão seja real, mas o que derrotastes é o que precisamos todos derrotar: o Inimigo que nos cerca para impedir as graças que Deus nos deseja tanto dar e arrastar-nos com ele aos abismos. Glorioso são Jorge, jovem são Jorge, não foi por pouco que fostes declarastes santo e padroeiro de tantas cidades que vos prestam veneração. Apelo-Vos que intercedais por mim para que alcance de Deus a mesma convicta fé, principalmente nos momentos mais difíceis que devo passar. Que nada me amedronte. Sede meu intercessor e que vossa espada esmague a santanás e aos seus sequazes que nos impede de sermos mais felizes e entusiasmados. Amo-Vos e creio em Vossa santidade e vos peço perdão por todos aqueles que vos resumiram em lendas para destruírem vossa santa imagem. Por Cristo Nosso Senhor, tomai conta de mim e de minha amada família. Amém. (Regina Perina)


Oração III


São Jorge, cavaleiro corajoso, intrépido e vencedor; abre os meus caminhos, ajuda-me a conseguir um bom emprego; faz com que eu seja aceite por todos; superiores, colegas e subordinados; que a paz, o amor e a harmonia estejam sempre presentes no meu coração, no meu lar e no meu serviço; vela por mim e pelos meus, protegendo-nos sempre, abrindo e iluminando os nossos caminhos, ajudando-nos também a transmitirmos paz, amor e harmonia a todos os que nos cercam. Amém.

Oração IV

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar. Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo. São Jorge Rogai por Nós.


Oração V


Ó glorioso São Jorge! Tribuno militar e cavaleiro romano, vós tínheis pela frente brilhante carreira; mas a fé vos disse que devíeis lutar por Cristo, e vós protestando contra o edito de perseguição do imperador Diocleciano, trocastes a espada de soldado pela espada da cruz, e declarastes guerra ao paganismo. Tombastes mártir de Cristo, mas vosso martírio foi golpe que trespassou as fauces do dragão. Glorioso São Jorge! O dragão que vós pisastes tenta reerguer-se. O dragão do paganismo moderno arremete com furor contra a humanidade. Imploramos vossa defesa e protecção! Conservai nossa fé. Corrigi aqueles que usam o vosso nome para enganar seu próximo com práticas supersticiosos e contrárias à fé que vós defendestes.


Oração VI

Ó São Jorge, meu Santo Guerreiro, invencível na fé em Deus, que trazeis em vosso rosto a esperança e confiança, abre os meus caminhos. Eu andarei vestido e armado com as vossas armas para que os meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos possam ter para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrar. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estendei vosso escudo e vossas poderosas armas, defendendo-me com vossa força e grandeza. Ajudai-me a superar todo desânimo e a alcançar a graça que vos peço (pedido). Dai-me coragem e esperança, fortalecei minha fé e auxiliai-me nesta necessidade.


Oração VII

Ó São Jorge, meu Santo Guerreiro e protector, invencível na fé em Deus, que por ele sacrificou-se, traga em vosso rosto a esperança e abri os meus caminhos. Com sua couraça, sua espada e seu escudo, que representam a fé, a esperança e a caridade, eu andarei vestido, para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos possam ter, para me fazerem mal. Armas de fogo ao meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo tocar. Ó Glorioso nobre cavaleiro da cruz vermelha, vós que com a sua lança em punho derrotaste o dragão do mal, derrote também todos os problemas que por ora estou passando . Ó Glorioso São Jorge, em nome de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo estendei-me seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a vossa força e grandeza dos meus inimigos carnais e espirituais. Ó Glorioso São Jorge, ajudai-me a superar todo o desânimo e a alcançar a graça que agora vos peço (Faça agora seu pedido justo). Ó Glorioso São Jorge, neste momento tão difícil da minha vida eu te suplico para que o meu pedido seja atendido e que com a sua espada, a sua força e o seu poder de defesa eu possa cortar todo o mal que se encontra em meu caminho. Ó Glorioso São Jorge, dai-me coragem e esperança, fortalecei minha fé, meu ânimo de vida e auxiliai-me em meu pedido. Ó Glorioso São Jorge, traga a paz, amor e a harmonia ao meu coração, ao meu lar e a todos que estão em minha volta. Ó Glorioso São Jorge, pela fé que em vós deposito: guiai-me, defendei-me e protegei-me de todo o mal. Amém.


Oração VIII

São Jorge, queremos recordar-te como recordamos a antiga tradição. Tu abandonaste os êxitos militares e distribuíste os teus bens entre os pobres. Tu abandonaste os deuses poderosos do Império Romano para seguir o Messias crucificado. Tu abandonaste a segurança de tua linhagem para unir a comunidade dos cristãos. Tu destes a vida pelo amor a Jesus e ao Evangelho . São Jorge, mártir e companheiro fiel de Jesus. Gostamos de recordar de ti a luz da primavera e da Páscoa; gostamos de recordar o seu poder no combate contra a dor e a escravidão. São Jorge, ajuda aos enamorados do Evangelho e ajuda-nos a viver essa fé que tu tão intensamente viveste e sentiste e nos ajude a fazer o possível para que todo o mundo possa sentir a felicidade da primavera.


Oração IX

Jesus adiante, paz e guia, encomendo-me a Deus e a Virgem Maria, minha mãe, e aos doze apóstolos meus irmãos. Andarei este dia e noite eu e meu corpo cercado e circulado com as armas de São Jorge. O meu corpo não será preso, nem ferido, nem meu sangue derramado; andarei tão livre , como Jesus Cristo nove meses no ventre da Virgem Maria. Amém.

Meus inimigos terão olhos e não me verão, terão boca e não me falarão, terão pés e não me alcançarão, terão mãos e não me ofenderão.
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« Responder #302 em: 24 de Abril de 2007, 23:02 »

24 de Abril
São Fidélis de Sigmaringen



Hoje comemoramos São Fidelis, cujo nome verdadeiros era Marcos Reyd, nasceu numa família de nobres em 1577, na cidade de Sigmaringen, na Alemanha. Na Universidade de Friburgo, na Suíça, estudou filosofia, direito civil e canónico, onde se formou professor e advogado em 1601.

Durante alguns anos, exerceu a profissão de advogado em Colmar, na Alsácia, recebendo o apelido de "advogado dos pobres", porque não se negava a trabalhar gratuitamente aos que não tinham dinheiro para lhe pagar.
Até os trinta e quatro anos, não tinha ainda encontrado seu caminho definitivo, até que, em 1612, abandonou tudo e se tornou sacerdote. Ingressou na Ordem dos Frades Menores dos Capuchinhos de Friburgo, vestindo o hábito e tomando o nome de Fidelis. Escreveu muito, e esses numerosos registros o fizeram um dos mestres da espiritualidade franciscana.

Como era intelectual actuante, acabou assumindo missões importantes em favor da Igreja e, a mando pessoal do papa Gregório XV, foi enviado à Suíça, a fim de combater a heresia Calvinista. Acusado de espionagem a serviço do imperador austríaco, os Calvinistas tramaram a sua morte, que ocorreu após uma missa em Grusch, na qual pronunciara um fervoroso sermão pela disciplina e obediência dos cristãos à Santa Sé.

Nas suas anotações, foi encontrado um bilhete escrito dez dias antes de sua morte, dizendo que sabia que seria assassinado, mas que morreria com alegria por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quando foi ferido, por um golpe de espada, pelos inimigos, pôs-se de joelhos, perdoou os seus assassinos e, rezando, abençoou a todos antes de morrer, no dia 24 de Abril de 1622.

O papa Bento XIV canonizou são Fidelis de Sigmaringen em 1724.
 

Oração
São Fidélis de Sigmarigen, desejo vos entregar todos os jovens que estão sendo chamados à sublime vocação sacerdotal. Encaminhai-os, para que nunca se decepcionem com os contratestemunhos e que olhando apenas para Jesus, possam se tornar valente guerreiros de Cristo, como o fostes. Que nossa incoerência entre palavra e vida não mais subsista e que a vossa bênção seja derramada sobre todos os que a vós recorre. Por cristo Nosso Senhor. Amém.

Devoção
À justiça, às missões, ao combate às heresias

Padroeiro
Dos combatentes às heresias
« Última modificação: 24 de Abril de 2007, 23:06 por blaster » Registado

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« Responder #303 em: 24 de Abril de 2007, 23:04 »

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« Responder #304 em: 25 de Abril de 2007, 18:36 »

25 de Abril

São Marcos Evangelista

  Celebramos com muita alegria a vida de santidade de um dos Evangelistas: São Marcos. Pertencente de uma tribo de Levi, era judeu de origem e de uma família tão Cristã que sempre acolheu Jesus, Maria e os apóstolos em sua casa: "E, depois de reflectir, dirigiu-se a casa de Maria, mãe de João, de sobrenome Marcos, onde numerosos fiéis estavam reunidos a orar."(Actos 12,12). Ou seja: no tempo em que não havia igrejas, a "igreja doméstica" da casa da mãe de Marcos seria um dos vários lugares de encontro, oração e culto dos cristãos da cidade. E terá sido nessa comunidade familiar que o futuro evangelista foi iniciado na fé em Jesus Cristo.

A tradição leva-nos a crer que na casa de São Marcos teria acontecido a Santa Ceia celebrada por Jesus, assim como dia de Pentecostes, onde "inaugurou" a Igreja Católica. Encontramos na Bíblia que o Santo de hoje acompanhou inicialmente São Barnabé e São Paulo em viagens apostólicas, e depois São Pedro em Roma.

São Marcos, o autor do segundo Evangelho, foi discípulo de São Pedro e de São Paulo, que acompanhou nas suas viagens apostólicas.

É o criador do género literário Evangelho. Efectivamente, pensa-se que, quando São Marcos escreveu o seu Evangelho, do de São Mateus só haveria uma colecção de palavras de Jesus, sem enquadramento narrativo e sem milagres.

Cronologicamente, foi o primeiro a escrever sobre a vida de Jesus, por volta do ano 56; Sendo assim, os outros dois sinópticos acabaram por adaptar o esquema de exposição de São Marcos. De facto, em Qumrã encontrou-se um fragmento de seu Evangelho datado do ano 56 d.C. dentro de um vaso no qual estava escrito Roma. Irineu de Lyon, baseado em Pápias, afirma que Marcos escreveu o seu Evangelho com base nas pregações de São Pedro em Roma.

Marcos era judeu e tinha tomado um nome romano, achando-se identificado com "João, de sobrenome Marcos" (Act 12,12 e Act 12,25) - era sobrinho (primo?) de Barnabé (Cl 4.10), e filho de Maria, que residia em Jerusalém (Act 12,12). Marcos foi, provavelmente, convertido à fé cristã pelo ministério de Pedro (1 Pe 5,13), que costumava frequentar a casa de sua mãe (Act 12,12). Ele acompanhou, desde Jerusalém até Antioquia, a Paulo e Barnabé (Act 12,25), e dai partiu com eles para uma viagem missionária - mas deixou-os antes de a completarem (Act 13,5.13). Seis anos depois deste acontecimento não quis Paulo levá-lo consigo em outra viagem - e então Marcos acompanhou Barnabé a Chipre (Act 15,38.39). Todavia, quando Paulo estava preso em Roma, era já Marcos considerado um seu ajudante, e é mencionado de uma maneira que bem mostra que ele tinha reconquistado a estima do Apóstolo (Cl 4,10 - 2 Tm 4.11). Primitivos escritores cristãos afirmam que ele trabalhou com Pedro durante um tempo considerável do seu ministério, gozando da sua íntima amizade, e auxiliando-o como seu intérprete ou secretário - e diz-se que mais tarde missionou no Egipto, sofrendo neste país o martírio. Algumas importantes suposições acham-se associadas com este evangelista. Já alguns críticos têm sugerido que a casa, de que se fala em Act 12,12, era aquela mesma casa onde (na vida do pai de Marcos) se celebrou a última Ceia (Mc 14,14) - que o Jardim de Getsêmani lhe pertencia - e que o próprio Marcos era o homem do cântaro a que se refere Mc 14,13, sendo também o jovem daquele caso que unicamente é relatado no seu Evangelho (Mc 14,51.52). *veja Jo 2.

Segundo a tradição, São Marcos é o primeiro Papa (ou Patriarca) da Igreja Copta Egipícia, com sede em Alexandria, para onde se dirigiu após o martírio de [São Pedro] e [São Paulo], sendo este o local em que teria difundido o evangelho, tendo sido martirizado nesta cidade ao ter seu corpo arrastado por uma parelha de cavalos por volta dos anos 70-80 d.C. Assim como São Pedro foi o primeiro Papa da Igreja Católica Romana e Santo André o primeiro Patriarca da Igreja Ortodoxa, São Marcos é considerado o primeiro
 
Patriarca da Igreja Copta. Interpretações tradicionais de seu Evangelho o vêem no jovem que fugiu nu quando da prisão de Jesus no Horto das Oliveiras.

São Marcos fez um lindo trabalho missionário, que não deu fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e São Paulo, por isso evangelizou no Poder do Espírito Alexandria, Egito e Chipre, lugar onde fundou Comunidades. Conhecido principalmente por ter sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária que deram origem ao Evangelho carismático de Jesus Cristo segundo Marcos.

Segundo as fontes arqueológicas, o Evangelho segundo Marcos, foi escrito em Roma - para converter o povo a Yeshua Ha Maschiach - (no hebraico, Jesus Cristo) segundo às tradições em que vivia judaicas, já que os judeus não o aceitavam como Messias - a escrita completada levou de 60 D.C. a 65 D.C. e o tempo abrangido da escritura de 29 D.C. a 33 D.C.

Marcos é o mais breve dos quatro evangelhos: apenas 16 capítulos, face aos 21 de João, 24 de Lucas e 28 de Mateus. É o mais simples, directo e colorido, valorizando pormenores em apoio de uma fé sensível ao extraordinário. Precisamente por isso, até ao século XIX esteve bastante subalternizado. Sobretudo ao de Mateus, onde a Igreja aparece mais organizada com os seus ministérios e sacramentos.

Havia, então, ideia de que os Evangelhos eram vidas de Jesus e, tendia-se a constituir uma só biografia dispondo os quatro textos em concordância. Só depois se descobriu a pedagogia e os objectivos de cada um conforme as comunidades a que se destinavam; e a reforma litúrgica do Vaticano II fez surgir três ciclos em que é valorizado cada um dos Sinópticos - Mateus, Marcos e Lucas - e servindo-se de João, o evangelista da fé, para os Tempos do Natal e da Páscoa.

São Marcos que na Igreja primitiva fez um lindo trabalho missionário, que não deu fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e São Paulo, por isso evangelizou no Poder do Espírito Alexandria, Egipto e Chipre, lugar onde fundou Comunidades. Conhecido principalmente por ter sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária que deram origem ao Evangelho querigmático de Jesus Cristo segundo Marcos.

São Marcos... rogai por nós!
« Última modificação: 25 de Abril de 2007, 19:29 por Trofa » Registado

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« Responder #305 em: 25 de Abril de 2007, 20:44 »

S. Marcos Evangelista (cont)...


algumas imagens de S. Marcos

Admite-se que o autor do Segundo Evangelho e o Marco - primo de Barnabé, de que se fala nos Actos e nas Epístolas - sejam uma só e a mesma pessoa.

Marcos e Maria viviam em Jerusalém. A sua casa servia de local de reunião dos primeiros cristãos. Discípulo de São Paulo, esteve ao seu lado quando este ficou preso em Roma.

Foi também discípulo de São Pedro: "a que (Igreja) está em Babilónia, eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, o meu filho" (1 Pedro 5,13s.).

Santo Irineu, Tertuliano e Clemente de Alexandria atribuem decididamente a Marcos, discípulo e intérprete de São Pedro, o segundo Evangelho.

E segundo os críticos modernos, o evangelho de Marcos foi escrito por volta dos anos 60/70 e dirigido aos cristãos de Roma.

Texto retirado de: Evangelho Quotidiano



O Martírio de S. Marcos

O EVANGELHO DE S. MARCOS

Tal como acontece com os outros livros da Bíblia, também os Evangelhos não surgem da iniciativa nem da cabeça ou experiência individual de um escritor sagrado. São, antes de mais, o testemunho de uma Comunidade que acolheu o anúncio de Jesus Cristo feito pelos apóstolos e sentiu, depois, o apelo de Jesus:


«Ide pelo mundo inteiro, proclamai o
Evangelho a toda a criatura.» (Mc 16,15)

Quer isto dizer que, antes de escrever o Evangelho e ser evangelista, Marcos ouviu o anúncio do mesmo Evangelho feito por outros e viveu como discípulo de Jesus numa comunidade cristã. A sua vida de fé e o seu zelo apostólico é que lhe mereceram, depois, a confiança da comunidade para se tornar seu porta-voz junto dos pagãos.


Presente Sobre SÃO MARCOS e o seu EVANGELHO, Frei Ildo Perondi

Presente Uma reflexão/ proposta para o Ano B:

O evangelho do discípulo  (2005/2006 – Ano do evangelista S. Marcos)
D. Teodoro de Faria, Bispo do Funchal - 11 de Dezembro de 2005

Presente Outra reflexão/ proposta para o Ano B desta vez de Frei Lopes Morgado, capuchinho, nos seus "Encontros com a Bíblia" :

De discípulo e evangelizador, a evangelista


Os Actos dos Apóstolos falam da «casa de Maria, mãe de João, de sobrenome Marcos»; e dizem que, ao ser libertado da prisão por um anjo, alta noite, Pedro dirigiu-se a essa casa, «onde numerosos fiéis  estavam reunidos a orar» (Act 12,12).

Ou seja: no tempo em que não havia igrejas, a “igreja doméstica” da casa da mãe de Marcos seria um dos vários lugares de encontro, oração e culto dos cristãos da cidade. E terá sido nessa comunidade familiar que o futuro evangelista foi iniciado na fé em Jesus Cristo.

A seguir à execução de Tiago, quando Herodes maltratava e prendia alguns membros da Igreja de Jerusalém (Act 12,1-3), Marcos foi levado daqui pelo apóstolo Barnabé, seu primo, e por Saulo, que se dirigiram para Antioquia (Act 12,25).

E vai ser Barnabé – que «era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé» e já fora mestre de Saulo no apostolado (Act 11,22-25) – quem vai iniciar Marcos na evangelização, levando-o com eles «como auxiliar» (Act 13,5) quando foram enviados pela igreja de Antioquia para a 1ª Viagem Missionária de São Paulo.

Mas, parece que o jovem (o mesmo que foge em Mc 14,51?) ainda não tinha amadurecido bem para esse trabalho; pois, quando aqueles dois apóstolos se dirigiram de Pafos para Antioquia da Pisídia, «João, separando-se deles, voltou para Jerusalém» (Act 13,13).

Na 2ª Viagem, «Barnabé queria também levar João, chamado Marcos. Mas Paulo não era de parecer que se levasse por companheiro quem deles se havia afastado na Panfília e não os tinha acompanhado no trabalho.

Seguiu-se uma discussão tão violenta que se separaram um do outro e Barnabé tomou Marcos consigo, embarcando para Chipre. Por seu turno, Paulo, tomou Silas por companheiro e partiu» (Act 15,37-40).

Deste aparente escândalo nasce uma nova equipa missionária. E Marcos certamente aprendeu a lição, pois estará novamente ao lado de Paulo quando este, entre 61 e 63, se encontra preso em Roma e pensa enviá-lo à Igreja de Colossas (Cl 4,10).

Finalmente, em Roma, vai encontrar-se de novo com Pedro, que o trata por «meu filho» na sua 1ª Carta 5,13.

O Evangelho de Jesus Cristo


Segundo a voz praticamente unânime da tradição, foi em Roma que Marcos escreveu o seu livro, entre o ano 65 e 70, para transmitir o fundamental da mensagem que tinha ouvido a Pedro acerca de Jesus. Para isso, cria o género literário “Evangelho”, com que dá aos cristãos oriundos do paganismo esta boa notícia: «Jesus Cristo é Filho de Deus» (1,1).

Como eles não conheciam a Lei nem os profetas que tinham preparado a vinda do Messias, envolve Jesus num mistério, chamado “segredo messiânico”, desvelado a espaços entre a interrogação «Que é isto?» (1,27) ou «Quem é este...Interrogação» (7,37) e o assombro «Nunca vimos coisa assim!» (2,12).

Pelo meio, ouvimos o testemunho dos demónios (1,23-24), do Pai (1,11; 9,1-7), do cego Bartimeu (10,47-48) e do próprio Jesus (14,61). Mas o maior testemunho vai ser dado por um pagão, o centurião romano, ao vê-lo morrer na cruz: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!» (16,16). Entre estes dois pólos, o livro tem o seu vértice precisamente a meio, com a confissão de Pedro em 8,29: «Tu és o Messias!»

Ler o Evangelho seguido


Marcos é o mais breve dos quatro Evangelhos: apenas 16 capítulos, face aos 21 de João, 24 de Lucas e 28 de Mateus.

E é o mais simples, directo e colorido, valorizando pormenores em apoio de uma fé sensível ao extraordinário. Precisamente por isso, até ao século XIX esteve bastante subalternizado. Sobretudo ao de Mateus, onde a Igreja aparece mais organizada com os seus ministérios e sacramentos.

Havia, então, a ideia de que os Evangelhos eram vidas de Jesus, e tendia-se a constituir uma só biografia dispondo os quatro textos em concordância. Só depois se descobriu a pedagogia e os objectivos de cada um conforme as comunidades a que se destinavam; e a reforma litúrgica do Vaticano II fez surgir três ciclos em que é valorizado cada um dos Sinópticos – Mateus, Marcos e Lucas – e servindo-se de João, o evangelista da fé, para os Tempos do Natal e da Páscoa.

Para reflectir


Proponho aproveitar este período [...] para ler o texto do Evangelho segundo São Marcos todo seguido, sem se preocupar inicialmente com as notas explicativas. Apenas sentindo cá dentro a voz do Pai: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o» (9,7b):

É a melhor forma de captar a identidade e as diferenças deste Evangelho e de se perceber o motivo porque tem sido considerado o Evangelho para as pessoas de hoje. Se o fizer de lápis na mão, sublinhando as reacções dos vários personagens à figura de Jesus, e
assumindo algumas das várias confissões de fé de vários personagens acerca de Jesus, nele incluídas , tanto melhor.


 
ANO B - Um dos anos do Calendário Liturgico...


O Ano Litúrgico é o tempo que marca as datas dos acontecimentos da História da Salvação. Não é como o ano civil, que começa em 1º de Janeiro e termina em 31 de dezembro, mas começa no 1º domingo do Advento (preparação para o Natal)  e termina no último sábado do tempo comum, que é na véspera do 1º domingo do Advento. O Ano Litúrgico passa por três ciclos, também chamado de anos A, B, C. A cada ano a Igreja Católica propõe uma sequência de leituras próprias, ou seja, leituras para o ano A - S. Mateus; ano B - S. Marcos e para o ano C - S. Lucas.



Ano litúrgico é um verdadeiro e eficaz «guia de vida cristã»
Entrevista ao padre Carlos Cabecinhas (25/11/2005 )


Shenouda III

Como refere o post anterior, segundo a tradição, São Marcos é o primeiro Papa (ou Patriarca) da Igreja Copta Egipícia, com sede em Alexandria, para onde se dirigiu após o martírio de São Pedro e São Paulo, sendo este o local em que teria difundido o evangelho, tendo sido martirizado nesta cidade ao ter seu corpo arrastado por uma parelha de cavalos por volta dos anos 70-80 d.C.

A Igreja Ortodoxa Copta, de acordo com a tradição, foi estabelecida pelo apóstolo São Marcos no Egipto em meados do século I (aproximadamente no ano 60). É a igreja nacional do Egipto (Copta significa egípcio).

É uma das Igrejas do Oriente. O seu líder é o Patriarca de Alexandria, patriarca da Santa Sé de São Marcos (actualmente o Papa Shenouda III).

O número de cristãos de rito copta é superior a 40 milhões, estando distribuídos principalmente pelo Egipto (10 milhões), Etiópia (30 milhões) e Eritreia (2 milhões), e também por Israel e Sudão. Os coptas celebram o Natal em 7 de Janeiro.

O símbolo desta igreja, em vez da tradicional cruz cristã é o ankh [Também conhecida como “Chave do Nilo” e Cruz Ansada. Simbolizava o  antigo sinal egípcio vida e de fertilidade.



História do Cristianismo no Egipto (em Inglês)
Sobre a origem egipcia do ankn (em inglês)
o site oficial de Shenouda III( algumas coisas em Inglês)

Algumas divergências entre a Igreja católica e a Igreja Copta:

Em meados do século 1°, após pregar pelo Egito, Marcos ergueu sua igreja em Alexandria. Daí a cidade ser considerada a Sede da Igreja São Marcos Copta Ortodoxa. Mas na realidade, hoje a Catedral Copta fica no Cairo e Shenouda divide seu tempo entre a capital egípcia e o mosteiro de São Bishoy, localizado no deserto a cerca de 100 quilômetros a noroeste do Cairo, e a cada duas semanas vai a Alexandria. A Igreja Copta tem longa tradição monástica.

Somente no século 5° d.C. a Igreja Copta se tornou uma instituição autônoma. De acordo com Aghason, embora não haja grandes desacordos de crença em relação à Igreja Católica, existem diferenças conceituais. Os coptas não acreditam, por exemplo, na existência do Purgatório e divergem dos católicos em relação a aspectos da natureza de Cristo e do Espírito Santo.

Um dos trechos da história cristã mais reverenciados pelos coptas é a passagem da Sagrada Família pelo Egito. Segundo a tradição, José, Maria e Jesus permaneceram durante três anos e meio no país, após o rei Herodes ter ordenado a "matança dos inocentes" em Belém. Há inclusive, no bairro copta do Cairo, uma cripta onde Cristo e sua família supostamente viveram.

Outra diferença é que a Igreja Copta permite padres casados, desde que o casamento tenha ocorrido antes da ordenação. Já os religiosos que optam pela vida monástica não podem ser casados.

"Copta" é um termo ocidentalizado para a palavra árabe "qibt", derivada do grego "aigyptios", ou simplesmente "egípcio". Ou seja, "copta" quer dizer "egípcio".

E os coptas acreditam descender dos egípcios antigos. Eles têm até uma língua própria, também chamada de copta, cuja escrita é semelhante ao grego. O idioma, porém, só é utilizado em cultos. No dia-a-dia, a população cristã fala o árabe. "E algumas famílias no sul do Egito ainda têm fluência na língua", disse Aghason.


HOMILIA NO ENCONTRO ECUMÉNICO entre o Papa João Paulo II e
actual "papa" copta Shenouda III (Cairo, 25 de Fevereiro de 2000)



A Sagrada Familia No Egipto:

texto em espanhol acompanhado de imagens locais e em inglês
« Última modificação: 26 de Abril de 2007, 07:52 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #306 em: 25 de Abril de 2007, 21:41 »

26 de Abril - S. Pedro de Rates (primeiro bispo de Braga - 45–60 Interrogação)


Gravura setecentista

Segundo uma tradição lendária, S. Pedro de Rates tornou-se o primeiro bispo de Braga, logo no ano 45 d.C., como se pode ver na lista de todos os arcebispos de Braga que existe na Sé.

Conta um lenda que o santo salvou de doença mortal uma jovem princesa pagã. Como retribuição ela converteu-se ao cristianismo e fez voto de castidade. Tais factos enfureceram o pai levando-o a ordenar a morte de S. Pedro.

Este refugiou-se na capela de Rates onde foi encontrado e decapitado pelos soldados que seguidamente destruíram o templo.

Séculos mais tarde, da serra de Rates, S. Félix observava todas as noites uma luz na escuridão. Guiado pela curiosidade desceu a vertente e encontrou no meio dos escombros a razão de ser desse clarão: o corpo de S. Pedro.

O corpo terá dado origem à Igreja de São Pedro de Rates e esteve lá sepultado até 1552; nesse ano o corpo foi transferido para Braga.


A Igreja de S. Pedro de Rates

Freguesia do concelho de Póvoa do Varzim
e Arcebispado de Vila do Conde e Póvoa do Varzim

Este templo teve na sua origem uma capela modesta da época da Reconquista que foi reedificada em finais do séc. XI, por iniciativa de D. Henrique e D. Teresa. O edifício condal conhece novos voos no tempo de D. Afonso Henriques, quando se inicia a construção da actual igreja no séc. XII, tendo as obras terminado um século mais tarde. É um apreciável exemplo do estilo românico do nosso país. De construção pesada, feita de granito, tem poucas aberturas, uma delas, a rosácea, na parte superior da fachada

Até 1552, guardava o Corpo de São Pedro de Rates antes de ter sido transferido para Braga.» Artigo Wikipédia

AS FONTES MILAGROSAS


Ao que parece, nas freguesias de Balasar e Rates existem duas fontes que são vistas como milagrosas devido a este santo.

No início do século XVIII, o Padre Carvalho da Costa na Corografia Portuguesa, faz referência a estas fontes deste modo

« Na aldeia do Casal está a fonte em que São Pedro de Rates estava de joelhos, bebendo, quando os tiranos vinham atrás dele, de Braga, para o matarem, e foi Deus servido de que o não vissem, estando patente à vista. Dizem que duas covinhas que tem são de seus santos joelhos. Vêm a esta fonte muitos enfermos de maleitas e, bebendo dela, voltam livres do achaque.

Na fonte de Rates existia uma pedra furada que, segundo crença popular, tem efeitos curativos em casos de esterelidade, sendo vingativo para com as fêmeas, mulheres e animais quando grávidas. Por este motivo no dia 26 de Abril, em algumas aldeias as mulheres grávidas e os animais não trabalham.»


Para os peregrinos do Caminho Lusitano/ Português:

Partindo do Porto, passa S. Pedro de Rates que se localiza a 30 km do Porto, a 10 de Barcelos numa caminhada que depois segue por Ponte de Lima,  Valença  até Compostela

Em S. Pedro de Rates pode encontrar-se um albergue de peregrinos

São Tiago e a Lenda de Ordenação de S. Pedro Rates:

«Conta-se que Santiago, um dos apóstolos de Cristo teria visitado o noroeste da Península Ibérica em 44 d.C.

Uma das suas visitas terá sido à Serra de Rates, no actual concelho da Póvoa de Varzim. Durante esta visita, o apóstolo terá ordenado bispo São Pedro de Rates, tornando-se este último o primeiro bispo de Braga.

Isto terá sido um mito, dado que está provado que Santiago terá celebrado a Páscoa em Jerusalém nesse mesmo ano.» (Wikipédia)
« Última modificação: 25 de Abril de 2007, 22:38 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #307 em: 27 de Abril de 2007, 21:02 »

27 de Abril - Santa Zita


Santa Zita é um exemplo de
como em qualquer situação uma pessoa pode se santificar:

"Mãos no trabalho e coração em Deus"
(lema da obra de Santa Zita)
 

Santa Zita, nasceu no ano 1218, em Monsagrati, numa aldeia próximo a Lucca (Itália) no seio de uma familia de camponeses tementes a Deus. A sua mãe fazia questão que Zita estudasse e para isso a incentivava dizendo que Deus teria muito orgulho dela se pusese afinco em seu estudo.

Zita era uma criança muito carinhosa e cada segundo livre que tinha corria para um canto isolado para rezar. Foi-lhe confiado o encargo de distribuir as esmolas cada sexta-feira. E dava do seu pouco, da sua comida, das suas roupas, daquilo que possuía.

Como era muito pobre, foi trabalhar como domestica aos 12 anos de idade na casa da família dos Fratinelle em Lucca. O  chefe da família tinha um temperamento violento e mandava com gritos e palavras muito humilhantes. Todos os empregados reclamavam desse trato tão áspero, menos Zita que o aceitava de boa vontade pra assemelhar-se a Jesus Cristo que foi humilhado e ultrajado.

Também as outras empregadas tinham inveja dela e a feriam com palavras. Zita não lhes respondia, nem guardava rancor ou ressentimento. Os trabalhadores não gostavam dela porque ela demonstrava aversão pelas palavras grosseiras e histórias imorais além disso trabalhava muito. Chamavam-na de 'beata' e 'beija chão'. Mas com o passar dos anos, todos se foram dando conta que era uma verdadeira santa, uma grande amiga de Deus conquistando-lhes o coração e o respeito assim como aos membros da família servindo naquela casa durante 48 anos.

De acordo com a tradição ficaram convencidos de que ela era uma santa, porque um dia encontraram um anjo fazendo os pães e outro lavando a roupa no lugar de Zita enquanto esta atendia a um pobre doente a porta da casa.

Zita questionava-se sempre: "Isto agrada ao Senhor"Interrogação ou " Isto desagrada a Jesus"Interrogação  O emprego era um presente divino e ela agradecia a Deus todos os dias orando logo pela manhã, quando todos da casa ainda dormiam. Também aproveitava as manhãs para ir à missa e retornava apressada para servir aos seus amos sempre de forma discreta e muito amável.

Um homem quis desrespeita-la em sua castidade, e ela arranhou sua cara, fazendo com que se afastasse.Outro tentou calunia-la diante do dono da casa e este a insultou horrivelmente. Zita não disse uma só palavra para defender-se, deixando para Deus sua defesa. Depois se soube toda a verdade e o patrão teve que arrepender-se do tratamento injusto que lhe dera, crescendo enormemente seu apreço pior aquela humilde serva.

Gastava quase todo o dinheiro de seu salário para ajudar aos pobres. Dormia sobre uma esteira colocada diretamente no solo, porque doou sua cama e seu colchão a uma família necessitada.

Um dia, em pleno inverno, com temperatura a vários graus abaixo de zero, a senhora da casa emprestou-lhe o manto de lã para que fosse à Igreja. Na porta desta encontrou um pobre cheio de frio e deu-lhe o manto. Ao voltar para casa foi terrivelmente admoestada , mas pouco depois apareceu na porta da casa um senhor misterioso que trouxe um belo manto de lã. E não quis dizer quem era. As pessoas diziam: 'Um anjo do Senhor veio visitar-nos'.

Num outro dia levava entre as dobras de seu avental tudo o que tinha sobrado do almoço para os pobres, mas pelo caminho encontrou-se com o chefe da casa, que lhe perguntou o que levava. Ela abriu o avental e dentro só havia flores.

Em época de grande escassez distribuia aos pobres grãos que se encontravam na dispensa.Quando chegou o furibundo capataz para contar os grãos encontrou-os ali todos.

Quando lhe sobrava um dia livre, o empregava a visitar pobres, doentes e presos, dedicando-se especialmente aos que estavam condenados à morte.

Durante toda a sua vida ela trabalhou a favor dos pobres, doentes e outros sofredores e lastimava que criminosos ficassem na prisão sem fazer nada. Ela foi uma das que defendia a causa que os criminosos prisioneiros deveriam ter que ajudar aos pobres e doentes.

Dizem que um dia foi surpreendida enquanto socorria os necessitados. Mas no seu avental o que era alimento se converteu em flores. Foi domestica por 60 anos. Morreu com sessenta anos no dia 27 de Abril de 1278, tendo toda a família Fatinelli a quem serviu toda a vida ajoelhada a seus pés.

Depois da sua morte inumeros milagres ocorreram por sua intercessão e ela começou a ser venerada como santa na zona de Lucca. Ambos os poetas Fazio degli Uberti (Dittamonde III, 6) e Dante (Inferno XI, 38) referem-se à cidade de Lucca (Toscana, Itália) como "Santa Zita". Foi aprovado pelo Papa Leão X o ofício em sua honra.

O seu túmulo foi descoberto em 1580 na Igreja de S. Frediano e naquela altura, cerca de 300 anos após a sua morte, o seu corpo encontrava-se incorrupto. O  Papa Inocêncio XII canonizou-a a 5 de Setembro de 1696.Tornou-se a padroeira das empregadas domésticas pelo Papa Pio XII.

 

Oração:
Ó Santa Zita,
que no humilde trabalho doméstico soubestes ser solícita
como foi Marta, quando servia Jesus, em Betânia,
 e piedosa como Maria Madalena, aos pés do mesmo Jesus,
ajudai-me a suportar com ânimo e paciência todos os sacrifícios
que me impõem os meus trabalhos domésticos:
ajudai-me a tratar as pessoas da família que sirvo
como se fossem meus irmãos.

Ó Deus, recebei o meu trabalho, o meu cansaço e minhas tribulações,
 e pela intercessão de Santa Zita,
dai-me forças para cumprir sempre meus deveres,
para merecer o reconhecimento dos que sirvo
e a recompensa eterna no céu.
Santa Zita, ajudai-me.
Amém.


Em Luca: Fonte Battesimale e Cappella di Santa Zita na Igreja / Basílica de San Frediano:



 

O corpo incorrupto de Santa Zita encontra-se ainda hoje exposto na Igreja de  San Frediano


Monsenhor Joaquim Alves Brás & OBRA DE SANTA ZITA (OSZ)

Perfil da Obra de Santa Zita:

Fundada em 1931, na cidade da Guarda, por Monsenhor Joaquim Alves Brás, a Obra de Santa Zita teve sempre em vista a promoção integral da pessoa, em especial da empregada doméstica, ao tempo uma classe socialmente marginalizada e profissionalmente sem direitos, nem protecção de qualquer espécie.

Com as constantes mutações verificadas, no aspecto social e familiar, as empregadas domésticas têm diminuído consideravelmente, tendendo mesmo a reconverter-se a própria profissão.

Tendo em consideração todas estas alterações, a Direcção da Obra de Santa Zita decidiu actualizar os seus Estatutos e alargar o âmbito da sua acção e associação às pessoas cuja profissão tenha fins similares de apoio à família, nomeadamente, Assistentes e Auxiliares da Família, Ajudantes da Acção Educativa, de Lar de Idosos e Centros de Dia, Mulheres a dias, Educadores e Auxiliares de Infância e outras.

Natureza:

A Obra de Santa Zita, também designada por OSZ ou apenas por Obra, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), de natureza associativa, com aprovação canónica e civil.

O lema “Mãos no trabalho coração em Deus” é a expressão da síntese fé/vida proposto para todos aqueles que, de uma ou de outra forma, se associam à Obra, para que à imitação de Santa Zita procurem viver a espiritualidade do trabalho, dignificando a sua missão ao serviço da vida, da família e dos mais pobres.

Características:

A OSZ aposta na formação como meio privilegiado de prevenção de situações de risco e de carência humana, familiar e social e crescimento integral e integrante da pessoa.

Como IPSS, a OSZ tem um cariz marcadamente social e solidário que se traduz em acções de apoio a diversos sectores carenciados da população:

crianças, jovens famílias e idosos e na promoção do voluntariado.

Enquanto Obra de Igreja a OSZ tem uma vocação marcadamente apostólica de que procura imbuir toda a sua vida e acção.

Actividades e Serviços I -  Vertente Social: 

A OSZ tem a funcionar nove equipamentos de apoio à infância com as valências de Creche e Jardim de Infância, ATL, e um Centro de Acolhimento temporário de crianças de risco; Lares, Centros de Dia e Serviços Domiciliários de Idosos; Secretariado de emprego e assistência a pessoas carenciadas.

Actividades e Serviços II - Vertente de Formação:

Cursos Domésticos - Familiares, Cursos Profissionais e outras acções de formação. A OSZ é também entidade fundadora da Escolar Profissional de Agentes de Serviço e Apoio Social a funcionar em Lisboa e no Funchal, onde desenvolve os cursos de Técnico Auxiliar de Infância e Animador Sócio Cultural/Assistente Familiar.

Actividades e Serviços III - Vertente Apostólica:

Promove reuniões, palestras, retiros, encontros de reflexão e outras iniciativas de cariz religioso, cultural e apostólico.

Actualmente, a OSZ celebra o seu 75º aniversário  Feliz Aniversário!

A Obra de Santa Zita tem a sua sede geral e social em Lisboa, na Rua de Santo António à Estrela, 35 - freguesia da Lapa, concelho e distrito de Lisboa e exerce a sua acção social através das várias Casas de Santa Zita, com delegações nas dioceses de Algarve, Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Funchal, Guarda, Lamego, Lisboa, Portalegre - Castelo Branco, Porto e Viseu e ainda algumas associadas dispersas nas dioceses de Beja, Bragança, Leiria - Fátima, Santarém e Viana do Castelo.


EMBLEMA
Cores: Cruz em vermelho - símbolo do Sangue de Cristo
Os 4 ângulos exteriores da cruz em branco - para significar a pureza
A facha exterior do escudo - em azul e octogonal
As achas da lareira , símbolo do lar, - em castanho
Em ouro ficaram todas as orlas, as letras (lema), os três pontinhos da facha exterior (Santíssima Trindade), as línguas de fogo (Espírito Santo) e a chama do centro da cruz (coração que arde e que pega o fogo do amor de Deus).

Explicação do emblema:

O coração da associada tem de ser uma labareda (chama) no amor de Deus para o pegar à família onde trabalha (lareira=achas - lar);
A associada deve ser templo da Santíssima Trindade (...) realizando o seu ideal (Mãos no trabalho, coração em Deus).
No cumprimento do dever (cruz) levará a sua cruz com amor.
Para ser apóstola tem de ser pura (branco dos ângulos exteriores da cruz) e cheia do Espírito Santo (línguas de fogo nesse branco).




« Última modificação: 27 de Abril de 2007, 21:08 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #308 em: 27 de Abril de 2007, 23:40 »

BRAGA, Paróquia de S. Lázaro
28-04-2007 - BÊNÇÃO das GRÁVIDAS 

             «No dia 28 de Abril, Sábado, celebramos Santa Joana Beretta Molla. Neste mesmo dia celebramos a Bênção das Grávidas na Eucaristia às 17H30, presidida pelo Sr. Arcebispo – D. Jorge.
             Apelo à presença de todas as grávidas nesta Eucaristia, a fim de pedirmos a bênção de Deus para o dom da nova vida ali presente, para a vida do bebé e da mãe, ao mesmo tempo que agradecer a Deus pelo milagre da vida»


28 de Abril


 

João Paulo II canonizou em 16 de Maio de 2004 a Gianna Beretta Molla, mãe de família, cujo testemunho a favor da vida humana é uma "boa nova" para os homens de nosso tempo:

   «Do amor divino, Gianna Beretta Molla foi uma mensageira simples, porém mais significativa do que nunca. Poucos dias antes do matrimônio, numa carta enviada ao futuro marido, escreveu: "O amor é o sentimento mais bonito que o Senhor colocou na alma dos homens".
    Seguindo o exemplo de Cristo, que "tinha amado os seus... amou-os até ao fim" (Jo 13, 1), esta santa mãe de família manteve-se heroicamente fiel ao compromisso assumido no dia do matrimônio. O sacrifício eterno que selou a sua vida dá testemunho de que somente quem tem a coragem de se entregar totalmente a Deus e aos irmãos se realiza a si mesmo.
    Possa a nossa época descobrir de novo, por meio do exemplo de Gianna Beretta Molla, a beleza pura, casta e fecunda do amor conjugal, vivido como resposta ao chamamento divino! »
Trecho da homilia da canonização de Santa Gianna

 «Também Joana Beretta Molla alimentou uma profunda devoção a Nossa Senhora. A referência à Virgem é frequente nas cartas ao namorado Pedro e nos anos que se seguiram na sua vida, sobretudo quando foi internada para a extracção do fibroma, sem deixar que o menino que trazia no seio corresse perigo algum. Foi precisamente Maria quem a sustentou no extremo sacrifício da morte, como confirmação de quanto ela mesma sempre gostava de repetir:  "Sem a ajuda de Nossa Senhora para o Paraíso não se vai". »
Discurso de João Paulo II aos peregrinos (17/05/2004)

Palavras da própria Gianna (=Joana) Beretta Molla:

«Faço o santo propósito de fazer tudo por Jesus: cada obra, cada dor, ofereço tudo a Jesus. Faço o propósito, para servir a Deus, de não ir ao cinema sem antes saber de que filme se trata, se é modesto e não escandaloso ou imoral. Prometo antes morrer que pecal mortalmente... Rezo ao Senhor para que me faça compreender a sua grande misericórdia. Quero obedecer e estudar, mesmo sem vontade, por amor de Jesus.»
(alguns propósitos depois de um retiro aos 16 anos)

«O apóstolo, antes de tudo põe-se de joelhos... Não deveria haver nenhum dia na vida de um apóstolo que não compreenda um tempo determinado de recolhimento aos pés do Senhor... Antes da acção elevemos a alma a Deus... Quanto mais se sente o desejo de dar muito, tanto mais é preciso recorrer à fonte que é Deus.

Entreguei-me ao Senhor contra a terrível sentença da ciência médica que diz: 'a vida da mãe ou a da criança'. Confio em Deus, mas agora compete-me cumprir o meu dever de mãe. Renovo a oferta da minha vida. Estou pronta para tudo, desde que se salve o meu filho»


ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS:

Gianna nasceu em 4 de Outubro de 1922 em Mageta (Itália), sendo a décima de treze filhos (dos quais, cinco morreram muito cedo), no seio de uma família em que os pais, pertencem a Ordem Terceira de São Francisco de Assis (leigos franciscanos) e assistem a missa todos os dias, cultivam uma atmosfera serena e cristã.

Aos domingos à tarde, as crianças acompanham o pai em sua visita aos pobres, à pessoas maiores, em estado de abandono ou desamparadas. A mãe, por sua parte, se engenhava para economizar em favor das missões.

A 14 de Abril de 1928, Gianna recebe a primeira comunhão. No colégio é uma aluna de rendimento médio, e haverá que esperar ao final de seus estudos primários para que obtenha alguns bons resultados. Recebe a Confirmação a 9 de Junho de 1930.

Já nos ensinos secundários, segue sem destacar em seus estudos, mas sua vida é intensa e radiante: um tempo de meditação cada manhã lhe dá força e alegria para amar durante todo o dia. A formação espiritual e o apostolado de Gianna se vem reforçado graças a Acção Católica feminina italiana, em que se havia inscrito desde a idade de 12 anos.

Gianna, com seu sorriso, ganhava a confiança de todos que se aproximavam dela"
segundo uma de suas amigas, Mariuccia Parmigiani

Do 16 ao 18 de Março de 1938, Gianna participa de um retiro espiritual conforme os Exercícios de Santo Inácio de Loyola, recebendo numerosas graças que a marca para toda a vida.

Aprofunda nesse momento nos valores fundamentais da vida espiritual: a necessidade da graça e da oração, o horror do pecado, a imitação de Cristo e a mortificação; mas, sobretudo, começa a ver o apostlado como uma expressão eminente da caridade.

Entre seus propósitos, escreve o seguinte:

"Fazer tudo pelo Senhor ... Para servir a Deus, já não irei ao cinema sem ter a segurança de que se trata de um filme conveniente e não escandaloso, ou imoral... Prefiro morrer antes que cometer um pecado mortal... Rezar todos os dias uma Ave-Maria para que o Senhor me conceda uma boa morte... O caminho mais curto para alcançar a santidade é o da humilhação. Pedir ao Senhor que me conduza ao paraíso".

Em 1942, Gianna perde de repente a sua mãe, de 53 anos de idade. Quatro meses depois falece seu pai; Gianna acabara de se aprovar no exame final de bacharelato. Gianna considera a possibilidade de fazer-se religiosa missionária no Brasil, seguindo o seu irmão. Apesar das dificuldades que existem na época (Itália encontrava-se em guerra), tomou muito a sério seus estudos de medicina.

Em Novembro de 1949, Gianna obtém sua licenciatura de medicina e cirurgia. Especializou-se posteriormente em Pediatria na Universidade de Milão em 1952, trabalhando ainda na Clínica Obstétrica Mangiagalli, pois por seu grande amor às crianças e às mães pretendia seguir o seu irmão, Padre Alberto, médico e missionário no Brasil que, com a ajuda do seu outro irmão engenheiro, Francesco, construíram um hospital na cidade de Grajaú, no Estado do Maranhão.

 A  Gianna é desaconselhada pelo Bispo Dom Bernareggi em ir para o Brasil por motivos de saude. assim, atende a cada um dos enfermos com grande paciência e amabilidade, é incansável e ajuda até monetariamente.

Enquanto exercia sua profissão médica, que a considerava como uma «missão», aumenta seu generoso compromisso para com a Acção Católica, e consagra-se intensivamente em ajudar as adolescentes organizando retiros entre outras actividades.


Através do alpinismo e do esqui, manifesta sua grande alegria de viver e de gozar os encantos da natureza.

 Através da oração pessoal e da dos outros, questiona-se sobre sua vocação, considerando-a como dom de Deus. Envereda pelo caminho da vocação matrimonial, que a abraça com entusiasmo, assumindo total doação «para formar uma família realmente cristã».


24 de Setembro de 1955

A 24 de Setembro de 1955, casa-se com Pedro Mola e preside à cerimônia o padre José Beretta, seu irmão. A 19 de Novembro de 1956, nasce o primeiro filho casa Beretta-Molla: Pedro Luís seguido de uma menina (maria Zita) nascida a 11 de Dezembro de 1957. No dia  15 de Julho de 1960 nasce Laura, a segunda filha do casal.

Para dar graças a Deus, depois do nascimento de cada um de seus filhos, Gianna faz uma doação às missões, tirando de suas economias, uma soma que equivale ao salário de seis meses de trabalho.


Gianna educava seus filhos moralmente e religiosamente, ensinando-os a rezar e ensinando a fazer exame de consciência todas as noites. Após o nascimento de Laura, decide abandonar o exercício da medicina quando tenha um quarto filho.

E é no mês de Agosto de 1961 que se anuncia uma nova maternidade. Mas, no segundo mês de gravidez, Gianna sente,que está desenvolvendo, dia atrás dia, uma massa dura junto do útero, ameaçando tanto a vida da criança como a sua própria vida. Trata-se de um tumor que deverá ser extraído.

Gianna é consciente dos riscos que corre. Três soluções apresentam a ela:
-extrair o tumor e o útero com a criança (essa intervenção salvará quase com toda a segurança a vida da mãe, mas a criança morrerá e ela não poderá ter mais filhos);
-extrair o tumor e provocar o aborto (a mãe se salvará e poderá eventualmente ter filhos mais adiante), mas é uma solução que vai contra a lei de Deus;
-Extrair o tumor somente, tentando não interromper o decorrer da gravidez (somente esta terceira possibilidade preserva a vida da criança, mas põe em grave perigo a vida da mãe).

Na sua condição de esposa amada e de feliz mãe de três filhos formosos, Gianna tem escolha e pode decidir:
a solução mais segura para sua própria viva, ou a única solução que existe para salvar a vida da criança; "ele ou eu", a criança ou a mãe.


Joana Emanuela Molla,
a bébé que sobreviveu à mãe

A sua decisão é por sua própria vida em perigo. O amor por seu filho é maior. Começa então a subida ao calvário junto a Jesus crucificado.

No dia 6 de Setembro, antes de entrar na sala de cirurgia, roga ao cirurgião que faça todo o possível para salvar a criança e que não se preocupasse com ela:

«Se tiverem que decidir entre mim e a criança, nenhuma hesitação:
escolham - e o exijo - a criança. Salvem-na».

A operação que consiste em extrair o tumor deixando intacta a cavidade uterina, resulta com êxito:
a criança é salva e o desejo de Gianna foi cumprido.


No entanto, ela está consciente de que, ao fim de alguns meses, o útero pode romper-se e provocar uma hemorragia mortal.

Sem perder o sorriso em seu rosto, Gianna passa os últimos meses de gravidez em orações e abandono a vontade de Deus, no meio de grandes dores físicos e morais.

Deu entrada, para o parto, no hospital de Monza, na Sexta-feira da Semana Santa de 1962.

Na manhã do dia seguinte, 21 de abril de 1962, Sábado Santo, nasce Joana Manuela (Gianna Emanuela). Apenas teve a filha por breves instantes nos braços.

Apesar dos esforços para salvar a vida de ambos, na manhã de 28 de abril, em meio a atrozes dores e após ter repetido a jaculatória "Jesus eu te amo, eu te amo" morre santamente. Tinha 39 anos.

No Sábado Santo, 21 de Abril de 1962, nasce uma menina que recebe o nome de Gianna Manuela. Após o parto, o estado de Gianna agrava-se. Quando a dor era muito intensa, ela beija seu crucifixo. Pede para que lhe sejam administrados os ultimos sacramentos

Gianna morre no dia 24 de Abril na presença de seu esposo, que aprovou sua opção. O seu corpo repousa no cemitério de Mêsero, distante 4 quilómetros de Magenta, nos arredores de Milão (Itália).

"Meditata immolazione" (imolação meditada), foi assim que o Papa Paulo VI definiu o gesto da Beata Gianna recordando, no Ângelus dominical de 23 de Setembro de 1973, "uma jovem mãe da Diocese de Milão que, para dar a vida à sua filha sacrificava, com imolação meditada, a própria".

O milagre da beatificação aconteceu no Brasil, em 1977, na cidade de Grajaú, no Maranhão, naquele hospital onde queria ser missionária, ajudando uma jovem protestante que tinha dado à luz. No dia 25 de abril de 1994, o Papa João Paulo II beatificou a Gianna Beretta Molla. Curiosamente, como veremos desenvolvido mais adiante, o milagre da canonização também ocorreu no Brasil...

Joana Emanuela, a filha nascida do seu sacrifício, em pronunciamento nessa ocasião, disse: "Sinto em mim a força e a coragem de viver, sinto que a vida me sorri". Ela ainda disse que rende homenagem à mãe "dedicando a minha vida à cura e assistência aos anciãos".

A filha e o marido (então com 91 anos assistiram à canonização de Gianna, que foi escolhida logo em Janeiro de 2005 como padroeira da Associação das familias por unanimidade


Ó Deus, amante da vida,
que doaste à SANTA GIANNA responder com plena generosidade
à vocação cristã de esposa e de mãe,
concede também a nós, por intercessão dela, a graça
 (...faça o pedido...)
e também seguir fielmente os teus desígnios,
a fim de que resplandeça sempre nas nossas famílias a graça
que consagra o amor eterno e a vida humana.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, teu Filho, que é Deus convosco,
 vive e reina contigo na unidade do espírito Santo. Amém

SANTA GIANNA, ROGAI POR NÓS!
JESUS, MARIA, JOSÉ, NOSSA FAMÍLIA VOSSA ÉExcalmação
(Rezar: 3 Pai-Nossos, 3 Ave-Marias e
3 Glórias ao Pai, todos os dias da Novena)

Com aprovação Eclesiástica



Dom Diógenes ao lado de Elizabete, Gianna e Carlos César

O milagre da canonização foi experimentado por Elisabete Arcolino Comparini, casada com Carlos César, ambos da Diocese de Franca, quando, no início do ano 2000, o quarto bebê que havia concebido começou a passar por sérios problemas, tendo, no terceiro mês, a jovem mãe perdido totalmente o líquido amniótico.

 A intercessão da Santa Gianna foi pedida, ainda no hospital, na presença do bispo de Franca, Dom Diógenes Matthes.

Face a negativa do aborto e à intercessão da Santa Gianna Beretta Molla, após uma gravidez sem presença de líquido amniótico; sem explicação científica, no dia 30 de Maio de 2000, nasceu Gianna Maria, nome que foi dado em homenagem àquela médica e mãe heróica.

Nas palavras de Dom Serafino Spreafico, Bispo Emérito de Grajaú-MA, “Santa Gianna formou-se como missionária e como tal viveu, ligada ao Brasil por vocação específica...ela agradeceu ao Brasil por tal vocação obtendo de Deus os Dois Milagres Oficiais para a Igreja.”

Muitas graças têm sido alcançadas, em vários países, pela intercessão de Santa Gianna, especialmente por mulheres que não conseguem engravidar ou têm problemas na gestação e/ou no parto, por isso, várias crianças têm recebido o honroso nome de Gianna em agradecimento por sua intercessão


O esposo de Gianna Beretta recorda e narra suas experiências

"Ao buscar entre as lembranças de Gianna algo para oferecer à priora das Carmelitas descalças de Milão, lembra o esposo da beata Gianna Beretta, encontrei em um livro de orações uma pequena imagem na qual, no dorso, Gianna tinha escrito de seu punho e letra estas poucas palavras: "Senhor, faz que a luz que se acendeu em minha alma não se apague jamais".

Com estas e outras anedotas, combinadas com emotivas reflexões, Pietro Molla revelou os perfis desconhecidos de sua esposa Gianna Beretta, falecida em 1962 e beatificada em 24 de abril de 1994 pelo Papa João Paulo II.

Numa emotiva entrevista concedida à jornalista Giuliana Peluchi, Pietro desenhou um perfil e Gianna que definiu com uma só frase: "Minha esposa era uma santa normal".

Peluchi, autora de um livro sobre a vida de Gianna, recebeu uma repentina chamada de Pietro Molla, com quem tinha se reunido em numerosas ocasiões para elaborar a biografia da "mãe coragem" que preferiu oferecer sua vida antes de aceitar a operação que custaria a vida da menina que levava em seu ventre".

"Vão beatificar a Gianna", disse-lhe Pietro, emocionado, por telefone. A jornalista atônita, só atinou de pedir uma última entrevista, já não em busca de dados biográficos, mas para escutar um testemunho de Pietro sobre a vida de sua esposa.

"Jamais acreditei estar vivendo com uma santa. Minha esposa tinha infinita confiança na Providência e era uma mulher cheia de alegria de viver. Era feliz, amava sua família, amava sua profissão de médica, também amava sua casa, a música, a montanha, as flores e todas as coisas belas que Deus nos tinha dado",  confessou à entrevistadora Pietro Molla, enquanto seus olhos brilhavam de intensa emoção. "Sempre me pareceu uma mulher completamente normal, mas como me disse o Monsenhor Carlo Colombo, a santidade não é feita somente de sinais extraordinários. É feita, sobretudo, da adesão cotidiana aos desígnios inescrutáveis de Deus", acrescentou.

Pietro Molla ainda lembra quando o Monsenhor Colombo o chamou para pedir que introduzisse a causa da beatificação de Gianna. "Minha resposta positiva foi muito sofrida. Sentimos que tínhamos que expor algo muito nosso. A história de minha esposa e sua figura de mulher foram cada vez mais conhecidas - A nós e à família de minha esposa nos seguiam chegando numerosas cartas de todas as partes do mundo. Nos escreviam mulheres alemãs e americanas que chamavam a Gianna de "mamãe" , que declaravam que nela encontravam uma amiga e que afirmavam que se dirigiam a ela quando tinham necessidade de ajuda e que a sentiam muito próxima -.

A oração que Gianna Beretta escrevera no verso daquela imagem pedindo que a luz da graça não se apagasse nela jamais, se fez, segundo seu esposo, realidade: "agora vejo que esta luz, que alegrou durante um tempo lamentavelmente brevíssimo minha vida e a de meus filhos, se difunde como uma benção sobre quem a conheceu e a amou. Sobre quem reza a ela e se encomendam a sua intercessão ante Deus. E isto me faz, reviver, de maneira alentadora, o privilégio que o Senhor me concedeu de compartilhar com Gianna uma parte de minha vida".




GIANNA BERETTA MOLLA (um modelo de doação da própria vida)


« Última modificação: 28 de Abril de 2007, 11:53 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #309 em: 28 de Abril de 2007, 12:10 »

Uma capela virtual Monfortina para
parar um pouco e meditar...


"Maria é o Santuário,
o repouso da Santíssima Trindade,
em que Deus está mais magnífica e divinamente presente
que em qualquer outro lugar do universo”.

"Quando Maria lança suas raízes numa alma
maravilhas da graça se produzem.
Quando o Espírito Santo, seu Esposo, A encontra numa alma,
Ele se apodera dessa alma, penetra-a com toda a plenitude,
comunicando-Se-lhe abundantemente”.



S. Luís de Montfort (sec. XVIII)
retrato feito pouco tempo após a sua morte
outro site espanhol sobre este santo
em português: O apóstolo da Cruz


Totus tuus

«Toda a nossa perfeição consiste em sermos conformes a Jesus Cristo, em nos unirmos e consagrarmos a Ele. A mais perfeita de todas as devoções é sem dúvida aquela que nos conforma, nos une e consagra mais perfeitamente a Jesus Cristo.

Ora, porque Maria é, entre todas as criaturas, a mais conforme a Jesus Cristo, conclui-se que, entre todas as devoções, a que melhor consagra e conforma uma alma a Nosso Senhor é a devoção à Santíssima Virgem, sua santa Mãe. 

E quanto mais uma alma for consagrada a Maria,
mais o será a Jesus Cristo.

É por isso que a perfeita consagração a Jesus Cristo não é mais que uma perfeita e total consagração de si mesmo à Santíssima Virgem; esta é a devoção que eu ensino.

Esta forma de devoção pode chamar-se, com toda a propriedade, a perfeita renovação dos votos e promessas do santo Baptismo, porque nela o cristão dá-se totalmente à Santíssima Virgem, para que, por Maria, pertença todo a Cristo.

Assim, a consagração é feita ao mesmo tempo à Santíssima Virgem e a Jesus Cristo: à Virgem Santa Maria, como o modo perfeito que Jesus Cristo escolheu para Se unir a nós e nos unir a Ele; e a Nosso Senhor Jesus Cristo, como nosso fim último, a quem devemos tudo o que somos, porque é o nosso Redentor e o nosso Deus.

Além disso, devemos considerar que todo o homem, quando é baptizado, renuncia solenemente, pela sua própria boca ou pela do seu padrinho e madrinha, a Satanás e às suas tentações e obras, e toma Jesus Cristo como seu Mestre e soberano Senhor, a fim de depender d’Ele na qualidade de escravo de amor.

É o que realmente se faz nesta devoção: o cristão renuncia ao demónio, ao mundo, ao pecado e a si mesmo, e consagra-se totalmente a Jesus Cristo pelas mãos de Maria.

No Baptismo não nos damos a Jesus Cristo pelas mãos de Maria, pelo menos de maneira expressa, e não damos a Jesus Cristo o valor das nossas boas obras. Ficamos, depois do Baptismo, com plena liberdade de aplicar esse valor a quem quisermos ou de o reservar para nós mesmos.

Mas, por esta devoção, damo-nos expressamente a Nosso Senhor pelas mãos de Maria e consagramos-Lhe o valor de todas as nossas acções.»

Texto retirado do tratado
«A verdadeira devoção à Santíssima Virgem»,
de São Luís Maria Grignion de Monfort


"Como se sabe, no meu brasão episcopal, que é a ilustração simbólica do texto evangélico acima citado, o mote Totus tuus está inspirado na doutrina de São Luís Maria Grignion de Montfort (cf. Dom e mistério, págs. 38-39:  Rosarium Virginis Mariae, 15).

Estas duas palavras exprimem a pertença total a Jesus por meio de Maria: 

"Tuus totus ego sum, et omnia mea tua sunt", escreve São Luís Maria;
 e traduz:
 "Eu sou todo teu, e tudo o que é meu te pertence, meu amável Jesus,
por meio de Maria, tua Santa Mãe
"
(Tratado sobre a verdadeira devoção, 233)

A doutrina deste Santo exerceu uma profunda influência sobre a devoção mariana de muitos fiéis e sobre a minha própria vida.

Trata-se de uma doutrina vivida, de grande profundidade ascética e mística, expressa com um estilo vivo e fervoroso, que usa com frequência imagens e símbolos. A partir do tempo em que São Luís Maria viveu, a teologia mariana contudo desenvolveu-se muito, sobretudo mediante o contributo decisivo do Concílio Vaticano II.

Por conseguinte, hoje, deve ser lida novamente e interpretada à luz do Concílio a doutrina monfortina, que conserva de igual modo a sua substancial validade. "

e ainda:

"São Luís Maria Grignion de Montfort constitui para mim uma significativa figura de referência, que me iluminou em momentos importantes da vida.

Quando, como seminarista clandestino, eu trabalhava na fábrica Solvay de Cracóvia, o meu director espiritual aconselhou-me a meditar sobre o Tratado da verdadeira devoção à Santa Virgem.

Li e reli muitas vezes, e com grande proveito espiritual, este precioso livrinho ascético de capa azul que se tinha manchado de soda.

Ao situar a Mãe de Cristo em relação ao mistério trinitário, Montfort ajudou-me a entender que a Virgem pertence ao plano da salvação por vontade do Pai, como Mãe do Verbo encarnado, por Ela concebido por obra do Espírito Santo.

Toda a intervenção de Maria na obra da regeneração dos fiéis não se põe em competição com Cristo, mas d'Ele deriva e está ao seu serviço. A acção que Maria realiza no plano da salvação é sempre cristocêntrica, isto é, faz directamente referência a uma mediação que acontece em Cristo.

Compreendi, então, que não podia excluir da minha vida a Mãe do Senhor, sem desatender a vontade de Deus-Trindade, que quis "iniciar e realizar" os grandes mistérios da história da salvação com a colaboração responsável e fiel da humilde Serva de Nazaré."

João Paulo II no Discurso do VIII colóquio internacional de Mariologia
(Roma, 13 de Outubro de 2000)

UMA VIDA TAMBÉM RECORDADA A 28 DE ABRIL
São Luís Maria Grignion de Montfort



"São Luís nasceu em Montfort (França). Em seus 43 anos de vida, viveu intenso amor a Deus e à Virgem Maria. Como religioso, dedicou-se também ao serviço dos pobres e enfermos. Sua obra mais conhecida é o "Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem". Fundou a Companhia de Maria e das filhas da Sabedoria. Seu dia é celebrado em 28 de abril.

Os primeiros anos


Luís nasceu em 1673, na região de Bretanha (França), sendo o primogênito de oito filhos. Sua família possuía poucos recursos. O pai, bastante autoritário, parece ter transmitido ao filho o mesmo temperamento. No entanto, em sua vida, Luís lutou contra a tendência ao autoritarismo.

Ao ser batizado, ele recebera o nome de Luís; posteriormente, quando recebeu o sacramento da confirmação, acrescentou, pela devoção a Nossa Senhora, o nome de Maria. Já adolescente, iniciou os estudos no colégio dos padres jesuítas de Rennes, onde permaneceu por 8 anos. Lá travou uma amizade profunda e construtiva com os carmelitas, famosos e procurados pelo estilo santo de vida e pela devoção a Nossa Senhora. A partir do contato com os religiosos, Luís Maria aprendeu a vivenciar a espiritualidade pela qual tudo devia ser feito em Maria, com Maria e por Maria.

Aos 20 anos, sentindo-se chamado ao sacerdócio, foi se preparar em Paris, ingressando no seminário de Saint-Sulpice. Como seminarista, mostrou-se entusiasmado e zeloso para catequizar as crianças mais simples. Dedicava-se, também, a severas penitências e à oração prolongada.

Sacerdote aos 27 anos


Em 1700, Luís Maria recebeu a ordenação sacerdotal, sendo nomeado capelão de hospital em Poitiers, onde trabalhou em favor de doentes, organizando o núcleo da Congregação das Filhas da Divina Sabedoria. Sua fama de pregador começou a atrair muitas pessoas, tornando-se o apóstolo da fé cristã que, naquele tempo, era duramente contaminada pelas heresias dos jansenistas e calvinistas.

A França, de fato, estava sendo influenciada pela doutrina jansenista, que apresentava aos fiéis uma imagem destorcida de Deus como alguém tirânico e sem misericórdia, diante do qual se devia assumir uma atitude de temor e tremor.

Pregador incansável


Apesar de muitas pessoas, e até multidões, acorrerem às suas pregações, Luís Maria foi proibido de exercer seu ministério pastoral pelo bispo de Poitiers, que estava sendo pressionado pelos inimigos de padre Luís Maria.

Também teve de renunciar ao cargo de capelão naquela cidade, o que, sem dúvida, lhe causou sofrimento e pesar. Mas não desanimou; resolveu ir a Roma, a fim de pedir que o Papa lhe concedesse permissão para trabalhar como missionário. Fez a pé a viagem até Roma, sendo recebido pelo Papa Clemente XI. Após determinar sua permanência na França, onde seu zelo seria muito útil, o Pontífice conferiu-lhe o título de "missionário apostólico".

Então, Luís Maria retornou à sua terra de origem, a Bretanha, onde começou um apostolado extraordinário de pregações. Com seu crucifixo e uma pequena imagem de Nossa Senhora, levava uma palavra de conforto a todos, acendendo, no coração dos ouvintes, a chama quase apagada da fé e do amor.

Era acompanhado por um grupo de amigos sacerdotes, a pedido os quais fundou a Congregação da Companhia de Maria, também conhecida como monfortanos.

Perseguições, apostolado e morte


Embora as comunidades paroquiais apreciassem sua pregação vibrante e cheia de emoção, seus críticos, sobretudo os de tendência jansenista, não paravam de criar-lhe obstáculos. Sofrendo perseguições constantes e violentas, foi-lhe proibido apresentar-se em certas igrejas.

Perseverava, porém, em sua ação evangelizadora, restaurando igreja em ruínas, erigindo cruzes, socorrendo os que mais precisavam, pedindo que as pessoas queimassem livros nocivos à fé. A mais importante devoção que inculcava no povo era a recitação do rosário. Para que se tornasse uma oração atraente, preparou hinos, cânticos e orações em verso, que até hoje são utilizadas em algumas regiões da França. Sua missão foi coroada de numerosas conversões, particularmente em La Rochelle, que apresentava o baluarte do jansenismo naquele tempo.

Quando estava em missão na localidade de Saint-Laurent-sur-Sèvre, sobreveio-lhe uma enfermidade fatal em função do esgotamento causado pelas andanças e pelo esforço missionário. Morreu em 27 de abril de 1716, aos 43 anos de idade. A seu enterro, participaram mais de 100 mil pessoas.

Beatificado por Leão XIII em 1888, Luís Maria foi canonizado por Pio XII em 20 de julho de 1947.

Sua herança


Além de poesias e hinos, a principal obra literária de São Luís Maria é o "Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem", em que encontramos a mariologia vivenciada pelo santo. Pelas indicações contidas nesse tratado, a devoção à Virgem Maria leva a uma prática que ele chamava de "escravidão" à Santíssima Virgem, pela qual os fieis entregam a Maria os bens interiores e exteriores, para que de tudo ela disponha segundo o agrado de Deus."

(Extraído de O Mensageiro de Santo Antônio - Abril de 2007)



«Quando Deus quer fazer alguém muito santo,
fá-lo devoto de Nossa Senhora»
S. Luís de Montfort

Ainda retirado do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem:
A Devoção à Santíssima Virgem será especialmente necessária
nesses últimos tempos:
nº 2 - Os apóstolos dos últimos tempos


FUNDADOR da familia Monfortina...

Um site monfortino muito variado (em Português do Brasil) e até com materiais para download

Outros documentos que pode consultar entre os quais o tratado de S. Luís de Montfort, que aqui surge como O tratado da verdadeira devoção à Santíssima Trindade (no final da lista antes das Referências Bibliográficas)

« Última modificação: 28 de Abril de 2007, 14:25 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #310 em: 28 de Abril de 2007, 16:01 »

Ainda a 28 de Abril...



S. Pedro Chanel (Cuet, França, 1803 - Futuna, Oceania, 1841)
grande missionário marista & padroeiro da Oceania

"o homem de bom coração"

Nasceu em Cuet (Lyon, França) no ano de 12 de Julho 1803 no meio rural Iniciou a vida religiosa incentivado por um pároco de nome Thompier

Em 1824, ingressou no seminário de Bourg e, 3 anos depois, em 1827 foi ordenado sacerdote. Por vontade de seu bispo, aceitou ser vigário de Amberieu e de Gex sob a orientação de Pe. Colin. Foi então que entrou para a Sociedade de Maria. O desejo de Pedro Chanel era de partir imediatamente para a Oceania, a fim de incluir-se no processo de evangelização de seus habitantes.

Em 1837 embarcou finalmente junto aos primeiros missionários para Futuna, uma pequena ilha no Oceano Pacífico, no arquipélago de Tonga e entregou-se generosamente à missão durante quatro anos

Consta que conseguiu a simpatia dos mais jovens pela sua doutrina e pela sua presença pessoal. Por outro lado, levantou a hostilidade dos mais velhos, ciosos das suas tradições e costumes, ameaçados pelo "sacerdote branco".

Avisado pelos amigos do risco que corria e para que deixasse a ilha, São Pedro ignorou o aviso e decidiu permanecer e continuar a pregação.

Nessa ilha, o povo estava dividido por duas tribos que estavam em guerra entre si.

Foi pelos golpes de bastão do genro do Cacique Musumusu, furioso com o fato de o santo ter convertido ao cristianismo alguns membros de sua família, que Santo Pedro faleceu aos 38 anos, no dia 28 de Abril de 1841 .

O corpo de S. Pedro Chanel foi exumado e os restos mortais foram para a Nova Zelandia e daí para Lyon para a casa-mãe da Sociedade de Maria.

Foi canonizado pelo papa Pio XII em 1954


Texto da Liturgia das Horas
Elogio de São Pedro Chanel,
presbítero e mártir

O sangue dos mártires é semente de cristãos

«Pedro, logo que abraçou a vida religiosa na Sociedade de Maria, foi mandado a seu pedido para as missões da Oceânia e aportou à ilha de Futuna no Oceano Pacífico, onde ainda não tinha sido anunciado o nome de Cristo.

Um religioso leigo que sempre o acompanhou assim descreve a sua vida missionário:

«Depois dos seus trabalhos, voltava a casa abrasado pelo ardor do sol, muitas vezes enfraquecido pela fome, banhado em suor e morto de cansaço, mas sempre animado, ágil e satisfeito, como se regressasse dum lugar de delícias; isto não uma vez, mas quase todos os dias.

Não costumava negar coisa alguma aos habitantes de Futuna, nem sequer aos que o perseguiam. Sempre os desculpava e nunca os repelia, por mais rudes e incómodos que fossem. Tratava a todos com extraordinária amabilidade, que manifestava de muitos modos, sem exceptuar ninguém».


Não é pois de admirar que os indígenas chamassem «homem de grande coração» àquele que algumas vezes dissera a seus irmãos em religião:
«Em missão tão difícil bem preciso é que sejamos santos»

Pouco a pouco foi anunciando o Evangelho de Cristo, mas pouco fruto conseguia. Apesar disso, continuava com invencível constância o seu trabalho missionário, ao mesmo tempo humanitário e religioso, confiando no exemplo e nas palavras de Cristo: Um é o que semeia e outro o que ceifa. E pedia com insistência o auxílio da Mãe de Deus, por quem tinha particular devoção.

A sua pregação da religião cristã destruiu o culto dos maus espíritos, que os notáveis de Futuna fomentavam para conservar o povo sob o seu domínio.

Foi esta a razão que os levou a assassiná-lo cruelmente com a esperança de fazerem desaparecer, com esta morte, as sementes da religião cristã, que Pedro tinha lançado à terra.

Mas ele próprio dissera na véspera do martírio:

«Nada importa que eu morra;
 o cristianismo está tão arraigado nesta ilha,
que não será arrancado com a minha morte»

O sangue do mártir frutificou primeiramente nos habitantes de Futuna, que, poucos anos mais tarde, abraçaram todos a fé de Cristo; mas frutificou também nas outras ilhas da Oceânia, onde existem agora Igrejas cristãs muito florescentes, que têm e invocam a Pedro como seu primeiro mártir. »



A Sociedade de Maria - Padres e Irmãos Maristas
um site em Português sobre esta Sociedade

A Provincia da Australia da Sociedade de Maria (Maristas), em inglês
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« Responder #311 em: 28 de Abril de 2007, 16:41 »

Santa Catarina de Sena


Leiga da Ordem Terceira de S. Domingos & Doutora da Igreja
Mística e Padroeira da Europa
 29 de Abril


Santa Catarina de Sena nasceu em Sena, Itália, em 25 de Março de 1347. Era a mais moça de vinte ou mais irmãos. Catarina desde pequena tinha visões e fazia penitências e austeridades, contra uma severa oposição familiar. Aos sete anos consagrou sua virgindade a Cristo e com apenas 16 anos tomou o hábito da Terceira Ordem Dominicana. Sempre sofria de doenças e praticamente não se alimentava, à exceção do Santíssimo Sacramento.

Santa Catarina tinha um grupo de seguidores que a acompanhava em suas inúmeras viagens. Foi responsável por várias conversões. Ela não sabia escrever, mas ditou mais de 350 cartas e o livro Diálogos, que trata da vida espiritual do homem em forma de uma série de colóquios entre o Pai Eterno e a alma humana (representada pela própria Santa Catarina).

Os últimos anos de sua vida foram dedicados a questões políticas da Igreja. Nesta época, o Papado estava em Avignon e não em Roma, e a Cúria sofria influências francesas. Santa Catarina juntou-se às pessoas que clamavam pela volta do Papa Gregório XI a Roma. Em 17 de janeiro de 1377, o dia em que o Papa partiu de volta para Roma por mar, Santa Catarina e seus seguidores iniciaram o mesmo trajeto por terra.

Em 1378, após a morte de Gregório XI, Urbano VI é eleito Papa em Roma, e um rival é posto em Avignon. Santa Catarina tenta, com suas cartas, o reconhecimento da legitimidade do Papa Urbano VI por parte de governantes e cardeais europeus. O Papa convida-a a Roma para ajudá-lo nesta causa, e ela vai. Em 1380, sofre um derrame e morre dias depois, em 29 de abril. Sua cabeça está em Sena, onde se mantém sua casa, e seu corpo está em Roma, na Igreja de Santa Maria Sopra Minerva, próximo ao de Fra Angelico.

Um de seus seguidores e seu confessor, Fra Raimundo de Cápua, posteriormente Mestre da Ordem Dominicana, escreveu a biografia de Santa Catarina, que influenciou seu processo de canonização, levado a efeito em 1461 pelo Papa Pio II. Foi declarada Doutora de Igreja em 1970


Presente Uma biografia mais detalhada, proposta pelos Dominicanos

Presente uma outra proposta em espanhol

Presente um artigo Português

Presente Um estudo interessantíssimo sobre Santa Catarina de Sena e não só:
OS PARADOXOS DE SANTIDADE - Primeira ParteI, Gustavo Corção

Presente João Paulo II na HOMILIA do VI Centenário da morte de Santa Catarina de Sena (29 de Abril de 1980)
Uma ida até Sena? (em espanhol)

Presente um programa americano de rádio dedicado a Santa Catarina de Sena (só para quem domina o Inglês, é claro): duração de 27 min. 35 sec... Uma biografia repleta de episódios interessantes que acompanharam a sua vida terminando com uma oração que a própria santa rezava) Quem sabe se não é um dia não encontro em português? Assim o espero


a cabeça de Santa Catarina de Sena


 Presente Extractos/ Cheirinhos de obras de Santa Catarina (Diálogo ou o Tratado da Divina Providência; Cartas; Orações):

 Presente Das “Cartas” de Santa Catarina de Sena (1347-1380) (carta n.165 a Bartolomea, esposa de Salviato da Lucca):

Abraça Jesus crucificado, amante e amado

"Querida irmã em Jesus. Eu, Catarina, serva dos servos de Jesus, escrevo-te no seu precioso sangue, desejosa que te alimentes do amor de Deus e que dele te nutras, como do seio de uma doce mãe. Ninguém, de facto, pode viver sem este leite!

Quem possui o amor de Deus, nele encontra tanta alegria que cada amargura se transforma em doçura e cada grande peso se torna leve. E isto não nos deve surpreender porque, vivendo na caridade, vive-se em Deus:
“Deus é amor; quem permanece no amor habita em Deus e Deus habita nele”.

Vivendo em Deus, por conseguinte, não se pode ter amargura alguma porque Deus é delícia, doçura e alegria infinita! É esta a razão pela qual os amigos de Deus são sempre felizes! Mesmo se doentes, necessitados, aflitos, atribulados, perseguidos, nós estamos alegres.

Mesmo quando todas as línguas caluniosas nos metessem em má luz, não nos preocuparemos, mas nos alegraremos com tudo porque vivemos em Deus, nosso repouso, e saboreamos o leite do seu amor. Como a criança suga o leite do seio da mãe assim nós, inamorados de Deus, atingimos o amor de Jesus Crucificado, seguindo sempre as suas pegadas e caminhando com ele pelo caminho das humilhações, das penas e das injúrias.

Não procuramos a alegria se não em Jesus e fugimos de toda a glória que não seja aquela da cruz.

Abraça, portanto, Jesus Crucificado elevando a ele o olhar do teu desejo! Toma em consideração o seu amor ardente por ti, que levou Jesus a derramar sangue de todas as partes do seu corpo! 

Abraça Jesus Crucificado, amante e amado e nele encontrarás a verdadeira vida, porque ele é Deus que se fez homem. Que o teu coração e a tua alma ardam pelo fogo do amor do qual foi coberto Jesus cravado na cruz!

Tu deves, portanto, tornar-te amor, olhando para o amor de Deus, que tanto te amou, não porque te devesse obrigação alguma, mas por um puro dom, impelido somente pelo seu inefável amor.

Não terás outro desejo para além daquele de seguir Jesus! E, como que inebriada do Amor, não farás caso se te encontras só ou acompanhada: não te preocuparás com tantas coisas mas somente de encontrar Jesus e segui-lo!
Corre, Bartolomea, e não estejas a dormir, porque o tempo corre e não espera nem um momento!

Permanece no doce amor de Deus.
Doce Jesus, amor Jesus."

Presente Neste cantinho pode ler:

Rosa Carta No. 24 - ao cura Biringhieri Arzochi (A um sacerdote pouco exemplar)
Rosa O Diálogo - Palavras do Pai Eterno ditadas pela santa no momento mesmo dos êxtases / 28.1 - A impureza / (28.6.4 - Visão de Catarina sobre a impureza)

PresenteCarta aos encarcerados de Sena, Tradução de Frei João Alves Basílio

Presente Carta à Rainha de Nápoles.

[...] Abri. Abri os olhos do intelecto, e não durmais mais em tanta cegueira! Não deveríeis ser tão ignorante nem tão separada do verdadeiro lume, que vós não conhecêsseis a vida celerada sem nenhum temor de Deus, destes que vos puseram em tanta heresia, que os frutos que deles nascem, vos mostram que árvores eles são.

A sua vida mostra-vos que não dizem a verdade, que os conselheiros que eles têm em redor e de fora e de dentro, os quais podem ser homens de ciência, mas não o são de virtude, nem homensde vida louvável, mas antes repreensível por muitos defeitos.

 Onde está o justo homem que eles elegeram por antipapa, se em verdade o nosso sumo pontífice, o Papa Urbano VI, não fosse verdadeiro vogário de Cristo?

Data provável: 1378 ou início de 1379. Neste período, Urbano VI ainda pensava mandar Catarina a Nápoles

Presente o texto escolhido para a Liturgia das Horas: Do «Diálogo da Divina Providência»

Saboreei e vi

«Ó Divindade eterna, ó eterna Trindade, que, pela união com a natureza divina, tanto fizestes valer o Sangue de vosso Filho Unigénito! Vós, Trindade eterna, sois como um mar profundo, no qual quanto mais procuro mais encontro, e quanto mais encontro, mais cresce a sede de Vos procurar.

Saciais a alma, mas dum modo insaciável, porque, saciando-se no vosso abismo, a alma permanece sempre faminta e sedenta de Vós, ó Trindade eterna, desejando ver-Vos com a luz da vossa luz.

Saboreei e vi com a luz da inteligência, ilustrada na vossa luz, o vosso abismo insondável, ó Trindade eterna, e a beleza da vossa criatura. Por isso, vendo-me em Vós, vi que sou imagem vossa por aquela inteligência que me é dada como participação do vosso poder, ó Pai eterno, e também da vossa sabedoria, que é apropriada ao vosso Filho Unigénito. E o Espírito Santo, que procede de Vós e do vosso Filho, me deu a vontade com que posso amar-Vos.

Porque Vós, Trindade eterna, sois criador e eu criatura; e conheci – porque Vós mo fizestes compreender quando me criastes de novo no Sangue do vosso Filho – conheci que estais enamorado da beleza da vossa criatura.

Oh abismo, oh Trindade eterna, oh Divindade, oh mar profundo! Que mais me podíeis dar do que dar-Vos a Vós mesmo? Sois um fogo que arde sempre e não se consome. Sois Vós que consumis com o vosso calor todo o amor profundo da alma. Sois um fogo que dissipa toda a frialdade e iluminais as mentes com a vossa luz, aquela luz com que me fizestes conhecer a vossa verdade.

Espelhando-me nesta luz, conheço-Vos como sumo bem, o bem que está acima de todo o bem, o bem feliz, o bem incompreensível, o bem inestimável, a beleza sobre toda a beleza, a sabedoria sobre toda a sabedoria: porque Vós sois a própria sabedoria, o alimento dos Anjos, que com o fogo da caridade Vos destes aos homens.

Sois a veste que cobre toda a minha nudez; e alimentais a nossa fome com a vossa doçura, porque sois doce sem qualquer amargor. Oh Trindade eterna!»

QUINZE DIAS COM SANTA CATARINA DE SENA:

« O ponto de partida para estes dias de oração, é um convite a inverter a marcha.

Nós dizemos: «Eu sou», «Eu existo», «Eu amo», «Eu não amo», «Eu vivo», «Eu rebento» … e às vezes, desabafamos: «Estou farto».

 Em suma, mesmo de rastos, o nosso «Eu» anda de boa saúde. «E Deus, no meio de tudo isso? Será que está presente»?

Os dois primeiros dias levar-nos-ão a uma descentralização e a uma concentração. Deus diz: «Eu sou» e mostra-nos, com amor, que nós não somos senão por Ele. Esta revelação leva-nos a vincular alegremente a nossa vida, não ao «eu», mas ao «Tu»: fomos feitos para contemplar e admirar, pois «somos feitos só de amor».

«O insensato diz: “Deus não existe”» (Sl 13), porque julga que a liberdade tem esse preço. Catarina ajuda-nos a receber a nossa vida do Criador, pois a nossa liberdade tem nele a sua fonte. Penetremos, pois, no conhecimento de nós próprios em Deus em nós.

Geralmente o sentimento de não ser nada é experimentado como uma descida aos infernos, uma «queda» das alturas, uma experiência do vazio em que giramos em torno de nós próprios.

Mas neste caso, a revelação do nosso nada é fonte de alegria, pois nos é dada no encontro com um Deus «apaixonado pela sua criatura», não tendo nós contribuído para tal de «maneira nenhuma».

A seguir a estes primeiros passos no conhecimento e no reconhecimento, penetremos mais ainda na intimidade de Cristo, a fim de nos deixarmos transformar por Ele. A maneira mas segura de nos parecermos com Ele, é reparar no empenho com que se deu.

 O caminho mais curto, é «atravessara ponte» - largar as mãos e deixar-se levar – e contemplar com que liberdade Cristo se ofereceu na cruz para nos acolher no seu lado aberto e no inundar do seu amor.

A cruz é o eixo central destes quinze dias, porque ela é o lugar do «a Deus». É aí que o conhecimento interior de Cristo se aprofunda até à comunhão suprema: «Permanecei no meu amor» (Jo 15,9).

O símbolo duradouro desta intimidade é o sangue de Cristo que irriga as nossas vidas pelos sacramentos.

Foi também na cruz que Jesus suportou a nossa falta de fidelidade no momento da crise e o endurecimento de muitos no momento do Dom supremo. Ao longo destes dias, estará em foco a «sombra do amor próprio», as tentações de abandono, e o amor tão fascinante de Cristo na cruz para com os pecadores que nós somos.

O fruto final desta contemplação é a oferta de si mesmo - «toma a minha vida» - por amor de Cristo e do seu Corpo – a Igreja e a humanidade inteira com a qual Ele faz corpo. Este oferecimento inscreve-se na liberdade espantosa com que Maria se ofereceu quando da Anunciação: nesse dia, Deus inscreve-se nessa total disponibilidade humana e, humildemente, faz a sua morada entre nós.»

Os temas/ reflexões terminam sempre em oração e são os seguintes:

Rosa Quem sou eu?  Rosa A sarça ardente   Rosa A casa do conhecimento próprio e de Deus  Rosa Memória, inteligência e vontade cheias de Deus ou de mim?  Rosa Viver à imagem da Trindade   Rosa Elevar-se para a Misericórdia e descer até ao vale da Humildade  Rosa O rio da mentira e a ponte da verdade  Rosa A impotência e a graça  Rosa Graça e ingratidão


« Última modificação: 28 de Abril de 2007, 17:59 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #312 em: 28 de Abril de 2007, 23:44 »

29 de Abril



O Martírio de S. Pedro de Verona, Dominicano e Inquisidor

"4. Santa Catarina de Sena escreve que, com o martírio, o coração deste insigne defensor da fé, ardente de caridade divina, continuou a derramar "luz nas trevas das numerosas heresias". O seu próprio assassino, Carino de Balsamo, a quem ele perdoou, converteu-se e, posteriormente, tomou o hábito dominicano."

Carta de João Paulo II ao Cardeal Carlo Maria Martini, Arcebispo de Milão, aquando do 750ª aniversário do martírio de S. Pedro de Verona (Vaticano, 25 de Março de 2002)


S. Pedro de Verona segurando o Credo
( 1205 - 1252)

"Pedro nasceu em Verona no ano de 1205. Seus pais eram hereges maniqueus, adeptos da doutrina religiosa herética do persa Mani, Manes ou Maniqueu, caracterizada pela concepção dualista do mundo, em que espírito e matéria representam, respectivamente, o bem e o mal.

Entretanto, o único colégio que havia no local era católico e lá o menino não só aprendeu as ciências da vida como os caminhos da alma. Pedro se converteu e se separou da família, indo para Bolonha para terminar os estudos. Ali acabava de ser fundada a Ordem dos Dominicanos, onde ele logo foi aceito, recebendo a missão de evangelizar. Foi o que fez, viajando por toda a Itália, espalhando suas palavras fortes e um discurso de fé que convertiam as massas. Todas as suas pregações eram acompanhadas de graças, que impressionavam toda comunidade por onde passava. E isso logo despertou a ira dos hereges.

Primeiro inventaram uma calúnia contra ele. Achando que aquilo era uma prova de Deus, Pedro não tentou provar inocência. Aguardou que Jesus achasse a hora certa de revelar a verdade. Foi afastado da pregação por um bom tempo, até que a mentira se desfez sozinha, e ele foi chamado de volta e aclamado pela comunidade.

Voltando às viagens evangelizadoras, seus inimigos o afrontaram de novo tentando provar que suas graças não passavam de um embuste. Um homem fingiu estar doente, e outro foi buscar Pedro. Este, percebendo logo o que se passava, rezou e pediu a Deus que, se o homem estivesse mesmo doente, ficasse curado. Mas, se a doença fosse falsa, então que ficasse doente de verdade. O maniqueu foi tomado por uma febre violentíssima, que só passou quando a armadilha foi confessada publicamente. Perdoado por Pedro, o homem se converteu na mesma hora. Pedro anunciou, ainda, não só o dia de sua morte, como as circunstâncias em que ela ocorreria. E, mesmo tendo esse conhecimento, não deixou de fazer a viagem que seria fatal.

No dia 29 de abril de 1252, indo da cidade de Como para Milão, foi morto com uma machadada por um maniqueu que o emboscou. O nome do assassino era Carin, que, mais tarde, confessou o crime e, cheio de remorso, se internou como penitente no convento dominicano de Forli. "
Portal Paulinas


junto ao tumulo de S. Pedro de Verona
este quadro foi encomendado  por Torquemada, Inquisidor-mor, para uma Igreja em Avila

                   
O Maniqueismo, uma heresia

Maniqueu e sua doutrina


      Maniqueu nasceu em 14 de abril do ano 216, no sul da Babilônia, região atualmente situada no Iraque, e na juventude sentiu-se chamado por um anjo para pregar uma nova religião. Pregou na Índia e em todo o império persa, sob a proteção do soberano sassânida Sapor (Shapur) I. Durante o reinado de Bahram I, porém, foi perseguido pelos sacerdotes do zoroastrismo e morreu em cativeiro entre os anos 274 e 277, na cidade de Gundeshapur.

      Maniqueu se acreditava o último de uma longa sucessão de profetas, que começara com Adão e incluía Buda, Zoroastro e Jesus, e portador de uma mensagem universal destinada a substituir todas as religiões. Para garantir a unidade de sua doutrina, registrou-a por escrito e deu-lhe forma canônica. Pretendia fundar uma religião ecumênica e universal, que integrasse as verdades parciais de todas as revelações anteriores, especialmente as do zoroastrismo, budismo e cristianismo.

      O maniqueísmo é fundamentalmente um tipo de gnosticismo, filosofia dualista segundo a qual a salvação depende do conhecimento (gnose) da verdade espiritual. Como todas as formas de gnosticismo, ensina que a vida terrena é dolorosa e radicalmente perversa. A iluminação interior, ou gnose, revela que a alma, a qual participa da natureza de Deus, desceu ao mundo maligno da matéria e deve ser salva pelo espírito e pela inteligência.

      O conhecimento salvador da verdadeira natureza e do destino da humanidade, de Deus e do universo é expresso no maniqueísmo por uma mitologia segundo a qual a alma, enredada pela matéria maligna, se liberta pelo espírito. O mito se desdobra em três estágios: o passado, quando estavam radicalmente separadas as duas substâncias, que são espírito e matéria, bem e mal, luz e trevas; um período intermediário (que corresponde ao presente) no qual as duas substâncias se misturam; e um período futuro no qual a dualidade original se restabeleceria.

      Na morte, a alma do homem que houvesse superado a matéria iria para o paraíso, e a do que continuasse ligado à matéria pelos pecados da carne seria condenada a renascer em novos corpos

Maniqueísmo como religião


      A ética maniqueísta justifica a gradação hierárquica da comunidade religiosa, uma vez que varia o grau de compreensão da verdade entre os homens, fato inerente à fase de interpenetração entre luz e trevas. Distinguiam-se os eleitos, ou perfeitos, que levavam vida ascética em conformidade com os mais estritos princípios da doutrina. Os demais fiéis, chamados ouvintes, contribuíam com trabalho e doações. Por rejeitar tudo o que era material, o maniqueísmo não admitia nenhum tipo de rito nem símbolos materiais externos. Os elementos essenciais do culto eram o conhecimento, o jejum, a oração, a confissão, os hinos espirituais e a esmola.

      Por sua própria concepção da luta entre o bem e o mal e sua vocação universalista, o maniqueísmo dedicou-se a intensa atividade missionária. Como religião organizada, expandiu-se rapidamente pelo Império Romano. Do Egito, disseminou-se pelo norte da África, onde atraiu um jovem pagão que mais tarde, convertido ao cristianismo, seria doutor da igreja cristã e inimigo ferrenho da doutrina maniqueísta: santo Agostinho. No início do século IV, já havia chegado a Roma.

      Enquanto Maniqueu foi vivo, o maniqueísmo se expandiu para as províncias ocidentais do império persa. Na Pérsia, apesar da intensa perseguição, a comunidade maniqueísta se manteve coesa até a repressão dos muçulmanos, no século X, que levou à transferência da sede do culto para Samarcanda. Missionários maniqueístas chegaram no fim do século VII à China, onde foram reconhecidos oficialmente até o século IX. Depois foram perseguidos, mas persistiram comunidades de adeptos no país até o século XIV. No Turquestão oriental, o maniqueísmo foi reconhecido como religião oficial durante o reino Uighur -- séculos VIII e IX -- e perdurou até a invasão dos mongóis, no século XIII.



Ruínas do palácio do rei persa Sapor I, protector de Maniqueu
(Pérsia,  século III da era cristã)

Santo Agostinho e a sua fase maniqueista


Santo Agostinho por Maria Teresa Castaño (2004)
 Kaohsiung, Taiwan.

Agostinho, aos 19 anos, vive uma primeira conversão à filosofia, quando estuda em Cartago, ao ler o Hortensius de Cícero. Era um livro escrito para animar as pessoas a abraçar a carreira filosófica e que se propõe aos estudantes, tanto por sua forma literária, como pela proposta para ao leitor. Agostinho ficou maravilhado pelo livro, que despertou sua ilusão e vocação pela busca da verdade.

Para Agostinho este livro foi uma “epístrofe” ou conversão intelectual, porém não teve conseqüências de “metanoia” ou conversão moral. Uma vez que ouve falar da verdade deste modo, se lança na busca de Jesus Cristo como conseqüência da educação cristã que teve desde menino. De fato, os livros platônicos e o mesmo Hortensius lhe defraudam desde o momento em que não falavam de Cristo.

O livro de Cícero apresentava três pontos essenciais: a renúncia às riquezas, a renúncia às honras e a renúncia ao matrimônio, pois estando casado não poderia viver a prática da filosofia. Uma vez que os assume, tenta buscar na Sagrada Escritura o que Cícero não lhe oferecia. É então que se desmorona sua primeira busca na Palavra de Deus, da qual se sente profundamente defraudado.

Tem-se dito que Agostinho rejeita as Escrituras porque literariamente parecem-lhe indignas. Sem dúvida se pode dar outra série de razões de maior peso:

No livro das Confissões Agostinho indica que não voltou a reler o livro de Cícero “para dar mais substância às minhas expressões” (Conf 3,4,7). Assim, não lhe interessa tanto o estilo literário de Cícero, na verdade deixa as formas em segundo plano. Não parece que ao ler a Bíblia buscasse seu interesse literário. Em outros capítulos de seu livro, Agostinho ressalta que, ao ler livros, o estilo não lhe interessa tanto quanto o conteúdo (cf. Conf 4,3,5; 5,6,10; 5,13,23).

Os maniqueístas admitiam a Sagrada Escritura. Além disso, utilizavam a mesma versão que os católicos, exceto na forma em que se fixavam às passagens mais embaraçosas. Depois de rejeitar as Escrituras, em poucos dias Agostinho se faz maniqueísta e, portanto, voltou a utilizá-la.

Agostinho diz que quando leu “aquela escritura” se sentiu frustrado: ou seja, fala de uma passagem concreta, pois quando se refere à totalidade da Bíblia o faz sempre no plural: “as escrituras”. Além disso, o Sermão 51,5,6 nos diz exatamente qual foi a passagem que lhe fez sentir-se diminuído: a genealogia de Cristo no Evangelho de Mateus. Ele encontra em seu conteúdo contradições consideradas graves, sobretudo ao ser comparada com a outra genealogia de Jesus do Evangelho de Lucas.

Certamente, um dos habituais discursos proselitistas dos seguidores do maniqueísmo estava baseado na desonra dos católicos, porque em seus livros sagrados se encontravam graves contradições. Os maniqueístas eliminam estes textos, entre eles os relativos às genealogias. Agostinho não rejeita as Escrituras por seu estilo literário, mas porque a cada passo encontrava mistérios e presumidas contradições. O que não se podia aceitar num caminho para a verdade.

Os maniqueístas lhe oferecem a Sagrada Escritura, porém livre destas passagens misteriosas, sem incoerências nem dúvidas. Desde então se aproxima a ela com ânsia de avaliação do seu conteúdo, com intenção de julgá-la a partir de sua sabedoria no campo lingüístico. O Agostinho maniqueísta procura dar uma “qualitas” e uma “dignitas” à Escritura.

Quando Agostinho lê as genealogias, lhe parecem como um texto sem autoridade, com incoerências internas, tudo ao contrário ao que Cícero e os autores clássicos lhe ofereciam.

Se Agostinho pouco depois volta a tomar as Escrituras de uma forma racional, dando a Cristo uma máxima autoridade, é porque os maniqueístas com sua propaganda lhe fazem aproximar-se delas a partir de outro ponto de vista. Agostinho leu um dos textos típicos apresentados pelos maniqueístas para mostrar as contradições dos católicos. Cícero e o Hortensius por sua vez não satisfazem a sua ânsia de encontrar a verdade em Cristo. A partir daí os maniqueístas o atraem plenamente.

O maniqueísmo tinha uma metafísica materialista e dual (princípio do bem e do mal, ambos eternos e imutáveis), panteísta (tudo pertence e é emanação de um destes dois princípios) e com uma moral que partia do princípio dos selos: frente, boca, peito e mãos, ou o que é o mesmo, pensamento, palavra, sentimento e obras.

Depois de um tempo de aprendizagem, Agostinho terá uma nova evolução que parte de suas dúvidas, nunca respondidas pelos maniqueístas:

A primeira dúvida era científica.
Os maniqueístas tinham a astrologia como uma ciência fundamental para conhecer a realidade. Não obstante, muitos de seus livros se contradizem, ou não têm a menor visão científica do que dizem.

A segunda foi escriturística.
Um presbítero católico de Cartago chamado Elpídio, defendia a Sagrada Escritura sempre em público, tal como a recebera da tradição, ou seja, ao modo católico. Agostinho nunca escutou uma só resposta leal e válida dos maniqueístas às objeções que Elpídio colocava aos maniqueístas em seu jeito de tirar da Escritura os textos que ofereciam dificuldades.

A terceira dúvida foi metafísica.
Nebrídio, amigo de Agostinho, lhe pergunta de que serve estar numa luta contínua de dois princípios, o do bem e o mal, se nenhum deles vai ganhar. Se ambos os princípios são imutáveis, não se entende que estejam em luta, pois em nada vão mudar. Agostinho busca a resposta à pergunta sem que nenhum dos maniqueístas mais importantes lhe possa dar uma resposta lógica.

Convidam-lhe para que apresente as três dúvidas a Fausto, que era considerado o mais sábio dos maniqueístas. Este não respondeu seriamente a nenhuma delas.
 
Em Cartago, portanto, Agostinho começou a se desencantar do maniqueísmo.
Porém aconteceu um episódio que lhe fez abandoná-lo definitivamente: Agostinho chegou em Roma no mesmo momento em que a seita maniqueísta de lá estava recebendo uma importantíssima quantidade de dinheiro doado por Constâncio, um rico que deu à seita todos os seus bens com a condição de que fundassem uma comunidade maniqueísta com grande exigência moral.

Mas aconteceu que os primeiros que ficaram por fora desse projeto de comunidade foram os professores maniqueístas. Então Agostinho descobriu que a vida que proclamavam e ensinavam não era a que viviam privadamente.

Agostinho se desilude tanto do maniqueísmo, que cai de forma quase imediata num ceticismo filosófico, crendo que a verdade existe sim, porém não pode ser conhecida e não há caminho algum para que se chegue a ela.

Santo Agostinho superou esta etapa pensando em suas próprias capacidades e qualidades, em seus desejos de busca e na exposição do problema da fé e a razão. Chegou à conclusão de que para alcançar a verdade é necessário a fé. Os maniqueístas tinham lhe apresentado como dilemas ambas as realidades. No entanto, ao superar o ceticismo, Agostinho descobriu que as duas realidades não são contraditórias, e sim complementares.

Deste modo não se torna difícil aceitar as Escrituras, mesmo com suas contradições literárias, a partir da humildade: primeiro crer, e crendo se chega a conhecer, e daí passa-se a entender.

Agostinho, quando voltou ao cristianismo, morava já em Milão, onde ía escutar com freqüência o bispo católico, Santo Ambrósio. Assim começa a aceitar o “espiritual”, a fé na Igreja e, finalmente, todo o credo católico. Daí rejeitará tanto o dualismo maniqueísta como o ceticismo que nada soluciona.

O problema do mal no mundo será um dos motivos que lhe indica o caminho do cristianismo. Os platônicos haviam proposto que o mal era uma ausência e privação do bem, não um princípio próprio. Não obstante, Hortensius havia colocado na cabeça que só se chega à verdade renunciando as riquezas, as honras e o matrimônio. O terreno da conversão moral estava se preparando e com ela a conversão definitiva, que terá como conseqüência o seu batismo.

Ponticiano, um de seus amigos, conta-lhe a vida de Santo Antônio e a história dos jovens de Tréveris, dois exemplos que se realizam na vida em comum, na vida monástica e na castidade. Agostinho não sabia nada de tudo isso. Finalmente, ao ler o texto da Carta aos Romanos 13,13 sobre a vida em Cristo, une todas as peças do quebracabeça.

Nas cartas de São Paulo descobre o significado de estar comprometido na vida cristã. E os graus de compromisso maiores se manifestam no martírio e no monacato. Também descobre no cristianismo uma coisa que já tinha escutado no mundo clássico, que deve-se buscar um otium, uma vida retirada, que tenta levar para frente em Casicíaco. E por último, encontra como aos monges lhes designam de servus Dei, os que se entregam de forma total para o serviço de Deus e renunciam toda honra, riquezas e a vida matrimonial, como propõe o Hortensius.

Agostinho se batiza em 387 em Milão, cujo bispo e celebrante do batismo inicia com suas palavras todo este caminho de conversão cristã. De lá partirá para a África, não sem antes se despedir da sua mãe no porto de Ostia Tiberina, no famoso “éxtase” precedente à morte desta. Só no ano de 388 poderá voltar à África, e iniciar sua experiência mais vital do que em Casiciaco na propriedade de Tagaste: uma vida comum que supera a primeira intenção de comunidade filosófica que Cícero oferecia.

Agostinho, com os seus, decide se dedicar à vida monástica, à contemplação e a busca da verdade pela fé e o conhecimento.
Texto encontrado em: agustinos recoletos.org


Com S. Agostinho recorda-se Santa Mónica, sua mãe, um verdadeiro testemunho de vida cristã, um exemplo de uma mãe que persevera velando pela vida de seu filho mesmo quando tudo parecia perdido
« Última modificação: 28 de Abril de 2007, 23:55 por lea onda-menor » Registado

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« Responder #313 em: 29 de Abril de 2007, 14:21 »

30 Abril
S. Pio V, 226º papa
(Pontificado: 7/01/1566 - 1/05/1572)




Nome de Bapismo: Antonio Michele Ghisleri, Dominicano
(Bosco, 17 de Janeiro de 1504 - Roma, 1 de maio de 1572)

Antonio Miguel Ghislieri nasceu em 1504, em Bosco Marengo (na província de Alexandria, Norte de Italia) no seio de uma família nobre, os Ghisleri.

Aos 14 anos na Ordem Dominicana e após ter sido ordenado sacerdote, foi professor, prior de convento, superior providencial, fez uma brilhante carreira eclesiástica, como bispo (Sutri, Nepi e em Mondovi - alturas diferentes na sua vida), cardeal sob o título de Santa Maria Sopra Minerva e inquisidor-mor e finalmente  Papa em 1566 adoptando o nome de Pio V.

O seu ponfificado foi breve mas extremamente fecundo. POder-se-ia dizer também que foi incómodo,  como o os governos de todos os grandes reformadores dos costumes.

Assim, logo para começar, mal assumiu o governo de Roma, foi procurado por dezenas de parentes. Não lhes  deu "emprego" algum, afirmando que um parente do papa, se não estiver na miséria, "já está bastante rico". Com o seu exemplo e as medidas que implementou procurou acabar com o nepotismo na Igreja, um mal que hoje afecta ainda hoje muitas área da vida social das mais variadas comunidades, sendo bastante sensível a esfera política

 Aplicou as decisões do Concílio de Trento, implementando mudanças no campo pastoral de acordo com as orientações do concílio: estabeleceu o texto oficial da Missa e do Ofício Divino, foi responsável pela publicação do Catecismo Romano, assim como ordenou o ensino da Teologia tomista nas universidades. Ao longo do seu pontificado estaeleceu ainda  a obrigação de residência para os bispos, a clausura dos religiosos, o celibato e a santidade de vida dos sacerdotes, as visitas pastorais dos bispos, o incremento das missões e a censura das publicações, para que não contivessem material doutrinário não aprovado pela Igreja


Convocou  uma Cruzada contra o perigo muçulmano e conseguiu a duros esforços coordenar os interesses de potências católicas e levá-las à vitória da Batalha de Lepanto, em 7 de Outubro de 1571. A importância desta vitória, para a defesa de uma Europa cristã, e obtida em circunstâncias militares muito difíceis, levaram o Papa Pio V a instituir naquela data o dia de Nossa Senhora da Vitória, bem como a divulgar, em toda a cristandade a prática da oração do Terço do Rosário.

Decretou ainda a excomunhão e deposição da própria rainha da Inglaterra, Elisabeth I, antes de falecer no dia 1 de Maio de 1572. Foi Beatificado no dia 27 de Abril de 1672 e canonizado no dia 22 de Maio de 1712 pelo Papa Clemente XI. Inicialmente a memória da sua festa liturgica era a 5 de Maio, mas passou a ser festejada a 30 de Abril com a reforma do calendário litúrgico



Altar com o corpo incorrupto de S. Pio V encontra-se em Roma
na Basílica Santa Maria Maggiori (Santa Maria Maior)

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II ao Bispo de Alexandria (Itália) por ocasião do V centenário de nascimento de São Pio V (Vaticano, 1 de Maio de 2004):

«[...] 2. A época em que ele viveu foi na verdade muito diferente da actual e, contudo, não faltam entre elas analogias singulares. Os dois períodos históricos viram a consolidação de energias religiosas convergentes e, ao mesmo tempo, registraram crises profundas na sociedade com confrontos entre cidades e povos que, por vezes, desembocaram em dolorosos conflitos armados.

Nas duas épocas a Igreja empenhou-se na busca de novos caminhos para reavivar a fé e propô-la de maneira adequada nas mudadas condições culturais e sociais, também mediante a celebração do Concílio de Trento, então, e do Concílio Ecuménico Vaticano II, no século passado. A cada um destes Concílios seguiu-se o esforço, nem sempre fácil, de aplicar fielmente os seus ensinamentos, dando vida a processos de autêntica reforma da Igreja.

Neste contexto histórico e religioso, que caracterizou o século XVI, situa-se a vicissitude humana e espiritual de São Pio V, que se concluiu em 1 de Maio de 1572.

Desde a infância, Michele Ghislieri conheceu o mal-estar da pobreza e teve de contribuir, com o seu trabalho, para o sustento da sua família. Inspirou-se nos valores típicos da sua amada terra de Alexandria, à qual permeneceu sempre ligado, a ponto de ser conhecido, quando foi chamado a fazer parte do Colégio cardinalício, como o Cardeal Alexandrino.

Aos 14 anos entrou na Ordem dos Pregadores e realizou o itinerário formativo nos conventos de Vigevano, Bolonha e Génova, dedicando-se incansavelmente a percorrer o caminho da perfeição evangélica mediante a oração e o estudo, e haurindo abundantemente das fontes da palavra de Deus segundo o carisma dominicano.

Já então manifestava um gosto particular pela Sagrada Escritura e pela doutrina dos Padres, apaixonando-se também pelo estudo das obras de São Tomás de Aquino que ele mesmo, tornando-se Sumo Pontífice, incluiu entre os Doutores da Igreja. Foi ordenado sacerdote em Génova no ano de 1528.

Encarregado pelo Papa Paulo III de vigiar sobre a pureza da fé nas regiões de Pádua, Pavia e Como inspirou-se, tendo-os como modelos e protectores, em São Domingos, em São Pedro mártir de Verona, em São Vicente Ferrer e em Santo António de Florença, preocupando-se unicamente por procurar sempre a maior glória de Deus e o autêntico bem dos irmãos, fiel ao mote "caminhar na verdade" que quis fazer seu.

Prosseguiu com o mesmo zelo quando foi nomeado em Roma Comissário para a Doutrina da Fé, e nos outros cargos que lhe foram confiados pelos Papas Júlio III, Paulo IV e Pio IV. Eleito Bispo de Nepi e Sutri em 1556, foi criado Cardeal no ano de 1557, e em 1560 tornou-se Bispo de Mondovì.

3. Aos 62 anos, em Janeiro de 1566, foi eleito Sucessor de Pedro e durante os anos de Pontificado dedicou-se a reavivar a prática da fé em todos os componentes do Povo de Deus, dando à Igreja um providencial estímulo evangelizador. Incansável no trabalho pastoral, procurava contactos directos com todos, sem ter em consideração a fragilidade do seu estado de saúde.

Preocupou-se por aplicar fielmente as decisões do Concílio de Trento:  em campo litúrgico, com a publicação do Missal Romano renovado e do novo Breviário; no âmbito catequético, confiando sobretudo aos párocos o "Catecismo do Concílio de Trento"; em matéria teológica, introduzindo nas Universidades a Summa de São Tomás. Recordou aos Bispos o dever de residir na Diocese para um atento cuidado pastoral dos fiéis, aos religiosos a oportunidade da clausura e ao clero a importância do celibato e da santidade de vida.

Consciente da missão recebida de Cristo Bom Pastor, dedicou-se a apascentar a grei que lhe fora confiada, convidando a recorrer quotidianamente à oração, privilegiando a devoção a Maria, que contribuiu para incrementar notavelmente dando um grande estímulo à prática do Rosario. Ele mesmo o recitava todos os dias, apesar de desempenhar numerosas tarefas empenhativas.

[...]Graças à recitação fervorosa do Rosário, podem-se obter graças extraordinárias por intercessão da celeste Mãe do Senhor. Disto estava muito bem persuadido São Pio V que, depois da vitória de Lepanto, quis instituir propositadamente a festa de Nossa Senhora do Rosário.

Confiei a Maria, Rainha do Santo Rosário, neste início do terceiro Milénio, com a recitação do Rosário o bem precioso da paz e o fortalecimento da instituição familiar. Renovo este confiante acto pela intercessão do grande devoto de Maria que foi São Pio V. [...]»



uma missa rezada em latim de costas viradas para a assembleia
um video que ajuda a visualizar o rito  (cerca de 1h13m)
como o espaço das nossas igrejas teve de ser re-organizado
após o Vaticano II

PAPA PAULO VI: Constituição Apostólica MISSALE ROMANUM pela qual se promulga o Missal Romano restaurado segundo o Decreto do Concílio Ecuménico Vaticano II (3/04/1969):

«O Missal Romano que, conforme o decreto do Concílio Tridentino, foi promulgado em 1570 pelo nosso predecessor São Pio V conta-se entre os muitos e admiráveis frutos que aquele Santo Sínodo difundiu por toda a Igreja de Cristo. Na verdade, durante quatro séculos, os sacerdotes do rito latino o tiveram como norma para a celebração do sacrifício eucarístico, e os santos arautos do Evangelho o introduziram em quase toda a terra. Nele também muitos santos alimentaram copiosamente a sua piedade para com Deus, haurindo-a tanto das leituras da Sagrada Escritura como das suas orações, cuja parte principal fora organizada por São Gregório Magno.

Mas, desde que começou a crescer e a fortificar-se entre o povo cristão o desejo de promover a sagrada liturgia - desejo que, segundo a palavra do nosso predecessor de venerável memória Pio XII, deve ser considerado um sinal favorável da Divina Providência para com os homem do nosso tempo e uma passagem salutar do Espírito Santo pela sua Igreja - tornou-se evidente que as fórmulas do Missal Romano deviam ser restauradas e enriquecidas. O mesmo Pontífice deu início a esta obra, restaurando a Vigília Pascal e o Ordinário da Semana Santa, que se tornou assim o primeiro passo para a adaptação do Missal Romano à nova mentalidade do nosso tempo.

Recentemente, porém, o Concílio Ecumênico Vaticano II, promulgando a Constituição que se inicia com as palavras "Sacrosanctum Concilium", lançou os fundamentos da reforma geral do Missal Romano: ele estabeleceu primeiramente que os textos e ritos sejam ordenados de modo a exprimirem mais claramente as realidades sagradas que significam; depois que o Ordinário da Missa seja revisto para manifestar melhor o sentido de cada uma de suas partes e a conexão entre elas, e para facilitar a participação piedosa e ativa dos fiéis; que se prepare para os fiéis uma mesa mais abundante da Palavra de Deus, abrindo-lhes largamente os tesouros bíblicos; enfim, que se elabore o novo rito da concelebração a ser inserido no Pontifical e no Missal Romano. [...]

A seguir apresentamos em grandes traços a nova composição do Missal Romano. Em primeiro lugar temos a Instrução Geral que, como Proêmio do livro, expõe as novas normas para a celebração do Sacrifício Eucarístico, tanto em relação aos ritos e funções de cada participante, como às alfaias e lugares sagrados. [...]»



Diario del Concilio de Trento de Angelo Massarelli
(Trento, febrero de 1545 – septiembre de 1551)

Obs: existem 3 links diferentes neste post ligados ao Concilio de Trento



Mas ainda hoje nem todos aceitaram as inovações propostas pelo Concílio Vaticano II. Neste caso da parte de Marcel Lefebvre e alguns seguidores (FRATERNIDADE SÃO PIO X) houve mesmo cisão com Roma ao nomearem esles próprios bispos. O Papa João Paulo II acabou por excomungá-lo na década de oitenta. Eis um texto que demonstra e expõe a sua preocupação:


Uma polémica desunião da Igreja de Cristo dos dias de hoje que se procura resolver:

artigo datado Dezembro de 2006 encontrado na Aci Digital e BISPOS FRANCESES APÓIAM RECONCILIAÇÃO COM LEFREVIANOS (Radio Vaticano, 11/11/2006) e ainda A reaproximação por etapas não precipitadas, nem tampouco lentas demais - Entrevista com o cardeal Castrillón Hoyos, presidente de “Ecclesia Dei”, sobre as relações entre Roma e os lefebvrianos



Quo Primum Tempore, Bula de S. Pio V (14 de julho de 1570): este site deve pertencer a simpatizantes da Missa Tridentina pois leia-se a introdução feita à apresentação da Bula:
«[...]Feita na medida do nosso tempo, a Bula de São Pio V precisa ser conhecida por todos os fiéis empenhados no combate pela Tradição, pela Missa de sempre. [...] Não foi por acaso que tivemos São Pio V para nos confortar com esta Bula; não foi por acaso que tivemos São Pio X, último Papa santo, que também nos protegeu do modernismo. Que eles intercedam por nós, hoje, para que não sejamos menos corajosos do que eles foram, e para que nosso combate nos sirva para a vida eterna.
 Dom Lourenço Fleichman OSB»


OSB costuma ser referência Á Ordem de São Bento mas eis que ele surge também referênciado como FSSPX (Fraternidade Sacerdotal São Pio X) e defende textos contra as decisões papais tais a mais recente da abolição do LIMBO. Esta informação encontra-se com facilidade na Internet e é preciso ter cuidado e discernir se é conforme ao Credo que dizemos defender:

Creio na Igreja Una Santa Católica e Apostólica

E neste caso, leia-se a Posição do Cardeal Ratzinger, actual papa Bento XVI sobre a Liturgia



De igual modo Permanência e Capela.org parecem conter muitos artigos favoráveis a FSSPX questionando a autoridade do Sumo Pontífice em Roma.

Já coloquei igualmente um texto interessantissimo de Gustavo Corção sobre "Paradoxos de Santidade" relativo a Santa Catarina de Sena e este jormnalista (falecido no final da década de setenta) de certa forma não aceitou bem as novidades propostas pelo Concílio Vaticano II
( leia este artigo também sobre Gustavo Corção e Dom Lourenço Fleichman  )

O maior paradoxo é este:
Santa Catarina de Sena foi acérrima defensora do Papa...
 Arco íris  bem é caso para dizer que os paradoxos da sua existência continuam Arco íris Enfim, COISAS DE SANTOS Wink
« Última modificação: 29 de Abril de 2007, 17:58 por lea onda-menor » Registado

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Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.


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« Responder #314 em: 01 de Maio de 2007, 11:19 »

São José Operário

A Igreja, providencialmente, nesta data civil marcada, muitas vezes, por conflitos e revoltas sociais, cristianizou esta festa, isto na presença de mais de 200.000 pessoas na praça de São Pedro gritava alegremente: "Viva Cristo Trabalhador, vivam os trabalhadores, via o Papa!" O Papa, em 1955, deu aos trabalhadores um protector e modelo: São José o operário de Nazaré.

Basta traçar um paralelo entre a vida cheia de sacrifícios de São José, que trabalhou a vida toda para ver Cristo dar a vida pela humanidade, e a luta dos trabalhadores do mundo todo, lutando para obter o respeito pelos seus direitos mínimos, para entender os motivos que levaram o Papa Pio XII a instituir a festa de "São José Operário", em 1955, na mesma data em que se comemora o dia do trabalhador.

Afinal de contas, esta é uma forma de a Igreja comemorar aquele fatídico dia primeiro de Maio, em Chicago, em que operários de uma fábrica se revoltaram com a situação desumana a que eram submetidos e com o desrespeito que os patrões demonstravam em relação a qualquer direito humano. Eram trezentos e quarenta os que estavam em greve e a polícia, sempre a serviço dos patrões, massacrou-os sem piedade. Mais de cinquenta ficaram gravemente feridos e seis deles foram assassinados no confronto desigual. Foi em homenagem a eles que se consagrou este dia.
 

São José é o modelo ideal do operário. Sustentou a sua família durante toda a vida com o trabalho artesanal, cumpriu sempre os seus deveres para com a comunidade, ensinou ao filho a profissão de carpinteiro e, desta maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e que o seu povo fosse salvo, assim como toda a humanidade.


São José, que na Bíblia é reconhecido como um homem justo, é quem revela com a sua vida que o Deus que trabalha sem cessar na santificação das suas obras, é o mais desejoso de trabalhos santificados: "Seja qual for o vosso trabalho, fazei-o de boa vontade, como para o Senhor, e não para os homens, cientes de que recebereis do Senhor a herança como recompensa... O Senhor é Cristo" (Col 3,23-24).

Proclamando São José como protector dos trabalhadores, a Igreja demonstra estar ao lado deles, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos homens, aquele que aceitou ser o pai adoptivo do Deus feito homem, mesmo pressentindo o que poderia acontecer à sua família. Em vida, São José lutou pelos direitos da vida humana e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo, por meio dos membros da Igreja que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e o seu direito a uma vida digna.

CÂNTICO A SÃO JOSÉ OPERÁRIO

São José operário
Um simples carpinteiro
Foi convidado a ser pai
Daquele que é o primeiro
O senhor o escolheu
Por seu amor verdadeiro

Maria tinha José
Como esposo ideal
Entres os filhos de David
O seguimento normal
Prometido a casamento
Era muito natural

Guardador da virgem mãe
Zelador da castidade
Pai adoptivo de Cristo
Que é caminho e verdade
Na terra e das criaturas
É  luz amor unidade

Cheio de graça plena
Homem forte generoso
Exemplar pai de família
Filho de Deus poderoso
Como filho e como pai
Sempre justo e virtuoso

Exemplo para todos
Pai fiel e justiceiro
Descendente de David
Dos últimos foi o primeiro
De filho se tornou pai
De Deus santo e verdadeiro

São José operário
A serviço da esperança
Aumenta a nossa fé
Com amor e perseverança
Guardador de Jesus Cristo
Protótipo de confiança

Canta louvor a José
Louvor a virgem Maria
E cantar gloria a Jesus
O salvador nosso guia
Isso e louvar a Deus pai
Cantar gloria noite e dia

Se louvamos a são José
Esposo preclaro e santo
Louvamos também a Maria
Templo do espírito santo
Glorificando a Jesus
Deus ouvira  nosso pranto
                                 



Ladainha a São José

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus Pai, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do Mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.

São José, rogai por nós.
Ilustre descendente de David, rogai por nós.
Luz dos Patriarcas, rogai por nós.
Esposo da Mãe de Deus, rogai por nós.
Guarda da Virgem pura, rogai por nós.
Pai nutrício do Filho de Deus, rogai por nós.
Insigne defensor de Cristo, rogai por nós.
Chefe da Sagrada Família, rogai por nós.
José justíssimo, rogai por nós.
José castíssimo, rogai por nós.
José prudentíssimo, rogai por nós.
José fortíssimo, rogai por nós.
José obedientíssimo, rogai por nós.
José fidelíssimo, rogai por nós.
Espelho de paciência, rogai por nós.
Amador da pobreza, rogai por nós.
Modelo dos operários, rogai por nós.
Honra da vida doméstica, rogai por nós.
Guarda das virgens, rogai por nós.
Amparo das famílias, rogai por nós.
Alívio dos infelizes, rogai por nós.
Esperança dos enfermos, rogai por nós.
Padroeiro dos moribundos, rogai por nós.
Terror dos demónios, rogai por nós.
Protector da Santa Igreja, rogai por nós.
           

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

"Deus o constituiu senhor de sua casa.
E príncipe de toda a posteridade."


Oremos

Ó Deus, que, por uma infalível providência, vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de Vossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo, que na Terra veneramos como protector, mereçamos tê-lo no Céu, como intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amen.

(Acrescentar estas breves súplicas à Santíssima Trindade:)

Eterno Pai, pelo amor que tendes a São José, que entre todos o escolhestes para ser vosso representante aqui na terra, tende piedade de mim.

    Pai Nosso, Ave-Maria, Glória

Eterno e Divino Filho, pelo amor que tendes a São José, vosso fidelíssimo guarda na terra, tende piedade de mim.

    Pai Nosso, Ave-Maria, Glória

Eterno Divino Espírito Santo, pelo amor que tendes a São José, que com tanta solicitude guardou a Maria Santíssima, vossa esposa predilecta, tende piedade de mim.

    Pai Nosso, Ave-Maria, Glória

(Termina-se com as seguintes invocações:)

Ó excelso Esposo de Maria e Pai Adoptivo de Jesus, pelo tesouro de vossa perfeição, obediência a Deus, tende compaixão de mim.
Pela vossa santa vida cheia de méritos, ouvi-me.
Pelo vosso poderosíssimo nome, ajudai-me.
Pelo vosso clementíssimo coração, favorecei-me.
Pelas vossas santas lágrimas, tende compaixão das minhas.
Pelos vossos dolorosos suspiros, tende piedade do meu sofrer.
Pelas vossas sete dores, tende compaixão de mim.
Pelos vossos sete gozos, consolai-me o coração.
São José, ouvi-me!
São José, atendei-me!
São José, tende compaixão de mim!
De todo mal da alma e do corpo, livrai-me!
Socorrei-me com a vossa santa protecção e na vossa misericórdia e poder alcançai-me do Senhor aquilo que me é necessário e especialmente a graça que necessito.

    Pai Nosso, Ave-Maria, Glória.

    Finalmente, com grande devoção e convicção, diga-se o CREDO.
« Última modificação: 02 de Maio de 2007, 14:16 por Trofa » Registado

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