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Autor Tópico: Liturgia da Palavra  (Lida 61446 vezes)
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« Responder #795 em: 21 de Outubro de 2008, 14:59 »

Ano A - 09/10/2008

QUINTA-FEIRA DA SEMANA XXVI DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Gal 3, 1-5

«Recebestes o Espírito por terdes observado a Lei de Moisés,
ou porque ouvistes a mensagem da fé?»

Os cristãos evangelizados por S. Paulo, na Galácia, estavam a sofrer de certa propaganda que pretendia fazê-los voltar à prática da lei de Moisés, com todas as suas prescrições, como sendo coisas necessárias para se salvarem. S. Paulo, para lhes fazer compreender que não é da lei de Moisés, mas da fé em Jesus Cristo, que vem a salvação, lembra-lhes as várias manifestações do Espírito Santo que se seguiram à conversão deles e que são fruto da fé em Cristo.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Gálatas

Ó gálatas insensatos, quem vos fascinou, depois de ter sido apresentada aos vossos olhos a imagem de Jesus Cristo crucificado? Só quero que me respondais ao seguinte: Foi por cumprirdes as obras da Lei de Moisés que recebestes o Espírito Santo, ou porque ouvistes a mensagem da fé? Sois tão insensatos que, tendo começado com o Espírito, acabais agora na carne? Foi em vão que recebestes tantos dons? Se é que foi em vão! Aquele que vos dá o Espírito e realiza milagres entre vós procede assim por cumprirdes as obras da Lei de Moisés, ou porque ouvistes a mensagem da fé?

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Lc 1, 69-70.71-72.73-75 (R. cf. 68)

Refrão: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel,
que visitou e redimiu o seu povo. Repete-se

O Senhor nos deu um Salvador poderoso,
na casa de David, seu servo,
como prometeu pela boca dos seus santos,
os profetas dos tempos antigos; Refrão

Para nos libertar dos nossos inimigos
e das mãos daqueles que nos odeiam;
para mostrar a sua misericórdia
a favor dos nossos pais,
recordando a sua sagrada aliança: Refrão

O juramento que fizera a Abraão, nosso pai,
que nos havia de conceder esta graça:
de O servirmos um dia, sem temor,
livres das mãos dos nossos inimigos,
em santidade e justiça na sua presença,
todos os dias da nossa vida. Refrão




ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: cf. Actos 16, 14b

Refrão: Aleluia Repete-se

Abri, Senhor, o nosso coração,
para recebermos a palavra do vosso Filho. Refrão



EVANGELHO:   Lc 11, 5-13

«Pedi e dar-se-vos-á»

A oração é, antes de mais, um acto de louvor a Deus. Mas este louvor logo se transforma em súplica, ao reconhecer-se que Deus, que Se mostrou, tantas vezes, atento às necessidades dos homens, continua a ser sempre a fonte e origem de todo o bem, porque é assim a própria natureza de Deus. Por isso, Jesus não cessa de nos dizer que devemos insistir sempre na oração, e na oração de súplica. Com esta insistência, o Senhor quer despertar a nossa fé, para que O invoquemos, e a nossa humildade, para sabermos reconhecer que precisamos d’Ele, e não nos fecharmos na nossa auto-suficiência, bem pouco suficiente.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar’. Ele poderá responder lá de dentro: ‘Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados e não posso levantar-me para te dar os pães’. Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa. Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

Rábano Mauro (c.784-856), abade beneditino e bispo
Três livros para Bonoso, livro 3,4; PL 112, 1306

«Dar-lhe-á tudo quanto precisar»

Não permitas que te falte a confiança em Deus, nem te deixes desesperar da sua misericórdia [...] Canta ao Senhor estas palavras do profeta: «Como os olhos do servo se fixam nas mãos do seu amo, e como os da serva, nas mãos da sua ama, assim os nossos olhos estão postos no Senhor, nosso Deus, até que tenha piedade de nós. Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade de nós, porque estamos saturados de desprezo» (Sl 122, 2-3). Se estamos saturados de desprezo por causa dos nossos muitos pecados, devemos porém voltar-nos para o Senhor nosso Deus até que Ele de nós se apiede, e dirigir-Lhe continuamente as nossas súplicas até que nos conceda o perdão pelos nossos erros. De facto, é próprio da alma constante e tenaz perseverar na oração sem vacilar por desespero de querer ser atendida, e persistir tenazmente na oração até que Deus lhe faça misericórdia.

Para que não venhas a pensar que ofendes ao Senhor por persistires na oração quando não mereces ser escutado, lembra-te da parábola de Evangelho. Nela descobrirás que os que oram a Deus com importuna perseverança não Lhe são desagradáveis, porque é dito: «Embora não se levante para [...] dar por ser seu amigo, ao menos, levantar-se-á, devido à impertinência dele, e dar-lhe-á tudo quanto precisar». Compreende pois que é o diabo que nos sugere que entremos em desespero por querer ser atendidos, e fá-lo para que nos seja retirada essa esperança na bondade de Deus, que é a âncora da nossa salvação, o fundamento da nossa vida, o guia no caminho que leva aos céus. O apóstolo Paulo diz: «Foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8,24).

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« Responder #796 em: 21 de Outubro de 2008, 15:07 »

Ano A - 10/10/2008

SEXTA-FEIRA DA SEMANA XXVI DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Gal 3, 7-14

«Os que vivem segundo a fé
são abençoados com Abraão, que acreditou»

É pela fé que os homens se tornam verdadeiros filhos de Abraão, e não apenas pelo sangue nem pela simples prática da lei de Moisés. S. Paulo quer fazê-lo compreender, e, para isso, cita uma série de passagens do Antigo Testamento.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Gálatas

Irmãos: Procurai compreender: Os verdadeiros filhos de Abraão são os que vivem segundo a fé. Tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar os gentios pela fé, anunciou previamente a Abraão esta boa nova: «Em ti serão abençoadas todas as nações». Assim, os que vivem segundo a fé são abençoados com Abraão, que acreditou. Na verdade, os que dependem das obras da Lei de Moisés estão sob a maldição, porque está escrito: «Maldito aquele que não cumpre tudo o que está escrito no Livro da Lei». Além disso, é evidente que diante de Deus, ninguém é justificado pela Lei, porque a Escritura diz: «O justo viverá pela fé». A Lei, porém, não se baseia na fé, porque diz: «Quem cumprir aqueles preceitos viverá por eles». Mas Cristo resgatou-nos da maldição da Lei de Moisés, tornando-Se maldição por amor de nós, como está escrito: «Maldito aquele que é suspenso do madeiro». Assim, por meio de Jesus Cristo, a bênção de Abraão se estendeu-se aos gentios e nós recebemos, pela fé, o Espírito prometido.

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Salmo 110 (111), 1-2.3-4.5-6 (R. 5b)

Refrão: O Senhor recorda a sua aliança para sempre. Repete-se
Ou: Aleluia. Repete-se

Louvarei o Senhor de todo o coração
no conselho dos justos e na assembleia.
São grandes as obras do Senhor,
admiráveis para os que nelas meditam. Refrão

A sua obra é esplendor e majestade
e a sua justiça permanece eternamente.
Instituiu um memorial das suas maravilhas:
o Senhor é misericordioso e compassivo. Refrão

Deu sustento àqueles que O temem
e jamais se esquecerá da sua aliança.
Fez ver ao seu povo a força das suas obras,
para lhe dar a herança das nações. Refrão



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Jo 12, 31b-32

Refrão: Aleluia. Repete-se

Chegou a hora em que vai ser expulso
o príncipe deste mundo, diz o Senhor;
e quando Eu for levantado da terra,
atrairei todos a Mim. Refrão



EVANGELHO:   Lc 11, 15-26

«Se Eu expulso os demónios pelo dedo de Deus,
então o reino de Deus chegou até vós»

Jesus é o Filho de Deus, enviado pelo Pai. As suas obras manifestam que Ele trouxe ao mundo o reino de Deus; as suas obras não são obras do demónio, como queriam os seus inimigos. Quem assim as interpretasse, contradiria a verdade. Uma pequena parábola quer fazer-nos compreender a importância da vigilância na luta contra os espíritos do mal.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus expulsou um demónio, mas alguns dos presentes disseram: «É por Belzebu, príncipe dos demónios, que Ele expulsa os demónios». Outros, para O experimentarem, pediam-Lhe um sinal do céu. Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse: «Todo o reino dividido contra si mesmo, acaba em ruínas e cairá casa sobre casa. Se Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios. Ora, se Eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. Mas se Eu expulso os demónios pelo dedo de Deus, então quer dizer que o reino de Deus chegou até vós. Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus bens estão em segurança. Mas se aparece um mais forte do que ele e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos. Quem não está comigo está contra Mim e quem não junta comigo dispersa. Quando o espírito impuro sai do homem, anda a vaguear por lugares desertos à procura de repouso. Como não o encontra, diz consigo: ‘Voltarei para a casa de onde saí’. Quando lá chega, encontra-a varrida e arrumada. Então vai e toma consigo sete espíritos piores do que ele, que entram e se instalam nela. E o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

São Macário (Interrogação-405), monge no Egipto
Homilia 33

«A Sua própria casa somos nós» (Heb 3, 6)

O Senhor instala-Se numa alma fervorosa, faz dela o Seu trono de glória, toma assento nela e nela permanece. [...] Esta casa onde habita o seu mestre é toda graça, ordem e beleza, assim como a alma com quem o Senhor permanece é toda ordem e beleza. Ela possui o Senhor e todos os Seus tesouros espirituais. Ele habita nela, e nela domina.

Que terrível, porém, é a casa de onde o Senhor está ausente, longe da qual o Senhor se encontra! Esta casa deteriora-se, arruína-se, enche-se de manchas e de desordem, tornando-se, na palavra do profeta, lugar de reunião de serpentes e de sátiros, casa abandonada que se enche de gatos selvagens, de hienas e de cardos (Is 35, 11-15). Infeliz da alma que não consegue levantar-se de queda tão funesta, que se deixa prender e acaba por odiar o esposo e por desviar os seus pensamentos de Jesus Cristo!

Mas quando o Senhor a vê recolher-se e procurar, noite e dia, o seu Senhor, chamá-lo como Ela a convida a fazer: «Orai sem desfalecer», então «Deus far-lhe-á justiça» (Lc 18, 1-7), como prometeu, e purificá-la-á de todo o mal, fazendo dela uma esposa «sem mancha nem ruga» (Ef 5, 27). Acredita na Sua promessa, que é a verdade. Verifica se a tua alma encontrou a luz que lhe iluminará os passos, bem como o alimento e a bebida verdadeiros, que são o Senhor. Ainda os não tens? Procura noite e dia, e encontrá-los-ás.

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« Responder #797 em: 21 de Outubro de 2008, 15:11 »

Ano A - 11/10/2008

SÁBADO DA SEMANA XXVI DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Gal 3, 22-29

«Todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo»

A lei de Moisés foi, no Antigo Testamento, um guia para conduzir os homens até Cristo. Agora que Cristo veio, é a fé que faz que os homens, sejam eles quem forem, se tornem filhos de Abraão, e, portanto, herdeiros das promessas que Deus fez a Abraão e que se realizam plenamente em Cristo.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Gálatas

Irmãos: A Escritura declara que tudo está sujeito ao domínio do pecado. Deste modo, é pela fé em Jesus Cristo que a promessa da justificação é concedida aos que acreditam. Antes que viesse a fé, nós éramos prisioneiros, sob a protecção da Lei de Moisés, na expectativa da fé que havia de ser revelada. A Lei, portanto, serviu-nos de guia até à vinda de Cristo, para sermos então justificados pela fé. Mas depois que veio a fé, já não estamos sob o domínio desse guia. Porque todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. De facto, todos vós, que fostes baptizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; todos vós sois um só em Cristo Jesus. Mas, se pertenceis a Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Salmo 104 (105), 2-3.4-5.6-7 (R. 8a)

Refrão: O Senhor recorda a sua aliança para sempre. Repete-se
Ou: Aleluia. Repete-se

Cantai salmos e hinos ao Senhor,
proclamai todas as suas maravilhas.
Gloriai-vos no seu nome santo,
exulte o coração dos que procuram o Senhor. Refrão

Procurai o Senhor e o seu poder,
buscai sempre a sua face.
Recordai as suas maravilhas,
os seus prodígios e os oráculos da sua boca. Refrão

Vós, descendentes de Abraão, seu servo,
filhos de Jacob, seu eleito,
o Senhor é o nosso Deus
e as suas sentenças são lei em toda a terra. Refrão



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Lc 11, 28

Refrão: Aleluia. Repete-se

Felizes os que ouvem a palavra de Deus
e a põem em prática. Refrão



EVANGELHO:   Lc 11, 27-28

«Feliz o ventre que Te trouxe!
Mais felizes os que ouvem a palavra de Deus»

É bom poder ouvir ao sábado esta palavra com a qual aquela simples mulher bendisse o Senhor de entre a multidão, e poder escutar da boca de Jesus aquela resposta que nos revela por que razão é bem-aventurada a sua Mãe: porque ouviu e guardou no coração, pela fé, a palavra de Deus antes de receber o Filho de Deus feito homem em seu ventre. Aquela primeira felicidade veio a desabrochar na segunda.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Mas Jesus respondeu: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
Sermão 31 sobre o Cântico dos cânticos

«Feliz daquela que acreditou que teriam cumprimento as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor" (Lc 1,45)

Os homens da antiga aliança viviam sujeitos a um regime de símbolos. Para nós, pela graça de Cristo, presente na carne, resplandeceu a própria verdade. E contudo, por relação ao mundo futuro, vivemos ainda, de certa maneira, à sombra da verdade. Escreve o Apóstolo Paulo: «A nossa ciência é imperfeita e a nossa profecia também é imperfeita» (1 Cor 13, 9); e ainda: «Não que eu tenha já alcançado a meta» (Fil 3, 13). Com efeito, não podemos deixar de distinguir aquele que caminha pela fé e aquele que se encontra já na visão clara. Assim, «o justo viverá da fé» (Hab 2, 4; Rom 1, 17), enquanto o bem-aventurado exulta na visão da verdade; agora, o homem são vive à sombra de Cristo [...]. E é boa, esta sombra da fé, que filtra a luz que cega os nossos olhos ainda mergulhados nas trevas, e os prepara para suportarem a luz. Com efeito, está escrito que Deus «purificou os seus corações pela fé» (Act 15, 9). A fé não tem, pois, como efeito a extinção da luz, mas a sua conservação. Tudo aquilo que os anjos contemplam a descoberto é preservado para mim pela luz da fé, que o faz repousar no seu seio, a fim de o revelar no momento ideal. Não será preferível ela manter oculto aquilo que ainda não és capaz de captar sem véu?

Aliás, a Mãe do Senhor também vivia na sombra da fé, uma vez que lhe disseram: «Feliz aquela que acreditou» (Lc 1, 45); e, do corpo de Cristo, recebeu também uma sombra, segundo a mensagem do anjo: «a força do Altíssimo estenderá sobre ti a Sua sombra» (Lc 1, 35). Esta sombra nada tem, pois, de desprezível, uma vez que é projectada pela força do Altíssimo. Com efeito, a carne de Cristo tinha um poder que cobriu a Virgem com a Sua sombra, a fim de que o filtro desse corpo vivificante lhe permitisse suportar a presença divina, sustentar o brilho da luz inacessível, o que seria impossível a uma mortal. Este poder iludiu todas as forças adversas; o poder desta sombra expulsou os demónios e protegeu os homens. Poder verdadeiramente vivificante e sombra verdadeiramente refrescante! Quanto a nós, é à sombra de Cristo que vivemos, pois caminhamos pela fé e recebemos a vida, sendo alimentados pela Sua carne.

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« Responder #798 em: 21 de Outubro de 2008, 15:25 »

Ano A - 12/10/2008

DOMINGO DA SEMANA XXVIII DO TEMPO COMUM

LEITURA I                        Is 25, 6-10a

«O Senhor preparará um banquete
e enxugará as lágrimas de todas as faces»

O banquete é, com frequência, na Sagrada Escritura, figura da reunião dos homens no reino de Deus. Assim como também hoje se lê em Isaías, aí o banquete é o lugar de encontro de todos os povos, todos eles chamados à comunhão na montanha onde o Senhor habita, o Monte Sião, figura da Igreja de Cristo.

Leitura do Livro de Isaías

Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. A mão do Senhor pousará sobre este monte».

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL              
Salmo 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 6cd)

Refrão: Habitarei para sempre na casa do Senhor. Repete-se

O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma. Refrão

Ele me guia por sendas direitas
por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo
 me enchem de confiança. Refrão

Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda. Refrão

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre. Refrão



LEITURA II                        Filip 4, 12-14.19-20

«Tudo posso n’Aquele que me conforta»

A experiência da prisão serviu a São Paulo para ele sentir mais profundamente que Cristo era tudo na vida; e por isso, ao mesmo tempo que agradece aos destinatários da sua carta o que eles lhe tinham enviado, afirma que em Cristo encontra toda a sua força e confiança.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses

Irmãos: Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. Tudo posso n’Aquele que me conforta. No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus. Glória a Deus, nosso Pai, pelos séculos dos séculos. Amen.

Palavra do Senhor.



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO          cf. Ef 1, 17-18

Refrão: Aleluia. Repete-se

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo
ilumine os olhos do nosso coração,
para sabermos a que esperança fomos chamados. Refrão



EVANGELHO                              Forma longa Mt 22, 1-14

«Convidai para as bodas todos os que encontrardes»

Uma vez mais, a parábola do banquete serve para simbolizar o reino de Deus. Jesus anuncia aos seus ouvintes que o Evangelho, por eles rejeitado, vai ser anunciado a outros, e, destes, muitos o hão-de aceitar. Não é já a raça de Abraão segundo a carne que há-de encher a sala do banquete, mas todos aqueles que, pela fé, se hão-de tornar filhos de Abraão. A todos os povos se abrem as portas do reino dos Céus.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’. Mas ele ficou calado. O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na ver­dade, muitos são os chamados, mas poucos os esco­lhidos».

Palavra da salvação.




EVANGELHO                             Forma breve Mt 22, 1-10

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto: Vinde às bodas’. Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados».

Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

Santo Agostinho (345-430), bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja
Sermão 90; PL 38, 559ss

Vestir o traje nupcial

Que traje nupcial é esse de que nos fala o Evangelho? Tal traje é certamente algo que só os bons possuem, os que devem participar no festim [...]. O traje serão os sacramentos? O baptismo? Sem o baptismo, ninguém chega até Deus, mas alguns recebem o baptismo e não chegam a Deus [...] Será o altar, ou o que se recebe no altar? Mas ao receber o Corpo do Senhor alguns comem e bebem a sua própria condenação (1Co 11,29). Então será o quê, esse traje? O jejum? Também os maus jejuam. Será frequentar a igreja? Também os maus vão à igreja como os outros [...].

O que é então esse traje nupcial? Diz-nos o apóstolo Paulo: «O objectivo desta recomendação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera» (1Tm 1,5). Eis o traje nupcial. Não se trata de um amor qualquer, porque por vezes vemos homens desonestos amar outros [...], mas não vemos neles aquela caridade autêntica «que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera»; ora, esta caridade é precisamente o fato de núpcias.

«Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, diz o apóstolo Paulo, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine [...]. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou.» (1Co 13,1-2) [...] Poderia ter tudo isto, disse ele; sem Cristo, «nada sou» [...]. Como são inúteis os bens, se um só deles nos faltar! Se não tiver amor, bem posso ter distribuir todos os meus bens, confessar o nome de Cristo e entregar o meu corpo para ser queimado (1Co 13,3), que de nada me aproveita, pois posso agir assim por amor da glória [...]. «Se não tiver amor, de nada me aproveita.» Eis o traje nupcial. Examinai-vos a vós próprios: se o tiverdes, aproximai-vos confiantes do banquete do Senhor.

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« Responder #799 em: 21 de Outubro de 2008, 15:44 »

Ano A - 13/10/2008

SEGUNDA-FEIRA DA SEMANA XXVIII DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Gal 4, 22-24.26-27.31 – 5, 1

«Não somos filhos da escrava, mas da mulher livre»

São Paulo quer mostrar, por uma comparação, que o Novo Testamento nos trouxe a liberdade definitiva em Jesus Cristo, e que, em consequência disso, a lei de Moisés, que tinha servido de guia em todo o Antigo Testamento, tinha cumprido a sua missão, conduzindo o povo de Deus até Jesus Cristo. S. Paulo parte da comparação das duas mulheres de Abraão, uma escrava, a outra livre, e vê na escrava o símbolo do Antigo Testamento e na esposa a figura do Novo Testamento, para fazer compreender que nós somos livres, porque Cristo nos libertou. Querer voltar a sujeitar-se às prescrições e ritos da lei de Moisés, como pretendiam alguns dos destinatários da sua carta, seria voltar a fazer-se escravo.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Gálatas

Irmãos: Como está escrito, Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da mulher livre. O da escrava nasceu segundo a natureza e o da mulher livre em virtude da promessa. Há nisto uma alegoria. As mulheres representam as duas alianças. A primeira, concluída no monte Sinai, gera para a escravidão: é Agar. Mas a Jerusalém do alto é livre, e esta é a nossa mãe. Porque está escrito: «Alegra-te, ó estéril, que não davas à luz; rejubila e canta de alegria, tu que não conheceste as dores da maternidade, porque os filhos da abandonada são mais numerosos que os daquela que tem marido». Por isso, irmãos, não somos filhos da escrava, mas da mulher livre. Foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permanecei firmes e não torneis a sujeitar-vos ao jugo da escravidão.

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Salmo 112 (113), 1-2.3-4.5a e 6-7 (R. cf. 2)

Refrão: Bendito seja o nome do Senhor para sempre. Repete-se
Ou: Aleluia. Repete-se

Louvai, servos do Senhor,
louvai o nome do Senhor.
Bendito seja o nome do Senhor,
agora e para sempre. Refrão

Desde o nascer ao pôr do sol,
seja louvado o nome do Senhor.
O Senhor domina sobre todos os povos,
a sua glória está acima dos céus. Refrão

Quem se compara ao Senhor nosso Deus,
que Se inclina lá do alto a olhar o céu e a terra?
Levanta do pó o indigente e tira o pobre da miséria,
para o fazer sentar com os grandes do seu povo. Refrão



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: cf. Salmo 94 (95), 8ab

Refrão: Aleluia Repete-se

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,
não fecheis os vossos corações. Refrão



EVANGELHO:   Lc 11, 29-32

«Nenhum sinal será dado a esta geração, senão o sinal de Jonas»

Jonas, com a sua pregação, levou a cidade de Nínive à penitência; de modo semelhante, a sabedoria de Salomão atraiu, de longe, a rainha de Sabá; Jesus é maior do que Jonas e do que Salomão. Ele é o grande Sinal! Quem O reconhecer e a Ele se converter terá encontrado a salvação.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, aglomerava-se uma grande multidão à volta de Jesus e Ele começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas. Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será também o Filho do homem para esta geração. No juízo final, a rainha do sul levantar-se-á com os homens desta geração e há-de condená-los, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está quem é maior do que Salomão. No juízo final, os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração e hão-de condená-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; e aqui está quem é maior do que Jonas».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

São  Justino (c.100 -160), filósofo, mártir
Diálogo com Trífon (34-36)

«Ora aqui está alguém que é maior do que Salomão»

Deixai-me citar um salmo, dito pelo Espírito Santo a David; dizeis que tem a ver com Salomão, vosso rei, mas tem a ver com Cristo [...]: «Ó Deus, concede ao rei a tua rectidão» (Sl 71,1). Como Salomão se tornou rei, dizeis que é dele que este salmo fala; mas as palavras do salmo designam nitidamente um rei eterno, que é Cristo. Porque Cristo foi-nos anunciado como rei, sacerdote, Deus, Senhor, anjo, homem, chefe supremo, pedra, criança por nascimento, como um ser de dor num primeiro momento, depois como um ser que se eleva aos céus, e que regressa na glória da sua realeza eterna [...]
«Ó Deus, concede ao rei a tua rectidão e a tua justiça ao filho do rei, para que julgue o teu povo com justiça e os teus pobres com equidade [...] Todos os reis se prostrarão diante dele; todas as nações o servirão» [...]. Salomão foi um rei grande e ilustre; no seu reinado foi edificada a casa a que chamamos Templo de Jerusalém, mas é claro que nada do que é dito no salmo lhe aconteceu. Nenhum rei o adorou nem o seu reino não se estendeu até aos confins da Terra, os seus inimigos não se curvaram a seus pés para lhes sacudir a poeira [...]

O «Senhor do universo» (Sl 23,10) não é Salomão; é Cristo. Assim que ressuscitou de entre os mortos e subiu aos céus, ordenou aos príncipes que Deus nomeou no céu «para abrirem as portas» do céu, a fim de que «Aquele que é o Rei da glória entre» e suba para «se sentar à direita do Pai, até que ele faça dos inimigos escabelo para seus pés», como é dito noutros salmos (23,109). Mas quando os príncipes do céu O viram sem figura nem beleza, sem honra, nem glória (Is 53,2), não O reconheceram e perguntaram: «Quem é esse Rei glorioso?» (Sl 23,8). O Espírito Santo responde-lhes então: «O Senhor do universo, eis o Rei glorioso». Com efeito, não é de Salomão, que tanta glória teve enquanto rei [...], que se pôde dizer: «Quem é ele, esse Rei glorioso?»

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« Responder #800 em: 21 de Outubro de 2008, 15:49 »

Ano A - 14/10/2008

TERÇA-FEIRA DA SEMANA XXVIII DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Gal 5, 1-6

«A circuncisão não tem qualquer valor,
mas só a fé, que actua pela caridade»

Continuando os pontos de vista já ontem apresentados, São Paulo insiste em que o que torna, hoje, os cristãos justos aos olhos de Deus é a sua fé em Jesus Cristo, e não, como no seu tempo ainda alguns pensavam, a prática da antiga lei de Moisés. Esses tempos passaram; hoje Deus fala-nos por seu Filho. A circuncisão era, para os Judeus, o sinal de pertencer ao seu povo; mas, depois que veio Jesus Cristo, o sinal de pertença ao povo de Deus, que é a Igreja, é a fé, que se celebra no Baptismo e nos outros sacramentos, e se manifesta na vida de caridade.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Gálatas

Irmãos: Foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permanecei firmes e não torneis a sujeitar-vos ao jugo da escravidão. Sou eu, Paulo, que vos digo: Se vos fizerdes circuncidar, Cristo de nada vos servirá. De novo asseguro a todo o homem que se faz circuncidar: fica obrigado a cumprir toda a Lei de Moisés. Vós os que procurais a justificação por essa Lei, separastes-vos de Cristo e perdestes a graça de Deus. Nós, porém, é pelo Espírito Santo, em virtude da fé, que esperamos alcançar a justificação. Porque em Jesus Cristo, nem a circuncisão nem a incircuncisão tem qualquer valor, mas só a fé, que actua pela caridade.

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Salmo 118 (119), 41 e 43.44-45.47-48 (R. 41a)

Refrão: Desça sobre mim, Senhor, a vossa bondade. Repete-se

Desça sobre mim a vossa bondade,
salvai-me segundo a vossa promessa.
Não me tireis da boca a palavra da verdade,
porque eu espero nos vossos juízos. Refrão

Quero cumprir fielmente a vossa lei,
agora e para sempre.
Andarei seguro no meu caminho,
porque busquei os vossos preceitos. Refrão

Ponho as minhas delícias nos vossos mandamentos,
porque muito os amo.
Estendo as mãos para os vossos mandamentos
e medito nos vossos decretos. Refrão



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Hebr 4, 12

Refrão: Aleluia. Repete-se

A palavra de Deus é viva e eficaz,
conhece os pensamentos e intenções do coração. Refrão



EVANGELHO:   Lc 11, 37-41

«Dai esmola e tudo para vós ficará limpo»

Jesus chama a atenção do fariseu que O tinha convidado para almoçar e fizera reparo por Ele não lavar as mãos, dizendo-lhe que o que purifica é o amor, que se manifesta na esmola, e não a água, que só se lança sobre as mãos. É, no fundo, uma lição sobre o sentido espiritual da religião, sem com isso pretender negar as suas expressões externas e as regras gerais da higiene.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, depois de Jesus ter falado, um fariseu convidou-O para comer em sua casa. Jesus entrou e tomou lugar à mesa. O fariseu admirou-se, ao ver que Ele não tinha feito as abluções antes de comer. Disse-lhe o Senhor: «Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e perversidade. Insensatos! Quem fez o interior não fez também o exterior? Dai antes de esmola o que está dentro e tudo para vós ficará limpo».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão e doutor da Igreja
Comentário sobre o Evangelho de S. Lucas, 7, 100-102

«Quem fez o exterior não fez também o interior?»

«Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato.» Como vedes, os nossos corpos são aqui designados por nomes de objectos frágeis e feitos de barro, que se partem com uma simples queda. E os sentimentos íntimos da alma são designados por expressões e gestos do corpo, como aquilo que está no interior do copo pode ser visto do exterior. [...] Como vedes, não é o exterior deste copo e deste prato que nos suja, é o seu interior.

Como bom mestre que é, Jesus ensina-nos a limpar as manchas do corpo, dizendo: «Dai antes de esmola o que estará dentro e tudo para vós ficará limpo.» Vedes de quantos remédios dispomos? A misericórdia purifica-nos. A palavra de Deus também nos purifica, de acordo com o que está escrito: «Vós estais limpos, devido à palavra que vos tenho dirigido» (Jo 15, 3). [...]

É o ponto de partida de uma passagem muito bela: o Senhor convida-nos a procurar a simplicidade e condena a nossa ligação àquilo que é supérfluo e terra-a-terra. Devido à sua fragilidade, os fariseus são comparados – e com razão – ao copo e ao prato: observam pontos que não têm qualquer utilidade para nós, negligenciando aqueles onde se encontra o fruto da nossa esperança. Cometem, pois, uma grande falta, desdenhando o melhor. E, contudo, até a essa falta é prometido o perdão, desde que depois dela venha a misericórdia e a esmola.

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« Responder #801 em: 21 de Outubro de 2008, 15:55 »

Ano A - 15/10/2008

QUARTA-FEIRA DA SEMANA XXVIII DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Gal 5, 18-25

«Os que pertencem a Cristo
crucificaram a carne com as suas paixões e apetites»

A lei de Moisés passou; era o guia até Cristo. No entanto, agora os discípulos de Cristo não vivem sem lei; a sua lei é ditada pelo Espírito de Deus, que o Senhor ressuscitado lhes deu. São Paulo apresenta, de forma concreta, essa lei, que há-de manifestar-se nas obras que se praticam. Uma é a lei da natureza decaída, outra a lei ditada pelo Espírito. São dois caminhos opostos, como se canta no salmo.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Gálatas

Irmãos: Se vos deixais conduzir pelo Espírito, não estais sujeitos à Lei de Moisés. As obras da carne são bem conhecidas: luxúria, imoralidade, libertinagem, idolatria, feitiçaria, inimizades, ciúmes, discórdias, ira, rivalidades, dissenções, facciosismos, invejas, embriaguez, orgias e coisas semelhantes a estas, sobre as quais vos previno, como já vos disse: os que praticam estas acções não herdarão o reino de Deus. Pelo contrário, os frutos do Espírito são: caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança. Contra coisas como estas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e apetites. Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o Espírito.

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Salmo 1, 1-2.3.4 e 6 (R. cf. Jo 8, 12)

Refrão: Quem Vos segue, Senhor, terá a luz da vida. Repete-se

Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,
não se detém no caminho dos pecadores
nem toma parte na reunião dos maldizentes;
mas antes se compraz na lei do Senhor
e nela medita dia e noite. Refrão

É como árvore plantada à beira das águas:
dá fruto a seu tempo
e a sua folhagem não murcha.
Tudo quanto fizer será bem sucedido. Refrão

Bem diferente é a sorte dos ímpios:
são como a palha que o vento leva.
O Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição. Refrão



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Jo 10, 27

Refrão: Aleluia. Repete-se

As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor;
Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me.
Refrão



EVANGELHO:   Lc 11, 42-46

«Ai de vós, fariseus! Ai de vós, doutores da lei!»

Esta passagem, na continuação da leitura de ontem, apresenta uma série de maldições, dirigidas contra os fariseus, por meio das quais o Senhor quer fazer compreender o espírito da sua nova doutrina. Jesus não condena as formas de vida anteriores à sua pregação, mas pretende levar os seus ouvintes a descobrir que, por detrás do cumprimento material da lei, está a justiça e o amor, a pobreza de espírito e a humildade de coração, coisas que os seus ouvintes ainda não tinham chegado a descobrir.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse o Senhor: «Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças, mas desprezais a justiça e o amor de Deus! Devíeis praticar estas coisas, sem omitir aquelas. Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro lugar nas sinagogas e das saudações na praça pública! Ai de vós, porque sois como sepulcros disfarçados, sobre os quais passamos sem o saber!». Então um dos doutores da lei tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, ao dizeres essas palavras também nos insultas a nós». Jesus respondeu: «Ai de vós também, doutores da lei, porque impondes aos homens fardos insuportáveis e vós próprios nem com um só dedo tocais nesses fardos!».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

São Siluane (1866-1938), monge ortodoxo
Escritos

«Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro lugar nas sinagogas»

A alma do homem humilde é como o mar; quando atiramos uma pedra ao mar, a pedra agita a superfície das águas durante uns instantes, mas em seguida mergulha nas profundezas. Assim são absorvidas as dores no coração do homem humilde, porque a força do Senhor está com ele.

Onde habitas tu, alma humilde? Quem vive em ti? E a que posso eu comparar-te? Resplandeces, brilhante como o sol, mas não te consomes, apesar de arderes (Ex 3, 2), e aqueces todos os homens com o teu ardor. A ti pertence a terra dos mansos, nas palavras do Senhor (Mt 5, 4). És semelhante a um jardim florido, ao fundo do qual se encontra uma casa magnífica, onde o Senhor gosta de repousar.

Amam-te o céu e a terra. Amam-te os santos apóstolos, os profetas, os santos e os bem-aventurados. Amam-te os anjos, os serafins, os querubins. Ama-te, na tua humildade, a puríssima Mãe do Senhor. Ama-te o Senhor, que rejubila em ti.

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« Responder #802 em: 21 de Outubro de 2008, 16:12 »

Ano A - 16/10/2008

QUINTA-FEIRA DA SEMANA XXVIII DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Ef 1, 1-10

«Escolheu-nos, em Cristo, antes da criação do mundo»

Começamos a leitura de uma nova Epístola. A passagem que hoje lemos é um verdadeiro hino, que possivelmente já existia antes desta epístola ter sido escrita e que o autor nela introduziu. Este hino celebra o “mistério”, o plano de Deus sobre toda a criação, que é, finalmente, o de reconduzir todo o Universo à unidade, tendo Cristo como Cabeça.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Irmãos: Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus, aos cristãos que vivem em Éfeso, fiéis em Jesus Cristo. A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco. Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho. N’Ele, pelo seu sangue, temos a redenção e a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Ele nos concedeu em abundância, com plena sabedoria e inteligência. Ele deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio de benevolência n’Ele de antemão estabelecido, para se realizar na plenitude dos tempos: instaurar todas as coisas em Cristo, tudo o que há nos Céus e na terra.

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 2a)

Refrão: O Senhor revelou a sua salvação. Repete-se

Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória. Refrão

O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel. Refrão

Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai. Refrão

Cantai ao Senhor ao som da cítara,
ao som da cítara e da lira;
ao som da tuba e da trombeta,
aclamai o Senhor, nosso Rei. Refrão



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Jo 14, 6

Refrão: Aleluia. Repete-se

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor:
ninguém vai ao Pai senão por Mim. Refrão



EVANGELHO:   Lc 11, 47-54

«Serão pedidas contas do sangue dos profetas,
desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias»

Os mais responsáveis pelo ensino da lei tinham-se deixado endurecer e impediam até os outros de atingirem o conhecimento profundo e autêntico das Escrituras. Jesus tem contra eles estas severas admoestações. E assim nos ensina que não podemos reduzir a Palavra de Deus a uma série de preceitos morais, por mais elevados que eles sejam, mas que devemos ver neles a revelação dos desígnios de Deus sobre os homens, revelação que nos ensina a entender a vida como Deus a entende e a vivê-la em resposta ao seu plano de amor por nós. A revelação plena de tais desígnios só Jesus a trouxe aos homens.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse o Senhor aos doutores da lei: «Ai de vós, porque edificais os túmulos dos profetas, quando foram os vossos pais que os mataram. Assim dais testemunho e aprovação às obras dos vossos pais, porque eles mataram-nos e vós levantais os monumentos. É por isso que a Sabedoria de Deus disse: ‘Eu lhes enviarei profetas e apóstolos; e eles hão-de matar uns e perseguir outros’. Mas Deus vai pedir contas a esta geração do sangue de todos os profetas, que foi derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que pereceu entre o altar e o Santuário. Sim, Eu vos digo que se pedirão contas a esta geração. Ai de vós, doutores da lei, porque tirastes a chave da ciência: vós não entrastes e impedistes os que queriam entrar!». Quando Jesus saiu dali, os escribas e os fariseus começaram a persegui-l’O terrivelmente e a provocá-l’O com perguntas sobre muitas coisas, armando-Lhe ciladas, para O surpreenderem nalguma palavra da sua boca.
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

Balduíno de Ford ( Interrogação-c.1190), abade cisterciense
O Sacramento do altar, II, 1

«Começaram a pressioná-Lo fortemente com perguntas e a fazê-Lo falar sobre muitos assuntos, armando-Lhe ciladas»

«Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3,16). Este Filho único «foi oferecido», não porque o seus inimigos tenham prevalecido, mas porque assim «aprouve ao Senhor» (Is 53, 10-11). «Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo» (Jo 13,1). O fim, é a morte aceite por aqueles que Ele ama; eis o fim de toda a perfeição, o fim do amor perfeito, porque «ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13).

Este amor de Cristo foi mais poderoso na morte de Cristo do que o ódio dos seus inimigos; o ódio apenas pôde fazer o que o amor lhe permitia. Judas, ou os inimigos de Cristo, entregaram-No à morte, devido a um terrível ódio. O Pai entregou o seu Filho, e o Filho entregou-Se  a Si mesmo por amor (Rm 8,32; Ga 2,20). O amor não é porém culpado de traição; é inocente, mesmo quando Cristo morre por amor. Porque só o amor pode impunemente fazer o que lhe apraz. Só o amor pode forçar a Deus e, como Ele, guiar-nos. Foi o amor que O fez descer dos céus e O pôs na cruz, que fez jorrar o sangue de Cristo pela remissão dos pecados, num acto tão inocente quanto salutar. Qualquer acção de graças pela salvação do mundo é devida ao amor, portanto. E o amor incita-nos, numa lógica incómoda, a amar a Cristo, tanto quanto podíamos odiá-Lo.

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« Responder #803 em: 21 de Outubro de 2008, 16:16 »

Ano A - 17/10/2008

SEXTA-FEIRA DA SEMANA XXVIII DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Ef 1, 11-14

«Desde o começo esperámos em Cristo
e vós fostes marcados pelo Espírito Santo»

Muitos dos primeiros cristãos, como estes a quem São Paulo hoje se dirige, eram judeus, que tinham aceitado a mensagem do Evangelho de Jesus. Ao fazê-lo, eles viam realizadas as promessas de Deus, que lhes anunciavam Cristo; por isso, eles esperavam Cristo, mesmo desde o Antigo Testamento. Mas a palavra de Jesus foi uma Boa Nova, que os levou mais longe até O aceitarem, e receberem, por meio d’Ele, o Espírito Santo, que os tornava membros do novo povo de Deus, marcando-os com um sinal de salvação, como ele se manifesta, de modo particular, no sacramento da Confirmação

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Irmãos: Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo. Foi n’Ele que vós também, depois de ouvirdes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, abraçastes a fé e fostes marcados pelo Espírito Santo. E o Espírito Santo prometido é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória.

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Salmo 32 (33), 1 e 3.4-5.12-13 (R. 12b)

Refrão: Feliz o povo que o Senhor escolheu
para sua herança. Repete-se

Justos, aclamai o Senhor,
os corações rectos devem louvá-l’O.
Cantai-Lhe um cântico novo,
cantai-Lhe com arte e com alma. Refrão

A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão,
a terra está cheia da bondade do Senhor. Refrão

Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,
o povo que Ele escolheu para sua herança.
Do Céu o Senhor contempla
e observa todos os homens. Refrão



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Salmo 32 (33), 22

Refrão: Aleluia. Repete-se

Desça sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor. Refrão



EVANGELHO:   Lc 12, 1-7

«Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados»

Agrupam-se nesta leitura vários ensinamentos de Jesus aos seus discípulos, em ordem a eles saberem viver num meio que lhes será adverso e a manterem-se firmes e confiantes entre as contrariedades da vida. Uma vez mais se ouve a recomendação tão frequente no Evangelho. “Não temais!” Pois, se o Senhor está connosco!

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, a multidão afluía aos milhares, a ponto de se atropelarem uns aos outros. E Jesus começou a dizer, em primeiro lugar para os seus discípulos: «Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada encoberto que não venha a descobrir-se, nem há nada oculto que não venha a conhecer-se. Por isso, tudo o que tiverdes dito às escuras será ouvido à luz do dia e o que tiverdes dito aos ouvidos, nos aposentos interiores, será proclamado sobre os telhados. Digo-vos a vós, meus amigos: Não temais os que matam o corpo e depois nada mais podem fazer. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: Temei Aquele que, depois de matar, tem poder para lançar na Geena. Sim, Eu vos digo, a Esse é que deveis temer. Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? Contudo, nenhum deles é esquecido diante de Deus. Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais. Valeis mais do que todos os passarinhos».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

Papa Bento XVI
Encíclica «Spe Salvi», 27 (trad © copyright Libreria Editrice Vatican)

"Digo-o a vós, meus amigos: Não temais os que matam o corpo"

Neste sentido, é verdade que quem não conhece Deus, mesmo podendo ter muitas esperanças, no fundo está sem esperança, sem a grande esperança que sustenta toda a vida (cf. Ef 2,12). A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora «até ao fim», «até à plena consumação» (cf. Jo 13,1 e 19,30). Quem é atingido pelo amor começa a intuir em que consistiria propriamente a «vida». Começa a intuir o significado da palavra de esperança que encontramos no rito do Baptismo: da fé espero a «vida eterna» – a vida verdadeira que, inteiramente e sem ameaças, em toda a sua plenitude é simplesmente vida. Jesus, que disse de Si mesmo ter vindo ao mundo para que tenhamos a vida e a tenhamos em plenitude, em abundância (cf. Jo 10,10), também nos explicou o que significa «vida»: «A vida eterna consiste nisto: Que Te conheçam a Ti, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste» (Jo 17,3). A vida, no verdadeiro sentido, não a possui cada um em si próprio sozinho, nem mesmo por si só: aquela é uma relação. E a vida na sua totalidade é relação com Aquele que é a fonte da vida. Se estivermos em relação com Aquele que não morre, que é a própria Vida e o próprio Amor, então estamos na vida. Então «vivemos».

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« Responder #804 em: 21 de Outubro de 2008, 16:23 »

Ano A - 18/10/2008

SÁBADO DA SEMANA XXVIII DO TEMPO COMUM
S. LUCAS, evangelista


LEITURA I: 2 Tim 4, 10-17b

«Só Lucas está comigo»

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo

Caríssimo:
Demas abandonou-me por amor do mundo presente.
Ele partiu para Tessalónica, Crescente para a Galácia
e Tito para a Dalmácia.
Só Lucas está comigo.
Toma contigo Marcos e trá-lo na tua companhia,
porque me é muito útil no ministério.
Enviei Tíquico a Éfeso.
Quando vieres, traz o manto que deixei em Tróade,
em casa de Carpo,
e também os livros, especialmente os pergaminhos.
Alexandre, o caldeireiro, fez-me muito mal:
o Senhor lhe retribuirá segundo as suas obras.
Acautela-te dele, tu também,
que ele opôs-se fortemente à nossa pregação.
Na minha primeira defesa, ninguém esteve a meu lado:
todos me abandonaram.
Deus lhes perdoe.
Mas o Senhor esteve a meu lado e deu-me força,
para que, por meu intermédio,
a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada
e todos os pagãos a ouvissem.

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Salmo 144 (145), 10-11.12-13.17-18 (R. cf. 12)

Refrão: Os vossos santos, Senhor,
proclamem a glória do vosso reino.

Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os Vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino,
e anunciem os vossos feitos gloriosos.

Para darem a conhecer aos homens o vosso poder,
a glória e o esplendor do vosso reino.
O vosso reino é um reino eterno,
o vosso domínio estende-se a todas as gerações.

O Senhor é justo em todos os seus caminhos,
perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: cf. Jo 15, 16

Refrão: Aleluia. Repete-se

Eu vos escolhi do mundo, para que vades e deis fruto
e o vosso fruto permaneça. Refrão



EVANGELHO:   Lc 10, 1-9

«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
designou o Senhor setenta e dois discípulos
e enviou-os dois a dois à sua frente,
a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
E dizia-lhes:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao dono da seara
que mande trabalhadores para a sua seara.
Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias,
nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho.
Quando entrardes nalguma casa,
dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’.
E se lá houver gente de paz,
a vossa paz repousará sobre eles;
senão, ficará convosco.
Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem,
que o trabalhador merece o seu salário.
Não andeis de casa em casa.
Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem,
comei do que vos servirem,
curai os enfermos que nela houver
e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

Cardeal John Henry Newman (1801-1890), padre, fundador de comunidade religiosa, teólogo
PPS, vol. 3, n.º 22 : «A parte escolhida por Maria»

São Lucas, evangelista, «servidor da Palavra» (Lc 1,2)

Boa é toda a palavra de Cristo: ela tem uma missão e finalidade, ela não cai por terra. É impossível que em vez alguma tenha pronunciado palavras efémeras, Ele, o Verbo de Deus, que por seu próprio desejo exprimiu os conselhos profundos e a vontade santa do Deus invisível. Toda a palavra de Cristo é boa. Mesmo se os seus propósitos tiverem sido transmitidos por pessoas comuns, podemos estar certos de que nada do que nos foi conservado – sejam palavras dirigidas a um discípulo ou a um opositor, sejam conselhos, ou opiniões, sejam reprimendas, ou palavras de consolação, de persuasão ou de condenação – nada, em todas elas, terá uma significação puramente acidental, um alcance limitado ou parcial [...].

Pelo contrário, todas as palavras sagradas de Cristo, mesmo quando nos surgem revestidas de uma aparência temporária e dirigidas a um fim imediato - sendo difíceis portanto, porque há que nelas lograr perceber o que têm de momentâneo e de contingente - mesmo assim, elas nada perdem da sua força, a cada século que passa. Pertencendo à Igreja, estão destinadas a durar para sempre nos céus  (cf. Mt 24,35); prolongam-se até è eternidade. São a nossa regra santa, justa e boa, palavras que são «farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sl 118,105), na mesma plenitude e de forma tão íntima, no nosso tempo, como quando pela primeira vez foram pronunciadas.

Tudo isto terá sido verdadeiro, mesmo aceitando-se ter sido obra humana a recolha destas migalhas da mesa de Cristo. Mas temos uma certeza muito maior, porque as recebemos não dos homens, mas de Deus (1Ts 2,13). O Espírito Santo, que veio glorificar Cristo e dar aos evangelistas a inspiração da escrita, não nos traçou um Evangelho estéril. Louvado seja por ter escolhido e salvo para nós palavras que deveriam ser particularmente úteis aos tempos vindouros, as palavras que podiam servir de lei à Igreja, para a fé, para a moral e para a disciplina. Não uma lei escrita em tábuas de pedra (Ex 24,12), mas uma lei de fé e de amor, de espírito, e não de letras (Rm 7,6), uma lei para corações generosos que aceitam «viver da palavra», por mais modesta e humilde que seja, uma lei «que sai da boca de Deus» (Dt 8,3; Mt 4,4).

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« Responder #805 em: 21 de Outubro de 2008, 16:31 »

Ano A - 19/10/2008

DOMINGO DA SEMANA XXIXDO TEMPO COMUM

LEITURA I                        Is 45, 1.4-6

«Tomei Ciro pela mão direita para subjugar diante dele as nações»

O Evangelho de hoje vai afirmar a relação entre o poder temporal e o poder espiritual. Mas Deus é Senhor de todos os homens, e nada nem ninguém é autónomo em relação a Ele. Deus realiza os seus desígnios, que são sempre de salvação, através dos homens e das instituições humanas, por vezes até de maneira muito clara, como se mostra nesta leitura: o rei da Pérsia, Ciro, um pagão, é instrumento de Deus para a libertação do seu povo.

Leitura do Livro de Isaías

Assim fala o Senhor a Ciro, seu ungido, a quem tomou pela mão direita, para subjugar diante dele as nações e fazer cair as armas da cintura dos reis, para abrir as portas à sua frente, sem que nenhuma lhe seja fechada: «Por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito, Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso, quando ainda não Me conhecias. Eu sou o Senhor e não há outro; fora de Mim não há Deus. Eu te cingi, quando ainda não Me conhecias, para que se saiba, do Oriente ao Ocidente, que fora de Mim não há outro. Eu sou o Senhor e mais ninguém».

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL              
Salmo 95 (96), 1.3.4-5.7-8.9-10a.c
(R. 7b)

Refrão: Aclamai a glória e o poder do Senhor. Repete-se

Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira.
Publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas. Refrão

O Senhor é grande e digno de louvor,
mais temível que todos os deuses.
Os deuses dos gentios não passam de ídolos,
foi o Senhor quem fez os céus. Refrão

Dai ao Senhor, ó família dos povos,
dai ao Senhor glória e poder.
Dai ao Senhor a glória do seu nome,
levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios. Refrão

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,
trema diante d’Ele a terra inteira.
Dizei entre as nações: «O Senhor é Rei»,
governa os povos com equidade. Refrão



LEITURA II                        1 Tes 1, 1-5b

«Recordamos a vossa fé, caridade e esperança»

Começamos hoje a leitura da primeira epístola aos Tessalonicenses, a comunidade cristã existente na cidade de Tessalónica (ou Salónica), no norte da Grécia. Como de costume, S. Paulo começa com uma acção de graças, hoje, por verificar o progresso espiritual desses cristãos. Como podemos observar, os Apóstolos pregavam e escreviam como verdadeiros mestres e pastores, e não apenas como moralistas ou legisladores. E sempre será esta a verdadeira finalidade da pregação na Igreja: levar os seus filhos a crescerem nos caminhos do reino de Deus, o que é para ela fonte de alegria e de acção de graças.

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo
aos Tessalonicenses

Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: A graça e a paz estejam convosco. Damos continuamente graças a Deus por todos vós, ao fazermos menção de vós nas nossas orações. Recordamos a actividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, na presença de Deus, nosso Pai. Nós sabemos, irmãos amados por Deus, como fostes escolhidos. O nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com obras poderosas, com a acção do Espírito Santo.

Palavra do Senhor.



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO          Filip 2, 15d.16a

Refrão: Aleluia. Repete-se

Vós brilhais como estrelas no mundo,
ostentando a palavra da vida. Refrão



EVANGELHO                             Mt 22, 15-21

«Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus»

Perante o poder temporal, aqui representado por César, o imperador de Roma – que ao tempo de Jesus imperava também na Terra Santa – a atitude de Jesus é de respeito pela sua autonomia, mas reivindica, ao mesmo tempo, as exigências primordiais do serviço de Deus, às quais nada se pode antepor. E, ao mesmo tempo, denuncia a falta de sinceridade dos que O interrogavam; sem ela, ninguém se poderá dirigir a Deus.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse. Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?». Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário e Jesus perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Eles responderam: «De César». Disse-Lhes Jesus: «Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

Santo António (cerca 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para o domingo e a festa de todos os santos

«Levantai sobre nós, Senhor, a luz da Vossa face!»

Tal como uma pequena moeda tem a imagem de César, assim a nossa alma é à imagem da Santíssima Trindade, segundo o que nos é dito no salmo: «a luz da tua face está impressa em nós, Senhor» (4, 7LXX)... Senhor, a luz da tua face, quer dizer a luz da tua graça que determina em nós a tua imagem e nos torna semelhantes a ti, está gravada em nós, quer dizer, gravada na nossa razão, que é a maior força da nossa alma e que recebe essa luz como a cera recebe a marca de um selo. A face de Deus é a nossa razão; porque, tal como alguém conhece o seu rosto, assim conhecemos Deus pelo espelho da razão. Mas esta razão foi deformada pelo pecado do homem, porque o pecado torna o homem antagónico a Deus. A graça de Cristo reparou a nossa razão. É por isso que o apóstolo Paulo diz aos Efésios: «renovai espiritualmente a vossa inteligência» (4,23). A luz de que nos fala este salmo é pois a graça, que restaura a imagem de Deus gravada na nossa natureza... 

Toda a Trindade marcou o homem à sua semelhança. Pela memória, é semelhante ao Pai; pela inteligência, é semelhante ao Filho; pelo amor é semelhante ao Espírito Santo... Desde a criação, o homem foi feito «à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1,26). Imagem no conhecimento da verdade; semelhança no amor à virtude. A luz da face de Deus é pois a graça que nos justifica e que nos revela de novo a imagem criada. Esta luz constitui todo o bem do homem, o seu verdadeiro bem; ela marca-o, como a imagem do imperador marca a moeda.

É por isso que o Senhor acrescenta: «Dai a César o que é de César». Como se dissesse: Tal como dais a César a sua imagem, dai a Deus a vossa alma, ornada e marcada pela luz do seu rosto. 

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« Responder #806 em: 21 de Outubro de 2008, 16:46 »

Ano A - 20/10/2008

SEGUNDA-FEIRA DA SEMANA XXVIII DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Ef 2, 1-10

«Restituiu-nos à vida com Cristo
e com Cristo nos fez sentar nos Céus»

É esta uma das mais belas páginas de S. Paulo: em Cristo, Deus fez de nós uma criação nova: com Ele, fez-nos morrer para o pecado; com Ele, ressuscitou-nos para uma vida nova; com Ele, elevou-nos ao Céu e sentou-nos junto de Si. E tudo isto por dom completamente gratuito. Se o que nós agora fazemos em ordem à nossa salvação é realmente nosso, é, antes de mais, dom de Deus.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Irmãos: Vós estáveis mortos pelas faltas e pecados em que vivestes outrora, segundo o modo de ser deste mundo e obedecendo ao príncipe do mal que impera nos ares, esse espírito que actua nos homens rebeldes. Todos nós, que também éramos como eles, vivíamos antigamente submetidos aos desejos da nossa carne, satisfazendo os caprichos dos instintos e da imaginação e sendo por natureza filhos da ira, como os outros. Mas Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo – é pela graça que fostes salvos – e com Ele nos ressuscitou e com Ele nos fez sentar nos Céus. Assim quis mostrar aos séculos futuros a abundante riqueza da sua graça e da sua bondade para connosco, em Jesus Cristo. De facto, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar. Na verdade, nós somos obra de Deus, criados em Jesus Cristo, em vista das boas obras que Deus de antemão preparou, como caminho que devemos seguir.

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Salmo 99 (100), 2.3.4.5 (R. 3b)

Refrão: O Senhor nos criou, pertencemos ao Senhor. Repete-se

Aclamai o Senhor, terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo. Refrão

Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a Ele pertencemos,
somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho. Refrão

Entrai pelas suas portas, dando graças,
penetrai em seus átrios com hinos de louvor,
glorificai-O, bendizei o seu nome. Refrão

Porque o Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,
a sua fidelidade estende-se de geração em geração. Refrão



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Mt 5, 3

Refrão: Aleluia. Repete-se

Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos Céus. Refrão



EVANGELHO:   Lc 12, 13-21

«O que preparaste, para quem será?»

A vida vale mais do que as coisas! É assim que, a partir de um caso concreto que Lhe é apresentado, Jesus previne os seus discípulos contra o apego às riquezas, e, por meio de uma pequena parábola, lembra como é frágil esta vida. A lição é hoje tão oportuna como no tempo de Jesus, pois que somos hoje solicitados, talvez como nunca, para a procura e uso dos bens materiais. O Senhor nos ensina o equilíbrio que deve haver em relação a esses dons.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo». Jesus respondeu-lhe: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?». Depois disse aos presentes: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». E disse-lhes esta parábola: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita. Ele pensou consigo: ‘Que hei-de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita? Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus respondeu-lhe: ‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’ Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

S. Basílio (cerca 330-379), monge e bispo em Capadócia, doutor da Igreja
Catequese 31

Amontoar para si próprio ou ser rico com os olhos postos em Deus?

«Que hei-de fazer? Vou aumentar os meus celeiros!» Porque eram as terras deste homem tão produtivas, se ele fazia tão mau uso da sua riqueza? É para mais intensamente se ver a manifestação da imensa  bondade de um Deus que estende a sua graça a todos, «pois Ele faz que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores» (Mt 5,45) ... Eram estes os benefícios de Deus para com este rico: uma terra fecunda, um clima temperado, abundantes colheitas, bois para o trabalho, e tudo que assegurasse a prosperidade. E ele, que dava em troca? Mau humor, taciturnidade e egoísmo. Era assim que agradecia ao seu benfeitor.

Esquecia que pertencemos todos à mesma natureza humana; não pensou que devia distribuir o que lhe sobrava aos pobres; não fez nenhum caso destes mandamentos divinos: «não negues um benefício a quem precisa dele, se estiver nas tuas mãos concedê-lo» (Prov 3,27), «não se afastem de ti a bondade e a fidelidade» (3,3), «partilha o teu pão com quem tem fome» (Is 58,7). Todos os profetas, todos os sábios lhe gritavam estes preceitos, mas ele fazia ouvidos de mercador. Os seus celeiros rachavam, muito pequenos para o trigo que lá se acumulava, mas o seu coração não estava satisfeito... Ele não queria desfazer-se de nada, mesmo não chegando a armazená-lo todo. Este problema incomodava-o: «Que hei-de fazer?» perguntava constantemente. Quem não teria piedade de um homem assim obcecado? A abundância tornava-o infeliz...; ele lamentava-se tal e qual como os indigentes: «Que hei-de fazer? Como alimentar-me, vestir-me?»...

Observa, homem, quem foi que te cumulou de dons. Reflecte um pouco sobre ti próprio: Quem és tu? O que é que te foi confiado? De quem recebeste esse encargo? Porque fostes tu o escolhido? Tu és servo do Deus bom; tu estás encarregado dos teus companheiros de serviço... «Que hei-de fazer?» A resposta é simples: «Saciarei os famintos, convidarei os pobres... Vós todos a quem falta o pão, vinde possuir os dons concedidos por Deus, que jorram como de uma fonte». 

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« Responder #807 em: 21 de Outubro de 2008, 16:51 »

Ano A - 21/10/2008

TERÇA-FEIRA DA SEMANA XXVIII DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Ef 2, 12-22

«Ele é a nossa paz, que fez de uns e outros um só povo»

Os gentios ou pagãos (às vezes, também se lhes chama «as nações»), são, na Bíblia, os que ainda não pertencem ao povo de Deus, os que não conhecem a sua Palavra ou vivem sem a fé e a esperança que essa Palavra nos dá. A última revelação da Palavra de Deus é Jesus Cristo. Mas Jesus, ao realizar em Si as promessas feitas aos Judeus, deu a vida por todos os homens, Judeus e não Judeus, para fazer de todos eles o único povo de Deus, que é a Igreja. Ele faz a união de todos os homens. Ele é, por isso, a Paz.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Irmãos: No tempo em que éreis pagãos, vós estáveis sem Cristo, privados do direito de cidadania em Israel e alheios às alianças da promessa divina, sem esperança e sem Deus no mundo. Foi em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos aproximastes d’Ele, graças ao sangue de Cristo. Cristo é, de facto, a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo e derrubou o muro da inimizade que os separava, anulando, pela imolação do seu corpo, a Lei de Moisés com as suas prescrições e decretos. E assim, de uns e outros, Ele fez em Si próprio um só homem novo, estabelecendo a paz. Pela cruz reconciliou com Deus uns e outros, reunidos num só Corpo, levando em Si próprio a morte à inimizade. Cristo veio anunciar a boa nova da paz, paz para vós, que estáveis longe, e paz para aqueles que estavam perto. Por Ele, uns e outros, podemos aproximar-nos do Pai, num só Espírito. Por isso, já não sois estrangeiros nem hóspedes, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, que tem Cristo como pedra angular. Em Cristo, toda a construção, bem ajustada, cresce para formar um templo santo do Senhor; e em união com Ele, também vós sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, morada de Deus.

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Salmo 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. cf. 9)

Refrão: O Senhor anuncia a paz ao seu povo. Repete-se

Escutemos o que diz o Senhor:
Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.
A sua salvação está perto dos que O temem
e a sua glória habitará na nossa terra. Refrão

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
A fidelidade vai germinar da terra
e a justiça descerá do Céu. Refrão

O Senhor dará ainda o que é bom
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à sua frente
e a paz seguirá os seus passos. Refrão


ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Lc 21, 36

Refrão: Aleluia. Repete-se

Vigiai e orai em todo o tempo,
para vos apresentardes
sem temor diante do Filho do homem. Refrão



EVANGELHO:   Lc 12, 35-38

«Felizes os servos,
que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes»

Como na saída do Egipto o povo hebreu esteve de vigília, pronto a partir, assim Jesus convida agora o novo povo de Deus a estar vigilante para ir ao seu encontro, quando Ele vier na sua glória. Uma vez por ano, na Vigília Pascal, a Igreja toma esta atitude de vigilância, na expectativa da vinda do Senhor. Mas essa atitude, que então é celebrada como num símbolo, é a atitude de toda a vida cristã em todos os momentos. Esta vida é, portanto, tempo de vigilância e de alerta, e não tempo de adormecer. Neste sentido, adormece-se sempre que os interesses terrenos nos impedem de estarmos vigilantes, na expectativa do Senhor que vai chegar.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá. Se vier à meia-noite ou de madrugada felizes serão se assim os encontrar».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

Santo Isaac o Sírio (séc. VII), monge em Nínive, perto de Mossul no actual Iraque
Discursos ascético

"Mantenham as lâmpadas acesas"

A oração que se oferece durante a noite tem um grande poder, mais do que a que se oferece durante o dia. É por isso que todos os santos tiveram o hábito de rezar de noite, combatendo a moleza do corpo e a doçura do sono e ultrapassando a sua própria natureza corporal. Também o profeta dizia: "Estou cansado de tanto gemer; todas as noites banho o meu leito com as minhas lágrimas" (Sl 6,7), enquanto suspirava no fundo de si mesmo numa oração apaixonada. E, noutro passo: "Levanto-me a meio da noite para te louvar por causa das tuas sentenças, tu que és o Justo" (Sl 118,62). Para cada um dos pedidos que os santos queriam dirigir a Deus com todas as suas forças, eles armavam-se com a oração nocturna e imediatamente recebiam o que pediam.
     
O próprio Satanás nada receia tanto como a oração que se oferece durante as vigílias. Mesmo se são acompanhadas de distracções, não ficam sem fruto, a menos que se peça o que não convém. É por isso que ele trava sérios combates contra os que velam, a fim de os afastar quanto possível dessa prática, sobretudo se se mostram perseverantes. Mas os que se fortaleceram um pouco que seja contra as suas manhas perniciosas e saborearam os dons que Deus concede durante as vigílias e experimentaram pessoalmente a grandeza da ajuda que Deus lhes dá, desprezam-no completamente, a ele e a todos os seus estratagemas.

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« Responder #808 em: 21 de Outubro de 2008, 16:56 »

Ano A - 22/10/2008

QUARTA-FEIRA DA SEMANA XXIX DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Ef 3, 2-12

«Agora foi revelado o mistério de Cristo:
os gentios recebem a mesma herança que os judeus»

S. Paulo foi o Apóstolo dos gentios, dos pagãos, dos que, não sendo judeus, não eram herdeiros das promessas feitas a Abraão e aos seus descendentes, o povo judeu. Mas, em Cristo, o mistério da salvação é revelado e comunicado aos que escutam a sua palavra e lhe respondem na fé. Todos estes serão também, pela fé, filhos de Abraão. S. Paulo sente-se feliz de ter sido escolhido por Deus para anunciar este mistério precisamente aos pagãos. Por isso, ele é justamente chamado “Apóstolo dos gentios”.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhe¬cer o mistério de Cristo, como já o apresentei suma¬ria¬mente. Assim podeis compreender o conhecimento que tenho do mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho. Deste Evangelho me tornei ministro, pelo dom da graça que Deus me concedeu pela força do seu poder. A mim, o último de todos os santos, foi concedida a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo e de manifestar a todos como se realiza o mistério escondido, desde toda a eternidade, em Deus, criador de todas as coisas. E agora é por meio da Igreja, que se dá a conhecer aos principados e potestades celestes a multiforme sabedoria de Deus, realizada, conforme o seu eterno desígnio, em Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim, é pela fé em Cristo que podemos aproximar-nos de Deus com toda a confiança.

Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Is 12, 2.3 e 4bcd.5-6 (R. 3)

Refrão: Ireis com alegria às fontes da salvação. Repete-se
Ou: Das fontes da salvação, saciai-vos na alegria. Repete-se

Deus é o meu Salvador,
tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação. Refrão

Tirareis água, com alegria, das fontes da salvação.
Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome,
Anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
proclamai a todos que o seu nome é santo. Refrão

Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a terra.
Entoai cânticos de alegria e exultai, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel. Refrão



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Mt 24, 42a.44

Refrão: Aleluia. Repete-se

Vigiai e estai preparados,
porque na hora em que não pensais
virá o Filho do homem. Refrão



EVANGELHO:   Lc 12, 39-48

«A quem muito foi dado, muito será exigido»

Continuam hoje as palavras de Jesus sobre a vigilância, sobretudo a dos responsáveis. A vigilância é atitude que toca a todos; mas sobretudo aos pastores do povo de Deus. Para eles, a vigilância consistirá em apascentar o rebanho, fazendo chegar a cada um o dom que Deus lhes colocou nas mãos para fielmente o distribuírem. Vigilância e fidelidade vêm juntos.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa. Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem». Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?». O Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. Mas se aquele servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis. O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas. Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito acções que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

S. Fulgêncio (476-532), bispo
Sermão I, 2-3

"Servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus" (1Co 4,1)

Para definir o papel dos servos que colocou à cabeça do seu povo, o Senhor diz esta palavra que o Evangelho nos transmite: "Qual é o administrador prudente e fiel que o senhor estabelecerá sobre o seu pessoal para lhe dar a seu tempo a ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, quando voltar, encontrar procedendo assim"... Se nos perguntarmos que medida de trigo é esta, S. Paulo no-lo indica; é "a medida de fé que Deus vos repartiu" (Rm 12,3). Aquilo a que Cristo chama medida de trigo, Paulo chama medida de fé para nos ensinar que não há outra medida de trigo espiritual senão o mistério da fé cristã. Essa medida de trigo, damo-vo-la nós em nome do Senhor toda a vez que, iluminados pelo dom espiritual da graça, vos falamos segundo a regra da verdadeira fé. Essa medida, recebei-la vós dos administradores do Senhor todo o dia em que ouvis da boca dos servos de Deus a palavra da verdade.
     
Que ela seja o nosso alimento, essa medida de trigo que Deus nos faz partilhar. Colhamos nela o sustento para a forma como nos conduzimos, a fim de obtermos a recompensa da vida eterna. Acreditemos naquele que se dá a si mesmo a cada um de nós para que não desfaleçamos no caminho (Mt 15,32) e que se reserva como nossa recompensa para que encontremos a alegria na pátria eterna. Acreditemos e esperemos nele; amemo-lo acima de tudo e em tudo. Porque Cristo é o nosso alimento e será a nossa recompensa. Cristo é o sustento e o reconforto dos viajantes que caminham; é a satisfação e a exaltação dos bem-aventurados que chegam ao seu repouso.

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« Responder #809 em: 21 de Outubro de 2008, 17:01 »

Ano A - 23/10/2008

QUINTA-FEIRA DA SEMANA XXIX DO TEMPO COMUM


LEITURA I: Ef 3, 14-21

«Profundamente enraizados na caridade,
sejais totalmente saciados na plenitude de Deus»

Quem é Jesus Cristo e qual o lugar que Ele ocupa na vida dos cristãos é um mistério, no qual, pouco a pouco se vai penetrando sob a acção do Espírito de Deus. Conhecer, cada vez mais, esse mistério é uma grande graça, que insistentemente havemos de pedir, como S. Paulo hoje o faz para aqueles que evangelizou.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Irmãos: Eu dobro os joelhos diante do Pai, de quem recebe o nome toda a paternidade nos céus e na terra, para que Se digne, segundo as riquezas da sua glória, armar-vos poderosamente pelo seu Espírito, para que se fortifique em vós o homem interior e Cristo habite pela fé em vossos corações. Assim, profundamente enraizados na caridade, podereis compreender, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento, para que sejais totalmente saciados na plenitude de Deus. Àquele que, pela sua virtude que actua em nós, pode fazer infinitamente mais do que possamos pedir ou imaginar, a Ele a glória, na Igreja e em Jesus Cristo, em todas as gerações, pelos séculos dos séculos. Amen.
Palavra do Senhor.



SALMO RESPONSORIAL:      
Salmo 32 (33), 1 e 3.4-5.11-12.18-19 (R. 5b)

Refrão: A bondade do Senhor encheu a terra. Repete-se

Justos, aclamai o Senhor,
os corações rectos devem louvá-l’O.
Cantai-Lhe um cântico novo,
cantai-Lhe com arte e com alma. Refrão

A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor. Refrão

O plano do Senhor permanece eternamente
e os desígnios do seu coração por todas as gerações.
Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,
o povo que Ele escolheu para sua herança. Refrão

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome. Refrão



ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Filip 3, 8-9

Refrão: Aleluia. Repete-se

Considero todas as coisas como prejuízo,
para ganhar a Cristo e n’Ele me encontrar. Refrão



EVANGELHO:   Lc 12, 49-53

«Não vim trazer a paz, mas a divisão»

Há dias, S. Paulo dava a Jesus o nome de Paz. Hoje, é o próprio Senhor que diz que não veio estabelecer a paz. É preciso que entendamos a maneira forte, muito ao gosto dos Evangelhos, de apresentar certas ideias fundamentais da doutrina de Jesus. Ele veio como fogo para iluminar e abrasar; mas, entre aqueles que O acolhem e aqueles que recusam recebê-l’O, Jesus será ocasião de divisão e desavença.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? Tenho de receber um baptismo e estou ansioso até que ele se realize. Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».
       
Palavra da salvação.



Comentário ao Evangelho

Dionísio o Cartuxo (1402-1471), monge
Comentário ao Evangelho de Lucas, 12, 72

«Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou» (Jo 14, 27)

«Pensais que vim trazer a paz ao mundo?» É como se Cristo dissesse: «Não penseis que vim dar aos homens a paz segundo a carne e segundo este mundo, uma paz sem regras, que lhes permitisse viver em harmonia no mal, e lhes garantisse a prosperidade neste mundo. Não, digo-vos, não vim trazer uma paz deste género, mas a divisão, uma boa e salutar separação entre os espíritos e mesmo entre os corpos. Assim, porque amam a Deus e procuram a paz interior, aqueles que acreditam em Mim estarão naturalmente em desacordo com os maus; separar-se-ão daqueles que tentam desviá-los do progresso espiritual e da pureza do amor divino, ou que se esforçam por lhes criar dificuldades.»

Assim, pois, a paz espiritual, a paz interior, a paz boa é a tranquilidade da alma em Deus, e a boa harmonia segundo a justiça. Foi esta paz que Cristo veio trazer. [...] A paz interior, que tem origem no amor, consiste numa alegria inalterável da alma que se encontra em Deus. Chamamos-lhe paz do coração. É ela o começo e um certo antegosto da paz dos santos que se encontram na pátria, da paz da eternidade.

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