Um ano a caminhar com São Paulo

17 de Setembro de 2008

Caros leitores,

Como deve ser do conhecimento de todos, estamos em pleno Ano Paulino, e na nossa diocese - Diocese do Porto -, no passado dia 9 de Setembro, celebou-se a Solenidade da Dedicação da Catedral do Porto. Celebração presidida pelo Bispo do Porto, D. Manuel Clemente. A sua homilia pode ser lida no site da Diocese do Porto.

Como estou certo que será do interesse do leitor, não podia deixar de fazer uma referência ao Calendário Diocesano e do Folheto «ANO PASTORAL: Aprender a missão com São Paulo».
Ainda relacionado com São Paulo, ao navegar nos meandros da Internet, encontrei um texto na Paróquia do Santíssimo Sacramento, que se refere a um livro editado pelos Bispos de Portugal, e que passo a citar.

Livro «Um ano a caminhar com São Paulo»“Um dos maiores pesos que Paulo suportou foi a fadiga como resultado do intenso trabalho apostólico e manual.  O seu trabalho manual é frequentemente referido. Sabemos que era fabricante de tendas (Act 18,3) e que não era uma simples actividade esporádica, mas habitual, conforme o escreve por diversas vezes.

Mas porquê entregar-se a esse trabalho se ficava com menos tempo para a evangelização e ensino? Paulo diz aos Tessalonicenses (1Ts 2,9) que não queria ser nenhum peso para eles. Só por duas vezes, ambas na comunidade de Filipos, aceitou ajudas materiais (Fl 4,16). Porquê esta atitude, se até nisso os seus adversários terão pegado, para lhe negar a legitimidade apostólica? A melhor resposta aparece em 1Cor 9.

Aí, a argumentação de Paulo consta de 3 partes:

  • o direito à recompensa que ele e os restantes missionários  têm, devido ao trabalho apostólico, é justificado em 5 pontos (v.7-13), mas Paulo afirma ter renunciado a este direito para não criar obstáculos ao Evangelho de Cristo;
  • a renúncia a esse direito (v. 15-18) é para ele um título de glória e prefere morrer a perdê-lo. É na condição de Apóstolo e possuído por Cristo, seu escravo (Rm 1,1), que ele, por tudo o que faz, não merece recompensa, não é para ele motivo de glória, já que é Cristo quem nele actua, com o seu poder de Ressuscitado. Paulo ganhou a verdadeira liberdade que só Deus concede e devido a essa liberdade, ele vê uma recompensa ou título de glória na gratuidade do anúncio do Evangelho. A glória não é sua, mas de Cristo que nele actua, com uma caridade ilimitada;
  • a fundamentação da renúncia do Apóstolo é explicitada nos v. 19-23. Se Paulo aceitasse ser recompensado pela sua missão, poderia criar obstáculos ao Evangelho de Cristo, pois havia na época pregadores de outros movimentos filosófico-religiosos que não eram gratuitos. Paulo quer evitar confusões. Encerrar o Evangelho no circuito fechado do rendimento e da remuneração, significa tirar-lhe o que dele é mais específico: a gratuidade, própria da caridade.”

(OLIVEIRA, Anacleto - Um ano a caminhar com S. Paulo. Palheira: Gráfica de Coimbra,2008)

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