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Autor Tópico: O SOFRIMENTO DOS INOCENTES  (Lida 645 vezes)
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santa_claus
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« em: 22 de Março de 2005, 00:34 »

O sofrimento dos inocentes
O que diz a Bíblia sobre o sofrimento dos inocentes?
A objecção de Ivan Karamazov, no célebre romance de Dostoievski, continua a ser para muitos o maior obstáculo à fé num Deus de amor: poder-se-á confiar em Deus num mundo onde há crianças que são torturadas? Se Deus é bom, como pode permitir o sofrimento dos inocentes?

Testemunha da procura espiritual dos homens através dos séculos, a própria Bíblia enfrenta esta questão. Os salmos reflectem a incompreensão dos fiéis face à felicidade dos maus e à infelicidade dos justos: «De nada me serve ter um coração puro e conservar inocentes as minhas mãos! Sou posto à prova a toda a hora; todas as manhãs sou castigado... Eu, porém, Senhor, clamo por ti; de manhã a ti apresento a minha oração. Porque me rejeitas, Senhor, e escondes de mim o teu rosto?» (Salmo 73,13-14; 88,14-15). É evidente que a velha explicação que liga desgraça e pecado nem sempre funciona; existem imensos casos em que o sofrimento não é a consequência de uma existência distante de Deus.

No âmago das Escrituras hebraicas, a figura de Job é o protótipo desta interrogação. Homem justo e piedoso, passando por imensas privações, Job recusa-se a negar a sua inocência, mas também recusa abandonar a sua relação com o Senhor. Ficando agarrado a estes dois pólos até ao fim, Job vê a sua disputa com o Senhor terminar-se com novos horizontes. Não se trata de uma explicação intelectual ou de uma justificação do sofrimento, coisa monstruosa que Deus nunca poderá oferecer, mas antes a revelação de um contexto onde tudo muda de cor. Job compreende que a tentativa de solução que deita para cima de Deus a responsabilidade pelo sofrimento conduz a um impasse, ao maior dos enganos. Afastada esta falsa pista, o campo passa a estar desimpedido para uma visão mais verdadeira.

Na realidade, esta visão está lá desde o início da revelação bíblica. O primeiro inocente que encontramos nas páginas da Bíblia é Abel, injustamente assassinado pelo seu irmão Caim. Ora o autor do Génesis escreve a propósito dele palavras espantosas: «O Senhor diz a Caim: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama da terra até mim» (Génesis 4,10). Na Bíblia o sangue é a vida (ver Levítico 17,11.14) e esta vida esmagada pela malícia humana reencontra paradoxalmente uma voz. Em vez de ser abafado pela violência dos homens, o desejo de vida que habita no coração da vítima é libertado pela sua inocência ferida. O seu grito chega até Deus e provoca a sua intervenção.

Esta mesma dinâmica entra no âmago da história da salvação no relato do Êxodo. O que faz descer Deus à terra não é uma qualquer proeza ou dedicação da parte dos homens, mas sim o grito que sai da sua opressão. Os gemidos dos escravos provocam um vasto processo de libertação através do qual Deus se torna presente (ver Êxodo 2,23-25).

Com os profetas de Israel realiza-se mais um passo. Eles sofrem, até na própria carne, que Deus, o Inocente por excelência, seja rejeitado por um povo que quer ser auto-suficiente. Assim acontece com Oseias, obrigado a suportar com paciência a traição da sua bem amada, imagem da fidelidade de Deus para com o seu povo infiel. Com Jeremias, sofrendo a exclusão e a perseguição, «homem de discórdia e de polémica para toda a terra», condenado a ficar sozinho com uma «chaga que não cicatriza» (Jeremias 15,10.17-18). Seria necessário tempo para compreender que estes homens nos dão, de facto, quando sofrem por não serem escutados nem compreendidos, uma imagem do coração do próprio Deus.

Se a vida dos profetas revela que o sofrimento dos inocentes não é unicamente uma incitação à acção de Deus para restabelecer a justiça, mas também o lugar privilegiado onde os homens podem entrar no seu mistério, uma figura misteriosa que encontramos em Isaías 40-55 revela esta verdade explicitamente. Trata-se de um ser, descrito como o último dos últimos, «objecto de desprezo», que atrai como um íman toda a maldade dos outros para a transformar em sofrimento (ver Isaías 53). Mas eis que este homem aparentemente rejeitado é na realidade o Servo de Deus, quer dizer, alguém que realiza na terra o desígnio divino da salvação. Se «aprouve ao Senhor esmagá-lo com sofrimento» (Isaías 53, 10), foi a fim de o exaltar à vista de todos, para que todos vejam nele a acção do próprio Deus: Deus reconcilia consigo os que o rejeitam ao tomar sobre si próprio as consequências da sua infidelidade.

Será que a vida de Jesus nos diz algo mais?
Não é por acaso que os primeiros cristãos se debruçaram sobre estes capítulos de Isaías, quando procuravam nas Escrituras luzes para compreenderem o destino do seu mestre, Jesus. As curas que realiza já dão testemunho da sua vontade de assumir por amor os sofrimentos dos outros (ver Mateus 8,16-17). Mas é sobretudo a sua forma de enfrentar uma morte terrível que rompe o círculo infernal do mal. A condenação dum justo que responde através do perdão (ver Lucas 23,47.34) permite a realização do desígnio de Deus, que é tornar as multidões justas (ver Isaías 53,10-11). Dito de outra forma, o sofrimento de um inocente, vivido até ao fim, dá a todos os homens a leveza de uma inocência recuperada. O sangue de Jesus é «mais eloquente do que o de Abel» (Hebreus 12, 24), pois consegue a vinda de Deus à terra como uma fonte sem fim de vida nova.

O último livro da Bíblia, o Apocalipse de S. João, explicita este processo no capítulo 6, através da sua visão do desenrolar da história humana. Trata-se de um livro selado com sete selos. Os quatro primeiros descrevem a humanidade deixada por sua conta, a seguir uma curva inexorável que desce para a morte. Com o quinto selo entramos no movimento inverso, a actividade salvadora de Deus. E isso começa justamente com o grito das «almas dos que tinham sido mortos…» (Apocalipse 6,9-11), em quem se deve ver não só os mártires cristãos, mas «todo o sangue inocente derramado sobre a terra, desde o sangue do inocente Abel» (Mateus 23,35; ver Apocalipse 18,24). Em Deus, o sangue dos inocentes recebe uma eficácia que contraria os efeitos destrutivos da violência. A sua aparente derrota inaugura um movimento de libertação que culmina na cruz de Cristo.

É isso que é manifestado pela abertura do selo seguinte, onde se trata do «grande Dia da cólera do Cordeiro» (Apocalipse 6,17). A «cólera de Deus» é o termo técnico utilizado na Bíblia para exprimir a sua resposta ao pecado, que visa restabelecer a justiça posta em causa. Aqui, refere-se ao acto através do qual Jesus toma sobre si todo o mal humano sofrendo as suas consequências até ao limite, no seu próprio corpo (ver 1 Pedro 2,21-24).

Ao dar a vida até ao fim, Jesus partilha o destino de todas as vítimas inocentes e assegura assim que o seu sofrimento não foi em vão. Leva o sofrimento deles até ao interior da sua própria relação com aquele a quem chama abba, Pai, e, visto que o Pai o escuta sempre (ver João 11,42), temos a garantia de que esse sofrimento não é em vão. Traz o desaparecimento da antiga ordem mundial marcada pela injustiça e a aparição «de novos céus e de uma nova terra, onde a justiça habitará» (2 Pedro 3,13). Eis a resposta definitiva, pois vivida, dada a Ivan Karamazov e a Job. Longe de tolerar um só momento que seja o sofrimento dos inocentes, no seu Filho único Deus bebe com eles esse cálice da amargura e, ao fazê-lo, transforma-o em cálice de bênção para todos.
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Probudi se, ti koji spavas, ustani od mrtvih i Krist ce ti svijetliti.

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« Responder #1 em: 05 de Abril de 2007, 11:07 »

(2 Pedro 3,13).
Citação de: 2ª Pedro 3
13*Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos uns novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça.
Quando a Bíblia fala de céu e terra, nem se refere ao céu astronómico nem ao planeta terra. Antigamente (incluindo os tempos de Cristo e Apostólicos) chamava-se de «terra» o chão que era pisado pelos nossos pés, isto é, a superfície do que agora chamamos a crosta terrestre, que se supunha que boiava nas águas do mar. Portanto, o mar não fazia parte da terra. Por baixo da terra (no subsolo) existiam os infernos e no interior do mar as abismos.
Os novos conhecimentos da ciência do homem é que vieram a criar  novos conceitos.

O céu era a abóbada celeste onde se projectam as estrelas. Por isso o sol era do tamanho de uma pequena bola  e as estrelas eram pequeninos pontos.

Portanto, quando Deus criar novos céus e nova terra, não significa que vai criar um novo planeta «TERRA», mas uma nova crosta terrestre e uma nova abóbada para a mesma. A abobada onde se projectam as estrelas é constituída pela atmosfera azul: o céu azul.
Também as estrelas não significam os astros da astronomia, mas a sua luz que se projecta nocéu azul da terra. As estrelas cadentes e os planetas são "estrelas", na linguagem bíblica. Portanto, quando as estrelas caírem para a terra, essa linguagem bíblica refere-se às estrelas cadentes, meteoritos etc. e não às estrelas da astronomia. Estas não podem cair para o planeta terra porque elas são incomparavelmente maiores.
Falei do significado material, mas essas expressões céu e terra também têm um simbolismo espiritual cuja compreensão nos ultrapassa, por agora:( Os anjos também eram estrelas, por exemplo).
É dentro desta perspectiva antiga que devemos interpretar os termos:
«Novos céus e nova terra»
e nunca segundo o conceito astronómico que inconscientemente somos levados a isso.
Olhem para esta expressão: (Ap.6,14)
Citação de: Ap 6, 14   *   
O céu foi afastado, como um livro que se enrola e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.
Antigamente um livro não tinha folhas como agora, mas era um rolo.
Logo o céu era comparado a um véu que servia de abóbada à terra. Nesse véu estavam as estrelas. É assim que os nossos olhos físicos vêem as coisas; a aparência das coisas.

Para a ciência as coisas são muito diferentes do que os nossos olhos conseguem enxergar, tanto no «micro cosmos» (neutrino, electrão, protão, neutrão, átmos, moléculas) como no «macro cosmos» (espaço infinito, estrelas, planetas, cometas, universo ou universos etc.) e respectivos movimentos inter-planetários e inter-estelares.
Por isso, devemos esquecer o significado dos termos científicos quando lermos a Bíblia.
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Quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se nega a crer no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus.Jo 3, 36   
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