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Autor Tópico: O que é a Bíblia?  (Lida 3977 vezes)
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Xuxu
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O trabalho é árduo!


« em: 07 de Abril de 2005, 13:54 »


O que é a Bíblia?

É a coleção de livros, proclamados pela Igreja como escritos sob à inspiração do Espírito Santo, que contém a Palavra de Deus. É uma biblioteca de 73 livros de épocas, autores e escritos diferentes. Muito embora a Bíblia tenha sido inspirada pelo Espírito Santo, foi escrita por homens escolhidos por Deus que, com sua cultura, sua época e sua fé, colaboraram para que Deus se revelasse à humanidade.

Todas as narrações bíblicas foram primeiramente vividas e oralmente transmitidas e só posteriormente escritas. Este período durou aproximadamente 900 anos e tem o nome de Tradição Oral.

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« Responder #1 em: 22 de Março de 2007, 14:52 »

Informo os amigos acerca de duas traduções católicas da Biblia completa que pode consultar:

http://www.paroquias.org/biblia/index.php?pl=baptismo&lv=&cl=BIB&lg=AND&pg=1

(esta é a Nova Bíblia dos Capuchinhos, onde consultei a palavra «baptismo»)

A que se segue é uma tradução católica brasileira chamada «Avé Maria».

http://www.bibliacatolica.com.br/01/2/20.php


No mesmo sítio pode também consultar traduções em francês como a Bíblia de Jerusalém, em Inglês, latim, italiano, espanhol, grego (a Septuaginta) etc.

Em francês:
http://www.bibliacatolica.com.br/05/2/20.php

A vulgata latina:
http://www.bibliacatolica.com.br/09/2/20.php


 
(Obs. os primeiros dois algarismos correspondem à tradução; segue-se o nº de ordem do livro a consultar e por fim o capítulo separados por um traço oblíquo / )

Assim para termos a tradição em espanhol, no livro dos salmos, o salmo 118 fazemos aqui:
http://www.bibliacatolica.com.br/03/21/118.php

(obs. nalgumas traduções a numeração dos salmos é diferente. Por exemplo o salmo que aqui é numerado como o 118 corresponde ao 119 de outras traduções tanto católicas como protestantes.)

Ora veja na tradução dos Capuchinhos, aqui:

http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Sl+119

Espero que estas dicas sirvam de utilidade a muita gente.
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« Responder #2 em: 22 de Março de 2007, 16:50 »

Eu ando a estudar a forma de colocar uma bíblia on-line aqui no Portal, para consulta de todos. Fixe!
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« Responder #3 em: 22 de Março de 2007, 18:40 »

Eu só tive a intenção de compartilhar com os outros o que aprendi depois de várias tentativas de procura e a forma de colocar os links no forum para proveito dos outros, facilitando também a consulta:


Por exemplo: procurar na Bíblia dos Capuchinhos todos os versos  que contenham os as palavras Deus e amor para sabermos onde está «Deus é amor»

teremos:

http://www.paroquias.org/biblia/index.php?pl=Deus%20amor&lv=&cl=NOV&lg=AND&pg=2

Depois poderemos ver e encontrar que na pagª 2 está esse verso na 1ª de João cap 4 e verso 8:

http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=1+Jo+4,8

Mas para encontrar a frase com as 3 palavras «Deus é amor» procure «Deus%20%E9%20amor»
Assim:
http://www.paroquias.org/biblia/index.php?pl=Deus%20%E9%20amor&lv=&cl=NOV&lg=AND&pg=1

(obs. em links os espaços substituem-se por  %20 e o "é" por %E9 que são os seus respectivos códigos em hexadecimal precedido pelo sinal %)
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« Responder #4 em: 25 de Março de 2007, 15:46 »

A Bíblia não é apenas uma colecção de LIVROS, muito bem encadernados para termos em casa ou mostrarmos aos amigos.

O que mais interessa é o seu conteúdo.
Por isso, seria de louvar, abrir a Bíblia (ou metodicamente, ou mesmo à sorte) e antes de nos deitarmos lermos pelo menos um versículo, ou se Deus nos der forças para mais, um ou mais capítulos e ficarmos a meditar no que acabámos de ler durante o sono, sem nos apercebermos.

Façamos a leitura com o espírito unido ao nosso Salvador:  À tua e em seu louvor
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« Responder #5 em: 26 de Março de 2007, 17:34 »

Poucos livros são tão conhecidos em todo o mundo como a Bíblia. Dizem as estatísticas que em cada seis minutos um exemplar é vendido. Apesar da sua notoriedade, a Bíblia é, para a maioria das pessoas – incluindo muitos católicos – um livro bastante desconhecido quanto à sua origem, textos e sua interpretação.

Porquê o nome Bíblia para este conjunto de escritos? Quando foram escritos? Por quem? Em que sítios e como? As histórias neles relatadas aconteceram tal como vêm apresentadas? Como se devem ler e interpretar os textos? Que sentido tem o facto de continuarmos a ir a textos tão antigos buscar a presença de Deus para o nosso mundo contemporâneo?

A estas perguntas poderíamos acrescentar várias outras. A raiz deste questionamento é legítimo e tem sido também um interesse deste género que, em boa parte, tem feito avançar os estudos bíblicos.

De facto, a Bíblia não é de fácil leitura. Por isso, mais ainda se justifica uma formação que deixe raízes sólidas a respeito do seu processo, génesee compilação.

Uma vez percebida esta dinâmica inerente ao processo de criação da Bíblia, os passos seguintes serão compreender a riqueza que encerra e usá-la de modo adequado, como Palavra Viva e fonte de vida, sem relativismos nem fundamentalismos.

Deixo aqui algumas questões, às quais terei todo o prazer em responder, mas gostava que fossem deixando as vossas respostas.

a) Qual é a origem da palavra Bíblia e que tipo de conceitos encerra?

b) Qual a origem e como se deu a formação dos textos Bíblicos?

c) Terá havido um único autor para cada um dos livros que compõem o Antigo Testamento?

d) Descreva a cronologia dos livros do Antigo Testamento

e) Como se deu a formação do Novo Testamento? – Indique a importância da transmissão oral neste processo.

f) Que palavra unifica Antigo com o Novo Testamento? - Explique porque é que essa palavra unifica os dois testamentos.
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« Responder #6 em: 27 de Março de 2007, 10:28 »

a) Biblia vem duma palavra grega que significa LIVROS.
b) Alguns textos foram escritos mais ou menos na altura em que se deram os factos históricos. Por exemplo. muitos dos profetas. Outros vieram da tradição e foram escritos mais tarde. Por exemplo o livro de Job, cuja tradição vem antes de Moisés. Outros foram escritos, mas mais tarde compilados. Suponho que os livros de Moisés que temos hoje sofreram uma compilação posterior. Os Salmos, provérbios, foram também compilados, da tradição oral e alguns escritos vários.
Os primeiros livros da Bíblia foram escritos em hebraico com uns caracteres antigos, mas na altura do cativeiro de Babilónia (70 anos) houve uma actividade muito intensa na compilação dos livros da Bíblia, conhecida como Antigo Testamento.
c) No ponto de vista espiritual, o ÚNICO AUTOR de toda a Bíblia é YHWH, mas a escrita foi elaborada por muitas pessoas e alguns livros por mais que uma pessoa. No entanto, há uma uniformidade tão grande na Bíblia a ponto que se fosse eu a escrevê-la toda, não conseguia (confesso) manter toda essa uniformidade, mesmo com um esforço. Os copistas e mesmo os compiladores, esforçaram-se por não corrigir algumas das divergências que são visíveis.
d) Quanto à cronologia dos livros do A.T. é um pouco complexa, mas salvo algumas excepções, já se encontram na Bíblia mais ou menos por ordem cronológica.
Mas Job é anterior a Abraão embora venha antes dos Salmos.
Os Profetas vêm no fim, mas não por ordem cronológica entre si. Peço a alguém que se quiser dar ao trabalho de procurar essa cronologia. Alguns profetizaram logo após Salomão, outros durante o cativeiro de Babilónia. A maior parte dos profetas concentrou-se nos anos próximos e imediatamente anteriores ao cativeiro. Era Deus a avisar o seu povo a converter-se, para não ter que os castigar, mas em vão.
e) Os escritos do chamado Novo Testamento viram após ter sido pregada a mensagem de Cristo em toda a terra (romana) habitada. Veio pela necessidade de preservar o conteúdo da pregação. Jesus não escreveu NADA, nem era essa a intenção. Os Apóstolos tiveram como missão transmitir a mensagem que receberam e de que foram TESTEMUNHAS OCULARES. Paulo foi um dos primeiros a escrever as cartas. Foi como que uma necessidade para comunicar com os recém convertidos. Quando Paulo foi preso em Jerusalém, Lucas aproveitou a oportunidade de procurar matéria e fazer investigações junto de testemunhas oculares para escrever o evangelho com o seu nome, mas já havia muitos a fazer isso, como ele mesmo diz. Uns serviram-se do material dos outros (nessa altura não havia como hoje a cobrança de direitos de autor).
Os Actos dos Apóstolos de Lucas foram na maioria testemunhados por Lucas, fiel companheiro de Paulo e contemporâneo de Pedro. Os escritos de Paulo não foram feitos por ele em pessoa, mas pelos seus companheiros com a sua colaboração. Isto fica patente a um leitor cuidado. A transmissão oral não teve tanta importância como parece, porque os acontecimentos ainda estavam quentes. No entanto o evangelho segundo João, esse sim, (apesar de se atribuído a um apóstolo, nota-se que foi a elaboração da transmissão oral). Pensa-se que foi escrito por outro João (não Apóstolo). Há quem pense que a transmissão oral veio dum João que era sacerdote e que o escritor foi um João de origem grega, discípulo do sacerdote, que era contemporâneo e amigo de Jesus e dos Apóstolos. Talvez seja por isso que é muito mais elaborado.
f) A pergunta parece querer a resposta de TESTAMENTO. No entanto o termo TESTAMENTO, com o significado que agora tem em português não está muito correcto.
Seria melhor usar o termo ALIANÇA. Antes, em latim o termo tinha esses dois significados e em vez de actualizarem para o termo correcto, mantiveram o termo com o significado menos correcto. A palavra ALIANÇA (não testamento) unifica TODA a Bíblia em Jesus Cristo. As diversas alianças ao longo da História até Jesus Cristo serviram para preparar a vinda de Jesus. Jesus veio à terra para tomar posse do seu reino. YHWH já sabia (tal como seu Filho) que não era aceite, mas era necessário vir para bem da humanidade. O filho de Deus não se furtou a essa tarefa. A sua missão não teve o sucesso, que deveria ter, mas mesmo assim não foi em vão. Antes da sua morte Jesus estabeleceu uma ALIANÇA com os seus discípulos para que lhe preparassem a sua VOLTA, pois mais tarde, depois da sua ressurreição ELE viria tomar posse do reino que LHE pertencia. Os Apóstolos estão ansiosos e esperançosos de que Jesus voltaria ainda durante a sua vida, mas isso não aconteceu. Mas as promessas de Deus são para se cumprir, e não devemos desesperar, mas prepararmos-nos, cada vez mais para a sua vinda, que espero não tardará. Há sinais bem visíveis que isso acontecerá. Só nos resta esperar vigilantes. (Marcos 13, em especial os versos 32 a 36)
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« Responder #7 em: 27 de Março de 2007, 10:44 »

Gostei de ler as suas respostas MPP, e por isso mesmo k+ para você!

Vamos aguardar mais um pouco, para ver se mais alguém avança com as suas respostas, para depois colocar as minhas respostas.
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« Responder #8 em: 27 de Março de 2007, 11:37 »

A minha resposta não foi elaborada, mas veio ao correr do pensamento.

Seria interessante que alguém se dessa ao trabalho de fazer pesquisas cuidadas para que a resposta fosse mais elaborada, precisa e descriminada.

No entanto algumas traduções como a tradução de Jeruasalém, e a [urlhttp://www.paroquias.org/biblia/index.php?m=8]dos Capuchinhos[/url] têm muita matéria nas introduções.
Devo lembrar que não há consenso absoluto, nestas questões,  por isso para quem quiser aprofundar o tema deve consultar várias fontes.

Para complemento da informação sobre este tema consulte também este, clicando aqui.


« Última modificação: 28 de Março de 2007, 13:36 por MPP » Registado

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« Responder #9 em: 28 de Março de 2007, 17:50 »

De seguida poderão verificar as respostas às questões que colocamos anteriormente.

a) Qual é a origem da palavra Bíblia e que tipo de conceitos encerra?

Comecemos pela palavra Bíblia. Na origem deste vocábulo está a palavra grega biblos, livro, que em grego é um substantivo neutro (sem género). O seu diminutivo neutro é biblíon , isto é, livrinho ou folheto. O plural deste diminutivo, escreve-se em grego da seguinte forma: biblía. Através dum processo de latinização surgiu a palavra Bíblia, que quer dizer, em sentido estrito, folhetos ou conjunto de folhetos, já que se refere sempre a mais do que um.

Contudo, o carácter específico dos textos que compõem este conjunto de livros deu-lhe um estatuto especial, primeiro entre os judeus e depois entre os cristãos. Em rigor os judeus não aceitam todos os textos que constituem a Bíblia cristã, como veremos. Aceitam apenas alguns textos do nosso Antigo Testamento. A esse conjunto de textos chamam TaNak.

A palavra TaNak  é uma forma abreviada de designar os três grandes conjuntos que constituem as escrituras judaicas: Torah, Nebiim, Ketubim, isto é, a Lei (que corresponde ao Pentateuco), os Profetas e os Escritos. A selecção foi fixada pelos rabinos fariseus provavelmente no início do século II d.C.


b) Qual a origem e como se deu a formação dos textos Bíblicos?

A partir da segunda metade do século XIX, os estudos bíblicos sofreram um grande impulso, sobretudo nas Igrejas nascidas da Reforma, em parte devido às descobertas arqueológicas do Antigo Próximo Oriente. À medida que se foram encontrando textos literários das antigas civilizações do chamado Crescente Fértil, assim como exemplares da sua estatuária, objectos de arte e de culto, etc., foi-se ampliando o conhecimento do contexto cultural: o ambiente intelectual, simbólico, religioso e geográfico.

Entretanto, foram-se descobrindo também fragmentos e uma ou outra cópia inteira de livros bíblicos. Estes achados permitiram uma comparação crítica entre si e com as fontes existentes, de modo a apurar qual a versão mais exacta de um mesmo escrito bíblico. A mais importante das descobertas neste campo foi o espólio encontrado em Qumrân, a partir de 1947.

Qumrân é o nome de uma zona a Noroeste do Mar Morto, junto ao Deserto da Judeia.

Em 1947, dois jovens pastores beduínos, enquanto pastoreavam na zona de Qumrân, foram em busca de uma cabra que se tinha perdido no deserto da Judeia, depois de ter entrado num buraco que dava acesso a uma gruta.

Após ultrapassarem a mesma abertura por onde tinha desaparecido o animal encontraram, no fundo da gruta, antigos potes de barro contendo no seu interior preciosos manuscritos bíblicos.

Essa primeira descoberta revelou sete rolos e deu início a uma pesquisa que durou quase uma década e produziu, eventualmente, milhares de fragmentos de rolos, descobertos em onze grutas diferentes.

Durante esses anos, arqueologistas procuraram uma habitação perto das grutas que pudesse ajudar a identificar as pessoas que tinham depositado os rolos,

Fizeram escavações e colocaram a descoberto as ruínas de Kirbhet Qumrân, um complexo de estruturas localizadas num terreno entre as encostas onde foram encontradas as grutas e o Mar Morto.

Pouco tempo passado da descoberta verificou-se que os indícios históricos, paleográficos e linguísticos, bem como a datação do carbono-14, apontavam para o facto de tanto os rolos como as ruínas datarem do século III a.C. a 68 a.C. Eram antigas, de facto. Datavam do período tardio do Segundo Templo de Jerusalém, época em que Jesus de Nazaré viveu na Palestina, eram as mais antigas de todos os outros manuscritos sobreviventes em quase um milhar de anos.

Desde a descoberta, quase há meio século atrás, os rolos e a identidade do complexo vizinho têm sido objecto de grande estudo e do interesse público, bem como foco de aceso debate e controvérsia. Porque foram os rolos escondidos em cavernas? Quem os colocou lá? Quem vivia em Qumrân? Foram os habitantes responsáveis pelos rolos e pela sua presença nas grutas? Que significado e importância têm estes rolos para o Judaísmo e para o Cristianismo?

Ainda hoje as ruínas de Qumrân continuam sendo uma fonte de estudo e descoberta, fornecendo elementos que enriquecem a nossa compreensão da mentalidade subjacente ao povo que conservou tão cuidadosamente os preciosos rolos manuscritos com os textos bíblicos.


c) Terá havido um único autor para cada um dos livros que compõem o Antigo Testamento?

À medida que se foi estudando a sucessão das narrativas e comparando as diferentes versões, tornaram-se cada vez mais evidentes as dificuldades. Com efeito, foram notadas diferentes cronologias, anacronismos, repetições de episódios (narrações duplas e triplas), contradições e incongruências, além de se notarem estilos literários muito diferentes. Tudo isto colocou em causa a hipótese de ter havido um único autor de cada um dos livros que compõem o Antigo Testamento.
Os estudiosos do Antigo Testamento foram-se colocando a questão fundamental de saber como terão aparecido os textos do Antigo Testamento. Na exegese, como em todo o conhecimento que procura assentar numa base sólida, avança-se por hipóteses que mais tarde se vêem confirmadas ou são postas em causa por novos dados ou pesquisas arqueológicos. Quando os factos contrariam uma hipótese explicativa da origem dos textos, é preciso abandoná-la, substituindo-a por outra que integre e explique melhor o material encontrado.
 
Assim, a história da exegese regista os nomes de várias teorias que foram procurando explicar a origem dos livros bíblicos. Um dos grupos de livros mais estudados é o Pentateuco (a Torah, para os judeus).

Para explicar a composição literária do Pentateuco foram sendo avançadas as seguintes teorias: a Teoria dos Fragmentos, a Hipótese dos Complementos, a Teoria Documentária (onde sobressai o nome de Wellhausen). Esta última foi, a seu tempo, superada pelas seguintes: a História das Formas (H. Gunkel), a História das Tradições (G. von Rad e M. Noth) e a História da Redacção. A Escola Escandinava de Upsala, na Suécia, também criou, no século XX, a sua própria teoria explicativa cujo ponto interessante foi ter chamado a atenção para a fase anterior à existência dum texto escrito, isto é, a fase em que a transmissão de determinados acontecimentos tidos como centrais para a fé de Israel foi de forma oral.

Ao sublinhar este modo de transmissão da fé, valorizou-se, e bem, a importância da tradição oral para a vida e memória colectiva de um grupo.

Percebeu-se que muitas vezes a origem de um texto escrito não é imediatamente o acontecimento narrado, mas esse acontecimento recolhido na memória e guardado no coração de um povo ao longo de um período de tempo mais ou menos extenso. Só posteriormente surge a necessidade de o passar a escrito.

Com todos estes contributos foi-se caminhando para uma revalorização do acontecimento de fé – a experiência de encontro e diálogo pessoal com o Senhor na interioridade do coração, por um lado, e a leitura dos acontecimentos como intervenção de Deus na história, por outro – e da sua transmissão por via oral em pequenos círculos de crentes. Assim, podemos apresentar, em síntese, uma hipótese quanto ao processo de formação dos textos do Antigo Testamento:

ETAPA 1
Uma determinada pessoa ou grupo viveu um acontecimento, pessoal ou comunitário, no contexto da sua relação com Deus. Pois, no horizonte do texto bíblico está sempre a presença de Deus, e falar da sua Palavra é referir a sua intervenção na história. A densidade da experiência marca a vida das pessoas, dando-lhes uma nova orientação e sentido. E assim a experiência de fé confere um nova identidade e cria um dinamismo de vida orientado para o futuro.

ETAPA 2
Pela sua importância, o acontecimento deixa um rasto na memória, pessoal e colectiva, que é ciosamente guardado, celebrado e transmitido às gerações mais novas. Gera-se assim uma tradição oral, inicialmente circunscrito a um determinado círculo familiar ou étnico.

ETAPA 3
Durante um período, que pode ser longo, o acontecimento perdura na tradição oral, acrescentado ou modificado nalgum elemento que a meditação da fé descobre e quer pôr em evidência. O tempo flui, as circunstâncias mudam e o sabor do acontecimento passado apura-se à medida que também se amplia o horizonte da relação com Deus.

ETAPA 4
Em determinado momento, por receio da tradição oral vir a ser desvirtuada ou perdida, ou simplesmente por evolução dos hábitos culturais, dá-se a passagem à forma escrita. Surge então um texto, cujas características (vocabulário, mentalidade, estilo literário) estão directamente relacionadas com a situação de vida em que foi maturado e produzido. A quem o redigiu dá-se hoje o nome de hagiográfo, isto é, aquele que esgreve (grafa) coisas santas (hágios).

ETAPA 5
Estas unidades textuais, também ditas "fragmentos soltos de texto", de tamanho desigual, terão existido como base escrita da transmissão e celebração da fé. Em determinado momento, vieram a ser compiladas de forma a constituírem um todo orgânico e unitário, fruto de uma experiência de fé reconhecida pelo povo como válida. A compilação dum texto bíblico representa sempre um trabalho de fé viva, e a sua recolha entre os escritos que a comunidade conserva representa pelo menos um reconhecimento tácito do seu valor. Durante bastante tempo este conjunto complexo de narrativas pode receber algum acrescento, primeiro oral, depois ao ser de novo copiado, também por escrito, até que se dá a fixação definitiva do seu conteúdo, isto é, a sua "canonização" ou regulação. Por fim, estabelece-se o Cânone (regra) de quantos, quais e como são os textos reconhecidos pela comunidade como inspirados por Deus.

ETAPA 6

A compilação, embora a fé entenda feita sob inspiração do Espírito Santo, implica naturalmente algumas incoerências, dada a proveniência múltipla dos textos, a circunstâncias e as datas diferentes da sua redacção. Não obstante, os livros bíblicos têm uma coerência global e transmitem, no seu todo, uma experiência de fé, entendida como obra de Deus, que transfigura os acontecimentos, atravessa a história e interpela o leitor a prolongá-la na sua existência.


d) Descreva a cronologia dos livros do Antigo Testamento.

Entre os livros mais antigos do Antigo Testamento estão os que compõem o Pentateuco (a Torah, nas escrituras judaicas). Embora escritos entre os séculos X e VII a.C. (o livro do Deuteronómio é provavelmente uma versão trabalhada do “Livro da Lei” descoberto no Templo em 622 a.C., cfr. 2 R 23, 25), assentam em tradições orais muito mais antigas. Na sua versão actual, remontam talvez ao tempo do Exílio ou depois.


(ORDEM DE FORMAÇÃO DOS LIVROS SANTOS)



e) Como se deu a formação do Novo Testamento? – Indique a importância da transmissão oral neste processo

A composição do Novo Testamento seguiu um processo análogo, embora com características muito próprias, mercê da época em que foi produzido.

Na origem dos escritos neotestamentários está a Ressurreição de Jesus. É esta experiência, vivida, testemunhada e transmitida que constitui o primeiro anúncio da Salvação realizada e oferecida por Cristo, não só aos judeus mas à totalidade dos homens e mulheres. Há também no Novo Testamento, por isso mesmo, uma transmissão oral prévia à redacção de qualquer texto. É a vida das comunidades entretanto nascidas a partir do anúncio de Jesus como o Messias salvador que vai suscitando a necessidade de um texto escrito, tanto para a celebração da Ceia do Senhor quanto para a transmissão fidedigna das memórias apostólicas e das primeiras comunidades cristãs.

As cartas de S. Paulo são os escritos mais antigos do N.T. Seguem-se a primeira carta de S. Pedro e a carta de S. Tiago, os Evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas, os Actos dos Apóstolos, o Evangelho e cartas de S. João e, como escritos mais recentes, o Apocalipse e a segunda carta de S. Pedro.


f) Que palavra unifica Antigo com o Novo Testamento? - Explique porque é que essa palavra unifica os dois testamentos.

Os textos bíblicos recebem a sua importância da revelação de Deus que, neles e através deles, é comunicada. Mas, na tradição cristã, “a verdade profunda contida nesta revelação, tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação da humanidade, amanhece intimamente para nós na pessoa de Jesus Cristo, que é simultaneamente o mediador e a plenitude de toda a revelação” (Vat. II, Dei Verbum , 2). Jesus Cristo é a Palavra viva do Pai, aquele que centra e supera tudo que as Escrituras comunicam. Tanto o Antigo como o Novo Testamentos estão orientados para dar a conhecer o plano amoroso e salvador de Deus que tem o seu rosto, cumprimento e proximidade no Verbo feito Homem crucificado e ressuscitado.

Propomos-lhe que leia o CIC, 101-104, onde se apresenta esta relação entre a Bíblia e Jesus Cristo.

Citação de:  CIC, 101-104
103 Por esta razão, a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras tal como venera o Corpo do Senhor. Nunca cessa de distribuir aos fiéis o Pão da vida, tomado à mesa quer da Palavra de Deus, quer do Corpo de Cristo1.

104 Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra continuamente o seu alimento e a sua força2, porque nela não recebe apenas uma palavra humana, mas o que ela é na realidade: a Palavra de Deus3. «Nos livros sagrados, com efeito, o Pai que está nos Céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos, a conversar com eles»4.

1 II concílio do vaticano. Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827.
2II concílio do vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 24: AAS 58 (1966) 829.
3Cf. 7 T 2, 13.
4II concílio do vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827-828.
« Última modificação: 29 de Março de 2007, 15:39 por Trofa » Registado

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« Responder #10 em: 29 de Março de 2007, 09:46 »

Trofa, Parabens; boas pesquisas:
Mas, parece-me que a imagem da alínea e) também pertence à alínea anterior d); isto é, ambas dizem respeito ao chamado Antigo Testamento.

Jesus Cristo é o Centro e o Objectivo de toda a Bíblia.
Cito algumas palavras atribuídas a Paulo:

17Tudo isto não é mais que uma sombra das coisas que hão-de vir; a realidade está em Cristo

É verdade :
A realidade está em Cristo

Em Hebreus 10, 1 temos o mesmo pensamento.
(leia também o cap. anterior para se enquadrar)

 
Citação de: Hebreus cap 9,28 e 10,1
28*assim também Cristo, que se ofereceu uma só vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá uma segunda vez, não já por causa do pecado, mas para dar a salvação àqueles que o esperam.
1*Possuindo apenas a sombra dos bens futuros e não a expressão própria das coisas, a Lei nunca pode conduzir à perfeição aqueles que participam nos sacrifícios que se oferecem constantemente cada ano.


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« Responder #11 em: 29 de Março de 2007, 16:34 »

De um modo conciso, a Igreja Católica reconhece a Bíblia como Palavra de Deus. Afirma mesmo que “a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras tal como venera o Corpo do Senhor” (CIC 103) e que “Deus é o autor da Sagrada Escritura” (CIC 105).

De facto a afirmação de que Deus é o autor da Sagrada Escritura e que esta é inspirada é um Dogma da Igreja Católica.

Como deve ser esta afirmação compreendida? Será que Deus pegou em tábuas de pedra, pedaços de pergaminho ou papiro e se pôs a escrever Ele mesmo, bastando de depois entregar o texto, tal qual o queria, nas mãos dos profetas ou dos responsáveis da comunidade de Israel?

Depois do trajecto que acabámos de fazer nas mensagens precedentes, percorrendo as etapas de produção dos textos bíblicos, parece evidente que a afirmação “Deus é o autor da Sagrada Escritura” tem de ser explicada. Não significa exactamente o mesmo que dizer “Camões é o autor dos Lusíadas”.

O processo longo e complexo da produção dos textos que os cristãos consideram como normativos para a sua fé, inclui os seguintes três factores:

1. A iniciativa de Deus que age e Se torna presente ao coração e à consciência de alguém em determinado lugar e momento da história;

2. Alguém que acolhe essa acção de Deus, aceitando entrar em relação com Ele e transmitindo depois o acontecido;

3. Uma comunidade que confia no testemunho oral ou escrito, depois de um processo de discernimento à luz da sua fé.

Em suma, encontramos na origem das tradições orais e do texto escrito subsequente: um acontecimento fundante, uma palavra de revelação e um acto de fé colectivo que se expressam numa confissão comunitária. No processo de transmissão do acontecimento de fé vivido, recorre-se à linguagem, primeiro oral, mais tarde escrita. A transmissão tem um conteúdo (acção divina a comunicar) e uma forma (linguagem sagrada, oral ou escrita) que se encontram intimamente relacionados.

A teologia desenvolveu as noções de Revelação e Inspiração para lidar com cada um destes elementos. O conteúdo é revelação de Deus e a sua forma ou expressão verbal é inspirada por Deus. Por isso a mensagem transmitida, dita ou escrita em palavras humanas, tem para o crente um carácter sacral.

Dizer que os textos bíblicos são inspirados significa afirmar que o processo da sua formação foi acompanhado pela acção do Espírito de Deus, garantindo ao texto uma inerrância no essencial religioso que o autor humano pretendeu transmitir. Ou seja, Deus não se comunicou apenas ao nível do conteúdo a transmitir mas também ao longo do processo de elaboração da forma em que ele foi vertido e é transmitido.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) reafirma aquilo que o Concílio Ecuménico Vaticano II ensinara na Constituição Dogmática Dei Verbum:

Citação de:  CIC 106
“Deus inspirou os autores humanos dos livros sagrados. ‘Para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-se de homens, na posse das suas faculdades e capacidades, para que, agindo Ele neles e por eles, pusessem por escrito, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que Ele queria'.”

Falar em linguagem inspirada significa que aquele que a profere ou escreve, acolheu interiormente a presença e acção do Espírito Santo, aceitando livremente a elas corresponder. A inspiração divina pressupõe um encontro entre a liberdade humana e a liberdade de Deus. Por isso, a primeira de todas as palavras sagradas é a própria vida daquele ou daquela que se deixou mover e inspirar pela graça divina.

Os textos bíblicos resultam da acção do Espírito Santo em pessoas concretas, mas também da sua incidência nas comunidades que reconheceram nessas pessoas o agir de Deus. Palavra de Deus e comunidade humana mantêm entre si uma relação íntima. É a comunidade que acolhe, faz o discenimento, guarda, transmite e reconhece como válido à luz da fé determinado acontecimento ou texto.

Qual o critério que permite à comunidade julgar da credibilidade das palavras ditas ou escritas e apelidá-las de Palavra de Deus? É a sua “verdade”. Com efeito, a Verdade da palavra sagrada tem como critério de verificação, exterior à linguagem usada, a história. A Verdade da palavra inspirada é verificada pelo decorrer dos acontecimentos. É este o critério que distinque os verdadeiros dos falsos profetas: a palavra dos verdadeiros profetas cumpre-se; a dos falsos não se realiza, não é eficácia.
Existe um nexo íntimo entre inspiração e verdade da Palavra Sagrada. O Espírito Santo é a Pessoa que moveu os hagiógrafos, inspirando-os a transmitirem conteúdos revelados por Deus através de plavras humanas.
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« Responder #12 em: 30 de Março de 2007, 10:22 »

http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Livros_deuterocan%C3%B4nicos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Septuaginta

O que escreveu «Trofa» é, segundo julgo, de uma forma resumida, a posição da Igreja Católica Ap. Romana.
No entanto, há centenas de Igrejas, dentro do chamado Cristianismo, que também têm a sua posição.
Mesmo antes do Cristianismo, já havia as Sagradas Escrituras: O chamado Antigo Testamento.

Seria interessante, que as diversas correntes, que aprovam e usam as Sagradas Escrituras, aqui expressassem qual a posição da Instituição em que se entegram em questão de inspiração, e autoria do que está escrito nas Sagradas Escrituras.

Quanto aos livros aprovados, sabemos que não há consenso.

1) Os Judeus só aprovaram 39 livros da Bíblia Católica: Antigo Testamento (que os agrupam de modo diferente): Tora Neviim; Quetuvim .

2) Os cristãos que se separaram de Igreja Católica (mais conhecidos por protestantes) aprovam no Antigo Testamento os livros que foram aprovado pelos judeus, e os livros do Novo Testamento já aprovados pelos Católicos; isto é 39 livros do A.T, e 27 do N.T.; ao todo 66 livros.

3) A Igreja Católica aprova 46 livros no A. T. (mais 7 que os judeus e protestantes) e os 27 livros do N.T.: ao todo 73 livros.

4) A Igreja Ortodoxa, tem como inspirados, não só os livros aceites pelos Católicos, mas ainda mais alguns, como o 3º livo dos Macabeus; a Oração de Manassés, o Salmo 151; e mais dois livros de EsdraS.

Há, portanto, uma diversificação de conceitos, quanto à inspiração e à atribuição de quais os livros inspirados.

No entanto há uma unanimidade de que as Sagradas Escrituras têm e merecem um valor muito especial em relação a todos os outros escritos.

Por isso, eu peço a todos que não percam a sua fé na PALAVRA DE DEUS ( na medida em que agora a concebem ) e que alimentem essa chama a partir do que já têm. Assim, em colaboração com o Espírito de Deus todos seremos orientados rumo à verdade total, mas cada um consoante as suas capacidades.

Citação de: 2 Tm 3, 16   *   
De facto, toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça,
« Última modificação: 30 de Março de 2007, 11:34 por MPP » Registado

Quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se nega a crer no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus.Jo 3, 36   
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« Responder #13 em: 30 de Março de 2007, 17:23 »

Como chegaram os cristãos a um Cânone de Escrituras Sagradas?

No tempo de Jesus, havia dois Cânones das Sagradas Escrituras reconhecidos pelos judeus como Palavra Sagrada do Senhor para o seu Povo:

Tratava-se do Cânone Breve (ou Palestiniano), com 39 livros, todos escritos em hebraico, e do Cânone Grande (ou Alexandrino), formado por 46 livros (mais 7 livros do que o outro). A diferença entre os dois reside no facto de Cânone Alexandrino incluir, por considerar também inspirados por Deus, sete livros que foram escritos originalmente em grego: Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico (também conhecido como livro de Ben Sirac ou Ben Sirá), 1.º e 2.º Macabeus e Sabedoria. Inclui ainda algumas secções escritas em grego dos livros de Ester e Daniel.

O fundamento para esta diferença reside na língua original em que os textos foram escritos. Para as correntes judaicas mais ortodoxas, a única língua sagrada através da qual Deus inspira e dialoga com o Seu Povo é o hebraico. Por isso, textos que não sejam escritos em hebraicos não podem ser considerados como parte das Escrituras Sagradas.

O Cânone Grande ou Alexandrino, como o nome indica, terá surgido na cidade egípcia de Alexandria. A dispersão dos judeus pelo mundo greco-romano, durante e depois do Exílio, levou a que muitos tivessem perdido o contacto com a língua hebraica. Com o tempo deixaram de a saber falar, ler ou mesmo compreender. Tornou-se assim necessária uma tradução grega, de modo a que os crentes não ficassem privados do acesso directo à Lei de Deus, revelada a Moisés e aos profetas e transmitida pelos seus antepassados.

Em Alexandria, no norte do Egipto, cidade marcada por uma intensa vida cultural e um dinamismo mercantil assinalável, foi feita uma tradução para grego dos originais hebraicos do Cânone Breve. Essa tradução grega ficou conhecida como Versão dos Setenta (muitas vezes designada por Septuaginta ou LXX). O nome deriva de uma lenda que afirma ter sido feita a tradução por setenta sábios judeus.

Conjunto de livros que formam tanto o Antigo como o Novo Testamento.

 

A Versão dos Setenta  era sobretudo usada pelos judeus da diáspora em contexto da cultura helénica, e incluía, como vimos, alguns livros escritos originalmente em grego cuja inspiração divina era, por isso, contestada por alguns.

A sua divisão interna era também um pouco diferente da tradição hebraica, repartindo-se por Lei e História , e livros Proféticos e Poéticos . E cada um destes três grupos não coincidia internamente com a classificação hebraica, nem no número nem na ordem dos livros que o compunham.

As primeiras comunidades cristãs, nascidas a partir da vida, morte e ressurreição de Jesus, encontraram nas escrituras judaicas, usadas pelo Senhor, o anúncio da sua vinda e obra. A relação entre judeocristãos de língua hebraica e judeocristãos de cultura grega, nessas primeiras comunidades, foi por vezes difícil e marcada por polémicas até que os de língua grega se viram forçados a fugir de Jerusalém e da Judeia. Daí resultou a expansão do cristianismo em meio helénico, e o uso cada vez mais alargado nas comunidades cristãs da tradução grega da Bíblia Judaica levou a que esta viesse a tornar-se a matriz do Antigo Testamento cristão.

Entretanto, começavam a ser escritos textos nascidos da experiência cristã em ordem à transmissão e celebração da fé dos apóstolos. Tratava-se, sobretudo, de cartas, hinos e narrativas. As cartas de S. Paulo são dos textos mais antigos do Novo Testamento. Por um processo semelhante ao já explicado para o Antigo Testamento, formaram-se gradualmente os textos recolhidos por fim nos evangelhos. Foi a vida e o discernimento da comunidade cristã e seus responsáveis que, a prazo, determinou quais os escritos a reconhecer como inspirados por Deus e úteis ou mesmo necessários para o anúncio fiel de Jesus Cristo ao mundo.

Desta forma, a Bíblia (também chamada Sagrada Escritura) usada pelos cristãos divide-se, como é do conhecimento geral, em duas grandes partes: Antigo Testamento e Novo Testamento. A linha divisória entre estas duas grandes colecções de escritos é a pessoa de Jesus. O Antigo Testamento contém escritos anteriores à existência de Jesus e o Novo Testamento é o conjunto de escritos redigidos depois da sua morte e ressurreição, dando expressão à experiência espiritual e comunitária dos seus discípulos.

De forma condensada, o Catecismo da Igreja Católica apresenta a origem da formação do Cânone das Escrituras nos números 120 a 126.

Citação de:  CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (nº 120-126)
IV. O Cânon das Escrituras

120 Foi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a discernir quais os escritos que deviam ser contados na lista dos livros sagrados '". Esta lista integral é chamada «Cânon» das Escrituras. Comporta, para o Antigo Testamento, 46 (45, se se contar Jeremias e as Lamentações como um só) escritos, e, para o Novo, 27 :

    Para o Antigo Testamento: Génesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronómio, Josué, Juizes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crónicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros dos Macabeus, Job, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes (ou Coelet), o Cântico dos Cânticos, a Sabedoria, o livro de Ben-Sirá (ou Eclesiástico), Isaías, Jeremias, as Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oseias, Joel, Amos. Abdias, Jonas, Miqueias, Nahum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias;

    Para o Novo Testamento: Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João; os Actos dos Apóstolos; as epístolas de São Paulo: aos Romanos, primeira e segunda aos Coríntios, aos Gaiatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, primeira e segunda aos Tessalonicenses, primeira e segunda a Timóteo, a Tito, a Filémon; a Epístola aos Hebreus; a Epístola de Tiago, a primeira e segunda de Pedro, as três epístolas de João, a Epístola de Judas e o Apocalipse.


O Antigo Ttestamento

121 O Antigo Testamento é uma parte da Sagrada Escritura de que não se pode prescindir. Os seus livros são divinamente inspirados e conservam um valor permanente", porque a Antiga Aliança nunca foi revogada.

122 Efectivamente, «a "economia" do Antigo Testamento destinava -se, sobretudo, a preparar [...] o advento de Cristo, redentor universal». Os livros do Antigo Testamento, «apesar de conterem também coisas imperfeitas e transitórias», dão testemunho de toda a divina pedagogia do amor salvífico de Deus: neles «encontram-se sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de preces»; neles, em suma, está latente o mistério da nossa salvação».

123 Os cristãos veneram o Antigo Testamento como verdadeira Palavra de Deus. A Igreja combateu sempre vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento, sob o pretexto de que o Novo o teria feito caducar (Marcionismo).


O Novo testamento

124 «A Palavra de Deus, que é força de Deus para salvação de quem acredita, apresenta-se e manifesta o seu poder dum modo eminente nos escritos do Novo Testamento» "". Estes escritos transmitem-nos a verdade definitiva da Revelação divina. O seu objecto central é Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, os seus actos, os seus ensinamentos, a sua Paixão e glorificação, bem como os primórdios da sua Igreja sob a acção do Espírito Santo.

125 Os evangelhos são o coração de todas as Escrituras, «enquanto são o principal testemunho da vida e da doutrina do Verbo encarnado, nosso Salvador».

126 Na formação dos evangelhos podemos distinguir três etapas:

    1. A vida e os ensinamentos de Jesus. A Igreja sustenta firmemente que os quatro evangelhos, «cuja historicidade afirma sem hesitações, transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus, realmente operou e ensinou para salvação eterna dos homens, durante a sua vida terrena, até ao dia em que subiu ao Céu»,

    2. A tradição oral. «Na verdade, apôs a Ascensão do Senhor, os Apóstolos transmitiram aos seus ouvintes (com aquela compreensão mais plena de que gozavam, uma vez instruídos pêlos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo Espírito de verdade) as coisas que Ele tinha dito e feito»,

    3. Os evangelhos escritos. «Os autores sagrados, porém, escreveram os quatro evangelhos, escolhendo algumas coisas, entre as muitas transmitidas por palavra ou por escrita, sintetizando umas, desenvolvendo outras, segundo o estado das Igrejas, conser­vando, finalmente, o carácter de pregação, mas sempre de maneira a comunicarmos coisas verdadeiras e sinceras acerca de Jesus».
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« Responder #14 em: 30 de Março de 2007, 18:48 »

Marcião com a sua aversão para com o chamado Antigo Testamento poderia ter causado um mal irreparável ao cristianismo.

Ainda bem que YHWH-Deus providenciou para que isso não acontecesse.
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