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Autor Tópico: Como educar os netos  (Lida 515 vezes)
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« em: 28 de Março de 2005, 15:26 »


Como educar os netos


Oliveros F. Otero - José Altarejos
 
 

Quando se reflete um pouco sobre o que os avós podem fazer e o que não devem fazer com relação à educação dos netos, deve-se resistir à tentação de apoiar-se basicamente na casuística, como meio de chegar a conclusões.

Poderíamos pensar em filhos casados que, por uma temporada, vivem na casa de seus pais, de modo que convivem sob o mesmo tecto avós jovens, filhos casados e netos pequenos. Ou quando, vivendo cada família em sua casa, os avós jovens têm uma convivência assídua com os netos, porque estes ficam com os avós enquanto os pais trabalham fora. Ou quando as férias do avô com seus netos estão mais espaçadas no tempo, e portanto os avós conhecem menos as mudanças que vão ocorrendo no crescimento dos pequenos. Ou inclusive, aquela situação, menos habitual, mas que ocorre, de avós que, por uma ou outra razão, têm um neto ou mais em casa, em permanente convivência. Cada situação requererá diferentes indicações gerais, com respeito à possível acção educativa dos avós, além da necessidade de estudar, uma a uma, cada situação familiar, pelo que tem de irrepetível. Como estabelecer alguns critérios, mais ou menos gerais, que abrangem todas, ou quase todas as situações com respeito do papel dos avós na educação dos seus netos?


Reforço da acção educativa dos pais

Todos sabemos que existe uma condição elementar para que ocorra uma convivência feliz - de perto ou de longe - entre avós e filhos casados: o respeito mútuo. Que os filhos respeitem a casa, os costumes dos seus pais; que os avós tenham clara a consciência do respeito devido à família nova, criada pelo filho ou pela filha, na qual, além disso, existe uma pessoa - a nora ou o genro - que veio integrar-se de outro ambiente, que merece por razões óbvias a máxima consideração, o máximo respeito a seu modo de ser e de fazer as coisas. Se partimos deste critério, haverá mais acertos que erros no que se refere à educação dos netos. Porque cada movimento, cada actuação dos avós tenderá a reforçar, do modo mais natural, os critérios educativos dos pais. E não estabelecer diferenças entre o que estes dizem ou fazem com o que eles, os avós, façam ou digam diante dos netos. Naturalmente em algumas ocasiões esta norma requererá esforço para ser cumprida. Requererá um esforço e um preocupar-se por estar na mesma linha, e até uma renúncia às próprias idéias, para: - não interferir, se os pais estão corrigindo uma falta cometida pela criança; - perguntar ao neto, quando pede que lhe compre algo, se o pai e a mãe vão concordar com essa compra; - dar razão aos pais quando os netos vêm com uma queixa (e, na pior das hipóteses, para não se envolver no assunto). Isso é compatível com o objectivo de dar o melhor ao neto.

Porque o melhor, nas situações normais da vida cotidiana, será que ele veja uma coerência na conduta de todos os mais velhos, ao invés de uma guerra de competidores para ver quem o mima mais. Os avós que amam de verdade os seus netos, antes que a si próprios e a sua própria complacência, sabem delimitar perfeitamente as fronteiras entre o mimo razoável - que deixará feliz o neto sem nenhuma complicação - e o mimo que pode resultar-lhe nocivo. E os pais? O que podem fazer para reforçar o positivo da acção dos avós no que se refere à educação dos pequenos? Parece que a primeira coisa deve ser ensinar a respeitar e a amar muito os avós. E nisto, como em tudo, o principal será o exemplo, os factos, não as palavras.

Uma criança de seis anos amanhece certo dia com o capricho de não ir ao colégio. Enquanto a mãe o veste, organiza-se a batalha/discussão, não isenta de algum ou outro grito da mãe, acompanhando o choramingar da criança. Entra o avô: propõe-se, naturalmente, apoiar a mãe; mas logo que começa a falar, a mãe diz: "Deixe-nos, avô, que isto não é assunto seu." Não discutiremos agora se é razoável ou não o que a mãe disse. Mas dias depois, quando o avô está corrigindo a criança sobre algo, esta sai com uma frase que guardou daquela cena: "Avô, isto não é assunto seu." Sim, o exemplo é sempre decisivo. Se os filhos vivem o exemplo dos seus pais amando os avós (ao falar deles, ao empenhar-se na comemoração de uma festa para os avós, ao transmitir alegria, porque hoje vamos à casa dos avós), aprenderão a amá-los. Tudo isto virá acompanhado por quanto seja e façam os avós para inspirar carinho; e consegui-lo será bom, por si só; mas será ao mesmo tempo o melhor veículo para que a criança aceite a autoridade dos avós e o apreço de quanto estes queiram incutir-lhes na ordem educativa. Então, é preciso que os avós fixem alguns objectivos no capítulo de educar os netos? Diríamos que isto de preferência corresponde aos pais. Aos avós resta interessarem-se, conhecerem estes objectivos dos pais, e adaptarem-se a eles, o que tornará tudo mais fácil. Os avós desfrutarão assim dessa prazeirosa liberdade de dar, sem maiores preocupações, desvinculados de tudo quanto suponha restringir-se a obrigações características, ainda que se obriguem a não fugir das normas educativas impostas pelos pais.


Os avós devem adaptar-se aos objectivos educativos dos pais

E com tais premissas, o que dão habitualmente os avós que, sobre outras considerações, possa entrar no âmbito da educação? Tantas coisas! Dão um tempo sem pressas, onde a criança se abre para contar coisas, certa de ser compreendida; onde fará perguntas, para fixar-se nas respostas maravilhosas dos avós.

Proporcionam caminhos pelos quais ande solta a imaginação e a fantasia - as histórias dos avós, e as histórias verdadeiras dos avós sobre uma vida de antigamente, na qual viviam os pais quando eram crianças -; e dão muito carinho, outro tipo de carinho, que sirva de campo adubado onde se sustentam as ternas raízes da alma da criança, para que rebrotem em virtudes, em amor ao que é bom. Muito podem incidir os avós, ainda que a tarefa básica compita aos pais, na educação da fé. Dialogando, na linguagem da criança, belas histórias evangélicas; ensinando orações de sabor antigo; unindo afectos humanos com amores divinos. Outra vez, será a paz dos anos e o sossego que emana das palavras dos avós, o melhor marco que enquadre o interesse das crianças pelo que ouvem, um semear-lhes algo que inocentemente imitem e sintam.


A partir da acção cultural

O segundo critério seria este: os avós educam os netos a partir de sua acção cultural. Acabamos de referir-nos à educação da fé. Os elementos essenciais do bem comum de uma sociedade são: bem estar, paz e cultura. Na cultura, cuja relação etimológica com culto não deveria ser esquecida, incluem-se os bens religiosos. No mundo de hoje, não é raro encontrarmo-nos com pais desprendidos do religioso, numa família onde os avós, normalmente, vivem uma vida de fé. Que podem, ou que devem fazer então os avós? Como actuar quando - temos um exemplo directo - os pais dizem que os seus filhos não têm por que ir a Missa, ou anunciam a sua decisão de não baptizar o novo irmãozinho, próximo a nascer? Porque se trata de um problema de consciência, não cabe ficar parados ante algo que os avós contemplam como grave e prejudicial para os netos. Que fazer, então? Deve-se começar refletindo sobre o que não se deve fazer, pelo bem dos netos.


Não se pode fazer nada que possa deteriorar a imagem dos pais

Não se pode dizer aos netos que seus pais estão agindo mal, porque isto seria causar-lhes - aos netos - um sério prejuízo. O que se pode, e se deve fazer, é dialogar incansavelmente com os pais, para que modifiquem a sua actitude. E terá que correr riscos: o de que os filhos casados pensem que seus pais estão se intrometendo nas suas vidas; o dos perigos de saltar do diálogo à discussão, evitáveis se os avós sabem e se empenham em fazê-lo bem.

Realmente, os avós não podem desertar em tais ocasiões. Assumir a realidade é estar disposto a continuar lutando, quando os filhos e os netos assim o necessitam. Ainda que isto suponha perder um pouco de comodidade e de tranquilidade na sua vida. A força educativa dos avós consiste num ambicioso plano de acção cultural e nos pequenos detalhes de serviço.

Incidência educativa nos pais? Os avós jovens, pelo modo de educar dos seus filhos, os pais de seus netos, irão descobrindo falhas na sua anterior acção educativa de pais. Não é comum, por exemplo, e se necessário.


Educar os filhos para a família

Não apenas como segundos responsáveis da sua família de origem, mas também como possíveis primeiros responsáveis de uma nova família, a fundada por cada novo casamento. E agora, já recém avós, descobrem o que deveriam fazer anos atrás com os seus filhos, e não fizeram. Como resolvê-lo? Continuando, discretamente, a sua acção educativa com seus filhos, mesmo que estes já sejam pais. Na realidade, ainda que estes se casem e criem a sua própria família, ainda que se tornem adultos e independentes, um pai e uma mãe estão sempre a educar os filhos - chama-se de outra forma, se preferir - até ao último instante das suas vidas (dos filhos)Interrogação

O modo educativo será sugestivo, e em muitos casos indirecto, ou por via de terceiras pessoas (a quem delegam), mas até a morte do filho não termina a responsabilidade de ajuda educativa dos pais. A acção educativa de um avô jovem que continua actuando como pai dos seus filhos, já casados e pais, tem a vantagem de poder observar nos netos as prioridades educativas. É prioritário, por exemplo, aquilo em que consentem aos filhos e não deveriam consenti-lo. As permissividades dos pais dos seus netos lhes dão pistas para ver o que é mais urgente na sua discreta e eficaz ajuda educativa a esses primeiros educadores que são os seus filhos. O que não podem esquecer os avós jovens, em qualquer situação - normal ou anómala -, é que estão aí, na maior proximidade dessa nova família, e que algo - muito - se espera deles, ainda que não lhes digam. São os terceiros responsáveis dessa família. Não é uma responsabilidade titular, mas uma co-responsabilidade, de ajuda. Mas é uma ajuda com categoria de arte. Os avós necessitarão de ajuda orientadora para saber como continuar a educar os seus filhos, sem que estes se incomodem ou o recusem. Mesmo que tampouco poderão agradecer, porque nem se notará sua ajuda. Consistirá em: - conversar em tertúlias sobre temas educativos; - sugerir uma leitura; - elogiar uma actuação educativa; - destacar algum progresso na conduta do neto; - colocar o seu filho ou filha em contacto com uma pessoa que beneficie a sua acção educativa; - informar sobre algum curso de orientação familiar de interesse; - animar algum amigo comum para que ajude os seus filhos num ou noutro aspecto subjectivo, etc...


"Os Avós Jovens", Oliveros F. Otero - José Altarejos
Fonte: EDUFAM - www.edufam.com

 
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