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Autor Tópico: Reflexão do dia  (Lida 10849 vezes)
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« Responder #90 em: 26 de Outubro de 2006, 11:56 »

Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se ateie?

Jesus não veio acabar com as guerras nem com os conflitos de gerações nas próprias famílias, mas opor-lhes o fogo da caridade até às maiores provas de amor (Evangelho). E S. Paulo pede a graça de os cristãos entrarem na onda dessa caridade e compreenderem as dimensões infinitas do amor com que Jesus nos amou primeiro (1ª leitura).

«Onde não há amor, põe tu primeiro amor e verás como nasce o amor» (S. João da Cruz). É por isso que, para redimir tanta maldade, «a bondade do Senhor encheu a terra» (Salmo).

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« Responder #91 em: 27 de Outubro de 2006, 10:51 »

Porque não sabeis discernir o tempo presente?

Estranha Jesus que sendo tão espertos para discernir os sinais de bom ou mau tempo, não saibamos discernir os sinais das oportunidades de graça que o Senhor nos oferece, antes de nos pormos a caminho de resolver algum problema com o próximo (Evangelho). E S. Paulo exorta os cristãos a aproveitar-se dessas oportunidades para serem fiéis «à maneira de viver a que foram chamados» (1ª leitura).

Não nos preocupemos apenas com o clima que faz lá fora, mas com o ambiente que criamos à nossa volta com os nossos procedimentos: «Esta é a geração dos que procuram o Senhor» (Salmo).

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« Responder #92 em: 29 de Outubro de 2006, 22:06 »

Jean Tauler (c. 1300-1361),
dominicano de Estrasburgo
Sermão 10

“Imediatamente o homem começou a ver, e seguia Jesus pelo caminho”


“Eu sou a luz do mundo” (Jo 8, 12). Ele é a luz que dá brilho a todas as luzes da terra: às luzes materiais como o sol, a lua, as estrelas e os sentidos físicos do homem; e também à luz espiritual, à inteligência do homem, graças à qual todas as criaturas devem refluir para a sua origem. Sem este refluxo, estas luzes criadas são, em si mesmas, verdadeiras trevas, comparadas com a luz autêntica por essência, que é luz para o mundo inteiro.

Nosso Senhor disse-nos: “Renuncia à tua luz, que é trevas em comparação com a minha luz, e que me é contrária, porque Eu sou a verdadeira luz e quero dar-te, em troca das tuas trevas, a minha luz eterna, a fim de que ela te pertença como a Mim mesmo, e de que tu tenhas, como Eu mesmo, o Meu ser, a Minha vida, a Minha felicidade e a Minha alegria.”

Qual é, então, o caminho mais curto, que conduz a verdadeira luz? Eis tal caminho: renunciar verdadeiramente a si mesmo, amar e não ter em vista senão só Deus […], não querer em coisa alguma o próprio interesse, mas desejar e procurar somente a honra e a glória de Deus, esperar tudo imediatamente de Deus e, sem desvio nem intermediário, a Ele remeter todas as coisas, venham de onde vierem, a fim de que haja entre Deus e nós um fluxo e um refluxo imediatos. Eis o verdadeiro caminho, o caminho recto.
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« Responder #93 em: 29 de Outubro de 2006, 22:08 »


Uma cura num sábado, sinal do dia da nova criação


O dia da nova criação: a comparação entre o domingo cristão e o sábado próprio do Antigo Testamento suscitou aprofundamentos teológicos de grande interesse. Fizeram luz, nomeadamente, na relação particular que existe entre a ressurreição e a criação. Com efeito, a reflexão cristã associou espontaneamente a ressurreição que sobreveio “o primeiro dia depois de sábado” ao primeiro dia da semana cósmica no livro do Génesis (1,15)... Essa ligação convidava a compreender a ressurreição como o começo de uma nova criação, da qual o Cristo glorioso constitui as primícias, sendo ele próprio “Primogénito de toda a criatura” e também “Primogénito de entre os mortos” (Col 1, 15.18).

Com efeito o domingo é o dia em que, mais do que qualquer outro, o cristão é chamado a recordar-se da salvação que lhe foi oferecida no baptismo e que fez dele um homem novo em Cristo. “Sepultados com Ele no baptismo, foi também com Ele que ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou” (Col 2, 12; Rom 6, 4-6). A liturgia sublinha esta dimensão baptismal do domingo convidando a celebrar também os baptismos, mais do que na Vigília pascal, nesse dia da semana “ em que a Igreja comemora a ressurreição do Senhor”, e também ao sugerir, como rito penitencial apropriado ao início da Missa, a aspersão com água benta, que relembra precisamente o acontecimento baptismal do qual nasce toda a existência cristã.

João Paulo II, Dies Domini

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« Responder #94 em: 30 de Outubro de 2006, 09:36 »

Não solta cada um de vós do estábulo o seu boi… ao sábado para o levar a beber?

Estranha Jesus que o chefe da sinagoga se escandalize tanto de Ele curar aquela mulher em dia santo, quando até dos animais se cuida nesses dias (Evangelho). E S. Paulo mostra como o comportamento dos cristãos com as pessoas deve ser bem diferente do que vêem e se apregoa à sua volta (1ª leitura).

É fácil ir atrás das maneiras de viver e de pensar de gente que não segue a Cristo, se não procuramos ser «imitadores de Deus como filhos muito amados» (Salmo).

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« Responder #95 em: 08 de Novembro de 2006, 04:20 »

Segundo a tradição dos Padres e a autoridade das Sagradas Escrituras, as renúncias são em número de três. […]

A primeira diz respeito às coisas materiais; devemos desprezar as riquezas e todos os bens deste mundo.

Pela segunda, repudiamos a nossa antiga maneira de viver, os vícios e as paixões da alma e da carne.

 Pela terceira, distanciamos o nosso espírito de todas as realidades presentes e visíveis, para contemplarmos apenas as realidades futuras e desejarmos apenas as realidades invisíveis.

Estas renúncias devem ser observadas em conjunto, como o Senhor ordenou a Abraão quando lhe disse:
“Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai” (Gn 12, 1).

"Deixa a tua terra” – isto é, as riquezas da terra –, disse em primeiro lugar.

Em segundo lugar disse: “Deixa a tua família”, isto é, os hábitos e os vícios passados que, agregando-se a nós desde o dia em que nascemos, estão estreitamente unidos a nós por uma espécie de parentesco.

E, em terceiro lugar, “Deixa a casa de teu pai”, quer dizer, todas as ligações a este mundo que se apresentam aos nossos olhos. […]

Contemplemos, como diz o Apóstolo Paulo, “não as coisas visíveis, mas as invisíveis, porque as visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas” (2 Cor 4, 18) […]; “nós, porém, somos cidadãos do céu” (Fil 3, 20). […]

Sairemos, pois, da casa do nosso antigo pai, daquele que era nosso pai segundo o homem velho, desde o dia em que nascemos, desde que “éramos por natureza filhos da ira, como os demais” (Ef 2, 3), e transferiremos toda a nossa atenção, todo o nosso espírito, para as coisas celestes.

[…] Então, a nossa alma elevar-se-á até ao mundo invisível, pela meditação constante das coisas de Deus e pela contemplação espiritual.

João Cassiano (c. 360-435), Conferências 3, 6-7
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« Responder #96 em: 18 de Novembro de 2006, 09:04 »

Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897),
carmelita, Doutora da Igreja
Manuscrito C

Rezar sempre sem desfalecer

Que grande é o poder da oração! Ela é como uma rainha que tem, em todo o momento, livre acesso à presença do rei, podendo obter tudo quanto pede. Para sermos escutados, não precisamos de procurar num livro uma bela fórmula, composta para a circunstância; se assim fosse, mal de mim! À excepção do ofício divino – que não sou digna de recitar –, não tenho coragem para me dedicar à procura de belas orações nos livros, fico cheia de dores de cabeça, tantas são elas! E depois, cada uma mais bela que as outras. Não seria capaz de as recitar a todas e, não sendo capaz de escolher entre elas, faço como as crianças que não sabem ler: digo muito simplesmente a Deus o que quero dizer-Lhe, sem frases bonitas, e Ele compreende-me sempre.

Para mim, a oração é um impulso do coração, um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e de amor, nas dores como nas alegrias; é, enfim, algo grande e sobrenatural, que me dilata a alma e me une a Jesus.
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« Responder #97 em: 20 de Novembro de 2006, 21:19 »

“Hoje, é preciso que eu fique em tua casa”


“Só em Deus repousa a minha alma; d’Ele vem a minha salvação. Só Ele é o meu rochedo e a minha salvação, a minha fortaleza; jamais vacilarei” (Sl 61, 2-3).

 Eis o mistério que canta hoje a minha lira!

Como a Zaqueu, o meu Mestre disse-me: “Desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa”. Desce depressa, mas para onde?

Ao mais profundo de mim própria: depois de me ter deixado a mim própria, separado de mim própria, despojado de mim própria, numa palavra, sem mim própria.

“É preciso que fique em tua casa”.

É o meu Mestre que me exprime esse desejo! Meu Mestre quer habitar em mim, com o Pai e o seu Espírito de amor, porque, segundo a expressão do discípulo amado, eu tenho “sociedade” com eles, eu estou em comunhão com eles (1Jo 1,3).

“Já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus”, diz S. Paulo (Ef 2,19).

Eis como eu entendo ser “ concidadãos dos santos e membros da família de Deus”: é vivendo no seio da tranquila Trindade, no meu abismo interior, nessa “fortaleza inexpugnável do santo recolhimento” de que fala S. João da Cruz...

Oh! Que bela que é esta criatura assim despojada, salva de si própria...

Ela sobe, eleva-se acima dos sentidos, da natureza; ultrapassa-se a si própria; ultrapassa também toda a alegria, assim como toda a dor, e passa através das nuvens, para só descansar quando tiver penetrado “no interior” daquele que ela ama e que lhe dará, ele próprio, o repouso...

O Mestre disse-lhe: “Desce depressa”.

 É ainda sem de lá sair que ela viverá, à imagem da Trindade imutável, num eterno presente..., tornando-se, por um olhar sempre mais simples, mais unitivo, “ o esplendor da sua glória” (Hb 1,3), dito de outro modo, “louvor e glória” da suas adoráveis perfeições.   

Bem-aventurada Isabel da Trindade (1880-1906),
carmelita - Último retiro, 42-44
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« Responder #98 em: 21 de Novembro de 2006, 09:27 »

Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria.

Mal Zaqueu deixou entrar o Senhor na sua vida e intimidade, logo o seu coração duro se encheu de justiça e de generosidade para com todos (Evangelho). Às Comunidades que viviam descuidadas do fervor primitivo, pede o Senhor que abram a porta aos seus apelos para reencontrarem a sua intimidade (1ª leitura).

Só na medida em que o Senhor toma parte na nossa vida, ela se modifica e a sua história se escreve nos livros da vida eterna. «O vencedor sentar-se-á com o Senhor no seu trono» (Salmo).

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Rita*
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« Responder #99 em: 21 de Novembro de 2006, 14:46 »

Momentos de Paz! Excalmação



São raros os momentos neste mundo veloz em que tiramos tempo para desfrutar alguns poucos momentos de Paz longe do barulho e do agitado burburinho que nos cerca.


Quando não estamos correndo de um lado para o outro, estamos socializando, exercitando, brincando, comprando, limpando e mantendo a vida em ordem. 

Qual foi a última vez que você gastou algum tempo em quieta solitude sem ter que necessariamente estar fazendo alguma coisa?

 
Simplesmente sentado olhando para o mar, ou para a beleza de um calmo lago ou observando o bater do vento sob as agitadas folhas?


Qual foi a última vez em que você esteve totalmente descontraído sem ter que atender um compromisso e com a liberdade de apenas se sentar até que estivesse pronto para seguir adiante?

Eventualmente a coisa mais saudável e o maior benefício que você pode trazer a você mesmo e a sua família é simplesmente dar uma parada completa na sua rotina. Ao fazer isso, descontraia e desfrute a abundância da vida que lhe esta sendo dada por Deus.

 Arco íris
 


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« Responder #100 em: 11 de Dezembro de 2006, 15:34 »

Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados…

Para mostrar mais visivelmente que podia curar da paralisia espiritual aquele enfermo, perdoando-lhe os pecados, Jesus curou-o, à vista de todos, da paralisia física que o tolhia completamente (Evangelho). Já Isaías anunciava que o Messias não viria só libertar «os corações perturbados» mas transformar até a natureza inteira (1ª leitura).

O poder salvador do Menino do Natal estende-se a todos os níveis do homem e do universo. É a esses níveis que «o Senhor nosso Deus vem salvar-nos» (Salmo).

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« Responder #101 em: 03 de Janeiro de 2007, 13:10 »

SOMOS FILHOS DE DEUS

Quarta-feira do Tempo de Natal


1- À imagem do seu filho.

a) A 1.ª leitura é uma rotunda afirmação da nossa condição de Filho de Deus...

b) Foi graças ao amor gratuito que Ele nos tem e manifestou em Cristo...

c) Deus ama-nos com o mesmo amor que ama Jesus...

d) É desse amor de adopção que Ele nos faz verdadeiramente filhos e irmãos uns dos outros...

2 - É uma adopção real e concreta.

a) Graças a ela podemos chamar a Deus por «Pai»...

b) Esta novidade é única e assombrosa. Os deuses das antigas mitologias jamais se preocupavam em partilhar a sua felicidade com os mortais...

c) Esta Boa Nova é avalizada pelo testemunho da Pessoa de Jesus...

3 - A alegria natalícia.

a) Todo o Evangelho, especialmente o do Tempo do Natal, é alegre notícia do amor de Deus para connosco...

b) A encarnação de Cristo põe em acção a maior revolução da História...

c) A felicidade que mutuamente nos desejamos pelo Natal, não radica na troca de presentes mas na entrada de Deus na história humana...

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« Responder #102 em: 11 de Janeiro de 2007, 12:01 »

O Evangelho de hoje (Mc 1, 40-45)

Um leproso veio ter com Ele, caiu de joelhos e suplicou: "Se quiseres, podes purificar-me." Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: "Quero, fica purificado." Imediatamente a lepra deixou-o, e ficou purificado. E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo: "Livra-te de falar disto a alguém; vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho."

Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele.

Pontos de reflexão

O leproso era votado à marginalização total, social e religiosa. Este homem não se resigna à sua sorte e acode a Jesus. Jesus purifica-o e restitui-o à comunidade. A lepra continua a afligir o homem moderno, sob diversas espécies: droga, alcoolismo, prostituição, submundo da injustiça. Perante esta sociedade de consumo que nos oprime e produz ricos e pobres, parece estarmos num mundo anímico. É preciso de novo, pedir a Jesus que purifique e limpe. Certamente continua a curar e a purificar aos que o pedem e desejam com recta intenção.
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« Responder #103 em: 13 de Junho de 2008, 10:26 »

Conta-se que Santo Agostinho andava em uma praia meditando sobre o mistério da Santíssima Trindade: um Deus em três pessoas distintas...
 Enquanto caminhava, observou um menino que portava uma pequena tigela com água. A criança ia até o mar, trazia a água e derramava dentro de um pequeno buraco que havia feito.
 Após ver repetidas vezes o menino fazer a mesma coisa, resolveu interrogá-lo sobre o que pretendia.
O menino, olhando-o, respondeu com simplicidade: -"estou querendo colocar a água do mar neste buraco".
 Santo Agostinho sorriu e respondeu-lhe: -"mas você não percebe que é impossível?".
Então, novamente olhando para Santo Agostinho, o menino respondeu-lhe: "ora, é mais fácil a água do mar caber nesse pequeno buraco do que o mistério da Santíssima Trindade ser entendido por um homem!". E continuou: "Quem fita o sol, deslumbra-se e quem persistisse em fitá-lo, cegaria. Assim sucede com os mistérios da religião: quem pretende compreendê-los deslumbra-se e quem se obstinasse em os perscrutar perderia totalmente a fé"
(Sto. Agostinho).
 Só poderíamos compreender perfeitamente a Santíssima Trindade se nós fossemos 'deus'. Podemos, contudo, por meio da razão iluminada pela fé, chegar a um conhecimento muito útil dos mistérios, considerando certas analogias da natureza. Citemos algumas: o raio branco de luz, sendo apenas um, pode ser decomposto em vermelho, amarelo e azul; a ametista brilha de três cores diferentes, segundo o lado em que se observa: é purpúrea, violeta e rósea, sem ser mais do que uma pedra. O fogo queima, ilumina e aquece, sendo apenas fogo, etc.
Bem, a Santíssima Trindade é superior à capacidade humana de entendimento, mas não contraria a razão. Dizer que existe "um Deus em três pessoas" é superior à capacidade de compreensão humana, mas não é o mesmo que dizer que é "um Deus em três deuses", que seria contrariar a razão humana.
Ou seja, o mistério é conhecido, mas não é compreendido em sua totalidade.
Portanto, a Santíssima Trindade só é conhecida através da Revelação, através das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, que era Deus e Homem verdadeiro.
 Disse Nosso Senhor: "Ensinai todas as gentes, e batizai-as em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28, 19).
É claro, que essa pequena história é só um exemplo, muito imperfeito, mas que nos ajuda a compreender o grande mistério que é a Santíssima Trindade, base de nossa Fé, fundamento de nossa Redenção, sustentáculo de nossas vidas e no qual, todos os dias, através do sinal da Cruz, nós afirmamos a nossa fé: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
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Felix
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A única verdade é a realidade.


« Responder #104 em: 13 de Junho de 2008, 16:59 »

Uma história para reflectir

    Um tostão para o Santo António

    Andava um garoto a pedir um tostãozinho para o Santo António. Uns davam, outros não.

    Até que passou por ele um senhor de sobretudo comprido, até aos pés, e de sandálias, vejam bem. E se estava frio!

    O garoto, cá de baixo, reparou no desconcerto, não deu importância. E vá de pedir:

    — Dê-me um tostãozinho para o Santo António...

    O senhor do sobretudo castanho todo esfarrapado debruçou-se para o miúdo e, sorrindo, disse-lhe assim:

    — Tanto andas tu a pedir como eu. Hoje ainda não me deram nada.

    — A mim já — respondeu o garoto. — Quer ver?

    E mostrou-lhe, na palma da mão, umas tantas moedas. O mendigo contou-as.

    — Davam e sobravam para pagar uma sopa e um pão, ali, na taberna da esquina — observou o mendigo.

    — Mas eu não tenho fome — preveniu o garoto. — A minha mãe deu-me de almoçar, ainda agora.

    O senhor mendigo suspirou e disse:

    — Pois a minha mãe já morreu. Deve ser por isso que ainda não comi nada, hoje...

    O mocinho olhou para o homem, a certificar-se se seria verdade o que ele dizia. Os olhos tristes do mendigo garantiram-lhe que sim.

    Foi a vez de o garoto suspirar:

    — Este dinheiro era para eu comprar berlindes...

    O homem de sandálias admirou-se:

    — Mas tu, há bocadinho, não pedias para o Santo António?

    O garoto riu-se:

    — É um costume. Quero eu lá saber do Santo António! É tudo para os berlindes.

    O mendigo não estranhou a revelação. Percebia-se, a conversa ia ficar por ali. Despediu-se:

    — Ainda tenho hoje muito que andar. Adeus e boa colheita.

    O rapazinho viu-o descer a ruela, num passo cansado. Então, num impulso, correu atrás dele e puxou pela ponta da corda, que o homem trazia à roda da cintura:

    — Tome lá para um pão e para uma sopa. Mas não vá ali àquela casa da esquina, que são uns mal-encarados. Na outra rua abaixo, há mais onde comer.

    O homem de sandálias e sobretudo roto, que lhe davam um ar de frade de antigamente, agradeceu as moedas e o conselho e seguiu caminho.

    O garoto voltou ao seu poiso. E quando, pouco depois, porque estava frio, meteu as mãos nos bolsos, encontrou-os atulhados de berlindes...

    António Torrado

    O mercador de coisa nenhuma

    Porto, Livraria Civilização Editora, 1994
 Cool Por vezes descobrimos umas coisas interessantes, hoje mesmo descobri este tópico e esta história para reflectir.
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