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Autor Tópico: A pré-escola e a brincadeira  (Lida 11559 vezes)
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marta
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« em: 10 de Novembro de 2005, 11:56 »

Ao longo do ensino pré-escolar o mais importante é a brincadeira pois será através dela que os mais pequeninos terão a oportunidade de aprender muitas coisas novas.


Volte um pouco no tempo. Tente resgatar alguma lembrança de sua infância. Aposto que você já está sorrindo ao lembrar-se de algum amiguinho engraçado, uma cantiga de roda, uma brincadeira de rua, um desenho animado que você via repetidas vezes com o mesmo encantamento...
Agora, já adulto, é importante relembrar momentos como esses, pois isso nos faz compreender a importância que o ato de brincar tem na vida de uma criança.
Observando-a por alguns instantes, você verá que ela começa a juntar pedrinhas, transforma uma caixinha de fósforos num carrinho, inventa personagens, transforma-se em pássaro...enfim, ela brinca!
Brincar é uma comportamento espontâneo da criança.

Mas... o que é brincar?
Será que a criança está brincando apenas quando pega um carrinho ou quando inventa histórias com uma boneca? Essas são, sim, formas de brincar, mas existem outras bem mais simples e que passam por nós quase despercebidas no dia-a-dia.
Ao mudar objetos de lugar, esfregar a mão na mesa, brincar com bichos ou jogar uma caneta para o ar, a criança, além de brincar, está conhecendo o mundo ao seu redor por meio de seus sentidos.
Muitas vezes, comportamentos como esses são repreendidas e condenados por serem considerados "traquinagens". Entretanto esses momentos contribuem para a formação da criança tanto ou mais que brincadeiras com brinquedos industrializados.
O importante é que pais e educadores dêem liberdade às crianças para que elas possam se expressar e vivenciar novas experiências. Por outro lado, a criança também deve perceber que limites existem e são necessários.
Apesar do brincar ser um comportamento espontâneo da criança, o adulto deve criar situações que estimulem a brincadeira.
Artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança da ONU:
"Toda criança tem o direito ao descanso e ao lazer, e a participar de atividades de jogo e recreação, apropriadas à sua idade, e a participar livremente da vida cultural e das artes''.

O brincar e sua importância
No brincar espontâneo, na "fantasia", a criança exterioriza sua realidade interior, libera sentimentos e expressa opiniões. Por meio da brincadeira, a criança aprende a seguir regras, experimenta formas de comportamento e se socializa, descobrindo o mundo ao seu redor. Por isso, a brincadeira tem um papel decisivo nas relações entre a criança e o adulto, entre as próprias crianças e entre a criança e o meio ambiente.
Brincando, a criança pode vivenciar uma mesma situação diversas vezes. Isso, além de permitir que ela repita brincadeiras que lhe dão prazer, possibilita que ela solucione problemas e aprenda processos e comportamentos adequados.
É importante que a criança tenha um tempo livre, sem atividades agendadas, no qual possa escolher o que quer fazer, inventar coisas, jogar, conviver com amiguinhos sem um objetivo estabelecido pelo adulto.
Há uma grande preocupação com a formação da criança. Pais e educadores buscam meios de torná-las responsáveis, equilibradas, atenciosas, trabalhadeiras e esquecem-se de que o brincar pode, justamente, ser uma ferramenta para que a criança desenvolva essas qualidades.
Brincar é também um ato de aprendizagem.

Aspectos da brincadeira
Oferecer oportunidades para que a criança brinque é algo muito importante, mas é preciso que pais e educadores contribuam de muitas outras maneiras.
Uma delas é dar um bom exemplo. A criança se espelha naqueles que cuidam de sua educação, portanto é importante que pais e educadores mostrem a ela que brincar é algo divertido e valorizado. Participe das fantasias! Isso estimulará suas crianças a soltar a imaginação.
Toda criança tem seu próprio ritmo, inclusive para brincar. Isso deve ser levado em consideração para que o ato de brincar não se torne uma atividade estressante. Vivenciar experiências com prazer é, muitas vezes, mais importante que concluir tarefas com eficiência.
A criança precisa de tempo e espaço para brincar. Cabe a pais e educadores balancear o tempo destinado à brincadeira na escola, em casa, na rua, em parques, etc. O importante é que a criança tenha tempo para brincar em vários tipos de espaço. A riqueza de oportunidades, seja em relação ao tempo, seja em relação à variedade do espaço, contribui decisivamente para o desenvolvimento infantil.
Os companheiros de brincadeira também são muito importantes. Diferentes companhias geram diferentes tipos de brincadeiras e estabelecem diferentes relações com a criança. Portanto é interessante que a criança brinque com amigos da mesma idade, amigos mais velhos e mais novos, pais, familiares, vizinhos, etc. Cada uma dessas pessoas pode estimular coisas diferentes numa criança, diversificando sua relação com o mundo em que vive. É interessante, também, que a criança seja capaz de brincar sozinha, usando sua imaginação para criar e organizar situações novas.
Os brinquedos e objetos usados pela criança durante a brincadeira também contribuem muito para seu aprendizado, pois cada um deles causa uma sensação diferente e oferece possibilidades diversas. Uma criança devidamente estimulada pode descobrir brincadeiras tanto em coisas da natureza como em brinquedos sofisticados.
É preciso não confundir a qualidade do brincar com a quantidade de brinquedos. Hoje, as propagandas estão em toda parte e estimulam a compra de todo tipo de brinquedo. Isso leva a criança a pedir coisas com as quais irá brincar muito pouco, já que muitos brinquedos são exageradamente específicos e limitam a imaginação.
Pais, educadores e as próprias crianças devem estar conscientes de que não é o preço nem a quantidade de brinquedos que garantem a diversão. Brinquedos e objetos simples podem proporcionar momentos de muita alegria e aprendizagem. Basta usar a criatividade.

Brincar é possível com e sem brinquedos. Importante mesmo é usar a imaginação.

Evolução do brincar
"Brincar é coisa de criança". Você provavelmente já ouviu (ou já disse) essa frase. Mas será que é isso mesmo?
Na antigüidade, crianças de diversas idades e de ambos os sexos ficavam em locais abertos, livres, e a brincadeira tinha um caráter coletivo e de integração. Subir em árvores, correr pelos campos, colher frutas já eram garantia de diversão. Além disso, ainda existiam brinquedos, que eram construídos nas próprias comunidades.
Acredita-se que, no século XV, muitos brinquedos tenham surgido a partir de imitações realizadas pelas crianças. Elas, na verdade, observavam situações presentes na vida dos adultos e transportavam-nas para suas realidades. Assim surgiram cavalos-de-pau, bonecas e muitos outros.
As brincadeiras iam sendo transmitidas e alteradas de geração para geração. Elas eram um patrimônio cultural de uma comunidade, já que transmitiam indiretamente os valores, costumes e pensamentos de um grupo de pessoas.
De lá pra cá, muitas coisas foram mudando em nossa sociedade, e a brincadeira não poderia parar no tempo.
Com o crescimento das cidades e a correria do dia-a-dia, reduziu-se o espaço e o tempo para brincar. Os avanços tecnológicos afetaram as brincadeiras, deixando a interação entre as crianças, às vezes, em segundo plano. As propagandas passaram a estimular excessivamente o consumo de brinquedos industrializados.
Mas será que ocorreram apenas mudanças negativas? É claro que não. Hoje os brinquedos são mais fiscalizados para que apresentem boa qualidade e segurança. As inovações tecnológicas criaram uma infinidade de novos brinquedos que permitem que a criança se divirta apesar do pouco espaço. Mas, apesar disso tudo, pais e educadores devem estimular as crianças a diversificar suas brincadeiras, utilizando brinquedos, objetos e situações variados.
A brincadeira precisa ter seu espaço e seu tempo na vida das crianças.
« Última modificação: 01 de Setembro de 2007, 19:40 por marta » Registado

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